Obsidian: A Primeira Escrava - Parte 22

Da série Obsidian
Um conto erótico de Fabio N.M
Categoria: Heterossexual
Contém 4042 palavras
Data: 04/04/2025 07:44:26

A manhã daquela segunda-feira se espalhava pelo céu de Blumenau em tons suaves de azul e dourado, mas dentro da Charcutarias Weiser, o ar estava carregado de uma energia diferente.

Sofia percebeu no instante em que entrou no prédio. Era algo sutil, mas perceptível para quem sabia onde olhar. O burburinho discreto dos funcionários no corredor, os olhares trocados, o jeito como as secretárias estavam ligeiramente mais tensas, como se algo tivesse mudado na atmosfera.

Sofia sentiu essa mudança antes mesmo de saber a causa, mas foi só quando viu Vincent, alguns minutos depois, que teve certeza: alguma coisa aconteceu.

A porta da sala de reuniões estava entreaberta, e Sofia avistou Vincent lá dentro, inclinado sobre a mesa enquanto revisava alguns contratos.

Ela parou na soleira, observando-o antes de se anunciar.

O homem diante dela não era o mesmo de dias atrás.

Era uma diferença sutil, mas brutalmente clara para alguém como Sofia.

A postura. A maneira como ele segurava a caneta entre os dedos, girando-a distraidamente. A expressão. Os olhos azuis já frios, agora carregando um brilho predatório, como se algo dentro dele tivesse sido despertado. Vincent Weiser parecia vivo de novo.

Isso a fascinou. Sofia era uma mulher observadora. Sabia ler Vincent como poucos ali dentro e tudo nele gritava uma coisa: Ele fodeu alguém recentemente.

A ideia de que ele poderia ter se envolvido com outra mulher sem que ela tivesse percebido algo antes a incomodou mais do que deveria, mas Sofia não demonstrou nada. Vestiu seu sorriso usual antes de dar dois passos para dentro da sala.

— Já tão cedo e você parece mais satisfeito que o normal, Vincent.

Vincent levantou os olhos para ela lentamente.

Não desviou de imediato. Apenas a analisou, como fazia com todo mundo, mas dessa vez, havia algo diferente naquele olhar. Algo mais afiado, mais perigoso.

Sofia sentiu isso na pele, e, para sua surpresa, um arrepio subiu por sua espinha e um calor se acendeu entre suas pernas. Vincent então sorriu de canto, um sorriso que não revelava nada e ao mesmo tempo dizia tudo.

— Talvez eu tenha dormido bem.

A voz dele estava mais carregada do que o normal, arrastada com um tom preguiçoso e satisfeito.

Sofia estreitou os olhos.

— O engraçado é que você não parecia alguém que dormia bem até sábado.

Vincent segurou o olhar dela por um instante mais longo do que o necessário antes de desviar para os papéis à sua frente.

— As coisas mudam.

E aquilo foi um golpe inesperado em Sofia. As coisas estavam mudando, isso significava que alguém estava fazendo Vincent mudar e esse alguém não era ela. Ainda não, mas ela não ficaria para trás.

O som de passos precisos e seguros no corredor interrompeu a troca silenciosa de tensão entre os dois. Sofia sabia quem era antes mesmo de se virar.

Luna.

Tudo fez sentido.

A mudança repentina no humor de Vincent, o brilho de satisfação mascarada nos olhos dele, o novo peso que parecia carregar nos ombros, como um homem que finalmente voltou a ser quem era.

Era ela. Luna tinha feito isso.

Quando Luna entrou na sala, seus olhos escuros varreram o ambiente por um instante antes de se fixarem diretamente em Sofia e naquele breve momento elas se entenderam sem precisar de palavras.

Sofia sabia e Luna sabia que ela sabia.

Foi um sorriso discreto, pequeno, um movimento quase imperceptível nos lábios de Luna bem desenhados, mas para Sofia, aquilo foi um desafio aberto. Uma provocação silenciosa.

"Tu tá atrasada, querida. Eu cheguei primeiro."

Sofia não recuou. Seu próprio sorriso foi igualmente pequeno, igualmente afiado.

"Aproveita enquanto dura. Eu não sou de perder."

O ar na sala mudou de novo. Agora não era apenas Vincent irradiando poder. Era um campo de batalha. Um onde as armas eram olhares, gestos, presença e Sofia não pretendia sair derrotada.

Luna caminhou até a mesa e jogou um documento diante de Vincent, como se não houvesse nada de anormal no ambiente.

— Os contratos de distribuição do sul já estão revisados. Só precisa assinar.

Vincent pegou os papéis sem pressa, sem olhar para nenhuma das duas, mas ele sentia. Ele sabia o que estava acontecendo ali e estava adorando cada segundo.

Sofia cruzou os braços, inclinando-se levemente contra a borda da mesa.

— Bom saber que tudo foi resolvido rápido. Afinal, certos assuntos devem ser priorizados.

A frase foi casual, mas não o suficiente para esconder a insinuação.

Luna captou no mesmo segundo, mas ela não se alterou. Apenas sorriu de novo, porque, no fim das contas, ela já tinha vencido a primeira rodada. Agora, Sofia precisava correr atrás do atraso.

A noite caía lenta sobre Blumenau, como um manto de veludo cobrindo a cidade. O expediente na Charcutarias Weiser já havia encerrado para a maioria dos funcionários, mas no topo do prédio, no escritório de Vincent Weiser, o jogo ainda estava longe de acabar.

Os passos de Luna eram firmes e confiantes enquanto atravessava o corredor silencioso. As luzes já estavam apagadas na maioria das salas, e a recepcionista da diretoria já havia ido embora.

Empurrou a porta sem bater, encontrando Vincent onde já esperava que ele estivesse.

Sentado em sua cadeira imponente, ele tamborilava os dedos sobre a mesa, o olhar fixo na cidade além das enormes janelas de vidro. Parecia distraído, mas Luna sabia que não estava. Ele a esperava.

Ela fechou a porta atrás de si, sem pressa, permitindo que o silêncio preenchesse o ambiente antes de ser quebrado.

— Tu me quer aqui essa noite, Vincent? — A voz dela era baixa, lânguida, carregada com uma certeza de que a resposta já estava dada.

Vincent sorriu de canto, finalmente desviando o olhar para ela.

— Você ainda pergunta?

Luna sorriu de volta.

Então, sem hesitar, começou a desfazer os botões de sua blusa, um por um.

Vincent observava cada movimento dela com atenção afiada, sem desviar os olhos conforme a pele dourada de Luna ia sendo revelada.

Ele não disse nada. Ainda não.

Sabia que o silêncio, naquele momento, era mais poderoso do que qualquer comando verbal.

Ela tirou a blusa lentamente, deixando-a escorregar pelos ombros antes de jogá-la sobre a mesa.

Os olhos de Vincent brilharam com algo primitivo. Controle, posse, poder.

— De quatro — A ordem veio baixa, mas inegável.

Luna imediatamente obedeceu.

Ajoelhou-se à frente dele, exatamente como ele gostava, as costas retas, os olhos fixos nele, esperando.

Vincent inclinou-se para frente, deslizando os dedos pelo queixo dela, segurando-o com firmeza.

— Boa garota.

Luna sorriu, satisfeita. Ela sabia que Vincent estava se encontrando de novo e ela adorava ver isso acontecer, mas então… A porta se abriu.

Sofia não parecia surpresa. Não havia choque em seu rosto, nem indignação. Seus olhos percorriam a cena lentamente, absorvendo cada detalhe.

Luna, ajoelhada. Vincent, no comando.

Ela sorriu. Um sorriso preguiçoso, provocador, quase divertido.

— Eu sabia.

Vincent não se moveu.

Os olhos dele seguraram os dela, como se quisessem ler exatamente o que Sofia queria com aquela interrupção. E Sofia queria. Ela queria estar ali. Ela queria fazer parte disso. Luna olhou por sobre os ombros e percebeu no mesmo instante. Seu sorriso se alargou, um brilho malicioso surgindo no olhar.

— Ficou curiosa, Sofia?

Sofia deu dois passos para dentro da sala, trancando a porta atrás de si sem hesitação.

— Eu sempre estive curiosa.

O ar no escritório se tornou elétrico.

Vincent finalmente se moveu, recostando-se na cadeira, observando Sofia com um olhar de pura avaliação.

— Então fecha a porta e mostra o quanto.

Sofia não hesitou.

O ambiente estava impregnado por algo denso, elétrico. O som distante do trânsito de Blumenau mal atravessava as janelas, transformando aquele escritório em um universo à parte, um território selado, onde regras eram criadas e quebradas na mesma respiração.

Vincent recostou-se na cadeira de couro escuro, os olhos azuis deslizavam entre Luna e Sofia como um predador que acabava de cercar suas presas. Ele não precisava falar. O silêncio já era uma sentença, carregado de promessas e provocações.

Luna ajoelhada à frente dele, exatamente como ele gostava, as costas retas, o olhar atento, esperando. A expectativa vibrava em cada centímetro exposto de sua pele. Ela adorava esse jogo, o lento desenrolar da autoridade dele, o prazer de ser conduzida à beira do abismo apenas para ser puxada de volta no último instante.

Sofia, por outro lado, em pé, perto da porta, observava a cena com uma expressão de puro desafio, o que só tornava tudo mais interessante. Vincent sabia que ela gostava do controle, mas ali, naquele momento, ela estava prestes a aprender uma nova definição de poder.

Ele inclinou-se para frente, os cotovelos apoiados na mesa de madeira maciça, deixando os dedos deslizarem preguiçosamente sobre a superfície fria. Um sorriso de canto curvou seus lábios quando seu olhar pousou sobre os instrumentos improvisados que usaria naquela noite.

Uma régua de metal, o cinto de couro escuro de seu próprio terno, gravatas de seda que mantinha sobressalentes e, claro, sua própria voz, o mais afiado de todos os instrumentos.

Ele pegou a régua primeiro, deixando o metal frio deslizar por entre os dedos. O som cortante do material raspando contra a mesa fez Luna se arrepiar, enquanto Sofia apenas ergueu uma sobrancelha, avaliando-o com atenção.

— Tirem o restante das roupas — A ordem veio firme, sem hesitação.

Luna obedeceu, os dedos desfazendo os últimos botões da saia enquanto deslizava o tecido por suas pernas, revelando a pele quente e exposta sob a luz suave do escritório. Sofia, no entanto, demorou um pouco mais, desafiadora, olhando para Vincent como se esperasse algo mais.

Ele sorriu.

— Você quer que eu peça de novo, Sofia?

A forma como ele disse o nome dela fez algo estremecer dentro dela. O jeito como as sílabas rolavam pela língua dele, arrastadas e carregadas de autoridade, fazia seu coração bater mais rápido.

Sem mais resistência, ela começou a tirar a própria roupa, lenta, deliberadamente, até que estivesse vulnerável e exposta sob o olhar afiado de Vincent.

Ele se levantou, andando ao redor delas como um artista analisando sua obra. Pegou a gravata e passou-a entre os dedos, testando sua resistência antes de puxar os pulsos de Luna para trás, amarrando-os com firmeza calculada.

— Você confia em mim, Luna?

Ela olhou para ele, os olhos escuros brilhando.

— Sempre.

Vincent testou o nó, satisfeito, antes de deslizar a ponta da régua fria pela curva da coluna dela, descendo lentamente, explorando a pele arrepiada sob seu toque. Sofia observava, imóvel, o peito subindo e descendo em um ritmo acelerado.

Quando Vincent se virou para ela, segurando o cinto dobrado em seu punho, sua voz veio baixa, quase um sussurro:

— E você, Sofia? Está pronta para aprender?

O sorriso dela foi lento, perigoso.

— Me ensina.

E então, a noite começou de verdade.

O silêncio era espesso, pesado como veludo negro, interrompido apenas pelo som da respiração de Luna e Sofia. Vincent observava as duas, ajoelhadas diante dele, como um rei diante de suas devotas. O poder que emanava daquela cena era quase tangível, eletrizando o ar ao redor.

Luna foi a primeira a se inclinar, os lábios quentes e molhados roçando levemente o membro duro de Vincent através da calça. Um toque que não era um pedido, mas uma provocação. Os olhos escuros dela subiram para encontrar os dele, ela sorriu, satisfeita com a forma como Vincent inspirou fundo, controlando a própria reação.

Sofia não ficou para trás. Ao contrário, deslizou os dedos lentamente pela borda da camisa dele, desabotoando os últimos botões e afastando o tecido, expondo a pele quente sob a luz branda do escritório. As unhas arranharam levemente a linha firme de seu abdômen antes que seus lábios seguissem o mesmo caminho, deixando uma trilha de calor e expectativa.

Vincent inclinou a cabeça para trás por um breve momento, sentindo o arrepio do contraste entre os toques. O calor úmido da boca de Luna, o deslizar das unhas de Sofia, tudo se somava, criando uma tempestade contida prestes a explodir.

Ele segurou os cabelos de Luna firmemente, guiando seus movimentos, enquanto Sofia trabalhava sua língua habilmente contra seu abdômen, harmonizando seus gemidos com os sons molhados de Luna.

O cheiro de desejo saturava o ar, misturando-se ao aroma amadeirado do perfume de Vincent, tornando a atmosfera inebriante.

— Vocês aprendem rápido… — A voz dele veio grave, carregada de prazer contido, os dedos se entrelaçando ao redor dos fios de cabelo das duas.

Luna sorriu contra a rigidez que oscilava diante de seu rosto, seu olhar travesso nunca se desviando do olhar magnético de Vincent, enquanto o provocava com mais intensidade. Sofia apenas riu baixo, aspirando o aroma da masculinidade, deixando Vincent ansioso pelo que viria a seguir.

Vincent pairava sobre elas absoluto, os olhos azuis, escuros de intenção, avaliando cada detalhe, cada resposta não dita que surgia no estremecer da pele, no prender da respiração, no rubor que se espalhava como tinta sob a luz suave do escritório.

Luna já estava entregue, a gravata de seda envolvendo seus pulsos como um lembrete de sua escolha. O corpo dela dizia tudo, uma pintura de rendição e expectativa, ansiosa pelo próximo toque, pelo próximo comando, mas o brilho no olhar de Sofia que mais o fascinava.

Ela estava ali, de joelhos, observando, sentindo. Vincent via a chama nos olhos dela, e era esse jogo, essa hesitação misturada ao desejo ardente, que o fazia querer levá-la ao limite.

Ele se aproximou, o cinto de couro dobrado entre os dedos, e sem desviar o olhar, deslizou a ponta do material pela pele nua do braço de Sofia, descendo lentamente, como uma serpente explorando seu caminho. O arrepio veio imediato, uma confissão silenciosa que ela não conseguia conter.

— Você gosta de testar seus próprios limites, Sofia? — A voz dele era baixa, quase um sussurro, como um fio de seda deslizando pela pele dela.

Sofia umedeceu os lábios, mas manteve o queixo erguido.

— Eu gosto de saber até onde posso ir.

Vincent sorriu, satisfeito.

— Então vamos descobrir juntos.

O cinto deslizou pelo ombro dela, descendo em um traçado preguiçoso pela lateral de sua cintura, provocando sensações que se espalhavam como um incêndio silencioso, culminando em um estalo ardente em seu traseiro branco. O olhar dela vacilou por um instante, os dedos crispando levemente ao lado do corpo.

Sofia estava começando a entender.

O jogo não era apenas sobre controle ou entrega. Era sobre sentir cada nuance do momento, sobre saborear cada segundo sem pressa, sem distrações, até que o desejo se tornasse algo maior do que qualquer resistência.

Vincent deu um passo para trás e olhou para Luna, os lábios curvando-se em um meio sorriso ao vê-la observando tudo com olhos atentos, o peito subindo e descendo em antecipação. Luna gostava de assistir quase tanto quanto gostava de participar.

— Luna, me diga… — A voz dele cortou o silêncio como uma lâmina afiada — O que você vê?

Luna inclinou a cabeça, um brilho malicioso nos olhos.

— Vejo alguém que quer ceder, mas ainda luta contra si mesma.

Vincent segurou o olhar de Sofia.

— Ela está certa?

Sofia sentiu o coração martelar contra as costelas. Não era uma pergunta fácil, mas, no fundo, ela sabia a resposta.

Lentamente, quase imperceptivelmente, ela assentiu.

Vincent se moveu com a precisão de alguém que já venceu a batalha antes mesmo da guerra começar. Ele guiou Sofia até a mesa, as mãos firmes em sua cintura, o verniz frio da madeira contra a pele quente, uma contraposição deliciosa que fez um arrepio percorrer sua espinha.

Luna se aproximou, deslizando os dedos suavemente pelo braço de Sofia, um toque leve que provocou um suspiro entrecortado. Era um jogo de estímulos e provocações, de sensações crescendo em intensidade até se tornarem impossíveis de conter.

À medida que Vincent introduzia seu membro, Sofia sentia sua resistência se dissipar como vapor, substituída por algo mais forte, mais verdadeiro. O calor subia, os sentidos se tornavam mais aguçados, cada movimento sendo gravado em sua pele, em sua memória. As mãos de Vincent, firmes em seus quadris, apertando sua carne enquanto socava forte, transmitiam a segurança e o domínio, o poder e a luxúria.

As estocadas ficaram mais rápidas e intensas, fazendo a eletricidade emanar de sua espinha, percorrer todo seu corpo até e se concentrar em seu sexo. E então, quando finalmente cruzou aquela última fronteira entre controle e entrega, o clímax veio como uma explosão insana, inesperada, intensa, inevitável.

Seu corpo arqueou, os olhos se fecharam, e por um instante, não havia mais nada além da sensação pura, do prazer absoluto que se desenrolava dentro dela como uma onda violenta e avassaladora.

Quando finalmente voltou a si, o silêncio do escritório parecia diferente. Mais denso, mais íntimo. Luna sorria, satisfeita. Vincent a observava com aquele olhar perigoso, intenso, de quem sabia exatamente o que havia feito. Sofia respirou fundo, ainda sentindo as reverberações pelo corpo, e então ergueu os olhos para Vincent, um brilho novo na expressão.

Ela entendia agora e estava pronta para mais.

Ela escorregou para o tapete, rendida ao desejo que pulsava dentro de si. Seus olhos estavam fixos na ereção que se mantinha, quando Vincent puxou seu rosto para mais perto.

Os lábios dela o envolveram, suaves como veludo, os olhos azuis fixos nos dele enquanto suas mãos firmes e dominadoras envolviam os longos cabelos loiros, mantendo-os firmes enquanto guiava seus movimentos. A boca macia deslizava úmida por toda a extensão de seu comprimento enquanto a língua macia serpenteava pela pele. Vincent arfou sentindo o ar fugindo de seus pulmões, as ondas de prazer o atingiram como vento impetuoso em uma tempestade até que o ápice veio como um trovão.

Satisfeita consigo mesma, Sofia se sentou sobre os calcanhares sentindo o olhar de Vincent iluminar-se sobre ela enquanto engolia seu esperma. A sensação de pertencimento a envolvia como se lhe desse boas-vindas, a fazendo ligada a ele de uma forma que nunca imaginou sentir. Ela ergueu os olhos, fitando-o, submissa, à disposição. E Vincent percebeu isso. Ela agora era dele.

Os olhos de Vincent pousaram sobre Luna, ainda via o calor do desejo insistente e suplicante que não havia se dissipado.

Após um gesto, sem palavras, Luna inclinou-se sobre o tapete, oferecendo-se ao seu mestre, que sem rodeios, se posicionou atrás dela. Sentiu as mãos grandes deslizando por sua cintura, firmando seu quadril, fazendo seu corpo estremecer diante da expectativa.

— Vocês são demais — sussurrou, alternando seu olhar para Sofia — Vocês duas.

O coração da loira disparou ao ouvir a declaração dele. Tomada de sentimentos e entrega profunda, ela acariciou seu rosto e uniu seus lábios aos dele em um beijo suave que dizia mais do que qualquer palavra que pudesse descrever.

Luna sentia as fibras sob seu rosto, a maciez contrastando com a firmeza das mãos que segurava sua cintura. Ali, ajoelhada, o rosto roçando contra o tapete, ela não era apenas corpo, mas intenção pura. O coração pulsava reverberando por todo seu corpo, uma batida errática que acompanhava a antecipação que crescia dentro dela, como uma maré subindo lentamente para a inevitável onda.

Vincent estava atrás dela, uma presença firme e inescapável. Ele não se apressava. Gostava de saborear o momento, de prolongar a espera até que se tornasse insuportável. O olhar dele era um peso sobre suas costas nuas, queimando trilhas invisíveis sobre sua pele arrepiada.

Luna fechou os olhos, entregando-se à sensação de ser observada, avaliada, desejada.

Vincent deslizou os dedos pela curva de sua coluna, um toque lento, quase torturante, como um artista decidindo onde traçar sua próxima linha. Luna sentiu os músculos contraírem sob o contato iminente, um arrepio disparando por sua espinha.

— Me fode com força, Vincent.

— Você sabe o que está pedindo? — A voz dele veio baixa, arrastada, como um fio de fumaça envolvendo sua mente.

Ela assentiu, a respiração trêmula.

— Eu sei.

Havia algo de belo na entrega absoluta. Na forma como o controle escorregava dos dedos apenas para ser substituído por algo mais profundo, mais intenso. O calor que crescia dentro dela se espalhava, dominava cada nervo, cada centímetro de sua pele febril.

Vincent empurrou, abrindo caminho dentro dela até pressionar o colo do útero. O mundo de Luna se contraiu até se resumir a ele.

O tempo se dissolvia, os segundos estendiam-se em sensações longas, como se cada instante fosse uma eternidade feita de suspiros contidos e prazer crescente. Vincent desferiu tapas ardentes deixando sua marca enquanto sussurrava obscenidades e puxava para si o traseiro de Luna. O ambiente era preenchido pelos gemidos profundos e os choques repetitivos de seus corpos.

E então veio o ápice, não como um trovão súbito, mas como um incêndio inevitável. Primeiro, pequenas faíscas, um calor cada vez mais intenso, consumindo-a por dentro até que, finalmente, a explosão.

O corpo de Luna arqueou, os dedos se crispando contra o tapete, o prazer derramando-se por cada fibra de seu ser. Era libertação, rendição, um grito silencioso que ecoava apenas dentro dela.

Quando o mundo voltou a se encaixar ao seu redor, o silêncio entre os dois já não era o mesmo. Estava impregnado de algo mais profundo, mais sombrio e, ao mesmo tempo, mais íntimo.

Vincent deslizou os dedos por seus cabelos, um gesto possessivo, quase terno.

Luna sorriu, os olhos ainda fechados, sentindo a satisfação irradiar de sua pele como o calor de uma fogueira recém-apagada.

O relógio digital sobre o aparador marcava 01h17, mas ninguém na sala parecia se importar com o tempo.

O escritório de Vincent Weiser, normalmente frio e austero, agora era um ambiente carregado de algo mais espesso que o próprio ar. O cheiro de whisky misturava-se a um perfume mais intenso e íntimo, resquícios do que havia acontecido ali dentro nas últimas horas.

Luna estava recostada contra a mesa, as pernas ainda nuas, a camisa de Vincent folgada sobre seu corpo iluminado pela luz do escritório.

Sofia estava ao lado, ajeitando os botões de sua própria blusa, o cabelo desalinhado de uma forma que denunciava exatamente o que haviam feito.

E Vincent?

Ele estava sentado na poltrona de couro, a camisa aberta e mal ajustada ao torso, o olhar perdido em um ponto distante.

O peso do poder ainda vibrava sobre sua pele. Ele havia reclamado sua posição. Ele havia retomado o controle, mas será que isso significava que estava realmente de volta?

Luna pareceu ler seus pensamentos.

Ela deslizou pela mesa com a mesma graça felina de sempre e caminhou até ele, parando entre suas pernas como se aquele ainda fosse o único lugar ao qual pertencia.

Seus dedos deslizaram pelo cabelo grisalhos de Vincent antes de segurá-lo suavemente pela nuca.

— Finalmente — A voz dela saiu baixa, satisfeito. Quase uma prece.

Vincent ergueu os olhos para ela.

— Finalmente, o quê?

Luna sorriu, os lábios ainda avermelhados.

— O Vincent que eu conheço está de volta.

Vincent não respondeu.

Ele queria acreditar nisso.

Queria acreditar que tudo o que estava enterrado dentro dele finalmente havia emergido novamente. Mas a verdade era que ele ainda não tinha certeza. Ainda havia algo faltando. Sofia, que observava tudo com um olhar afiado, percebeu a hesitação.

Ela pegou um dos copos abandonados na mesa, serviu-se de um último gole de whisky e caminhou até eles.

— Isso ainda não é suficiente pra você, né?

Vincent a olhou de canto.

Sofia riu, balançando a cabeça.

— É claro que não — completou

Luna cruzou os braços, observando Sofia com curiosidade.

— E o que tu acha que falta?

Sofia encostou-se na mesa, tomando um gole lento do whisky antes de responder.

— Desafio.

Vincent estreitou os olhos.

— Desafio?

Sofia girou o copo nos dedos, os olhos fixos nele como se estivesse preparando algo grande.

— O que aconteceu aqui hoje foi… intenso — Ela deslizou a língua pelos lábios, um sorriso predador se formando — Mas previsível.

Luna arqueou uma sobrancelha.

— Previsível?

Sofia sorriu.

— Eu já sabia que ia acontecer. A gente já sabia.

Ela inclinou-se para frente, os olhos brilhando de algo perigoso.

— Mas e se o próximo passo for algo que ninguém espera?

Vincent sentiu algo despertar dentro dele de novo.

Uma faísca. Curiosidade.

Luna também.

— O que tu tá propondo? — A voz dela saiu arrastada, intrigada.

Sofia pousou o copo na mesa.

— Algo que leve o Vincent de volta de vez. Algo que faça ele parar de duvidar de quem realmente é — Ela olhou para ele com um desafio explícito nos olhos — Algo que você não vai conseguir dizer não.

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Foto de perfil de Fabio N.MFabio N.MContos: 137Seguidores: 159Seguindo: 51Mensagem Segredos para uma boa história: 1) Personagens bem construídos com papéis e personalidades bem definidas qualidades e defeitos (ninguém gosta de Mary Sue ou Gary Stu); 2) Conflitos: "A quer B, mas C o impede" sendo aplicado a conflitos internos e externos; 3) Ambientação sensorial, descrevendo onde estão seus personagens, o que estão vendo ou sentindo.

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