mendigo- a noite do sopão

Um conto erótico de tatiana polastro
Categoria: Heterossexual
Contém 2090 palavras
Data: 24/03/2025 18:16:47

Meu nome é Everton, tenho 34 anos, mas ninguém pergunta isso nas ruas. Sou negro, magro, o cabelo sujo caindo nos olhos como uma cortina preta que não corto há meses, embaraçado de terra e poeira. Vivo sob o viaduto da Radial Leste, em São Paulo, num canto onde o concreto é minha cama e o barulho dos carros minha companhia. Não tomo banho há uns cinco dias, talvez mais — a última vez foi num chafariz quebrado na Praça da Sé, mas a água tava suja e o sabão que eu tinha acabou. Meu cheiro é forte, azedo, uma mistura de suor velho, asfalto e o lixo que eu mexo pra achar comida. O moletom rasgado que uso tá encardido nas mangas, a calça jeans puída grudada na pele, os tênis sem cadarço fedendo a umidade e sujeira de semanas. O frio dessa noite de julho corta como faca, o vento gelado soprando pelo viaduto, e eu me encolho contra um pilar rachado, o papelão amassado debaixo de mim, tentando lembrar como é não sentir o corpo tremer.

A fome é minha sombra, um vazio que rói o estômago sem parar. Ontem, catei uns pães duros numa padaria da Mooca, mas hoje não consegui nada — só uns trocados pedindo no farol da Tiradentes, que mal pagaram um café frio num copo plástico. Perdi o emprego numa fábrica de autopeças em Guarulhos há três anos, a crise levou tudo, o aluguel atrasou, e o despejo me jogou aqui. Ninguém vê a gente, os carros passam rápido, as luzes dos prédios brilham lá em cima, as pessoas desviam o olhar como se eu fosse um poste quebrado. Mas hoje tem sopão, a van da ONG “Mãos Solidárias” que aparece toda quinta, estacionada a uns metros do viaduto, uma fila de sombras como eu esperando um prato quente pra enganar o frio e a miséria por um instante.

A van é branca, velha, o logotipo descascando na lateral, o cheiro de feijão e macarrão cozido subindo no ar gelado, misturado com o fedor de gasolina e urina que gruda no viaduto. A fila tá quieta, uns tossindo, outros tremendo, todos com os olhos fundos de quem não dorme direito. Eu pego meu lugar, o vento batendo no rosto, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom pra aquecer os dedos dormentes. É aí que eu vejo ela — Renata, uma das voluntárias, 26 anos, ouvi um cara falar na semana passada. Ela é branca, o cabelo liso preso num rabo de cavalo apertado, o corpo esguio coberto por um casaco azul da ONG e uma calça jeans que marca as pernas finas. Não é de parar o trânsito, mas os olhos castanhos dela têm um brilho que me pega desprevenido enquanto mexe a concha na panela, o vapor subindo no rosto pálido dela.

“Nome?”, ela pergunta quando chego na frente, a voz suave mas firme, o caderno na mão pra anotar quem pegou comida, como se isso mudasse alguma coisa. “Everton”, murmuro, a voz rouca de quem quase não fala, os olhos baixos enquanto ela me entrega um prato de isopor fumegante, sopa marrom com cenoura e macarrão boiando, um copo plástico de café preto na outra mão. “Tá muito frio hoje, né?”, ela diz, quase um comentário pro vento, e eu assinto, o “é” saindo seco enquanto pego o prato, o calor do isopor queimando os dedos gelados. Engulo a sopa rápido, encostado num canto do viaduto, o líquido quente descendo pelo peito, mas o frio não vai embora — tá nos ossos, na pele, na alma que eu não sei se ainda carrego.

Ela me olha de novo enquanto recolhe os pratos, os outros voluntários — um cara magro de óculos e uma mulher mais velha de touca — arrumando as coisas pra ir embora. “Você já comeu aqui antes, né?”, ela pergunta, o tom casual, mas os olhos castanhos me prendendo como se eu fosse mais que um rabisco no caderno. “Toda quinta”, respondo, esfregando as mãos pra aquecer, o vento soprando mais forte, a noite engolindo o viaduto em sombras escuras. “Vem comigo um segundo, quero te mostrar uma coisa”, ela diz, apontando pra trás da van, onde uma pilha de caixas de doação tá empilhada contra o muro, os outros ocupados demais pra notar ela saindo comigo. Eu sigo, os tênis sem cadarço arrastando no chão sujo, o coração batendo um pouco mais rápido, a desconfiança misturada com o frio que não larga.

Atrás das caixas, o muro gelado reflete a luz fraca de um poste torto, o concreto rachado coberto de pixações desbotadas — “Fora Bolsonaro”, “SP 1532”, nomes que o tempo apagou. O barulho dos carros na Radial Leste é um ronco constante, abafando os gritos roucos de alguém brigando na rua de cima, o som de uma sirene que passa e some rápido. Renata para ali, o casaco azul aberto agora, o vento batendo no rosto dela enquanto me encara, os olhos castanhos brilhando com algo que não decifro. “Tá muito frio pra ficar aí no viaduto. Você não quer... conversar um pouco?”, ela diz, a voz baixa, quase hesitante, as mãos mexendo no zíper do casaco como se não soubesse onde colocá-las.

Eu fico quieto, o cérebro tentando entender, o corpo tremendo de frio e outra coisa que não nomeio. “Conversar?”, pergunto, a voz rouca mal saindo, os olhos sujos caindo pro chão enquanto ela dá um passo pra frente, o espaço entre nós encolhendo, o calor do corpo dela quase tocando o meu. “É. Só um pouco. Pra esquentar”, ela murmura, e antes que eu possa responder, ela se abaixa devagar, os joelhos dobrando no concreto sujo, o rosto dela na altura do meu moletom, as mãos subindo pra abrir o zíper da calça jeans puída, o tecido rasgado cedendo fácil enquanto o ar gelado bate na pele exposta. Meu pau salta pra fora, meio duro apesar do frio, o cheiro forte da sujeira de dias sem banho subindo no ar — suor azedo, poeira, o fedor que eu sei que tá ali, que me envergonha, mas ela não recua, os olhos castanhos subindo pra mim por um segundo antes de abrir a boca, os lábios macios envolvendo a cabeça do pau, o calor dela limpando a sujeira com a língua.

Eu gemo baixo, o som engolido pelo ronco dos carros, o choque me batendo enquanto ela chupa, a língua girando devagar, tirando o gosto amargo da rua, o calor da boca dela me puxando pra fora do vazio. Não tomo banho há dias, o pau tá sujo de terra e suor, mas ela parece não ligar, os lábios deslizando mais fundo, a saliva quente lavando a sujeira enquanto engole, o casaco azul escorregando nos ombros, o rabo de cavalo balançando com o movimento. Eu seguro as caixas atrás de mim, os dedos cravando no papelão úmido, o corpo tremendo de frio e tesão, o gemido rouco saindo entre os dentes enquanto ela acelera, a boca apertando a base, o calor da garganta me engolindo inteiro, limpando tudo com a língua antes de engolir, o som molhado misturado com o barulho da van sendo arrumada a poucos metros, o risco de alguém aparecer me apertando o peito.

“Caralho, Renata”, murmuro, a voz falhando, os olhos sujos fechando por um instante enquanto ela chupa com mais força, os lábios macios sugando o pau inteiro, o calor dela me envolvendo apesar do fedor que eu sei que tá ali, o vento gelado cortando o rosto enquanto o tesão sobe, bruto e inesperado, como um fogo que eu não sabia que ainda tinha. Ela para de repente, os lábios saindo com um estalo, o ar frio batendo no pau molhado enquanto ela se levanta, o rosto vermelho do esforço, os olhos castanhos brilhando com algo que não é só pena — tem desejo ali, misturado com culpa, com o que quer que seja que a fez ignorar a sujeira e engolir tudo.

“Vem aqui”, ela sussurra, puxando meu braço pro muro gelado, as costas dela batendo no concreto enquanto abre o casaco, a calça jeans descendo até os tornozelos, a calcinha branca simples marcando a pele pálida das coxas. “Rápido, antes que eles me vejam”, ela diz, a voz baixa, as mãos subindo pro meu moletom, me puxando pra perto, o calor do corpo dela contra o meu, o pau duro roçando na entrada da buceta enquanto eu hesito, o cérebro gritando que isso é loucura, mas o corpo cedendo, o frio me empurrando pra frente, a necessidade de sentir algo além do nada me guiando.

Eu empurro devagar, a cabeça do pau forçando entrada, o gemido dela subindo baixo, abafado pelo ronco dos carros, os olhos castanhos fechando enquanto morde o lábio, o “vai, Everton” saindo num sussurro que me atravessa. O concreto gelado arranha as mãos enquanto me apoio no muro, os quadris batendo nos dela, o pau deslizando fundo na buceta quente, o contraste me fazendo gemer alto, o som perdido no barulho da Radial Leste. Ela agarra meu moletom, os dedos cravando no tecido rasgado, o corpo esguio tremendo contra o meu enquanto eu meto, o ritmo bruto, rápido, o frio sumindo no calor que sobe entre nós, o sexo como um grito contra o abandono, contra os anos que me jogaram aqui, contra o mundo que me apaga.

O som da van ligando me bate como um aviso, o motor tossindo enquanto os voluntários gritam “Renata, vamo embora!”, as vozes do cara de óculos e da mulher de touca ecoando perto demais, mas ela não para, os olhos castanhos abertos agora, me encarando com um fogo que eu não esperava, o “mais rápido” saindo entre os dentes enquanto empina o quadril, o pau inteiro dentro dela, a buceta apertando enquanto ela geme, o som abafado pelo vento e pelos pneus cantando na avenida. Eu acelero, os quadris batendo com força, o concreto gelado arranhando as palmas das mãos, o suor escorrendo pelo rosto apesar do frio, o tesão explodindo num canto que eu não sabia que ainda existia, o gemido rouco dela me puxando pro limite enquanto o corpo treme, o “caralho, Everton” saindo baixo antes de gozar, o líquido quente escorrendo pelas coxas pálidas.

Eu gozo logo depois, o “porra” saindo rouco enquanto explodo dentro dela, o jato quente jorrando na buceta, o pau pulsando enquanto caio contra o muro, o corpo magro tremendo contra o dela, o calor do gozo se misturando com o frio que volta devagar, o vazio me batendo de novo enquanto o som da van fica mais alto, o “Renata, cadê você?” ecoando claro agora. Ela puxa a calça rápido, o rosto vermelho, os olhos castanhos evitando os meus enquanto ajeita o casaco, o “valeu, Everton” saindo baixo, quase um sussurro, antes de correr pra trás das caixas, o rabo de cavalo balançando enquanto some na direção da van, os faróis piscando na noite, os outros voluntários sem desconfiar de nada enquanto eu fico ali, o pau amolecendo na calça, o concreto gelado contra as costas, o silêncio voltando pesado como sempre.

A van vai embora, o ronco do motor sumindo na Radial Leste, as luzes traseiras virando pontos vermelhos que desaparecem na curva. Eu me encosto no muro, o papelão amassado me esperando no canto do viaduto, o frio cortando a pele de novo, o calor da sopa e do sexo virando um eco distante. O prato de isopor tá jogado no chão, vazio, o copo de café frio ao lado, o vento levando o cheiro de feijão pra longe. Ninguém viu, ninguém ouviu, ninguém sabe — o ato ficou escondido atrás das caixas, um segredo sujo entre o concreto e o barulho dos carros, eu sou só mais uma sombra aqui embaixo, e ela volta pro mundo lá de cima, pras ruas limpas, pras camas quentes, pras vidas que não me alcançam.

Mas por um instante, contra aquele muro, eu não fui invisível. Ela chupou meu pau sujo, limpou a sujeira com a boca, engoliu tudo sem hesitar, e eu gozei dentro dela, o calor dos nossos corpos gritando contra o abandono que me engole todo dia. O sexo foi rápido, bruto, real — como as histórias que os jornais não contam, as manchetes que ninguém lê, as noites que a cidade varre pra debaixo do viaduto. Eu pego o papelão, me deito no concreto, o frio me envolvendo de novo, os carros passando sem parar, o ronco deles me ninando enquanto fecho os olhos, o gosto dela na memória, o grito contra a miséria ecoando num canto que ninguém nunca vai ver.

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