🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

O Único que Ficou de Fora - Último Capítulo: Tudo não Passou de um Sonho

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de Astrogildo Kabeça
Categoria: Grupal
Contém 8485 palavras
Data: 10/11/2024 23:44:35
Última revisão: 17/06/2026 12:13:39

Nota do Autor: Esse final foi totalmente reformulado

Camilo já estava achando que a coisa não era bem como ele estava imaginando antes de ouvir o depoimento de Laura, no entanto, ele ia continuar confrontando-a, pra ver se suas percepções batiam com alguma coisa.

Relato de Laura.

No dia seguinte, Marli e Núbia falaram comigo e apoiaram totalmente minha atitude. Nenhuma de nós esperava que aquilo pudesse acontecer. O elo entre nós era mais forte que imaginávamos.

Vieram as férias e na semana que antecedia o início das aulas, soubemos que Raimundão havia trancado a faculdade. Tinha comprado uma moto e já havia iniciado um curso de mecânica no SENAI. Com isso, Samara também não apareceu mais. Bel tinha viajado para a Paraíba nas férias, porém, quando começou o semestre ela estava na Grécia. Foi passar duas semanas e levou quatro meses. Foi outra que não voltou mais.

Osório estava mudado. Mal falava conosco e começou a faltar aulas. Passou a agir estranhamente. Vocês tentaram continuar a banda, mas ele disse que não queria mais. Foi o próximo a deixar. Daí tive quase a certeza que minha atitude no bar naquele dia que simulei um mal-estar, havia quebrado algum encanto, não sei. Acabou sobrando os casais.

No semestre seguinte estávamos rumando para a parte final do curso. Os pais de Núbia se separaram e ela ficou muito mal, perdia a concentração fácil e ficou muito depressiva. Vendo que ia perder o semestre, resolveu trabalhar junto com Zé Pedro num buffet que este tinha herdado. Ele a acompanhou e saíram da faculdade. Por fim, Manoel montou uma loja de games e material de informática e Marli o seguiu. Só sobrou nós dois.

Essas últimas coisas que falei e as que vou contar, você já sabe. Osório virou um ninfomaníaco inveterado, só vivia em puteiros. Sumiu e soubemos bastante surpresos do seu falecimento. Bel, que já era pirada, destrambelhou de vez. Passou a seguir uma religião oriental e só falava disso, ficou insuportável. O que você não sabe é que os negócios montados por nossos colegas vieram do dinheiro da filmagem. As viagens de Bel, a oficina de Raimundão, tudo isso.

Camilo: e o que você fez com seu dinheiro??

Laura: ajudei a montar nosso consultório. Falei que era dinheiro de minha avó, mas era da filmagem. 15 mil reais naquela época era muita grana. O salário-mínimo quando recebemos esse valor, era de 240 reais. Então, corrigindo monetariamente pra hoje, dá quase 60 mil reais. Quando já estávamos trabalhando, utilizei um pouco pra dar entrada naquele celta que eu tive, meu primeiro carro. Apliquei o que sobrou num fundo de investimento. Logo após, casamos, tivemos nosso filho, e a vida seguiu.

Camilo: não entendo, Laura, como você e nossos amigos se submeteram a uma coisa dessas! É apavorante!

Laura: Ai é que está a questão... Nas fotos e nas filmagens não são “nossos amigos”. Tenho uma teoria sobre o que aconteceu, só não sei se é convincente. No dia da primeira suruba, estávamos todos animados e creio eu que a libido de todos foi evoluindo de forma simultânea. Deve ter ocorrido alguma equivalência energética, uma isonomia de desejo que culminou numa forte energia que se conectou a todos. Só pode ter sido isso. A nossa animação era gigante, estávamos carregados de doses cavalares de dopamina. Por isso aquela entrega desmedida, puro hedonismo, curtição em alta voltagem. Estávamos desprendidos de qualquer virtude ou valor moral. E por isso a adulteração de personalidades. Raimundão estava rindo a toa; Manoel, um possessivo, estava indiferente às ações de Marli; Núbia, conservadora e moralista, estava insensata; Zé Pedro, preguiçoso e desligado, estava ágil e desenvolto; Marli, uma mimadinha e esnobe, estava alegre e amigável; eu, inteligente e centrada, fiquei radiante. Todo mundo estava diferente, invertido, todos agindo diferente do que a sociedade e elas mesmas esperam. Então não eram nossos amigos, eram corpos em busca do puro prazer carnal. Ali ninguém se reconhecia, nem reconhecia os outros. E é por isso também que as lembranças daquela noite não causavam repulsa. Nossas mentes estavam muito alteradas, não tínhamos senso moral nem cognição ali pra nada. Então as recordações eram toleradas, porque ninguém teve juízo naquela noite para raciocinar por meio de princípios básicos de moralidade e assim compreender direito o que havia se passado. Por esse motivo, ninguém entrou numa crise existencial ou sofreu conflitos psicológicos. Se tivéssemos o mínimo de discernimento aquela noite, alguém chamaria nossa atenção, que estávamos exagerando, e muita coisa não rolaria. Por isso também que não discutimos sobre isso, pois poderia haver discussões, acusações de atrevimento, e nada acabaria bem. Eram os corpos que sentiam as sensações, sabíamos que tinha sido muito gostoso porque a satisfação sexual era grande. Até pensei em estudar astrologia pra ver se naquela noite ocorreu algum fenômeno universal, algum alinhamento planetário, essas coisas. Porém, Cam, desconfio que tem alguma coisa por trás, não sei bem...

Camilo: Bom, mas a filmagem foi planejada. Se foi algo premeditado, as coisas não fluíam tão naturalmente assim. E quem planejou aquilo foram meus amigos! E não esses seres fudedores ai! Eles eram meus amigos naquele dia da festa surpresa, eu fui enrolado por eles!

Laura: Admito que sim, mas ali todo mundo foi surpreendido, o convite para a filmagem perturbou todo mundo. Sei que foi cruel pra você aquilo, fiquei bem chateada também de terem levado você na conversa, mas a força que nos unia era muito contagiante, isso deve ter os corrompido. E também, acredito, que a proposta fez com que todos passassem por um processo transitório de personalidades contrastantes. Cam, a primeira suruba não abalou nossas convicções e valores, mas a proposta mudou tudo. Tínhamos noção de que estabelecemos um outro tipo de vínculo. E que se nos juntássemos, o entusiasmo daquele dia ressurgiria. Eu não queria aquilo de novo, mas fui captada por essa conexão que nos arrebatou naquele dia da festa surpresa. Daí, acho que tem alguma coisa naquele lugar... Porém, cada um tinha suas impressões desse retorno. Ganância, safadeza, negócio, agir despudoramente de novo, ambicionar ter o poder de curtir ao máximo sem culpa e sem medo. Porque ali todos eram cumplices pra fazer coisas sem julgamentos alheios. E aproveitar individualmente os frutos de tanta diversão. Só que a coisa quase sai do prumo. Por isso, me julgo a mediadora do grupo, eu estava entre a sanidade e a entrega, entre a prudência e a inconsequência. E foi isso que salvou a todos nós naquele dia que fingi passar mal. Fui meio uma Neo, eu era a escolhida entre distinguir a realidade e a Matrix naquele dia. E deu tudo certo. Nunca mais nos encontramos. Fiquei muito aliviada. E cá estamos. Juro a você: desde que sobramos nós dois na faculdade, as imagens dessas surubas foram sumindo gradativamente. Há uns 15 anos não lembrava mais de nada! Naquela época não pensava sobre isso, mas hoje, penso que rolou mais alguma coisa, mas não sei explicar!

Camilo: Até Marli revelar tudo, hein?

Laura: Conversei com Marli depois. Ela estava num nível de estresse alto, sofrendo violência doméstica daquele imbecil do Manoel, endividada, recebendo ligações e ameaças de agiotas. Manoel desviou dinheiro da loja deles, investiu em criptomoedas, levou um golpe. Tudo isso explodiu naquele dia. Quando ela percebeu que um amigo de longa data não ia ajudar, ela enlouqueceu e falou aquilo. A cara de Marli foi exatamente a mesma que ela fazia nas surubas, ela olhava quem a estava comendo com cara de carranca, como que pedindo que o cara metesse mais, com vigor, com vontade. Quando se viu tomando atitudes que não era normal dela, como negociar dívidas e outras coisas, ela disse que recordou da suruba e falou aquilo. Agiu sem pensar. Então aquela Marli que revelou a você aquilo, era a Marli “invertida” que curtia aquela suruba. Como está em um momento desesperador, emergiu aquela inconsequente surubeira pra dizer aquilo. Ela mesma disse que nem lembrava mais de nada. Nem eu! Quando eu falei que não sabia, realmente eu demorei pra me dar conta. Havia se passado 20 anos, era como se aquelas orgias que nós fizemos tivesse ocorrido em outra vida. Contei a Zé Pedro e a Núbia o que Marli havia revelado e ela tomou um susto. Sabe o que ela disse? “Que suruba??”. Pra depois se recordar. Olha, Cam, o que ocorreu no passado parecia um feitiço, no momento que as pessoas passaram a se afastar, não havia mais sentido, porque as sensações e prazeres eram coletivizados. E com muitas pessoas, meu relacionamento era só nesses momentos em que compartilhamos prazer. Bel nunca foi uma amiga confidente, Osório era desapegado, Raimundão, muito introspectivo, Samara era uma dissimulada, Manoel, nunca fui com a cara dele.

Porém, após a revelação de Marli, tudo veio a mente de novo, dessa vez com nitidez, recordei de tudo, cada detalhe, como jamais havia lembrado. Inventamos que não ocorreu nada demais, que foi uma surubinha boba, porque você viu que não podíamos contar a verdade. Parece que meu cérebro estava se preparando pra contar tudo a você, pra lhe deixar a par de tudo isso que estou revelando. Parece que aquela confissão de Marli desencadeou tudo, o universo conspirou e essas filmagens e fotos emergiram e chegaram até você. Pra você ter uma ideia de como isso tudo é misterioso e fantástico. Veja como os números são cabalísticos nisso tudo: Marli revelou a você 20 anos após nossa suruba; 20 anos após eu quebar a conexão naquele dia que simulei estar mal, você descobre tudo. Marli faz a revelação pra você e um ano depois, estamos aqui. São ciclos. Um ano depois da primeira suruba, rolou aquele clima onde eu simulei o mal-estar. Parece que aquela força magnética que nos unia, ou sei lá o que, veio me cobrar, sei lá! Olha, Cam, eu te amo, sempre te amei, desde a faculdade que nossa relação só cresceu, fizemos tudo juntos, nos formamos, abrimos consultório, casamos, tivemos, filhos, construímos patrimônio. Mas parece que algo está me cobrando que eu também me separe da coisa que mais amo, que é a felicidade de estarmos juntos! Como eu quebrei alguma corrente, essa áurea, essa nevoa metafisica, não sei, veio pra me separar, sinto isso...

Camilo parecia mais tranquilo. Ele imaginou algo bem diferente. A história era incrível mesmo, parecia uma fantasia. No entanto, achou a explicação de Laura pertinente, havia plausibilidade no seu relato. Aquela foda na filmagem, a primeira suruba, nada daquilo parecia ser algo natural, tinha algo por trás. O fato de Severino aparecer com isso, e outras coisas misteriosas, pareciam dar conta de que o que Laura havia contado não era tão absurdo assim.

Camilo: Você disse que não recorda mais da suruba, nem você, nem os outros. Mas e o dinheiro conquistado? Não era um sinal de que aquela suruba não seria esquecida?

Laura: Cam, a suruba que gerou o dinheiro, e não o contrário! Não fizemos por dinheiro, era um pretexto, pelo menos pra mim. Algo nos unia além disso. Aquele dinheiro foi capital, gerou outras receitas, Você vai se capitalizando, não necessariamente fica submetido a uma lembrança. O dinheiro que apliquei foi cinco, seis mil reais, logo após fui investindo mais e mais, a origem inicial se perdeu, você sabe que deixei esse fundo pros nossos filhos estudarem fora daqui a uns anos.

Camilo mais uma vez dava razão a Laura. Ele começava a matutar algumas coisas. Aquela galerinha não tinha condições de foder durante toda uma madrugada, até de manhã, como Laura contou, nem ficar três horas numa suruba filmada. Muito estranho. Tinha algo mais e Camilo começava a desconfiar. Quando ele viu aquilo tudo ficou surpreendido. Como mocinhas e caras tão sem sal poderiam colocar atores e atrizes pornô no chinelo? É claro, óbvio, elementar que aquele grupo estava sendo manipulado por algo, mas o que?? O diabo está nos detalhes. Por isso que ele resolveu escutar Laura, agir com lucidez, e não com a mente tomada por transtornos conspiratórios.

Camilo: Laura, me diz uma coisa... você disse que Osório comentou com você que aquela garagem era um clube, é isso?

Laura: Sim, isso. Um “Clubinho da Indecência” onde ele se reunia com Valdão e Celinha e outras pessoas pra curtirem surubas por lá.

Camilo: Me diz o que você sentiu naquela festa surpresa... você disse que decidiu participar ali.

Laura: Camilo, sentia como se não fosse eu totalmente ali. Como falei, aquele lugar tem algum atrativo, o que rolou por lá na primeira suruba, o fato de eu ter aceitado participar foi lá... Aquele lugar talvez tenha um clima, é clube de putaria, não sei bem...

Tava na hora de Camilo revelar algo que aconteceu num passado distante. Quem sabe aquilo não tenha a ver?

Camilo: Laura, tenho algo a te contar.

Setembro de 2002. Os componentes da banda estão num bar.

Osório: Galera, vamos fechar aqui. Tô com umas entradas pra uma casa noturna aí, vai rolar uma noite especial, marquei com umas putas lá da hora!

Camilo: Bem, então vocês vão, divirtam-se, não curto esse tipo de espaço.

Osório: Ah, Cam, qualé?! Vamo lá, cara, tem um monte de bucetinha pra gente.

Camilo: Não tô a fim.

Osório: Você não é homem não, porra? Tem medo de buceta? Até agora você não pegou ninguém lá na faculdade, tá cheio de menininha lá. Vai correr agora? É sua chance de sair da seca,ahahahahahahah

Camilo: Não curto sexo pago.

Osório: Ih.... “não curto sexo pago”, ahahahahahahahahha... deixa de onda, viado, vamo lá!

Começa uma discussão entre eles sobre masculinidade. Até que Osório diz.

Osório: Tá bom, tá bom, não vá! Agora vou te falar... quando eu tiver meu clube de putaria, você vai ser O ÚNICO a não ser chamado. Boiolice do caralho. Vamo galera.

Camilo sentiu que Osório foi bem enfático. Desde que se conheceram, Osório só falava em putaria. Notaram que ele era fissurado em sexo. Ele entrou na banda só “pra pegar mulher”, é o que dizia. Não tinha outro papo, as vezes era até chato.

No dia seguinte, Zé Pedro conversou com Camilo sobre a noite no puteiro.

Zé Pedro: Porra, Camilo, a coisa lá tava até legal, rolou umas meninas, mas Osório encheu o saco. Falou um monte de você. Ele disse que não curte muito seu tipo, todo “almofadinha”, era um cara legal, mas encanado com alguma coisa. Ficamos chateados, pedimos pra ele parar. Tô falando isso porque você é brother, não dá pra ele ficar nessa. Ele acatou nosso pedido, mas disse que não convida mais você pra nada.

Camilo pouco ligou pra isso. Não comentou nada, deixou as coisas seguirem, era o jeitão dele, todo tirado a comedor. Mas apesar do coleguismo e da banda, Camilo e Osório nunca se bicaram. Eram bem diferentes.

Setembro de 2024. Dias atuais.

Laura: Nossa... parece que ele tava rogando alguma praga! Cam, você está insinuando que Osório está por trás disso?? Olha, eu contei isso tudo a você porque prometi ser muito honesta, tava na hora de revelar tudo, e passei todas as sensações daquele período. As lembranças disso tudo estão me surpreendendo, eu nunca tive essa memória toda sobre o fato! Como eu falei, parece uma coisa misteriosa, depois da revelação de Marli, veio tudo assim de vez!

Camilo: Laura... eu sonhei com Osório na noite retrasada. Ele estava rindo de minha cara, perguntei o porquê do riso e ele falou “ela me paga”. Parti pra cima dele, saímos na mão, dei um murro nele, ele caiu, e falou “ela quem vai pagar, mas a conta chegará até você”. E deu uma gargalhada. Nesse dia, as fotos e imagens chegaram até a mim.

Laura: Meu Deus, Cam! Isso... isso é muito esquisito! Ela é quem? Eu?

Camilo: Não sei, mas acho que há algumas coisas. Fiquei doente naquele dia e ele levou vocês ao clube. Rolou tudo aquilo. Ele levou vocês pra lhe apresentar a proposta do vídeo nesse mesmo lugar. Os outros aceitaram, menos você. Depois rolou o aniversário surpresa no mesmo lugar. É ele quem tem o acesso a esse local. Ele me diz naquela discussão que eu era o único que ficaria de fora do clube... Vocês me disseram que ele levou vocês pra casa dele, mas foi pra esse clube. Ele está por trás disso, tenho certeza.

Laura: Meu Deus, Cam... olha, pelas coisas que eu contei, deixei claro que tem algo muito maior por trás de nossas ações. Tive que deixar tudo claro a você pra você ter ideia do que eu pensava na época e o que penso agora. Jamais foi pra zombar de você, que você não havia participado, jamais!! Nunca tive a intenção de participar da filmagem, reitero, mas eu aceitei sem me dar conta que há alguma maldição nesse troço todo, só pode!

Camilo: Essas fotos e imagens chegaram até mim através de uma pessoa que não via há muitos anos, não vou falar agora quem é, não vem ao caso, não é ninguém do nosso convívio. Isso me fez esquecer do sonho e ficar revoltado com você. Achei que vocês haviam montado um conluio pra trepar juntos pelas minhas costas até hoje, fiquei pensando que você me traiu durante as filmagens, não pensava em outra coisa. eu fiquei com muita raiva quando vi tudo isso, fiquei atordoado, pensava coisas completamente diferentes. Minha vontade era pegar todo esse poder integrado que vocês tinham e desintegrar cada um de vocês pra juntos com Osório poderem fuder juntos no inferno pelo resto da eternidade. Me senti um idiota. Parecia que eu era um mendigo numa noite de Natal, vendo vocês onze ao redor de uma mesa farta, comendo e bebendo, gargalhando, até que todos tiram a roupa e fodem em cima da mesa. E eu, excluído, saindo dali sozinho e caminhando pela rua com fome e frio, sem ter pra onde ir. Muito triste eu ficar alheio a tudo isso, ter sido enrolado naquele seu aniversário por aquele que considerei grandes amigos, embora essa união enigmática de vocês possa ter deturpado algumas considerações de convívio. Mas depois de ouvir tudo o que você me falou, tenho uma certeza: ao ficar doente naquela noite, eu tive um livramento. Jamais queria ser envolvido nessa trama toda. Porém, algo me diz que vocês foram influenciados a caírem numa cilada. As coisas que vocês fizeram estão muito além da realidade! Não tenho mais dúvidas. Vocês foram impulsionados a cometer todos esses atos eróticos.

Laura: Cam, estou muito chocada agora. Não podíamos revelar a você nada. Mais uma vez eu falo: aquilo foi incompreensível pra gente, imagina contando pra alguém de fora??? Imagina se contássemos como estou contando agora, lhe pareceria que participamos de um ritual satânico! Olha, Cam, se você me perguntasse se eu queria passar por tudo isso, eu digo que jamais! Não desejo isso pra ninguém. Apesar de lembrar como tudo foi gostoso e proveitoso, maravilhoso, com orgasmos indescritíveis, não trocaria nada pela vida que tive a seu lado. Eu queria mesmo era naquela noite que ficou doente, nós já sermos namorados. Iria ficar a seu lado e não me embrenharia nessa loucura toda.

Mais uma vez Laura tinha razão. Como contar tudo isso que aconteceu? Loucura total. Com certeza, ele se afastaria daquele grupo, seu namoro com Laura provavelmente não aconteceria e todo futuro que passaram juntos. Como ficar ao lado de pessoas que se divertem daquela maneira escrota? Indivíduos com uma vida pacífica, trivial, sem arroubos, se meterem naquilo? E agora, vinha isso tudo a galope, de uma hora pra outra. Aí tinha coisa. E esse sonho com Osório...

Ao se afastar da faculdade, Osório se embrenhou ainda mais na sua vida sexual. Levou tempos morando num hotel. Ficaram sabendo disso quando ele contratou 3 mulheres de uma vez, houve uma confusão, o maior B.O. Ele tentou fugir do local, mas foi detido. Um desvairado sexual frequentador de um clube, que se tornou o ambiente pra rolar uma suruba formidável com seus amigos de faculdade, daquela forma que rolou. Muito esquisito. Camilo e Laura estavam certos que tudo isso tinha a ver com ele. Mas não podiam desvendar. Tinham que encarar. Pra completar o ciclo de datas citado por Laura, fazia 15 anos que ele falecera.

Após toda essa história, Camilo se sentiu ridículo. Ele pensara numa vingança contra Laura e sequer queria ouvi-la. Pensava em trucidá-la. “Ela me traiu com quatro meses de namoro”. Ele tava tão possesso que ele mesmo era alguém que achava que nos seis primeiros meses de namoro podem ocorrer deslizes. Foi de última hora, após visualizar as imagens, que bateu a curiosidade pra ouvir a versão. Laura sempre foi uma mulher leal. E assim, ligou os pontos e perceber o quanto aquilo tudo era muito além da imaginação. É por isso que não devemos fazer pré-julgamentos, tomar atitudes precipitadas achando que, sendo traído, você é o completo dono da razão, condenando a pessoa sem nem mesmo ler os autos do processo. Camilo foi tomado pelo ódio, mas como diz uma música, “mas o ódio cega e você não percebe. Mas o ódio cega...”

Laura: Puxa, Cam, estou me sentindo tão manipulável, puxa! Fomos manobrados por algo que nenhum de nós tinha qualquer controle. Sinto muito, Cam, isso tudo é muito horrível. Lembro que no semestre anterior ao abandono dos outros, fazíamos planos na profissão. Todo mundo planejando o bairro que instalaria consultório, a especialidade seguida, e de repente tudo se evaporou. Nossa, que coisa horrível. Claro que isso não foi natural. Essa doideira toda que nos meteram acabou com tudo, muito triste isso.

Camilo e Laura se abraçaram, ela chorando muito e ele quase convencido de que aquilo parecia realmente uma trama ardilosa. Foi então que Camilo se deu conta de algo que Laura havia comentado, logo após despertarem da primeira suruba.

- Laura… você disse que aquele lugar da primeira orgia pertencia a uma atriz… e que Osório lhe mostrou a foto… de quem se tratava???

- Nossa, é verdade… ela fazia novelas na época, mas tá bem sumida… é, Lilian… não, Leila. Era a Leila Dinamarca. Mas por que saber disso agora??

- Porra, o Osório tava pegando a Leila Dinamarca??!!

A referida atriz ficou famosa por protagonizar novelas das oito nos anos 80 e 90, mas que nas últimas décadas se afastou da TV. Participava de alguns filmes, mas sempre em papéis coadjuvantes.

Camilo procurou as redes sociais dela e a encontrou. Postava vídeos curtos e imagens de personagens que deu vida. Estava ativa nas postagens. Verificou o direct e viu que estava online. Ele não pensou duas vezes. Manou mensagem:

- Olá, Leila, tudo bem? Sou muito seu fã, assistia sua novelas quando garoto. Vou passar a lhe seguir. Porém, estou entrando em contato pra saber se lembra de um aluno de odontologia que frequentava sua casa, Osório Ribavale. Ele chegou a fazer festas em um galpão ao lado da sua casa na Torre Alta e faleceu há 15 anos. Descobri que ele envolveu alguns colegas meus numa filmagem e gostaria de saber mais sobre isso. Você teria algo a dizer? O quanto conhecia ele? Poderia me ajudar nisso?

Leila visualizou. Demorou um pouco e respondeu:

“Quem é você?? que papo furado é esse? Do que está falando???”

Camilo foi seco:

- Olha, Leila, sei que sabe sobre algo… sua resposta foi de quem foi pega no flagra. Bem, tenho fotos do seu antigo galpão e sei de coisas que aconteciam na sua residência que acho que não gostaria de ser exposto. Estou tentando um contato honesto sobre algo delicado que ocorreu num passado e que você pode ter respostas. Seria uma ajuda, nada mais que esclarecimentos. Não é minha intenção utilizar isso com amigos jornalistas que poderia investigar um passado seu. Por favor, só quero isso, não estou aqui pra manchar uma imagem bem sucedida de uma atriz famosa.

Após visualização, parecia que a artista estava se rendendo:

“Calma lá, rapaz. Não precisa vir com ameaças. Você lembrou de um nome que havia evaporado de minhas memórias. Temi que isso pudesse acontecer um dia. Ler o nome daquele traste me fez ter arrepios. Você é daqui mesmo?

- Sim, estamos na mesma cidade. Queria um papo elucidativo.

“Não precisa pedir mais. Venha à minha residência. Quero encerrar de vez isso e saber do que você fala propriamente”

Camilo não acreditou que aquele contato se daria tão facilmente. Vitou pra Laura e disse.

- Laura, entrei em contato com a Leila e parece que ela sabe de algo sim. Estou impressionado, parece que há um esqueleto que ela guarda no armário. Vou até à casa dela. Você fica aqui.

- Nossa, Cam, que loucura! Meu Deus, então há alguma coisa envolvendo Osório mesmo! Puxa, estou abismada… Posso ir também?

-Não, você fica! Não é bom uma parte envolvida estar presente. A situação necessita frieza, e vc tá muito emocionada.

- Cam… prometa que isso vai se decidir e vamos ficar bem…

- Não posso prometer nada! Não vamos colocar o carro na frente dos bois. Primeiro, é bom que tudo fique claro e eu reconheça que vocês fizeram parte de uma trama suja.

Laura baixou a cabeça. Camilo a aconselhou tomar mais calmantes e relaxar até seu retorno, de preferência, tomando uma decisão em definitivo.

Camilo subiu a Torre Alta até o prédio onde Leila morava. Depois de muito anos sem ir ali, não reconheceu o bairro. Recém casado, ele cogitou morar ali, mas os valores eram muito altos na época. Naquele período, era um bairro notadamente residencial, com muitas mansões. Agora, estava com outro perfil. Havia clínicas médicas, restaurantes, muitas academias, galerias, e prédios pequenos. Continuava um local bem arborizado. Estacionou numa praça que ele não lembrava que existia. Tava tudo muito diferente, o lugar estava mais… popular.

Checou ao condomínio de Leila, um prédio comum, com cinco pavimentos. Ao tocar a campanhia, atende uma mulher já idosa, caminhando pros 70 anos, os cabelos outrora alaranjados se emaranhavam com outros bem brancos. Seu rosto estava mais envelhecido que nas telas. Tinha uma leve papada no pescoço e seu rosto parecia mais redondo. Os olhos continuavam azul piscina. O sobrenome era um apelido dado por um famoso diretor, já que ela tinha aparência de uma mulher escandinava. O espaço tinha tamanho médio, bem decorado com quadros e fotos da carreira.

- Acordei bem tarde hoje, só tenho um chazinho verde pra lhe oferecer. Fiz quase um litro, acho que nós vamos precisar de um consumo alto dessa bebida.

Camilo não perdeu tempo. Explicou tudo. Dos tempos de faculdade, do show que faltou e quando tudo aconteceu; do afastamento dos colegas, da morte de Osório, do seu casamento; da confissão de Marli, do testemunho falso da esposa, dos vídeos e fotos lhe mostrados; da versão real da esposa até considerarem que tinha dedo de Osório nisso tudo. Leila ouvia tudo atentamente, e quando falou, também contou tudo, sem tirar nem por.

(Relato de Leila)

Nossa senhora, quanta coisa… Bom, o que vou contar agora vai ser precioso pra um desfecho que dependerá exclusivamente de você. E digo mais: tudo terá conserto, só depende de sua pessoa.

Vou começar com um pouco de contexto… Nesse bairo, há uns 80 anos atrás, tudo era uma imensa floresta, a cidade lá embaixo, como num vale. Só existia aqui uma imensa torre de rádio, daí o nome atual. Até que foi construído por aqui um clube, um ponto de encontro de intelectuais, artistas, jornalistas, muitos perseguidos pela ditadura de Vargas. Seria um local para diversão, depois de anos de Guerra Mundial e governo autoritário. Era frequentado basicamente por homens, mas depois passou a aceitar público feminino, primcipalmente cantoras fracassadas, candidatas a miss derrotadas, vedetes, atrizes cuja carreira não decolavam. Os encontros aconteciam pela mata. Como esses casais se aventuravam correndo risco de serem picados por cobras ou atacados por outros animais selvagens, o clube se ampliou construindo espaços para romances furtivos, digamos assim, o que gerava boa receita. O tempo foi passando, o público crescendo e o clube ampliando cada vez mais o espaço. Já haviam quartos especializados para receber mais casais, que começavam a transar em coletivo. Com o tempo, o clube se especializou em receber pessoas para a prática do sexo grupal. Daí, foi um passo pra ter estatuto, qualificando como um centro de orgias, praticamente. Como alguns oficiais militares passaram a frequentar secretamente, não fecharam o clube, que ficou como um local sigiloso por muito tempo. Só num ambiente desses para torturadores e militantes fuderem unidos no mesmo cômodo...

Eu estava com meus 19 anos, iniciando minha carreira, quando fui convidada pra visitar o clube, levada por uma amiga e o namorado dela, nada mais nada menos que o irmão do prefeito da época. Eu vivia um momento iluminado, com futuro, brilhando em peças, isso no fim dos anos 70, muitas companhias de teatro surgindo, novelas bombando, época de Anistia, exilados retornando, o clima no país era muito bom. Nessa conjuntura toda, passar a participar das orgias foi um pulo. Estava maravilhada. Nesse mesmo período, fiquei muito amiga de uma mulher que participava de uma seita restrita, que frequentava o clube nas segundas-feiras, a partir das 21 horas. Era um grupo que fodia por horas, era algo para poucos, escolhidos a dedo. Fiquei interessada e passei a integrar a seita. Tudo dava certo na minha vida, estava interpretando uma personagem de sucesso numa novela. Aos poucos, fui conhecendo a seita. Essa amiga era responsável por um ritual que evocava forças ocultas e fazia com que o grupo fudesse por várias horas. Era uma energia que nos envolvia e nos estimulava a trepar com mais vontade, dedicação, e com orgasmos alucinantes. Esse grupo durou um tempo, não era sempre que nos encontravamos, talvez umas seis vezes por ano, ou nem isso.

Foi então que o trabalho falou mais alto e fiquei um bom tempo sem ir ao clube. Foi minha sorte. Alguns frequentadores apareceram doentes, abatidos, emagreciam misteriosamente. A AIDS mostrava sua cara. Com isso, o clube se esvaziou e fechou as portas na segunda metade da década de 80. Nos anos 90, com a melhora do cenário, amigos daquela época queriam retomar as orgias, foi então que surgiu um motel, o primeiro especializado em sexo grupal, no mesmo local onde funcionava o clube. Eu era uma das sócias. Administrava mais do que participava dos bacanais. Acontece, que o bairro já estava se estruturando desde o fim dos anos 80, lotes eram vendidos e algumas casas começaram a serem construídas. O movimento do motel então passou a incomodar a vizinhança, que queria paz por aqui. Passou a rolar abaixo-assinado para a prefeitura caçar o alvará de funcionamento. Eu estava no auge do sucesso e para não me expor, deixei a sociedade e parei de frequentar, o que acelerou o fim definitivo do estabelecimento.

Não me fiz de rogada. Queria aproveitar minha boa fase e arrematei o local. Aquiri por um bom preço e construi minha casa. Minha intenção era levantar um local para refundar o clube, de maneira bem discreta, com pouquíssimos chegados. E aí fiz aquela garagem enorme, que não era pra guardar carros, e sim pra suruba rolar solta. Contactei minha amiga “bruxa” e a convidei pra nova empreitada. Nossa amizade cresceu a tal ponto que ela me passou o processo do “trabalho” para o ritual ser efetivado e fodermos alucinadamente como nos velhos tempos. Aprendi tudo, pois ela tinha muita confiança em mim e a ajudei a ter alguns clientes famosos. Tava tudo de vento em popa. Os integrantes eram quase os mesmos do passado. Novos membros só eram aceitos após muita análise. Foi nessa época que apareceu um estudande de odontologia, levado por uma antiga integrante, uma psicológa renomada: Osório.

Ele fez sucesso. Era solicito, de fácil amizade, tinha lábia, bom humor, muito viril e performático. Tanto, que o trouxe para dentro de casa, para ser meu amante particular. Ele nunca deu trabalho, pelo contrário. Confiava nele. Foi ele quem apresentou um casal que era proprietário de um bar próximo à faculdade onde estudava. O mesmo casal que você citou nas filmagens: Valdão e Celinha. Eles trabalhavam de garçons, tinham livre acesso, e também participavam de festinhas - exceto as que rolavam com ritual, que era muito, muito restrito a algumas pessoas. No início, nem Osório participava. Somente depois ele foi um novo integrante. Estava tão feliz e satisfeita com tudo que cometi o maior erro da minha vida: Realizei o ritual na presença dele. Nem me dei conta de que isso era um equívoco.

Foi nessa época que fui convidada para um projeto audacioso. Duas novelas em Portugal. O euro passou a ser a moeda oficial do continente e quase cai pra trás quando estipularam o valor do meu contrato. Era irrecusavel, muito dinheiro. Era muito mais valioso que o real, então após essas duas novelas eu praticamente me aposentaria fácil. Aceitei, comuniquei minha ida, mas gostaria que o clube permanecesse. Sem a minha participação, o grupo se recusou a continuar. Mesmo assim, após minha viagem Osório realizou um baile carnavalesco de sucesso. Mas ele também não quis levar à frente. E assim, mais uma tentativa de levar um clube de orgia adiante terminava.

Foquei tanto nesse projeto lá fora que praticamente não tinha qualquer notícia sobre o que deixei no Brasil, pra você ter uma ideia. Larguei tudo, deixei casa pra trás, uma loucura. Foram sete anos na Europa, fiz até filme na Espanha. Com saudade do país, acabei retornando. Com o que ganhei lá, nem precisava mais trabalhar, tinha outros fundos aqui aplicados, sem filhos, sozinha na vida. Qual não foi minha surpresa ao chegar aqui e encontrar Osório dormindo em minha casa, desminliguido, acabado, um caco. Fiquei horrorizada. Queria saber o que ele fazia lá. Ele nem sabia responder, parecia um depende químico nas últimas, um bagaço de gente. Expulsei ele, na hora, mas nem condições de andar ele tinha. Na casa, tudo uma bagunça, dei falta de vários objetos. Foi então que me dei conta que ele hava mexido em minhas coisas secretas… e tomeu um susto: tudo levava a crer que ele tinha feito um ritual. Só não sabia precisar quando. Apertei ele, ele negava, mas fui bem direta, ele devia explicações, eu não tinha autorizado ele a mexer nas minhas coisas e fazer minha casa de boca de fumo!

Foi então que ele explodiu. Contou que fez o ritual sim, na intenção de utilizar com alguns colegas. Aí vem a parte mais difícil pra você… ele confessou que fez tudo isso pra “comer” uma colega que ele queria muito, mas que ele notava que estava dando mole pra um amigo “babaca, lerdo, e vacilão”. Com isso, ele arquitetou uma maneira de envolvê-la. Daí ele ter aproveitado que você faltou a um compromisso da banda e ele teve a ideia de fazer tudo naquele dia, aproveitar a chance. Esse ritual só funciona com sexo grupal, daí ele ter envolvido os demais. Agora, depois de você ter me contado da filmagem, presumo algumas coisas… Se ele colocou Valdão e Celinha nessa parada é porque ele tinha planos para todos num futuro. Eu sabia que Valdão e Celinha participavam de filmagens amadoras. Osório transava com eles e outras pessoas. Investigamos os dois e tudo batia. Esse casal deve ter recebido mesmo a proposta de uma vídeo de orgia, mas foi ideia de Osório incluir seus amigos e sua então namorada, muito provavelmente, porque ela escolheu você e estavam num namoro firme. Ele queria ferrar vocês dois e todos, por conseguinte. Olha que ser cruel ele era. E eu não via esse monstro nele. Então, tá explicado aquela maratona pornográfica que você viu nas filmagens. E ainda bem que você refletiu. Se você fosse um red pill descerebrado, já tinha havido uma imensa tragédia, sem resolução, e dilacerando a vida de seus filhos, amigos, e a sua.

Fiquei chocada com tudo. Esses trabalhos eram feitos com frequentadores, pessoas que estavam cientes do que rolava. Me dei conta da merda que tava rolando. Perguntei quem eram, ele disse que perdeu contato com eles, que tinha sido há mais de cinco anos, que ele havia desistido da faculdade e se enfurnado nas drogas e na promiscuidade. Daí fiz a pergunta, cuja resposta me fez quase matar ele ali mesmo.

- Osório, você tirou fotos ou filmou alguma coisa? Você sabe que não podia fazer isso…

- Tirei algumas fotos… mas não consegui recuperá-las, não sei onde estão.

Bateu um desespero louco. Deixa eu explicar… esse ritual precisa ser algo que dure apenas o momento da ação sexual. Era tão inebriante que a gente não se lembrava de nada depois que fudia, a gente só sentia a satisfação corporal plena, uma sensação de saciedade como nunca, era essa a motivação do trabalho feito. E era em raras situações, como falei, não era sempre. Acontece que não podia haver registro das orgias nessas ocasiões justamente porque a energia se mantinha ativa na materialidade do ato, ou seja, se ocorresse filmagens ou fotos as forças ocultas não cessavam. Aquilo era grave, existiam imagens de uma orgia ocorrida nos meus aposentos. E ele não falou nada da filmagem, quando você falou, tomei o maior susto. Pelo menos foi destruída na queda do helicóptero, senão…olha, aí estaria o verdadeiro desastre disso tudo. E como ele não sabia que o cinegrafista tinha registrado tudo num CD, ele não comentou, considerando que só havia as fotos. Mas vou dizer uma coisa… o mais impressionante foi sua então namorada forjar passar mal no bar e dissipar a energia que tava rolando. Isso só tem uma explicação: o amor que ela tem por você. A paixão dela por você foi mais forte que uma magia sobrenatural. Foi ela quem impediu a exposição de todos, salvou a vida social de todos ali. Considere isso. Ela é uma heroína. E era apenas uma peça nesse xadrez erótico que Osório criou.

Estava tão pocessa com tudo isso que pedi pra que ele ficasse ali que eu resolveria o problema. Entrei em contato com a “bruxa”. Felizmente, ela manteve os mesmos números após anos. Fui até ela. Contei tudo. Ela ficou muito brava, ela confiou em mim e eu traí a confiança dela. Tive muita sorte, isso porque ela havia deixado essa prática, não a exercia mais, nem tinha intenção de retomá-la. Mas aquilo tinha que ter um fim. Ela quem propôs.

- Olha, Leila… não há outra alternativa. Esse cara foi um irresponsável, não mais que você. Vou dar um jeito nisso, mas você vai me pagar, caro, muito caro.

O “pagar caro” era o valor de um novo trabalho, dessa vez pra dar um fim em Osório. Olha, o que vou contar aqui fica entre nós, até porque não vejo razão de espalhar isso que vou falar, depois de tanto papo… Fizemos um trabalho que seria colocado embaixo da cama onde ele dormiria. No outro dia, ele “sumiria”. Fiz coisas que nem imaginava para que esse trabalho fosse feito, vou poupar você disso… E tive que pagar a ela um valor altíssimo, sorte que eu tinha economias pra isso.

Retornei pra casa e ele estava deitado em uma cama, escornado. Coloquei o trabalho embaixo da sua cama e aguardei. Me sentia mal por isso, mas ele tinha que pagar por algo que poderia assombrar meu futuro, caso as fotos aparecessem. Não consegui pregar o olho a noite toda. No dia seguinte, vejo ele despertar. Ele se levantou e disse que precisava ir embora. Simplesmente saiu desabalado, nem sei onde arranjou forças pra isso. Horas depois, o corpo dele foi encontrado na beira de uma rodovia. Eu tremia toda. Naquela época não existia tantas câmeras filmando, o bairro era tranquilo, ele saiu cedo, não havia ningém na rua. Hoje em dia não daria pra fazer isso, com celulares, câmeras em tudo que é lugar, google earth, com certeza a polícia bateria aqui em casa.

Já nesse meu retorno, não queria mais saber de orgias, voltei com outra cabeça e só queria sossego, trabalhar em projetos de minha escolha e só. Procurei a prefeitura e propus desapropriar meu terreno. Eles demoliram tudo e construiram aquela praça que você disse que estacionou. O movimento agora é de pessoas se exercitando, crianças brincando, e feirinhas de artesanato. Desde então, tenho vivido reclusa, faço algumas viagens, alguns trabalhos só em cinema, não quero mais rotina de novela, nem teatro. Tenho esse AP simples, vivendo com minhas economias e só. Agora, vem a parte boa: se você quiser retormar sua vida normal, destrua as fotos e delete a filmagem. Simples assim. Ninguém se lembrará de nada. Sua amiga lembrou da filmagem após tanto tempo, provavelmente porque ela tava passando por um momento muito difícil, muito estressada, vendo a vida ficar complicada e assim a mente dela fez recordar de um momento glorioso que ela viveu e jogou isso na sua cara. Isso só foi possível em razão da existência desse material. Se você chegar em casa e acabar com tudo, amanhã será um dia como qualquer outro. Aconselho a fazer isso e seguir normalmente sua vida. Garanto: nenhum deles vai lembrar de absolutamente nada!! Agora, se você me permitir, tenho mais o que fazer. Pretendo terminar um livro, comer algo, e praticar ioga com minhas amigas na praça. Faça o que deve ser feito, dê um fim em tudo, me deixe paz, e fique em paz também. Sua esposa merece todos os créditos.

***

Camilo retornou pra casa com uma sensação de dever cumprido. Se sentia orgulhoso por ter ido atrás da verdade, antes de se achar o dono dela, matar Laura a machadadas, lavando a alma em sangue. Não tinha dúvidas: iria dar fim em tudo. Antes, passou em um local. Era necessário.

Chegando em casa, se deparou com os filhos preocupados

- Pai, a gente chegou em casa e encontrou a mãe chorando, deitada. A gente perguntou o que ela tinha, mas ela não soube responder. A gente ia ligar pro senhor, saber onde tava, não sabiamos o que fazer!

- Tenham calma, relaxem. A mãe de vocês teve uma forte enxaqueca, há muito tempo ela não tem isso, eu não avisei a vocês e peço desculpas. Eu também estava com muita dor na coluna e fui fazer exames. Não deu nada, minha dor já passou e agora vou cuidar dela. Só prometam uma coisa: não comentem isso com ela, é uma dor forte, uma sensação ruim, mas que tem tratamento. Garanto a vocês que dificilmente ela terá outra recaída dessas.

Camilo tratou logo de incinerar as fotos e deletar o filme. Agora era aguardar o resultado. Foi até o quarto e Laura dormia. Ficou bebendo whisky e refletindo sobre tudo e como Leila havia dito que tudo não piorou em razão da atitude de Laura no bar, que dissipou tudo e fez com que o grupo se desmanchasse e terminasse por abandonarem o curso. Osório mereceu seu fim.

Não conseguiu dormir direito aquela noite. Acordou logo cedo pra preparar o café dos filhos. Foi então que Laura surgiu na cozinha, com uma cara um tanto confusa.

- Cam, o que aconteceu ontem? Tô me sentindo estranha… lembro que íamos sair pra trabalhar, mas daí em diante tudo ficou borrado, parecia que estava dopada… eu hein…

Foi então que Camilo colocou em ação o que tinha planejado explicar a ela.

- Laura, senta aí… fiz uma besteira ontem. Eu não quis te falar nada, mas acordei com fortes dores na coluna. Quando me aprontei pra tomar café, senti um estalo nas costas e a dor piorou. Pra não lhe deixar preocupada, eu… misturei… esses dois calmantes aqui… mas estava tão mal… que troquei a xicara… e você… tomou os remédios.

Laura ficou boquiaberta. Era um composto que deixava os músculos muito relaxados em caso de dor, mas tomados em situação normal, sem dor alguma, o composto se tranforma num potente tranquilizador. A mesma mistura que Camilo utilizou pra Laura ficar tranquila e contar tudo. Antes de procurar Leila, ele voltou a dar o relaxante a ela.

- Camn, você enlouqueceu!! Isso aqui é uma bomba, homem!! Onde conseguiu isso???

- Tinha guardado aí, há tempos. Um colega me deu, jamais pensaria em usar…

- Quer dizer que você me dopou… onde você tava com a cabeça, caralho!

- Calma, Laura, eu expliquei! Deitei você na cama, com dificuldades, chamei um uber e fui fazer o exame, tá aqui o resultado, não deu nada. Depois vou fazer um check-up mais apurado. Mas é isso, foi um acidente, me perdoe.

- Puta merda! Fiquei um dia inteiro fora do ar! Olha, isso foi grave, tô puta com você!

Laura ficou de cara amarrada alguns dias, mas era necessário ele inventar aquilo. De fato, parecia realmente que ela não lembrava de nada mesmo.

Cerca de um mês depois, ele fez um teste. Estava no carro com ela quando passou a rir sozinho. Ela perguntou o que era.

- Um sonho malucão que eu tive. Sonhei que eu estava na porta de uma garagem. De repente, ela abria e… a galera da faculdade tava fazendo uma suruba lá! Você inclusive. Até Osório tava. Tava todo mundo jovem, como se fosse há 20 anos atrás. Depois, eu viarava pra outro lado e vocês estavam lá, transando todos juntos, com máscaras, à beira de uma piscina. Não é louco?

- Vixe, Cam, que merda de sonho foi esse! Você esses tempos, hein? Me deu aquela bomba sem querer semanas atrás e agora me vem com esse sonho idiota, eu hein!

- Ué, sonho é sonho, se sonha involutariamente. Sei lá porque “resolvi” sonhar isso.

Três meses depois, estavam no dia 1° de janeiro na casa deles, recebendo a visita de Zé Pedro e Núbia.

Núbia: Ah, não acredito! Estamos de férias! Finalmente, após quatro anos!

Zé pedro: Com a pandemia, os eventos sumiram, passamos dificuldades. Esses anos todos foram pra recuperar tudo. E aí foi só trabalho, um em cima do outro. Finalmente tiramos esses quinze dias aí, vamos dar uma relaxada boa.

Núbia: Ah sim!! As novidades! Fizemos um evento sabe onde? No antigo bar de Valdão, lembram? Hoje é uma casa de eventos. Foi a confraternização de fim de ano de uma turma de enfermeiros. Sabe quem tava lá? Samara! Lembram dela?

Laura: Samara, Samara… não. Estudou com a gente?

Núbia: Não, ela namorou com Raimundão! Era colega da Bel, ela fazia outro curso. Ela assistia os shows com a gente.

Camilo: Era uma gordinha peituda?

Zé Pedro: Isso! Só que está mais gorda ainda e mais peituda!Praticamnete uma obesa mórbida.

Laura: Ah, acho que lembro sim… usava óculos né?

Núbia: Isso. Ela que lembrou da gente, disse que não mudamos nada. Já ela, tá bem diferente. Ela me mostrou uma foto antiga, daí eu lembrei. Ela fazia nutrição, mas não terminou o curso. Trabalha como técnica de enfermagem. Entrou em depressão por um tempo e ainda tá se recuperando, segundo ela. Tava com a filha, uma moça já, uns 16, 17 anos.

Zé Pedro: Perguntamos se ela tinha notícias da Bel. Ela me disse que soube que Bel estava com hepatitte C e foi pra Índia buscar tratamento espiritual. A última que soube dela é que vende livros numa feira, lá em Calcutá.

Núbia: Ela disse que encontrou Raimundão, anos atrás. Estava com o namorado numa moto, voltando de viagem, deu problema no pneu e parou numa oficina. Raimundão apareceu, era o dono. Ela o reconheceu, disse que era boa em gravar rostos, mas ele não a reconheceu. Disse que ele tava cheio de cabelos banrcos, envelhecido. A oficina ficava na beira da estrada, toda bagunçada.

Zé Pedro: Conversamos com o dono do local. Falamos que frequentavamos ali na época que estudamos próximo. A espsoa dele disse que Celinha conheceu um holandês e dispensou Valdão. Foi morar em Amsterdã com ele, trabalhava numa floricultura, mas foi flagrada aos beijos com um cliente. Foi expulsa de casa, deportada, e trabalha como diarista. Já Valdão, é camelô e recebe benefícios do governo. É doente renal e faz hemodiálise.

Laura: Nossa, que horrível.

Camilo: E essa prisão de Manoel, hein? Até hoje não caiu a ficha direito. Envolvido em um monte de tramóia.

Zé Pedro: Esse aí tá fudido. Marli entregou ele. Lavagem de dinheiro, envolvimento em quadrilha… quando vi a reportagem quase cai pra trás. Nosso amigo, enrolado em esquema de sonegação fiscal pesada.

Núbia: Falei com Marli. Ela voltou a morar com a mãe, desempregada… disse que vai retornar a fazer odonto, 20 anos depois que largou o curso pra se aventurar com aquele criminoso...

Laura: Morri de pena dela. Precisamos ajudá-la.

O papo fluia, eis que Camilo resolve contar o sonho.

Camilo: Galera, o papo tá meio pesado, então vou descontrair… Tive um sonho muito louco meses atrás.

Laura: Ah, não, Cam, você não vai contar isso aqui.

Camila: Porque não? Foi curioso

Laura: Affffff… nem quero ouvir

Tapou os ouvidos, ficou fazendo “lálálálá” pra não ouvir o relato

Camilo: Estava em frente a uma garagem quando a porta se abre e estão vocês lá fazendo a maior suruba. Todo mundo que foi citado estava na orgia. Até Osório!

Núnia: Eita, Cam, que porra é essa?? Sou religiosa, homem, pra que contar isso??

Zé Pedro:kkkkkkkkkkkkkk…

Camilo: É porque foi louco… pra piorar, eu me viarava e lá estava vocês ao lado de uma piscina, todos mascarados, no bem bom.

Núbia: Credo, que nooooooooooojo! Porra, Cam, pra que contar isso, que indecência!

Laura: Lalalalalala…

Zé Pedro: E porque você não tava na zona???kkkkkkkkkk

Camilo: Sei lá, não fui convidado, ahahahahaha… Mas tenham calma. Foi apenas um sonho.

Núbia: Nossa, que ridículo! Até defunto tinha no meio… olha, melhor mudar de assunto… sabe quem apareceu na missa semana passada? A primeira-dama! Ela estava…

E o papo continuou. Aquele assunto jamais voltaria a ser tocado. Somente Camilo tinha noção de que aquelas pessoas participaram de duas orgias antológicas e jamais se dariam conta disso.

FIM

Dezembro de 2003. Valdão e Celinha retornam pra casa após o dia da filmagem.

Valdão: Ah, que dia maravilhoso! Histórico!

Celinha: Ahhhhhhhh, só quero agora é descansar.

Valdão: Que turminha, hein? Quem diria que aqueles filhinhos de papai fossem tão selvagens?

Celinha: Pois é! Pena que não falamos toda a verdade pra eles.

Valdão: Hummm... se eles soubessem que Osório queria a divulgação desse vídeo...

Celinha: Imagina. Osório anda muito mudado. Ele queria aquelas fotos. Pra que? Eu ia jogar tudo fora. Estamos atrelados aquele grupo, essa é a verdade.

Valdão: Ah, mas demos nosso jeito! Você foi maravilhosa seduzindo o piloto do helicóptero. Tava de olho em todos pra ninguém ver.

Celinha: Sou mais eu! Viu como eu servi o suco a ele sensualmente?

Valdão: Levou um senhor empurrão do segurança! E eu não pude fazer nada

Celinha: Ah, valeu a pena.

Valdão: Aquele sonífero é tiro e queda, hein?

Celinha: Ô se é!

Valdão: Vamos ligar a TV pra assistir o jornal? Olha só... Caiu um helicóptero!

Celinha: Nossa, que pena!

Valdão: Hum, que horrível!

Celinha: Pelo visto, o piloto não conseguiu pousar pra tirar uma soneca....

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 79 estrelas.
Incentive Astrogilldo Kabeça a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Sobre natural que tinha ali, era a safadeza, essa Laura é uma puta dissimulada, não lembrava de nada, mas administrava o dinheiro advindo da putaria desregrada, ainda teve a parcimônia de depois de tudo descoberto, que o marido a confrontou, junto com o casal de amigos traíras, dizer que iria lhe contar tudo, inclusive quero deixar registrado que deveriam colocar uma placa nessa praça, avisando aos incautos frequentadores, que ao frequentarem a praça correm o risco de se envolverem, sem querer, numa suruba. Essa é muito boa, avisa pra Laura ir enganar cururu que é bicho que engole. Agiu corretamente o Camilo, não haveria mais clima pra uma convivência com Laura depois dessa descoberta.

0 0
Foto de perfil de Paulo Taxista MG

Nuu muqito complexo mais como eu imaginava o Camilo pediu divórcio, e foi viver a vida longe da Laura e do que sobrou dos amigos. A situação pro lado da Laura foi tensa, que ela nunca mais se envolveu com ninguém.

Como diz o Camilo o Osório e o culpado de tudo que aconteceu, e que Laura foi mais forte e conseguiu pular fora, com isso quebrou o feitiço.

Esse final do Camilo vivendo feliz bem longe de todos, e casado feliz com uma mulher mais jovem.

0 0
Foto de perfil genérica

Bem articulado, muito complexo!

Votado e estrelado!

0 0
Foto de perfil genérica

Muito bom! Excitante, divertido e CRIATIVO. Obrigado por compartilhar o texto.

0 0
Foto de perfil genérica

Ótima série,mas cheguei a pensar que no final o Cam perdoaria a Laura e passaria a sentar numa cadeira a beira do quarto, vendo z mulher se acabar em outro.Final maravilhoso e inovador.Me responde se é uma historia Real ou Ficção....parabéns

0 0
Foto de perfil de OsorioHorse

E eu esperando a participação da Virna e do Dagoberto :(

Aeeeeee Astrogiiiilllldoooo

0 0
Foto de perfil genérica

Astrogildo, gostei bastante dessa tua série e tenho uma proposta pra vc, se tiver disposto a ouvir né manda um email.

bobeslovadonabobovite@gmail.com

0 0
Foto de perfil de fer.pratti

Final bem condizente com os personagens. Camilo não tinha como continuar com a Laura depois de descobrir tudo aquilo, mesmo depois de 20 anos.

E ter algo sobrenatural ali faz sentido pra justificar esse comportamento maluco de todo mundo, a Laura sendo uma pessoa amorosa e boa esposa simplesmente não fazia sentido ela ter feito o que fez assim do nada, mas infelizmente atos tem consequencias.

Otimo conto e ótimo final

0 0
Foto de perfil genérica

A palavra que praticamente todos os comentaristas usaram foi "surpreendente". E o final foi mesmo, apesar de exigir uma certa dose de desapego da realidade. Mas isso não é um problema, afinal estamos em um site de contos eróticos, não em uma revista científica.

Muito bom o texto, Astrogildo. No aguardo do próximo.

1 0
Foto de perfil genérica

Valeu,Old. Mas o conto todo foi fora da realidade. Via-se que aquele desempenho todo deles não era apenas vontade de se divertir e sacanear o cara.

1 0
Foto de perfil genérica

Excelente conto. O final foi totalmente surpreendente. Cada um colheu o que plantou.

0 0
Foto de perfil genérica

Ótima história, muito interessante e com um final surpreendente.

Parabéns pela história e obrigado!

0 0
Foto de perfil genérica

Final correto para o casal, pois ela mesmo não sendo do mal tinha contas a pagar. no restante eu tenho que tirar o chapéu pra criatividade do autor. sensacional.

0 0
Foto de perfil genérica

Tenho uma sujestão ao Astrogildo, oque acharia de fazer um capítulo epílogo com um final alternativo onde a Laura cede a tentação e dispensa Camilo e volta pro bar, ao invés de fingir passar mau no bar e ver oq isso muda no futuro? Oq acham?

0 0
Foto de perfil de fer.pratti

dai não seria final alternativo, seria outra estória, Camilo nunca iria casar com a Laura, até pq o plano do Osório era fazer o Camilo descobrir pra ferrar com ele, se ela caísse na tentação ali as surubas não iam parar e em algum momento o Osório ia fazer o Camilo descobrir, sem contar que naquele dia do bar o Camilo já estava desconfiado de algo....

0 0
Foto de perfil genérica

Entendeu errado, não seria fazer a suruba na frente dele, ela dispensaria ele de alguma forma e voltaria para o bar novamente. Ele continuaria sem saber.

0 0
Foto de perfil genérica

Anjo,de fato vc teve razão ao afirmar que teve poucas descrições eróticas. Quebrei a cabeça com esse conto e fiquei sen inspirações para as partes mais sexuais. Valeu.

2 0
Foto de perfil genérica

Realmente não achei q daria tanto trabalho, pq cm vc já tinha a base toda do q rolou ao escrever o capítulo das fotos e vídeos, achei q o relato dela vc só pegaria oq já tava descrito e aprofundaria pra mais detalhes em um relato de primeira pessoa.

0 0
Foto de perfil de Whisper

O final não era o que eu esperava, porém foi surpreendente e eu gostei mesmo sendo cética com esse lance de forças ocultas. Como é uns história de ficção eu achei bem interessante.

Fiquei surpresa pelo casal não ter ficado juntos, infelizmente o Osório saiu ganhando nessa e separou os dois. Mas viveram 20 anos juntos, construíram uma família e tiveram boa vida até o fim do casamento e também após o divórcio.

Camilo teve um ótimo final e Laura um final descente. Achei bem legal a parte que ela faz multirão para ajudar os pobres, não deixou de ser uma mulher de bom coração.

Muito bom o final de uma história muito interessante com um final surpreendente.

Parabéns ao autor!

4 0
Foto de perfil genérica

Valeu,Whisper,obrigado. Acho que é a primeira vez que vc visita um conto meu. Tenho outras histórias postadas com essa temática,digamos,sobrenatural ou místico. Obrigado pelo elogio

2 0
Foto de perfil de Whisper

Não é não meu amigo, mas acho que foi o primeiro que fiz comentários, as vezes prefiro só ler é dar as estrelas para evitar certos conflitos, mas provavelmente já li todos os seus contos, mas vou dar uma olhada para ver se não ficou algum para trás.

Por nada! Eu que agradeço por compartilhar essa bela história.

1 0
Foto de perfil genérica

Final bem surpreendente...

É como o Nassau falou... "aqui se faz, aqui se paga"

0 0
Foto de perfil genérica

Bem ao estilo de Todo Pecado Será Castigado, que também pode ser Aqui se Faz, Aqui se Paga.

1 0
Foto de perfil genérica

Muito bom!!!

Uma explicação no mínimo exótico...

E um final convincente!! Parabéns!!

Camilo acreditar nesse negócio de energia foi ok, pq mesmo assim ele fez o que tinha que fazer!!

Laura acabou tendo o que merecia junto com os demais!! Todos de fuderam!! Novamente...kkk

Muito bom!!

3 estrelas!!!

1 1
Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →