Gosto de jogar e, infelizmente, reconheço que carrego esse vício. No jogo, há o dia da sorte e o da ruína. Já vivi glórias, entrando com pouco e saindo com quatro vezes o valor inicial, mas o que narro agora foi o pior dia da minha vida. A lição é clara, embora amarga: o mais importante é saber parar, pois a ganância cega.
Desta vez, fui seduzido pela soberba. Entrei com uma boa quantia e venci quatro rodadas seguidas. Meus oponentes estavam acuados, e eu, tentando aniquilá-los, joguei a rodada seguinte certo da vitória. Perdi. O riso deu lugar a uma expressão tensa. Ganhei mais duas, mas o jogo virou de forma definitiva. Perdi toda a grana e, num surto de arrogância, sem raciocinar, apostei a única coisa que me restava: minha própria dignidade.
O Sr. Roberto, um homem de sessenta anos, mas com um porte físico impecável e viril, permaneceu na mesa enquanto os outros se retiravam. Ele foi benevolente a princípio:
— Vá para casa, Wesley. Outro dia você joga.
Mas eu estava cego. Desafiei o "coroa", chamando-o de medroso. Ele aceitou, mas impôs o termo: uma melhor de três. Se eu ganhasse, levaria todo o dinheiro que ele havia acumulado. Se eu perdesse, ele me possuiria ali mesmo, no beco atrás da mesa, até o fim. Aceitei, rindo como um idiota.
Sou o Wesley, 34 anos, um negro magro que, naquele momento, já tinha perdido até o celular. Ganhei a primeira rodada rápido. O êxtase tomou conta de mim; cheguei a agradecer aos céus. Roberto ofereceu uma última saída: 100 reais para eu ir embora. Gritei que queria tudo de volta. Fomos para a segunda rodada e perdi por um único ponto. O nervosismo voltou com força total. Na última rodada, ele me humilhou. Jogou em silêncio, provando que minha soberba era vazia. Ele se levantou e caminhou calmamente para a escuridão do beco.
A ira e o medo lutavam dentro de mim enquanto eu o seguia. O que aconteceria se minha esposa soubesse? Se meus amigos vissem? Entrei no beco e baixei a bermuda. Sem qualquer preliminar, lubrificação ou carinho, ele veio a seco. Senti como se uma espada me partisse ao meio. Tentei abafar meus gritos com a mão, desesperado com a possibilidade de alguém passar e filmar aquela cena degradante. O "velhote" era forte, suas mãos pesavam nos meus ombros enquanto ele desferia estocadas brutais e secas.
Eu estava com as mãos na parede, chorando de dor. Meu corpo ardia em brasas, e ele parecia não ter pressa. Foram minutos que pareceram horas naquele lugar fétido até que ele finalmente gozou, soltando um gemido grave no meu ouvido que ainda ecoa na minha mente. Vesti a roupa sentindo o sangue escorrer. Ele amarrou a camisinha usada e me entregou; xinguei-o com o que me restava de voz, e ele apenas soltou uma gargalhada vitoriosa.
Voltei para casa caminhando com as pernas abertas, sem um centavo no bolso e a alma destruída. Inventei para minha esposa que havia sido assaltado e agredido. No banho, lavei minha própria cueca manchada de sangue, incapaz de tocar na ferida de tanta dor.
No dia seguinte, o destino me pregou a última peça. No supermercado com minha esposa, senti uma mão no meu ombro. Era ele. Com um cinismo cortante, Roberto me cumprimentou, disse que eu "fazia falta" e elogiou minha esposa:
— Você tem um grande homem, parabéns.
Como eu desejei esganá-lo ali mesmo. Desde esse episódio, nunca mais fiz uma aposta. Hoje, cada movimento do meu corpo me lembra do preço daquela ganância. Fujam do jogo; ele cobra dívidas que a pele nunca esquece.
