Fogo Ruivo - O calor que não se explica (Versão dela)

Da série Fogo Ruivo
Um conto erótico de pedrocamargo
Categoria: Heterossexual
Contém 2742 palavras
Data: 01/04/2025 18:34:54

Eu nunca planejei isso. Não planejei o jeito como o olhar dele começou a me queimar, nem como o som da voz dele, grave e controlado, passou a ecoar nos meus pensamentos em momentos que eu deveria estar pensando em outra coisa — em Ricardo, nas contas, no jantar de amanhã. Mas Marcelo não é o tipo de coisa que se planeja. Ele é um acidente que eu deixei acontecer, uma faísca que eu soprei até virar chama. E agora, meses depois daquele estacionamento, eu não consigo — nem quero — apagar.

Era um sábado de abril, o ar pesado de um outono que ainda carregava o calor do verão. A casa estava cheia de novo, um churrasco na casa dos meus sogros, o mesmo quintal onde tudo começou a se desenhar entre nós. Eu sabia que ele estaria lá, claro. Sabia desde o momento em que vesti o vestido azul que abraçava meu corpo como uma segunda pele, os cabelos ruivos soltos caindo sobre os ombros, o batom vermelho que eu escolhi só porque sei que ele repara. Não era pra ninguém mais — era pra ele, pro jeito como os olhos dele escurecem quando me veem assim.

Cheguei com Ricardo, o braço dele roçando o meu enquanto carregávamos as coisas do carro, e eu sorri, beijei o rosto dele, fiz o papel de sempre. Mas meu corpo já estava em outro lugar. Quando vi Marcelo do outro lado do quintal, segurando uma cerveja e rindo de algo que meu sogro dizia, senti o calor subir pela nuca. Ele estava de camisa polo preta, as mangas dobradas mostrando os antebraços que eu já conhecia tão bem, o cabelo bagunçado de um jeito que me dava vontade de enfiar os dedos ali. Nossos olhos se cruzaram por um segundo, e eu soube: ele também estava sentindo.

Não trocamos palavras logo de cara. Não precisava. O jogo já estava em andamento, os passos calculados que a gente aprendeu a dançar tão bem. Eu me movi pelo quintal, ajudando com a comida, rindo com as crianças, mas cada gesto meu era um fio puxando ele pra mais perto. Eu sentia ele me olhando — o jeito como eu jogava o cabelo pra trás, a curva do meu pescoço quando ria alto demais, o balançar do vestido contra as coxas. Ele não disfarçava mais tanto quanto antes, e eu adorava isso. Adorava o risco, o peso daquele olhar que dizia tudo sem dizer nada.

Foi na cozinha que o primeiro toque veio. Eu entrei pra pegar mais gelo, o barulho da festa abafado pela porta fechada, e ele apareceu logo depois, como se soubesse que eu estaria ali sozinha. Ele não disse nada, só se aproximou com aquela calma que me desarma, os olhos fixos nos meus. Eu me apoiei na bancada, o coração já acelerado, e deixei ele vir. A mão dele roçou minha cintura, um toque leve que fingia ser acidental, mas que eu sabia que não era. Eu inclinei o rosto, os lábios quase tocando os dele, e sussurrei:

— Tá demorando muito pra me encontrar hoje, cunhado.

Ele riu baixo, aquele som que faz meu corpo inteiro reagir, e apertou minha cintura com mais força, me puxando contra ele por um segundo antes de recuar.

— Você não facilita, Ju — respondeu ele, os olhos descendo pro meu decote por um instante antes de voltarem pro meu rosto. — Tá me matando com esse vestido.

Eu sorri, mordendo o lábio, e me afastei antes que alguém entrasse. Mas o calor daquele toque ficou comigo, pulsando na pele, me deixando faminta por mais. Eu sabia que não ia acabar ali — nunca acabava. Era só o começo de mais uma dança, mais uma tarde em que o proibido ia me consumir inteira.

Saí da cozinha com o saco de gelo na mão, o coração batendo tão alto que eu podia jurar que alguém ia ouvir. O toque dele ainda queimava na minha cintura, um calor que subia pelas costelas e se espalhava até lugares que eu não podia deixar transparecer — não ali, no meio de todo mundo. Voltei pro quintal, o sol batendo forte na pele, o vestido azul colando no corpo com o suor que começava a brotar. Eu sabia que ele estava me olhando, mesmo sem virar pra confirmar. Era como um fio invisível, uma corrente que me puxava pra ele mesmo estando a metros de distância.

Passei por Ricardo, que estava virando carne na churrasqueira, o cheiro de fumaça misturado ao suor dele, e dei um sorriso automático, um beijo rápido no ombro pra manter as aparências. Ele nem percebeu o quanto eu estava fora de órbita, perdido numa conversa sobre futebol com o tio. Melhor assim. Meus olhos procuraram Marcelo sem querer — ou querendo muito —, e lá estava ele, encostado na mureta do quintal, a cerveja quase acabando na mão, o olhar fixo em mim. Não era disfarçado dessa vez. Era descarado, faminto, e eu senti um arrepio descer pela espinha, mesmo com o calor de rachar.

Eu me movi com propósito agora. Peguei uma garrafa d’água na mesa, fingindo que precisava me refrescar, e deixei o vestido subir um pouco mais na coxa enquanto me inclinava. Não foi sutil, e eu não queria que fosse. Ouvi ele soltar um suspiro baixo do outro lado do quintal, quase engasgando com a cerveja, e sorri sozinha, os lábios escondidos atrás da garrafa. Ele era tão fácil de provocar, e eu adorava isso — adorava o poder de desmontá-lo com um gesto, de saber que ele estava imaginando as mesmas coisas que eu.

A tarde foi passando, o sol baixando devagar, tingindo tudo de um laranja quente que só aumentava a sensação de urgência no meu peito. As conversas ficaram mais altas, o álcool soltando as línguas, mas eu estava sóbria demais pro meu gosto — sóbria de bebida, mas bêbada dele. Em certo momento, vi Ana, a esposa dele, rindo com minha sogra perto da mesa de sobremesas. Ela estava tão alheia, tão tranquila, e eu me perguntei por um segundo se ela já tinha sentido ele se afastar, mesmo que só na cabeça. Mas a culpa não veio. Não vem mais. O que eu sinto por Marcelo não é sobre tirar algo dela — é sobre pegar algo que já é meu, de um jeito que ninguém mais entende.

A chance veio quando o pessoal começou a se espalhar. As crianças corriam pelo gramado, os adultos se dividiam entre a sombra e a churrasqueira, e eu vi ele indo na direção da garagem, supostamente pra pegar mais carvão. Eu não pensei duas vezes. Disse pra Ricardo que ia pegar um casaco no carro — uma mentira besta, mas ele nem prestou atenção, acenando com a espátula na mão. Meu coração disparou enquanto eu atravessava o quintal, os pés descalços na grama, o vestido balançando contra as pernas. A garagem ficava num canto mais reservado, atrás da casa, e quando cheguei lá, ele estava de costas, mexendo numa pilha de sacos.

— Tá precisando de ajuda, cunhado? — perguntei, a voz saindo mais rouca do que eu pretendia, carregada de um tom que ele conhecia bem.

Ele virou devagar, os olhos encontrando os meus, e eu vi o jeito como a postura dele mudou — os ombros se endireitando, o peito subindo com uma respiração mais funda. Ele largou o saco de carvão no chão, limpando as mãos na calça, e deu um passo na minha direção. A luz da garagem era fraca, só um fio de sol entrando pela janela empoeirada, mas era o suficiente pra eu ver o desejo estampado no rosto dele.

— Você não veio pra ajudar, Ju — disse ele, a voz grave, quase um rosnado, enquanto se aproximava mais. — Veio pra me ferrar de novo, não foi?

Eu ri baixo, o som ecoando no espaço apertado, e me encostei na parede de concreto, os braços cruzados sob o peito pra levantar o decote só um pouco mais.

— E se eu vim? — retruquei, inclinando a cabeça, os cabelos ruivos caindo de lado. — Você reclama, mas não foge.

Ele parou a um passo de mim, tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele, o cheiro de cerveja misturado ao suor e a algo que era só dele. A mão dele subiu até meu rosto, os dedos roçando meu queixo antes de descerem pro meu pescoço, apertando de leve, só o suficiente pra me fazer suspirar. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça, as pernas tremendo um pouco, o calor se acumulando entre as coxas.

— Porque eu não quero fugir — murmurou ele, os lábios a centímetros dos meus, o hálito quente contra minha pele. — Você me pega toda vez, Juliana. E eu deixo.

Eu não esperei mais. Levantei o rosto e o beijei, um choque quente e urgente, os lábios se abrindo pro dele como se eu tivesse passado o dia inteiro esperando por isso — e talvez tivesse. Ele me pressionou contra a parede, o corpo duro contra o meu, as mãos descendo pros meus quadris, agarrando o tecido do vestido como se quisesse rasgá-lo. Eu gemi contra a boca dele, os dedos enroscando no cabelo dele, puxando com força enquanto a língua dele invadia a minha, faminta, desesperada.

O som de vozes ao longe nos fez parar, os dois ofegantes, os olhos arregalados na penumbra. Ele recuou um passo, passando a mão pelo rosto, e eu ri de novo, o peito subindo e descendo rápido demais.

— Perigoso pra caramba — sussurrei, ajeitando o vestido, mas sem tirar os olhos dele.

— Você gosta disso — respondeu ele, um sorriso torto no rosto, os olhos ainda escuros de desejo. — E eu também.

Ele pegou o saco de carvão e saiu, me deixando ali, o corpo pulsando, a boca ainda com o gosto dele. Eu sabia que não ia acabar assim — nunca acabava. Era só mais um round no jogo que a gente não conseguia parar de jogar.

Eu saí da garagem com as pernas moles, o gosto dele ainda na minha boca, o coração martelando como se eu tivesse corrido uma maratona. O quintal estava vivo, o som das risadas e da música sertaneja que alguém colocou pra tocar misturando-se ao crepitar da churrasqueira. Mas eu não conseguia me concentrar em nada além do calor que ele deixou em mim, da promessa não dita que ficou pairando no ar. Eu precisava dele — agora, de um jeito que não dava pra esperar até o próximo encontro furtivo ou mensagem no celular. Era visceral, uma fome que me comia por dentro.

Voltei pro meio da festa, tentando me misturar, mas meus olhos o encontraram quase imediatamente. Ele estava perto da mesa de bebidas, enchendo um copo com gelo, a camisa preta grudada no peito com o suor do dia quente. Ele me viu também, e o jeito como ele parou, os dedos apertando o copo com mais força, me disse que ele sabia o que eu queria. Eu não pensei muito. Peguei uma garrafa d’água vazia da mesa e fiz um gesto sutil com a cabeça na direção da casa, um convite que ele não ia recusar. Ele largou o copo, murmurou algo pro meu sogro que estava ao lado, e veio atrás de mim.

Entrei pela porta dos fundos, o barulho da festa ficando abafado assim que pisei na cozinha. O corredor estreito que levava ao banheiro dos fundos era o lugar perfeito — isolado, mas perigoso, com a porta da sala a poucos metros e o risco de alguém aparecer a qualquer segundo. Meu corpo inteiro tremia de antecipação enquanto eu ouvia os passos dele atrás de mim, pesados, decididos. Ele não perdeu tempo. Assim que entrei no corredor, senti a mão dele agarrar meu braço, me girando contra a parede com uma força que me fez ofegar.

— Você tá louca, Ju — sussurrou ele, a voz rouca, os olhos escuros brilhando com um misto de desejo e urgência. — Aqui?

— Louca por você — respondi, os lábios já procurando os dele, o corpo se arqueando contra o dele como se tivesse vontade própria. — Rápido, antes que alguém venha.

Ele não precisou de mais. O beijo veio quente e desleixado, os lábios dele esmagando os meus, a língua invadindo minha boca com uma fome que me deixou tonta. Eu gemi alto demais, e ele tapou minha boca com a mão, os dedos firmes contra meus lábios enquanto me empurrava mais forte contra a parede. O concreto frio nas minhas costas contrastava com o calor dele na frente, o peito dele colado ao meu, o volume na calça dele pressionando minha coxa. Eu podia sentir tudo, e isso me incendiava.

— Quietinha — grunhiu ele, a mão livre descendo pelo meu corpo, agarrando o vestido e puxando pra cima com um movimento brusco. O tecido subiu até minha cintura, expondo a calcinha preta que eu tinha escolhido pensando nele, e eu senti o ar fresco contra a pele antes que os dedos dele encontrassem o caminho. Ele roçou por cima da renda, sentindo o quanto eu já estava molhada, e soltou um som baixo, quase um rosnado, contra meu pescoço.

— Caralho, Ju, você tá assim por mim? — perguntou ele, os dentes mordendo de leve a pele abaixo da minha orelha enquanto os dedos empurravam a calcinha pro lado, entrando em mim sem aviso.

Eu mordi a mão dele pra abafar o gemido, os olhos revirando com o choque quente daquele toque. Ele sabia exatamente o que fazer, os dedos se movendo rápido, firmes, me levando ao limite em segundos. Meu quadril se mexia contra ele, implorando por mais, e eu agarrei a camisa dele com as unhas, puxando-o pra mais perto enquanto o beijava de novo, os dentes batendo nos dele de tão desesperada que eu estava.

— Me pega, Marcelo — sussurrei contra a boca dele, a voz tremendo de tesão e medo. — Agora, por favor.

Ele não hesitou. Soltou minha boca pra abrir a calça com uma mão, o som do zíper quase alto demais no silêncio do corredor. Eu ouvi vozes vindo da sala, o som de passos distantes, e meu coração disparou ainda mais, o risco me empurrando pro precipício. Ele me levantou com facilidade, as mãos fortes segurando minhas coxas, e eu enrolei as pernas na cintura dele, o vestido amassado entre nós. Quando ele me penetrou, foi rápido e fundo, um golpe que me fez arquear as costas contra a parede, o ar escapando dos pulmões num gemido abafado.

— Shh, Ju — murmurou ele, uma mão subindo pro meu pescoço, apertando de leve enquanto se movia, o ritmo frenético, os quadris batendo nos meus com uma força que fazia o mundo girar. — Não deixa eles ouvirem.

Eu não conseguia pensar, só sentir — o calor dele dentro de mim, o atrito da parede nas minhas costas, o cheiro dele misturado ao meu, o suor escorrendo pelo meu pescoço. Meus dedos cravaram nos ombros dele, as unhas rasgando o tecido da camisa enquanto eu me segurava, o prazer subindo rápido demais, misturado ao pânico de ouvir a porta da cozinha ranger. Ele me fodia com uma urgência crua, os olhos fixos nos meus, o rosto vermelho de esforço e tesão, e eu sabia que ele estava tão perdido quanto eu.

— Isso, Ju, goza pra mim — sussurrou ele, a voz entrecortada, os dedos apertando minha coxa com força enquanto eu sentia tudo se apertar, o clímax vindo como uma onda que eu não podia segurar.

Eu gozei mordendo o próprio lábio pra não gritar, o corpo tremendo contra o dele, as pernas apertando ele com mais força enquanto ele me seguia, um grunhido baixo escapando da garganta dele enquanto se derramava dentro de mim. Ficamos ali por um segundo, ofegantes, colados, o calor dos corpos misturado ao cheiro de sexo e adrenalina. O som de passos ficou mais alto, e ele me soltou rápido, me colocando no chão enquanto eu ajeitava o vestido com mãos trêmulas, o coração na garganta.

— Vai — sussurrei, empurrando ele pro banheiro enquanto eu corria pro outro lado do corredor, fingindo que vinha da sala. Meu corpo ainda pulsava, as coxas escorregadias, o gosto dele na boca, mas eu consegui voltar pro quintal com um sorriso falso, pegando uma cerveja como se nada tivesse acontecido.

Ele reapareceu um minuto depois, o cabelo bagunçado, a camisa amassada, e ninguém pareceu notar. Mas eu sabia. E quando ele me olhou por cima do copo, aquele brilho nos olhos dele me disse que ele também sabia: isso tinha sido insano, perigoso, e a melhor coisa que já tínhamos feito.

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