Capítulo 1 – Encontros à Beira da Estrada
O ponteiro da gasolina já flertava perigosamente com o "E" quando avistei o pequeno posto de combustível à beira da estrada. Um letreiro gasto pelo tempo anunciava "Pete’s Gas Station", e as luzes amareladas da loja de conveniência lançavam um brilho acolhedor sobre o asfalto.
Assim que parei o carro ao lado da bomba, um homem surgiu de dentro do posto, caminhando na minha direção. Ele era grande—ombros largos, peito largo, cada passo pesado e firme, como se o chão cedesse um pouco sob seu peso. O uniforme azul estava um pouco sujo de graxa, mas bem ajustado ao corpo forte. O nome "Bobby" estava bordado no peito, logo acima do bolso.
Ele me encarou por um momento, os olhos castanhos arregalados, e então coçou a nuca antes de abrir um sorriso hesitante.
— O-oi! Boa tarde, moça! Quer que eu encha o tanque?
— Sim, por favor — respondi, sorrindo para ele.
Ele parecia nervoso, como se não estivesse acostumado a atender mulheres. Assisti enquanto ele pegava a bomba de combustível e começava a abastecer meu carro, a língua pressionada contra o canto da boca, concentrado.
De repente, meu estômago roncou. Alto.
Eu me encolhi de leve, constrangida. Bobby ergueu uma sobrancelha e olhou para mim.
— Er… foi você?
Eu ri, sem graça.
— Infelizmente, sim. Estou faminta.
O rosto dele se iluminou.
— Ah! Aqui dentro tem comida! Quer dizer, nada chique, só os lanches do Pete, mas são bons!
A ideia de um lanche quente depois de tantas horas na estrada me pareceu perfeita.
— Isso seria ótimo.
Ele terminou de abastecer meu carro e me guiou até dentro da loja de conveniência. O ambiente tinha aquele cheiro clássico de posto de gasolina: café requentado, salgadinhos e um leve aroma de óleo de motor. Me sentei no balcão simples de madeira, enquanto Bobby foi para trás do balcão e pegou o cardápio plastificado.
— Então… temos hambúrguer de carne, hambúrguer de frango… e, hum, hambúrguer de carne com queijo. — Ele fez uma careta, como se estivesse tentando lembrar de mais opções.
Eu sorri.
— Acho que vou no hambúrguer de carne.
— Boa escolha! O Pete faz eles de manhã, eu só esquento. Mas ficam bons!
Enquanto ele pegava o hambúrguer e o colocava para aquecer, eu o observei. Bobby era… peculiar. Havia algo nele que misturava força e doçura, um jeito meio bobo, mas genuinamente carinhoso.
— Você trabalha aqui há muito tempo? — perguntei.
— Desde os dezoito. Agora tenho vinte e seis. Então… acho que sim. — Ele riu baixinho, meio sem jeito.
— Gosta daqui?
Ele deu de ombros.
— Gosto. É tranquilo. Eu moro ali nos fundos, então dá pra dormir até mais tarde. E tem café de graça!
Eu ri.
— Café de graça parece uma boa vantagem.
— E você? — Ele virou-se para mim, os olhos brilhando de curiosidade. — Você não é daqui, né?
— Não. Estou recomeçando. Precisava de um lugar novo, sabe? Um lugar onde eu pudesse… respirar.
Ele me encarou por um instante, como se ponderasse minhas palavras, e então assentiu, como se entendesse.
— Aqui tem bastante ar. E bastante espaço pra respirar também.
A simplicidade dele me fez sorrir.
O hambúrguer ficou pronto, e ele me entregou em um pratinho de plástico.
— Tá aqui! Espero que goste.
Peguei o lanche, sentindo o cheiro delicioso do pão tostadinho e da carne suculenta. Dei a primeira mordida, e um pequeno gemido de satisfação escapou dos meus lábios.
— Meu Deus… isso tá muito bom!
O rosto de Bobby se iluminou, como se ele mesmo tivesse feito o hambúrguer.
— Sério?! Que bom!
E naquele momento, sentada naquele balcão de posto de gasolina, olhando para aquele homem grande e meio desajeitado, percebi que talvez aquele recomeço fosse muito mais interessante do que eu imaginava.