Sábado, 5 de setembro de 1998
Tia Gilda queria fazer uma festinha surpresa para comemorar o aniversário de 12 anos de Gisele (...) Augusta ofereceu a casa de praia deles (...) passamos a semana alvoroçadas planejando um bando de coisas (...) tia Gilda falou pra só convidar os amigos mais chegados...
Domingo, 6 de setembro
A Gi quase deu um treco quando chegamos (...) a turma atacou de ovo e trigo (...) ela não sabia que a gente tinha preparado tudo (...) e nem que aquele fosse nosso dia...
Gisele estava triste quando Sandra chegou em sua casa, era quase seis da tarde.
— Parabéns a você! – cantou correndo para a garota – Felicidade menina!
Se abraçaram e foram para o quarto, a casa vazia era estranho naquele dia, mas Sandra sabia de tudo e tinha de levar a garota sem que desconfiasse.
— Poxa Sandrinha, pelo menos tu lembrou... – sentiu vontade de chorar – Até mamãe teve de sair pra uma reunião de urgência...
Enxugou os olhos, assoou o nariz e tentou sorrir. Abriu o pacote do presente e riu divertida ao ver o que era: uma calcinha com abertura na frente, uma blusa com desenho de uma mulher nua chupando o pau de um burro e uma caixa com cem preservativos.
— É para prevenir... Agora que a xota já chora tem de ter cuidado, viu?
Gisele tirou a roupa e provou a calcinha e a blusa, deu uma pirueta rindo.
— Que tal?
— Ta parecendo uma piranha... – Sandra brincou e meteu a mão no buraco da calcinha – E esse selo daqui, quando vai despachar?
— Só quando tu mandar o teu também...
Riram e se abraçaram, foi quase que automático colarem as bocas e se beijarem com sofreguidão. Apesar das brincadeiras e de tudo que já tinham feito aquele foi o primeiro beijo de verdade entre as duas, das outras vezes foi apenas brincadeiras e selinhos sem maiores conseqüências.
— Não sou sapata, mas contigo faço tudo... – sussurrou no ouvido da amiga.
Sandra olhou para ela e recordou a garota tímida da viagem...
(FOTO NO BLOG)
— Vai com elas filha... – Gilda empurrou a filha – Deixa de ser boba menina, vai aproveitar e Sandrinha melhor que ninguém sabe das coisas...
Sandra olhou para a professora deitada e para Gisele puxando a barra da saia.
— Vamos lá Gisele... – sentou na beirada da cama – A turma vai na Praça do Tijuca... – olhou para Gilda – Ela pode fazer parte de minha equipe, não pode?
— Claro que pode e... É ótima fotógrafa...
Nem olha direito no rosto das garotas, Augusta e Cecília ficaram desconfiadas, mas palavra de Sandra para elas bastava. Bateu as fotografias que lhe pediram e de noite no quarto da mãe contou das coisas que viram.
— Ela é legal Gi... – fechou a porta do quarto – É meio endiabrada, mas é legal...
— Gostei dela mãe, mas as outras parece que não gostaram muito de me ver na equipe – tirou a blusa suada – Amanhã vão no museu do gado... – sentou no chão e coçou o carocinho do peito – A Augusta namora com o Cristiano...
Gilda deitou de bruços e apoiou o queixo nas mãos espalmadas na cama, vestia uma camisa de meia que não cobria as nádegas.
— Que tu achou dele filha? – estava impressionada com a solicitude do primo das meninas.
— Parece que é legal... É bonito... – riu envergonhada – Ta no quarto delas, não sai de lá...
— Quer dizer que ele namora com Augusta... – suspirou, dentre tantos alunos era dele, que nem estudava em sua turma que mais interessava – Ele tratou você bem?
— Quase não falou comigo... – tirou a saia jeans e jogou no canto do quarto – Vive grudado na Cecília, quem vê pensa que namoram...
— São muito unidos, só veio porque Sandra pediu... – suspirou e sorriu – Não me arrependo de ter deixado, faz tudo pra me agradar...
Gisele olhou para a mãe com cara cínica, tinha quase certeza que o interesse era outro. Olhou para a porta, haviam batido, levantou e abriu uma fresta, era Sandra e Cecília.
— São elas mãe...
— Abre a porta filha, deixa elas entrarem...
— Mas a senhora está quase nua e eu...
— E o que é que tem filha, são mulheres como a gente... – riu da filha – Entrem! – falou, Gisele deixou as duas entrarem.
— Viemos ti buscar... – Cecília olhou para a menina e teve vontade de rir da calcinha que usava, maior que o pijama de dormir.
— E vão para onde? – Gilda sentou sem se importar que viessem estar nua – Não lembro de ter autorizado saídas de noite...
— Vamos só na pracinha aqui perto tia... – Sandra olhou para ela – Ta um saco aqui, ver as mesmas caras sempre enjoa...
— Quem vai? – não era repressora, mas morria de medo de acontecer alguma coisa.
— Gi, eu, Cecinha, Augusta, Pedro e Ivete... Sim! O Cris também vai... – fez cara de menina pidona – Deixa tia, a gente só vai dar uma volta...
Gilda olhou para Cecília e para a filha, a pracinha era quase em frente da pousada.
— Está bem, vou confiar em vocês... – olhou para a filha de braços cruzados escondendo os peitinhos – Quer ir filha?
— Quer sim! – Cecília não deixou a garota falar – Pega tuas coisas e vamos tomar banho...
Gisele olhou para a mãe sem ter certeza de que seria uma boa.
— Vá filha... – sorriu – Vá cair na gandaia, mas olhem lá?
— Porque não tomo banho logo aqui? – a voz indecisa – Depois espero vocês no saguão...
— Nada disso, a patota sai é do clube! – Cecília riu e puxou o braço da garota – E vamos deixar dessa frescura de ter vergonha!
Gilda balançou a cabeça sorrindo, a filha ia estranhar muito o jeito das garotas. Mas já estava no tempo de se soltar mais, fazer novas amizades e se divertir com o pessoal de sua idade, mesmo sendo mais nova que as duas.
(FOTO NO BLOG)
— Tu parecia uma boboca menina... – sorriu e pulou na cama – Lembra da luta que deu tu vestir a calcinha que Cecinha te deu?
Gisele sorriu lembrando.
— Era criancinha... Achava que vocês duas eram doidas... – deitou do lado e segurou a mão – Quando tu saiu do banheiro nua eu quase tive um troço, não estava acostumada com essas coisas...
— Tu era uma fresquinha... Não! Isso não... A mamãe não gosta... – imitou a garota – Quase desisto de ti...
— Ainda bem que não desistiu... – suspirou e passou a mão na barrigada amiga – Minha vida mudou depois que conheci vocês... – sorriu, subiu a mão e tocou nos seios de Sandra – Gostei de ti desde o começo...
Ficou séria, suspirou forte e aproximou o rosto, botou a língua pra fora e lambeu os lábios da amiga. Sandra olhava dentro dos olhos da garota e deixou que ela lhe beijasse, sentiu a mão em cima da xoxota e o dedo forçar na risca dos lábios.
— Gi... – afastou o rosto – Gosto muito de ti... Tu és uma garota incrível, mas não é por aí... – Gisele olhou para ela e ela viu desejos dentro dos olhos – Tu sabes que comigo não tem essa frescura, gosto de te beijar, a gente já fez muita coisa juntas, mas... Não vamos confundir as coisas...
Viu os olhos marearem e sentiu pena da menina, puxou a cabeça e beijou a boca.
— Desculpa Sandrinha... – Gisele sussurrou – Mas toda vez que fico contigo tenho vontade de te beijar... – suspirou – Não sinto isso por ninguém, só por ti...
Sandra suspirou e deixou que ela lhe beijasse de novo.
* * * * * *
Gosto muito de Gisele, mas ela estava começando confundir gostar de amizade com outro tipo de sentimento. Aproveitei para conversar com ela sobre sentimentos, sobre o que eu sentia por ela e sobre como devíamos ser. Não sei se naquele momento ela aceitou, mas hoje sei que entendeu o que eu lhe falei.
— Vamos dar uma volta... – levantou e escolheram um roupa bem sensual, diferente das que costumava usar antes da amizade – Hoje é teu aniversário e tu merece o melhor.
Gisele riu e vestiu as peças escolhidas por Sandra.
— Vamos para onde? – estranhou ao ver o carro de tio Abelardo parado na porta.
— Girar por aí, ver gente nova, curtir um sonzinho... – entraram – Essa é a Gi tio... – apresentou – Já esteve em tua casa, mas tu só liga pro diabo daquele jogo!
Riram e saíram, pararam na praça da Alegria, foram pela Dom Pedro. Conversavam animados e Gisele não notou que tinham saído da cidade, Sandra contava piadas o tempo todo e relembrava das brincadeiras que faziam. Foi quando parou que ela finalmente perguntou.
— Que lugar é esse Sandrinha? – olhou para Abelardo – Nunca vim por essa banda...
— Tu é um anjo tio... – Sandra deu um beijo estralado na ponta da boca – Te devo mais essa... – desceu e chamou – Vamos Gi, deixa eu te mostrar um lugar super legal...
Entraram por um portão de alumínio decorado, a casa parecia deserta, as luzes da varanda acesas e todas as outras apagadas. Gisele andava tateando se deixando puxar, na cabeça ainda a conversa.
— Porque tu me trouxe aqui? – parou olhando espantada – Que lugar é esse...
Não terminou, Gilda gritou e as luzes acenderam, cantaram parabéns em volta dela. A festa estava armada na área dos fundos, a garota estava espantada ao ver os colegas todos reunidos e nem tentou se defender os ovos jogados e do trigo.
— Mãe! – as mãos tapando a boca aberta, olhos arregalados.
Augusta e Cecília correram e abraçaram a garota e também foram bombardeadas e ficaram sujas.
— Não!!! – esperneou quando Paulo e Cristiano lhe levantaram nos braços.
A algazarra era completa, assovios, gritos em pandemônio. Gilda segurou a mão de Sandra e correram sorrindo como se fossem amigas da mesma idade, desde a excursão sentia voltar para o tempo de mocinha quando estava junto das primas.
— Ela desconfiou? – pararam.
— Desconfiou nada... Tava jururu quando cheguei – respondeu sem desgrudar o olho da muvuca – O tio Abelardo deu umas voltas com a gente antes de nos trazer... Tadinha dela...
Paulo e Cristiano seguravam Gisela pelos braços e mãos sacudindo enquanto a patota contava animada.
— Um!... Dois!... Três!... – Gisele esperneava rindo aos gritos – Doze!...
Jogaram a garota no mar de balões azul e branco que coalhava a piscina.
— Mudou muito desde que conheceu vocês... – Gilda passou o braço pelo ombro de Sandra - Tu colocou minha menina no mundo... – riu e encostou a cabeça na da garota – Era uma fresquinha, não era?
Sandra riu...
(FOTO NO BLOG)
— Não vou vestir isso não! – olhou a calcinha cavada – Isso deve entrar na xixita Cecília...
As primas estavam sentadas no chão e Gisele em pé no meio do quarto, Augusta saiu do banheiro enxugando os cabelos e riu.
— O que é xixita gente? – sentou na cama – Não tenho isso, tenho xoxota... – deitou e levantou as pernas abertas.
Gisele olhou para a garota e sentiu vergonha, parecia que naquele quarto tudo era normal e muito natural, as três andavam nuas sem se importarem com quem estivesse olhando.
— Vai sim! – Cecília levantou e puxou a saia da garota que deu um gritinho e tentou impedir – Isso daqui é coisa de mil anos Gi!
Sandra ria divertida, a calcinha mais parecia uma pequena bermuda de algodão com rendinhas na perna. Gisele olhou para ela como se pedisse ajuda, ela levantou e ajoelhou na frente da garota, olhou para cima e viu o rosto espantado quase chorando.
— Pelo menos experimenta... Vai ficar bonita, mais bonita ainda... – pegou a calcinha que tinham comprado, Gisele não tentou impedir – E não precisa ficar com vergonha... – puxou a calçola.
Gisele não sabia o que fazer, gostava de verdade da garota, mas era tudo diferente. Sentia-se desprotegida, levantou um pé e depois outro, estava nua, só a blusa de seda amarela ainda cobrindo o corpo. Deixou que Sandra lhe vestisse a calcinha pequena.
— Pronto! Agora tu entrou no século... – Augusta falou.
— Olha no espelho... – Sandra levantou e ajeitou a calcinha, não deixou que entrasse nem na frente e nem atrás – Que tal?
Mirou a imagem e se sentiu diferente, teve vontade de sorrir e dizer que tinha vontade de ter uma assim, mas a vergonha calou a boca. Experimentou também o saiote jeans que Augusta lhe tinha dado, saiu do quarto com outros ares, entrou menina medrosa e saiu mocinha arrumada.
* * * * * *
Gisele mergulhou entre os balões e afundou sentindo que o mundo era diferente de tudo o que antes conhecia, amadureceu a olhos vistos naqueles dez meses, abriu os olhos para a vida vendo as amigas sempre juntas dela, tratando como se fossem quase irmãs. Não era moça de idade, era moça de viver e gostava de tudo o que tinha aprendido, das brincadeiras às armações, do corpo descoberto, das sensações novas e do desejo se sentir. Emergiu, os gritos e risos continuaram, nadou até a borda e saiu molhada sem se importar que os pequenos seios fossem vistos marcados pela fazenda quase transparente.
— Poxa gente!... – os olhos molhados de lágrimas – Não sabia... Pensava que... – desatou a chorar e correu para Sandra.
Ninguém estranhou que fosse a amiga que tinha abraçado e não a mãe.
— Que é isso Gi... – afagou os cabelos pingando – Vamos parar com esse chororô... – riu e beijou os olhos fechados, sugou as lágrimas e puxou Gilda – Vamos brincar e sorrir, não é Gilda... – não se recordava de ter chamado a professora pelo primeiro nome – Agora o melhor...
Enxugou os olhos da amiga e caminharam abraçadas para a mesa do bolo, a mãe sorria morrendo de vontade de chorar. Cecília e Augusta estavam com os presentes e o grupo formou um circulo em volta das cinco.
— Agora é hora dos presentes! – Cecilia gritou e subiu em uma cadeira – Esse daqui é da Jandira... – jogou a sacola nas mãos de Gisele.
Primeiro entregou as colônias, livros e coisas normais. A garota abria e corria para abraçar agradecendo.
— Esse daqui é de uma certa professora! – jogou o pacote e fez sinal para Cristiano que já estava a postos – Mas vai ter de usar agora!
As garotas estenderam o lençol em volta dela para que provasse a roupa, e foi assim com todas, o grupo ria, assoviava e gritava.
— Silêncio! Silêncio gente! – segurava o ultimo presente – Esse daqui ela não vai poder mostrar, é muito íntimo... Só as meninas podem ver...
Paulo, Cristiano e Pedro fingiram descontentamento e sentaram amuados. Gisele abriu a caixa e deu gritinhos de satisfação e alegria, eram calcinhas e sutiãs. Gilda estava feliz com a felicidade da filha e ficou espantada quando ela saiu da empanada e desfilou com sensualidade vestida na calcinha minúscula, os garotos aplaudiram fazendo zoada.
(FOTO NO BLOG)
Brincaram e se divertiram até que o pai de Jandira chegou para levar o grupo, ficaram apenas Gilda, Gisele, Augusta, as primas, Paulo e Cristiano.
http://www.uniblog.com.br/vidadeanjos/408760/primos.html