Casa dos Contos Eróticos

Hábitos Noturnos: aposta indecente.

Autor: Eu, S.
Categoria: Homossexual
Data: 12/08/2017 00:37:13
Nota 7.80
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– Eu prefiro ser torturado até a morte a ficar mais uma noite aqui dentro. Pelo amor de Deus, me tire dessa casa hoje. – Resmungou o garoto deixando seu corpo musculoso cair sobre a cama como uma pedra, fazendo as molas rangerem sob o colchão duro.

Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes ele tinha repetido aquela encenação e também era impossível contar a quantidade de vezes que eu disse ser impossível sair de casa naquela noite. Ou nas outras seguintes.

O resmungão é Gil, meu primo de 25 anos. Estávamos no meio de uma viagem familiar ao interior, onde crescermos e de onde nos mudamos praticamente ao mesmo tempo, assim que a adolescência bateu em nossas portas.

Quando deixamos Matagal, a pequena cidade que mais parece um conjunto de casas caindo aos pedaços, éramos ainda duas crianças, então nos adaptamos com extrema facilidade às mordomias e vantagens de morar na cidade grande. Para Gil, aqueles dias eram torturantes e serviriam como exemplo.

– Eu juro que não vou mais reclamar dos lugares aonde eu vou. Você viu que ali só tinha um bar e mesmo assim ele já estava fechando quando voltamos do mercadinho? Eu juro que só queria umas duas cervejas.

– Gil, faremos assim – eu disse tirando meus olhos do jogo do meu celular. Era o que tinha para fazer naquela noite. – Amanhã cedo vamos naquilo que eles chamam de centro e compramos todas as cervejas do estoque. Podemos não sair, mas ficaremos bêbados.

– Que horas são? – O rosto dele ainda estava enfiado no fino travesseiro. Quanto drama!

– Eu não vou sair do meu jogo. Deve ser onze e pouco.

– Qual a probabilidade de...

– Desista! – Antecipei.

Mesmo dois anos mais novo que Gil, eu conseguia ser um pouco mais responsável que ele e não precisava ser superdotado para prever que qualquer coisa saída de sua boca poderia ser perigosa.

– Deixe-me explicar o plano, pelo menos. – Eu adoraria vê-lo implorar.

– Sem planos pelos próximos dias. Supere isso!

– Mahin! – ele bradou e ainda bem que estava com a cara enfiada no travesseiro.

– Fala logo, idiota!

Eu pausei meu jogo e finalmente me virei para ele. Dividíamos uma cama de casal de um pequeno quarto de hóspedes, pois os mais velhos e mais importantes membros da família ficavam com os melhores aposentos. Hierarquia, eles dizem. Somente ao olhá-lo eu percebi que naquela noite meu primo tinha deitado sem a blusa e talvez pela proximidade entre nós percebi o quanto ele estava bonito e tinha crescido. Seus braços evoluíram em músculos bem torneados e seus ombros engrandeceram. Até uma voltinha bem definida existia antes da bunda e ele percebeu o caminho do meu olhar:

– Nós somos primos, seu merda. Agora escuta: eu consigo a chave do Jipe do pai, tu confias em mim e nós vamos ao centro rapidinho. Eu juro que serão só duas cervejas. Isso se encontrarmos algo aberto.

Eu permaneci em silêncio. Eu não decidia se queria ou não aquilo, porque é claro que eu queria, mas era impossível não contabilizar os riscos.

– Se der merda?

– Antigo esquema – ele respondeu apressado. – Nós dois pensamos nisso juntos. Nada de culpar o outro, até porque somos bem grandinhos para isso. A última grande aventura foi invadir a piscina do vizinho, lembra disso? Você tinha quatorze?

– Doze – eu precisei. – Você que tinha quatorze e como sempre me persuadiu.

– Não tente sair de inocente quando adorou nadar pelado comigo. Mas não tente mudar de assunto. Estamos conversados?

– Vamos fingir que faremos isso sem pensar. Só vamos! – Aceitei o plano para a alegria e contentamento de Gil, que pulou da cama sem pensar meia vez.

Do canto onde estava deitado tudo que vi foi o vulto de Gil correr pelo quarto procurando uma roupa. Ele me apressou e eu suspirei em desgosto explicitando meu sentimento dúbio com relação ao que faríamos naquela noite. Ele vestiu uma calça e uma regata e eu continuei com o short de linho que usava. Apenas joguei sobre ele uma camiseta. Diferente de Gil, eu não tinha músculos para exibir.

Em passos cuidadosos eu fui direto para a garagem e como ele tinha prometido, deixei que Gil se virasse para conseguir a chave. Eu nem tinha chegado ao carro do pai dele quando o vi voltar em uma corrida ofegante, mas também silenciosa.

– Quem é o maior ladrão que você respeita? – Ele vinha montado em glória.

– Como foi isso, Gil?

– Senta que eu darei a aula: comece batendo suavemente na porta do quarto, depois peça o carregador da sua mãe alegando não achar o seu. Conhecendo-a, saiba que ela o mandará procurar, e conhecendo seu pai, saiba que a chave do carro estará na bancada ao lado dele. Precisa de mais alguma coisa? – Gil terminou sua apresentação erguendo as chaves no ar. Era seu troféu. – Imagina se eu entro e eles acordam? Até inventar uma desculpa eu já teria me lascado inteiro.

– Para de coisa e vamos logo antes que eu desista. – Eu estava mesmo impaciente.

Entramos no carro de cor e vidros escuros, eu me coloquei no carona e apertei o cinto, depositando nele minha confiança e vi Gil colocar o carregador e sua carteira de motorista dentro do porta-luvas.

Não havia espaço para dúvidas em nosso roteiro: saindo do sítio iríamos direto ao centro, compraríamos as cervejas e voltaríamos em segurança, mas aparentemente algo estava escrito para aquela noite e o roteiro poderia sair completamente dos nossos planos.

Não muito percorremos na estrada escura quando a reação exagerada do meu primo acordou-me para o que tínhamos diante dos nossos olhos:

– Eu não acredito nisso – ouvi Gil gritar, eufórico.

– É miragem?

– Se for, é das boas! – Ele vibrava ao volante.

Estacionamos do outro lado da pista e eu tentei ver o letreiro pelo pouco espaço que Gil dava para mim, pois ele estava praticamente se colocando para fora da janela. O neon acima da única entrada do bar piscava e por vezes parecia que apagaria de vez. Não havia movimento ali fora, mas além de algumas motos, uma bicicleta e uma camionete estavam estacionadas ali, então é certeza que o lugar estava aberto e em pleno funcionamento. Um oásis para os lábios sedentos do meu parceiro de crimes.

– Quer arriscar? – Havia medo na voz de Gil? Seria a primeira vez, então.

– É possível que não tenha nada no centro. Vamos entrar. Mas olhe – eu chamei sua atenção –, serão duas cervejas.

– Duas. – Ele concordou como se me devesse alguma coisa.

Com cuidado manobramos o carro até o estacionamento e entramos. Minhas pernas pesavam, mas ao mesmo tempo eu estava contente em achar algum lugar aberto. Finalmente veria outras caras e talvez mais divertidas que a dos meus parentes. Gil praticamente pulava do meu lado.

Lá dentro a iluminação era exatamente como o neon antecipava. O vermelho saturado doía os olhos, mas acostumei-me imediatamente. Pouquíssimas mesas estavam dispostas e as que tinham ali estavam ocupadas. Duas mulheres acompanhavam um senhor de cara fechada, mas provavelmente bolso cheio. Ambas alisavam os ombros do homem e suas unhas enormes se arrastavam pelo tecido esticado. Que ombros largos tinha aquele macho. Eu ignorei o que mais pudesse estar ali e fui direto para o balcão com o Gil. Acima dele a carcaça da cabeça de um boi com chifres e tudo assistia a perdição daqueles que estavam ali para atrair alguma puta velha. E o perfume delas era tão presente que quase disfarçou o cheiro forte de cachaça e cerveja do ambiente. Eu ri porque jamais tinha entrado em um lugar assim, mas quando precisava imaginar, era exatamente naquele ambiente que eu pensava.

Gil pediu uma cerveja e a abriu ainda no balcão para o meu desgosto. "Só essa", ele me convenceu.

Eu disse não precisar de nada naquela noite e fiquei encostado no balcão terminando de analisar discretamente o ambiente. Além das putas, alguns homens jogavam sinuca e outros os assistiam em risadas escrotas e palavrões gostosos aos ouvidos.

- Nenhuma dessas me serve. – Gil aproveitava o gole que dava para apontar o dedo na direção das mulheres fáceis.

– Também não sei se você tem o que elas querem. Acha mesmo que poderia contra aquele velho? Como muitos outros, esse caso não se trata de prazer, Gil, mas de dinheiro.

– Você tem razão – analisou, quieto. – Mas e você? Qual seria o macho ideal?

– Meu macho ideal não estaria aqui. – Eu menti e senti uma única gota de suor escorrer pela minha nuca. O cheiro, o ambiente, as calças apertas, os dedos ao redor das garrafas suadas e os palavrões seguidos de goles grosseiros eram uma tortura para mim. Eu não passava de um garoto delicado demais esperando pelo meu macho grotesco e bom... Olha onde eu estava.

– Não se faça de santinho, Mahin. – Eu o ouvi rir. – Algum deles deve te dar um troço. Aquela vontadezinha de rebolar gostoso.

– Quieto, seu merda. – Eu dei um soco no ombro dele no meio de um riso contido. – Mas...

– Mas? – Ele estava mesmo curioso.

Dos muitos presentes o único que eu não escutara esbravejar ou agir de forma grosseira, foi o que despertou maior interesse. Ele usava um coturno que fazia sua calça acabar dentro do cano alto. Suas coxas pareciam apertadas dentro do jeans e uma camisa xadrez de flanela vermelha caía sobre seu tronco, impedindo-me de ver seu volume que deveria estar igualmente apertado por baixo do tecido.

– Está vendo aquele no canto? Com o taco sobre os ombros? Olha aquele cabelo volumoso penteado para trás e aqueles olhos fundos. Sei que não surte efeito algum em você, mas aquela barba e bigode desgrenhados em torno da boca são de matar. – Ele queria um alvo e eu o entreguei.

– Aquele ali? Mó cara de perigo.

– Você pediu para apontar um, não foi? – Eu o deixei sem muitas explicações.

A única vez que eu tinha ido até o fim com alguém como aquele que olhávamos tinha sido um total desagrado. Começando pelo fato da abordagem ter acontecido em uma boate. Alguém daquele tipo jamais poderia ser encontrado num ambiente de pessoas descoladas e mimadas. Não havia verdade no homem que gemia sobre mim e eu quis socá-lo por isso. Aquele que eu cercava com os olhos era diferente. Completamente diferente. A postura, os passos firmes, as mãos apoiadas sobre a mesa e o tronco inclinado para frente enquanto conversava com os outros, impondo-se, tomando espaço e respeito. A cintura grossa e o peito marcado na camisa. A pele pintada pela exagerada iluminação neon em tons avermelhados. Os dedos numa coçada pela nuca e couro cabelo. O tecido na região das axilas quando isso fazia. Aquela gota de suor escorria pelo meio das minhas costas.

– Compre as cervejas que precisa e vamos embora? – Eu fui abrupto ao falar, mas Gil já estava se deslocando.

– Dois minutos. – Ele soltou no caminho.

Em passos seguros ele alcançou o grupo e engoli seco aquilo que tinha travado em minha garganta. Minha própria saliva parecia ter virado pedra e eu tentava engolir aquele punhado generoso.

Depois de atravessar o salão não tão cheio, ele chegou ao grupo e já foi tomando um taco nas mãos. Ele falou qualquer coisa na presença daqueles homens e por mais que eu quisesse saber, continuei onde estava. Ele tramava alguma coisa e não me chamar para o jogo deveria fazer parte do plano que se desenrolava.

*

As unhas bem cuidadas e pintadas de vermelho se arrastavam pelo meu ombro gordo e eu me orgulhei de ter as duas mulheres ao meu redor, como bichos esperando pelo banquete. Ao contrário do que você pensa, pouco interesse elas mantinham em meu corpo sujo. Aquelas bocas carnudas, os olhos avermelhados e sedentos, os dedos espertos e maliciosos ansiavam o dinheiro que recheia meus bolsos e faz estufar os peitos que às vezes pulam em minha cara. É claro que eu sempre aproveito para cheirá-los. De esperteza os homens são feitos.

Eu vi o garoto mais bombadinho sair andando pelo salão e eu babei quando vi que ele parecia mover-se em minha direção. Eu o comeria se ele quisesse me dar. Imagina a bunda branquinha e carnuda? Não é possível que aqueles músculos não se estendam a região inferior. Mas para o meu desgosto e do meu pau que já estava babando, ele se dirigiu aos homens ao meu lado. Ele queria dividir uma partida? Só podia ser brincadeira. No meu tempo os jovens não eram tão audaciosos.

A loira falsificada que ocupava o meu lado esquerdo percebeu que algo crescia entre minhas pernas e as unhas roçaram o meu zíper inchado. É claro que eu tirei aqueles dedos ligeiros dali.

– Tenha modos! – Repreendi.

O garoto que deixou seu amigo igualmente gostosinho, porém mais baixo e muito menos musculoso, logo pegou um taco que sobrava e anunciou querer entrar naquele jogo apostado.

– Meus meninos já dormem – ouvi um dos jogadores dizer em voz alta. – Tente fazer o mesmo e deixe que os adultos se divirtam.

De onde aqueles meninos tinham saído? A noite não é para os desavisados.

– Tá com medo? Mas eu só peguei o taco. Calma, tio. – O garoto respondeu e eu quis rir, mas seria prudente evitar uma quebradeira naquela altura da noite. Eu ainda tinha duas garotas para comer.

– Tá vendo aquilo ali? – O dedo do homem apontava um pequeno monte de dinheiro na quina da mesa. – Isso é aqui apostado. Vai beber tuas cervejas pra lá.

– Eu aposto também.

– Ninguém quer suas chupetas. Vaza daqui! – Aquele mesmo homem ria e fazia os outros gargalharem também. Mas Nobre, uma grandalhão que estava sempre por ali com seu silêncio de botar medo nos outros, tomou partido do garoto:

– Fala aí, garoto, o que você tem pra colocar em jogo.

O bombadinho parecia pequeno perto da muralha que era Nobre e o fez abaixar um pouquinho para que algo fosse dito em segredo. Os outros rapazes iriam zoar aquilo, mas se tratava de Nobre e nenhuma outra pessoa no mundo inteiro conseguia impor respeito como aquele bichão conseguia. Até eu, dono das maiores terras da região, me curvaria diante dele se isso fosse ordenado. Ele que não soubesse disso. Eu ainda tinha duas gatinhas para comer.

– Ele joga! – Nobre cortou o silêncio e os seus companheiros concordaram, sequer lembrando que algo precisava ser colocado sobre a mesa para isso.

Eu vi que eles começaram uma nova partida porque Nobre queria assim. Uma tacada e todas as bolas se misturaram pela mesa verde escuro. As parcerias formadas se moveram pela mesa. O garoto tentou acertar a bola que mirava com atenção, mas passou tão longe que arrancou risadas exageradas dos homens grosseiros ao lado dele e até um risinho divertido do grandalhão que pretendia levar aquela partida. Outra tacada. E mais outra.

O garoto no balcão pediu uma cerveja e bebeu tão rápido o líquido dourado que fez uma careta com o último gole. Ele olhou para mim por um segundo e eu quis achar qualquer intenção em seu rosto. Será que se eu jogasse umas notas em sua cara conseguiria seu buraquinho? Talvez não, porque o danado estava mesmo era de olho na mesa onde a partida era decidida com atenção.

E então gritos eufóricos foram soltos pelo salão. Parecia final de copa do mundo ou o Brasil dando uma surra na Alemanha, mas era só os 'capangas' de Nobre exaltando sua grandiosidade, tanto na vida, quanto na mesa.

– Tu achava mesmo que ganharia, moleque? – Um dos homens gargalhou e soluçou depois de uma golada de cerveja.

– Pior que não – eu o vi responder com um risinho safado. Que vontade de foder aquele riso jovem.

A partida acabou. Nobre ganhara como sempre, as damas ao meu lado ainda queriam foder comigo e eu queria foder com elas, mas e sobre a aposta? O que Nobre levava, já que nenhuma outra nota caiu sobre a mesa? Aquele homem não tem fama de se contentar com pouca coisa. Se mesas rolassem e cadeiras fossem quebradas, eu queria ser o primeiro a vez os socos serem distribuídos com glória e fúria. Nobre também era campeão em nocautear outros machos.

*

Colado ao balcão, eu vi Gil se aproximar e diminuir bastante a distância entre nossos corpos. Ele juntou-se a mim, mas continuou de costas para o bar. Eu continuei como estava e vi Nobre abandonar o ambiente. Suas botas pesadas faziam gemer as madeiras do piso e por meio minuto, enquanto acompanhava seu caminhar com os olhos, eu quis ser cada centímetro pisado por ele.

– Eu perdi, mas está tudo certo. – Gil sabia o momento certo de chamar minha atenção.

– Como assim "tudo certo"? Nem dinheiro você tinha e o bolo de notas ali me parece bem grande. Por acaso você perdeu a bunda para eles? Eu não ficar admirado. Você sempre se mostrou interessado em experimentar outras...

– Eu não! – Ele cortou-me, decisivo. – Não fui eu quem perdeu a bunda.

– Quê? – Gil só poderia estar maluco.

– Eu apostei você e quem lhe ganhou acabou de sair do bar. Pode me agradecer depois.

– Não pode ser real. – Eu quase gritei, mas controlei minha voz no último momento. – Você me colocou sobre aquela mesa? Quão maluco uma única cerveja pode te deixar? Eu deveria te matar!

– Tente falar isso sem esse sorriso no rosto. – Ele conhecia todos meus movimentos. Que inferno! – Vai lá, seu idiota, e ao menos chupa o homem que você queria.

– Eu te amo! – Sussurrei antes de deixá-lo sozinho, passando pela mesa do gorducho que me comeu com os olhos, mesmo enquanto acariciava as coxas expostas das suas acompanhantes.

Eu empurrei a porta de madeira do bar e deixei o breu do lado de fora de abraçar. Se não fosse o neon sobre a entrada piscando e iluminando suavemente o ambiente, pouco eu veria naquele primeiro instante antes de me acostumar com o escuro. Eu procurei a silhueta do homem com a mesma ânsia de quem entrega seu último suspiro de vida à esperança de que exista mesmo essa luz divina no final de tudo. Eu queria ter encenado surpresa quando o encontrei perto da caminhonete estacionada, mas só consegui fuzilá-lo com o olhar e explicitar o tesão em ser tratado como o prêmio daquela partida. Eu não era nada além de um objeto pronto para ser bem usado.

Para o prazer dele e o meu, tornei meus passos pesados, como os de um animal no caminho para o abate. Ele sorriu quando notou minha aproximação e tragou com força o cigarro que segurava com os lábios torcidos. Se eu era um objeto,poderia muito bem ser aquele cigarro. A temperatura seria a mesma.

Quando ao lado da caminhonete, ele apontou para a lateral e eu entendi que deveria ficar ali onde era mais escuro e mais protegido de possíveis olhos curiosos. Encostei-me ao carro gelado e arrepiei-me com a briga de temperaturas. Meu corpo queimava no meio de uma noite fria e escura. Então ele ignorou minha presença e deu alguns passos despreocupadamente entre uma tragada e outra, entre um fio de fumaça que desaparecia na escuridão e outro que ficava preso dentro do seu corpo para depois sair por suas narinas como apenas um resquício do que era.

– O que ainda está fazendo de pé? – Sua voz encontrou meu olhar e eu tremi.

– Estou de short e...

– De joelhos, caralho! – Eu não tive tempo para processar o que ele queria de mim, pois logo seus passos longos deixaram o homem na minha frente e seus dedos adentraram meu cabelo. Ele não aplicou muita força, pois eu sabia que ali era meu lugar e facilitei minha própria queda. – Você dizia alguma coisa?

– Meus joelhos. – Eu grunhi dali. – Vou machucá-los.

– Prometo que eles doerão menos que o seu rabo.

De fato meus joelhos já estavam sentindo as pequenas pedrinhas do chão, mas aquilo só me inspirava em colocar meu corpo em outro nível sensorial e apenas sentir o tesão absurdo que estar naquela posição me proporcionava.Provocando-o, ergui meu olhar e outra vez grunhi, digno de pena:

– Promete?

– Prometo. Agora faz o que quiser aí embaixo. Vê o meu estado. Eu te ganhei pra matar o meu tesão e agora estamos falando demais.

Minhas mãos trêmulas quase não me deixaram desafivelar o cinto que segurava sua calça colada na cintura. Por vezes ele projetava aquele volume para frente e roçava meu queixo enquanto estava empenhando em livrar o que estava preso.

- Eu vou começar a contar. – Ele foi rude ao me mostrar seus dedos abertos,ameaçando bater em minha cara se eu demorasse naquela função. Então apressado e sedento eu consegui tirar o cinto e desci o zíper da calça respirando ofegante.Quando abri a dividi em duas partes, a cueca se estufou e eu abaixei o tecido fazendo seu pau pular em meu rosto. A baba presa na glande grudou em meus lábios quando a expus e depois a chupei. Era tão gostoso estar entre meus lábios que ele perdeu a pose e deixou seu corpo esmorecer. Sua voz era um suspiro grosso e animalesco:

– Espertinho e guloso, né? Já foi logo metendo minha cabeça na sua boca. Agora me engoli inteiro. Se vomitar, apanha.

Eu queria sentir os dedos em meu rosto, é claro, mas entre eles e o pau grosso que pulsava em minha boca, eu escolhi senti-lo em minha garganta.

Ali dentro minha língua ficava por baixo, sua cabeça roçava todo o espaço quente e sua pele era arranhada pelos meus dentes. Eu quis cuspi-lo algumas vezes e segurei meus engasgos depois que ele cravou os dedos em meu rosto,fazendo minha pele arder e queimar em seguida. Aquele foi um tapa para guardar na memória.

– Eu não teria pena em quebrar essa cara bonita. Me chupa direito. Mastiga a porra desse pau. – Ordenou-me cuspindo longe o cigarro já apagado.

Eu fiz o que ele disse: mastiguei seu pau rugoso com meus lábios. Toda sua extensão. Todo o pulsar. Tomei todo o líquido previamente expelido. Eu o engolia quando senti que as bolas, tão pesadas e rudes, batiam em meu queixo e um gemido encorpado foi liberado acima da minha cabeça. O próximo seria seu gozo? Duvido.

Ele saiu de dentro de mim e enfim eu pude respirar. Curvei minha coluna para frente e caí sobre meus calcanhares, ofegante. A saudade dos meus lábios parece ter apertado rápido demais, porque ele procurou meu rosto com a mesma mão que usou para me bater e cravou seu dedão e o indicador em minhas bochechas, forçando-me a fazer um biquinho.

– Pede o que você quer. Quero ver se combina com o meu desejo.

– Eu quero ser usado.

– Onde, seu merda? O que eu vou usar de você? Fala!

– Minha bunda. – Eu fiz o homem sorrir, contente. – Eu quero que use o meu rabo.

– Com força?

– Dolorosamente – grunhi todo manhoso.

– Minha especialidade – ele garantiu.

E outra vez ele me guiou. Quando em pé, aquela mão que apertava meus lábios cravou-se em minha nuca e senti meu rosto ser colado no vidro do carro.

- Vamos ver se vale a pena bagunçar sua bunda, garoto. – Ele sussurrou grosseiramente já me revistando com a outra mão disponível. Ele apertava minhas nádegas, enfiava os dedos no vão entre elas, descia para o interior das coxas e tudo isso por cimado tecido. Forçando-me mais contra o vidro, aquela mão entrou na quentura que eu guardava e foi parar direito na única barreira que o impedia de acessar o meu interior.

Seu dedo seco e grosso me vasculhou, me abriu e me penetrou. Eu gemi e ele riu,esfregando meu rosto no vidro gelado. Ele me penetrou novamente e eu continuei gemendo, adorando ser invadido no seco. Mas ele também não queria ficar só naquilo e impulsivamente abaixou meu short e a cueca de uma única vez.

– Cospe na minha mão. – Ele me entregou os dedos que uma vez estiveram dentro de mim. – Chupa bem gostosinho, porque é só isso que tem por hoje.

Eu sabia do que ele estava falando e tratei de molhá-los em exagero para em seguida senti-lo preparando minha entrada, o interior fumegante das minhas nádegas.

– Eu vou fuder você tão bem, mas tão bem – ele começou falando com aquela boca quente e o bigode áspero roçando minha orelha –, que você terá orgulho em gritar por aí que já foi um pedaço de carne exposto.

– Então pare de prometer e faça logo isso.

– Eu pedi incentivo? – Ele laçou meu peitoral com seu braço musculoso e outra vez apertou meus lábios.

– Me coma e eu gritarei ao mundo minha utilidade. Ou melhor, minha especialidade: recebê-lo dentro de mim.

Ele gargalhou e como um animal me invadiu com sua selvageria gritante. Eu quis gritar, mas os dedos sabiamente me impediram e eu só reclamei a dor da forma mais manhosa possível porque eu sabia o quanto instigaria o homem a continuar.E ele continuou. E foi tão forte que imediatamente um tremor tomou conta do meu corpo. Outra vez eu quis gritar quando senti que ele me penetrara por completo.Ele estava inteiro dentro de mim, em pele e brutalidade. Pela primeira vez todo seu corpo tocara o meu e isso me motivou a aguentá-lo ali dentro.

– Não há... – Eu parei para respirar. – Não há nada mais gostoso que isso.

– A força de um homem? – Ele sussurrou com dificuldade entre uma estocada e outra.

– Um pau grande dentro de mim – eu não discordava dele.

– Você vai espalhar por aí onde achou macho de verdade? – Ele cobrou e talvez tenha forçado mais ainda lá embaixo só por garantia.

– Só respondo depois da sua porra. – Eu me esforcei entre um gemido mais fraco e outro mais encorpado. Eu estava sofrendo em sua mão.

Então meu short caiu por completo, ele passou seu braço pela minha cintura, me puxou para si, suspendeu meus pés, afastou meu tronco um pouco do carro e me socou com tanta força que eu senti algo me atravessar. Eu gritei, livre, e ele cravou seus dentes em minha nuca. Eu gemi, penoso, e ele riu, eufórico. O saco pesado que uma vez batia em meu rosto, agora queria invadir minha bunda e um pulsar violento acordou ainda mais meu corpo por dentro.

– Goza, meu dono. – Eu implorei. – Me molha inteiro por dentro. Goza pra mim!

Foi de fato a única coisa que ele atendeu sem se impor e fazer parecer que fosse algo vindo dele. Mas só não me contrariou porque estava ocupado urrando entre meus cabelos, ainda curvado e roçando suas coxas vestidas nas minhas expostas. A explosão foi na medida certa, afinal, aquele homem deveria ter descarregado na bunda de outro alguém há pouco tempo. O cheiro de sexo que emanava dele não me deixava errar. A porra quente, sagrada e muito, muito grossa se misturou dentro do meu rabo e eu perdi a força do meu corpo em suas mãos. Se ele me queria fraco, aquele era o momento se fazer o que quisesse.Como se não tivesse feito.

Ofegante e tonto, eu fui virado e colocado no chão. O grandalhão roçava o corpo em mim enquanto apertava meu rosto com seus dedos: cobria meus olhos, amassava meu cabelo, apertava minha mandíbula, enfiava os dedos em meus lábios e no meio de um suspiro me deixou provar do seu beijo.

Igualmente violenta, sua língua percorreu minha boca, sugou minha saliva e meus gemidos manhosos, travou minha respiração e terminou com uma cuspida caprichada. Eu engoli o presente, é claro, e ele riu, divertindo-se com minha libertinagem.

– Me leva pra sua casa, por favor. – Ele riu ainda mais e seu hálito que misturava saliva velha e nicotina preencheu o espaço entre nós. – Me joga em sua cama, me deixa sentir o cheiro dela, os lençóis usados, a porra seca, o sexo findado e acaba comigo. Eu imploro. Eu entro naquele bar e mostro o que você fez comigo. Eu faço o que você quiser.

– O que foi que eu fiz com você? – Ele se fez de desentendido.

– Abriu um buraco maior em minha bunda. Quis me atravessar e quase conseguiu. É sério – eu supliquei agarrando-me as costelas largas e enfiando meu rosto na abertura da camisa que exibia pelos grossos e negros –, me leva contigo. Faz-me sua propriedade. Seu objeto. Desconta em mim o estresse dos dias e dorme dentro de mim.

– Sua oferta é tentadora – ele finalmente me deixava sentir seus lábios, pois falava roçando-os nos meus –, e eu louvo esse buraco que criei em sua bunda,mas há inúmeros garotos como você esperando pelo meu pau esfomeado. – Ele riu perverso e eu lambi o riso dos lábios. – Você não foi meu primeiro ganho e eu não serei o último a foder violentamente sua bunda.

Eu ri porque ele estava certo e tudo que eu dizia não passava de uma encenação bem feita, mas com toques de verdade, até porque aquele era mesmo um homem dese implorar ou ter os pés beijados.

– Agora se vista – e ele se afastou guardando seu pau ainda melado. – Seu amigo acabou de sair e você está deplorável.

– Então estou do jeitinho certo. – Eu disse em um riso que fez o grandalhão à minha frente rir.

Gil foi direito para o carro e eu terminei de subir meu zíper. Antes de sair da presença do meu violentador, agarrei o volume que seu pau fazia na calça enquanto roubada dele um trago.

– Cuide bem disso aqui, seu desgraçado gostoso do caralho.

– Gostei do nome. E gostei de você. – A confissão fez valer a noite e a dor plantada dentro de mim.

Eu entrei no carro e deixei meu rosto cair sobre o painel. Eu ri e Gil já estava acelerando para sair dali.

– Puta merda, cara, esse é o cheiro do sexo gay?

Eu tive que gargalhar e o vi abrir os vidros, rindo ainda mais que eu.

– O nome disso é uma bunda severamente arregaçada e uma cara lambida. Saliva de macho. Tudo que você provou até hoje é a saliva de umas meninas fresquinhas.Que nojo.

– Eu acho que estou muito satisfeito com elas, viu?

Eu ainda soltava o resquício de uma gargalhada enquanto me ajeitava no banco e separava as coxas, sentindo-me ainda mais aberto e com toda certeza mais satisfeito que o meu primo. Ainda tinha porra dentro de mim e eu teria que me aguentar sujo até que pudesse tirá-la do meu corpo. Enquanto cortávamos o vento e a escuridão com nossas satisfações, sussurrei para Gil como se aquele fosse o maior segredo criado entre nós dois:

– Sempre que sairmos juntos, e vamos sair, trate de se lembrar que minha bunda é sua aposta mais valiosa, seu filho de uma mãeNossa, quanto tempo passei longe da casa...

Gostaram disso aqui? Sabe onde tem mais? Isso mesmo: no famoso Wattpad. Procure pelo @euesse. Aposto que tenho coisas lá que vocês irão adorar. ;)

Comentários

13/08/2017 05:26:24
Gostei!!! Perfect❤
13/08/2017 00:59:47
Vale muito a pena ler de novo! Oh conta pra dar aquele tesão em dose cavalar. Peste! hehe
12/08/2017 02:27:40
EXCELENTE, APESAR DE ESPERAR QUE HOUVESSE UM ROMANCE SÉRIO COM O NOBRE. SERIA INTERESSANTE VER O GRANDÃO DO NOBRE, APAIXONADO, TENDO CUIDADOS, CARINHO COM O NAMORADINHO. UMA PENA. APENAS POR ISSO MINHA NOTA.

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