A FORÇA QUE ENCONTRO EM TI - CAPÍTULO 1: FURACÃO FERNANDES

Um conto erótico de Escrevo Amor
Categoria: Gay
Contém 2354 palavras
Data: 03/04/2025 04:16:32

📢 Aviso ao Leitor 📢

A história a seguir é um romance LGBT que tem como principais temas o perdão e a amizade. Se você gosta de uma leitura leve, fofa e acolhedora, este conto foi feito para você! 💖✨

Prepare-se para se emocionar e se encantar com essa jornada cheia de sentimentos e conexões especiais. Boa leitura! 📚🌈

TÍTULO: A FORÇA QUE ENCONTRO EM TI

SINOPSE:

O que você faria se sua vida mudasse em um instante?

George Fletcher Sanches, um adolescente que acaba de se assumir gay, encontra apoio incondicional de sua família e amigos. Mas sua felicidade é abruptamente destruída quando o Furacão Fernandes arrasa a cidade de Navarro, deixando um rastro de destruição e cicatrizes profundas - tanto físicas quanto emocionais.

Agora, em meio aos escombros de sua antiga vida, George precisa encontrar forças para seguir em frente. Ao lado de Emmet Montgomery-Kerr, o ex-quarterback da escola e outro sobrevivente da tragédia, ele embarca em uma jornada de reconstrução. Entre perdas, incertezas e novos laços, George descobre que recomeçar pode ser assustador, mas também pode revelar a verdadeira força que existe dentro de nós - e nas pessoas ao nosso redor.

"A Força que Encontro em Ti" é uma história emocionante sobre amizade, resiliência e a coragem de seguir acreditando, mesmo quando tudo parece perdido.

***

De repente, tio Henrique levantou-se.

— Está vindo um ciclone, Ema — gritou para a mulher. — Vou cuidar dos animais. — Correu então em direção aos estábulos dos bois e dos cavalos.

Tia Ema largou o serviço e veio até a porta. Bastou um olhar para perceber o risco que já estava tão próximo.

— Depressa, Dorothy! — gritou ela. — Corra para o porão.

***

— Ah, não. George Fletcher Sanches, você não está lendo O Mágico de Oz para a Anne! — Minha mãe tomou o livro das minhas mãos.

Olhei para Anne, que acabara de arrancar a cabeça de sua boneca e colocá-la na boca. Ela puxou as características do meu pai: seus olhos verdes pareciam joias a serem descobertas, enquanto os cabelos loiros e ondulados estavam sempre brilhantes. Eu, por outro lado, sou a cópia da mamãe, um verdadeiro latino com muito orgulho. Não trocaria meus olhos castanhos por nada, muito menos o sorriso perfeito, que já me meteu em muitas confusões.

— Qual é, mãe! Ela precisa estar preparada para esses desastres naturais. — Peguei o controle remoto e liguei a TV.

— Filho, quer uma carona? — Perguntou meu pai.

— Não, obrigado. — Sorri, pois o veículo do meu pai era um food truck. Isso mesmo, ele largou um emprego estável em uma multinacional para seguir o sonho de ter um negócio próprio.

— Está com vergonha do papi? Rebecca, lembra quando o George era um menino bonzinho? Que saudades. — Ele me abraçou, e eu o afastei.

— Para, pai! — Pedi, rindo. — O Zeek vem me pegar. Volto mais cedo, viu? Só preciso fazer um exercício que está atrasado.

— Juan — minha mãe chamou a atenção do meu pai —, você precisa tapar as janelas. O Sr. Jones trouxe o martelo.

— Você viu a casa dele? O homem transformou aquele lugar em uma fortaleza. — Meu pai finalmente me deixou em paz e voltou sua atenção para Anne.

Na televisão, a notícia dominante era o furacão que atingiria Jacksonville, nossa pacata cidade na Flórida. Sim, além do Mickey, outra presença constante por aqui são os furacões. Dessa vez, o felizardo é o Furacão Rodriguez, que vai atingir a República Dominicana antes de chegar aos Estados Unidos.

Nem preciso dizer que as coisas estão uma loucura, né? Os mercados estão sem alimentos e água. O papel higiênico desapareceu de todos os lugares. Minha sorte é ter uma mãe precavida. Ela adora antecipar as coisas, seja a comida para um aniversário, as compras dos materiais escolares ou a chegada de um furacão. Dona Rebecca já deixa tudo nos eixos.

A garagem de casa virou uma espécie de supermercado privativo. Tem todo tipo de material enlatado aqui. Mando um vídeo para o Zeek, meu melhor amigo, que está passando pelo próprio inferno pessoal. A mãe dele apresenta o jornal local e um pequeno estúdio está sendo montado pela equipe da emissora em sua casa.

***

ZEEK:

A mamãe quer entrevistar a Sra. Sanches. Pessoas organizadas têm um charme único na TV.

GEOdude:

Ela vai amar. Mudando de assunto, você conseguiu fazer a atividade de Álgebra? Estou perdido.

ZEEK:

Eu? Putz. Foi mal, mano! Tenta pegar com a Rachel.

GEOdude:

Claro, se ela quiser falar comigo. Ficou toda bolada quando descobriu que eu sou gay.

ZEEK:

Nada a ver. Ontem mesmo ela postou um stories sobre um bazar LGBTQIA+ da escola. Talvez só gostasse de você e agora precisa ressignificar os sentimentos.

GEOdude:

Que seja. Eu só quero terminar essa lição!!!!!!

ZEEK:

Vou passar na tua casa em 10 minutos.

GEOdude:

Idiota! Vem logo.

***

Zeek é meu amigo desde que me entendo por gente. Ele foi o primeiro a saber sobre minha sexualidade. A revelação aconteceu sem alarde, durante uma partida de Pokémon Unite. Eu simplesmente soltei algo que já queria contar para o meu melhor amigo.

— Eu vou ser o teu padrinho. — ele afirmou antes de finalizar um dos inimigos do jogo.

Depois disso, contei para meus pais. Eles ficaram preocupados no começo, mas aceitaram bem. Anne me ama de qualquer jeito. Sou o único que faz todos os caprichos da pequena. Espero que ela continue assim, fiel a mim.

Na escola, não sou popular nem nerd. Estou em um limbo eterno entre a falta de reconhecimento e a irrelevância. A parte boa? Ninguém enche o meu saco. Zeek, por outro lado, é um caso à parte. Sendo filho da apresentadora mais famosa da cidade, ele não tem um dia de paz. Todo mundo quer ser amigo dele. Confesso que, no início, essa bajulação me incomodava, mas acabei aceitando o fato de ele ser parente de uma quase celebridade.

Antes, éramos um trio: RGZ. Rachel, George e Zeek. Mas Rachel acabou ganhando um concurso de modelos e virou uma das abelhas-rainhas da escola. No ano passado, ela revelou que gostava de mim, e eu joguei um balde de água fria na coitada. Desde então, ela passou a me evitar nos corredores e nas aulas.

Agora, minha ex-amiga namora um dos jogadores mais famosos da região, Emmet Montgomery-Kerr. Ele é lindo, mas um babaca. Uma vez, caí na frente da escola e ninguém me ajudou. Tenho certeza de que ouvi ele dizer:

— Perdedor.

Naquele momento, um ódio genuíno nasceu dentro de mim. Nem a beleza dele conseguiu apagar o fogo da minha raiva.

Como estou lascado em Álgebra, vou baixar só um pouco a bola e correr para o território inimigo. Avisto Rachel em um dos corredores da Freedom High School. Minha ex-melhor amiga está usando a jaqueta do Emmet, e um pouco do meu café da manhã quer voltar para fora.

Rachel é uma das alunas mais brilhantes da escola. Já ganhou diversos prêmios de matemática e robótica. Encontrou nas passarelas uma maneira de se tornar mais extrovertida e conseguiu um bom desempenho em todas as suas atividades.

— Rachel — Chamei, primeiro em voz baixa, depois aumentando o tom. — Rachel, com licença. — Dei um leve cutucão nela.

— George? — Ela me olhou com uma expressão indecifrável. Rachel tem traços fortes e bem definidos. Eu daria a vida por aqueles cílios perfeitos (e naturais).

— Oi. — Cumprimentei-a. — Oi, Emmett. — Ele fingiu que eu nem estava ali. — Bem, posso falar com você um segundo? — perguntei a Rachel.

— Claro. — Ela respondeu e olhou para o namorado. — Te vejo na sala, Em.

— "Em"? Qual é, Rachel... — Pensei comigo mesmo, me segurando para não revirar os olhos.

— George, aconteceu alguma coisa? — Rachel perguntou, cruzando os braços.

— Rachel, eu sei que tivemos nossas diferenças. Joguei uma informação muito forte em um momento delicado para você. — Escolhi cuidadosamente as palavras, mas a verdade é que eu estava desesperado, pois tinha pouco tempo para entregar a atividade. — Mas agora estou precisando muito da sua ajuda. Estou ferrado em Álgebra. Se eu bombar nessa matéria, meus pais vão me impedir de ir ao México no verão e não vou poder conhecer minhas raízes. — Falei tão rápido que minha ex-melhor amiga precisou de um tempo para absorver.

— George, você sempre foi dramático. — Ela deu um sorriso tímido e um de seus dreads se soltou. Com agilidade, prendeu-o de volta. — Tudo bem, não quero que você perca essa viagem. — Ela me entregou o caderno. — Só vou precisar dele depois. Me encontra na piscina depois da aula? Vou assistir ao treino do Em. Hoje eles vão mergulhar no gelo ou algo assim.

— Tudo bem.

Ok. Uma vitória no dia! Corri para a biblioteca e fiz o exercício em tempo recorde. Claro que deixei algumas questões erradas para tirar um "B". Não quero me destacar tanto a ponto de o professor desconfiar do meu desempenho.

Nem percebo o tempo passar. Quando finalmente pego meu celular, percebo que está sem bateria. Olhando pela janela, vejo o céu coberto por nuvens cinzentas e carregadas. No corredor, os alunos correm de um lado para o outro.

— George, sua mãe vem te buscar? — perguntou um nervoso Zeek.

— Não, achei que a gente fosse para casa juntos. — Respondi, observando o movimento ao redor.

— Ele vai chegar antes do esperado. O furacão Rodriguez já está acontecendo. — Zeek explicou, suando. — Você não recebeu o alerta no celular?

— Não, essa porcaria descarregou. Cara, então vai para casa. — Sugeri, segurando o ombro de Zeek. — Minha casa não é tão longe. Só preciso entregar o caderno da Rachel. — Comecei a caminhar em direção à piscina da escola.

— Ei, GEOdude! — Zeek gritou meu nick do Discord. Geo de George e "dude" de cara. Também é uma referência ao Geodude, meu pokémon favorito. — Se cuida, viu.

— Te vejo no Discord, Zeek! — Respondi antes de seguir meu caminho.

Ao sair para a área externa da escola, sou recebido por uma rajada de vento forte e fria. Alguns alunos correram para dentro de um ônibus, mas prometi entregar o caderno para Rachel. Ela quebrou um galho para mim, não posso ser um babaca.

Perdi o equilíbrio devido à força do vento. De repente, algumas telhas começaram a se desprender e caíram no chão. E então vi a pior coisa da minha vida: um enorme ciclone se formando ao lado da escola. As árvores do pátio se curvaram perante o vento, e a estrutura do prédio parecia tremer.

Minha ansiedade disparou ao ver os destroços voando pelo ar. Fragmentos de telhados, placas e objetos não identificáveis pairavam como folhas secas. O uivo do vento, misturado ao estrondo das estruturas sendo arrancadas, é ensurdecedor.

Eu subestimei o furacão. Ele chegou sem aviso, nos pegando de surpresa e despreparados para o pior. Em casa, pelo menos, eu estaria seguro. Meu pai pregou tábuas de madeira nas janelas e preparou um cômodo específico para nos abrigarmos durante o furacão.

Enquanto observava a destruição, uma placa de madeira me atingiu no rosto, e a força do impacto me jogou no chão. Rastejei até a área da piscina, que ficava no ginásio da escola. Reunindo todas as forças, me levantei. Quase sou atingido por uma cadeira, mas, de alguma forma, consegui desviar.

As coisas ficaram ainda mais barulhentas com explosões e gritos. Mantive meu foco no ginásio. Abri a porta com dificuldade e encontrei alguns alunos sentados no chão. Todas as janelas do local foram quebradas pela ventania.

Meus colegas me olharam assustados. Acho que a placa deve ter feito um estrago no meu rosto, porque minha camiseta bege estava encharcada de sangue. Sentei no chão ao lado de uma garota de óculos — acho que é a Rebecca Justice. Do outro lado do ginásio, vi Emmett ajudando alguns alunos menores. Meu Deus, e a Rachel?

— Emmett? — Chamei, e ele se assusta ao ver meu estado. — Cadê a Rachel?

— Eu... eu...

— Cadê a Rachel, porra?! — Gritei, mas minha voz mal é ouvida devido à violência do vento.

— Eu não sei, cara! Ela estava dentro da escola. Tudo aconteceu muito rápido...

Uma explosão nos lançou para dentro da piscina. A estrutura do ginásio não resistiu ao furacão. Nadei em direção ao Emmett, mas vários destroços caíram na água. Parecia que eu estava em uma piscina de ondas. Meu foco é salvar meu colega. O Emmett podia ser um babaca, mas não merecia morrer assim.

Ao emergir com ele, percebi que os alunos foram varridos pelo vento, que continuava forte. O ginásio tinha um enorme buraco na estrutura e a única opção viável era o armazém de equipamentos esportivos. Sai da piscina e ajudo Emmett, que recobrou a consciência — ou parte dela.

Lutamos contra um dos fenômenos mais incríveis e mortais do mundo. Tenho certeza de que Emmett disse algo, mas não dava para me distrair com conversas. Entramos no armazém e encontramos tudo revirado.

— Vamos morrer, George! — Emmett gritou, desesperado.

— Cala a boca! Precisamos arrumar um jeito de nos proteger! — Olhei em volta e observei os equipamentos de futebol americano.

Sem muita opção, vesti Emmett com as proteções e coloquei um capacete em sua cabeça. Usei também um protetor de costelas e um shoulder pad. Com uma pressa ímpar, também vesti o uniforme. Antes que eu pudesse me sentar ao lado dele, o teto desabou. Não sou atingido por muitos destroços, mas, ao rastejar pelo chão, encontrei uma viga quase esmagando Emmett.

— Emmett, acorda, por favor! Eu não quero morrer sozinho! — Lágrimas escorreram pelo meu rosto, e segurei sua mão. Ele responde com um leve aperto. — Eu não quero morrer sozinho...

— George... desculpa... — Ele murmurou.

— Tá tudo bem, cara... — Tentei ser forte, mas falhei.

Lá fora, o vento ainda devastava tudo. Como um dia tão bom se tornou esse pesadelo? Estou ferido, preso em meio a destroços e com um cara de quem nem gosto. É assim que vou morrer?

— Eu não vou morrer! — Gritei, assustando Emmett. — Ei, escuta. A gente só tem 16 anos. Ainda temos muito o que viver. Eu não vou me entregar. Mas não consigo sozinho. — Rastejei até ele. — Você não pode desistir também.

— Não... não vou desistir. — Ele concordou. Ao tentar se mexer, gritou de dor.

— O que foi?

— Meu braço... tá preso. Tá doendo muito, cara...

Olhei em volta. O vento começou a perder força, mas o que posso fazer?

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