Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 04

Um conto erótico de Érico
Categoria: Heterossexual
Contém 7258 palavras
Data: 26/03/2025 16:03:04
Última revisão: 27/03/2025 14:15:18

Olá, leitores. O meu nome é Érico, tenho 28 anos e trabalho como analista em uma grande empresa de tecnologia. Minha esposa, Sarah, tem 27 anos e é engenheira com doutorado. Esta é a história das confusões e puladas de cerca que aconteceram durante uns meses muito loucos e de como nós lidamos com isso.

No capítulo anterior, eu e a Sarah decidimos abrir o nosso relacionamento, com algumas condições. Como por exemplo, um sempre ter que contar para o outro sobre as transas que rolaram e, principalmente, uma lista de vetos sobre pessoas que o outro não pode transar. Que a Sarah vai respeitar os vetos, eu confio nela. Mas será que um sem-vergonha como o Enéias vai deixar ficar tentando minha esposa?

Mas o capítulo de hoje é sobre como eu comi e enrabei uma tremenda gostosa bunduda.

Tudo começou na segunda de noite. Peguei o elevador no estacionamento, cansado do trabalho. No andar seguinte, as portas se abriram e entraram Marieta e Roberto.

A dona Marieta adentrou primeiro, com passos firmes e um olhar inabalável. Ela era uma mulher de 53 anos, mas parecia mais velha. Seu rosto era duro, a pele pálida, quase cadavérica. Vestia-se de forma austera, roupas sem graça e sem vida, como se qualquer vestígio de cor ou alegria fosse pecado. Sua postura rígida denunciava um temperamento inflexível. O seu Roberto, seu marido, seguiu logo atrás, um senhor de 54 anos, mulato e bem gordinho, com uma calvície avançada no topo da cabeça, enquanto as laterais e a nuca eram cobertas por fios brancos. Ele parecia arrastar os pés ao entrar, com o olhar baixo, a expressão de um homem que já desistiu de lutar contra algo maior do que ele.

— Boa noite — falei, num tom educado.

O seu Roberto respondeu quase sem som, um murmúrio rouco, como se até as palavras pesassem demais em sua boca. A Marieta simplesmente me ignorou, como se minha existência fosse uma ofensa a ela.

O elevador seguiu sua trajetória em silêncio. Eu observei os dois pelo reflexo do espelho na parede. A Marieta era um bloco de pedra, imóvel e severa, como se sua presença dominasse cada centímetro daquele espaço apertado. O Roberto, ao seu lado, parecia um fantasma de si mesmo. Havia algo trágico na forma como ele se encolhia, como se a cada minuto a sua essência fosse sugada pela esposa, restando apenas um invólucro vazio.

O elevador chegou ao meu andar. As portas deslizaram abertas, mas ninguém entrou. A Marieta continuou encarando o nada, enquanto o Roberto abaixava ainda mais a cabeça. Eu saí de lá, aliviado por escapar daquela senhora. Olhei para o seu Roberto mais uma vez. Não era apenas tristeza. Era resignação, um homem dobrado pelo tempo e pela vida. E, por um breve instante, senti pena dele.

Horas depois, eu estava largado no sofá, com a Sarah jogada ao meu lado, as pernas dela sobre as minhas, enquanto terminávamos mais um episódio de uma série. Foi quando ela olhou para mim e lançou a pergunta que ficaria na minha cabeça pelo resto da semana.

— Você já pegou alguém desde que abrimos o relacionamento?

Olhei para ela, sentindo um leve incômodo na pergunta. Não que eu tivesse algo a esconder, pelo contrário. O problema era que a minha resposta era muito menos interessante do que eu gostaria.

— Ainda não… — admiti.

Ela riu, ajeitando os cabelos.

— Eu também não — confessou. — Mas, honestamente? Eu posso pegar qualquer homem a qualquer momento. Simples assim.

— Ah, é? Por quê?

Ela sorriu maliciosamente e apontou para os próprios peitões com as duas mãos, como se estivesse exibindo um troféu.

— Eu quero, ele quer, não há drama.

Eu ri alto.

— Isso é injusto! Homem tem que suar, mandar textão engraçado, parecer interessante, ter um cachorro na foto…

— Ou um violão — ela acrescentou.

— Fingir que é sensível — completei.

Ficamos rindo disso por um tempo, até que a Sarah se levantou e pegou o celular.

— Então bora pro Tinder, né? Se estamos zerados, vamos começar de verdade.

Fiz uma careta.

— Sei lá…

— Ah, qual é! Vai ser divertido. No mínimo, vamos rir das descrições ruins.

Ela já estava baixando o app, então eu cedi e fiz o mesmo. Quando terminei de instalar, veio o primeiro desafio.

— O que eu coloco na bio? — perguntei, encarando a tela como se fosse uma equação impossível.

A Sarah olhou por cima do meu ombro e leu em voz alta:

— "Apaixonado por café, séries e conversas profundas". Meu Deus, Érico, isso é chatíssimo!

— Eu gosto de café! — me defendi.

— Todo mundo gosta de café! Isso é tipo dizer que respira oxigênio. Bora melhorar isso. Coloca algo que mostre sua personalidade.

— Eu tenho personalidade?

— Coloca sei lá… "Especialista em queimar pipoca de micro-ondas" ou "Meu humor depende do nível de cafeína no sangue".

— Isso não parece meio… patético?

— A graça é essa! As mulheres gostam de um homem que não se leva a sério.

— Fala sério.

— Você me conquistou.

— O seu ex-namorado anterior tinha te largado pelo melhor amigo dele depois que os dois te comeram ao mesmo tempo e perceberam que preferiam comer um ao outro.

— Além de gostosa, sou casamenteira!

Mudei minha bio para algo próximo do que ela sugeriu e, quando dei por mim, estávamos os dois deitados na cama, um ao lado do outro, deslizando para a direita e para a esquerda enquanto comentávamos cada perfil.

— Essa daqui parece minha prima — comentei, mostrando a tela.

— Ew, dá um super like pra ver o que acontece — sugeriu Sarah, rindo.

— Você é cruel!

Ela deslizou para a direita em um cara que tinha uma foto segurando um peixe enorme.

— Se tem três fotos e em nenhuma delas ele sorri, ele é um sociopata — brincava Sarah. — Se tem só selfie no espelho da academia, ele vai te chamar de "musa" no primeiro encontro.

Eu gargalhei. Estava sendo muito mais divertido do que imaginei. De repente, ela arregalou os olhos e me cutucou.

— Olha esse aqui! Nome: Zeus. Bio: "Rei da mitologia e dos corações solitários. Vem ser minha Afrodite".

— Que tosco!

— Vou dar match só pra saber até onde isso vai.

Passei por um perfil onde a moça escreveu "Trabalho muito, não tenho tempo pra joguinhos" e mostrei para Sarah.

— Ah, coitada, tá na plataforma errada — ela comentou.

— Ela é direta. Acho que ela se dá bem.

Seguimos assim por um tempo, debochando e elogiando um ou outro perfil. Ela já tinha dado match com alguns caras bem atraentes – um modelo, um chef de cozinha, um tatuador com cara de bad boy – e fazia questão de me mostrar.

— Esse aqui é personal trainer e toca violão — disse ela, exibindo a foto de um homem bronzeado com tanquinho definido.

— Pô, Sarah, aí fica difícil competir — reclamei, rindo.

— Relaxa, amor. Eu ainda não marquei nada com nenhum. E você?

— Zerei o jogo do fracasso.

Continuei deslizando, até que uma nova foto chamou minha atenção. Uma ruiva, corpo atlético, pernas bem definidas, um olhar meio desafiador. O nome dela apareceu logo abaixo: Natália, 31 anos. Entrei no perfil para ver mais.

A primeira foto era uma selfie na academia, usando um top justo e um short legging. A segunda, ela estava numa trilha, sorrindo de óculos escuros, com um visual incrível ao fundo. Na terceira, ela segurava um livro de filosofia – um clássico golpe para parecer inteligente. E na quarta, estava de biquíni roxo na praia, exibindo as coxas grossas e uma bunda que desafiava as leis da física.

— Olha essa aqui! — falei, virando o celular para Sarah.

Ela analisou as fotos e franziu o cenho.

— Natália, 31 anos… Esse rosto me soa familiar. Acho que já vi essa mulher em algum lugar.

— Foca na parte importante: ruiva, gostosa e professora! Você sabe que eu tenho uma queda por ruivas.

Sarah revirou os olhos.

— É, eu sei. Acho que toda mulher de cabelo vermelho do mundo já percebeu isso.

— Eu não sou tão previsível assim…

Ela apontou para minha lista de matches – que até então estava praticamente vazia, mas entre as poucas mulheres que dei like, havia pelo menos três ruivas.

— Claro que não — ironizou. — Você só ignora 90% das morenas.

Detalhe importante: a Sarah é morena.

— Mentira! Eu dei like naquela moça loira!

— Com luzes ruivas nas pontas!

Revirei os olhos e, sem pensar muito, dei um super-like na Natália.

— Você vai assustar a mulher! Super-like é coisa de desesperado! — zombou Sarah.

— Ou de homem confiante — rebati.

Seguimos olhando mais perfis, rindo de descrições absurdas. Eu mostrei uma moça que escreveu "Só saio com quem tiver carro" e Sarah retrucou com um cara cuja bio dizia "Amante de churrasco, odeio feminismo, e minha ex era louca".

— Nossa, um verdadeiro príncipe — comentei.

— Esse merece um super-like só pra eu poder xingar no chat — brincou Sarah.

Então, de repente, meu celular vibrou. Olhei a tela e congelei.

— O que foi? — perguntou Sarah, curiosa.

Mostrei o celular para ela devagar.

— A Natália… deu match comigo.

A Sarah arregalou os olhos e depois explodiu em gargalhadas.

— Não! Como assim? Ela deve ter escorregado e dado match sem querer!

— Ei! Eu sou um homem desejável! — protestei.

— Claro, amor, mas olha pra essa mulher! Ela parece um personagem de videogame que só existe no nível mais difícil!

Ela pegou meu celular e leu a bio dela em voz alta:

— "Professora, amante de esportes, café e boas conversas. Entre trilhas e livros, procuro alguém que me faça rir." — Pausou e me olhou. — Você não faz trilha! Você cansa subindo um lance de escada!

— Mas eu sou engraçado. Ela quer alguém que a faça rir!

A Sarah continuava rindo enquanto eu abria o chat com Natália, os dedos tremendo de nervoso. O que eu ia dizer? O que se diz para uma mulher que parece uma deusa escultural e que, por algum milagre, me deu match?

— Me ajuda a mandar mensagem? — pedi.

Sarah pegou o celular e digitou sem hesitar. Quando devolveu, a mensagem já estava enviada:

— "Oi, Natália. Eu não corro maratonas e provavelmente desmaiaria numa trilha, mas sei escolher bons restaurantes. Qual sua comida favorita?".

— Ela vai me bloquear depois dessa. Tem como bloquear no Tinder?

— Sei lá. Eu instalei faz nem três horas.

Suspirei e encarei a tela, esperando a resposta da Natália enquanto a Sarah se divertia ao meu lado.

Foi quando eu realmente comecei a me sentir competitivo nesse lance de relacionamento aberto.

Nesse meio-tempo, aconteceu um causo engraçado longe da minha presença. Foi na terça de noite, no elevador. A Sarah entrou e, para sua infelicidade, apenas o seu Raimundo estava lá dentro. Os dois trocaram um rápido aceno de cabeça, e o silêncio tomou conta do espaço. O tempo parecia se arrastar em câmera lenta.

Depois de alguns segundo, que pareceram horas, de silêncio constrangedor, o seu Raimundo limpou a garganta e disse:

— O senhor Érico sabe sobre... — ele hesitou.

A Sarah arregalou os olhos. Seu instinto foi interromper antes que ele completasse a frase.

— Sim! O Érico sabe que você quase me comeu. Ele sabe que você não me contou porque uma metida só não conta. Ele sabe que aquele biquíni que tem guardado como recordação é meu. E, sim, ele concorda comigo que uma metida só não conta como sexo! — ela despejou de uma vez, gesticulando animadamente.

O silêncio seguinte foi tão devastador que até o elevador pareceu ter parado para digerir aquilo.

— Hã? — ele finalmente conseguiu soltar. — Mas eu...

— Eu contei tudo para ele! Tudo! Até o tamanho e a grossura do seu bilau! — completou Sarah.

Seu Raimundo arregalou os olhos.

— Eu só ia perguntar se ele tava sabendo que o time dele vem jogar na cidade neste domingo!

Sarah abriu a boca, depois fechou. Colocou as mãos na cintura e bufou.

— Olha só, eu me queimando de graça aqui e você quer falar de futebol? Pelo amor de Deus, seu Raimundo!

— Ué, foi você que resolveu falar tudo, não fui eu...

O elevador chegou ao andar da Sarah. Quando as portas se abriram, ela apontou um dedo para seu Raimundo.

— Pois saiba que eu conto tudo para o meu marido! Tudo! E quer saber de uma coisa? Quando você finalmente for me comer de verdade, eu vou contar tudinho para ele depois!

Ela saiu antes que ele pudesse responder. As portas do elevador se fecharam, e seu Raimundo ficou lá dentro, ainda tentando entender o que diabos tinha acabado de acontecer.

Na quarta, tanto a Sarah e quanto eu tínhamos marcado nossos primeiros encontros do Tinder. Ela havia trocado mensagens com Tomas, um advogado bonitão, culto e aparentemente bem-sucedido, que parecia saber exatamente o que dizer para deixá-la curiosa. Já eu, apesar do pessimismo da minha esposa, tinha marcado com a Natália.

Os encontros estavam marcados para a sexta-feira à noite. Cada um de nós sairia para sua própria aventura, e embora ambos estivéssemos empolgados, o clima entre nós não era de ansiedade, e sim de desafio. Nenhum dos dois queria se dar mal enquanto o outro transava gostoso.

— Então, vamos alinhar as regras — disse Sarah. — Primeiro, sem aliança durante o encontro. Deixamos aqui no criado-mudo antes de sair e colocamos de volta assim que voltarmos.

— Certo. O que mais?

— Nada de trazer eles pro nosso apartamento — decretou ela. — Hotéis, motéis, carros, beco escuro… o que for. Mas nada aqui.

— Justo.

— Agora… vamos apimentar isso um pouco? Que tal uma aposta?

— Lá vem...

— Quem não conseguir transar vai ter que transar com uma pessoa à escolha do outro.

— Você quer me castigar por eu ter sugerido abrir o relacionamento, né?

A Sarah deu um sorriso malicioso.

— É mais um incentivo pra não falharmos. Se os dois vencerem ou perderem, nada acontece. Mas se só um falhar…

— E como provamos que conseguimos? — perguntei, desconfiado.

Ela apontou para a sua calcinha e a esticou uma alça dela.

— Trazendo a peça íntima usada do outro. Uma prova material incontestável.

— Isso é ridículo.

— Isso é genial! Não basta transar. Tem que transar tão bem que a pessoa vai te deixar levar sua calcinha ou cueca — ela rebateu, animada. — E então, aceita?

— Tá. Mas e se eu perder, quem seria minha punição?

— Ainda não decidi — Sarah brincou, pensativa. — Talvez a vizinha nova do 1201. Ou, sei lá, o seu Geraldo da portaria.

— NEM VEM! — protestei, enquanto ela gargalhava. — Eu topo a aposta, mas sem o seu Geraldo!

— Então é bom você vencer — ela riu. — Senão, vai ter que ser enrabado pelo nosso porteiro...

Encarei ela com uma expressão de quem estava a dez segundos de fechar o relacionamento de novo.

— Quanto a mim, pode escolher qualquer homem — disse ela, confiante. — Eu sou mulher de palavra.

Suspirei.

— Fechado. Que vença o melhor.

Apertei sua mão, sabendo que eu definitivamente não estava disposto a perder aquela disputa.

Chegou a sexta-feira. O apartamento estava impregnado com a energia da expectativa. A Sarah se movimentava pelo quarto, se arrumando para o encontro.

Ela logo ficou pronta. Vestia um vestido bege curto, de alças finas, que destacava sua silhueta com perfeição. Os cabelos caiam em ondas naturais sobre os ombros, a franja lateral emoldurava seu rosto. A maquiagem discreta, com delineado sutil nos olhos. Nos pés, saltos discretos, mas suficientes para realçar suas pernas. O batom vermelho vibrante era a cereja no topo do bolo.

— Você tá deslumbrante — falei, sincero.

Ela sorriu, ajeitando a alça do vestido.

— Obrigada. Quero causar uma boa impressão no Tomas.

O problema era que ela já estava causando uma excelente impressão em mim. Vestida daquele jeito, eu queria era desmarcar os dois encontros e ir para um encontro com ela.

— Sorte a dele — murmurei.

Sarah riu, inclinando-se para me dar um selinho, mas antes de se afastar, passou a ponta dos dedos pelo meu queixo e perguntou com um sorriso brincalhão:

— Está se apaixonando por mim, Érico?

Segurei a mão dela e a beijei suavemente antes de responder:

— Sempre fui.

Ela sorriu, satisfeita com a resposta, e se aconchegou por um instante contra meu peito. Ficamos assim, num silêncio confortável, antes dela sussurrar:

— No domingo, você marca comigo. À moda antiga.

— Jantar romântico e tudo mais? — perguntei, deslizando as mãos pela sua cintura.

— Isso. Como nos velhos tempos.

Assenti, satisfeito com a ideia. Toquei o rosto dela com carinho e sorri.

— Fechado.

Ela pegou a bolsa, deu uma última olhada no espelho e seguiu para a porta.

— Até mais, amor. Se comporte… ou não.

— Você também. Mas eu sei que não vai.

Ela saiu rindo. Depois que a porta se fechou, fiquei alguns segundos ali, respirando fundo. Eu ainda tinha mais de duas horas para me preparar. Fui ler um livro.

Me arrumei sem pressa, escolhendo uma camisa social azul escura e calça jeans escura. Um perfume discreto. Conferi meu celular, mandei uma mensagem rápida pra Natália avisando que sairia em breve e, às 19h30, peguei minhas chaves e saí do apartamento.

No caminho para o estacionamento, algo chamou minha atenção. Um sussurro apressado, risadinhas abafadas e passos apressados ecoando no térreo. Curioso, diminui o passo e, sem querer parecer invasivo, segui o som. Então vi.

O zelador Zé Maria e a dona Cinthia, esposa do Jonas, entravam apressados no quartinho dos funcionários. Ela ria baixinho, ajeitando a blusa com um brilho travesso nos olhos, enquanto ele lançava olhares nervosos para os lados. A Cinthia deslizou as mãos pelos próprios cabelos, ajeitando-os enquanto mordia o lábio inferior, antes de empurrar levemente o peito de Zé Maria com a ponta dos dedos. Ele sorriu de lado, segurando o pulso dela por um instante, antes de puxá-la com firmeza para dentro do quartinho. A porta se fechou rapidamente, e por um breve momento, o som abafado de um riso contido escapou antes do silêncio tomar conta do corredor.

Aquilo me pegou de surpresa. Não imaginava que a dona Cinthia teria um caso com o Zé Maria. Mas isso não era da minha conta e era melhor não me meter. Esse tipo de coisa acontecia mais do que as pessoas imaginavam.

Segui meu caminho para o carro, deixando aquele segredo para trás.

Encontrei a Natália no Sapporo Sushi, onde havíamos combinado. Assim que entrei, meus olhos foram direto para ela. Seu cabelo ruivo, preso de maneira despretensiosa, realçava seus traços marcantes e a pele levemente corada. O conjunto de camisa e calça jeans grudava em seu corpo, deixando em evidência a curva generosa de seus quadris. As pernas, cruzadas com elegância sob a mesa, chamavam atenção. O cansaço estava evidente no seu rosto, mas não apagava o brilho curioso no olhar quando me viu.

— Você demorou — disse ela, brincando, enquanto empurrava um fio de cabelo para trás da orelha.

— Nem vem, cheguei pontualmente no horário — respondi, rindo. — Mas pelo jeito, você está precisando de um descanso.

Ela suspirou e se recostou na cadeira.

— Final de semestre e mudança de apartamento ao mesmo tempo. Péssima ideia.

— Imagino. O trabalho já drena a gente e mudanças são um inferno. Você se mudou para onde mesmo?

— Aqui pro bairro ao lado. Um lugar bacana, mas ainda estou me acostumando. Meus livros ainda estão em caixas espalhadas pelo apartamento.

— Bom, se precisar de ajuda para organizar, pode chamar. Aceito uns sushis de pagamento.

Ela riu, os olhos brilhando com um misto de cansaço e interesse. Mexeu distraidamente nos hashis sobre a mesa, girando-os entre os dedos antes de olhar para mim com um sorriso malicioso.

— Fechado. Mas só se for o sushi daqui. Só vim uma vez, mas estou oficialmente viciada.

Ela inclinou o corpo levemente para frente, apoiando o queixo na mão e observando minha reação. Peguei meu copo, bebendo um gole devagar antes de responder, sentindo o clima entre nós mudar sutilmente. A conversa fluía e descobríamos mais pontos em comum. Gostávamos dos mesmos tipos de filmes e ela ria de todas as minhas piadas ruins. Aos poucos, o cansaço em sua expressão deu lugar a uma animação genuína. O jeito como ela jogava a cabeça para trás ao rir, a forma como mordia de leve o lábio ao pensar antes de responder, tudo nela exalava uma sensualidade natural.

— Então, além de ser professora e aventureira, o que mais devo saber sobre você?

Ela sorriu de canto, pegando um pedaço de sushi com os hashis.

— Hm… Sou péssima com direções, adoro cozinhar quando tenho tempo e… — deu uma pausa, mastigando devagar antes de completar, olhando diretamente nos meus olhos — sou curiosa. Gosto de conhecer gente nova, experimentar coisas novas.

A provocação na voz dela não passou despercebida.

— Acho que vou gostar muito de te conhecer melhor, então.

O jantar seguiu com conversas leves, risadas e eu percebi que meu jeitão piadista realmente a encantava. Toda vez que eu soltava alguma gracinha, ela jogava a cabeça para trás e ria de um jeito que fazia meus olhos grudarem nela. Sabe aquela risada que parece um elogio? Pois é. Eu estava ganhando pontos.

— E você? O que mais eu devo saber sobre você além do fato de que é um comediante subestimado?

— Bom, além de ser extremamente engraçado e humilde, eu também sou um exímio conhecedor de filmes ruins. Posso te apresentar ao maravilhoso mundo das produções que são tão ruins que dão a volta e ficam boas.

— Agora fiquei interessada. Me dá um exemplo.

— "A Reconquista", do John Travolta. Uma obra-prima do cinema trash moderno.

Ela riu de novo, e eu senti que estava no caminho certo.

Então, no meio dessa vibe incrível, meus olhos bateram na porta do restaurante e quase engasguei no meu sushi. Sarah. A minha Sarah. Entrando. E com quem? Rogério. O Rogério casado com a Jéssica. O que estava acontecendo ali?

Eles não nos viram. O ângulo da mesa estava a meu favor. Mas minha cabeça começou a girar. Cadê o Tomás? Será que o encontro da Sarah sempre tinha sido com o Rogério? Tecnicamente, ele não estava vetado no nosso acordo, mas poxa... Ele era casado com a Jéssica! Eu devia me importar com isso? Queria me importar?

Respirei fundo. Melhor não pensar demais no assunto. Eu estava ali com a Natália, e o clima entre nós estava excelente.

— Tudo bem? — perguntou ela, percebendo a minha expressão um tanto distante.

Voltei a focar nela e sorri.

— Tudo ótimo. Só fiquei pensando em alguns filmes ruins.

Ela riu de novo e terminamos nosso jantar sem mais distrações. Quando pagamos a conta, o clima entre nós já tinha atingido aquele ponto em que ambos sabíamos que a noite não acabaria ali. A Natália me olhou de um jeito que não deixava dúvidas.

— E agora? — ela perguntou, mordendo de leve o lábio inferior.

— Agora eu sugiro um lugar com menos sushi e mais privacidade. Conhece o Motel Lua Azul? Fica aqui perto.

Ela arqueou uma sobrancelha, fingindo considerar a proposta, mas já estava óbvio que aceitava.

— Bom, já que você me fez rir tanto, acho justo.

Saímos do sushi e seguimos para o motel.

Chegamos ao motel. O quarto tinha aquela iluminação meio avermelhada que tentava ser sensual, mas só conseguia parecer saída de um filme de detetive dos anos 80. A TV estava ligada, passando algum programa qualquer que ninguém realmente assistia.

Não quis perder tempo, vai que ela mudasse de ideia. A segurei pela sua cintura e tasquei um beijão na boca. A Natália correspondeu me abraçando enquanto nossas línguas se entrelaçavam. Era um beijo com desejo.

Admito que, naquele momento, tive um acesso de peso na consciência. Parecia errado com a Sarah. Aí, lembrei que ela provavelmente estava dando justo para o Rogério, um dos meus amigos mais certinhos e o peso na consciência sumiu na mesma hora.

Até porque a Natália não parava. Ela queria sexo, nem que fosse um sexo de desopilação pelo mês estressante. Ela foi descendo a mão até chegar no meu pau, que já estava duro para caramba, por cima da calça.

Tirei a sua camisa e o sutiã. Seus peitinhos eram médios, durinhos, com os bicos rosas apontando para frente. Não perdi tempo em começar a chupá-los. A Natália gemia com minha língua nos mamilos e minhas mordiscadinhas. Logo sua mão alcançou minha calça, abriu o zíper e enfiou a mão dentro, segurando meu cacete.

— É... Tem potencial... — comentou, se afastando e apontando para o banheiro.

Tiramos a roupa e fomos para o box tomar um belo banho juntos.

A Natália tira sua roupa e me convida para um banho bem quente. Confesso que estava um pouco tímido. A Natália tinha um corpo violão, com coxas e um quadril grande e uma cintura de que se exercitava. Sua bucetinha tinha pelinhos ralinhos vermelhos e a sua bundona era empinada, durinha e branca. Durante o banho, voltamos a nos beijar.

A Natália segurava o meu pau e, aos poucos foi se abaixando na minha frente, beijando meu peito, minha barriga, até chegar ao pau. Começou fazendo pequenos carinhos e beijinhos na cabeça, antes de colocar tudo na boca e ir chupando aos poucos.

A Natália enfiava até a garganta e olhava para mim. Era uma cena linda demais ver aquela ruivinha engolindo o meu cacete e me olhando nos olhos. Mas me controlei para não queimar largada. Não queria gozar até meter dentro daquela bucetinha linda.

Após o banho, voltamos para o quarto. Na cama, a pegação recomeçou e a Natália mais uma vez caiu de boca na minha rola, mas, decidido a não gozar logo, eu tinha outros planos primeiro.

Desci beijando todo o seu corpo, me posicionando entre suas pernas e encarando aquele pequeno triângulo de pelos avermelhados acima dos lábios vaginais. Sua bucetinha tinha uma entrada bem justinha, com pequenos lábios róseos e um perfume tão inebriante quanto a visão.

Me deliciei com a bucetinha dela, socando minha língua bem no fundo. A Natália delirava de prazer com a minha língua. Ela tremia apertando minha cabeça contra o seu quadril, se contorcia, gemia, apertava o próprio seio com a mão e mordia a fronha do travesseiro. Explorei cada espaço da sua bucetinha, metendo a língua lá dentro e chupando todas sua extensão fazendo aquele barulho aquoso. Lambi, suguei e ainda meti um dedo no cuzinho. E segui assim, com ela intensificando os gemidos até gozar.

Enquanto ela ainda se recuperava, a ouvi arfando e gemendo.

— O que achou?

— Meu último ex-namorado poderia ser mais como você...

— Eu adoro chupar bucetas — respondi. — Se quiser, posso passar a noite fazendo isso.

— Definitivamente, os meus ex-namorados deveriam ser mais assim...

Eu já pronto para o momento mais desejado da noite. Eu me deitei por cima dela e direcionei meu pau na entrada da bucetinha. Encostei a cabeça na entradinha e fiquei pincelando aos poucos. Ela gemia e mandava eu andar logo com isso. Assim, pela primeira vez em anos, enfiei o meu pau inteirinho na buceta quente e apertada de outra mulher que não a minha esposa Sarah.

Uma vez que ele entrou tudo, comecei a socar com vontade. Fomos mudando de posição. Papai-mamãe, de ladinho, de quatro. Aquela buceta e o meu caralho pareciam feitos um para o outro. Quando a Natália resolveu cavalgar, notei quando começou a acelerar e, mais uma vez, gozou com vontade naquela noite.

Extasiada, ela se deitou no meu peito e descansamos um pouco. Mas os dois sabiam que ainda faltava a minha vez de gozar.

Eu a virei de costas para mim. Ela entendeu o que eu estava, mas provavelmente ficou esperando para ver até onde eu teria coragem de ir. Ela ficou empinadinha, com o bumbum levantado. Voltei a encaixar o meu pau na sua buceta e recomecei o vai e vem. Ela logo entrou no clima mais uma vez.

A cama balançava no ritmo dos nossos corpos. Enquanto socava meu caralho com vontade, olhava aquele cuzinho lindo. Comecei a chupar e tentar enfiar uns dedos nele, enquanto a comia.

— No cu, não! — disse ela, bem taxativa.

— Por favor, Natália! — Pedi, enquanto continuava a introduzir um dedo dentro do cuzinho dela, fazendo alguns vai e vem para acostumá-lo ao meu cacete.

— Não. Vai doer.

— Não vai. Eu sei comer cuzinho bem direitinho.

— Sei. É o que todos dizem.

— É sério!

— A sua próxima frase deve ser “prometo que se começar a doer, eu tiro”.

— Por favor, me dá uma chance!

Ela se virou para mim, me encarando pensativa.

— Deixa eu ver o teu pau de novo primeiro.

Fiz isso e ela se virou para mim, olhando meu pau como se o medisse.

— Não é muito grande mesmo... — Se aquilo era uma tática para me brochar, era genial. — É bem menor que o do meu ex. Você jura que sabe comer cuzinho direto?

— Confia em mim.

— Ok. Vou confiar. Por enquanto.

Eu peguei o lubrificante na gaveta do criado-mudo e passei ele por todo o cuzinho dela, com todo o cuidado. Tanto passei um pouco por cima da camisinha.

Pincelei a cabeça até ela encaixar e fui forçando a entrada. A Natália ficava quietinha sem se mexer, apenas relaxando para ajudar. Aos poucos, indo mais no ritmo dela, fui avançando.

Depois que a cabeça do pau entrou, fiquei parado esperando ela acostumar com o invasor. Ao sinal da Natália, recomecei a enfiar, com o seu cuzinho já aceitando mais o meu caralho. Aos poucos, fui soltando meu peso sobre ela e sua bundona engolindo meu pau até que terminasse de colocar o restante.

— Que delícia de cuzinho! — suspirei, quando comecei o vai e vem do meu pau naquele cuzinho apertadinho.

— Então, vai! Come a minha bunda!

Meu pau entrava e saia de seu rabo. A Natália gemia de prazer e ordenava que não parasse, abafando os gemidos no travesseiro. Era lindo ver aquela raba branquinha engolindo o meu cacete. Eu só metendo e socando.

Com as duas mãos, eu segurava a sua cintura e a Natália gemia com meu pau socado no cuzinho, os dois ouvindo o barulho do choque dos nossos quadris. Meu pau já dava sinal que iria gozar e decidi acelerei o movimento. A Natália urrava de tesão, parecia já estar à vontade no anal comigo e gemia de prazer. Eu não ia aguentar por muito tempo e falei que iria gozar se ela continuasse rebolando tão gostoso.

— Vou gozar Natália, gozar nesse cu gostoso!

— Goza! Enfia esse pau bem fundo e goza!

Com o pau atolado no cuzinho dela soltei minha gala, enchendo a camisinha. Ficamos abraçados, com o meu pau inteiro na sua bundona, imóveis por um bom tempo. A medida que a minha ia amolecendo, eu fui tirando lentamente, até sair tudo.

Quando tirei, a Natália permaneceu de costas para o teto, pensativa e se recompondo. Ela levou a mão ao próprio cuzinho, como se quisesse ter certeza de que não estava arrombado ou sangrando.

— Você me enrabou, seu sem-vergonha!

— Mas o que você achou? Agora, acredita em mim sobre eu saber fazer anal?

— Você não foi tão ruim quanto eu temia. Na verdade, foi o melhor até hoje que comeu a minha bunda — iniciou Natália, suspirando.

Agradeci o elogio.

— Digamos que o seu cacete não ser grande ajudou bastante.

Estranhei o elogio.

— Ele é meio que perfeitinho para isso. Nem muito pequeno e nem gigantesco. Cabe tudo sem arrombar a mulher.

Absorvi o elogio.

— Além disso, você soube me deixar relaxada e tranquila. Meus dois ex’s que comeram o meu cu e os outros que tentaram nunca fizeram isso. Eu sempre ficava muito nervosa, achando que ia ser completamente arrombada e cagar sangue por dias.

Entendi o elogio.

— Mas acho que preciso te compensar mais um pouco...

— Se for o que estou pensando, aceito.

Mais uma vez, me posicionei na frente da bucetinha da Natália e comecei a chupar. A ruiva urrava e se contorcia. De certa forma, esse era o melhor elogio que eu recebi na noite, ela pressionando a minha cabeça de encontro a sua buceta como se não houvesse amanhã.

Não parei de chupar a bucetinha da Natália, mas não já estava com o mesmo fôlego da primeira vez, então não chupei com tanto ímpeto. Mas, ainda assim, ela estava gostando, gemendo e, aos sussurros, anunciando mais um orgasmo.

A Natália se contorceu toda enquanto gozava. Senti seu corpo tremer e se contorcer, enquanto ela curtia a a sensação do orgasmo.

Depois disso, nós levantamos e fomos tomar um novo banho. No chuveiro, a pegação recomeçou e ela começou a acariciar o meu pau.

— Minha vez!

Assim, com um sorriso no rosto, ela se ajoelhou na minha frente e caiu de boca na minha rola ainda mole. Aos poucos, com suas carícias, ele foi ficando duro de novo e ela iniciou um boquete delicioso.

Ela chupou maravilhosamente mais uma vez, mas eu também não durei muito. Enquanto jorrava porra diretamente em sua boca, ela aumentava o ritmo do boquete enquanto eu me sentia esvaziando. Não tinha tanta porra assim, mas engoliu tudo e sorriu para mim.

— Seu leite até que é gostosinho...

Terminamos o banho e cada um se vestiu com uma toalha. Eu sabia que, a qualquer momento, iria acontecer a parte mais complicada da noite. A Natália se sentou na cama, sem muita pressa de se vestir e o pensamento no horizonte.

— Aposto que você deve estar pensando “Essa Natália, quem diria, uma vadia que chupa e dá o cu no primeiro encontro!”...

— Nada a ver — respondi, sincero. — Qual o problema em fazer sexo casual? O Tinder é justamente para isso.

— Normalmente, eu não curto ser tão direta, mas tem sido uma época estressante. Acho que devo desculpas por ter te usado para extravasar.

— Pode me usar à vontade — ofereci. — Sempre que você quiser ou achar que precisa.

A ruivinha não conseguiu segurar o riso e eu fiquei na dúvida sobre a razão da risadas.

— Sabe — mudei de assunto, tentando parecer casual —, tem um pequeno favor que eu queria te pedir.

Ela virou a cabeça para mim.

— Ih, lá vem. O que foi?

— Me dá a sua calcinha?

Ela estranhou, como se não tivesse certeza de ter ouvido direito.

— O quê?

— Sua calcinha. Pode me dar ela. Por favor?

Ela riu, levantando mais a toalha sobre o peito e me olhando com aquele misto de diversão e suspeita.

— Espera. Você tem algum fetiche estranho que esqueceu de mencionar? Ou você coleciona calcinhas como troféus?

— Pior que não. É uma história um pouco mais complicada que não posso contar e...

— Ah, agora eu quero saber! — Ela se apoiou no cotovelo, claramente curiosa. — Apenas, se você me contar a verdade, eu te dou a calcinha.

— Ok, ok... Eu sou casado e tenho uma esposa. Calma, não surta, porque é um relacionamento aberto. Nós dois entramos no Tinder e fizemos uma aposta se os dois iriam conseguir ir para cama hoje com alguém. A prova de que teríamos conseguido fazer sexo era trazer a calcinha ou a cueca usada da outra pessoa. E eu realmente preciso ganhar essa aposta, ou pelo menos empatá-la. Porque se eu perder, ela vai me obrigar a ser enrabado pelo porteiro do nosso prédio. E a minha esposa é tipo a mulher mais linda e gostosa do mundo e nunca vai passar esta noite zerada.

Natália ficou me encarando por dois segundos antes de explodir numa gargalhada tão forte que chegou a rolar na cama.

— Meu Deus! Você tá de sacanagem! — ela disse entre risos, segurando a barriga.

— Juro por tudo que é mais sagrado! Eu nem sei como cheguei nesse ponto da minha vida, mas cá estou eu, implorando por uma calcinha pra evitar um destino trágico.

Ela continuou rindo, enxugando uma lágrima no canto do olho.

— Essa foi a desculpa mais criativa que já ouvi na vida. Eu deveria te dar só pela criatividade! — Ela se sentou na cama e me olhou com um sorriso travesso.

— Eu juro que é verdade. Você não quer carregar esse peso na consciência, quer?

Ela suspirou teatralmente, fingindo pensar.

— Tá bom, vai. Toma.

Ela deslizou as mãos sobre os lençóis, procurando as suas roupas e pegando a calcinha. Depois, entregou a calcinha nas minhas mãos. Era preta, rendada, pequena.

— Natália, aquela que dá o cu e a calcinha no primeiro encontro — brincou a ruiva.

— Isso aqui vale ouro — declarei.

A Natália riu e se recostou contra os travesseiros.

— Ainda bem que eu não vim de calça apertada. Se não, iam perceber que eu tô sem calcinha.

— E, honestamente, isso seria um crime. Porque a graça do mistério é saber que só eu tenho essa informação exclusiva.

Ela mordeu o lábio, ainda sorrindo.

— Você realmente é um caso à parte, Érico.

Dei de ombros, satisfeito.

— Eu me esforço.

A gente continuou conversando, rindo e curtindo o momento. Depois de um tempo, Natália olhou para o teto, pensativa, e soltou um suspiro.

— Quer saber? Eu não estava esperando nada dessa noite. Mas consegui algo. Foi algo bom? Nem tanto, mas superou as expectativas. Então, parabéns, acho. — Ela sorriu debochada.

— Nossa, obrigado pelo elogio quase-ofensivo. Eu vou guardar isso com carinho.

Ela deu de ombros.

— Prefere que eu minta? Que diga que foi a melhor noite da minha vida?

— Eu preferia ouvir que estava ansiosa pela próxima ou algo assim — retruquei.

Natália revirou os olhos, mas o sorriso ainda estava lá.

— Você tem sorte de ser divertido. Talvez eu considere essa possibilidade.

Algum tempo depois, eu e a Natália saímos do motel no meu carro. Paramos em uma farmácia 24 horas. Achei que ela queria ficar num lugar seguro onde não precisasse me dizer onde morava. Tudo bem, se ela não queria dizer, respeitava isso. Afinal, tínhamos nos conhecido há poucas horas.

— Eu vou chamar um Uber daqui — disse ela, tirando o cinto.

Queria perguntar se íamos nos falar de novo, mas sabia que a resposta seria vaga. Então, em vez de perguntar diretamente, tentei uma abordagem mais casual.

— A gente se esbarra por aí? — arrisquei.

— O mundo é pequeno — ela respondeu, com um sorriso. Depois saiu do carro e entrou na farmácia, sem olhar para trás.

É. Tive a certeza de que foi um encontro de uma noite só. Mas pelo menos, consegui a calcinha dela. Girei o volante e fui para casa. Quando cheguei ao prédio, eram 23h30. Segui direto para o elevador, mexendo no celular.

A porta estava se fechando quando ouvi uma voz feminina familiar:

— Segura a porta!

Levantei a cabeça, mas era tarde. O elevador já estava fechando. Só que, no instante final, consegui ver quem era. E ela me viu também.

Natália.

Seus olhos arregalados refletiam exatamente a surpresa mútua. O tempo pareceu congelar por um segundo enquanto a porta se fechava entre nós.

Morávamos no mesmo prédio.

Cheguei em casa e encontrei a Sarah jogada no sofá, de pijama, abraçada a uma almofada como se fosse um bote salva-vidas. O olhar dela era de pura derrota.

— Nem precisa perguntar — resmungou. — Foi um desastre completo.

Joguei as chaves na mesa e me joguei ao lado dela.

— Sério?

Ela bufou.

— Ele nem veio. Deve ter marcado com outra mais gostosa.

— Quem seria mais gostosa que você? Impossível!

— Aposto que fui trocada por uma ruiva — resmungou. — O plano B também não deu certo. Eu estava tão desesperada em vencer que ainda mandei mensagem para o plano C, mas ele disse que estava ocupado.

— Você tinha três planos?

— Sei improvisar — resumiu. — E você? Como foi?

Me fiz de misterioso.

— Consegui.

— Mentira.

Tirei do bolso a calcinha preta de renda que a Natália tinha me dado. A Sarah arregalou os olhos e arrancou a peça da minha mão, analisando-a como uma cientista diante de uma nova descoberta.

— Essa aqui não é minha, né? — perguntou, franzindo a testa. — Você não pegou ela do cesto de roupa suja só para me enganar não, né?

— Ei! Que tipo de canalha você acha que eu sou?

Ela me lançou um olhar carregado de julgamento, depois voltou a analisar a peça.

— Outra mulher além de mim teve mal-gosto suficiente para dar para você? Uau. Não sei se estou mais surpresa por você ter conseguido ou por essa pobre alma ter padrões tão baixos.

— Por que toda mulher me elogia de um jeito que parece ofensa?

Ela riu e se aconchegou ao meu lado.

— Mas você conseguiu isso sendo tão engraçado que, agora, eu me apaixonei e quero dar para você para sempre.

— Vai rolar hoje?

— Nem a pau, seu tarado. E se não tomar um banho para tirar esse cheiro de ruiva, vai dormir no sofá... Mas amanhã, a gente compensa.

— A aposta! — lembrei, apontando para ela. — Não se esqueça da aposta.

Ela suspirou.

— Eu sou mulher de palavra. Aposta é aposta. Eu perdi. Então, diga logo. Quem você escolhe?

Cruzei os braços, inclinei a cabeça e fingi estar refletindo profundamente.

— Bom, apesar de todas as suas alfinetadas, eu sou um homem magnânimo. Posso muito bem declarar a aposta nula e fingir que nada aconteceu...

Ela cruzou os braços e sorriu.

— Você só não quer me ver dando para outro cara.

— Não seja absurda! — desconversei, balançando a cabeça. — Eu sou um homem justo e honrado. Mas, como você fez questão de ressaltar, aposta é aposta...

— Então, escolhe logo.

Eu esfreguei as mãos e olhei para o teto, fingindo um dilema moral. Na verdade, minha mente trabalhava freneticamente em busca da pior opção possível. Não qualquer um. Precisava ser um homem que fizesse a Sarah se arrepender amargamente dessa aposta.

Então, com um sorriso sacana, soltei:

— O seu Roberto do 902.

A Sarah engasgou com a própria saliva.

— O quê?! — arregalou os olhos.

— Você ouviu.

— Você tá falando daquele cinquentão barrigudo, depressivo, cuja cara parece que tá em constante sofrimento?

— Esse mesmo. Grande Roberto. Excelente opção, se me perguntar.

Ela me encarou como se eu tivesse acabado de sugerir um sacrifício humano.

— Eu vou vomitar.

— Ei, promessa é promessa.

Ela fechou os olhos e respirou fundo.

— Tá bom. Mas eu vou fazer isso direito.

— O que isso significa?

Ela abriu um sorriso diabólico.

— Significa que eu vou bolar um plano infalível de sedução e você vai assistir.

Levantei as mãos.

— Isso parece ser mais uma vitória para mim.

— Eu espero que você sofra. — Ela se levantou do sofá. — Agora me deixa pensar. Eu preciso entender como seduzir um homem que parece ter desistido da vida.

— Não era você quem dizia que teus peitos resolviam tudo?

Ela revirou os olhos e foi até a cozinha, murmurando algo sobre não poder acreditar que tinha se metido nessa situação.

E eu? Bom, eu apenas me encostei no sofá e aproveitei a rara e deliciosa sensação de vitória.

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, vamos ter mais confusões com a Sarah resolvendo se vingar de mim com outro homem antes de dar para o seu Roberto (coloquem nos comentários quem vocês torcem que seja esse homem) e com a nossa nova vizinha, Natália, descobrindo que eu sou casado (Bem, tecnicamente eu disse para ela que era casado, mas ela acreditar são outros quinhentos). O que o futuro nos aguarda?

Respondam nos comentários o que acharam, até o momento, da química dos casais Sarah & Raimundo e Érico & Natália.

AVISO AOS LEITORES: Este conto/capítulo faz parte do crossover da sexta-feira muito louca. Todos os contos abaixo se passam ou terminam na mesma sexta-feira e, embora possam ser lidos de forma independente, há encontros e desencontros entre os personagens e interações inesperadas.

Fazem parte deste crossover os seguintes contos:

* Quem vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 03

* Passando a Vara nas Vizinhas. Ou não. - Capítulo 06

* Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 04

* Minhas coleções de calcinhas, amantes e putinhas

* Eu, minha esposa e nossos vizinhos - Parte 09 (ainda não publicado)

* Apostei que Faria Aquela Médica Certinha Virar Minha Putinha - Parte 02 (ainda não publicado)

Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Daqui a duas ou três semanas, teremos a continuação.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 12 estrelas.
Incentive Alberto Roberto a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Confesso que é estranho um casal competindo dessa maneira..... pré anuncio de falência do relacionamento. Legal é curtirem juntos e não competirem entre si. Ele já começou com mentira, combinaram de não esconder um do outro com quem tratariam e ele já ocultou que transou com a ruiva vizinha do condomínio. Cara sem palavra.

2 0
Foto de perfil genérica

Mas até o momento ele também não sabia que ela morava no mesmo prédio.

0 0