Capítulo 6: Reflexos e Incertezas
Os dias seguintes foram um turbilhão de pensamentos confusos e contraditórios. Eu tentava me concentrar no trabalho, nas tarefas do dia a dia, mas a imagem de Bobby e a sensação do momento em que deitei no seu colo não saíam da minha cabeça. Havia algo sobre aquilo — o cheiro, o calor do seu corpo, a suavidade do seu toque — que me deixava inquieta e ao mesmo tempo, curiosa.
Naquela noite, depois de me deitar e tentar esquecer um pouco de tudo, senti uma necessidade desesperada de entender. Eu precisava saber mais, precisava entender o que estava acontecendo dentro de mim. E foi assim que, com a luz do celular iluminando meu rosto na penumbra do quarto, comecei a pesquisar.
A primeira palavra que digitei foi "cheiro masculino". Fiquei ali, os dedos tremendo um pouco enquanto eu olhava para a tela do meu celular. Eu nunca tinha realmente pensado nisso antes. Como é que funcionava? Eu sabia que os corpos eram diferentes, mas até aquele momento, nunca tinha me interessado tanto por isso. Nunca fui de procurar nada nesse sentido. Eu cresci sem me envolver com qualquer tipo de conteúdo pornográfico ou algo que fosse além do que já sabia do meu próprio corpo.
A busca me levou a páginas com explicações sobre hormônios, sobre o cheiro natural que o corpo masculino pode liberar e como a testosterona influencia. Li que o odor é algo muito pessoal, que varia de pessoa para pessoa, mas a sensação que eu tive quando estive perto de Bobby parecia diferente. Era como se aquele cheiro, algo tão íntimo, tivesse marcado algo dentro de mim. "Mas será que todos os homens têm esse cheiro?" pensei, hesitante, enquanto deslizava os dedos pela tela, absorvendo informações.
Li também sobre o impacto do ambiente e da higiene nas nossas percepções. "Será que ele não cuida disso?" me perguntei, desconfortável com a ideia de que talvez ele não fosse tão cuidadoso com a higiene quanto eu esperava. No entanto, à medida que lia mais, comecei a perceber que o cheiro não era algo sujo. Ele não era agradável no começo, mas algo nele me atraía. Eu não sabia se era porque eu estava começando a gostar de Bobby ou se havia algo mais em mim que ainda não entendia.
A minha mente estava cheia de dúvidas. Eu tinha 24 anos, mas parecia tão nova nesse mundo de intimidade. Eu me sentia como uma adolescente com medo de dar um passo errado. O que significava tudo aquilo? Eu não queria apressar as coisas, mas meu corpo e meus sentimentos estavam ficando cada vez mais confusos. E Bobby... Bobby parecia tão distante, tão reservado. Era difícil entender o que ele sentia. Às vezes, ele parecia hesitar, como se estivesse esperando algo, e em outras, parecia distante, sem saber o que dizer ou fazer.
Passaram-se dias sem nos vermos. Eu o via apenas no posto, sempre com aquele sorriso tímido e um olhar um pouco perdido. Eu sentia o mesmo, mas não sabia como mostrar. Eu estava ficando cada vez mais ansiosa para ver o que aconteceria entre nós, mas também não sabia como lidar com esse desejo crescente que se formava em mim.
Enquanto me preparava para ir trabalhar, notei que Bobby me enviou uma mensagem, algo simples: "Oi. Como você está?"
Foi só isso. Nada mais. Mas a sensação que eu tive ao ler aquelas palavras foi de um calor estranho, algo que não conseguia descrever completamente. Eu respondi de forma breve, tentando manter a calma: "Estou bem. E você?"
Logo, ele respondeu. A conversa seguiu um pouco, mas sempre com ele mantendo uma distância, como se estivesse segurando algo. Como se ele também estivesse se sentindo vulnerável, mas com medo de se entregar.
Eu fiquei imaginando o que ele pensava de mim. Será que ele me via como alguém em quem ele poderia confiar? Ou será que ele estava simplesmente mantendo as coisas assim, em um nível superficial, com medo de algo mais intenso? Eu não sabia. E a cada dia, as incertezas se acumulavam.
De vez em quando, eu o encontrava no posto. Às vezes, ele me olhava de forma mais intensa, como se quisesse dizer algo, mas se segurava. Eu sentia que ele estava tentando entender o que estava acontecendo também. Era como se ambos estivéssemos em uma caminhada pela neblina, sem saber ao certo para onde estávamos indo, mas continuando a caminhar, mais e mais envolvidos, sem conseguir recuar.
Eu sabia que precisava tomar uma decisão. Eu não sabia o que fazer com as emoções que estavam crescendo dentro de mim, mas sabia que, de alguma forma, algo precisava acontecer entre nós. A tensão estava se tornando insuportável, mas eu não sabia como dar o próximo passo. Será que ele estava esperando que eu tomasse a iniciativa?
Fiquei com essa dúvida durante toda a noite. E no dia seguinte, ao acordar, eu já sabia que algo tinha que mudar. Eu não podia continuar nessa incerteza, com esses sentimentos crescendo dentro de mim. Mas o que eu faria? Eu não sabia ainda, mas sabia que não podia mais ignorar o que estava acontecendo entre mim e Bobby.