Uma semana muito louca - Completo Cap. I a VII

Um conto erótico de Lipe
Categoria: Gay
Contém 19919 palavras
Data: 05/01/2020 03:00:09
Última revisão: 01/04/2020 21:16:23

Capítulo 1 - Domingo

Era um domingo à noite, eu estava desanimado para começar mais uma semana. O vizinho de cima fazendo mais uma festa, sabia que não iria dormir bem. Javier já estava deitado na nossa cama, ele roncava. Aquele programa na TV mostrava as mais belas praias do mundo e me deixava ainda mais depressivo.

Não fui sempre assim, desanimado com a minha vida, com o meu marido e com o meu trabalho. Havia um tempo em que eu era feliz. Não me importava com festas ou com roncos. Nem os tampões nos ouvidos me ajudavam.

— Ravi, amor. — Eu disse com uma voz suave para não acordá-lo no susto. — Pare de roncar querido.

Foi em vão. Seu ronco ficou ainda mais alto. Eu o via dormindo, com aquela barba por fazer, aquela barriga exuberante e eu me lembrava que ele não era assim quando nos conhecemos 14 anos antes, no meu baile de formatura da faculdade.

Eu era jovem, 22 anos de idade e estava me formando no curso de publicidade e propaganda. Tinha um futuro explendido pela frente. Havia sido promovido no emprego, a partir do próximo ano não seria mais estagiário na agência de publicidade do Sr. Abel.

Eu estava lindo, mesmo emburrado pelo meu melhor amigo me dar o bolo naquela noite. Eu era um rapaz bonito que chamava a atenção por onde quer que eu passasse. Pelo menos naquela época.

— Minha mãe está passando mal. Vou ficar com ela. — Paulo disse. — Me perdoa Lipe.

A megera, mãe do Paulo, não gostava de mim. Acho que ela não gostava da amizade do filho com um cara gay. Talvez ela soubesse que o Paulo era o amor da minha vida. Eu tinha certeza que naquela noite ela inventou que estava mal apenas para ele não se encontrar comigo.

A festa se tornou interessante quando eu vi o Javier. Um argentino lindo. Alto, musculoso, sedutor.

— Quem é aquele homem? — Eu perguntei para a minha colega de sala.

— Javier. Lindão, né? — Ela disse. — É um pintor amigo do meu pai, mas sem chance, ele é hétero e casado.

Aquelas palavras não me desanimaram, afinal, a forma que ele me olhava, dizia que ser hétero e casado não importava. Ficamos flertando por horas, um sempre seguindo o outro com o olhar. Percebi quando Javier foi para um lugar isolado do lado de fora do salão daquele clube e eu o segui. Ele já me esperava.

— Buenas Noches. — Ele disse com o seu sotaque carregado, enquanto fumava um cigarro.

— Boa noite. Você tem um cigarro? — Eu pedi. Eu não fumava, mas queria puxar papo. Javier tirou a sua cigarreira prateada do bolso e me deu um cigarro. Antes mesmo que eu pudesse pedir também o isqueiro ele já estava com o mesmo em mãos para acender o meu cigarro. Ele veio se aproximando e me olhava diretamente nos olhos. Ele possuía um magnetismo tão grande que tudo que quis naquele momento foi beijá-lo.

— Soy Javier. Encantado. — Ele disse apertando a minha mão.

— Sou Lipe. Felipe, o prazer é meu. — Respondi.

— É um formando? — Ele me perguntou.

— Sou sim. — Respondi com um sorriso.

— Então, parabéns! — Javier disse me abraçando.

Aquele abraço foi delicioso, pude sentir o seu perfume e o toque do seu corpo, eu fiquei excitado e ele também. Nos encaramos sorrindo. Em questão de segundos estávamos em uma cabine do banheiro nos pegando.

Seu beijo era bom, sua pegada era boa e o seu pau era bonito, grande e pesado. Javier tinha 30 anos de idade, 1.80m de altura, uns 80kg bem distribuídos em um corpo musculoso e torneado. Simplesmente gostoso. Nos chupamos naquela cabine.

— Usted é uma delícia. — Ele disse.

— Você também. — Eu disse.

— Permita-me te comer. — Ele pediu com um olhar malicioso e sedutor.

— Aqui não. — Respondi. Não era muito fã de ser passivo. Mas para aquele argentino gostoso eu daria tudo que ele quisesse, mas não poderia ser ali em uma cabine de banheiro. — Para eu conseguir fazer gostoso preciso de um preparo especial, um ambiente tranquilo, confortável e seguro.

— Então vamos para a minha casa. — Ele disse.

— Ouvi falar que você é casado. — Eu disse.

— No más. Estoy me desquitando. — Ele disse com um largo sorriso.

Naquela noite eu não fui, mas trocamos telefones. Dois dias depois eu estava em sua casa. Seu apartamento era grande e bonito, Javier me mostrou os seus quadros e ele tinha muito talento. Além de casado Javier tinha um filho. Um menino de três anos de idade. Ele disse que a esposa iria voltar para a Argentina com a criança e que ele ficaria no Brasil. Naquela noite a mulher estava fora com a criança e pudemos aproveitar. Tivemos uma longa e deliciosa noite de sexo. Nunca tinha pego um homem como aquele, com aquele charme e aquela pegada. É lógico que fiquei caidinho por ele. Depois daquele encontro nos encontramos várias vezes e começamos a namorar. Ravi, como eu o chamava, demorou quase dois anos para de fato se separar e a sua ex-mulher voltar para a Argentina com a criança.

Quando por fim, Ravi estava sozinho naquele apartamento, ele me chamou para morar com ele. Eu aceitei, estava bem no emprego, fazia campanhas bem rentáveis e já queria mesmo sair da república onde eu morava. Mesmo Ravi dizendo que não precisava, eu fiz questão de dividir com ele o valor do aluguel.

Quando me mudei para o apartamento do Javier, ele me recebeu com um maravilhoso jantar à luz de velas.

— Seja bem-vindo a nossa casa. — Ele disse.

Eu estava feliz. Ravi me fazia feliz. Antes mesmo de jantar, fomos para o seu quarto, que a partir daquele momento se tornou o nosso quarto. Nos beijamos e Ravi tirou a minha camisa. Me fez sentar na cama e tirou os meus sapatos, as meias e beijou os meus pés.

— Você terá vida de príncipe meu amor. — Javier disse.

Ravi tirou a minha calça com a cueca junto e caiu de boca no meu pau. Imaginei que depois de anos, naquela noite eu poderia ser ativo, mas não foi o que aconteceu. Ravi me virou de bruços na cama e começou a lamber o meu cu. Sentia a sua língua lá dentro, sentia quando ele mordia as minhas nádegas. O tesão foi tanto que eu logo pedi para ele me comer.

— Vem meu macho gostoso, me come. Quero você todo dentro de mim. — Eu disse.

Ravi deitou por cima de mim e pincelou o pau na minha bunda, pouco a pouco aqueles deliciosos 18 cm estavam todo dentro de mim. Ravi era carinhoso no início e tinha uma pegada forte.

Que macho era aquele, segurava firme na minha cintura, puxava os meus cabelos, ele não gozava, não parava de meter até que eu gozasse. Ele metia forte e mordia minha orelhava, falava obscenidades em espanhol que me deixava bambo, cheio de tesão e com o cu piscando sempre querendo mais.

Os movimentos eram rápidos, seu pau entrava e saia do meu cu que estava sedento pelo leite daquele macho gostoso. Eu o tirei de cima de mim, o beijei e me sentei sobre ele. Ravi passou a me masturbar enquanto eu cavalgava no seu pau duro que ao mesmo tempo era macio. Ravi passava a mão pelo meu corpo, apertava os meus mamilos e algumas vezes batia na minha bunda. Não demorou muito eu gozei. Ravi não, aquele homem era um touro. Ele me deixou de quatro e meteu forte até que por fim ele gozou.

Os primeiros anos do nosso casamento foi maravilhoso. Nas férias seguintes, viajamos para Argentina, foi uma lua de mel maravilhosa. Mas como dizem, “tudo que é bom acaba”. Ravi deixou de ser aquele homem fodástico. Os seus quadros acumulavam em um dos nossos quartos que ele fazia de estúdio, desanimado, ele foi perdendo o seu charme, dinheiro e ganhou peso. Passei a sustentar aquela casa. Tudo piorou quando o seu filho, Martin, veio morar com a gente. Era um garoto alegre e bonzinho, isso até entrar na adolescência. Nos últimos anos, o objetivo do garoto pareciam ser fazer da minha vida um inferno.

Sem conseguir dormir fui para a sala. No meu celular tinha um enorme texto da Val, minha amiga reclamando do seu namorado, que pelo visto já era o seu ex. Preferi ignorar. Val era o tipo de amiga que suga as nossas energias. Havia também outra mensagem, do Paulo, me desejando boa noite.

O Paulo sempre fez parte da minha vida, não tem como pensar na minha vida sem ele.

Conheci Paulo quando ainda era criança, estudamos juntos desde pequenos. Paulo foi o meu primeiro amor, a minha primeira paixão. Foi o primeiro pau que chupei. Isso quando já éramos adolescentes.

Um dia ele dormiu na minha casa. Minha mãe colocou um colchão ao lado da minha cama e eu não resisti. Desci para aquele colchão, deitei ao seu lado e passei a mão pelo seu corpo. Paulo estava duro, tirei o seu short sem muito esforço e em um ato de coragem eu beijei aquele pau. Beijei, lambi e chupei. Paulo permanecia imóvel, segurava os seus gemidos, eu sabia que ele estava acordado. Eu o chupei até ele gozar. Bebi toda sua porra e deixei o seu pau limpo. Eu peguei a sua mão e levei até o meu pau. Eu a segurava e fazia os movimentos para uma punheta, mas Paulo puxou a sua mão e se virou para o outro lado, fingindo que dormia. Voltei para a minha cama, frustrado, mas ao mesmo tempo feliz.

No dia seguinte, Paulo continuava o meu mesmo melhor amigo. Nunca tocou no assunto, mesmo quando eu tentava arrancar alguma coisa dele. Eu sabia que eu não tinha nenhuma chance com o Paulo “acordado” e não me importei, o mais importante era não perdermos a nossa amizade.

Consegui repetir aquela noite mais algumas vezes, quando Paulo dormia na minha casa ou eu na dele. Acho que a mãe dele percebeu o meu sentimento por ele, pois ela passou a me odiar.

Quando estava indo para o último ano do ensino médio, minha mãe resolveu se mudar para o interior, onde tínhamos uma outra casa, minha irmã mais velha, Natália, já havia saído de casa há alguns anos e ficou difícil para minha mãe sustentar a casa onde morávamos e ela gostava mesmo era da vida no interior. Foi um grande momento de tristeza, Paulo me chamou para morar esse último ano com ele, mas a sua mãe não deixou.

— Será apenas um ano Paulo. Eu te prometo, vou passar no vestibular aqui e vamos morar juntos em uma república. — Eu disse na nossa despedida.

Eu e Paulo não perdemos a amizade, combinamos de nos encontrarmos, mas a megera da mãe dele sempre inventava uma desculpa para eu não ficar na casa dele e nunca o deixou ir me visitar. No ano seguinte, passei no vestibular e voltei para a cidade. Com o aluguel da minha antiga casa consegui pagar a faculdade e uma república para morar.

Estava tudo certo, Paulo iria morar comigo, mas pouco antes da sua mudança, sua mãe de repente ficou doente e o impediu de deixá-la. Mesmo assim nos víamos sempre, saíamos juntos e um dia consegui fazer com que o Paulo dormisse na minha casa. Eu quis logo relembrar os velhos tempos. Desci da minha cama e me deitei ao seu lado. Antes mesmo que eu pudesse tocá-lo ele disse:

— Lipe, o que está fazendo? — Ele perguntou. Eu fiquei em choque e sem resposta. — Não somos mais crianças. Vá dormir. Já estamos bêbados.

Eu sem graça fui para a minha cama. Não preguei os olhos a noite toda. Tive medo do Paulo mudar comigo. Mas no dia seguinte, Paulo foi o mesmo Paulo. Disse que estava tão bêbado que nem se lembrava como chegamos em casa.

Nunca mais tentei nada com o Paulo, também foram pouquíssimas as vezes que o Paulo voltou a dormir no meu quarto. Paulo era um rapaz bonito, alto, magro com um sorriso maravilhoso. Não precisei contar para o Paulo que eu era gay, acho que no fundo ele sempre soube, tudo aconteceu de forma bem natural, ele chegou a conhecer alguns dos meus ficantes e namoradinhos e me deu muita força quando resolvi morar com o Javier.

Paulo sempre estava namorando, e isso nunca impediu a nossa amizade. Seus namoros nunca davam certo, eu não tinha nada com isso. Era a megera da mãe dele que sempre afastava qualquer pessoa que se aproximasse do filho. Quando Dona Tita morreu, eu pensei que ele iria se acabar, mas depois de um tempo de luto e sofrimento, ele se reergueu e ficou muito melhor, mais bonito, mais forte e mais atraente. Aquela megera que segundo os seus dramas beirava a morte o tempo todo, morreu forte e saudável atropelada por um ônibus. Os médicos disseram que ela tinha muita saúde e que se não fosse aquele acidente, ela passaria dos 100 anos.

Depois do luto, Paulo começou a namorar. Sem a mãe para dizer que aquela mulherzinha não presta, aquele namoro virou um noivado e o casamento estava próximo. Suzi é bonita, mas muito entojada, mimada e mandona. Ela trata o meu amigo como um cachorro, e ele como um bom cachorro está sempre feliz abanando o rabo. Eu só a suportava pelo carinho, amizade e o amor que eu sentia pelo Paulo.

Acho que a proximidade do casamento do meu melhor amigo estava me abalando muito, mais que o normal, eu não conseguia deixar de pensar nele, de pensar que ele estava cometendo o maior erro de sua vida. Que aquela não era a garota certa para ele.

Havia poucos minutos que Paulo havia me enviado mensagem. Vi no aplicativo que ele ainda estava online.

— Acordado? — Enviei uma mensagem perguntando.

— Sim e você? Sem sono? — Ele respondeu

— É... algo assim.

— Chamada de vídeo? — Ele perguntou, antes mesmo que eu pudesse respondeu ele chamou.

Ajeitei o cabelo e atendi.

— Festa aí em cima de novo? — Paulo me perguntou escutando o barulho que o vizinho fazia. Fiz uma careta concordando. Vi que Paulo também estava sentado em seu sofá.

— E você, de castigo? Expulso do quarto? — Eu perguntei.

— Fui acusado de não participar muito da organização do casamento.

— Mas ela não deixa você dizer nada. — Eu disse.

— Suzi está esgotada, organizou tudo sozinha. Tudo, a festa, a comida, a decoração. Ela está uma pilha, ainda bem que ela começou a fazer ioga com a sua amiga Valéria.

— Que bom, a Val vai conseguir dar um jeito nela.

— Ainda não estou vendo os resultados. — Paulo disse rindo.

— Tenha paciência.

— E você? Vocês vêm para o casamento?

— Claro que vamos, já confirmamos.

— Você não parece muito feliz. — Paulo disse vendo o meu desânimo.

— É que tenho uma reunião importante amanhã, mas com esse barulho... — Eu disse. Sem contar que eu não ficava nada feliz quando conversávamos sobre o seu casamento.

— Legal, campanha nova? E isso não te motiva?

— Sim, mas o que mais me motivaria seriam umas boas férias. — Eu disse. Paulo me deu aquele lindo sorriso, mas foi forçado a olhar para trás.

— Querido! — Era a Suzi o chamando.

— Vamos dormir? — Paulo disse.

— Eu vou tentar. — Respondi.

— Se cuide. — Ele disse.

Infeliz, deixei o celular de lado e deitei no sofá.

Estava em uma ilha, acredito que no Caribe, deitado em uma rede tomando uma pina colada. Vi aquele mar lindo, quando uma sombra me tampou. Assustado, olhei para o lado e haviam três homens lindos me olhando. Um negro, um loiro e um moreno. O moreno se parecia muito com o Paulo. Eles sorriam para mim. Um sorriso malicioso e sexy. Sem graça abaixei o olhar, foi quando vi que eles estavam nus. Nus e excitados. Eu não consegui deixar de olhar, a minha vontade era tocá-los. Eles sorriram e se deitaram na rede comigo.

Já não era mais uma rede, ela havia se transformado em uma cama. Eu puxei o moreno parecido com o Paulo para um beijo. Enquanto o loiro e o negro passavam a mão no meu corpo. Depois de beijar o moreno, empurrei seu rosto em direção ao meu pau. O moreno começou a me chupar, enquanto o loiro ficou de frente para mim e colocou o seu pau na minha boca. O negro com a sua língua enorme, lambia o meu cu como ninguém nunca fez na minha vida.

Eu chupava o pau do loiro enfiando-o todo na minha boca, sentia um gosto doce, delicioso. O moreno sugava a cabeça do meu pau me dando um enorme prazer.

— O que mais deseja, meu príncipe? — O negro me perguntou.

— Príncipe? O que eu desejo? — Eu perguntei. Os três me olharam esperando as minhas ordens.

— O que quiser. — O negro disse.

Eu sabia que ali não era a hora nem lugar para dizer que eles haviam se confundido, que eu não era príncipe nenhum. Tudo o que eu pensei foi em realizar os meus desejos.

— Eu quero vocês. — Eu disse.

E os três vieram me beijar, depois se deitaram de bruços na cama. Eu meti em todos, enfiei o meu pau em cada uma daquelas maravilhosas bundas. Até gozar.

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Capítulo 2 - Segunda-feira

Acordei todo quebrado, havia dormido a noite inteira naquele sofá. Olhei as horas e vi que já estava atrasado. Teria uma reunião importante, com um grande cliente. O cliente que me destacou no mercado e agora anos depois estava de volta.

Estava no início de carreira. Era o meu primeiro ano depois de ser efetivado. O Sr. Abel, meu querido chefe, que Deus o tenha, havia fechado negócio com uma grande empresa de laticínios e me pediu para criar uma campanha. A campanha foi um sucesso, ficou nacionalmente conhecida, eu ganhei uma boa grana, fui promovido e o Sr. Abel me prometeu um dia a sociedade. O problema é que pouco tempo depois, essa empresa de laticínios teve alguns problemas e quase faliu. Ela havia se tornado o nosso principal cliente e, sem ela, foi difícil até nos manter.

O Senhor Abel tinha dois filhos, e dizia que eu era o seu filho do meio, tamanho o carinho que tínhamos um pelo outro. Júlio, o mais velho, é dois anos mais velho do que eu. Quando o conheci, ele estudava medicina. Um rapaz lindo, simpático, inteligente. Confesso que fiquei afim dele assim que o vi, mas não tinha chances, esse era hétero de verdade. Hoje está casado e tem filhos. O filho mais novo do Sr. Abel, Frederico, era um pirralho, um garoto chato, prepotente, seis anos mais novo que o irmão e foi muito mimado.

Quando Fred entrou na faculdade de Administração, ainda no início do curso, ele resolveu fazer um estágio na empresa do pai. Para a minha sorte, e do resto da empresa, ele ficou pouquíssimos meses. Fiquei feliz quando ele partiu. Ele se achava o dono, achava que sabia mais que todo mundo, queria mandar e desmandar, inclusive nos setores de criação que não tinha nada a ver com o seu estágio.

Há alguns anos, Fred voltou para a empresa. O Sr. Abel ficou doente e teve que afastar. Apesar de mais velho, mais competente e um pouco mais sensato, eu não conseguia vê-lo diferente daquele pirralho mimado e espinhento que conheci há mais de uma década. Também não conseguia ver a sua beleza, que fazia todas as garotas da empresa ficarem babando por ele. Mas sempre o respeitei e obedeci.

Corri para o banho e não tinha água. Olhei todas as torneiras e nada. Liguei para o porteiro e perguntei se estava sem água no prédio.

— Seu Felipe, é só o apartamento do senhor, vieram aqui e lacraram o seu registro. — O porteiro disse. — O senhor pode tomar banho no vestiário até pagar a sua conta.

— Obrigado. — Eu disse depois de respirar fundo.

— Ravi... Ravi, acorda. — Eu disse acordando o Javier que ainda dormia com aquela enorme barriga para cima e ainda roncava.

— O que foi Lipe? — Ele me perguntou ainda sonolento.

— Você não pagou a conta de água? Estamos sem água. — Eu disse. Javier me olhava com cara de paisagem. — Eu te dei a conta e o dinheiro Ravi, estou atrasado e vou ter que tomar banho no vestiário da piscina.

— Me perdoe meu amor, vou resolver isso hoje. Eu prometo. — Ravi disse voltando a se deitar.

Passei a vergonha de descer com uma mochila para o vestiário para tomar um banho. Uma vizinha, daquelas velhas e fofoqueiras me olhou de cima a baixo.

— Meu chuveiro estragou. — Eu disse sem graça.

— Sei. — Ela disse duvidando.

Assim que saímos do elevador eu a escutei conversando com o porteiro.

— Aquele homem que mora com aquele outro, que tem o filho delinquente. — Ela disse. — Então, ele disse que o chuveiro dele estragou. Mas eu sei que foi falta de pagamento, eu vi quando vieram cortar a água deles. Acho que tinham que ser proibido usar o vestiário da piscina.

— Não podemos proibir. Eles pagam o condomínio em dia. — O porteiro disse.

— Depois dizem que esse tipo de gente é bem de vida. — A velha disse rindo.

Revoltado, fiquei calado. Estava acostumado a engolir sapos. Fui para aquele vestiário, tomei banho e voltei para casa. Escutei um barulho no quarto do Martin e fui ver o que era. Ele estava com um casal de amigos.

— O que você está fazendo aqui? — Eu perguntei.

— Eu é que pergunto, você que está invadindo o meu quarto. — Ele rebateu.

— Era pra você estar na aula. Como vai passar no vestibular esse ano se fica aí matando aula? — Eu disse.

— Você não é o meu pai para me dar sermão. — Martin respondeu.

— Então não me force a agir como tal. — Eu disse.

— Sai fora. — Martin disse me empurrando para fora do quarto enquanto seus amigos riam.

Ravi ainda dormia na nossa cama. Sabia que falar para ele que o Martin estava matando aula e não dizer nada seria a mesma coisa. Juntei as minhas coisas e corri para pegar o carro.

— Eu não acredito. — Eu disse ao ver o meu carro preso. Eu sabia de quem era aquele carro estacionado na frente do meu. Era do vizinho de cima, o dono da festa.

Bati em sua porta e um de seus convidados atendeu.

— Entra aí belezura, a festa continua. — Ele disse me puxando para dentro.

— Eu não vim para a festa. Vocês têm ideia que já é segunda-feira? Ninguém aí trabalha não? — Eu disse. O gordinho que abriu a porta sorriu. — Cadê o dono do apartamento?

O gordinho foi procurá-lo e voltou.

— O que foi? — O vizinho perguntou, ele estava completamente bêbado, isso se não tivesse drogado também.

— O seu carro está fechando o meu. — Eu disse.

— Carro? Que carro?

— Sim, o seu carro, não está na sua vaga. Simplesmente está estacionado na frente do meu. E eu preciso sair. — Eu disse.

— Toma. — O vizinho sorriu me entregando a chave do carro.

— É pra eu manobrar? — Perguntei.

— Eu não estou em condições, na verdade nem sei como eu cheguei aqui. — Ele disse sorrindo. O gordinho ao seu lado sorria. Eu puxei a chave da sua mão e parti.

Manobrei o carro daquele bêbado, coloquei em sua vaga e deixei a chave dentro do carro. Olhava as horas e via como eu estava atrasado. E para piorar, o trânsito não estava complicado. Um bendito taxista fechou o cruzamento bem na minha frente.

— Custava me deixar passar? Eu quero seguir direto e não virar à direita. — Eu disse. O caminho para quem segue em frente estava livre, mas o taxista que vinha da esquerda me fechou.

— Foda-se. — O Taxista respondeu me mostrando o dedo do meio.

Contei até dez e engoli mais esse sapo. Já era mais de 9 horas da manhã quando cheguei ao trabalho, mas aquele dia infernal estava apenas começando. Minha vaga estava ocupada. Larguei o meu carro no meio do estacionamento e subi correndo para o escritório.

O escritório era grande, constituída uma grande ilha e algumas salas de vidro na lateral. Fred estava conversando com uma garota nova na agência, ele a chamava para jantar.

— Desculpa o atraso. — Eu disse.

Todos me olhavam surpresos. Primeiro que eu não era de atrasar e ninguém entendia porque eu estava atrasado.

— Não chegaram ainda? Já foram embora? — Perguntei

— Quem? — Fred devolveu a pergunta.

— O cliente.

— Você não ficou sabendo? — Fred disse sorrindo. — Foi remarcado para amanhã.

— E ninguém me avisou?

— Lipe, o que você tem? Olha a sua cara! — Fred disse forçando todos repararem em mim. — Dormiu mal né?

— Tive uma noite e uma manhã meio que terrível. — Eu disse.

— Meio? — Ele disse. — Acho que os 40 anos estão matando você Lipe.

— Eu não tenho 40. — Eu disse sem graça. Eu só tinha 36. Fred deu de ombros. Resolvi mudar de assunto. — Tem um carro na minha vaga. Quem foi?

Todos me olhavam, mas ninguém respondeu. Fred estava com uma cara de suspeito.

— Podemos conversar na minha sala? — Fred me pediu. Eu o segui e sentei de frente para a sua mesa. — A quanto tempo trabalha aqui Lipe?

— Dois anos de estágio, Treze com o seu pai e há um ano com você. — Eu disse sendo simpático.

— Nossa, 16 anos, metade da minha vida. — Fred disse. — Quer um cafezinho?

— Não, obrigado. — Respondi ignorando que mais uma vez ele me chamava de velho.

— Tem certeza? Um café pode te fazer bem. — Fred disse sorrindo. Neguei mais uma vez com a cabeça e ele continuou. — Quando a empresa de laticínios nos procurou com o plano de voltar ao mercado, sabia que pediu especificamente por você?

— Não sabia. — Eu disse sorrindo. — Mas foi a minha campanha que os levou para o cenário nacional. Pena que eles tiveram aquele problema com a vigilância.

— É, mas agora já resolveram tudo e querem relançar a campanha com tudo nas redes sociais.

— Isso é ótimo. — Eu disse. Finalmente o Fred estava vendo que eu realmente era bom no que faço e que clientes importantes gostavam de mim. Que só continuaram na empresa após a morte do Sr. Abel porque eu continuava ali e não pelo Fred levá-los para jantar.

— Sim, mais aí eu pensei estrategicamente nesta empresa. O que está na moda hoje? Likes, seguidores... certo? — Fred me perguntou, concordei com a cabeça. — E eu acho que você não se encaixa muito nesse mundo, não é mesmo?

— Acho que eu me dou muito bem com esse mundo. — Eu respondi sem saber onde ele queria chegar.

— Você tem uma presença ativa no Twitter, Instagran, Facebook? Você se quer tem esses aplicativos? Você os utiliza? — Ele me perguntou, acenei sem confiança com a cabeça, afinal só usava o Facebook. — Você conhece a Larissa Renata?

— É uma modelo, não é? — Eu perguntei.

— Blogueira de moda, DJ, atriz, youtuber. Ela é incrível. Tem milhões de seguidores nas redes sociais, uma das maiores influenciadoras do país. Ela está chegando aí.

Olhei para a parede de vidro e no meio do salão estava a garota, com um shortinho minúsculo, conversando com a câmera enquanto um rapaz a filmava.

— Chegamos meus queridos seguidores. — Ela disse. — Espera, acho que filmando para aquela vista fica melhor, vamos fazer de novo.

Fred sorria para a garota enquanto ela entrava pela sala, virou para mim mandando eu sorrir também.

— Vou trabalhar com o grande Frederico. Ele é o cara. — A garota disse e se virou para mim. — Oh meu Deus! Você deve ser o Felipe! Eu não acredito! Ouvi falar muito de você!

A garota se virou novamente para a câmera e continuou a falar.

— Seguidores queridos, esse é o Lipe o verdadeiro número um! — Ela disse.

— Diga olá para a câmera, senhor. — O jovem que segurava a câmera estalava os dedos para mim como se eu fosse um cachorro.

Eu ainda olhava para aquilo tudo sem entender.

— Tudo bem, vamos editar essa parte. — Larissa Renta disse. — Felipe é o melhor em publicidade e vai trabalhar para mim.

— Ótimo, gravei. — O jovem disse.

— Eu ouvi direito? — Eu perguntei.

— Não, não. — Fred respondeu sem graça. Ninguém vai trabalhar para ninguém.

— Não, é claro. — Larissa disse. — Só disse isso para os seguidores, eles gostam quando eu digo que alguém irá trabalhar para mim. Mas é claro que seremos uma equipe.

— Isso, fico feliz que se conheçam e adoro que estejam juntos aqui. Porque o que eu quero é que juntos tragam essa empresa para o século 21! E quando digo juntos é por que quero o melhor dos dois mundos.

— Que dois mundos, Fred? — Perguntei.

— O futuro. — Fred disse apontando para Larissa Renata que estava em pé ao meu lado. — E o seu mundo Lipe.

Voltei para a minha sala irritado e calado, mais um sapo descia pela minha garganta. Tomei algumas gotinhas de florais para ver se me acalmava. Torcia para algo bom acontecer naquele dia que começou trágico.

Paulo me ligou com uma nova chamada de vídeo. “Algo bom nesse dia louco”, eu pensei.

— Oi como vai? — Perguntei. Paulo estava sorridente, eu sentia um pouco de paz quando via aquele sorriso.

— Oi, está ocupado? Tem um minuto?

— Tenho, pode falar. Onde você está? No bar? — Perguntei.

— Sim e está ficando maravilhoso. Veja! — Paulo disse me mostrando a reforma do seu bar. — Vou abrir em breve.

— Incrível, vou conhecer logo.

— Foi para isso que te liguei. Preciso de um conselho. O arquiteto disse que quer pintar a parede de bergamota. Você sabe que cor é essa? — Paulo me perguntou sorrindo.

— É parecido com laranja. — Eu respondi.

— Querido, você está aí? — Era a noiva do Paulo entrando no bar.

— Quem é? A sua mãe? — Perguntei sendo irônico.

— Minha mãe gostava de você. — Paulo disse.

— Morto, só se for. — Respondi.

— Liguei pra você, por que não me atendeu? — A noivinha reclamava.

— É que eu estou no telefone. — Paulo respondeu.

— Com quem? — Ela perguntou.

— Com o Lipe. — Paulo respondeu.

— Oi Suzi. — Eu disse. A megerinha apareceu de frente para a câmera eu acenei, mas ela me ignorou.

— Escuta, o DJ ligou e disse que você falou que ele pode escolher as músicas. Por que fez isso? Como ele vai saber a música que gostamos? A ordem que gostamos. Foi a única coisa que mandei você fazer. — Ela reclamava.

— Ah, ele sabe. Ele trabalha é com isso. — Paulo disse.

— Ele sabe até certo ponto. Mas é o nosso casamento. — Ela continuava a reclamar.

— Lipe, conversamos depois. — Paulo disse. E antes que eu pudesse me despedir, Suzi puxou o celular da mão do Paulo e encerrou a chamada.

— Garota chata. — Eu disse.

Já era quase a hora do almoço, resolvi sair mais cedo. Precisava respirar um pouco de ar puro, limpar a minha cabeça para me preparar para a nova campanha. Queria mostrar para o Fred que eu não precisava daquela garota para fazer o meu trabalho. Quando cheguei no estacionamento, lá estava ela com o seu câmera, fazendo seus videozinhos para a internet.

— Larissa Renta. — Eu a chamei.

— Oi. — Ela respondeu.

— Esse carro é seu? — Perguntei.

— É sim, porquê?

— Porque está na minha vaga.

— Ah! Desculpa, o Fred que disse que eu poderia estacionar aqui. É temporário. Só até nos organizarmos. — Ela disse.

Engoli mais um sapo e já me preparava para sair quando ela me chamou.

— Lipe, me desculpa, mas podemos repetir isso? Para as redes sociais. É interessante quando estamos em conflito. — Ela disse.

— Você pode voltar lá atrás e caminhar de novo até aqui? — O câmera da Larrisa me perguntou. — E perguntar se aquele carro é dela? A caminhada estava boa, a amargura no rosto. Pode repetir?

Eu caminhei, caminhei até o meu carro e deixei aqueles loucos para trás. Fui me encontrar com a Val, que enxia o meu celular de mensagens sobre os conflitos com os seus namorados. Val é professora de ioga, dentro do seu estúdio ela era uma mulher bastante tranquila e equilibrada, mas fora dele, era totalmente descompensada.

— Ele é um cretino. — Val disse, quando saímos do seu estúdio.

— Quem? O Thiago? — Eu perguntei.

— Não, o Raul. É sempre o Raul.

— E quem é o Thiago?

— É um idiota que eu conheci no Tinder para fazer ciúmes no Raul.

— E o que o Raul fez? — Perguntei.

— Ele está no Tinder. Ele já está procurando outra. Vai pegar qualquer uma que aparecer.

— E como você sabe? — Eu perguntei.

— Eu vi o perfil dele lá. — Val disse.

— Então você também está no Tinder?

— Sim, como acha que eu conheci o Thiago? Quer saber, isso não vai acabar aqui. — Val disse tirando o celular da bolsa e disparando a mandar mensagens para o Raul.

— Para com isso, vocês estão tentando seguir em frente. Tenta entender, fica calma, dá um tempo. — Eu disse. Val continuava dando atenção para o celular. — Estou falando com você.

— Eu escutei. Dar um tempo, entendi. — Val disse ainda digitando.

— Posso desabafar? — Eu perguntei.

— Claro. — Val disse por um segundo me olhando nos olhos.

— Eu tive um dia péssimo. — Eu disse. — Valéria, eu estou falando com você.

— Estou ouvindo, só enviando uma mensagem. — Ela disse.

— Então olha pra mim, larga esse celular. Mostra que está prestando atenção.

— Lipe eu posso mandar mensagens e prestar atenção em você e até dirigir ao mesmo tempo. — Val disse.

— Meu chefe contratou uma blogueira, uma youtuber... — Eu disse. Val ainda estava olhando para o celular. — Deixa...

— Ele é um filho da puta. — Val disse me fazendo sorrir. Pensei que ela pudesse estar mesmo prestando atenção no meu problema, como sempre eu faço com os dela desde a época da faculdade. — Disse para eu deixá-lo em paz. Dá pra acreditar nisso?

— É, não dá mesmo. — Eu disse. E fui embora.

Escutei o meu celular e pensei que era a Val percebendo que eu a deixei caminhando sozinha para o restaurante enquanto ela ficava mandando mensagens. A mensagem não era dela, era do Martin, me enviando uma foto de uma garota fazendo um boquete nele.

— Ah, credo! — Eu disse.

Voltei para casa. Quando cheguei na porta da garagem vi um homem uniformizado da companhia de água.

— Oi, você veio ligar a água? — Eu perguntei.

— Sim. É pra você? — Ele me perguntou.

— Sim.

— E nós é que não somos pontuais. — Ele reclamou.

— Mas tem gente em casa.

— Da próxima vez tenha certeza. — Ele me disse entregando uma prancheta. — Fiquei aqui mais de uma hora. Meu tempo acabou. Assina aqui. Tenho uma agenda para seguir.

Eu insisti, supliquei, disse que seria rápido, mas não adiantou, o homem foi embora. Subi desanimado. Ravi estava em seu ateliê, com música alta e pintando seus quadros.

— Javier, abaixe essa música. — Eu disse.

— Desculpa, o que foi? — Ele perguntou.

— Abaixe essa música para que possamos conversar. — Eu disse. Ele abaixou. — O cara da companhia de água esteve aqui. Ficou uma hora lá fora esperando.

— O que? Mas por que o porteiro não avisou?

— Eu não sei, ele disse que estava há uma hora tocando aqui e ninguém atendeu. Vamos ficar sem água. — Eu disse desanimado.

Javier se justificava, colocava a culpa no porteiro e me prometeu que no dia seguinte estaria tudo resolvido.

— Tem outra coisa. — Eu disse. — O seu filho fica me mandando pornografia.

— Eu sei. Ele me contou. Eu disse que ele é um idiota. Dei um sermão nele. Ele com certeza se confundiu.

— E você acha certo esse comportamento. Ele expor assim aquela garota?

— Meu amor, ele é só um garoto, e eu já falei com ele. Ele tem problemas, a mãe o abandonou. Quer que eu faça mais o quê? — Ravi veio em minha direção para me abraçar. — Lipe, acho que você anda muito estressado, sei do que você está precisando.

Ravi me guiou até o nosso quarto me fazendo uma bela massagem nos ombros, assim que entramos no quarto ele me jogou na cama. Fiquei deitado de bruços enquanto ele massageava as minhas costas. Estava bom.

— Obrigado querido. — Eu disse mais relaxado.

— Não acabou ainda. — Ravi disse. Ele tirou as minhas calças e massageava a minha bunda. — Isso foi só o começo.

Ravi pegou um lubrificante passou na minha bunda e no próprio pau. Pincelou o seu pau na minha bunda e me penetrou. Em 30 segundos de entra e sai, antes mesmo que eu começasse a sentir qualquer prazer, Ravi gozou.

— Se sente melhor? — Ele me perguntou.

— O que? Já acabou? — Devolvi a pergunta.

— Não foi bom? — Ele perguntou. Não precisei responder. — Prometo que antes de dormir farei melhor.

— Não. Nem temos água. Não vai rolar nada hoje. — Eu disse saindo do quarto.

Peguei o carro fui para a terapia. Mais uma vez no trânsito um motorista fechou o cruzamento. Como eu odeio quem fecha o cruzamento. Sempre quando estou em um cruzamento deixo sempre um carro passar. Um de cada vez, essa é a regra da boa vizinhança. E principalmente nunca fechar o cruzamento, isso é lei.

Cheguei irritado para a terapia. Deitei bufando naquele sofá.

— Quando estiver pronto. — O psiquiatra disse.

Fiquei deitado e calado de costas para ele, até me acalmar, tive tantos problemas nas últimas horas que eu não sabia por onde começar. Lembrei do meu sonho da noite anterior, essa era uma lembrança boa. Resolvi começar com ela.

— Tive um sonho essa noite. Na verdade, não foi a primeira vez. Me sinto até um pouco envergonhado em contar isso, mas vamos lá. Eu estava em uma ilha deserta... — Contei todo o meu sonho, constrangido com o silêncio, me virei para trás e não tinha ninguém lá. Escutei o barulho da descarga e o psiquiatra voltou do banheiro.

— Me desculpa, estou com uma diarreia terrível. — Ele disse. Apesar da porta do banheiro estar fechada, eu podia sentir o odor. — Você ia falar alguma coisa. Mas que tal começarmos com você me contando como está se adaptando aos seus remédios, como foi essa semana?

Não tive vontade de responder, não queria mais conversar, não queria mais estar ali. Saindo do consultório fui para a casa da minha irmã. Natália era mais velha do que eu, morou muito tempo no sul do país quando foi fazer a sua faculdade. Quando ela voltou, eu já estava casado com o Javier. Natália é arquiteta, trabalhava de casa, solteirona, tinha um gato que ela amava.

Conversamos sobre a família, comemos um bolo delicioso que a Natália fez e consegui me distrair um pouco dos problemas gerados naquele dia.

— Tenho novidades. — Natália disse.

— Me conta. — Eu pedi.

— É uma notícia boa e outra ruim, não que seja ruim, mas vou precisar de um favor.

— Pode falar.

— Vou fechar um contrato no sul.

— Isso é ótimo, fico feliz por você.

— É sim. Mas aí é que vem a parte ruim. Tenho que ir amanhã e vou passar alguns dias fora.

— E quer que eu cuido do Fofucho? — Eu perguntei.

— É pedir muito?

— Claro que não. — Eu disse rindo. — Me explique sobre os remédios dele e eu o levo hoje.

— Não, ele não pode sair daqui. A mudança de ambiente o deixa ainda mais estressado e isso não faz bem para a saúde frágil do Fofucho. O veterinário disse que ele está fraquinho de mais. — Natália disse.

— Eu devo vir para cá então? — Perguntei.

— Se estiver tudo bem pra você. — Natália disse. Eu tinha um defeito, nunca soube dizer não. Sorri para a minha irmã e disse que sim. — Fofucho, o titio vai vir aqui amanhã para dar remedinho pra você. Em breve mamãe estará de volta.

Voltei para a minha casa. Ravi estava sentado na sala vendo televisão na companhia do filho. Ambos comiam pipoca.

— Que bom que chegou. — Ravi disse. — Estou morrendo de fome.

Respirei fundo e fui para a cozinha para preparar um rápido jantar. Fiz o que pude sem água. Exausto, fui para cama. Ravi chegou horas depois, acordei com ele batendo o seu pau na minha cara.

— O que está fazendo? — Eu perguntei.

— Vou te compensar pela transa de hoje cedo. — Ele disse.

— Você não pode chamar aquilo de transa. — Eu disse. — E não vou fazer sexo com você agora se não temos nem água para eu me higienizar depois.

— Então só me chupa Lipe. — Ravi disse com o pau próximo ao rosto. — Vai meu amor, veja como eu estou animado. Eu deixei um balde de água no nosso banheiro você pode escovar os dentes depois.

— Não estou no clima. — Eu disse.

Ravi continuou parado ao meu lado com o pau duro batendo na minha cara. Percebi que se eu não o chupasse ele não iria parar.

Segurei aquele pau grande e levei até a minha boca. Ravi fodia a minha boca com vontade, diferente de mais cedo, ele demorou a gozar. Fui ao banheiro, escovei os meus dentes, limpei o meu pau e quando voltei para a cama Ravi dormia e roncava. Eu também queria gozar, mas quem se importava?

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Capítulo 3 - Terça-feira

Acordei cedo, era o dia da reunião com o cliente. Desci para mais um banho no vestiário do prédio.

— Ainda não pagou a conta? — A velha me perguntou.

— Paguei, mas ainda não vieram religar. — Eu disse.

— Sei. — A velha respondeu sem acreditar.

Fui para o trabalho, mais uma vez, Larissa Renata pegou a minha vaga. Tive que deixar o carro na rua. Um cuidador de carro apontou para onde eu podia estacionar.

Já tinha tudo na cabeça, toda a estratégia da campanha, estava pronto para apresentar. Fomos todos para a sala de reunião.

— Antes de tudo, gostaria de agradecê-los por voltarem a trabalhar conosco. E em especial, por confiar em mim para este projeto. — Eu disse. Vi que Sérgio, nosso cliente, sorria. — Hoje temos que pensar também nas mídias sociais.

— Já estamos nessas mídias, e quanto ao conteúdo? — Sérgio perguntou.

— Estamos apenas com alguns produtos, não com a empresa como um todo. Por isso estou pensando em buscar influenciadores para cada produto. Cada um com o seu perfil relacionado a um produto diferente. — Eu disse. Fred ao meu lado concordava.

— Com licença Lipe. — Larissa Renata me interrompeu. — Posso fazer um comentário?

— Claro, diga. — Fred disse.

— Você disse de influencer por produto. Mas isso é um conceito antigo.

— É um ótimo conceito. — Eu disse.

— Era. O que importa é onde e como podemos vender os produtos. — Larissa disse. Tentei interrompê-la, mas Fred não me deixou. — As pessoas querem experimentar. Por isso influenciadores já estão ultrapassados. Eu pensei... Fred podemos escurecer a sala?

— Claro. Lipe, feche as cortinas. — Fred me pediu.

Sem ainda acreditar que aquela pirralha estava me humilhando na minha reunião e que todos prestavam atenção nela eu me levantei e escureci a sala.

— Preparei um esboço, mas ainda é algo improvisado. — Larissa disse. Percebi quando o câmera entrou na sala e começou a filmar. O Sérgio, dono da empresa e seus assessores estavam encantados por aquela menina. — Temos que levar o nosso produto para o lar das pessoas, televisão já está ultrapassada, tudo agora é on demand. O que importa é criar um conteúdo viral. E com uma estratégia atual e não ultrapassada.

— Tipo uma websérie. — Eu disse.

— Não. Websérie também já está ultrapassada. Estou falando de algo viral, experiências de 5 a 10 segundos.

— Larissa, em 5 segundo não dá para impactar ninguém.

— Bom Lipe, é a minha opinião como alguém dessa nova geração. A gente adquire informação em uma velocidade muito mais rápida do que na sua. — Larissa disse.

— Mas de tudo que você disse não estou vendo nenhum conceito claro. — Eu disse irritado.

— “Conceito claro”? Nessa época de “Conceito claro” eu nem tinha nascido. — Ela disse sorrindo e todos da mesa sorriram, eles riam de mim. — A gente tem que fazer algo arrojado, moderno, inovador. Vamos Lipe, pense em alguma coisa, me dê um exemplo. Qualquer coisa, uma ideia com velocidade. O que vier na sua cabeça, uma imagem? Uma ideia? Vai! Fala alguma coisa.

Aquela garota me pressionava, queria uma ideia minha e que os frutos seriam dela. Eu não soube o que responder, via todos me olham me julgando como incompetente.

— Ok, me desculpa. A minha estratégia é velocidade, a sua não. Mas esse seria o meu foco. — Larissa disse.

— O que acha Sérgio? — Fred perguntou para o nosso cliente, apoiando a ideia da Larissa.

— Tudo bem vamos por esse caminho. — Ele respondeu.

Larissa comemorava com risinhos e palminhas, acenando para a câmera.

— Vamos ver o que está bombando na internet e quando tivermos algo concreto, faremos uma nova reunião. — Fred disse.

Todos se despediram se levantaram, E eu fiquei lá parado, estático, sozinho e sem saber o que fazer. Resolvi me levantar, ir embora. Fui para a rua e não vi o meu carro. O flanelinha estava lá.

— Cadê o meu carro? — Perguntei.

— Foi rebocado. — Ele respondeu.

— Você disse que iria tomar conta dele.

— Eu tomei, mas você estacionou em lugar proibido.

— Estacionei onde você disse que eu podia colocar. — Eu disse.

Minhas vistas ficaram escuras. Sentia meu coração batendo forte. Estava tendo um infarto. Peguei meu celular e liguei para o Paulo.

— Onde você está? Não me sinto bem. Preciso de você.

Em poucos minutos Paulo me buscou, eu estava no chão, ele me ajudou a levantar e me colocou em seu carro. Fomos para o seu bar.

— Não foi um infarto, foi um ataque de pânico. Você sabe disso. — Ele disse. — Está melhor?

— Eu não sei. Acho que é muita coisa na minha cabeça. Desculpa te ligar.

— Está brincando? Sou seu amigo.

— Eu liguei para o Ravi e ele não atendeu, não soube pra quem ligar. — Eu menti. — Eu sou patético, sinto muito.

— Calma, as coisas são difíceis as vezes. — Paulo disse.

— Acho que é mais difícil pra mim que não consigo falar. Vivo engolindo tudo, guardando tudo.

— Guardando o quê?

— O que eu quero, o que eu sinto.

— E o que você quer? O que você sente? — Paulo me perguntou.

— Já disse que é difícil de dizer. — Respondi.

— Diga alguma coisa. O que você quer agora?

— Eu quero um abraço. — Eu disse. Paulo sorriu sem graça e eu o abracei. Abracei forte, sentia o seu cheiro e me sentia seguro. Paulo queria me soltar, mas eu não o soltava. Não até escutar um barulho na porta do bar. Era a sua noiva, sempre ela.

— Estava te esperando, por que não foi me encontrar? — Ela disse para o Paulo ignorando a minha presença.

— Eu já estava indo, mas é que o Lipe passou mal. — Paulo disse.

— Ah, você passou mal? — Ela me perguntou. — É grave? Não parece tão mal.

— Eu já estou melhor — Eu disse.

— Que ótimo! Então vamos Paulo. — Ela disse.

— Sim, claro, vamos. Vou pegar as minhas coisas. — Paulo disse a obedecendo.

Fiquei sozinho com a Suzi que me encarava, ela parecia querer me matar.

— Está quente né? — Eu disse para quebrar o clima.

— Você passou mal? — Ela me perguntou.

— Sim, hoje no trabalho. — Eu disse.

— Não me importo. Acha que sou burra, que não vejo as mensagens que você manda pra ele?

— Mas... — Eu disse e ela me interrompeu.

— Mas nada. O que está fazendo aqui? Não sabe como é ridículo? Mandar mensagens, telefonar.

— Mas somos amigos. — Eu disse. — Não temos nada.

— É logico que não. Ele não gosta de viado, ele gosta de mulher. Ele tem pena de você. Eu tenho pena de você. Se despede do seu amigo que depois que nos casarmos ele nunca mais vai te ver. Chega de mensagens e ligações, entendeu? — Ela disse. Eu não respondi. — Você me escutou sua bicha surda?

Eu a encarava, mas não respondia. Segurava o meu choro. Ela respirou fundo olhou para cima, bateu o pezinho e voltou a se dirigir a mim.

— Vai embora, agora. — Ela disse apontando para a porta. Me levantei e parti.

Fiquei fora do ar, sem carro andando pela cidade. Sem querer voltar para casa ou para o trabalho, caminhei por horas sem rumo e sem direção. Quando percebi já era noite. Estava próximo a um viaduto. Passei por um senhor que olhava os carros passando lá em baixo. Ele dizia algumas coisas emboladas e por um segundo achei que ele iria pular. Corri até ele.

— Senhor, espere. — Eu gritei. Ele tirou um lenço do bolso e jogou pelo viaduto.

— Calma, era só um lenço velho. Eu estou bem. — Ele disse. — Era só um ritual. E você? Você está bem?

— Sim, desculpe atrapalhar o seu ritual. — Eu disse e segui o meu caminho.

— Você não parece bem.

— Não se preocupe. É que achei que o senhor fosse pular. — Eu disse.

— Eu? Não, nunca. Era apenas um ritual de cura espiritual.

— E como seria isso? — Eu perguntei.

Aquele senhor simpático, me levou para o outro lado do viaduto, sentamos em uma praça e contei para ele que eu não gostava mais de mim mesmo, que me sentia estagnado, travado e cansado de engolir sapo.

— E o que você gostaria de fazer? — Ele me perguntou.

— Já não sei mais o que eu quero. Fiz tanto o que eu devia fazer que eu não sei mais o que eu quero.

— Uma coisa não devia ser o oposto da outra. — Ele disse — O que você quer e o que você deve fazer devem caminhar juntos. E tudo isso está aí dentro de você. É só deixar fluir.

— Falar é fácil. — Eu disse.

— Se você confiar em mim, eu posso te ajudar a encontrar a sua felicidade e acabar com a sua angustia, fazendo você deixar de se trair. — Ele disse. — Vamos fazer um pequeno ritual para alinhar suas ações com os seus desejos.

— Como jogar o lenço do viaduto? — Eu perguntei.

— É, só que um pouco mais forte. — Ele disse. — Você vai precisar de um sapo e um pote de sorvete do seu sabor preferido.

— Um sapo? — Perguntei.

— Sim! Um sapo, ou uma rã. Pode comprar nessas casas de carne. Compre um pequeno, porque você vai precisar comê-lo inteiro, cru.

— Comer um sapo cru? Eu vou vomitar. — Eu disse.

— É essa a intenção. Você come todo o sapo e depois vomita. Quando não tiver mais nada para vomitar você come todo o pote de sorvete. Vá dormir que no dia seguinte você será uma nova pessoa.

Tinha dúvidas se faria mesmo aquilo. Mas o que eu tinha a perder? Fui em um supermercado onde achei carne de rã. Ela mantinha o seu formato e parecia muito com um frango. Me lembrei de um programa de televisão onde as pessoas tinham que comer coisas terríveis como bebês de ratos vivos. Escolhi o meu sorvete favorito e fui para casa.

Martin já estava em seu quarto. Javier na sala me esperando para preparar o seu jantar. Vi que a água ainda não havia voltado. O que me deixou nervoso, mas eu não disse nada.

— Você não vai comer? — Ravi me perguntou.

— Não. Hoje não. — Eu disse. Não queria precisar vomitar nada além do sapo que iria ingerir.

Fomos para o quarto e Javier deitou na cama e ligou a TV.

— Quer que eu te chupo? — Ele perguntou.

— Não precisa. — Eu disse.

— Ótimo, vai começar um filme que eu quero ver. — Ele disse.

Olhei para ele sem acreditar, fui para a cozinha para fazer o ritual que aquele senhor me ensinou. Peguei aquela rã, que estava gelada, o pote de sorvete e uma colher. Mordi aquela rã, mas não conseguia mastigar. Era muito nojento. Parti em pequenos cubinhos e fui engolindo com ajuda de água. Quando chegou no último pedaço, esse eu resolvi mastigar e engolir. Foi automático. Corri para o sanitário da área de serviço e vomitei toda aquela rã.

Sentia dores no estômago. Abri o sorvete e tomei todo o pote. Deitei no sofá e peguei no sono.

Estava no escritório, na sala de reunião onde havia sido humilhado mais cedo. Estavam todos lá, todos rindo e apontando para mim. Martin também estava lá com uma garota agachada chupando seu pau, como na foto que ele havia me enviado. Ravi também estava lá, ao meu lado com o pau para fora balançando próximo ao seu rosto.

— Por favor, parem! Parem! — Eu disse chorando.

Quando olhei para a mesa, tinha um sapo.

— Come, come. — Eles começaram a gritar.

Quando fui pegar o sapo para comer ele começou a pular. No mesmo lugar, apareceu um pote de sorvete, abri e coloquei uma colher na boca. Fechei os olhos e me deliciava com o sabor daquele sorvete. Sentia um calor na minha pele, uma sensação de bem-estar. Quando abri os olhos estava novamente na praia cercado por aqueles três homens lindos.

— Está de volta, meu príncipe. — Um deles disse.

Os três sorriram e começaram a beijar. Transamos, acordei com um maravilhoso orgasmo.

Acordei, estava no sofá, o céu começava a clarear. Fui para o meu quarto. Ravi dormia com a TV ligada e eu a desliguei. Ravi roncava e eu o empurrei. Ele caiu da cama e ficou em silêncio me deixando dormir.

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Capítulo 4 - Quarta-feira

Acordei me sentindo leve. Vi meus comprimidos e os ignorei. Tomei banho mais uma vez no vestiário e voltei para casa. Ravi estava na cozinha.

— Bom dia amor. — Ele disse. — Não está meio atrasado.

— Acordei hoje deixando as coisas fluírem no meu tempo. — Eu disse. Abri a geladeira e peguei um doce.

— Cuidado com isso. Não quer ficar acima do peso. — Ravi disse.

— Olha quem fala. Porque não se olha no espelho. Sabe o que eu estava me perguntando Ravi? Será que você ainda consegue ver o seu pau sem se olhar no espelho? Porque eu consigo ver o meu. — Eu disse. Ravi me olhava sem dizer nada, assustado com a minha audácia. — Vou usar o seu carro, o meu foi rebocado. Me faz um favor, vá buscá-lo.

Saí de casa feliz, não acreditando que eu fiz aquilo, tinha certeza que este seria um ótimo dia.

Entrei no estacionamento da empresa e me deparei mais uma vez com o carro da Larissa Renata na minha vaga. Abri o porta-malas, tirei a chave de roda e caminhei até aquele carro. Quebrei o vidro da porta do motorista, abaixei o freio de mão e tirei o carro da minha vaga. Eu estava terrível.

Entrei no escritório e lá estava ela, fazendo mais um de seus vídeos.

— Oi querida, você que adora um conflito, deixa eu te contar uma coisa. Alguém arrebentou o seu carro. — Eu disse.

— O quê? Não pode ser! — Larissa disse e saiu correndo, o seu câmera foi atrás.

Fred saiu de sua sala e me olhou bravo.

— Agora é assim? Você chega a hora que quer? — Ele disse.

— Cala a boca. — Eu disse entrando na sua sala.

— O que foi? — Ele perguntou assustado.

— Tenho que te falar duas coisas. — Eu disse.

— Fala rápido que só tenho 5 minutos.

— Diga para a sua youtuber para nunca mais usar a minha vaga.

— É isso? Foi só um gesto de boas-vindas.

— Um gesto? E o gesto de me avisar antes?

— Você tem razão. Algo mais?

— Vai me pedir perdão pela humilhação que eu passei na reunião de ontem. — Eu disse.

— Eu te pedir perdão? Vai com calma Lipe. — Ele disse.

— Eu não vou me acalmar. — Eu berrei, do outro lado do vidro as pessoas nos olhavam. — Você não me defendeu naquela reunião diante de um cliente que te deu muito dinheiro graças ao meu trabalho. Então peça desculpas.

— Lipe para com isso. — Ele disse.

— Peça desculpas. — Eu gritei. — Ou vou te processar pelos royalties que me deve por todas as minhas campanhas.

— Vai me processar? — Fred disse com um sorriso irônico. — Publicidade não funciona assim.

— E que merda você acha que sabe de publicidade palhaço? Não sabe nada, herdou tudo. Só serve para pagar almoços para os clientes. — Eu disse.

— O meu trabalho é esse o Networking.

— Faz anos que eu resolvo todos os problemas dessa empresa e você não é capaz de guardar a minha vaga do estacionamento?

— Lipe, tem pessoas olhando, pode se acalmar? — Fred disse. Até Larissa Renata já estava de volta e assustada observava a nossa discussão do outro lado do vidro.

— Você não sabe com quem está lhe dando. Me peça perdão ou eu acabo com você no Facebook, no Youtube, no Instagram e na puta que pariu. — Eu disse indo para cima dele. Fred estava escorado em sua mesa quase caindo para trás, eu próximo, tão próximo que estava colado em seu corpo. Eu me deliciava com aquela situação, apesar de fazer a linha da louca, eu estava feliz. E sentir aquele corpinho gostoso e amedrontado colado em mim, me excitava.

— Perdão, eu sinto muito. — Fred disse. Eu comecei a rir. — O que foi?

— Você quase se cagou. — Eu disse.

— Não. — Ele disse.

— Quase se cagou sim. Mas relaxa. — Eu disse me afastando um passo e o puxando para ficar reto. — Quer saber, você me convenceu.

— Convenci? De quê?

— Eu estou indo embora, eu me demito. Pode enfiar essa agência no seu rabo. — Eu disse saindo da sua sala.

— Lipe, espera. — Fred disse. Mas eu o ignorei.

Larissa Renata ainda assustada, observa tudo. O seu câmera me filmava e eu lhe mostrei o dedo do meio. Saí do prédio sem acreditar em mim, na minha força, na minha fúria. Era tudo tão maravilhoso. Meu telefone tocou, era a Val.

— Oi Val. — Eu atendi.

— Oi Lipe, me desculpa por segunda, eu fui uma idiota. Vamos encontrar, um café?

— Claro, estou bem livre. Estou indo praí. — Eu disse.

Enquanto estacionava o carro próximo ao estúdio de ioga da Val, vi que Paulo estava lá em pé sozinho na porta. Ele me viu e sorriu.

— Oi. — Eu disse. — O que está fazendo aqui?

— Eu vim buscar a Suzi. — Ele disse. — E você veio fazer o que aqui? Veio ver a sua amiga?

— Sim. E o destino nos uniu. E sua futura esposa se acalmou ou continua te enchendo o saco? — Eu disse. Pablo sorriu sem graça.

— Na verdade continua. Ela comprou um vestido menor e agora não conseguiu perder peso. E fica reclamando que a ioga não está funcionando.

— Mas que idiota, ioga é para relaxar e não para perder peso. — Eu disse rindo.

— O que aconteceu com você? — Paulo me perguntou.

— O que? — Perguntei.

— Você está diferente, agressivo, apesar de mais sorridente. — Paulo disse.

— Olha só, quem apareceu tão rápido. — Suzi disse saindo do estúdio da Val e se juntando a nós.

— Olá. — Respondi com um falso sorriso.

— O que faz aqui? — Ela me perguntou.

— Amor, ele veio ver a amiga. — Paulo disse.

— Claro, vocês acham que eu sou uma idiota? — Suzi perguntou irritada.

— Não, idiota não. Uma escrota mesmo. — Respondi sorridente.

— O que? — Suzi perguntou.

— Por que vocês não se acalmam? — Paulo tentou apaziguar.

— Cala a boca. — Suzi disse para o noivo. E se virou pra mim. — Escuta uma coisa...

— Escuta você, ele pode aturar essa menina mimada que você é, mas eu não. Vou te dar um conselho querida. — Eu disse ainda sorrindo e lhe dando uns tapinhas no ombro. Suzi e Paulo me olhavam com os olhos arregalados. — Tem muitos homens babacas no mundo e por alguma razão você encontrou esse homem incrível, raro, especial. Que muitas pessoas fariam de tudo para se casar com ele. Trate-o bem antes que ele se pergunte porque ele iria desgraçar a própria vida se casando com uma mulher como você.

Deixei os dois mudos e de boca aberta, fiz um carinho no rosto do Paulo e me despedi dele.

— Tchau. — Paulo disse sorrindo.

Fui tomar o café com a Val, contei para ela como eu estava me sentindo bem.

— Falo e faço o que eu quero, é maravilhoso. — Eu disse. Val estava mais uma vez com o celular na mão. — Val, estou falando com você.

— Eu escutei, você é uma nova pessoa. — Ela disse.

— Você não vai acreditar. Pedi demissão.

— Que ótimo! — Val respondeu olhando para o celular.

— Valéria, pode olhar para mim enquanto eu falo com você?

— Sim me desculpa, é que ainda estou cheia de problemas.

— Mas você escutou o que eu acabei de dizer?

— Sim.

— Eu disse algo que pra mim é importante. Eu sempre te escuto, sempre te dei atenção você não consegue fazer isso por mim.

— Claro. — Val respondeu.

— Então me diga o que eu disse. — Eu pedi.

— Espera só vou responder essa mensagem. —Val disse e voltou para o celular. Eu arranquei o celular da sua mão.

— Estou cansado disso. Toda vez que nos encontramos você não larga esse celular. — Eu disse.

— Lipe, para com isso, devolva o meu celular. — Val pediu.

— O que tem de tão importante, deixa eu ver. Grupo de Whatsapp das “Amigas da ioga”?

— Sim e daí?

— Não acha que elas podem sobreviver se você ficar 15 minutos sem responder?

— Isso é importante pra mim. — Val disse.

— E a gente? O que eu estou te dizendo aqui, na sua frente, não importa? Você devia ser minha amiga.

— Eu sou, mas é que as meninas estão falando que encontraram com o Raul.

— Para com isso, deixa de ser idiota. Esquece esse Raul. — Eu disse.

— Está bem, cada um lida com os seus problemas, agora me devolva o celular. — Val pediu.

— Toma. — Eu disse jogando o celular na jarra de suco. — Quando quiser levar uma amizade a sério me liga.

Me levantei da mesa enquanto a Valéria tentava salvar o seu celular. Voltei para a casa e lá na porta do prédio estava o mesmo homem da companhia de água.

— Atrasado de novo? — Ele me perguntou.

— Ninguém abriu pra você? — Perguntei.

— Abriu sim, mas eu resolvi ficar aqui em baixo no sol esperando. — Ele disse.

— Eu não acredito. Vem comigo. — Eu disse.

— Não companheiro, meu expediente acabou. — Ele disse.

— Como é que é companheiro? — Eu disse saindo do carro. — Você vai entrar comigo agora e religar essa água.

O homem assustado me seguiu. Entramos em casa e eu escutei um barulho diferente vindo do meu quarto. Um homem gemendo.

— Javier? — Eu chamei. Quando abri a porta era Martin sendo chupado por uma garota enquanto um outro rapaz filmava tudo. — O que estão fazendo?

— Espera já vou terminar. — Martin respondeu.

— Sai daí garota. — Eu disse levantando a menina que estava no chão chupando o Martin. — Que merda estão fazendo no meu quarto.

— É o melhor lugar pra filmar. — Martin disse.

— Como podem fazer isso com essa menina? — Perguntei.

— Aí que careta! Foi ideia minha. Eu quero ser famosa. — A menina disse.

— Vocês não têm vergonha? — Eu disse.

— Por que você não para de se meter na minha vida? Por que não vive a sua? — Martin disse apontando o dedo na minha cara.

Eu peguei aquele dedo e torci. Martin gemeu de dor.

— Eu adoraria cuidar da minha vida, mas eu tenho um problema: você. Por que não vai morar com a sua mãe? — Eu perguntei.

— O que ela tem a ver com isso?

— Você deveria estar na casa dela e não na minha. Mas ela não liga pra você não é?

— Para com isso. — Ele disse.

— Então guarde esse pauzinho e saia do meu quarto. E saiba que você não será um ator pornô com um pauzinho desse tamanho.

Saí do meu quarto enquanto Martin se vestia, o homem da companhia de água ficou na sala escutando tudo. Passei por ele e fui para o quarto que Javier fazia de ateliê. Javier estava sentado jogando videogame.

— Que porra está fazendo? — Perguntei nervoso. Javier se levantou assuntado.

— Nada... É que eu tive um bloqueio. Aí eu comprei um videogame — Ele disse.

— O seu filho está gravando um filme pornô no nosso quarto. — Eu disse.

— O quê? — Ele perguntou rindo.

— Está orgulhoso?

— Não. Mas o que posso fazer?

— É o seu filho, eduque, você fica em casa o dia inteiro.

— Mas eu fico trabalhando. — Ele disse apontando para a sua horrível pintura.

— Mas que merda é essa? — Eu disse me referindo ao seu trabalho.

— É um olho. — Ravi disse.

— Eu sei que é um olho, mas é horrível. — Eu disse. Ravi me olhou espantado. — Você esqueceu do cara da água. Eu tive que forçá-lo a entrar.

— É que...

— É que você ficou aí jogando videogame enquanto seu filho fazia um filme pornô no nosso quarto. Javier você não paga as contas, não vai no supermercado, não faz nem o seu jantar. E nem me dá mais prazer. Você disse que eu teria uma vida de príncipe, mas o que eu virei? A gata borralheira.

— Mas no início foi bom. — Ele disse.

— Só no início né? Talvez os quatro primeiros anos. Mas e os últimos dez? Foram um inferno pra mim. E agora você é um imprestável que não consegue educar o seu filho, faz essas pinturas horríveis e ainda joga videogame porque teve um bloqueio.

— Lipe, meu trabalho é assim. Preciso me inspirar.

— Vai embora. — Eu disse. Não queria mais ouvir a voz dele.

— Pra onde?

— Pra onde quiser. Apenas vai embora.

— Calma, calma, eu fazer o que me pede, vou te ajudar mais.

— Pra mim chega. Você e seu filho podem ir embora. Acabou a moleza.

— Você está estressado? Tomou os seus remédios? — Ele me perguntou.

— Estressado? Eu trabalho 7 dias por semana. Lavo, passo, cozinho, pago todas as contas sozinho. Só falta limpar a sua bunda e a do seu filho, que não me respeita e você faz vista grossa. E você vem me falar de estresse?

— Eu sei que não é culpa sua. Mas tome o remédio amor. Ligue para o seu médico, marque uma terapia. — Ele disse.

— Você está certo amor. Terapia. — Eu disse sendo irônico. Ravi me olhava assustado. — Pintar é uma ótima terapia, não é?

— É sim. — Ravi respondeu com medo. Peguei as tintas e joguei em cima daquele olho horroroso. — Olha eu tenho talento.

— Para com isso Lipe. Está destruindo a minha arte. — Javier disse. — Está louco?

— Sim, muito louco. — Eu disse. Jogando outro pote de tinta. — Veja, tenho talento, mais que você. Junte as suas coisas e vão embora. Agora.

Saí do quarto e vi que Martin e os amigos estavam na porta, eu o olhei bravo e ele entrou para o seu quarto. Enquanto Javier e Martin faziam suas malas, acompanhei o homem da concessionária para religar a água. Ele tinha medo de mim. Religou a água, me agradeceu e pediu desculpas.

Fiquei na porta esperando Javier e o filho irem embora. Assim que saíram, eu tomei uma taça de vinho. Antes mesmo de finaliza-la, Javier tocou o interfone dizendo que havia esquecido o videogame.

— Posso subir aí para pegar ou você traz aqui embaixo? — Ele perguntou.

— Só um minuto que ele já vai descer. — Eu disse.

Peguei o videogame que ele havia acabado de comprar e fui até a janela.

— Ravi. — Gritei. Martin e Ravi olharam para cima. — Pega o seu videogame.

O videogame voou pela janela e se espatifou lá embaixo. Ravi ficou desesperado.

Fui tomar banho, como era bom tomar banho no meu chuveiro de novo. Como era bom o silêncio que estava na minha casa. Comecei a me ensaboar e percebi que eu estava excitado.

— Quer saber? Eu preciso de sexo. — Eu disse para mim mesmo. Saí do banho e baixei um aplicativo de encontros gay. — Vou transar com o primeiro passivo gostoso que eu encontrar.

Baixei um famoso aplicativo. Era um verdadeiro açougue, vários homens gostosos, muitos mostrando apenas o peitoral definido escondendo os seus rostos, conversei com alguns que estavam próximos e que se diziam versáteis ou passivos. Me pediram foto, fui para frente do espelho e reparei que eu não estava nada mal para um homem de 36 anos. A dieta que criei para fazer com o Ravi, mas que apenas eu seguia, tinha surgido efeito, tinha sumido com a minha barriga. Eu já tinha um peitoral um pouquinho definido e apesar de não me raspar a um bom tempo eu tinha poucos pelos pelo corpo.

— Você está gostoso Lipe. — Eu disse para o espelho.

Tirei algumas fotos fazendo várias poses, imitando as que eu via naquele aplicativo, enviei aquela que eu achei menos ridícula. Em 40 minutos um jovem loiro, com um corpo sarado e no auge da sua juventude e do seu tesão bateu na minha porta.

Eu tinha preparado uma comidinha e um vinho.

— Seja bem-vindo. — Eu disse quando abri a porta.

— Valeu. — Disse o jovem.

— Preparei algo pra gente comer. — Eu disse.

— Achei que o prato principal seria eu. — Ele disse vindo em minha direção e me beijando.

Um beijo forte, há anos eu não recebia um beijo assim. O jovem passou a mão pelo meu corpo e pegou no meu pau que cresceu em sua mão.

— Não quer comer? — Eu perguntei.

— Não, eu quero é ser comido. — Ele respondeu com um lindo sorriso no rosto. Me fazendo rir.

— Um vinho então? — Eu perguntei.

— Vinho rola. — Ele respondeu. — Só não posso beber muito porque tenho facul amanhã cedo.

Nos servi um vinho e comecei a conversar com ele. Artur, o nome do rapaz, me contou que estava no último ano da faculdade, tinha 22 anos e morava com os pais. Fazia estágio no período da tarde e estava doido para eu foder o seu cuzinho. Ele não queria papo.

— Tem 14 anos que eu não faço isso. — Eu disse.

— Você não transa há 14 anos? — Ele perguntou assustado.

— Não, que eu tenho um encontro. Estava casado. Mas tem 14 anos que eu não faço ativo.

— Então você deve estar sedento. — Ele disse passando a mão na minha perna até chegar no meu pau.

— Sim, mas eu não sei se me lembro como faz. — Eu disse.

— Sexo é como andar de bicicleta, a gente nunca esquece. — Ele disse e me beijou.

Deixei a minha taça de vinho na mesa e o abracei. Artur tirou a sua camisa e a minha. Eu passava a mão naquela pela clara. Beijei e mordi o seu peito, ele gemia.

Fomos para o meu quarto. Artur tirou o restante da sua roupa e se deitou de bruços na minha cama. Ele tinha uma bela bunda. Também fiquei nu e deitei sobre ele. Massageei aquela bunda e a beijei.

— Que pau lindo você tem. — Artur disse. — Antes de você enfiar ele todo dentro de mim, deixa eu chupar um pouquinho.

Artur colocou o meu pau na boca, fizemos um 69 e eu lambia o seu cuzinho, lisinho, limpinho e apertadinho. Artur me chupava gostoso, se dedicava a cabeça do meu pau e depois se esforçava para engoli-lo todo. Eu gemia enquanto passava a minha língua nas pregas do seu cu. Ele rebolava e me chupava mais rápido.

— Não faça assim, se não eu vou... — Eu disse. Já era tarde. Gozei, enchi a boca do rapaz de porra e ele não parava de me chupar. Ele sugava tudo.

— Que leitinho delicioso. — Ele disse.

Eu lamentei, gozei antes da hora e sabia que iria demorar para ficar duro de novo. Mas dessa vez o meu pau não amoleceu, continuou duro.

— Você tem camisinha? — Ele me perguntou.

Eu não tinha, casado por 14 anos por que eu teria uma camisinha? Corri para o quarto do Martin e achei um pacote. Voltei para o quarto e Artur me esperava sorrindo. Ele sentou na beirada da cama e me puxou para um abraço. Ele sentado e eu em pé, seu rosto estava na altura do meu pau. Artur esfregava o rosto na minha virilha, chupou as minhas bolas e novamente o meu pau. Pegou a camisinha da minha mão, abriu e colocou em mim.

Nos beijamos enquanto eu me deitava sobre ele. Artur levantou as pernas e eu o penetrei na posição de frango assado. Eu segurava as suas pernas para o alto e metia.

— Isso, gostoso, mete mais forte. — Artur me pediu. Eu aumentei a velocidade e ia cada vez mais fundo. — Isso, isso.

Eu via o pau do Artur duro e babando, ele tinha um pau enorme, maior que os meus 18 centímetros. Edu acariciava o pau bem de leve. Ele gemia com os olhos fechados e algumas vezes olhava para mim com um lindo sorriso safado e cheio de tesão.

— Você é uma máquina. — Ele disse depois de um bom tempo.

— Você quer mudar de posição? — Perguntei saindo de dentro dele.

Ele se virou de bruços e eu deitei sobre ele. Ele virou o rosto de lado e nos beijamos. Voltei a meter com força, ele gemia ainda mais, e eu também. Aquele cuzinho apertadinho mordia o meu pau me fazendo quase explodir de tesão.

— Safado, gostoso. — Eu disse dando um tapa na sua perna.

— Isso, bate mais. — Ele pediu.

O safado queria que eu fosse um pouco mais violento. Eu puxei os seus lindos cabelos loiros e o beijei. Dei mais um tapa na sua perna e o puxei para ficar de quatro. Eu saí da cama e fiquei em pé. Ah! Como era gostoso.

Eu puxava o cabelo do Artur, batia em sua bunda e o escutava gemer. Ele ainda mordia o meu pau com o seu cu. Não aguentei, gozei caindo sobre ele e gemendo alto.

— Que delícia. — Ele disse.

Deitei de barriga para cima, incrivelmente o meu pau não descia. Antes que eu pudesse tirar a camisinha cheia de porra, Artur sentou no meu pau e começou a cavalgar. Eu segurei o seu pau e comecei a masturbá-lo. Ele gemia, seu pau pulsava e ele gozou no meu peito.

Artur caiu por cima de mim e me beijou. A porra espalhou por nossos corpos e começamos a sorrir.

— Rola tomar um banho aqui? — Ele perguntou.

— Rola sim. — Eu respondi sorrindo.

Enquanto Artur foi para o banho eu tomei mais uma taça de vinho, ele saiu do banheiro já vestido e foi logo se despedindo.

— Foi muito maneiro. Um tesão. Quando quiser de novo só chamar. — Ele disse.

—Também achei “maneiro”. Não quer ficar para jantar? — Eu perguntei.

— Não, não, valeu. — Ele disse. Fui em sua direção para me despedir e Artur estendeu a mão. Deu um aperto firme e másculo. — Mas é sério man, quando quiser só chamar.

Artur foi embora e eu fiquei com a garrafa de vinho e com o meu jantar. Fui para a cama feliz, satisfeito.

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Capítulo 5 - Quinta-feira

Quando acordei minha cabeça doía um pouco, mas eu lembrava do prazer que senti na noite anterior. Eu realmente precisava daquilo. Fui para o banheiro, escovei meus dentes e de forma involuntária, peguei meus comprimidos. Olhei para eles e resolvi joga-los na privada.

Fui ao quarto do Martin em busca de algo especial que eu sabia que ele possuía. Depois de revirar umas três gavetas, achei a maconha. Fui até a varanda, enrolei um grosso cigarro, acendi e dei dois tragos, prendi e comecei a sorrir.

Assisti TV durante toda a manhã e quando bateu a larica, aquela fome, eu pedi a maior pizza para o almoço. Não me importando com a dieta. Meu almoço foi interrompido por alguém tocando várias vezes a campainha na minha porta, resolvi ignorar, mas a pessoa insistia me irritando.

— Quem é? — Perguntei.

— Sou eu, Larissa Renata. — A pirralha respondeu.

— O quê?... O que está fazendo aqui? Quem deixou você entrar? — Eu perguntei sem abrir a porta.

— Eu quero te mostrar algo muito importante. Vamos lá! Abre a porta, Felipe!

— Vai embora! Eu não quero saber de nada que venha de você!

— Olhe pelo olho-mágico. — Ela disse. Fui até a porta e observei o meu vídeo pedindo demissão. — Mais de cem mil visualizações em um dia. Viralizou.

— Não quero saber, vai embora! — Eu disse.

— Sério, Lipe! Como se transformou assim? Essa energia, essa loucura?

— De que loucura está falando pirralha?

— É sério! Estou adorando essa sua autenticidade. — Ela disse.

— Quer que eu seja autêntico, não é? — Eu perguntei e abri a porta. Lá estava Larissa Renata e o seu fiel cameraman. — Você é ridícula! Você e esse estúpido que te segue. Quem você pensa que é? Ninguém dá a mínima para essa sua vida ridícula. Se acha importante... só porque é seguida por outros idiotas da sua idade. — Larissa começou a sorrir. Parecia gostar de ser xingada. — Do que está rindo sua retardada? É melhor estudar, fazer uma faculdade, por que o que vai fazer quando acabar esses seus 15 minutos de fama?

— Por favor Lipe, me dá um minuto para eu falar com você. — Larissa pediu juntando as mãos e dando pulinhos na minha frente. Eu negava com a cabeça. — Olha eu te trouxe um chocolate.

Peguei o chocolate que o câmera balançava em suas mãos e a deixei entrar. Barrando o rapaz com a câmara na mão.

— Um minuto! — Eu disse.

— Olha Lipe, eu sei que não vou ser famosa para sempre. Por isso eu fui até a agência. E desde que você saiu, lá virou um caos. Ninguém sabe nada naquele lugar. — Larissa disse.

— Mas eu saí ontem. — Eu disse comendo o chocolate.

— E já deu para sentir a sua falta. — Ela disse. — O Fred é um bundão. Você era a cabeça, o cérebro.

— Não me interessa nada disso e você só tem mais 20 segundos.

— Ok. — Larissa disse. Respirou fundo, parou na minha frente e me olhou nos olhos. — Eu quero ser sua sócia. — Comecei a rir e a sua reação demonstrou a criança que era, um olhar infantil e ingênuo. — É sério, eu te imploro, me dê uma chance. Eu sei que fui uma idiota com você, minha estratégia foi péssima, mas eu só queria chamar sua atenção. Que visse o meu potencial.

— Dez, nove, oito... — Eu comecei uma contagem regressiva enquanto ela suplicava na minha frente.

— Juntos vamos longe, Lipe. Podemos dominar o mundo, por favor.

— Três, dois, um... fora! — Eu disse a conduzindo até a porta.

— Lipe, é sério! Juntos podemos vender qualquer coisa, viralizar qualquer coisa. — Ela disse já do lado de fora.

— Não me interessa, não quero vender nada, não quero viralizar nada. Só quero que você vá embora.

— Só mais uma coisa, depois que mandar todo mundo que te perturba para o quinto dos infernos, me liga tá? Tenho certeza que, só eu vou aguentar esse seu novo temperamento. Tchauzinho.

As palavras da Larissa Renata me fizeram pensar que poderia ter algo errado comigo. Será que eu afastaria todos de mim e, só sobraria ela? Marquei uma nova consulta com o psiquiatra e fui.

— Sei que você não é pessoa certa, mas você acredita em mágica? — Eu perguntei.

— Você tem tomado os remédios? — Ele me perguntou ignorando a minha pergunta.

— Não. Joguei tudo fora.

— Por quê?

— Porque fiz um ritual e agora sou uma nova pessoa. Alguém que não precisa de remédios. Agora eu não engulo mais nenhum sapo. Eu coloquei tudo pra fora.

— Um ritual? E mudou assim de uma hora pra outra?

— Sim.

— Me parece um pouco exagerado.

— Quebrei o vidro do carro da menina que roubou a minha vaga. Mandei meu chefe enfiar a agência no rabo e pedi demissão. Disse umas verdades para a noiva do Paulo e para a Val. Coloquei o meu marido para fora. Fiz sexo com um desconhecido. Saí da dieta e fumei maconha. — Eu disse numerando os meus feitos que me deixaram orgulhoso. — Nunca me senti tão incrível. Mas me dá um pouco de medo.

— Medo por quê?

— Porque eu não consigo me controlar. — Eu disse.

— Hum rum... — Ele disse anotando alguma coisa em seu bloquinho.

— O que você anota aí? — Eu perguntei. — Está sempre anotando algo que eu não sei o que é?

— Isso tudo me parece fantasioso. — Ele disse ignorando a minha pergunta.

— Você não acredita? — Perguntei.

— É que você não me parece uma pessoa capaz de fazer tudo isso.

— Não sou capaz? — Perguntei irritado.

— Não. Acho que não. — Ele disse com desdém.

— Tem razão, não sou capaz. — Eu disse e ele sorriu. — Você me encheu de remédios para me aprisionar. Quis me controlar, que eu aceitasse tudo que fizessem comigo. A engolir as palavras, a ser submisso. É por isso que eu não sou capaz. — Ele me olhava assustado. — E você de que merda é capaz? Com certeza não é de ser médico.

— Fique calmo Felipe. — Ele disse.

— Ficar calmo? Há quase uma década você está me roubando. Me devolve o dinheiro que te paguei. — Eu disse. Ele se levantou e foi em direção a sua estante de remédios. — Você me deve um carro zero ou um apartamento, sem contar também esses remédios caros que você me fazia comprar.

O falso doutor pegou um remédio e veio com ele na minha direção.

— Felipe você está tendo uma crise. Coloque este comprimido de baixo da sua língua e tente relaxar. Respire fundo. Vai se sentir melhor. — Ele disse. Peguei o comprimido na minha mão. — Faz o que eu estou te falando.

Empurrei ele na cadeira e segurei firme no seu pescoço.

— Abre a boca! — Eu berrei. Coloquei aquele comprimido na boca dele. — Engole isso ou vou arrebentar você!

Ele me olhava assustado com os olhos arregalados, engoliu os remédios enquanto eu ainda segurava o seu pescoço.

— Eu te demito! — Eu disse saindo do seu consultório batendo a porta.

Enquanto voltava para casa, Paulo me ligou.

— Lipe, eu preciso te ver.

— Acho melhor não. — Eu disse.

— Por favor, só um minuto. Vem aqui no bar. Por favor. — Ele pediu.

Nunca fui de negar nada para ninguém, muito menos para o Paulo. Fui até o seu bar. Ele estava sozinho, me agradeceu por ter ido e me levou para o escritório. Sentamos no sofá e eu o encarava.

— Você está bem? — Ele perguntou.

— Sim. Muito bem. O que foi?

— Bom... é que ando meu estranho. Você deve saber o porquê. — Ele disse. — Eu pensei em tudo que você disse para a Suzi e isso fica martelando na minha cabeça e eu não sei porquê. Às vezes, tenho a sensação que vou estragar tudo me casando, e às vezes, parece que é o certo a se fazer. Eu gosto da Suzi, senão, não estaria com ela. Mas aquilo que você falou, como ela me trata. Por que eu a deixo me tratar assim? E se é assim agora, vai ser assim pra sempre. A não ser que eu a enfrente.

Eu o encarava, escutava ele desabafar. Ele parecia triste e preocupado, sofrendo. Eu não podia vê-lo sofrendo.

— Obrigado por estar aqui. — Ele disse. — A sua amizade é muito importante para mim, é importante ter alguém como você...

Eu não o deixei terminar de falar, segurei o seu rosto e o beijei. Paulo não se movia, não abria a boca por mais que eu me esforçasse. Parei de beija-lo e o encarei.

— Somos amigos? — Eu perguntei. E antes que ele pudesse responder eu voltei a beijá-lo. Dessa vez ele retribuiu, segurou o meu rosto e abriu a boca. Era o nosso primeiro beijo e foi como sempre imaginei.

Tiramos nossa roupa, e nos abraçamos. Eu beijei todo o seu corpo, seu pau estava duro e eu coloquei na boca, tinha o mesmo gosto que eu me lembrava. Eu o chupava com vontade, olhava para cima, queria vê-lo olhando para mim. Mas Paulo estava com os olhos fechados, ele segurava a minha cabeça e fodia a minha boca como ele nunca havia feito nas nossas brincadeiras de quando éramos adolescentes. Voltei a beija-lo, mas Paulo me virou de costas, me deixando de quatro sobre a sua mesa. Sem nem pensarmos em camisinha e lubrificante, Paulo enfiou o seu pau no meu cu. Eu sempre esperei por aquele momento e o deixei entrar. Era o Paulo, o meu Paulo dentro de mim.

Paulo gemia, sentia prazer, eu lhe dava prazer, tudo que eu sempre quis. O meu prazer era ouvir os seus gemidos, era sentir o corpo dele colado no meu. Não demorou muito e ele gozou enchendo o meu rabo de porra. Ele se afastou e se vestiu. Eu subi a minha calça coloquei a minha camisa e fui em sua direção para lhe dar mais um beijo, mas ele ficou com a boca fechada.

— Somos amigos? — Eu perguntei novamente. Ele não respondeu. — O que temos não é amizade. Na verdade, é um pesadelo. Conversamos o tempo todo, nós flertamos o tempo todo, você diz que gosta de mim, que sou especial, mas vai se casar nesse final de semana. É ridículo, é muita sacanagem.

Saí do escritório do Paulo e ele veio me seguindo pelo salão vazio do seu bar.

— Lipe, espera. — Ele disse.

— Você já teve a sua chance Paulo, mas não teve coragem. Estragou tudo.

— Eu estraguei? — Ele disse.

— Sim, você é um filhinho de mamãe e você tinha medo dela. Você sempre soube o que rolava quando a gente dormia junto, sempre gostou. Sempre gozou, mas fingia que nada aconteceu. Sua mãe nos afastou e você deixou isso acontecer.

— Minha mãe gostava de você. — Ele disse.

— Ela achava que eu era um viadinho, que queria transformar o filho dela.

— De onde tirou isso?

— Ela me disse. E quando fui te contar você não quis ouvir. Quer saber, eu a odiava. Odiava a sua família, um bando de hipócritas, se acham melhor que todo mundo. Menos a sua tia velha, Dona Glória, ela gostava de mim, nada a ver com a sua mãe. Ainda bem que ela morreu, senão você ainda estaria servindo aquela megera. Aposto que é um complexo de Édipo. Você deve ter mamado nas tetas dela até os 13 anos, né não? — Eu disse sem nenhum filtro.

— Para com isso. Você está louco?

— Eu não suporto vê-lo assim. Sua mãe morre e você acha outra igual a ela! Uma megera dominadora que está sempre te dando ordens. Te leva para cima e para baixo com uma coleira no pescoço. O pior é que você gosta. Gosta tanto que vai se casar.

— Você pode parar?

— Quer saber. Você é um bundão. Se case com a Suzi, é o que você merece. — Eu disse saindo do bar.

Entrei no meu carro e irritado soquei o volante. Peguei o meu celular e tinha uma mensagem de voz:

— Oi Lipe. Como estão as coisas? Já estou voltando. Como está o Fofucho? Beijo. — Natália disse.

— Merda! — Eu gritei.

Havia esquecido completamente do Fofucho, devia ter passado na casa da Natália na terça e na quarta e esqueci.

Entrei desesperado na casa da Natália, procurando o gato.

— Fofucho, Fofucho. Aparece gatinho. — Eu chamei.

Nada do gato. Procurava em todos os cômodos.

— Gatinho? Onde você está? — Eu berrava.

Achei o gato deitado ao lado do sofá.

— Fofucho, vamos tomar o remédio. — Eu disse me aproximando dele.

Ele não se mexia. Quando toquei nele, estava duro. Carreguei no colo, sacudi, mas nada poderia ser feito. Escutei o barulho na porta. No susto deixei o gato morto cair no chão.

Natália estava chegando. Peguei o gato de volta no colo e não sabia o que fazer.

— Fofucho? — Natália o chamou com uma voz carinhosa. Eu corri para a cozinha e lá ela me encontrou com o seu gato no colo. — Aí está você.

— Oi. — Eu disse sem graça.

— Como vocês estão? — Natália perguntou, vindo em minha direção para pegar o gato. Eu abaixei a cabeça. — O que foi? Me dê ele. Eu quero pega-lo.

Eu recuava. Por duas ou três vezes não a deixei tirar o gato do meu colo. Mas Natália o tomou de mim.

— Eu o achei assim. Eu juro que não fiz nada. — Eu disse. Natália o sacodia e o chamava pelo nome. — Ele está morto.

— Como? Você deu os remédios? — Natália perguntou em choque. Eu balancei a cabeça negando. — Como não?

— Esqueci. Me perdoe. Eu sinto muito.

— Mas você prometeu cuidar dele.

— Bom, mas eu esqueci. — Eu disse rindo de nervoso.

— Você esqueceu? Como pode?

— Eu esqueci, já disse. É só um gato, não é o seu filho. — Eu disse.

— “Só um gato?” — Natália disse chorando. — Acha que ele era um brinquedo. Fofucho era tudo pra mim. Por que não disse que não podia cuidar? Eu pedia para outra pessoa.

— Eu pedi perdão. Já disse que sinto muito. — Eu disse nervoso. — Me desculpa. Não adianta mais. Ele morreu e eu já pedi perdão. Agora pronto. Ele parou de sofrer.

— Ele era o meu filho. Sai daqui. Sai da minha casa. Não quero te ver. Não sei quem é você. Não é o meu irmão.

— Perdão. — Eu disse realmente sentido.

— Vai embora. — Natália mandou.

Com o coração partido, deixei a casa da minha irmã.

No trânsito me irritei novamente com um motorista fechando o cruzamento. Mas dessa vez não fiquei parado, desviei o meu caminho apenas para passar na frente dele e andar bem devagar o impedindo dele me ultrapassar. Ele buzinava, gritava, me xingava, mas eu não me importava.

— Isso é para você aprender a nunca mais fechar um cruzamento seu babaca. — Eu gritei quando ele por fim conseguiu sair das minhas fechadas.

Chegando em casa me deparei com a velha fofoqueira que me encarava sorrindo.

— O que foi? — Eu perguntei.

— Nada. — Ela disse.

— Acho bom mesmo. — Eu disse.

— A bicha está nervosa, está assim porque o marido te deixou? — Ela perguntou sendo irônica.

— Não minha senhora, eu que botei ele pra fora. — Eu disse. — O que é muito melhor do que sair dizendo que iria comprar um maço de cigarro e nunca mais voltar.

— Ora essa, meu marido não me abandonou, ele morreu. — Ela disse.

— Pior ainda, ele preferiu a morte. Acho que qualquer homem preferiria morrer no lugar de aturar uma mulher chata, intrometida e fofoqueira como você. Tanto estou certo que está aí solteirona até hoje. Quer saber, por que não procura um desses bailes da terceira idade, acha um velho um pouco surdo e um pouco cego, compre uma cartela de viagra e senta numa rola? Com certeza é isso que você precisa. — Eu disse deixando a velha chocada para trás, o porteiro que escutou tudo sorria.

Em casa eu tentava dormir, mas uma nova festa acontecia no apartamento de cima. Sem nada a perder entrei naquela festa mesmo estando de pijama. Procurei o meu vizinho que era o DJ.

— Oi. Não vai dizer que que fechei o seu carro de novo. — Ele disse.

— Não. Vim dizer para você abaixar essa música dos infernos.

— Relaxa, aproveita a festa, dança um pouco. Tem alguns amigos que curtem comer viado. Você deve está precisando de sexo hein.

— Eu vou chamar é a polícia seu babaca.

— Pode chamar. Eles estão bem ali. — Ele disse aumentando o volume. Vi pessoas vestidos de policial. “Que merda é essa? Isso nem é uma festa a fantasia.”, eu pensei.

Fui até a caixa de som e puxei os fios desligando toda a música. Todos me olharam.

— Estou cansado, eu preciso dormir. — Eu gritei.

— O que está fazendo? Está louco? — O vizinho disse.

— Quer me ver louco? — Eu perguntei. — Não me desafie.

— Manda ver então. — Ele disse.

Saí do seu apartamento, enquanto eu saía, ele religou o som na maior altura. Revoltado, desci para o estacionamento. Peguei um pedaço de madeira comecei a bater no carro dele.

— O que está fazendo seu louco? Meu carro não. — Ele gritou da sua varanda.

Pouco tempo depois a polícia estava na minha casa. Me levando para passar a noite na delegacia.

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Capítulo 6 - Sexta-feira

Na manhã seguinte, fui acordado por um policial abrindo a cela e me liberando para ir casa. Foi bom não ter Papa na língua, foi bom ter voz e não engolir sapos. Mas eu estava magoando com as pessoas que eu amava, eu estava incontrolável. Eu não queria ser assim. Talvez Larissa Renata estivesse certa, não sobraria ninguém ao meu lado. Queria desfazer aquela mágica, cancelar aquele ritual. Estava indo longe demais.

Procurei no meu casaco o cartão que aquele senhor me deu, lá tinha o endereço de uma sala onde ele fazia as suas reuniões. Depois de um bom banho me dirigi para lá.

Entrei no meio de um ritual. Um homem costurava um coração de porco para poder se recuperar de um relacionamento fracassado, pelo menos foi o que o velho disse para ele fazer.

— Eu estou livre, estou curado! — O homem disse ao terminar de costurar o coração. — Não sofro mais! Não sofro mais!

O homem sorria e chorava ao mesmo tempo. O velho foi até ele e lhe deu um abraço.

Esperei todos irem embora e fui até o velho.

— Oi, se lembra de mim? — Perguntei.

— Sim, eu me lembro. — Ele respondeu.

— Preciso da sua ajuda. Eu estou fora de controle. Não consigo parar. Desfaça o que fizemos. Não está sendo bom. Estou magoando as pessoas. — Eu disse aflito.

— Se não há dor, não há mudança.

— Não. Eu não quero mais. Quero ser quem eu era antes! — Eu gritei.

— Para! Chega! — Ele disse me repreendendo. — Para se reconstruir, precisa demolir o resto. E era isso que você precisava.

— Mas já deu. Eu quero parar. — Eu disse.

— Você não consegue parar? — Ele perguntou rindo. — Você é a mesma pessoa de antes. Está tudo na sua cabeça. Você tem o controle e não eu. Eu não fiz nada. Você se autossugestionou baseado no meu conselho.

— Mas e o ritual? — Eu perguntei.

— Escute, o controle está em você. Quer parar de magoar as pessoas? Então pare. Ninguém pode impedi-lo de nada. É nisso que você tem que acreditar. Desculpe, mas eu tenho que ir. — O velho disse me deixando sozinho.

Voltei para a minha casa pensando em tudo que o velho disse. Era possível que eu sempre tivesse esse poder? Que eu poderia sempre me controlar para não engolir nenhum sapo e também não machucar as pessoas? Se sim, eu precisava concertar certas coisas.

Liguei para o Paulo, que não me atendeu. Deixei um recado em sua caixa postal.

— Oi, sou eu, Lipe. Quando puder me liga, precisamos conversar. — Eu disse.

Chegando em casa Larissa Renata e o seu câmera estavam na porta da minha garagem, entrei direto mas ela veio correndo atrás de mim gritando:

— Lipe, por favor, um minuto. — Ela disse.

— O que você quer agora? — Perguntei.

— Você já é um Deus na internet. — Ela disse me mostrando um novo vídeo. Eu destruindo o carro do vizinho na noite anterior e sendo preso. — Quase duzentas mil visualizações. Podemos ganhar dinheiro com isso. Tome.

— O que é isso? — Perguntei. Larissa me entregou uma pasta com alguns papéis.

— A minuta de um contrato, para sermos sócios. Dê uma olhada com o seu advogado. Se não tiver, eu te indico um. Combinado?

— Você é inacreditável. Admiro a sua insistência. — Eu disse.

— Você está me elogiando. — Larissa disse sorrindo. — Filma isso, ele está me elogiando.

— Não ligue essa câmera ou vai ficar sem ela. — Eu o ameacei. — Quer mesmo fazer sociedade comigo?

— Isso é um sim? — Larissa perguntou.

— Não, na verdade não. — Eu disse. Larissa bufou. — Mas quem sabe eu vou precisar de uma assistente. Assistente não, uma estagiária. Ainda não sei o que fazer, mas vou precisar recomeçar. Se te interessar pensa e me ligue. Tchauzinho.

Deixei Larissa na minha garagem um tanto quanto perdida. Subi para o meu apartamento. Em casa fiquei com o celular na mão, esperava um retorno do Paulo que não vinha. Talvez ele também tenha me magoado, me comeu e se arrependeu logo depois. Mas fui eu que provoquei, foi eu que quis. Paulo nunca assumiu nem para ele mesmo o que tivemos e no fundo eu sabia que aquela reação era esperada.

Não foi apenas o Paulo que eu havia magoado e que eu precisava consertar as coisas. Natália ficou muito mal por causa da morte do Fofucho. Eu sabia o quanto eu havia a magoado. Bati em sua porta com um presente, mas ela não abriu.

— O que você quer? — Ela perguntou do lado de dentro.

— Me desculpar. Posso entrar? — Perguntei.

— Não quero falar com você.

— Então ao menos veja. — Eu disse. Levantei um filhotinho de gato para que ela pudesse ver pelo olho mágico. Natália abriu a porta.

— Acha que eles são substituíveis?

— Não, não é isso.

—Você tem que reconhecer a sua culpa, que foi egoísta e irresponsável.

— Sim eu reconheço. Fiz tudo errado, disse coisas horríveis. Me desculpa. — Eu disse emocionado. — Se você não quiser o gatinho eu fico com ele.

— Eu quero. Mas ainda te odeio. — Ela disse me deixando entrar na sua casa.

Natália me perguntou sobre o histórico de vacinas do filhote. E confessou que sabia que seu gato já não iria viver muito.

— Quero dizer que talvez a morte dele não tenha sido apenas sua culpa. — Ela disse.

— Então ele poderia estar morto mesmo eu vindo aqui e dando os remédios? — Eu perguntei me sentindo um pouco mais aliviado.

— Segundo o veterinário é possível, mas nunca vamos saber. — Natália disse brincando com o filhotinho que eu resgatei de um abrigo.

— Me perdoa minha irmã. — Eu pedi mais uma vez.

— Ok. — Ela disse.

— Ok?

— Sim, ok. Mas nunca vou deixar você sozinho com um gato meu de novo. — Ela disse e eu a abracei. Por fim fizemos as pazes.

Fui até o bar do Paulo e ele não estava lá. Deixei mais uma mensagem de voz.

— Vim te procurar no seu bar e você não está. Sei que está com raiva de mim e eu mereço, mas quero te pedir perdão. Disse coisas horríveis e não é daquela forma que eu vejo você. Por favor me ligue.

Voltei para casa e vi rosas e velas acesas por toda parte. Ravi estava na sala de jantar. Todo elegante com Martin e os amigos do filho. Ravi me fez uma declaração dizendo que a sua vida estava uma merda sem mim. Que tinha muita sorte em ter um homem como eu. Que sofreu muito nos últimos dias e que me amava muito.

Martin e os amigos nos serviu um jantar que foi comprado em uma marmitex e saíram do apartamento.

— Espero que goste do jantar que eu fiz. — Ravi disse.

— Que você comprou, né?

— Meu amor, eu sei que não tenho sido um marido exemplar. Só o fato de perceber isso já é algo. Prometo que vou fazer a dieta certinho, entrar para academia, molhar as plantas e que o jantar vai estar pronto na hora que você chegar. Podemos voltar a sair, cinema, teatro, restaurante, como fazíamos antes. E aquele maravilhoso sexo. Lembra como era bom carinho.

— Javier...

— Por favor Lipe.

— Mas eu posso mudar. — Ele disse me beijando.

Foi um beijo que me lembrou de como ele era no início. Aquele beijo gostoso, quente, me deixou excitado. Fomos para a nossa cama. Javier me chupou como não fazia há tempos. Chupava com vontade, passava língua por todo o meu pau e sugava a cabeça. Eu segurava os seus cabelos desfazendo todo o seu penteado. Javier olhava para mim e eu sorria para ele. Depois daquele maravilhoso boquete ele me virou de bruços e começou a lamber o meu cu. Ravi deitou por cima de mim e relava o pau na minha bunda, mas eu virei.

— Hum, você quer frango assado. — Ele disse levantando as minhas pernas.

— Não Ravi. Eu quero você. — Eu disse.

Ravi me olhou assustado e não soube o que fazer. Eu o puxei para um beijo. Deixei-o deitado de bruços e lambi o seu cu. Ele não estava mais de pau duro. Deitei por cima dele e ele me deixou penetrá-lo.

Seu cu era apertado e Ravi não facilitava a minha entrada. Peguei o lubrificante e o lambuzei. Aquele cuzinho apertado me dava ainda mais tesão e o fato de conseguir comer o Ravi depois de todos esses anos não tinha preço. Por fim, consegui entrar. Era nítido que Ravi sentia dor e nenhum pingo de prazer. Metia rápido para que eu pudesse gozar e acabar com o seu sofrimento. Gozei, meu prazer não foi tão grande por ver o seu sofrimento. E eu não queria mais um relacionamento onde qualquer pessoa sofresse. Deitei ao seu lado e o beijei.

— Você não precisa mudar Ravi. — Eu disse e ele sorriu. — Você é um homem maravilhoso. Mas eu mudei, não estava feliz e não vou mais viver assim. E sei que se você mudar, também não será feliz.

— Então você está dizendo que acabou mesmo.

— Faz anos que não estamos bem. Nós dois sabemos disso. — Eu disse alisando o seu rosto. — Olha me dê algumas semanas, vou sair desse apartamento, mudar para um menor. Esse aqui sempre foi de vocês. Você volta pra cá com o Martin.

— Eu não sei como viver sem você. — Ele disse emocionado.

— Eu sei que você vai ficar bem. — Eu disse e o abracei.

Quando saímos do quarto, Martin e os amigos estavam na sala. Ele me chamou até a cozinha.

— Lipe, eu estava pensando e queria me desculpar. Eu gosto de você. — Ele disse sendo sincero.

— Eu sei. — Eu disse o abraçando. — Eu amo você pivete. Se cuida.

— Você também. — Martin disse. Ele, o pai e os amigos foram embora.

Estava olhando alguns apartamentos já mobiliados na internet para alugar, quando o sinalizador de lembretes do meu e-mail apitou. Eu tinha um evento naquela noite. Um evento importante no ramo de publicidade. Achei melhor me arrumar e marcar presença. Fazer Networking como diz o babaca do Fred.

Fui para o evento, um luxuoso coquetel, conversei com alguns empresários e praticamente todos queriam que eu trabalhasse para eles.

— Felipe, você aqui? — Fred disse vindo na minha direção. Um rapaz bonito o acompanhava.

— Oi Fred. Cadê as belas modelos que andam com você? Por acaso mudou de time? — Eu disse rindo. Sem graça ele olhou para o rapaz e o mandou dar uma volta.

— Não esperava você aqui, afinal o convite foi para a agência que você resolveu abandonar. — Fred disse.

— Não Fred, o convite estava no meu nome. — Eu disse. — Sabia que hoje recebi vários convites de emprego?

— Não faça isso Lipe, por favor reconsidere. — Fred disse quase suplicando. — Lá é a sua casa. Volte.

Eu olhava para os lados fingindo que o ignorava.

— Eu cubro qualquer oferta. — Ele disse olhando para a minha mão. — Onde está a sua aliança Lipe?

— Não tenho mais. Vida nova. — Eu disse. — Estou até pensando em abrir a minha própria agência. Chega de dar lucro para os outros. — Eu disse. — Se quiser me oferecer a sociedade que o seu pai me prometeu um dia eu prometo pensar.

— Você não está falando sério.

— Você acha mesmo que não? — Eu perguntei. Fred já sabia do que eu era capaz.

— Tudo bem, sociedade, 2%. — Ele disse eu disparei a rir.

— Cinquenta por cento. — Eu disse sorrindo.

— Agora eu tenho certeza, você está louco. — Fred disse.

— Pense nisso Fred. E acho bom você voltar para o seu namoradinho que ele não para de olhar pra cá. Parece estar com ciúmes. — Eu disse.

— Ele não é meu namorado, apenas um amigo. — Fred disse.

— Sei. — Disse ironizando.

— É sério, eu também estou solteiro. — Fred respondeu.

Não era o tipo de resposta que eu esperava de um machão mulherengo como o Fred. Sem graça, ele saiu de perto de mim e se juntou ao rapaz. Percebi que ele mantinha uma certa distância e constantemente reparava com quem eu estava conversando.

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Capítulo 7 - Sábado

Passei o sábado vigiando o meu celular. Nenhuma resposta do Paulo. Aquele era o dia, o fatídico dia. Paulo iria se casar. Peguei o convite que estava dependurado na geladeira e bati com ele na minha mão.

— Não devo fazer isso, é muita loucura. — Eu disse.

— Eu devo fazer isso sim. — Eu disse.

Eu brigava comigo mesmo. Ainda sem saber qual seria o meu papel naquele casamento. Já pronto, me olhava em frente ao espelho, eu estava lindo.

— Oi Paulo, eu ainda tinha o convite e vim.

— Oi, você me convidou não foi?

— Oi, eu vim para dizer que eu te amo.

— Oi, eu vim para impedir esse casamento.

— Sim eu sou contra esse casamento. Não me calarei para sempre.

Eu ensaiava o que iria dizer.

Cheguei no salão de festas onde seria realizada a cerimônia. Vi um garçom com uma bandeja de champanhe e peguei duas taças de uma vez. A primeira eu bebi em um gole. Os noivos já estavam no altar. Me sentei em uma cadeira no corredor da quarta fileira ao lado de uma simpática senhora. Que me encarava.

— A senhora é a dona Glória, tia do Paulo? — Perguntei.

— Sou sim. E você é o Lipe, não é? — Ela perguntou. Eu concordei. — Nossa como está bonito. Virou um homão.

— Muito obrigado. A senhora também está linda. Muito elegante. — Eu disse.

— Fiquei muito surpreso quando a Suzi me chamou para fazer o seu casamento. — Disse o jovem que realizada a cerimônia. — O Paulo queria se casar na igreja, mas a Suzi disse que não. Que não importava. Que eu que faria o casamento.

Todos riram, eu sentia o Paulo constrangido.

— Vocês são um casal lindo e nada convencional. — O homem disse. — Não estou dizendo isso porque o Paulo é velho.

Mais uma vez todos riram e o Paulo sorria sem graça. Suzi gargalhava e olhava para trás.

— Tem muitos casais com diferença de idade. Mas você foi se rejuvenescendo com a Suzi, precisava né, para acompanhar o ritmo da Suzi que sempre foi muito intensa. Eu me lembro quando a família o conheceu. Paulo causou uma ótima impressão, mas não disse uma só palavra. Ele até queria falar, mas a Suzi olhava para ele feroz como se o mandasse calar a boca. — O ministro disse.

Mais uma vez todos riram. Acho que eu era o único que via aquilo como uma grande humilhação.

— Quando foram embora eu me virei para a Suzi e disse. Ele é bom pra você, finalmente conseguiu um bom pau-mandado. — Ele disse.

— Mentira, não é assim. — Suzi disse sorrindo. Enquanto todos voltavam a rir.

— Capacho!... Frouxo!... — Alguns gritavam. Paulo sorria sem graça. — Pau mandado!... Corno!

— É! Muitos concordam. — O ministro disse balançando a cabeça.

— Gente! Para com isso. — Suzi disse sorrindo. A vadiazinha estava gostando.

— Peguem leve, todos já sabem quem é o pau-mandado aqui. — O ministro disse. — Então vamos para o que importa e não foi esse discurso aqui. A Suzi me pediu uma coisa e eu achei bastante original, eu adorei. Ela disse assim: “Já que as alianças são para sempre”.

— Por que não tatuarmos as alianças? — Suzi disse pegando o microfone. Os mais empolgados aplaudiram. Paulo não imaginava aquilo e não ficou feliz. Dona Glória também não achou a menor graça.

— Tatoo... Tatoo.. — As pessoas gritavam e aplaudiam. Eu me sentia mal pelo Paulo.

— Gostou da ideia? — Suzi perguntou para o Paulo.

— É sério isso? — Ele perguntou.

— Sim. — Ela respondeu. — Era uma surpresa, por isso eu disse que não precisava de novas alianças.

— Você podia ter me consultado. — Paulo disse.

— Pra quê?

— Não sei, você me pegou de surpresa. — Ele disse.

— Essa era a ideia, fazer uma surpresa. Vamos logo amor. — Ela disse. O tatuador já estava pronto ao seu lado.

— Assim agora? — Paulo perguntou. Suzi sorria acenando com a cabeça, Paulo estava hesitante. — É com anestesia?

— Ele tem um pouquinho de medo de agulha. — O ministro disse. —Vamos convencer ele gente.

Alguém do fundo gritou “Covarde” em meio a várias gargalhadas.

— Qual é meu bem? — Suzi disse.

— Está bem. — Paulo disse, concordando sem graça.

— Ele topou. — O ministro disse. E todos aplaudiram. — Mas antes, vai uma pergunta. Se alguém tiver algo contra este casamento que fale agora ou se cale para sempre.

Suzi e o Paulo olharam para trás. Era o meu momento, eu estava inquieto na cadeira, metade de mim queria levantar. Impedir aquele casamento e a outra metade já não ligava.

— Alguém? — O ministro perguntou.

— Não, ninguém. — Suzi respondeu.

— Então eu vos declaro marido e mulher! — Ele disse. — Pode beijar a noiva.

Eles se beijaram e foram aplaudidos. Meu peito doía. Segurava as lágrimas para não escorrerem dos meus olhos. Paulo apesar de tudo parecia contente, alegre, feliz.

— Esse Paulinho sempre foi um bundão. — Dona Glória disse.

— Exatamente. — Eu disse sorrindo. — Um bundão feliz. É disso que ele gosta.

O Tatuador se preparava para iniciar as alianças. Paulo e Suzi sorriam um para o outro.

— Que caralho eu vim fazer aqui? — Eu me perguntei vendo a felicidade do meu amigo. Dona Glória me encarou:

— Você veio sozinho?

— Sim e vou embora satisfeito e feliz sozinho. — Eu disse me levantando.

Olhei mais uma vez para trás quando deixava o tapete vermelho. Vi Paulo sendo tatuado, dei mais um passo ainda olhando para trás e tropecei em um grande arranjo de flores e caí no chão junto com ele. O desastre foi percebido por todos fazendo todo mundo me olhar. Alguns convidados que estavam mais próximos me ajudaram a levantar e a reerguer aquele arranjo.

Quando levantei, Paulo e Suzi por fim, viram que era eu quem havia caído e derrubado o arranjo.

— Você está bem Lipe? — Paulo perguntou preocupado ainda no altar ao lado da, agora, esposa.

— Estou bem. — Eu disse sorrindo e pegando uma rosa daquele arranjo. — Muito bem.

Parti sem olhar para trás. Deixando Paulo de vez para trás. Me sentia leve, livre e gostei daquela sensação. Estava pronto para o novo.

Quando cheguei em casa reconheci o carro que estava parado na porta do meu prédio. Fingi que não vi e entrei.

— Lipe espera, quero conversar com você. — Fred disse.

— O que você quer? Veio me oferecer os 50% da empresa? — Eu perguntei.

— Podemos conversar?

— Não estamos conversando?

— Não aqui na rua.

— Tá bom, pode subir. — Eu disse depois respirar fundo.

— Está bonito, onde estava? — Fred disse dentro do elevador.

— Em um casamento. — Eu respondi ignorando o elogio.

— Legal.

— Venha, entre. — Eu disse assim que abri a porta. Ele entrou e ficou parado de frente pra mim. — Vamos logo, desembucha.

— Eu te ofereço 5% — Ele disse.

— Eu passo. — Eu respondi. — Sabe que eu montando uma agência eu levo a maioria dos seus clientes não sabe?

— Não sei não, ainda mais depois de ter surtado e viralizado na internet. Seja razoável Lipe.

— Tudo bem 40%. — Eu disse.

— Eu pedi para ser razoável. — Ele disse. — Te ofereço 10%.

— Por menos de 35% eu não vou.

— Te ofereço 15% — Ele disse.

— Adeus Fred. — Eu disse. Segui para a porta e abri para ele sair.

— Espera, 20 então. — Ele disse. Eu neguei e mantive a porta aberta. — Vinte e cinco, é a minha oferta final.

Eu pensei. A verdade é que eu nunca esperei nem do Sr. Abel mais de 20%

— Trinta por cento. — Eu disse. “Vai que cola”.

— Ok, 30%.

— Sério? — Eu perguntei não acreditando.

— Sim, negócio fechado? — Ele me perguntou.

— Certo, esteja com os papéis na segunda. — Eu disse com a porta ainda aberta esperando que ele se retirasse.

— Ei calma, somos sócios agora. Vamos fazer um brinde para comemorar. — Ele disse.

Achei estranho, mas acei tei. Fechei a porta e fui até a cozinha. Fred me seguiu.

— Só tenho vinho. — Eu disse.

— Adoro vinho. — Fred disse sorrindo.

— Eu também. — Eu disse. Lhe entreguei uma taça com bom vinho e brindamos.

— E o argentino? Seu marido. — Ele me perguntou.

— Não estava dando certo. — Eu disse.

— Que bom.

— Como assim que bom? — Eu perguntei.

— Quando não está dando certo né, ficar insistindo no erro não é bom. — Fred respondeu sem graça.

— A sim. Verdade. — Eu disse.

— Mentira. — Ele disse.

— O quê?

— Não foi por isso que eu disse “que bom”. — Fred disse, deixou a taça na bancada e se aproximou de mim. — Estou feliz que não está mais com aquele homem. Você era de mais pra ele. Você é incrível Lipe.

— O que está falando? Você sempre me colocou pra baixo. É só 4 anos mais novo que eu e sempre fez piadinhas dizendo que eu estava velho e acabado. — Eu disse.

— Eu sei Lipe. Eu sou um idiota, a verdade é que sempre admirei você. Sempre soube que você é incrível, inalcançável. Eu tentava te puxar um pouco mais para o meu nível, era isso. — Fred disse.

— Que história é essa? — Eu perguntei confuso.

— Eu sempre fui afim de você Lipe. Nunca falei nada porque você era casado, era funcionário do meu pai e depois veio a ser meu. — Ele disse.

— Você está dizendo que é afim de mim? Não acredito nisso. — Eu disse.

— É a verdade mais verdadeira. — Fred disse se aproximando ainda mais de mim.

— Espera. — Eu disse esticando o meu braço e o impedindo de se aproximar mais. — Isso é alguma brincadeira? É uma vingança por eu ter te humilhado e o vídeo ter viralizado. — Fred sorria achando graça, ele negava com a cabeça. — Esse acordo dos 30% é falso, não é?

— Lipe, é tudo verdade. Estou sendo honesto com você.

— Como? E como você pode ser gay? E todas aquelas garotas que você ficava dando em cima na agência? As modelos lindas que te acompanhavam nos eventos? — Eu perguntei.

— Lipe eu tenho 32 anos e nunca namorei sério. Isso quer dizer algo, não? — Ele disse rindo. — Mas você está certo eu não gay. Sou bi e tudo começou por sua causa. Você foi o primeiro cara por quem eu senti atração. Isso desde a primeira vez que te vi. E só aumentou quando eu fui fazer o estágio na empresa. Você se lembra disso?

— Claro que me lembro, você me irritava o tempo todo. Quase soltei foguetes quando desistiu. — Eu disse.

— Eu te irritava? — Ele perguntou sorrindo.

— Muito. — Eu disse.

— Mas tudo que eu queria era ficar perto de você. — Ele disse.

— Isso é muito louco. Então aquele cara bonito que você estava no evento ontem era mesmo um namoradinho. Eu falei aquilo brincado só para te irritar — Eu disse.

— Não. Era apenas um amigo que queria fazer contatos. — Ele respondeu.

— Amigos, sei... — Eu disse duvidando.

— Sim Lipe, apenas um amigo. Tudo bem que já fiquei com ele antes, mas foi antes, eu disse a verdade ontem, estou solteiro. — Fred disse. Eu ainda digeria aquilo tudo. Fred tentava se aproximar e eu coloquei a mão no seu peito. Estávamos a um braço de distância. — Vamos lá Lipe, não venha me dizer que não me acha um cara atraente.

— Até que você é bonito, mas nunca te vi dessa forma. Apenas um cara mimado e mandão. Um escroto na verdade. — Eu disse. Fred sorriu.

— Deixa-me mudar isso. — Ele disse, empurrou o meu braço para o lado e me beijou.

Que beijo! Fred me pressionou contra a bancada da cozinha e eu pude sentir o seu pau duro. Resolvi me entregar. Naquele momento consegui vê-lo sem aquela casca de arrogância e prepotência. Ele era um homem lindo, gostoso e com uma pegada deliciosa. Fred desabotoou a minha camisa e beijou o meu peito.

Fred também tirou a sua camisa e a deixou sobre a bancada, pude ver o seu corpo musculoso e o seu abdômen de tanquinho. Eu passei a mão pelo seu corpo e puxei até o meu quarto. O joguei na cama e deitei sobre ele. Eu também estava excitado e nossos paus relavam um no outro enquanto nos beijávamos.

— Tira essa calça. — Fred pediu.

Eu saí de cima dele e tirei a minha calça, ficando apenas de cueca, quando olhei para o lado Fred estava nu. Seu pau era lindo, uns 18 cm, reto e com a cabeça rosa. Ele sorria pra mim esperando que eu também tirasse a minha cueca.

— Você é exatamente como eu imaginei. — Ele disse feliz.

— E você bem melhor do que eu pensava. — Eu disse.

Fred voltou a me beijar. Ele me jogou na cama e beijou todo o meu corpo.

— Há muitos anos eu espero por isso. — Ele disse antes de colocar o meu pau em sua boca.

Ele me chupava com vontade, Fred sabia chupar um pau. Eu puxava a sua cabeça fazendo com ele engolisse todo o meu pau. Era uma delícia, eu já estava prestes a gozar. Puxei aquele homem que não queria largar o meu pau, o beijei. Relamos nossos corpos um no outro e foi a minha vez de colocar o seu pau na minha boca.

— Que delicia Lipe, que delícia, seu gostoso. — Fred gemia.

Mudamos de posição de começamos a fazer um 69. Enquanto eu o chupava, passei o meu dedo molhado em seu cu e ele deixou. Surpreso eu perguntei:

— Você é passivo?

— Não, versátil. — Ele disse largando o meu pau, ele riu. — Sempre pronto para aproveitar o melhor dos dois mundos.

“Esse era o mesmo Fred que eu conhecia há mais de 16 anos? ”, eu me perguntava. Esse Fred era perfeito.

— Então o que você quer hoje? — Ele me perguntou.

— O que eu quero hoje?

— Sim. — Ele disse se deitando novamente ao meu lado e me beijando. — Vai poder sempre escolher, vou te dar prazer com o que você escolher, hoje, amanhã, depois...

— Amanhã e depois? — Eu perguntei.

— Sim. Lipe, você quer namorar comigo? — Ele perguntou.

— Namorar com você?

— Você vai ficar repetindo as minhas perguntas?

— Você está louco Fred? — Eu perguntei.

— Louco estaria se te pedisse em casamento. Mas eu vou esperar uns 6 meses. — Ele disse rindo.

— Claro que não, acabei de sair de um casamento. — Eu disse.

— Então hoje vamos viver o hoje, amanhã vivemos o amanhã, e depois vivemos depois. Quando você se der conta vai estar casado comigo. — Fred disse sorrindo e me beijando. — E o que você quer pra hoje? Te darei o que quiser.

Quem era Javier? Quem era Paulo? Não eram mais ninguém, pessoas queridas sim, mas que estavam no me passado. Agora eu queria algo novo, uma vida nova e nunca poderia imaginar a possibilidade de começar essa nova vida com o Fred, meu novo sócio e quem sabe, um futuro namorado? O importante era viver um dia de cada vez, não engolir sapo e saber me impor sem magoar ninguém. Nunca mais ir a um psiquiatra, talvez a um psicólogo. Buscar boas e verdadeiras amizades e me permitir apaixonar todos os dias.

— Hoje eu quero tudo, você vai dar conta? — Eu perguntei.

— Se eu dou conta? — Fred repetiu a minha pergunta. — Você não vai me aguentar.

Fred voltou a me beijar, beijou todo o meu corpo e chupou novamente o meu pau. Colocou uma camisinha em mim e lentamente sentou no meu pau. Fred fez todo o serviço, eu apenas fiquei deitado me deliciando com aquele homem gostoso subindo e descendo. No início era devagar, mas depois ele pegou um ritmo rápido. Ele estava certo, não aguentei de tanto tesão que senti com aquele homem cavalando e gemendo no meu pau. Um homem que até há algumas horas eu nunca imaginaria deitado na minha cama, muito mesmo me fazendo gozar cavalgando no meu pau. Gozei. Um orgasmo maravilhoso. Fred sorria e não parava de cavalgar até ter certeza que todo o orgasmo havia passado. Ele me beijou e saiu de dentro de mim.

— Ainda aguenta? — Fred perguntou.

— É claro. — Eu disse.

Fred encapou o seu pau com a última camisinha que eu tinha roubado do Martin e deitou sobre mim. Encaixou o seu pau na minha bunda e me beijava enquanto penetrava lentamente.

Eu sempre gostei daquela posição, ver o meu macho em cima de mim, de frente para mim, me beijando e sorrindo, com o meu pau relando em sua barriga enquanto ele me come.

Oh sim! O prazer foi ainda mais intenso. Fred me beijava e sorria. Sua cara de prazer me enchia ainda mais de tesão. Como ele é lindo, como eu não enxerguei esse homem antes.

— Consegue gozar de novo? — Ele me perguntou.

— Sim. — Eu disse.

— Então quando estiver pronto. Quero gozar com você. — Fred disse.

— Então mete gostoso. — Eu disse.

Fred meteu, mais rápido e mais forte, gemíamos e quando estávamos prontos, gozamos, gozamos e nos beijamos. Assim como o beijo, o orgasmo foi longo. E naquele momento, nós dois sabíamos que aquele seria apenas o primeiro de muitos orgasmos que teríamos juntos.

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Paco Katib

Escritor de Contos, Livros e Romances Eróticos Gay (Bi)

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Comentários

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Suzy uma vaca nojenta. E Paulo hummm uma marionete isso sim.

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Acabei de ler esse conto, muito bom por sinal. Esta aprovado

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Gostei do conto.

VALTERSÓ, GOSTARIA DE TER SUA OPNIÃO SOBRE MEU CONTO. SEMPRE VEJO SEUS COMENTARIOS E SERIA DE GRANDE ESTIMA SE EU TIVESSE A HONRA DE UMA OPNIÃO TUA. OBRIGADA E AGUARDO ANCIOSA. ABRAÇO!

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NÃO ENTENDI MUITO BEM. SE VC GOSTA OU GOSTAVA TANTO DO PAULO DEVERIA TER DITO ISSO A ELE. QUEM SABE ELE DESISTIRIA DO CASAMENTO COM A MIMADA DA SUZY, VC MARCOU BOBEIRA. PAULO É UM GRANDE BABACA RETARDADO ISSO SIM. MAS CREIO QUE OS TRÊS HOMENS NUS ENTRARAM NA HISTÓRIA DE BOBEIRA.

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