Sejamos analíticos:
Ricardo não é um mocinho. Na minha concepção, ele está mais para um anti-herói. Ele navega entre o positivo e o negativo com uma facilidade que fica difícil compreender o que realmente ele quer. A prova disso foi essa recaída com a Natália depois de ter se separado dela e feito todo um drama pela pulada de cerca que ela deu com o falso amigo.
Natália, até o momento, é a personagem mais constante do conto: começou tímida, retraída, mas quando se descobriu e descobriu o que queria, manteve-se fiel a si mesma. Ela é a “hotwife” encarnada, desejada, desejável e quem quiser que permaneça, quem não quiser que vá embora.
Maurício é típico "bull", comedor que está aí só para isso: comer a esposa do próximo. Ele já deixou claro que quando ela está com ele, é ele que manda, doa a quem doer.
Bruno é o corno manso, típico e subjugado. Aceitou o seu lugar desde o início e curtiu a cornitude a tal ponto de ter conquistado o seu posto junto a sua hotwife.
A questão que aqui me parece interessante é que apesar de todos terem um papel bem delimitado, menos o Ricardo que não sabe o que quer, ainda há um elemento que não deixa todos serem felizes a seus modos: o amor que existe entre Natália e Ricardo. Os dois se amam, se querem, gostam do meio, mas ainda não entenderam que para um casal liberal funcionar plenamente, é necessário regras e um mínimo de limites. Quando Natália entender isso e respeitar, o Ricardo volta fácil, e curtirá demais!
Só uma última observação: Ricardo se envolveu com uma mulher de personalidade forte, mas inconstante: Raquel já deu mostras de ter se perdido com o poder que conquistou. Acho que o Ricardo errou em ter mantido um relacionamento com ela e pior, sabendo que ela iria investigar a Natália, ter ficado com a ex pode ter sido um erro mortal, porque a ira de uma mulher poderosa que se descobre traída justamente pela ex do amante, que ainda detém o seu coração, pode ser devastadora.
Parabéns ao Lael pelo enredo. História simplesmente espetacular!