Thithi et moi, amis à jamais! Capitulo 154

Um conto erótico de Antoine G.
Categoria: Homossexual
Contém 3793 palavras
Data: 29/08/2016 21:34:39

- Oi!

- Vim almoçar com vocês.

- Olha só, eu estava pensando que tu tinhas transformado nossa casa em hotel.

- O que a Dona Cacilda fez.

- É só olhar para a mesa.

- Cadê meu prato?

- Bom, aqui a gente só coloca o prato na mesa para quem mora aqui.

- Eu não tô te entendendo.

- Dona Cacilda? – Eu a chamei

- Oi!

- A senhora pode trazer mais um prato?

- Ah, sim... Oi, seu Bruno. Desculpe não ter colocado um prato, eu não sabia que o senhor vinha almoçar em casa.

- Ninguém sabia, dona Cacilda. – Eu disse

Ele sentou e ficou me encarando. Eu comecei a comer tranquilamente, fingi que ele nem estava ali. Durante o almoço nós não trocamos uma palavra sequer. Eu terminei de almoçar, tirei a Sophie da cadeirinha e fui dar banho nela. Ele continuou almoçando.

Quando eu já estava no quarto da Sophie a arrumando, ele veio até nós.

- Podemos conversar?

- Claro!

Eu sai do quarto da Sophie e fui para o nosso. Coloquei a Sophie na nossa cama com alguns brinquedinhos e sentei ao lado dela. Ele sentou do outro lado da cama. Nossa filha ficou entre a gente brincando.

- O que está acontecendo? – Ele perguntou

Isso me fez ficar ainda mais puto, a vontade que eu tive foi de pegar o abajur e tacar na cabeça dele.

- Como é que é? – Eu disse já puto de raiva

- O que está acontecendo, por que tu estás me tratando assim?

- Tu só podes ser doido, né?

- Eu? Quer dizer que o problema agora sou eu?

- É claro que é, Bruno!

- O que foi que eu fiz?

- Se quiseres, eu posso te dar uma lista enooooorme do que tu NÃO fizeste.

- Pois então fala...

- Bom, pra começar, eu não moro sozinho nessa casa, então, eu não posso fazer tudo sozinho. A Sophie, como tu mesmo falas, é NOSSA filha, logo, a tua ajuda é sempre bem-vinda. Há dias que eu não falo contigo, há dias que eu quase nem te vejo. Tu chegas e eu tô dormindo, tu sais e eu estou dormindo. Isso acontece com a Sophie também, tu nunca mais nem falou com ela, carrega-la então está fora de cogitação. Tudo caiu nas minhas costas, eu tenho trabalho também, Bruno. Tu não és o único! Eu tenho meus compromissos, tenho toda uma vida.

- Isso é muito injusto, Antoine.

- Tu tá maluco, né? – Eu disse caindo numa gargalhada sarcástica

- Eu maluco? Eu só estou trabalhando. Não tô fazendo nada para te deixar assim.

- Exato, não tá fazendo nada. Esse é o ponto. Eu praticamente moro sozinho nessa casa, tu só vens aqui para dormir e trocar de roupa. Eu não estou dando conta de cuidar de tudo.

- Eu posso estar meio ausente, mas é só uma fase no hospital.

- Fase, né? Eu conheço essa fase, ela sempre chega. Eu estou te avisando Bruno, eu não to dando conta de tudo.

- Então, sai do teu trabalho, ora. Tu não precisas daquilo.

- Eu sinceramente não acredito que falaste isso... – Eu disse olhando sério para ele

- Não falei nada demais.

- Faz o seguinte, volta para o teu trabalho antes que tu fales mais alguma merda. Eu fico muito bem aqui com a Sophie.

- Eu não to fazendo nada demais, Antoine. Eu só estou trabalhando. Não tem motivos pra tu ficares assim.

- Bruno, cala a boca! – Eu disse fervendo de raiva

- Só tu podes falar, é isso?

Eu me controlei ao máximo, não ia brigar com ele na frente da Sophie.

- Eu vou para a casa da minha mãe, não me liga. – Eu disse me levantando da cama

- Estás saindo de casa? Como podes fazer isso?

- Vem cá? Tu estás usando droga? Por que só pode estar. Ou são drogas, ou tu és muito imbecil e eu nunca percebi. Bruno, tu não és o único que tem o direito de trabalhar e não aparecer em casa. Tu nunca estás aqui, tu nunca mais sequer se preocupou se a Sophie está bem ou não, tu jogaste tudo nas minhas costas. Aquele papo todo era só quando eu estava doente? Eu vou sim para a casa da minha mãe, pelo menos lá eu tenho com quem falar.

- Esse show todo é só por que tu estás te sentindo sozinho.

- Não seu idiota, é por que eu sinto falta de ti aqui. É por que eu não dou conta de cuidar de casa, de filho e de trabalho sozinho. É por que eu sou gente que nem tu, eu fico cansado, eu sofro, eu sinto dor. Olha pra mim, olha como eu emagreci sei lá quantos quilos. Tu realmente achas que isso tudo é um show? Tu és realmente imbecil e eu nunca percebi. – Eu fui até o quarto da Sophie para pegar algumas roupas para ela, eu realmente ia para a casa da mamam.

- Tu não vais sair de casa. – Ele disse com a Sophie no colo, ela puxava os cabelos dele

- Quem vai me impedir? Tu? Como se tu nunca estás aqui?

- Chega de criancice, ok? Tu não vais sair de casa por que não tem nenhum motivo para isso.

- Ah, não espera... tu vais gritar como ontem, né? Vai querer bater também?

- Não fala besteira, Antoine. Não sei por que tu estás assim, eu tentei conversar contigo ontem, tu não me respondias.

- É POR QUE EU ESTAVA EXTRAMAMENTE CANSADO, IDIOTA! EU SÓ QUERIA DORMIR! EU NÃO SOU OBRIGADO A FALAR CONTIGO TARDE DA NOITE SÓ POR QUE É O ÚNICO HORÁRIO QUE TU TENS DISPONIVEL NA TUA PRECIOSA AGENDA.

Eu gritei e a Sophie ficou me olhando com medo. Eu não queria fazer aquilo na frente dela, mas ele estava me provocando.

- Papa! – Ela estendeu os bracinhos para mim chorando

- Desculpa, filha! – Eu a peguei no colo e a beijei na cabecinha – Eu não queria te assustar.

- Eu só queria falar contigo...

- E eu sou obrigado a falar contigo na hora que tu queres?

- Não, não é isso!

- E por que tu gritaste?

- Eu tive um dia ruim, cansativo... eu só queria vir pra casa e falar contigo. E como tu estavas me ignorando sem motivo, isso me irritou.

- Eu não estava te ignorando, eu só não queria falar com ninguém. Eu só queria dormir.

- Desculpa ter gritado contigo.

Eu sentei com a Sophie na poltrona que tinha no quarto dela.

- Desculpa, amor... – Ele me olhou com carinha triste

- Desculpa ter gritado contigo e ter te chamado de idiota também...

Nós ficamos em silêncio.

- Tu ainda vais para a casa da tua mãe?

- Tu ainda vais viver naquele hospital?

- Tu não entendes, Antoine. Eu preciso estar lá, tenho pacientes que dependem de mim.

- Tu és o único médico do hospital?

- Não?

- Os outros médicos fazem isso também? Abandonam a família por causa do trabalho?

- Não...

- E por que tu estás fazendo isso?

- Por que eu preciso cuidar dos meus pacientes...

- Isso não justifica tua ausência em casa. Isso tem a ver com a tua mãe, não é? Depois que ela apareceu tu ficaste todo estranho.

- Não tem nada a ver com ela.

- Tu vais voltar para o hospital?

- Tenho que voltar.

- Eu só vou te avisar uma coisa, Bruno. Eu não vou ficar aqui feito um idiota cuidando de tudo pra ti, ou tu ajudas, ou eu vou para a casa da minha mãe, pelo menos lá ela me ajuda com a Sophie.

- Tu tá querendo falar que tu vais te separar de mim?

- E nós estamos juntos agora, por acaso? Há dias não nos falamos, há dias não nos beijamos, há dias não transamos... isso é estar junto pra ti?

- Tu sabes que eu te amo...

- Só mais um aviso, cuidado com as merdas que tu fazes. Todo mundo cansa, Bruno.

Eu coloquei a Sophie no berço e fui pegar algumas roupas para ela. Nós íamos para a casa da Mamam. Eu selecionei as roupinhas para ela, a peguei no colo e fui para o meu quarto, ele veio me seguindo. No meu quarto, selecionei algumas roupas para mim, arrumei meu material de trabalho.

- Não vai para a casa da tua mãe – Ele falou mansinho, agora – fica aqui comigo, eu não vou para o hospital.

- O que adianta tu não ires para o hospital só hoje? Tu não podes sacrificar a tua família só por que, ao mesmo tempo, tu sentes raiva da tua mãe e quer voltar a falar com ela. Eu já vou! Boa noite pra ti! - Eu dei um beijo no rosto dele.

Eu coloquei a mochila de roupas na costa, coloquei uma bolsa atravessada, era a bolsa dos livros e cadernos das minhas aulas, peguei a Sophie no colo e depois puxei a mochila de rodinhas que tinha meu computador e o data-show. Eu desci as escadas, com um pouco de dificuldade, é claro, e quando eu cheguei na sala, ele puxou meu braço.

- Não vai! Eu fico mais tempo em casa. Desculpa por tudo. Eu não aguento ver vocês irem embora. Eu amo vocês mais do que tudo.

Eu fiquei olhando para ele e não sabia se ficava ou se ia. Não sabia se aquele papo era só para fazer eu ficar em casa ou se ele estava falando a verdade.

- Tu achas que isso tudo é um show meu, né? Mas não é, Bruno. Eu tô exausto... – eu respirei fundo – eu tô exausto, Bruno.

- Eu sei, amor... eu sei... Vem, eu vou cuidar de ti.

- Isso tudo o que tu estás falando é só para eu ficar em casa. Eu sei que tu vais continuar morando no hospital. Eu vou continuar cuidando de tudo, vou continuar exausto, vou continuar sem ter com quem contar. Quando a gente casou, a gente prometeu se ajudar e se amar. Tu estás fugindo da tua família por que tu não consegues resolver teus sentimentos com a tua mãe.

- Para de falar isso, não é isso. E eu vou ficar mais em casa, eu prometi para vocês que eu faria isso e não cumpri minha promessa. Tu tens razão de estar chateado e eu não estou falando isso só para vocês ficarem em casa. – Ele se aproximou de mim – Eu te amo! – Ele me beijou – Fica aqui, não vai, não.

- Tu prometes ficar mais em casa e me ajudar?

- Prometo! – A Sophie tacou um tapão na cara dele

- Isso, filha! Eu queria fazer isso, bate pelo papai.

- Palhaço! – Ele disse rindo

- Bruno, se tu te ausentares assim novamente, eu vou para a casa da Mamam e não volto. Eu não tenho por que ficar morando aqui sozinho.

- Eu sei! Eu vou ficar mais com vocês. Eu não quero mais brigar assim contigo... – Ele disse abraçando a mim e a Sophie, ele estava bem tristinho

- Eu também não!

- Nós estamos bem agora?

- Tudo depende de ti...

- Então, nós estamos bem! – Ele me beijou – Nunca mais vai embora de casa, por favor. Eu não sei o que faria sem vocês.

Ele legou para o hospital e desmarcou todos os compromissos que ele “tinha”. Ele passou o dia inteiro comigo e com a Sophie. Enquanto eu planejava minhas aulas, ele ficava com ela. Eu consegui planejar uma aula bem legal para os meus alunos, o que eu não fazia há um bom tempo, já que eu estava sempre planejando e correndo atrás da Sophie.

######

Os dias se passaram e ele realmente cumpriu o que tinha prometido, ele estava ficando bem mais em casa. Eu estava menos cansado, afinal ele me ajudava bastante. Tudo tinha entrado nos eixos novamente, minha vida não estava aquele paraíso, por que isso não existe. Sempre temos alguma coisinha a aprimorar em nós, sempre temos a oportunidade de crescer, e com isso as briguinhas estão sempre presentes.

Não pensei que Bruno e eu somos um casal de velhinhos no fim da vida que não brigam, só se amam. De jeeeeeeeeeeeeeeito nenhum, nós brigamos sempre. S-E-M-P-R-E! É pela forma como criamos a Sophie, é por (ele ou eu) ter comprado algo que não precisava, é por ter deixado a toalha na cama, é por deixar roupa espalhada pelo quarto, é por não atender as ligações, é por ignorar as mensagens, é por não ter feito mercado no dia certo, é por ter tomado o último gole de leite, etc. A vida é isso, é um eterno aprendizado a dois.

Se tudo fosse perfeito, nós já estaríamos mortos e estaríamos no mundo espiritual. Eu sempre falo o seguinte: nós estamos nesse plano para crescermos espiritualmente. Eu cresci muito com o Bruno, ele me fez enxergar e compreender a vida de outra maneira. Isso é amor, é a construção e desconstrução de crenças, de ideais. É a construção mutua de carinho e amor. Amor, já diziam os indianos, se constrói, e é a mais pura verdade. Isso é tão verdade que quase 100% dos relacionamentos a distância se dissolvem ao vento no decorrer do tempo.

Nós estávamos em um sábado de manhã, nós tínhamos resolvida ficar em casa nesse final de semana, ambos precisávamos descansar.

- Eu não quero levantar! – Ele disse se apertando entre meus braços, nós estávamos na cama

- Eu também não! – Eu disse dando um beijinho na testa dele

- Será que a Sophie já acordou?

- Provavelmente sim.

- Eu vou lá olhá-la, se ela ainda estiver dormindo, eu volto pra cá e a gente dorme mais um pouquinho, tá?

- Unrum! – Eu disse de olhos fechados

Ele foi ao quarto da Sophie e voltou, se ele demorou ou não, eu não sabia, devo ter dormido nesse intervalo de tempo.

- Ela tá dormindo ainda. – Ele disse deitando e me abraçando, ficamos de conchinha

- Unrum!

- Vamos dormir! – Eu já estava dormindo praticamente

Nós dormimos até as 10h, que foi o horário que a Sophie levantou. Quando ela levantava, logo a gente tinha que levantar também, por que a bonitinha não sabia ficar quietinha, ela tinha que acordar, levantar e dar umas voltinhas pelo jardim da casa ou pelo bairro. Eu tinha a acostumado mal, que na verdade era bem, afinal fazia muito bem para saúde dela pegar o sol fresquinho da manhã. Só não fazia bem para o nosso cansaço.

Nós três nos levantamos, tomamos banho e nos arrumamos, íamos dar uma voltinha com ela no bairro.

- O sol já tá quente, Bruno, não faz bem leva-la.

- Mas que queria dar uma voltinha com ela...

- Mas não é um bom horário, amor.

- Poxaaa!

- Temos que fazer café... – Eu disse fazendo careta

- Tu não queres fazer?

- Nem um pouquinho sequer... vamos tomar café fora?

- Na casa da tua mãe?

- Não, fora... tipo fora mesmo.

- Ah, vamos naquela panificadora que eu gosto então.

- Perfeito! Assim, tu dás a voltinha que tu querias dar com a Sophie.

A moleca era só festa, bastava falar em rua que ela ficava toda feliz. Mas feliz mesmo. Não tinha como negar que aquela menina era minha filha. Nós fomos para a panificadora e logo chegando lá as pessoas já ficavam olhando pra gente de atravessado só por que o Bruno estava com a Sophie no sling. A vontade que eu tinha era sair mostrando cotoco pra toooooooooooodooooo mundo e para os mais abusados, ainda mandar de foder. Só por que eu sou educado. Tem horas que a gente perde a paciência com esse povo que tem a cabeça do tamanho de um grão de arroz.

- Esse povo não para de olhar pra gente. – Eu disse baixinho para o Bruno enquanto montávamos nossos cafés.

- É inveja da nossa felicidade. Deixa pra lá...

Nós nos servimos, pesamos e pagamos. Quando nós fomos sentar, nós escolhemos uma mesa do lado de um senhor de idade. Foi a gente sentar para ele levantar de cara feia.

- Esse velho já é feio ainda faz cara feia, quer o que? Me matar de susto? Cruz credo!

- Antoine! Não provoca!

- Não tô provocando nada. Vou agir normalmente, fodam-se todos. Eu tô aqui pagando, não to pedindo dinheiro de ninguém.

Nós tomamos café tranquilamente, as pessoas foram se acostumando com a nossa presença. Quando nós estávamos quase terminando, entraram duas crianças, uma aparentava ter 10 anos e a outra uns 6 aninhos. Eram tão miudinhos, tão magrinhos. Eles foram de mesa em mesa pedindo dinheiro e as pessoas ou olhavam de cara feia ou enxotavam as crianças. Eu nem esperei eles chegarem na nossa mesa.

- Oi! Tudo bem? – Eu disse me abaixando a altura deles

- Oi! O senhor teria alguma moeda pra dar pra gente?

- Vocês já tomaram café?

- Não, tio! – O menorzinho disse

- Vocês estão com fome?

- Estamos!

- Cadê os pais de vocês?

- A gente só tem mãe.

- E onde ela está?

- No hospital.

- E pra que vocês querem dinheiro? – Eu perguntei para o mais velho

- Pra comprar remédio pra nossa mãe.

Aquilo me cortou o coração em mil pedaços.

- Venham com o tio, venham... Eu vou montar um prato bem gostoso para vocês.

Eu os levei até o buffet e primeiro eu fui perguntando o que eles queriam. Os bichinhos tinham vergonha de dizer, então, eu fui colocando tudo o que eu achava que criança gostava. Montei um bom prato para eles e os levei até a nossa mesa. Eu esperei eles comerem, eles comeram tudo, com certeza deveriam estar mortos de fome.

As pessoas ficaram me olhando. É incrível como elas só sabem julgar as pessoas, não tem um pingo de humanidade. Não há nenhuma postura altruísta. As crianças com fome e sendo ignoradas por todos.

- Em que hospital está a mãe de vocês, meninos?

- É no hospital... – maiorzinho ficou pensando – Esqueci o nome, tio! – Ele disse assustado

- Deixa eu te ajudar a lembrar – eu fui falando o nome dos hospitais de Macapá

- É esse aí, tio!

- Ótimo, é no pronto socorro.

- O que ela tem? – Bruno perguntou

- Não sei! Os médicos não deixam a gente ficar lá, a gente só conseguiu falar uma vez com a mamãe e ela pediu pra gente tentar conseguir dinheiro para os remédios.

- Os médicos não deixaram ninguém responsável por vocês?

- Não!

- Meu Deus! – Eu disse – Vamos fazer assim, nós vamos lá no hospital com vocês, tá? Aí, a gente vê qual remédio a mãe de vocês está precisando.

Nós fomos para o hospital com as crianças. As pessoas pensaram com certeza que nós estávamos levando as crianças para serem molestadas, pois todos fizeram cara feia. Quando nós chegamos no hospital, Bruno e o menorzinho ficaram com a Sophie no carro. O maiorzinho e eu fomos até a recepção do Pronto Socorro. Eu me informei onde a mãe dele estava e a enfermeira não queria me deixar entrar de jeito nenhum. Eu fiz o maior escândalo, eles só me deixaram ver a mãe dos meninos, pois eu disse que eu iria processar o hospital e principalmente a equipe que deveria ter ficado responsável pelas crianças.

Eu fui levando a criança até o quarto, fui segurando a mãozinha dele. Quando ele viu a mãe na cama da enfermaria, ele saiu correndo e chorando. Fiquei imaginando como o coraçãozinho daquela criança deveria estar. Eu me aproximei deles.

- Oi, senhora. Tudo bem?

- Tudo sim, senhor! – Era visível que não estava nada bem

- Eu encontrei seus filhos em uma panificadora pedindo dinheiro para comprar seus remédios.

- Oh, meu Deus! – A mulher colocou a mão no rosto e começou a chorar.

- Se acalme! – Eu segurei calmamente no braço dela – Eu vim lhe ajudar – Aí que ela chorou mesmo

Eu pude ver como aquela senhora estava angustiada.

Ela me contou toda a história dela. Eles moravam em uma região de área alagada. Aqui em Macapá tem muito isso, as casas são construídas sobre a água, são áreas enormes, com longas pontes. Tudo é em madeira, a fiação elétrica é de má qualidade, o que gera vários incêndios. Ela me disse que foi por causa dessas fiações que a casa dela pegou fogo. Ela se queimou gravemente tentando retirar as poucas coisas que ela tinha. Por sorte, as crianças estavam na escola. Ela me disse que era somente ela e os filhos, ela não tinha família. Ela me contou toda a sua história chorando.

- Quais são os remédios que a senhora precisa?

Ela me mostrou as receitas, o hospital deveria dar, se ele tivesse remédios na farmácia. Eu peguei todas as receitas e a informei que eu iria comprar os remédios. Eu a deixei com o filho, mesmo as enfermeiras não aceitando. Eu prometi que iria trazer o menor junto com os remédios.

Eu fui até o carro e informei ao Bruno que eu iria à farmácia que ficava bem na outra esquina, quase de frente para o hospital. Fui até lá e comprei os remédios da senhora, voltei para o hospital e levei o menorzinho junto comigo até a mãe. Eu deixei as crianças com ela e entreguei os remédios. Ela, com muita vergonha, me pediu para deixar os filhos na casa de uma vizinha, pediu para eu explicar toda a situação. Eu o fiz de bom grado.

Aquela senhora me agradeceu tanto, chorou tanto me agradecendo que eu pude sentir toda a gratidão que emanava dela. Eu disse que tinha que ir, peguei as crianças e prometi vir ve-la na segunda feira. Enquanto eu estava na enfermaria, o médico passou e por sorte era um amigo do Bruno, ele também trabalhava no mesmo hospital que o Bruno.

- Ué, o que fazes aqui, Antoine? Cadê o Bruno?

- Eu vim ver essa senhora, Ramon. Tu que és o médico dela?

- Por agora, sim. Ela está na emergência.

- Poxa, Ramon, dá uma olhadinha nela. Eu comprei os remédios dela, já que aqui não tem.

- Aqui tá um caos, Antoine. Daqui a pouco o governo tira até nós, os médicos, daqui de dentro, por que nós já não temos quase nenhum recurso para desenvolver um bom trabalho.

- Olha ela, Ramon. Ela só tem essas duas crianças, e eu as encontrei ainda pouco numa panificadora, mortos de fome, pedindo dinheiro para comprar remédios para a mãe.

- Ué, eles não foram encaminhados para o conselho tutelar?

- Não, largaram as crianças na rua, praticamente.

- Caramba! Não, pode deixar, durante meu plantão eu vou dar uma atenção a ela.

- Poxa, obrigado! Eu vou levar as crianças até a casa da vizinha deles, eles não têm família aqui.

- Nossa, que atitude bonita, Antoine!

- Nós temos que ajudar o próximo, né?!

Eu me despedi de Ramon, de Jane (a mãe das crianças) e peguei os meninos e fui até onde eles moravam. Os deixei sobre os cuidados da vizinha que tinha três filhos quase da mesma idade dos meninos. Informei a ela o estado da mãe das crianças, ela me disse que cuidaria dos meninos até a Jane poder voltar.

Eu fui para casa pensando nessa família. Como Deus é bom e nos utiliza para ajudar os outros. Quando a gente quer fazer o bem o universo nos ajuda, até colocar um amigo do Bruno no meu caminho ele coloca. Positividade atrai positividade, bondade atrai bondade, luz atrai luz.

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Comentários

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Maravilhosoo..

Linda a sua atitude por que nos dias de hoje está muito difícil vê pessoas assim com o coração bom .. 👏👏👌

Obs.: Gentileza gera Gentileza 🌷

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Que bom que se acerataram. Fico a ngustiado quando vejo que estão pasando por turbulência no relacionamento. Quanto ao que fizeste para a família desamparada, não há palavras para elogiar. Infelizmente as pessoas se esquecem da Lei Suprema: "Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo." Um abaço carinhoso para ti, para Bruno e para Sophie.

P.S.: Posso enviar beijos carinhosos para vocês? O tipo de pessoas que são merece um carinho maior.

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Hoje recebi essa mensagem em um grupo do Whats e na hora lembrei-me de vc. ¨O Bem que vc pratica em algum lugar é seu advogado em toda parte¨. ( Chico Xavier)

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Ainda bem que vcs conversaram e se acertaram, pelo menos por enquanto. Esse gesto de vcs com essas pessoas que vcs nem conheciam é realmente uma coisa incrível. Era pra ser considerada como uma coisa normal, mas infelizmente, nesse País são poucas as pessoas que são capazes de gestos como de vcs. Bjs e amando cada vez mais vcs. Bjs muito grande pra tua peq. Sophie.

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Viado francês. Perdi o acesso da minha conta. Tive que fazer outra, mas a vida segue né! Como estão as coisas por aí?

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Lindo gesto, confesso que hoje está tão difícil aqui no Rio, pois são tantos cracudos e crianças também que não sabemos se dá pra ajudar ou não.

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poxa toine fiquei tocado por sua ação quisera deus que todos fossem que nem voce e obruno o mundo seria sim um lugar muito amavel e gentil n demora a postar que ja to com saudades do seu conto^^

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