Mantenho minha rotina de treinos sempre que possível. Prefiro as manhãs, mas, como a vida impõe seu ritmo, acabo batendo ponto na academia do condomínio no final da tarde. Geralmente o espaço está deserto — a maioria está mergulhada no trabalho — e foi em um desses dias de silêncio que decidi mudar meu cardio. Morando no 18º andar, resolvi que as escadas seriam meu desafio.
Após noventa minutos intensos de musculação, onde não negligenciei nem as abdominais e esvaziei minha garrafa de água, senti o cansaço pesar. Minhas pernas imploravam pelo elevador, mas a disciplina falou mais alto. Cruzei a porta corta-fogo e encarei o primeiro degrau.
Subi o primeiro lance, o segundo... No décimo andar, o corpo parecia ter entrado em transe. Quando atingi o 18º, a empolgação foi tanta que desci de elevador apenas para repetir a dose. Na terceira subida, minhas pernas já tremiam, denunciando o esforço do treino de bíceps e tríceps daquele dia. Eu estava exausto, mas decidido a terminar.
Foi quando cheguei ao 15º andar que o silêncio da escadaria foi rompido por latidos abafados. Continuei a subida, mas, ao invadir o vão que levava ao 16º, o susto travou meus músculos. Ali, no refúgio sombrio e escondido dos degraus, a cena se desenrolava com uma crueza excitante.
A vizinha do 16º — uma loira escultural, altiva e famosa por seu ar de superioridade — estava de joelhos. Diante dela, o zelador, um homem negro, sarado, na casa dos quarenta anos, exibia uma ereção imponente. Ela, que sempre desfilava com um ar metido pelo condomínio, agora estava entregue, abocanhando aquela piroca escura com uma voracidade que eu jamais imaginaria.
O choque foi mútuo. Ele estava de costas para mim, mas ela, de frente, não interrompeu o ato de imediato, seus olhos claros fixos no prazer proibido enquanto a boca trabalhava com vontade. Não havia como voltar. Com o coração disparado e o sangue migrando rapidamente das pernas para a virilha, passei pelo estreito espaço que restava.
Ouvi o som do rapaz se recompondo apressadamente e descendo os degraus, enquanto o silêncio voltava a reinar. Terminei o percurso até o 18º andar com o pau mais duro que os degraus de concreto. A imagem daquela deusa de 1,85m, dona de uma bunda monumental e olhos felinos, humilhada pelo próprio desejo naquelas escadas sujas, não saía da minha mente.
Cruzei com eles outras vezes pelo condomínio. O constrangimento nos olhos deles é nítido, mas mal sabem eles que eu não lhes devo julgamentos. Pelo contrário: entre um cumprimento e outro, minha única reação é um sorriso interno de quem guarda um segredo e uma ponta de inveja genuína daquele zelador. No final das contas, o que acontece na escadaria, fica na escadaria.
