A Família Crescendo

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 2726 palavras
Data: 01/04/2025 22:07:46
Última revisão: 02/04/2025 07:00:42
Assuntos: Lésbicas

🚨 ALERTA GATILHO: SAÚDE MENTAL 🚨

Este conteúdo pode abordar temas sensíveis relacionados à saúde mental e outros tópicos que podem ser potencialmente perturbadores para algumas pessoas. Se você está passando por dificuldades emocionais ou psicológicas, é importante procurar apoio especializado.

Se precisar de ajuda imediata, entre em contato com um serviço de apoio psicológico, como o CVV (Centro de Valorização da Vida) no telefone 188 e assim que puder, busque auxílio profissional.

Cuide-se e lembre-se de que pedir ajuda é um passo importante para o bem-estar.

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Júlia havia iniciado o seu tratamento hormonal. Ela demorou um pouco, pois estava insegura com as reações que ele causava nela. Fui buscá-la na clínica de Sabrine e fomos almoçar juntas em um restaurante próximo ao colégio.

— Por que tá tão quietinha assim? — Perguntei, fazendo carinho em seu rosto.

— Eu estava conversando com Sabrine e ela acha que consigo reverter mudando a minha alimentação, sem precisar tomar aquele remédio estúpido — Juh me respondeu, encostando a cabeça no meu peito.

— Mas por que você tá triste, então? Isso não é bom? — Perguntei, mudando o carinho para o cabelo.

— Porque, para isso, eu vou ter que comer tudo isso — Respondeu-me, mostrando um plano alimentar.

— Foi em um nutri? — Perguntei, prestando mais atenção ao papel em suas mãos.

— Ela me arrastou em um — Respondeu, dessa vez deitando sobre a mesa.

— A cada dia gosto mais da amizade de vocês — Brinquei.

— Ganhei essas trufas sem glúten, sem açúcar, veganas e sem vida. Trouxe pra você — Juh falou e me entregou.

— Obrigada, amor... Quer dizer, eu acho, né... — Disse-lhe, rindo, mas ela estava bem desanimada.

— Não sei se vou conseguir fazer isso, porém não queria tomar esse remédio... — Ela lamentou.

Realmente, Juh se alimentar é complicado, e se alimentar bem piorou.

— Você pode tentar e, se não der certo, retorna para a medicação — Falei e dei um selinho nela.

Nós almoçamos e ela não conseguiu retornar para o trabalho, estava sonolenta, com dor de cabeça e sentindo náuseas. Sugeri que Júlia fosse para casa, contudo, ela não queria ficar sozinha, então nos dirigimos para o prédio. Eu iria passar a tarde resolvendo B.O.s, mas nós ainda tínhamos uns quarenta minutos para aproveitar.

Deitei no sofá e estiquei os braços, chamando para que ela também viesse, e a bichinha veio, toda molinha, se encaixando sobre mim. Nós dormimos um pouco.

Precisei levantar e tentei sair debaixo dela bem devagar, mas era inevitável não acordá-la.

— Fica... — Juh pediu, quase em um gemido, me prendendo novamente junto a ela.

— Tenho algumas coisas para fazer, amor, mas volto... Aqui tá bem gostosinho — Disse-lhe e dei um beijo em sua testa.

— Só mais um pouquinho, por favor... — A gatinha insistiu de forma melancólica, e eu cedi à tentação.

Não dormi novamente, ela sim, e eu fiquei ali fazendo carinho no meu neném e sentindo seu cheirinho. Não demorei muito e, dessa vez, foi mais fácil sair e retornar aos meus afazeres.

A maioria das coisas que resolvi foram em relação à clínica. Estávamos passando por problemas no andamento da obra. O prazo de entrega estipulado já se aproximava e, aparentemente, não estava nem um pouco perto de se finalizar.

Passei horas em videochamadas e ligações com diversas pessoas: as responsáveis e aquelas que poderiam solucionar. Porém, a sensação ao final do dia era de como se estivesse tudo completamente fora de controle. Aquilo não me fez bem.

Fiz uma pausa para tentar colocar a cabeça no lugar, e foi nesse momento que percebi que cometi um erro ao insistir tanto naquele assunto.

Meu peito estava pesado, como se um peso enorme estivesse pressionando contra ele. Minha respiração era curta e rápida, e por mais que eu tentasse puxar o ar fundo, não parecia ser o suficiente. Minhas mãos tremiam muito. Tentei segurá-las juntas, mas não adiantava. Os dedos começaram a formigar, extremamente frios e suados.

Minha mente estava um caos. Um pensamento atropelava o outro, em uma velocidade que nem eu mesma conseguia acompanhar. “O prazo está estourando. O pedreiro atrasou. E se a obra não terminar a tempo? E se eu tiver que cancelar atendimentos? E se eu perder pacientes por causa disso?” Cada “e se” ecoava como um alarme incessante dentro da minha cabeça, uma possibilidade pior que a outra.

Olhei ao redor e tudo parecia desfocado. Meu coração disparado, batendo tão forte que quase jurei que poderia ouvi-lo. Meu estômago se revirava e sintia aquele nó familiar na garganta. Meus músculos estavam tensos, como se estivessem prontos para correr, mas não havia lugar para onde fugir. Eu me sentia presa ali, naquele turbilhão que não conseguia controlar.

Fechei os olhos por um instante, tentando me agarrar a alguma sensação de segurança, mas minha mente gritava que não existia controle, que tudo estava desmoronando. O meu sonho de ver a clínica do jeito que eu sempre quis se transformou em um pesadelo de decisões e problemas que eu não consigo resolver.

Eu necessitava sair daquele estado. Precisava respirar. Mas como, se tudo dentro de mim dizia que eu estava à beira do abismo?

Tentei mentalizar que aquilo era uma crise e que ela era temporária, mas não funcionou. Arranquei forças de onde não tinha para tentar executar a respiração diafragmática, mas sem sucesso. Eu sentia meus músculos tremerem por baixo da pele e não conseguia focar em nada. Tentei então o aterramento sensorial, a técnica dos sentidos.

Cinco coisas que eu conseguia ver: Juh deitada no sofá, toda encolhida e abraçando a almofada que coloquei no meu lugar, alguns armários de arquivos ao meu lado, uma pilha de anotações sobre os pacientes da manhã, um quadro com foto da minha família, em cima da mesa, à minha frente, e o notebook com várias abas abertas, tal qual a minha cabecinha.

Quatro coisas que eu tinha a chance de tocar: O meu celular, que só então percebi que estava com a bateria no fim, um livro chamado "Memórias do Subsolo", de Dostoiévski, que eu havia começado mais uma vez no dia anterior, alguns artigos impressos que eu ia precisar usar de referência em atendimentos e um bloco de notas com uma listinha de compras que eu já havia esquecido de fazer.

Três coisas que era possível ouvir: O ruído do ar-condicionado, a minha respiração, que agora estava forte, porém mais calma, e dei play no Spotify, que continuou a partir da última música que parei. Era My Life, do Billy Joel. Eu já conhecia a música, mas, nesse caso, pertencia a uma playlist de um paciente que eu estava analisando.

Duas coisas que eu tinha condições de cheirar: O perfume de Juh que ficou em mim. Ele era sutil, mas envolvente, com um odor suave, como de quem acabou de sair do banho, e o cheiro do ambiente limpo.

Uma coisa que poderia saborear: De início, pensei em pegar uma bala que estava no pote em cima da mesa. Entretanto, lembrei das trufas sem glúten, sem açúcar, veganas e sem vida que a minha amada me deu e peguei uma. O sabor era intenso e acentuado, mas até que gostei.

Mesmo me sentindo melhor, dei prosseguimento à respiração diafragmática. Dessa vez, obtive sucesso e consegui fazer várias repetições longas, lentas e cada vez mais profundas.

Consegui levantar e me movimentar. Ainda sentia as minhas mãos trêmulas. Fui até a minha bolsa e peguei o meu ansiolítico para tomar. Eu estava sem água e pedi para que trouxessem para mim, tentando não demonstrar o que estava acontecendo ali. Assim que virei o copo, ele escapuliu da minha mão e espatifou no chão.

A funcionária e eu imediatamente olhamos para Juh e rimos involuntariamente, porque ela nem se moveu. Limpamos a bagunça, agradeci e fui até a minha muié, que estava com sono pesado.

— Oi, gatinha, vamos embora para você dormir em casa? — A chamei, após uma sequência de beijinhos.

E nisso, o meu celular tocou. Atendi, e era o mestre de obras me informando que uma das únicas coisas que tínhamos resolvido 100% não estava tão solucionada quanto imaginamos. Retornei à mesa para falar melhor com ele e, quando olhei para o sofá, Juh já havia acordado. Ela esticou os braços e fez sinal com as mãos me chamando. Soltei um beijo silencioso no ar e dei prosseguimento à conversa. Júlia levantou toda Coitadinha da Silva e sentou-se no meu colo. A abracei bem forte e, enquanto eu tentava falar com o senhor do outro lado da linha, o meu celular havia descarregado.

— Tô carente... — Ela confessou.

Fui enchendo o rostinho dela de beijos até conseguir enxergar um sorriso.

— Se sente melhor? — Perguntei, e Juh me respondeu acenando positivamente com a cabeça. Depois, ela me puxou para que eu continuasse os chamegos.

No caminho para casa, fui conversando sobre os problemas que estavam ocorrendo na obra.

— Por que não chama o seu pai, amor? — Juh me perguntou.

— Nã... — Tentei falar, mas ela pôs um dedo sobre a minha boca.

— Meu sogro é fascinado por obra, entende muito bem de tudo, sabe se virar, sabe cobrar, sabe pressionar e Loren tá grávida. Com certeza passar esse tempo mais próximo dela vai fazer bem. Aposto que sua mãe também vem, as crianças vão adorar, porque eles sentem falta dos avós e os avós sentem falta deles — Júlia concluiu.

Fiquei pensativa. Odeio atrapalhar a vida das pessoas, especialmente a dos meus pais, porém tudo que ela disse tinha fundamento.

— Huuuuuuum, vou ver direitinho, tá? — Falei.

— Liga do meu celular — Ela disse animada, já colocando para chamar.

Comecei a conversar com meu pai sobre o que estava acontecendo e pedi conselhos de como resolver. A solução prevista por ele foi: "Menina, deixe que eu vou aí sábado mesmo ver isso. Sua mãe tem médico, e eu passo o dia lá na clínica de olho para entender melhor."

A probabilidade de parar de me preocupar com aquilo já me deu uma animada.

Pegamos as crianças no colégio e fomos para casa. Nos preparamos para dormir cedo. Nenhuma das duas estava muito bem. No outro dia, logo pela manhã, ouvi Juh conversando com minha sogra por videochamada, e ela perguntou se poderíamos ir até lá no final de semana, porque tinham algo importante para nos contar e preferiam que fosse pessoalmente.

Logo me lembrei de que nós já tínhamos furado com eles, e tecnicamente, por culpa minha. Então, quando Júlia foi dizer que não dava, porque meus pais viriam para cá, eu falei que a gente poderia ir na sexta-feira mesmo e voltar no sábado, antes da final do mundial. E como minha mulher é curiosa igual a mim e queria saber o que era tão importante que necessitava a nossa presença, aceitou.

Perguntei se os meninos precisavam ir, e eles disseram que não, e que era até melhor que não fossem. Depois contariam para eles também, porém tudo no tempo certo.

Aquele mistério todo nos instigava e Juh já havia feito mil e uma suposições tentando adivinhar o que era. Até eu dei algumas sugestões, mas não chegamos nem perto, segundo o meu sogro, que apareceu para dar um oi.

Tivemos um dia normal, eu me ocupei bastante com meus pacientes e nem tive tempo para resolver nada de obra. No final da tarde, vi algumas chamadas perdidas e mandei mensagem dizendo que ligaria à noite. Deixamos as crianças na casa de Loren, porque meus pais iam chegar cedo lá, e fomos para a Pousada.

No caminho, fomos comentando sobre a nossa aposta, reforçando que ainda estava de pé.

— O que cê vai querer usar dessa vez? — Perguntei, provocando-a.

— O Flamengo ainda não ganhou. Tem a possibilidade de você me ver jogando tudo no lixo — Ela me respondeu, convencida, e nós rimos.

Chegando à casa dos meus sogros, nos dirigimos para a pousada. Os últimos hóspedes já saíam, e Sr. José foi me mostrando como estavam os preparativos para o nosso tradicional final de ano. Minha irmã estava tendo desejo de comer jambo a gravidez inteira até ali, e meu sogro foi me mostrando a quantidade que conseguiu para ela, contando o trabalhão que deu para encontrar.

~ Ele é o maioral, um fofo 🤏🏽❤️

Por fim, os funcionários se despediram, nós sentamos à mesa para tomar um cafezinho e conversar, afinal, estávamos curiosas.

Eles começaram a ficar claramente nervosos, suas expressões misturando uma ansiedade com a tentativa de esconder o quanto estavam tensos. Meu sogro, com os olhos ligeiramente arregalados, olhava para D. Jacira com um sorriso forçado, como se suplicasse para que ela dissesse algo. Suas mãos estavam inquietas, gesticulando sem saber onde se apoiar, enquanto ela tentava começar a falar, mas suas palavras saíam emboladas, gaguejando.

— F-filha, nós... queríamos... dizer... que... — Minha sogra tentou.

— Oxe, eu tô ficando nervosa... O que é??? — Juh perguntou, ainda empolgada.

D. Jacira estava igualmente nervosa que Sr. José, com as mãos apertando um pedaço de papel entre os dedos, quase como se o segurasse para se dar força. Ela olhava para o marido, para a filha e para mim, tentando encontrar as palavras certas, mas, quando falava, parecia que a cada frase se embaraçava mais.

— É algo bom, muito bom! — Colocou para fora meu sogro.

— O que é??? — Juh perguntou, sentando no meio deles.

Minha sogra riu, tentando disfarçar, mas não conseguiu esconder o tremor na voz.

Eles demonstravam uma mistura de felicidade com um toque de receio, como se já estivessem esperando uma reação inesperada, mas não queriam demonstrar que estavam preocupados. O momento estava repleto de pequenos risos nervosos ou forçados e olhares rápidos trocados, tentando manter a compostura, mas não conseguindo esconder totalmente a alegria que sentiam.

— Lore sabe do nosso desejo... — Ela começou a dizer.

— Sei??? — Questionei, confusa.

— Sabe, naquele dia indo para o noivado de Lorenzo... — Falou meu sogro.

E então, a minha ficha foi caindo. A memória veio à tona... Só poderia ser uma coisa, e se fosse o que eu estava pensando, tudo poderia acontecer. O nervosismo deles passou para mim. Agora, eu quem estava temerosa pela reação de Juh, principalmente por saber que o terreno não havia sido preparado. De jeito nenhum minha muié esperaria por uma notícia dessa.

— Gente, para de enrolar, só eu não sei o que é? — Ela disse, perdendo um pouco da paciência.

— Filha, nós... Fomos... — Começou meu sogro.

— Foram para onde??? — Júlia questionou, quando percebeu a sua pausa.

— Fomos habilitados para a adoção — Completou finalmente meu sogro.

— O QUÊ? — Imediatamente ela perguntou, visivelmente assustada.

— Você vai ter um irmão ou uma irmã — Falou minha sogra, contente.

— Ou mais de um, não sabemos ainda — Continuou Sr. José.

— Que história é essa? É uma brincadeira? Porque, se for, é melhor parar agora, não tem um pingo de graça — Júlia falou, brava, quase cuspindo cada palavra.

— É verdade, amor, mas... — Começou a falar meu sogro, mas foi interrompido.

— Por que vocês estão fazendo isso??? — Juh questionou, já chorando e de pé.

Me aproximei para tentar acalmá-la.

— Amor, vamos sentar para escutá-los — Falei, tocando em seu braço.

— E você sabia de tudo, Lorena? Sabia dessa palhaçada toda e não me contou? Esconde as coisas de mim agora? — Ela perguntava.

Juh é a pessoa que mais odeia escândalo. Ela detesta demonstrar que não está bem ou que brigou com alguém. Para ela disparar assim contra mim, na frente de outras pessoas, mesmo que fossem os pais dela, só me mostrava a gravidade da situação.

Sentir raiva e descontentamento é normal. O que doía em mim era o olhar de decepção. Eu precisava me explicar, afinal, eu não lembrava de nada daquele papo no carro até há alguns minutos, porém, Júlia não queria e nem estava em condições de escutar nada.

— Amor, não é bem assim, vamos conversar... — Tentei.

— Agora você quer conversar, não é? Vem cá, há quanto tempo vocês estão escondendo isso da idiota aqui? — Ela nos questionou.

— Lore não escondeu nada, senta aí, Júlia — Falou meu sogro, em um tom mais sério.

— Eu me recuso a participar disso. Tenham uma ótima noite, aproveitem para conversar sobre as mil coisas que vocês devem esconder de mim — Júlia disse em um tom baixo, com uma voz cortada de choro, e saiu, provavelmente para o seu quarto na pousada.

Ficou um clima horrível na mesa, mas me levantei para parabenizar os meus sogros.

— Parabéns? — Perguntei vacilante e eles não conseguiram evitar um sorriso.

— Uma hora ela vai aceitar — Falou minha sogra.

— Vou lá ficar com ela — Disse-lhes.

CONTINUA... 🔥

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 102Seguidores: 41Seguindo: 4Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Por um lado eu entendo a reação da Júlia, no mesmo sentido que a Whisper colocou, talvez tivesse sido melhor avisá-la antes.

Mas, independente disso, vejo um ponto positivo nisso: A Juh não suprime as emoções. Eu, pessoalmente, prefiro lidar com pessoas que expressam seus sentimentos de forma autêntica, do que com aquelas que escondem, reprimem ou disfarçam o que estão sentindo.

Minha esposa tem a mesma característica, fica muito claro quando ela está magoada, com raiva, ou quando esta com qualquer sentimento ruim. Acho isso um ponto positivo.

Eu, por muito tempo, tive a tendência de suprimir meus sentimentos ( um pouco é herança dos tempos de igreja), muitas vezes por medo de conflito, de ofender ou para seguir as convenções sociais. No entanto, tenho procurado mudar isso.

Na minha visão, quem consegue liberar suas emoções – mesmo a raiva ou frustração – consegue lidar melhor com elas. Já quem guarda tudo para si, acaba ficando com isso dentro, e uma hora explode.

Fico a vontade de expor meus “achismos” sobre o assunto, mesmo sendo leigo, porque você é uma profissional da área, então se eu estiver falando alguma bobagem, por favor me corrija.

Em relação ao ato de seus sogros, de adotar, é um ato de puro amor, de generosidade e coragem. Um ato que transforma vidas.

Sobre a Julia achar que a atitude dela na época não foi madura, isso acontece com todas as pessoas, todos nós, se olharmos para trás, vamos encontrar momentos em que agimos com menos maturidade, e é completamente natural. O que nos faz crescer é justamente esse processo de amadurecimento com o tempo.

Cada experiência nos ensina algo novo e nos ajuda a evoluir. O importante é que aprendemos com o que vivemos e seguimos em frente, cada vez mais conscientes.

Quantas vezes eu olhei para o passado e pensei: “Ah se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, teria agido bem diferente naquela situação”.

Lidar com obra é sempre difícil, estava pensando aqui e não conheço nenhuma pessoa que já tenha feito obra e não tenha se estressado muito. Bastante comum a obra atrasar, e sair mais caro que o esperado.

Dostoiévski é um grande escritor. Só li um livro dele: “ Os Irmãos Karamazov”, livro pesado, fala sobre sofrimento, tem um capitulo com crianças sendo mortas de formas terríveis e razões para total descrença na humanidade.

Não conheço “Memórias do Subsolo”, mas se for na mesma vibe dos Irmão Karamazov, eu não recomendaria para quem está passando por dificuldades.

Lore, brilhante a maneira que você narrou seus sentimentos e suas sensações.

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👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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PS: Aviso aos navegantes, esse comentário será gigante 😂

Eu entendo a reação de Juh, jogaram uma bomba nos braços dela e, obviamente, ela não estava preparada para lidar.

Eu sou fã n° 1 de expressar sentimentos e emoções, evita muitos conflitos, na maioria das vezes. Não há problema nenhum em sentir raiva ou frustração, pelo contrário, eu até defendo que as vezes é necessário bater no peito e assumir nossas frustrações... O que não dá é viver o tempo inteiro cultivando isso dentro de si, é importante permitir-se sentir, mas deve ser trabalhado para que aquilo não tome o controle das suas mãos.

Você já ouviu aquela famosa frase de Freud?

“As emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde.”

De acordo com a psicanálise freudiana, sua visão está bastante alinhada com a teoria do inconsciente e da repressão. Freud acreditava que as emoções, quando não expressas ou elaboradas de maneira consciente, são reprimidas no inconsciente. Essa repressão pode resultar em conflitos internos, que, se não resolvidos, podem se manifestar em surtos ou explosões emocionais.

Quando alguém guarda suas emoções, essas emoções são reprimidas, o que gera uma pressão interna constante. Eventualmente, essa pressão pode se tornar insustentável, e a explosão emocional que você mencionou é uma tentativa do inconsciente de trazer à tona aquilo que foi suprimido.

Por outro lado, quem consegue liberar suas emoções, ao expressá-las DE FORMA SAUDÁVEL, evita esse acúmulo. A expressão consciente dessas emoções permite um melhor entendimento e manejo delas, o que favorece o equilíbrio psíquico, conforme a teoria freudiana. Isso se conecta à ideia de "trabalho do luto" ou "cura", onde a pessoa processa e integra suas emoções, em vez de deixá-las se acumularem e retornarem em forma de sintomas.

A maioria das pessoas que eu converso aqui no site têm opiniões conhecimentos muito bons em relação a minha área profissional, o Beto é um grande exemplo disso, escreve muito bem sobre traumas, vícios, compulsões, vias de tratamentos e entre outras coisas.

Meus sogros são anjos na vida dos meus cunhados, eles são umas pestes, mas eu vou contar direitinho toda a história deles e talvez vocês deixem esse mísero detalhe de lado.

O amadurecimento é um processo constante, e o importante é justamente essa reflexão. Ao reconhecermos nossas falhas e aprendermos com elas, conseguimos seguir em frente de forma mais forte e mais conscientes de quem somos. O tempo nos ensina, e, por mais que a gente olhe para o passado com algum arrependimento, ele é uma parte fundamental da nossa evolução pessoal. Juh tem vergonha das atitudes porque, segundo ela, já tinha idade suficiente para entender a situação de outra forma. Enfim, ela trabalha isso em terapia ainda 😂

Essa obra em questão foi bem desgastante, mas por conta da minha saúde, eu simplesmente não tinha paciência para esperar e acabava me preocupando e estressando de forma exacerbada.

Dostoiévski deveria ser obrigatório para psiquiatras, psicólogos, terapeutas e afins... Muitas confusões e problemáticas poderiam ser evitadas. Ele não era psicólogo como alguns costumam dizer por aí, mas respondeu muitas questões que podem ser valiosas sabendo aplicar nos lugares corretos.

Só não concordo com quem tenta enfiar a filosofia russa em tudo quanto é buraco, é demais para mim 😂😂😂

Se eu puder resumir Memórias do Subsolo para você é dizendo que o livro dá um choque de realidade para quem se acha um gênio incompreendido pela sociedade e puxa para realidade, mostrando que na verdade, esse tipo de pessoa tem uma a autoestima excessivamente elevada, sem base para tal, resultando em uma mentalidade ressentida, egoísta e mesquinha.

Muito obrigada, Ryu! Fiquei mais a vontade após o alerta de gatinho, mesmo não narrando 100% dos fatos, ficaria pesado demais, acho que detalhei bem para vocês terem noção do que estava acontecendo comigo.

Agradeço pelo seu comentário, de coração! ❤️

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Vish, como se empolga falando do q ama 🥰

Linda ❤️

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Por isso que eu tenho 102 contos falando sobre nós 🥰

Gatinha ❤️

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Me deu um desespero e um aperto no coração ler a parte que você ficou mal. Eu nunca passei por isso, mas deve ser horrível.

Amei seu aviso no início, ficou perfeito!

Eu sinceramente entendo a Juh, sei que você não tinha culpa, mas acho que para ela ali foi complicado, se sentir enganada pelas pessoas que a gente ama é complicado e nem sempre a gente consegue agir racionalmente. Outra coisa, se eu tivesse uma filha única, eu jamais pensaria em adotar uma criança sem falar com ela primeiro, não para eu ter a permissão, mas para ela estar ciente do que estava acontecendo. Como uma filha única (Adotada) eu realmente ficaria magoada se eu estivesse na mesma situação.

Porém acho que eu aceitaria mais fácil, até porque eu sempre quis ter uma irmã ou um irmão, talvez eu até tenha, mas se tiver, não os conheço.

Juh fazer uma alimentação saudável é algo que não consigo ver acontecendo, mas vai que ela me faz morder na língua né. 🤷🏻‍♀️kkkkkkk

Muito bom como sempre Lore!

Parabéns! 🤗😘

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Ufa, você não me odeia 😂

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Claro que não, mesmo se eu não pensa-se como eu penso eu não te odiaria, não tem motivo algum para isso, até porque é algo justificável.

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N falo odiar no sentido literal... Mas, enfim, q bom q nem no figurativo...

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Eu sei kkkkk

Mas qus deixar claro, só para não deixar nenhuma dúvida Famozinha. 📸🤗♥️

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Quiseram comparar com Mih e Kaká e essa parte do seu comentário: "Porém acho que eu aceitaria mais fácil, até porque eu sempre quis ter uma irmã ou um irmão" vai entrar para jogo 😂

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Acho que eu aceitaria até de boa, porém, se meus pais fizesem isso sem eu saber desde o inico, eu ficaria bem chateada com eles.

Porém algumas situações a gente só sabe da reação vivendo ela, no meu caso nunca vou saber, já que nunca aconteceu e pela idade dos meus pais, nunca vai acontecer, eu só imagino, mas não é a mesma coisa. Rsrs

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"A diferença é que eu não pedi droga de irmão nenhum 😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭"

😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂

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É horrível, sim, Jú... 😮‍💨

Com o alerta eu me senti mais a vontade para me expressar, mesmo não colocando tudo que senti, detalhei para vocês terem um pouco de dimensão... Foi punk! 😵‍💫

Você tocou no ponto central ao falar sobre a falta de comunicação que ocorreu, na minha visão, o maior erro foi esse, ainda mais porque meus sogros conhecem filha que tem, tanto que já esperavam uma reação ruim.

Entendo perfeitamente o lado da gatinha, foi um sustão. 23 anos sendo o único neném dos pais dela e recebe a notícia nas caixas dos peitos de que vai dividir o posto com um ou mais e ainda achando que a muié que ela divide a vida estava escondendo tudo por todo esse tempo... É de lascar a boca da égua 🤷🏽‍♀️

Até a final do mundial muita coisa aconteceu: Porres, choros, brigas... O negócio esquentou na Pousada dos Oliver 🔥

PS1: A adoção ocorreu em 2020, o que mais aconteceu em 2020? 👀

PS2: Vocês têm filhos, Jú? Nunca perguntei 🤔

Muito obrigada pelo seu comentário, minha amiga! 😘❤️

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Achei que vocês nunca ia fazer essa pergunta kkkk

Tenho um casal e Beto tem uma filha, todos maiores e com a vida encaminhada. Eu e o Beto não temos filhos, o meu casal é com minha ex. A filha mais velha tem 23 e o filho 21. A filha do Beto tem 26, os 3 já são casados e eu e o Beto vamos ser avós esse ano, nossas filhas estão grávidas, a do Beto de 7 meses e a minha de 4 meses.

Ah, a filha do Beto foi uma gestação planejada de uma amiga dele, ele e a amiga nunca foram um casal, ela queria ser uma mãe solo, mas não deu muito certo e Beto foi um pai muito presente. Foi uma ideia maluca dela, que no fim deu muito certo. Rsrs

Lore, eu mão lembro o que comi no jantar, imagina eu lembrar o que aconteceu em 2020. Kkkkkkkkk

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A gente já tinha se perguntando inúmeras vezes, mas as vezes pode ser um assunto sensível, já passei algumas situações desconcertantes 😬😂

De tudo que nós imaginamos, com certeza, isso superou todas as espectativas, parece uma cena saída direto de um filme essa parte do Beto com a amiga 😂

Vocês vão ser vovós, que legal!

Imagino que devem estar vibrando com essa família linda aumentando! Desejo muita saúde para as crias que estão a caminho 😘

Não foi nada demais, Jú, só uma pandemia 🗣️😂😂😂😂😂😂

Isso dificultou um pouco mais o convívio deles 😬

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Sabe o que é mais estranho nisso tudo?

Meus filhos são filhos com minha ex são hétero, e a filha do Beto é lésbica, e depois falam que isso é genético. Kkkkkkkkkkkk

Obrigada Lore! ♥️

É mesmo, a pandemia, eu nem me lembrei disso. rsrs

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Juh tem um tio que dizia que o vírus LGBT vinha nas vacinas e eu respondia que, se fosse assim, eu desejaria atualizar as minhas a todo instante 😂

Tem bocó para todo lado 🤷🏽‍♀️😂😂😂😂

Mulher, eu fiquei feliz demais lendo o comentário e imaginando a linda família que todos vocês formam, com toda verdade do meu coração, desejo as coisas mais lindas do mundo para vocês, meus amores ❤️

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Eu estou em uma luta interna entre: atrapalhar Juh no que ela está fazendo agora para ler esse comentário ou esperar até que ela retorne ao site 😂😂😂🥺

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Deixa ela ler quando retornar. 😈Kkkkkkkkkkk

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O retorno sendo só amanhã porque a gata capotou legal 😂

Tadinha, tá cansada 😕

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A gente já tinha pensado em perguntar taaaaaantas vezes, mas você nunca deu uma diquinha 😂

Estou impressionada e curiosa por tantos motivos 🗣️

Eu n esperava por NADA disso! Vocês têm uma família linda, q Deus abençoe sempre. Desejo todo amor do mundo para os babys que estão chegando para fazer o coraçãozinho de vocês transbordar ainda mais de alegria ❤️

Depois q você contou as aventuras passadas do Beto, ler como a filha dele foi planejada... É bem a cara dele topar esse tipo de loucura 😂

Q bom q deu MUITO certo 🥰

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Lore, voce foi muito corajosa, o seu relato ficou ótimo, você consegue trabalhar bem essas passagens mais delicadas. Não se preocupe e não tenha receios, se for seu desejo continuar a relatar esses momentos mais difíceis.

E, Juh, não se preocupe, sua reação em nada inválida sua maturidade. Todos temos nossas vulnerabilidades, especialmente em momentos de surpresa e emoções a flor da pele. O que importa é que, ao que parece, você refletiu sobre o caso e soube ouvir no momento certo.

Bjo para vocês duas 😘

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Isso! Foi uma grande surpresa, eu n esperava mesmo q depois de quase uma vida inteira sendo filha única, ia ter q dividir meus pais com mais pessoas

Juão, eu fiz mais coisas feias antes de aceitar a situação e agir q nem gente 😫

Beijinhos para ti, a noite Lore te responde! 😘

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Fico muito grata pelas suas palavras. Colocar o alerta para gatilho me fez sentir mais à vontade para compartilhar melhor, consegui falar com mais detalhes sobre esses momentos difíceis, sem, no entanto, me aprofundar no abismo caótico que vivi. Eu entendo que o processo de compartilhar pode ser sensível, mas sei que falar sobre isso de maneira cuidadosa pode ajudar, de alguma forma a quem precisar.

Beijão, Juão!😘 (rimou 😂)

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Foto de perfil de Jubs Oliver

Peço perdão a todos q um dia já elogiaram a minha maturidade 🙏🏻🥺

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Foto de perfil de Lore

Verde ou madura, eu te amo ❤️😂

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Foto de perfil de Whisper

🗣️Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Acho que o pior é o baque da surpresa, de saber que vai ter de dividir o amor dos pais com mais alguém. Normal, mas depois passa, não é? Foi assim com o meu irmão, quando soube que ia ter um irmãozinho. Passou depois de uns 5 anos...

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Foto de perfil de Lore

O irmãozinho era você? 😂😂😂😂

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Foto de perfil de Jubs Oliver

Qual a idade do seu irmão ao receber essa notícia terrível? Brincadeira 😂

Dependendo da idade, eu acho normal essa reação, principalmente em crianças. O problema é q eu já tinha 23. Consigo admitir q fui egoísta, imatura e infantil em minhas atitudes 😟

Hoje eu tenho uma visão diferente de tudo e os amo de vdd, mas ainda morro de ciúme dos meus pais, fico de escanteio 🥴

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Foto de perfil de Lore

Eu aposto que foi tudo efeito colateral daquela medicação estúpida 😔 😂😂😂😂

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