O que ficou 3

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 4177 palavras
Data: 28/03/2025 18:45:04

Rubens

Quando me deparei com Antônio fiquei meio desconcertado, não esperava que ele fosse ser um cara tão bonito, mas alto que eu, até lembra um pouco o Mariano, só que meu ex noivo é mais forte, Antônio não deve frequentar academia, mas também nem precisa, seu corpo parece ótimo. Acho que ele não curtiu meu comentário sobre seu carro, mas foi totalmente espontâneo, não contava que minha carona seria num Fusca — mas até que foi divertido andar de Fusca, vai.

Antônio me mostrou a casa, embora a parte de fora tenha mudado bastante por dentro tudo parece igual, até os porta retratos na parede da sala com fotos nossas de infância e até dos meus bisavós por parte de vó. Só de entrar no quarto sinto o cheiro bom de roupa limpa que só vó consegue deixar nas roupas, deitar nessa colcha sem tomar um banho antes é até pecado, Dona Teresa é tão atenciosa que deixou um lençol e uma toalha dobrada pra mim em cima da cama.

Estou tanto cansado passar seis horas dentro de um ônibus é muito chato e desconfortável, uma pena não ter voos pra cá, bem a primeira coisa que faço é tomar um banho, minha vó tem o milagre da engenharia brasileira em seu banheiro — o chuveiro elétrico — só brasileiro para misturar eletricidade e água, porém puta merda não tem nada mais gostoso do que um banho quente, vale a pena o risco de morte a cada banho.

Dona Teresa é tão metódica que deixou até os espaços livres no guarda roupas para mim, acho que puxei esse meu jeito dela, mas ainda tenho um pouco da preguiça do meu pai em mim então vou deixar pra desfazer as malas depois — afinal vou ter bastante tempo — agora de banho tomado minha prioridade é comer alguma coisa, vou para cozinho direto na geladeira, não foi difícil encontrar o bolo de leite que minha vó fez pra mim, que saudades que eu tava desse bolo, a última vez que comi foi quando Ben levou pra casa depois de uma de suas visitas.

— Deus como é bom, a senhora não perde a mão nunca — digo em voz alta provando essa delícia.

— Quer que eu passe um café pra você — Antônio está parado na porta da cozinha escorado na parede me vendo saborear meu bolo.

— Eu faço pode deixar, só preciso saber onde as coisas estão — vou até o armário abrindo suas portas em busca das coisas pra fazer o café.

— Deixa eu te mostrar — Antônio vem na minha direção, ele chega incrivelmente perto, perto o suficiente para que eu sinta seu cheiro amadeirado com tons de gasolina.

Ele se estica me deixando entre seu corpo e o armário, me sinto estranho com um homem tão grande de bonito tão perto assim, mas aí ele pega o que tem que pegar e se afasta sem nem se dar conta do gay panic que me fez passar agora.

— Aproveita seu bolo eu faço, vou querer tomar também e você vai ter outras oportunidades de fazer — ele diz, mas ainda estou meio atordoado.

— Fazer o que?

— O café — sinto minhas bochechas corarem, nossa que vergonha — ah claro tudo bem.

Volto pra mesa e coloco um pedaço grande de bolo na boca pra parar de falar antes que eu fale mais alguma bobagem, nem sei se ele curte caras e mesmo que curta ele é meio que meu primo isso não tem como dar certo de forma alguma. Antônio é bonito, mas não sou assim de ficar bobo por macho, só estou carente por causa do Mariano, logo isso vai passar e vou voltar pro meu normal.

— Então, você se importa se eu te perguntar com o que você trabalha? — Ele volta a falar comigo, estou meio aéreo ainda, pelo menos dessa vez entendi sua pergunta, mas antes que eu responda ele completa — eu e minha namorada ficamos curiosos quando a Dona Teresa disso que você fazia home office.

Claro que ele namora, o cara exala heterossexualidade, deve está muito carente mesmo, já fazia muito tempo que não ficava solteiro, seis anos para ser mais exato, acho que nem sei mais paquerar e agora pensando nisso estou convencido de que vou morrer sozinho já que deixei passar o homem da minha vida, pelo menos vou ser bem sucedido se é que isso vai me servir de alguma coisa.

— Desculpe, não quis ser invasivo — ele se desculpa pela pergunta e só agora me dou conta de que não respondi.

— Ah não, só me distrai, acontece às vezes, bem eu sou especialista em cibersegurança, trabalho para uma empresa de fora.

— Nossa bem longe do que eu pensei — ele ri, até nisso ele parece com Mariano.

— E o que você pensava que eu fazia?

— Deixa pra lá — deve ser algo embaraçoso já que ele ficou envergonhado.

— Fala ué — pior é que fiquei curioso.

— Tá, pensei que você era tipo do RH ou algo do tipo e Luana minha namorada achou que era telemarketing que nem um primo dela — não consigo segurar um riso.

— Desculpe — digo não querendo parecer esnobe — bem vocês passaram um pouco longe, na realidade eu defendo a empresa de ataques cibernéticos, bem de forma leiga é isso que eu faço, evito que ela tenha problemas com hacker e outras tipos de falhas.

— Você é programar então — ele está com cara de bobo — agora que você falou faz muito mais sentido pensar nisso, nem sei porque não o associei de cara.

— Acontece, foi difícil explicar pra minha mãe no começo que estava trabalhando e não zoando na internet — ele sorrir de forma simpática — e você é veterinário né?

— Sim, trabalho em uma clínica, presto serviços pra uma granja aqui perto, aquela pela qual passamos vindo pra cá e além disso atendo de forma voluntária em uma ong de um amigo.

— Nossa e eu pensei que era viciado em trabalho — digo pensando alto de novo, estou fazendo muito isso perto do Antônio, preciso me policiar mais.

— Dona Teresa comentou que você namora com o trabalho — fico envergonhado e meio triste por lembrar do Mariano — desculpe, não estou julgando nem nada — ele se apressa em sua retratação.

— Relaxa, está tudo bem — o tranquilizo — eu trabalho bastante mesmo.

— Acho que te entendo, imagino que você deva gostar do que faz — ele abre um grande sorriso — porque eu adoro ser veterinário.

— Sim eu gosto — respondo dando um sorriso tímido

— Olha eu tenho que ir pra cidade porque preciso fazer umas coisas antes de ir pra clínica, se você precisar de alguma coisa me manda mensagem ou pode me ligar se for urgente — ele está sendo muito prestativo, não estou muito acostumado com isso.

— Obrigado, está tudo certo, vou trabalhar um pouco agora, tenho que terminar umas coisas.

— Claro, a biblioteca é toda sua — ele diz.

— Valeu.

Antônio sai em seu Fusca me deixando sozinho. Lavo a louça e organizo tudo antes de começar a montar meu novo local de trabalho, quando meu computador está ligado e tudo está em ordem encho minha cabeça térmica de café e me sento para começar a trabalhar, adiantei algumas coisas no ônibus, então vou retomar o que já comecei.

— Droga sabia que tinha esquecido de algo, não peguei a senha do Wi-fi com Antônio, grande cabeça essa minha — me repreendo em voz alta, desde que Mariano terminou comigo só tenho conseguido manter o foco no trabalho, mas para todo o resto eu estou esquecido e meio relapso.

O Modem de internet fica no corredor, vou até ele checar se tem a senha escrita nele, mas com minha sorte do jeito que anda já sei que não vai está — dito e feito — não queria ter incomodar o Antônio assim já de imediato, mas meu celular não está com um 4g muito satisfatório no momento, já é um milagre ter sinal, ele não vai conseguir manter a internet de forma que eu consiga trabalhar.

Depois de um tempo me dou por vencido e faço a única coisa que me resta envio mensagem para o Antônio perguntando a senha do Wi-fi, ele ainda deve está dirigindo pois minha mensagem é enviada, mas ele não leu e nem está online, vou fazendo aqui o que dá pra fazer com meu 4g falhando mesmo e esperar que ele me responda.

Passado uns quarenta minutos ele me responde informando que não lembra da senha — que ótimo — mas que ele tem anotada em uma caderneta em seu quarto, não me sinto nem um pouco confortável em entrar no seu quarto, mas ele garante que não tem problema e me fala que a tal caderneta está na primeira gaveta do criado mudo ao lado da cama.

Pondero se não é melhor esperar até que ele chegue em casa e me diga essa senha, seja pelo seu celular ele mesmo pegando essa caderneta, até poderia ensiná-lo a ver a senha em seu celular mesmo, mas não quero incomodar, ele deve está ocupado já que falou que tem coisas pra fazer antes de ir trabalhar. Me vejo em uma situação que não tem muito o que fazer, pelo menos tenho sua permissão, seria muito pior entrar escondido em seu quarto.

Ao entrar vejo a cama e o tal criado mudo, tem um ventilador em cima do criado mudo, seu quarto é bem simples, ele tem uma cômoda com seus itens de perfumaria e higiene pessoais em cima dela, tem um desses cabides de roupas com algumas roupas penduradas incluindo uma cueca box preta que mexe com minha imaginação, porra ele deve ficar uma delícia usando ela. Não me considero um cara safado, mas me pego pensando em que cheiro essa cueca deve ter ou como é o formato de seu volume usando ela.

— Chega Rubens, faz o até você tem que fazer e pronto — falei em voz alta pra me lembrar o motivo de ter entrado nesse quarto.

O cheiro de perfume amadeirado está por toda parte, esse é um jeito muito marcante, vou até o criado mudo e abro a primeira gaveta, mas tamanho é meu susto ao ver um massageador masculino dentro da gaveta, tem camisinhas e até lubrificante, meu corpo inteiro enrijece, estou atônito, pois isso era a última coisa que eu esperava encontrar em seu quarto, não sou puritano, mas é que é estranho saber que ele tem esse brinquedo no quarto tão perto de sua cama, agora meu membro está duro feito pedra e minha imaginação fluindo a mil.

Imagino seu corpo nu deitado na cama seu membro duro e ereto, da cabeça rosada e cheio de veias como nos seus braços, Antônio segura seu pau o encaixado em um dos orifícios do masturbador, posso ouvir com nitidez seus gemidos de puro prazer enquanto se masturba com seu brinquedo, no ar o aroma de seu tesão se mistura com o tom amadeirado. Não deveria está pensando nisso, mas esse brinquedo me distraiu completamente, dentro de mim cresce ainda mais a curiosidade sobre sua cueca, que cheiro seu pau deve ter, passei tanto tempo transando e namorado com o mesmo homem que nunca precisei me perguntar esse tipo de coisa, se tem uma coisa que conheço bem é o corpo do meu ex noivo, essa emoção da curiosidade e principalmente da descoberta foi algo que nunca tive e nem vou ter com o Antônio.

Fecho a gaveta — pois não tem caderneta nenhuma nela — e abro a segunda só por desencargo e lá está a dita cuja, passo os olhos folheando rapidamente até encontrar senha do wi-fi, deixo tudo no lugar, por mais curioso que ainda estava não chego perto dos seus pertences. De volta a biblioteca ínsito a senha do wi-fi e assim volto a trabalhar, porém meu pau não parece querer descer, vou até o banheiro para tomar um banho frio para acalmar a cabeça, mas quando fico pelado me vem uma vontade de resolver isso logo, não consigo lembrar a última vez em que me masturbei sozinho — parece que foi em outra vida.

Meus pensamentos começam focados em Mariano, imagino nós dois do carro dele, sua boca gostosa no meu pau, depois ele me deixa, meus pensamentos começam a desandar quando me vem na mente Antônio beijando meu pescoço enquanto Mariano me chupa e me masuurba, fico ofegante até que meu gozo atinge a parede do box do chuveiro com toda a força, meu corpo treme a cada ejaculada.

Estou um pouco envergonhado e muito confuso, não acredito até bati uma pensando no meu ex e no meu primo, isso é loucura, até mesmo carência tem limite — claro que encontrar o brinquedo do Antônio não me ajudou — só quero esquecer isso e seguir em frente, agora com internet e depois de ter matado um pouco do meu tesão mergulho no trabalho a ponto de esquecer do todo o resto.

Já esta escuro lá fora quando escuto o barulho do motor do Fusca, ele chegou, sem perceber trabalhei por três horas direto sem sequer levantar da cadeira. Me estico todo, fico de pé para me alongar melhor, meu corpo está acostumado com essas horas de trabalho, só que não na cadeira de madeira do meu avô — nota mental comprar uma cadeira amanhã, não deve ser difícil conseguir uma cadeira gamer ou de escritório no centro da cidade.

Sinto um cheiro bom vindo da cozinha, meu estômago se revira por inteiro, vou até lá conferir o que ele trouxe e fico muito feliz por constatar que é uma pizza de lombinho canadense, é difícil encontrar um lugar que tenha esse sabor e que faça do jeito que eu gosto, com a massa fina, sem esse negócio de borda recheada e cara meus olhos brilhando ao ver uma pizza exatamente do meu gosto.

— Te mandei mensagem perguntando se você queria pizza e qual sabor — ele diz ao me ver entrar na cozinha — você não me respondeu então eu arrisquei na minha favorita.

— Fala sério, sua favorita é lombinho? — Não acredito.

— Com a massa fina e sem borda — ele completa.

— É exatamente do jeito que eu gosto.

— Ah que alívio então — é notório seus músculos relaxando depois de saber que acertou — vamos comer?

— Obrigado — ajudo ele pegando dois copos e o papel toalha.

— Vai dizer que você também come pizza na mão e não com talheres?

— Ué existe um jeito certo e um jeito errado — digo — talheres é coisa de fresco.

Antônio solta uma risada genuína, depois de me servir com refrigerante, pego um pedaço para provar, puta merda é a melhor pizza que já comi na vida, cada pedaço é como se um anjo cantasse dentro de mim, o queijo derretendo, nossa fazia muito tempo até não comia uma pizza saborosa assim — Mariano odeia pizza, ele cuida tanto do corpo que diz que pizza é inimiga da boa forma.

— Isso tá incrível — falei de boca cheia.

— Que bom que você gostou, quando saio com a Luana ela normalmente pede vegetariana.

— Nossa que pecado — mais uma vez deixando meus pensamentos intrusivos falarem mais alto.

— Pois é né, já tentei convencer ela a comer a de lombinho, mas ou comemos pizza de espinafre com ricota ou uma dessas doces.

— Odeio pizza de chocolate — digo sem pensar.

— Não é minha favorita, mas ou peço o que a Luana quer ou não como pizza — ele me lança um sorriso e trato de retribuir mostrando um pouco de solidariedade e meio que entendi sua posição.

— Sei como é — falei sem pensar.

— Pensei que você não namorasse? — Minha mente entrou em alerta, esqueço que perto dele ficou desarmado e mais desatento do que de costume — por causa da Júlia, ela é muito mandona.

— Não tenho irmãos, mas imagino como seja — ele fica pensativo, porém aceitou minha desculpa improvisada.

— Como foi no trabalho — desvio o assunto porque detesto ter que mentir sobre minha relação com Mariano, então o melhor a fazer é não falar sobre.

— Deu tudo certo, o gatinho é um guerreiro.

Ele me conta os detalhes que julga mais importantes, tipo como foi a cirurgia e o diagnóstico do seu paciente. No final animais e humanos não são tão diferentes assim.

— Eu posso ir com você amanhã pro centro, é que preciso comprar umas coisas pro escritório — peço um pouco sem jeito.

— Claro, eu preciso sair daqui umas sete pra ir para a clínica.

— Perfeito, pra mim.

— Eu saio pro almoço meio dia, mas posso tentar sair mais cedo pra te trazer de volta — ele se oferece.

— Não quero te atrapalhar, posso pegar um táxi na volta sem problema.

— Atrapalha nada, vai dar certo.

Se antes eu já estava sem jeito perto do Antônio, agora estou mais ainda, embora ele seja uma boa companhia, ficar perto dele e não pensar em seu brinquedo é muito difícil. Depois de comer me sento pra finalizar meu trabalho, desligo tudo e vou para o quarto, tinha esquecido como a serra pode ser fria a noite, visto uma camisa e uma calça moletom e então deito para dormir — minha primeira noite de sono em semanas.

Nos meus sonhos Antônio e eu dividimos seu massageador, o brinquedo apertava nossos paus enquanto o penetramos juntos, um de cada lado me deixava louco de tanto tesão. Acordei com meu pau doendo de tão duro, acho que nunca tive um sonho erótico tão intenso como esses, parecia tão real — maldita hora aceitei entrar no quarto dele e achei esse troço, agora não consigo pensar em outra coisa que não seja me masturbar com o Antônio usando o tal brinquedo.

Pego o telefone e confiro na internet o preço de um brinquedo desses, mas antes que eu siga mais um pensamento intrusivo, bloqueio o celular e o jogo de lado. Tomo um banho frio mesmo para apagar esse fogo, visto uma bermuda jeans bege e uma camisa branca de linho com botões.

— Tá bonitão — Antônio me elogia assim que entro na cozinha.

— Só vesti a primeira coisa que encontrei — não sei ser elogiado.

Posso até está arrumado, mas quem está lindo mesmo é ele, Antônio usa uma blusa polo com uma calça social que valoriza pra caralho sua bunda, porém o que me chama atenção e o volume na frente, me esforçar pra pensar em outra coisa e não ficar de pau duro lembrando do meu sonho, de qualquer forma me sendo pra tomar meu café, fazendo o possível para fingir normalidade — só quero saber até quando sua presença vai me deixar assim?

— Dormiu bem? — Até parece que ele sabe com o que sonhei.

— Sim, só que fez um pouco de frio.

— O quarto que você essa é o mais frio, se precisar de mais um cobertor só fala — preciso pensar em outra coisa, pois posso jurar que ele acabou de oferecer um lugar na sua cama pra mim.

— Tranquilo.

Limpamos a mesa e o ajudo com a louça do café, Antônio é desse caras que acorda com toda disposição, totalmente diferente de mim, agradeço trabalhar de home office, era horrível quando trabalhava em escritório e tinha que sair de casa cedinho pra pegar ônibus, nunca mais quero passar por isso.

Outro gosto que Antônio e eu temos em comum é ouvir podcast e por incrível que pareça ele costuma ouvir o mesmo podcast de notícias que eu, toda manhã enquanto vai para o trabalho, só faz um dia, mas já achei tantas coisas em que somos parecidos, acho que por isso Ben tinha tanta certeza de que nós faríamos bem.

— Isso que está acontecendo nos Estados Unidos é loucura né? — Ele puxa assunto falando sobre algo que acabamos de ouvir.

— Sim, foda deportar as pessoas assim — respondo.

— Isso não pode dar problema pra você? Por causa da sua empresa ser de fora?

— Não, a empresa pra quem presto servido é alemã — digo.

— Verdade, acho que você comentou que era europeu, perdão — ele fica tão sexy enquanto dirige seu Fusca que nem consigo ficar bravo com ele agora e não foi nada de mais.

— Relaxa.

A clínica em que ele trabalha fica no centro da cidade — menos mau, assim não o fiz desviar seu caminho — ele me indica umas lojas onde posso comprar o até preciso, depois me faz prometer que vou voltar aqui na clínica pra esperar por ele, bem não quero atrapalhar seu trabalho então vou fazer minhas compras com bastante calma assim posso dar uma volta e conhecer o lugar também.

— Nossa, essa casa não é a mesma sem você — Juh diz assim que atendi sua ligação.

— Só tem um dia que sai de casa.

— Pra você ver o tanto que eu te amo — já conheço bem a Júlia para saber que ela quer algo.

— De quanto precisa.

— Nossa não posso mais ligar pro meu irmão — fico calado esperando — isso é injusto, mas realmente preciso de grana irmão, meu cartão veio completamente fora de controle esse mês, ainda não entendi como gastei tanto mês passado.

— Julia, você precisa aprender a ter responsabilidade financeira — toda vida é a mesma coisa.

— Sem sermão Rubens, se você não quer me ajudar também não reclama.

— Me manda a fatura, como estão as coisas o vovô já foi pro hospital?

— Foi, o Ben passou aqui bem cedo pra levar ele — ela diz já mais animada — mais sério só preciso que você intere, não preciso que pague tudo.

— Eu vou pagar, mas você vai guardar esse dinheiro pra se programa por mês que vem, eu ainda tenho muita coisa do casamento que não consegui cancelar e vou ter que pagar.

— Não é justo o Mariano te dar um pé na bunda e você arca com tudo Rubens.

— Ele quis me ajudar, mas eu recusei — nem preciso está de frente pra ela pra saber que está revirando os olhos de puro ódio agora.

— Você é muito trouxa Rubens, o namorado dele é montada na grana, isso aí é troco de pão pra ele agora — não lembro se ter contado pra ela sobre o cara com que Mariano tem saído.

— Como você sabe?

— Rubens, Fortaleza é um ovo, um amigo meu já saiu com esse boy, ele é rico do tipo nascido rico, só restaurante ele tem três, meu amigo disse que ele é rico de verdade — não sei o que pensar sobre isso.

— Julia você foi atrás de saber com quem o Mariano está?

— Fiquei curiosa, você não ficou? — Ela consegue ser muito sem noção as vezes.

— Julia me manda a porra da fatura, preciso desligar que estou ocupado agora — desligo sem esperar seus protestos.

Minha manhã inteira foi pro ralo, só consigo pensar na saudade que estou sentindo do Mariano, a vontade de ligar pra ele é matadora, cada dia que passar minha esperança de que um dia vamos reatar, está cada vez mais distante, mesmo longe não estou livre desse sentimento.

As comprar pelo menos me serviram de distração, consegui uma cadeira gamer confortável e com um bom preço, também consegui comprar o que estava faltando pro escritório, ainda acabei comprando umas roupas no caminho. Parei para tomar um sorvete e pra dar uma olhada na fatura da Julia, amo minha irmã, mas porra como essa guria conseguiu gastar dois mil e quinhentos reais com bolsa, sapato e festa, essa é a última fatura dela que eu pago por um bom tempo, em um ponto Mariano tinha ração ela faz essas coisas porque sabe que vou pagar, ganho bem e o fato de ser em euro ajuda muito, mesmo assim não tem dinheiro que dure com minha irmã.

Dessa vez vou ser firme, tenho muitas contas pra pagar do casamento, fora as contas de casa que sou eu quem paga também, pensando um pouco mais sobre isso quando chegar em casa vou abrir minha planilha e dar uma olhada nos meus gastos, ver o até dá pra cortar, reclamei da Juh, mas tô cheio de gastos também, meu cartão veio bem mais caro que o dela.

Fiquei enrolando até onde deu, já são quase onze e não tenho mais nada pra fazer, fora que estou com a caixa da cadeira e mais três sacolas, é peso demais pra ficar andando por aí, então volto pra clínica. É uma clínica grande e muito bonita, dá pra ver pelas pessoas na recepção que não é uma clínica barata, eu nunca fui de criar animal, mas penso que se um dia tiver algum vou querer o melhor pra ele também.

— Oi senhor, posso ajuda-lo? — Um jovem rapaz atrás do balcão fala comigo assim que chegou no balcão.

— Oi bom dia, é por favor, você avisar ao Antônio que o Rubens está esperando por ele.

— O doutor Antônio? — Não sabia que veterinários tinham o título de doutor.

— Sim — respondo tendo parece o mais educado possível.

— Só um instante, por favor — o rapaz pega o telefone e disca o ramal do consultório do Antônio — doutor o senhor Rubens está na recepção, ok, aviso sim.

O jovem encerra a ligação e me pede para esperar um pouco, o Antônio só tem mais dois retornos e já vem me encontrar, bem pelo menos aqui tem ar condicionado e o carinha da recepção até me ofereceu café, não vai ser tão difícil assim esperar por uns minutos, aproveito pra responder meus e-mail do trabalho, enquanto espero.

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Comentários

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Quem vai dar o braço a torcer que estará apaixonado pelo primo?

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eit rafa, que o romance que vem por aí vai ser cheio de tesão e paixão...

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Gosto tanto de ler suas histórias, Rafa! Já tô aqui torcendo para esses dois hahaha

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