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Enterrar o passado. - Capitulo XVIII

Categoria: Homossexual
Data: 12/10/2017 09:59:48
Nota 10.00
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Capitulo XVIII

Saímos do restaurante sem sermos vistos.

- Bem o que tu pretende fazer Gus?

- Acho que conversar com ele e saber o que está acontecendo. Eu não sabia que eles se conheciam, eles ficaram se olhando no abrigo, ou melhor na fundação. Mas não sei o que está pegando.

A noite eu vou passar lá e conversar com ele.

Nos separamos o Claudio tinha muita coisa para fazer, fiquei pensando no que tinha visto no restaurante, o Rafael era um cara muito interessante, mas o que ele queria? Isso não saía da minha cabeça. Mas bem, teria que esperar, eu tinha que pensar na reunião com os conselheiros e conversar com o Murilo queria começar a reforma da escola no fim de semana.

Acho que ir na Paula e no Murilo era a melhor coisa a fazer agora.

Quando cheguei lá, fiquei pensando na reação dos dois, tinha pedido pro Murilo dar um pulo em casa pra conversarmos sobre as obras, mas queria realmente falar sobre a ideia do Claudio da união das empresas. Entrar na casa da Paula me lembrava a infância, tinha conhecido os pais dela antes de falecerem em um acidente. Foi um período bem complicado na vida dela, mas nós estávamos juntos e como sempre tia Dafne cuidou de tudo.

Quando entrei na loja, só ouvi o grito

- Aqui atrás, estamos na cozinha, café novo.

Adorava o cheiro do café passado na hora.

Quando entrei fui recebido com um abraço da Paula, ela era incrível, tinha o poder de me acalmar sempre, parece que quando ela estava por perto tudo se resolvia, o Murilo entrou correndo pela porta.

- Então menino, que cara é essa o que aconteceu agora? – ela já me deu uma xicara de café passadinho e sentamos em volta da mesa.

Contei para eles, da reunião com o Prefeito até as coisas que meu pai estava fazendo.

- Filho da Puta, tá bem é teu pai, mas é um grande filho...bem não estou falando da mãe da tia Dafne é claro. – começamos a rir –

- Bem e agora o que acontece? – O Murilo perguntou. -

- Bem os contratos da tua empresa serão todos reestabelecidos. – ele me olhava, acho que até respirava melhor. –

O Murilo levantou e me abraçou, fiquei tão bem nos braços dos dois, um de cada lado, eu sabia que eles sempre estariam comigo, como sempre estiveram.

- Bem sentem-se tem mais uma coisa que precisamos conversar. –

- Humm...tá bem, a notícia boa já veio, então sobra a ruim, o que houve?? – comecei a rir da Paula ela tá sempre pronta pra luta. –

- Espera, eu não acho ruim, mas vai depender do que vocês acham. – eles ficaram me olhando como se eu fosse largar uma bomba na mesa, fui obrigado a rir da cara deles -

- Humm...pior ainda, se tu precisa de nós pra concordar, em quem vamos dar uma surra agora. – não conseguia parar de rir, o Murilo lembrou de nossa frase favorita na juventude, quando éramos nós contra o mundo, não que batêssemos em alguém, a gente falava surra quando íamos aprontar alguma. -

- Bem vocês sabem que a tia me deixou outras empresas não sabem??

- Mais ou menos, na realidade a gente não sabe muita coisa.

Falei da construtora e da metalúrgica.

- Conheço sim, mas não sabia que eram da tua tia – o Murilo ficou me olhando. –

- Bem eu tava pensando em unir as duas, elas vão acabar prestando serviços pra fundação e também para as empresas que agora são minhas.

- Acho ótimo, reduz o quadro de administração e uma complementa a outra, sei da qualidade do serviço deles, mas e os atuais sócios vão concordar com isso? – hummm pelo menos ele achava as empresas competentes, ótimo. -

- Bem isso eu não sei, mas como são minhas acho que sim, mas isso quem vai descobrir é tu, queria que fizesse isso pra mim.

- Bem Gus, sabe que não é meu forte essa coisa de reunião e conversa. Sou muito mais do faz assim por que é assim que eu quero.

Eu e a Paula começamos a rir dele, ele sempre foi assim, ele fazia o que tivesse que fazer, faça chuva ou faça sol, ele colocava todo mundo pra trabalhar nos planos da Paula, ele fazia isso conosco toda hora. A Paula planejava e ele fazia a gente executar.

- Que bom que pensa assim, quero que tu dirija elas. – O susto que os dois levaram me fez começar a rir de novo. -

- Como assim?? – os dois falaram juntos –

- Eu quero unir as duas empresas com a tua e formar só uma empresa, grande e solida.

- Gus...eu...não. – ele começou a gaguejar, ficava assim quando tava muito nervoso, o bom de conhecer uma pessoa a tanto tempo, era saber exatamente o que significava cada reação dela. -

- Ele aceita. – Pronto era isso que eu esperava, a Paula ia decidir e no final ele ia fazer o que ela quer, sempre foi assim, e eu contava com isso. -

- Paula??? – Acho que ele não tinha entendido direito, aceita que dói menos, a Paula já decidiu, só faz o que ela quer e pronto. Não pensa. -

- Pode deixar que ele aceita, o resto eu resolvo. – Bingo martelo batido, sem saída Murilinho. -

- Paula???

- Ótimo tá resolvido depois conversamos. – Dei o caso por encerrado, pronto agora só os detalhes finais. -

- E pra quando acha que isso será possível? – se conheço ela, e conheço bem, ela já tinha tudo resolvido, pelo menos na cabeça dela. -

- Bem, ontem.

- Ótimo, amanhã mesmo já vamos marcar uma reunião com os outros diretores e explicar o que tu quer. – eu sabia -

Ficamos conversando sobre como seria a fusão das empresas, claro os detalhes eram com o Claudio, passei a ideia geral, eles iam conversar com ele, o Murilo não falava nada só nos olhava.

- Vocês já perceberam que eu estou aqui?? – começamos a rir da cara deleCheguei no abrigo a tardinha, tinha pedido pro Vini vir com o Tavinho, queria sair para jantar com eles mas queria acertar umas questões na fundação, preciso gravar esse nome.

- Quando cheguei já era final de tarde os meninos na maioria já estavam em casa, gosto de pensar assim que a casa era deles. Me faz sentir melhor. –

Quando entrei a maioria estava nos quartos, pra mim isso era ótimo, poderia conversar com calma com o Joca.

Ele estava acertando as questões dos empregos, conversando com cada um deles, se queriam mudar ou ficar no mesmo local onde trabalhavam, que eu preferia que eles trabalhassem de dia, e sobrasse tempo para as aulas a noite.

Tinha falado pro Joca deixar o Renato e o Lucas comigo, o Joca me disse que eles estavam no quarto.

Bati na porta e esperei. Quem abriu foi o Lucas, fiquei emocionado o menino tava lindo o rosto já não apresentava nenhuma marca, ele tava bem corado, vermelho até, era muito branquinho.

- Seu Gustavo, oi...- hummm se não me falha a memória eu ficava assim quando alguém chegava e eu estava aprontando alguma com o Vini, fiquei feliz, gostava dos dois, mas isso não era problema meu, ele abriu a porta e eu sentei na cadeira da escrivaninha de estudo deles. Ouvi barulho do chuveiro deveria ser o Renato.

Fiquei olhando na volta, o quarto deles estava bem organizado, os quartos eram padrão, duas camas, duas escrivaninhas com cadeiras, dois roupeiros, televisão, quando conheci o abrigo pedi que colocasse também um micro ondas e frigobar nos quartos, queria que eles tivessem mais privacidade, e não precisassem descer toda hora pra ir na cozinha, agora lembrei que a Paula tinha comprado pra alguns quartos precisava falar com o Joca pra colocar nos outros que estavam desocupados, e ainda tinha que pensar na lista de meninos que estavam esperando por uma vaga, eu tinha esquecido disso. Meu coração acelerou, preciso resolver isso, quando olhei pro Lucas ele tava me cuidando, ai notei que tinha ficado um tempo sem falar nada.

- Querido desculpa, eu fiquei aqui pensando em umas coisas e esqueci do mundo.

- Capaz seu Gustavo, eu sei que o senhor tem muitas coisas pra resolver mesmo.

- Bem é por uma destas coisas que queria falar contigo. Preciso de ajuda.

Expliquei que eu precisava de alguém para cuidar da papelada, que o Joca detestava fazer isso, alguém que olhasse as outras fichas de pedidos pra vagas no abrigo, pagamentos, enfim toda aquela burocracia. E como ele era dos meninos, o que mais tinha estudo, queria saber se ele podia me ajudar.

- Claro seu Gustavo ajudo sim, saio as 18:00hs do serviço, ai tenho as noites vagas, a não ser quando vou no asilo, mas daí posso ir no sábado. Se o senhor me mostrar o que quer eu faço quando chegar no abrigo, desculpe em casa, o Joca nos falou que era para falar assim de agora em diante. –fiquei comovido ele pensava que eu só queria ele pra me ajudar, e não como empregado da fundação, mas mesmo assim se colocou a disposição, como não amar esses meninos, quando ia explicar para ele, –

- Quem era na porta Lucas?

Era o Renato saindo enrolado em uma toalha, quando me viu ele ficou vermelho na hora, tentou se esconder, ficou todo atrapalhado.

- Sou eu Renato, e não precisa ficar desse jeito, tudo que tu tem eu já vejo no espelho, então relaxa e troca de roupa preciso conversar contigo também. – Ele voltou correndo pro banheiro pra trocar de roupa, o Lucas tava roxo de vergonha, acho que eles já passaram da fase de amigos. – comecei a rir da cara deles, o Renato como pensei tinha um corpo bem modelado era grande, só precisava de definição, ia conversar com ele sobre alguns exercícios.

Cara eu tava com tanta saudade de dar aula, me preocupar somente com os músculos e a saúde das pessoas. Bem, mas agora não era a hora. Preciso ir em casa, ver as academias, ainda bem que os gerentes são muito bons e eu recebia os relatórios todo dia.

Ele saiu do banheiro com uma bermuda, e sentou na cama dele.

- Bem Renato, eu já estava conversando com o Lucas sobre ele trabalhar para a fundação, mas acho que ele entendeu errado. – o Lucas ficou me olhando -

- Lucas eu quero que tu trabalhe pra gente em tempo integral, não que nos ajude no final do dia, estou te oferecendo um serviço na fundação, será na administração junto com o Joca, ele fica encarregado dos meninos e tu da papelada, mas não só o abrigo, mas a fundação como um todo.

- Eu seu Gustavo? Mas o senhor acha que consigo?

- Claro menino acho que seria perfeito pra isso, tu é concentrado, tem estudo pra isso, então o que acha??

- Bem eu aceito então, quando começo?? – ele abriu um sorriso, fiquei muito feliz. -

- Bem precisa pedir o teu afastamento do emprego atual, mas assim que puder o Claudio já vai ir te passando o que tu precisa fazer.

- Cara que legal, meus parabéns, acho também que tu vai fazer uma excelente trabalho, vai ficar junto do seu Gustavo e seu Claudio vai aprender muito com eles. – o Renato estava realmente feliz pelo Lucas, dava para ver na expressão do rosto dele, instintivamente eu gostei dele desde a primeira vez, e esse gostar era confirmado todo dia pelas atitudes dele, ele era um menino especial mesmo. -

- Que bom que pensa assim Renato, também quero falar contigo sobre uma ideia em que nós quatro conversamos.

- Eu seu Gustavo?

- Isso, nós queremos que tu trabalhe pra gente também.

- Eu ia adorar, mas o que eu vou fazer?? – ele ficou me olhando. -

- Bem pode te soar estranho, mas queremos que tu cuide das pessoas, explico, com a entrada de mais jovens no abrigo, precisaremos de mais funcionários, e temos a parte da escola, que também quero abrir para a comunidade ou seja teremos professores por aqui, e sabe da clínica que queremos abrir? Bem, mais funcionários, então nós queremos que tu cuide dessas pessoas, bem nossa ideia é que comece como chefe de pessoal, vai cuidar do comportamento, horários, uniformes, essas coisas, mas também se está tudo bem com eles e se estão fazendo um bom serviço. Também queremos que tu converse com as pessoas que vão na clínica, se estão sendo bem tratados, enfim saber se o serviço que a fundação está oferecendo é bom.

- Mas eu não tenho estudo seu Gustavo, como vou fazer isso? – ele olhava pra mim, parece que não tava acreditando. -

- Renato quero que preste muita atenção no que eu vou dizer tá bem?

- Sim senhor. – ele estava concentrado, sério, olhando pra mim. -

- Nós sabemos que tu não tem estudo, e que é muito jovem também, mas isso daqui a pouco tu já vai ter resolvido, é só se esforçar e isso nós sabemos que vai e muito, sei que tem muita vontade de crescer e muita vontade de cuidar das pessoas. Acha que não vemos como tu cuida dos meninos defende eles, olha quando tu falou comigo do Afonso, ele não teria coragem de falar comigo, mas tu foi lá e falou por ele.

- Como cuidou do Lucas, além disso tu tem algo que muito pouca gente tem, nós quatro, tanto eu, como o Claudio, a

Paula e o Vini confiamos em ti, tu tem a nossa confiança e pra nós isso é que importa.

-Seu Gustavo eu....- ele encheu o olho de lagrimas, fiquei surpreso, não esperava essa reação achei que ia ficar feliz. -

- Querido, olha só, pensa um pouco, sei que pode estar com medo, mas sabemos que pode errar e isso faz parte de aprender, mas sabemos também que tu vai fazer o teu melhor é só isso que pedimos. Se errar, vai lá, conserta e continua, todo mundo erra, mas poucos levantam a cabeça e continuam, por isso, relaxa estaremos todos juntos contigo nisso.

Ele ficou me olhando se eu falasse pra ele que eu queria realmente que um dia ele fosse o gerente de tudo, acho que teria um grande problema, mas por enquanto ele estar disposto a tentar já estava bom pra mim. –

Ele levantou veio pro meu abraço, ele tava chorando, eu achei que ele ia gostar de tudo e não ficar assim, precisava acalmar ele.

- Calma Renato está tudo bem. – Fiquei ali abraçado com ele até ele acalmar, o Lucas tava chorando, mas o que deu nesses meninos. –

- Ele se acalmou e sentou de novo na cama, ficou segurando minha mão.

- Desculpe por isso seu Gustavo, mas..... mas o senhor não sabe o que já passei, o que passamos todos nóstodos os meninos de rua, mas não é só isso, desde novo as pessoas sempre tiveram medo de mim, nunca confiaram em mim se

Gustavo, alguns achavam que eu eram um marginal e eu só tinha 12 anos...eu....eu...... fugia de todos os orfanatos que me mandavam, tive que aprender a me defender, eu só tinha tamanho.

- As pessoas se assustavam quando eu chegava perto, mas eu só queria conversar um pouco, ou pedir algo pra comer, a vida nas ruas é muito solitária, as pessoas fogem da gente, perdi muitos...e muitos amigos, e...e...quando eu fiquei maior ficou pior, as pessoas nem olham pra ti, parece que somos invisíveis, todos tem duas reações ou tem medo ou te ignoram, isso quando não te batem ou te jogam coisas, saber que o senhor confia em mim, me fez ver que eu sou alguém, o senhor entende, que....que eu não sou um ninguém, o senhor entende seu Gustavo?? - ele não conseguia parar de chorar, eu fiquei emocionado, não tinha entendido o que significava pra ele, -

- Foi por isso seu Gustavo fiquei assim, ninguém nunca olhou pra mim com confiança, o senhor me desculpe. – ele ficou me olhando, tinha tanto orgulho dele. -

- Renato querido só posso te dizer que os outros estavam errados, tu é um menino incrível, amigo, protetor, e posso te dizer, que se tu se dedicar e querer, querer muito, não existe nada que não possa fazer ou alcançar, tudo tu vai conseguir, por que é forte, tem caráter, poderia ter ido pelos piores caminhos que são os mais fáceis, mas está aqui junto conosco, trilhando o caminho certo. Todos nós estaremos do teu lado caminhando juntos de ti, nunca esquece dissoQuando desci do quarto dos meninos, eu estava feliz porque estávamos no caminho certo, eles só precisavam de uma oportunidade, e nós estávamos aqui pra isso, criar oportunidades, se eles tivessem uma chance eu tenho certeza de que eles iriam mudar de vida. Cada vez que eu falava com eles, e principalmente com o Renato eu aprendia alguma coisa, o

Renato era com certeza um menino diferente, eu tinha muito orgulho dele.

Fui tomar um café na cozinha, queria me acalmar um pouco estava muito emocionado, fiquei olhando os meninos, eles estavam espalhados pela sala, acho que alguns no quarto, não encontrei quem eu procurava.

Fui para o pátio, realmente o Lucas e os meninos estava fazendo um lindo trabalho, tinham feito bancos com palets espalhados por todo canto, plantado grama, criado espaços para se estudar ou simplesmente relaxar.

Um pouco afastado perto das arvores, consegui achar quem eu procurava, estava sentado de lado pra mim, olhava pra longe, eu não gostava de incomodar eles, mas precisava falar com menino e não teria tempo depois.

Fiquei olhando ele para ver se ele me notava, mas acho que estava concentrado, ele era realmente um cara muito bonito, devia ter a altura do Renato, quase a minha, era forte, acho que cuidava muito do corpo, olhos e cabelos escuros, barba cerrada, tinha uma covinha no queijo, sobrancelha grossa, era realmente bem másculo para a idade, segundo a ficha dele ele tinha 20 anos, mas apesar disso tudo ele era extremamente triste, o semblante dele nunca estava feliz, acho que nunca vi esse menino sorrir. Não falava com quase ninguém, vivia pelos cantos, segundo o Joca ele trabalhava a noite em um Bar, mas tinha falado que se houvesse uma vaga, ele gostaria de trabalhar de dia, estava fazendo um curso técnico em administração.

- Oi Marcelo, desculpe incomodar, podemos conversar um pouco? – ele se assustou. –

- Claro seu Gustavo, estava longe, na realidade não estava concentrado em nada, olhei pra capa do livro técnico que estava fechado ao lado dele. -

Sentei, a ficha dele não falava muito sobre ele, fugia de quase todos os orfanatos para onde mandavam, o ultimo tinha sido aos 17, pais Mortos, mas notei que minha tia colocou na ficha dele que ele tinha família, mas que sempre que tentavam colocar ele juntos com os tios ele sempre fugia.

- Bem Marcelo, o Joca me falou que tu procura uma vaga na área de administração??

Ele me explicou do curso que estava fazendo, era junto com o segundo ano na área de administração, que trabalhava em um bar a noite, era barmem, mas que queria sim, parar de trabalhar a noite para depois tentar uma vaga em alguma universidade, que queria mudar de vida. Ele ia falando mas nunca me olhava nos olhos, ele estava constrangido e eu precisava saber por que??

- Bom segundo o Claudio existem duas vagas, e você estaria apto pra qualquer uma delas, ele vai marcar as entrevistas para todos os meninos, daqui a pouco ele te chama, mas precisava falar sobre outra coisa contigo.

- Sim....si...senhor. – ele tava assustado –

- Bem hoje te vi almoçando com o Rafael, um dos sócios da minha empresa, pode me dizer de onde tu conhece ele??

O Rapaz ficou branco, os olhos bem abertos, sabe quando uma criança é pega fazendo arte, a mesma expressão.

Ele não sabia o que falar começou a gaguejar estava extremamente assustado.

- Calma menino, não é nada de mais, é que como eu não conheço o Rafael direito, queria saber..... enfim como ele era com os amigos é só isso, vi que a primeira vez que ele esteve aqui vocês ficaram se olhando. – fiquei olhando pra ele, claro que ele estava escondendo algo, achei melhor ir devagar. -.

- Eu...eu..já conhecia ele senhor. Nós bem...eu e ele nós já nos conhecíamos.

Estranho isso se eles se conheciam, por que não conversaram aquela noite. O Rafael tinha por volta da minha idade, esse menino tinha 20, a questão não era a diferença de idade, se é que eles tinham alguma coisa um com o outro, a questão é que normalmente esses dois nunca se cruzariam, os mundos eram completamente diferentes, eu precisava pressionar mais um pouco, durante o almoço não me pareceu que o Rafael estivesse fazendo algo errado, pelo contrário tratava o Marcelo muito bem.

- Marcelo vou te fazer uma pergunta pessoal e quero tu fique bem à vontade pra me falar somente o que quiser está bem??

- Sim senhor. – ele me olhava, estava muito constrangido, -

- Vocês dois eram ou são namorados?

- Não senhor a gente bem...a gente saiu algumas vezes mas não nos vimos faz tempo.

- Ok, e quantos anos você tinha?? – eu precisava saber isso, saber se ele era menor na época, a final ele estava sobre os meus cuidados, claro que eles eram maiores tinham a sua vida, a minha preocupação era o Rafael, precisava saber se ele, tipo, tava perseguindo o menino, minha intuição dizia que não, mas eu precisava dessa confirmação.

- Eu...eu, tinha 19 anos senhor, mas só saímos algumas vezes e depois, bem eu me mudei pra cá e minha vida mudou também. – ele tava muito preocupado, eu ia pedir pro Humberto conversar com ele. Acho que se fosse alguma coisa mais complexa o Humberto poderia cuidar melhor do assunto, como os dois eram maiores, eu acho que cada um deve cuidar da sua vida.

- Ok, então se está tudo bem, eu vou te deixar em paz, mas quero que saiba que se precisar conversar ou falar qualquer coisa, pode chamar qualquer um de nós, estamos aqui pra ajudar certo?

- Sim senhor, obrigado. - ele ficou me olhando, parece que queria dizer alguma coisa, mas abaixou a cabeça, o olhar de tristeza desse menino acabava comigo, o Humberto precisava me dizer alguma coisa, eu ia conversar com ele.

Quando eu estava me afastando,

- Seu Gustavo....

Eu virei ele tava com os olhos vermelhos me olhando, voltei e sentei ao lado dele.

- Diz menino tô aqui para te ajudar?? – eu sabia que ele queria dizer algo, mas me surpreendi, ele me abraçou e começou a chorar, mas não era um choro comum, não, era de dor, era de muito sofrimento. Eu só consegui segurar ele e deixar que essa dor toda saísse de dentro dele.

Era estranho ele era um menino extremamente forte, bonito e pelo que vi inteligente, o que quer que estivesse acontecendo estava acabando com ele. O que tinha acontecido com esses meninos, primeiro o Renato agora o Marcelo, quanta coisas esses meninos passaram, eram tão jovens, eu também tive minha parcela de dor na idade deles, mas nada se comparava a solidão que esses meninos sentem, eu tinha minha tia, eles não tinham ninguém, eu nunca passei necessidades, já eles o que passaram?

Ficamos ali muito tempo, as luzes da rua já estavam acendendo, ele não dizia nada, mas pelo menos tinha parado de

chorar, a respiração tinha voltado ao normal.

- Desculpe seu Gustavo. – ele secava as lagrimas, eu fiquei sem saber o que fazer. Orei a Deus para que ele confiasse em mim.

- Eu nunca falei sobre isso com ninguém seu Gustavo, eu passei a vida fugindo, e eu carrego isso a tanto tempo dentro mim, eu ....eu.....tento mudar, vir pra cá e conhecer sua tia, foi... foi a melhor coisa que me aconteceu, ela disse que eu podia mudar, que eu era novo, tinha a vida pela frente, que eu podia esquecer tudo que aconteceu comigo, e eu tento todo dia se Gustavo, eu ...eu...

- Mas ai ela foi embora, Deus tirou ela de mim, ele sempre tira, eu tô sempre sozinho, eu só tenho essa aparência seu Gustavo, mas esse não sou eu, ninguém me enxerga, é como se eu fosse só essa casca seu Gustavo.....eu ...eu.... não nasci pra ser feliz seu Gustavo.

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Guigo - Bem acho que matou a curiosidade....abraços querido

Geomateus - menino tu foi criativo...rsrsrsrs

Nayara - Matei tua duvida...bjks queri

Valtersó - rsrsrsr...muita coisa acontecendo, espero que esteja gostando...grande abraço querido

pandinha67 - Vou passar o recado pra ele pode deixar....rsrsrsr...do jeito que corre pelos meninos acho que nao vai ter tempo...mas quem sabe.....abraços

NikolasV - Tudo pode mudar de uma hora pra outra querido, grande abraço

Comentários

13/10/2017 00:28:27
Cara, esse capitulo fez eu pensar no meu filho. O que seria dele se nós não tivéssemos adotado ele. Será que ele teria sofrido tanto preconceito como esses meninos? Pq o orfanato que ele estava só ficavam as crianças pequenas. Vendo ele hj se tornando um homem digno, vejo que fizemos a coisa certa...O que o Gus tá tentando fazer com esses rapazes é de arrepiar , é de fazer querer conhecer essa Fundação pra poder ajudar tb...Só espero que os pais ( do Gus e do Vini ) não façam nada pra tentar prejudicar os meninos...Ansiosa pelo próximo. Bjs qrdo.
12/10/2017 23:15:21
Impressionante essa capacidade de ajudar que o Gus tem. Acho que é uma pessoa maravilha
12/10/2017 19:39:40
SE FOREM 100 CRIANÇAS NA CASA, SERÃO 100 CRIANÇAS COM PROBLEMAS, COM UM PASSADO TRISTE E UM PRESENTE POUCO PROMISSOR. ESPEREMOS QUE PELO MENOS NUM FUTURO BREVE TODOS ENCONTREM A TAL DA FELICIDADE, DO AMOR, DO CARINHO, DA COMPREENSÃO QUE TANTO LHES FALTARAM NA INFÂNCIA. BELO TRABALHO GUS ESTÁ FAZENDO. CLARO QUE COM AJUDA TB. MAS UMA HORA ALGUÉM VAI PRECISAR DE FATO AJUDAR GUSTAVO A SER FELIZ. AFINAL QUEM NÃO QUER SER AMADO, NOTADO, ACARINHADO, SE SENTIR IMPOR TANTE PRA ALGUÉM? SÓ QUEM ESTIVER MORTO E MESMO ASSIM, MESMO MORTO TEVE OU AINDA TEM MUITA IMPORTÂNCIA. ISSO É ETERNO. SENTI FALTA DO MEU PEQUENO E LEVADO TAVINHO. DEIXA ELE FORA DOS CAPÍTULOS NÃO. EU ACABO SEMPRE RINDO E ME EMOCIONANDO SEMPRE COM ELE.
12/10/2017 18:53:57
Ótimo conto , vou acompanhar ..
12/10/2017 17:04:56
12/10/2017 17:04:54
Esses garotos precisam ser amados, se sentir confiantes, e precisam de alguem que os direcione e eu tenho certeza que vc eata cinaeguindo fazer isso. Gus vc é d , queria poder te dar um abraço.
12/10/2017 12:50:28
muitos sofrem por causa da solidão e da falta de amor,vivem sozinhos sem ajuda ou compaixão,quando o destinos cruza as pessoas certas no momento certo em prol de coisas boas,o universo conspira a favor. Muito linda essa relação de fraternidade,amizade e carino.
12/10/2017 12:09:37
Nossa como me emocionei nesse cap. grandes revelações.....
12/10/2017 11:07:37
Quantas pessoas as vezes ficam perdidas sem saber o que fazer, onde ir, o que falar, essa historia me comove por serem jovens na maioria sem familia, mas infelizmente existem aqueles que estao cercados de pessoas, de dinheiro e estao so consigo mesmo, isolados em seu proprio mundo,esperando um sorriso apenas pra sentirem que fazem parte da vida de alguem, qqtos de nos ja nao passamos por momentoss assim, ainda mais qdo gostamos de pessoas do mesmo sexo. Qtos sonhos, fantasias, desejos, reprimidos e esquecidos por medo da familia, sociedade, do mundo. Notavc e demais, seus contos maravilhosos abraços e continue escrevendo ok, sou se fã.
12/10/2017 11:05:16
Armaria, o que será que aconteceu com ele pra ser tão pessimista assim?
M/A
12/10/2017 10:57:53
Apaixonado pelo capítulo, só que meu amor não estava praticamente no capítulo.

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