Coração Otário Parte 6

Um conto erótico de Passionate Boy
Categoria: Homossexual
Contém 3881 palavras
Data: 17/10/2011 21:57:16
Última revisão: 17/10/2011 22:37:59

Coração Otário

Capitulo: Verdade Incontestável (6)

É incrível como alguém pode destruir seu coração, e no entanto você continua amando com cada um dos pedaços. O que eu havia feito de errado? Meu erro não era claro para mim, e de todas as angustias, essa era a pior. Se ao menos eu o soubesse, eu pediria perdão. Claro, pensaria muito se meu erro era digno de um pedido de desculpas.

Flashback -- "Boa Noite sir! Afim de jogar Call Of Duty na minha casa?" Eu lia aquela mensagem imaginando se seria uma brincadeira. Ele queria jogar videogame comigo na casa dele? Eu mal havia conhecido aquele garoto! Tudo bem, menos arrogância, mais verdade... A vontade era grande, mas eu estava me sentindo pressionado. Pensei e respondi. "Não posso sair de casa...". Bateu aquela vontade de falar alguma coisa, tipo, "me dá um tempo?". Mas eu sou educadinho, e não causaria uma briga. -- Flashback

Naquela primeira mensagem eu sentia euforia, um leve formigamento nas minhas bochechas. Agora tudo que eu sentia era um buraco no peito, e como Bella Swan já o descreveu anteriormente, ele parecia um buraco negro, sugando minhas energias.

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_O que foi cara? - Comecei a bater nos meus bolsos a procura do meu celular, meu desespero era tão obvio. Após pegar o celular e segura-lo com as duas mãos, criando uma cena totalmente desnecessária, eu li a mensagem.

"Precisamos conversar". Mas não era dele, e sim do Jean.

Jean é um garoto que faz parte dos "DFC's" e era o mais apegado em Davi. Este por sua vez era mais apegado em Benjamin, que era mais apegado a mim. Pelo menos até agora. O que teria ele pra me falar? Procurando possíveis relações entre ele e Ben, não haviam muitas opções. Os dois não se gostavam muito, isso diminua bastante as chances do assunto envolver a briga, ou ele em si. "Precisamos conversar" era algo muito vago, tipico de quando o assunto tem de ser pessoal, mas no momento qualquer outra coisa não era tão importante. Me senti frustrado pela mensagem não ter sido como eu esperava, de quem eu esperava. Talvez um "Me desculpe, eu te amo. Ben".

_Então, vai falar cara? Se tá branco! Mais do que o normal... - A cara deles era de curiosidade. Todos, inclusive a mãe de Vinicius, que me olhava sentindo pena de mim.

_Desculpem, alarme falso. - Porque eu disse isso?

_Não era dele? - Disse Alencar, agora retornando os olhos ao prato, após o susto.

_Érr, eh...eu... - Gaguejei palavras sem sentido, enquanto sentia meu rosto esquentando.

_Não se preocupe. Deve ser difícil pra você, o Vinicius me contou um pouco sobre você. Saiba que eu estarei aqui para o que você precisar, tudo bem? Encare essa casa, como... seu segunda lar.

_E nós os seus irmãos! - Disse Alencar, colocando a mão no ombro de Vinicius.

_Ih incesto não Alencar! - Disse Vinicius segurando pra não desabar no riso.

_Não foi essa educação que eu te dei menino, mais respeito! - Ela falou séria, tentando manter o clima calmo.

_Me conte, aconteceu algo sério? - Ela perguntou segurando a minha mão.

_Não senhora, apenas uma mensagem do Jean dizendo que precisamos conversar. Não acho que seja nada sério. - Eu não queria dizer "Nada com ele, então não é sério..." Ainda era difícil pra mim dizer certas coisas, principalmente com a "tia Mari".

_Você pode e deve me chamar de tia Mari, ser chamada de senhora não faz nada bem a minha auto-estima. Só não diga senhora. - Enquanto ela ria, eu pude perceber que ela realmente aparentava ser jovem. Não fosse pelo filho adolescente, talvez ela pudesse mentir a idade para seus pretendentes.

_Obrigado, você é muito gentil. - Optei pelo 'você', pelo menos até minha timidez passar.

Após toda tensão, o esforço de Vinicius e Alencar em tentar me fazer sentir confortável era claro. Eles começaram a falar qualquer coisa que pudesse me fazer rir. Com o tempo eu fui me soltando, e realmente me senti em casa, mesmo com a presença de uma adulta.

O jantar estava perto do fim, e nós quatro estávamos nos divertindo e rindo. Vinicius derramou refrigerante na toalha da mesa. Nós parecíamos todos velhos conhecidos. Eu não contei nenhuma piada, por não saber alguma.

Após o jantar, os dois foram organizar a barraca onde iriamos dormir, enquanto eu jogava videogame com a mãe de Vinicius. Era estranho perder pra uma garota, principalmente ela sendo mãe do meu amigo. Não havíamos retornado 'ao assunto', eu havia esquecido após a mensagem, agora apenas a curiosidade me corroía.

Pelas horas que se seguiram, nós continuamos jogando, e então tia Mari foi dormir. Antes de se retirar, ela disse pra nós termos juízo, e que não quebrássemos nada. Foi ai que eu vi uma atitude adulta nela. Ela zelava pela gente, e pelos móveis dela. Risos. Como se três adolescentes fossem brincar de pega-pega durante a madrugada e quebrar algo de valor. Ou não.

Nós nos dirigimos para o gramado logo após tia Mari ir dormir. Saindo pela varanda, chegamos até o jardim. A grama estava molhada, e meus planos de deitar nela para observar o céu foram frustrados. O jardim era extremamente bonito. Havia uma piscina grande. Alguns tipos esquisitos de vegetação, provavelmente artificial. Parecia jardim de uma mansão, mas isso devia ser obra da mãe de Vinicius, eu acho. Pena que estava escuro para obter mais detalhes.

Desligamos a luz dos fundos, agora deixando o local num escuro total, não fosse pela luz que vinha do lua e das estrelas. Era uma bela noite.

Eu tive uma ideia para poder olhar o céu, mesmo dentro da barraca. Era colocar algum cobertor no lado de fora, e recostar apenas a cabeça ali. Foi um tanto complicado nos ajeitarmos, mas Alencar já havia deitado sobre o peito de Vinicius, ocupando bem menos espaço. Como eu havia deduzido.

_Será que ele vai ficar bem? - Disse eu, já me sentindo triste.

_Como assim? - Disse Vinicius. Eles não faziam ideia do problemão.

_Ele tem umas ideias suicidas de vez em quando, e eu na época 'idiota' sempre alimentava essa vontade dele... Depois que nós ficamos amigos, eu quase implorei pra ele não fazer nada. E ele prometeu que enquanto nós tivéssemos um ao outro, nada seria tão ruim. Não á esse ponto.

_Isso parece amor pra mim, o que você acha Ale? - Disse Vinicius sorrindo.

_Você ouviu o que eu disse? Eu disse que talvez ele se mate agora que nós estamos brigados! Seria minha culpa! Minha culpa! Minha máxima culpa! - Comecei a chorar, soluçar, não havia porque segurar as lagrimas. Me levantei e fui em direção a algum lugar para sentar. Nas escadas da varanda.

_O que foi que eu fiz meu Deus? Eu não vou aguentar se acontecer alguma coisa, eu causei isso, eu amo ele, não posso deixar nada acontecer, isso foi tudo culpa minha! - Coisas assim eram as únicas que eu conseguia pensar e dizer.

Vinicius e Alencar vieram pra perto de mim, e eu novamente me senti um idiota. Se pelo menos eu estivesse em casa, eu não estaria incomodando ninguém. Alencar me abraçou, e como eu sou bem manhoso, foi o suficiente pra mim chorar pelos minutos que se seguiram. Eu já estava com sono, cansado. Meus olhos doíam, e uma dor de cabeça havia me deixado um pouco tonto. Com eles por perto, foi bem mais fácil pegar no sono, mas mesmo assim foi difícil. Minha timidez já havia ido embora, e eu me sentia protegido de mim mesmo. O que eu tinha pra chorar, já tinha chorado, e me preocupar não ia adiantar nada. Dormir era o problema. Alias, é sempre mais difícil lidar com problemas a noite. Na cama, no silencio, você se sente inquieto, como se preocupação fosse a solução do problema. Por sorte, eu estava dentro de uma barraca, com dois amigos. Adormeci.

No outro dia eu fui a escola com cara de poucos amigos e belas olheiras. Sorte minha que nesse dia havia sol, então eu fui com óculos escuros.

Apenas Franciele perguntou o porque dos óculos e se eu me sentia melhor com os problemas que eu estava passando em casa. Eu disse que estava bem, mas tinha ficado com olheiras por não dormir direito e ter chorado um pouco após ir pra casa. Disse que meus pais haviam me pedido pra dormir em outro lugar, pois eles iriam ao enterro de um parente e não voltariam cedo. Afirmei que havia dormido na casa de Vinicius, e que Alencar também estava lá. Assim justificaria o porque eu passaria o dia com eles e não com Benjamin nem com ela.

No pátio ainda não haviam tantos alunos, nós estávamos num canto, conversando tranquilamente, eu estava de lado para o portão e de costas para a parede. Queria ver quando ele chegasse. Mas nada dele aparecer.

Já havia desistido de vê-lo quando o sinal tocou, e a preocupação veio a tona. Não posso ir embora, não faz sentido vir pro colégio estando de luto e começar a chorar pra voltar para casa. Pensei comigo mesmo que devia aguentar até o fim. Alencar e Vinicius sentaram nas classes a frente, assim nós conversaríamos.

Após quinze minutos do inicio da aula, alguém entra rapidamente pela porta, como se fugisse dos olhares de curiosos. Eu estava bem focado no quadro, mas com os óculos escuros eu pude acompanhar com os olhos a figura que passava por mim com pressa. Era ele. Estava lindo, mas abatido. Tinha olheiras, parecidas com as minhas. Senti vontade de chorar, mas estava feliz por ele estar ali. Meu coração disparou, mas logo foi destruído quando ele sentou-se na classe atrás da minha. Eram sentimentos que se misturavam. Se existe uma receita para o 'amor' ela seria "alegria + sofrimento".

Como diz o ditado "Quem nunca sofreu por amor, é porque nunca amou". Mas é bom estar apaixonado não é? A vida ganha cores. Mas é bom sofrer? Porque nós gostamos tanto do sofrimento? Talvez por amor, valha a pena.

Foi quando eu estava filosofando que Jean sentou-se ao meu lado. É verdade, eu havia esquecido da mensagem dele. O que ele queria? Nem olhei para ele, não estava afim de conversar. Ele espalhou seus materiais e escreveu num papel, passando-o para mim em seguida.

"Você recebeu minha mensagem?"

Eu escrevi.

"Sim, o que você tem pra me falar? Não estou bem humorado, então se for algo ruim, não perca tempo."

"Não pode ser escrito, posso falar com você no recreio?"

"Não, no recreio eu combinei com Alencar e Vinicius"

"E o Ben?" - Ahhhhhhhh ele me irritou.

"Jean, nós quase nunca conversamos, eu detesto você, e do nada você senta do meu lado pra falar comigo. É sobre o Davi? Tá apaixonado por ele é?"

Se eu era um cara inteligente, o Jean era um gênio. Pelo menos da boca dele pra fora. Ele competia comigo em quase todas as coisas. Até tentar aprender inglês ele tentou, ele entende, mas não consegue falar muito bem. Nós tínhamos uma relação porque eu era primo do Davi, fora isso, não ia com a cara dele. Após a chegada de Benjamin, ele mudou bastante, pois sentia medo de apanhar merecidamente, e então não tentava ser tão chamativo durante as aulas.

"Calma, não é sobre o Davi, é sobre o Ben. Eu apaixonado por um garoto? KKKK me faça rir mais."

"Pfff no recreio não posso"

"Tudo bem, nós vamos pro campo depois"

Não tinha como piorar, nós iriamos pro campo. Quando nós fomos avisados que eu não ouvi? Tanto faz...

No recreio contei tudo aos meninos, que me disseram a mesma coisa que eu havia percebido. Benjamin estava triste. Após o sinal nós caminhamos lentamente, descemos todas as escadas em direção ao campo. O sol estava forte, então seria uma boa ideia passar os últimos dois períodos aproveitando o vento de lá.

Alencar e Vinicius estavam no banco ao lado, conversando, enquanto Jean se aproximava pra finalmente encerrar o mistério que ele criou noite passada.

_Oi, posso sentar? - Ele perguntou educadamente.

_Senta.. - Eu disse.

Nos próximos minutos ele falou de diversos assuntos, e não havia dito nada sobre a mensagem. Eu não queria parecer desesperado, então deixei rolar. Até que houve um limite.

_Então, você tinha algo pra me falar não é? - Cortei o assunto chato dele pela metade, queria conversar logo com os meninos, estava apenas olhando Benjamin jogar com cara de bobo. O corpo dele era lindo, sua pela clara era extremamente atraente, o tronco, o toráx e o abdome, tudo me hipnotizava. Havia outro garoto, mais bombado que ele, (e mais bonito, mas extremamente idiota, sem conteúdo) também sem camiseta, e ele era ainda mais bonito. Do tipo loiro, do olho claro, lábios vermelhos.... Mas como eu disse, atração é um conjunto de coisas, não é sinônimo de beleza.

_É sim... - Ele disse. Havia me perdido em meus pensamentos.

_Então, pode falar. - Disse já impaciente.

_O Benjamin, é verdade que ele ta namorando com a Bianca? - Acho que ele gostava da Bianca. Será que era isso que ele queria?

_Aff, era isso? Como vou saber cara, quer que eu pergunte? Pera ai. - Ameacei gritar pras meninas que estavam do lado do campo, curtindo a partida (quero dizer os meninos).

_Não não... Vocês brigaram? Ontem ele disse que você era idiota e precisava aprender a respeitar mais os outros. - Fiquei chocado. Não acreditava nessas palavras. Fiquei com um ódio.

_Ele é um idiota, otário. - Era como eu sempre chamava ele, brincando ou não. OTÁRIO. Boas lembranças...

_Se você me dá licença, eu vou ali com o Alencar e com o Vini. - E então sai de perto dele. Estava com raiva pela fofoca que ele havia feito, principalmente por ter criado todo esse drama.

Contei para os meninos e eles me disseram pra não acreditar nele. Mas não fazia sentido, com Ben por perto, Davi quase não prestava atenção em Jean. Faria sentido ele querer fazer as pazes entre nós, e livrar-se logo do Ben. Não o contrário.

Benjamin, literalmente pra variar, e como pra me provocar, estava jogando futebol, e conversando com os dfcs. Ele até mesmo retirou a camiseta, ele sempre foi tão tímido comigo, quando eu queria ver as cicatrizes que ele tinha, ele nunca tirava a camiseta, e se escondia ao máximo. Aquilo me atingiu muito, pois Benjamin estava diferente, ele havia realmente mudado. Talvez Jean não estivesse mentindo.

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Trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=pKd06s1LNik

Escutem a música para ler os próximos trechos, quero comover você, leitor. É a música que eu ouvia no meu tempo deprê, durante os dias que eu vou narrar abaixo. Eu chorei escrevendo essa parte, especialmente devido a música, ela tem um significado especial para mim.

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Um mês depois.

Já se passou um mês desde que Benjamin e eu não nos falamos. Eu expliquei pra quem quer que perguntasse, que eu tinha intenção de ajudar alguém que passava por uma fase difícil, mas não podia ajudar quem não queria ajuda. Franciele acreditou em mim. Henri e ela estavam mais próximos do que nunca, mas quando eu estava sozinho, ela sempre me procurava e conversava comigo. Ela sabia que isso me deixava pra baixo, e eu tinha medo dela "perceber" a verdade.

Cansei de virar a cara pra ele, mas olhar quando ele estava de costas. Cansei de ignorar sua voz durante a chamada, conversar com as pessoas e fazer de conta que naquele lugar não existia ninguém. Por outro lado, era o mais certo a se fazer. Benjamin agora, estava namorado com Bianca. Ela falava pra todo mundo, que por ela os dois já tinham transado a tempos. Eu tinha nojo deles. Sempre ouvia as risadas das brincadeiras que os dois faziam por baixo da mesa. Eu estava de saco cheio disso tudo. Eles ficavam o recreio grudados, ela sentava no colo dele e "enchia a mão" lá. Era falta de respeito pra quem estava por perto. E o pior é que eu sentia ciúmes. Ele parecia ser tão carinhoso. Pelo menos eu não me preocupava mais com alguma tragédia.

Eu podia dar mais detalhes da minha desgraça, mas é tudo que vocês possam imaginar e mais um pouco. Palavras, fotos, músicas, jogos, desenhos, videos, e coisas do dia-a-dia, desde o mais simples olhar, até frases completas, tudo me lembrava dele. Foi o mês mais triste da minha vida, até aquele ponto de minha existência. O local onde nós andamos de guarda-chuva, que eu passava todos os dias, me trazia lembranças. Todas as vezes que eu passava. Cada vez que nós íamos ao campo, eu sentia saudades. Cada noite, eu chorava por ele. Adormecia chorando, com o travesseiro encharcado de lagrimas, algumas vezes acordava no meio da noite por ter tido um pesadelo, no qual ele morria. Ao acordar a primeira coisa que eu pensava era nele. Tive medo de estar falando durante o sono seu nome. Lembrava das vezes que nós contávamos nossas problemas, e dos "eu te amo" que eu já tinha ouvido. Podia contar cada um deles. Sentia falta do seu cheiro, mas pelo menos tinha sua voz. Capturada em mim, gravada em minha alma. Dizendo sempre "Eu te amo". Foi a época onde eu comecei a me cortar, assim como no vídeo que eu havia visto na casa do Vinicius. Inicialmente, era pra ser definitivo. Como um amigo disse, eu tentei abraçar a ignorância. Talvez eu preferisse ser ignorante. Não comia direito, não saia de casa, procurava algo pra me agarrar a vida e poder levantar a minha cabeça novamente. Mesmo temendo que meus olhos jamais se acostumassem novamente a luz do dia, uma verdade incontestável. Ele não me amava.

Quando tentava o suicídio, sempre após ver o sangue, jurava ser a ultima vez. A dor externa parava a dor interna, o buraco no meu peito. Mas até nessas horas, ele, meu maior problema, era meu maior salvador. Antes, eu já sentia vontade de me matar por amar e não poder ser correspondido, por não poder gritar pro mundo todo. Agora era bem pior. As palavras dele "Suicídio é para os fracos" martelavam em minha cabeça, até mesmo enquanto eu dormia. Em meus sonhos. Entrei em vários sites de auto-ajuda, escutava músicas lindas, mas extremamente pra baixo, como a "Fake Plastic Trees". Nada preenchia o vazio, parava a dor, que me impedia de viver.

Me arrastava de casa pro colégio, do colégio pra casa. Ele parecia feliz, talvez tivesse superado seus problemas, me superado. "Se eu pudesse ser quem você deseja... All the time..." Frase final da música.

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Um desses dias, eu fui até a esquina da rua na qual ele usava pra chegar até a minha rua e rumar ao colégio. Parei lá por quase vinte minutos, ia pôr um fim no meu sofrimento, se ele não quisesse ser meu amigo, pelo menos acabasse com minhas esperanças. Então uma amiga, que utilizava a mesma rua apareceu. Ela começou a conversar comigo, e trinta segundos foram o bastante, ele apareceu. Como eu estava conversando, não pude ficar a sós com ele, então não o chamei. Me convenci de que não era pra ser, foi o destino me mandando um sinal pra nós não conversarmos.

Minha vó, pessoa muito astuta, me perguntou porque meu amigo toda vez que passava pela minha casa ficava olhando pra dentro do patio, mas quando eu estava simplesmente não olhava. Davi havia contado que nós havíamos brigado, (não sei bem para quem, mas minha família toda, já estava sabendo, eles tinham medo dele ser ou drogado, ou gay, e nossa amizade era vista com maus olhos) ela até mesmo me perguntou se eu havia batido nele. Olha que ele era bem mais alto e apesar de magro, mais encorpado. Fiquei extremamente revoltado com Davi, mas isso me disse muita coisa. Ele olhava para minha casa se eu não estivesse por perto...

Eu havia me afastado dos meios de contato pela internet, raramente jogava algum jogo, apenas escutava música e chorava. A música que ele gostava tanto, "He's everything You Want" (Música essa que fez Davi duvidar da minha sexualidade), agora me deixava em depressão.

Alguns trechos da música:

(Link da música caso alguém queira http://letras.terra.com.br/vertical-horizon/41756/traducao.html)

Ele é tudo que você quer

Ele é tudo que você precisa

Ele é tudo dentro de você

Que você queria ser

Diz todas as coisas certas

No momento exato

Mas ele não lhe significa nada

E você não sabe porque

....

Você está esperando por alguém

Que lhe conserte

....

Eu sou tudo que você quer

Eu sou tudo que precisa

Eu sou tudo dentro de você

Que você queria ser

Eu digo as coisas certas

No momento exato

Mas eu não lhe significo nada e não sei porque

Por que..

Eu não sei

________________________________________

Após muito tempo na deprê, foram as músicas que me ajudaram a me recompor. Eu resolvi voltar a fazer minhas atividades normalmente. A dor ainda era excruciante, mas eu havia traçado um plano. Eu ia entrar num jogo com o nome de um amigo, e conversar com ele. É o que a distância faz... "A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande."

Entrei no jogo, achei ele e disse.

_Oi BenEu conheci algumas pessoas que leem minha história, e isso vai para vocês.

Eu estou passando por uma fase não-tão-feliz, eu perdi uma pessoa que eu amava muito, mas falar com vocês melhorou minha auto-estima. Eu escrevo pra vocês, que me adicionaram no msn, que comentaram e votaram, e pra quem estiver ai lendo, e tem um amor platônico. Eu escrevo isso pra ajudar você, contando a minha história. Saiba que, mudam os endereços e nomes, mas a história se repete. Conheci gente que é apaixonado pelo melhor amigo, conheci gente que se separou do seu amor, conheci gente que perdeu pra sempre quem amava. Se você tem vontade de sair dessa vida, escute bem. Saia da sua vida, mas não mate ela. MUDE TOTALMENTE SUA VIDA. Seja lá o que você faça, faça o contrário. Se desvencilhe de tudo que te puxa para baixo. Alguém ainda vai cruzar seu caminho!

G, meu bff, força amigo!

Binhoo, você merece alguém incrível amigo, alguém que vai te fazer muito feliz!

Luh Hof, sua história me comoveu, e me mandou de volta pro tempo desse capitulo. Forças viu!

Todas essas histórias, me fizeram mais ciente do que acontece por ai, que não sou somente eu ou você que passa/passou por isso.

Obrigado a todos vocês que gostam dos meus contos, eu continuo escrevendo por vocês, eu me sinto muito melhor sabendo que tem gente que eu ajudo escrevendo isso.

Abraços a todos!

Will52, klaos, L@f@yette, Guiih xD, BinhoOoO, Ryanzinho_, kleberber, Marcint, PatinhoB, lDara, Lukinhas17, voyeurperiferia, dago.

Muito obrigado!

Outros capítulos!

Coração Otário - Capitulo: Prólogo

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/Coração Otário - Capitulo: Destino (1)

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/Coração Otário - Capitulo: Olhos Mistériosos (2)

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/Coração Otário: - Capitulo: Ironia (3)

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/Coração Otário: - Capitulo: Montanha Russa (4)

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/Coração Otário - Capitulo: Aceitação? (5)

(http://www.casadoscontos.com.br/texto/

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Comentários

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Você é Íncrivel!!! Parabéns por esse relatos reais, quem nunca sofre por amor? adoro seus contos, é como ver nossas historias sendo relatadas...senão parecidas, muito próximas!!

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IZAQUE, SUA HISTÓRIA É MUITO LINDA!!! POXA MESMO VC PASSANDO POR TUDO ISSO, ENCONTROU FORÇAS PARA PODER SUPERAR TUDO ISSO. E QUE REALMENTE TUDO ISSO FEZ VC AMADURECER, PARABÉNS E FICO MUI FELIZ POR SUA VIDA. E QUE VC TBM NOS FAZ MUITO FELIZ, SÓ EM TER CORAGEM DE NOS RELATAR O QUE ACONTECEU CONTIGO. ESTAMOS AGUARDANDO OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!!!

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cara amei sua historia e mt parecedida com a minha so que por enquanto a minha nao tem final feliz ainda *-* eu so uma pessoa (ou pelo menos era) igual a o que vc descreveu sobre a deprê isso deixa nos pra baixo , ate hj eu tenho mas to superando flw passa msn Oks?!!

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Amigo,obrigado pela dedicatória, vc já tem lugar reservado no meu coração. Você é muito especial e mesmo quando se sentir sozinho, lembre que eu estou com você nos pensamentos... queria poder dizer em palavras o quanto eu torço por você e quero te ver feliz... O conto está ótimo, você já sabe o quanto eu admiro seus textos, continue assim e lembre-se: "A felicidade existe dentro de você, você só precisa encontrá-la"... Milhões e milhões de beijos pra você....

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vc conseguiu passar muita emoção nesse conto, está ótimo adorei!.

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diiegoh’

17/10/2011 22:55:11

Tadinho. Tu escreve mt bem cara. Mas e mt triste. Beijos

Puts, nd de “tadinho” sua história é linda e vai continuar sendo.

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Serio! Odeio me repetir, mas vc ta cada dia melhor. Ow, eu te disse q não choro, mas nesse capitulo meu olho encheu de lagrima, mas aguentei firme rsrs. Já nem sei mais oq falar Izaque, acho que para passar mais sentimento do q já ta passando só se escutasse Vc lendo sua história. To esperando mt pela 7ª parte.

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Perfeito , meu ... aproveite sua vida , tente fingir que está bem , por é o que eu acho que ele está fazendo , conto ótimo como todos os outros *-*

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