"Seu cabelo me alucina,
Sua boca me devora,
Sua voz me ilumina,
Seu olhar me apavora.
Me perdi no seu sorriso..."
Canto essa música e sempre lembro da minha vizinha: loira, linda, magrinha, baixinha e sexy. Ela mora no mesmo bloco e condomínio que eu. Sou casado há cinco anos e, quando me mudei para este conjunto habitacional, tinha o costume de descer à tarde para interagir com os novos vizinhos e "colocar o esqueleto para se mexer" — ficar parado em casa não ajuda.
Nessas andanças vespertinas, eis que vejo uma deusa de saia e blusa caminhando com um rapaz (acredito que fosse o namorado) e uma pessoa bem-vestida, que parecia ser a corretora, já que mostrava o local e apresentava as dependências. Sinceramente, foi atração à primeira vista; fiquei encantado.
Na semana seguinte, vi-a estacionando o veículo e apertei o passo. Eu saía da academia e queria descobrir em qual andar ela morava; soube que era o 6°, mas ainda faltava o número do apartamento. Em outro momento — e aí foi sorte mesmo —, vi-a passando com seu cachorro, o Gibson. O pet veio na minha direção e fez uma festa inesperada. Enquanto ela tentava segurá-lo, pedi para deixar, pois era a oportunidade perfeita para conhecê-la e puxar assunto.
Na academia do complexo, a biometria dela costumava dar problema e, coincidentemente, eu estava lá para ajudá-la. Parece brincadeira, mas isso aconteceu umas três vezes. Ela estava sempre linda com as roupas de treino; destaco um macacão que, confesso, me deixava louco e desconcentrado nos exercícios. Nessas oportunidades de encontros casuais, eu sempre perguntava pelo cachorro e tentava esticar o assunto para obter mais informações.
O diálogo cresceu e nosso contato se estreitou ao ponto de trocarmos números de telefone. Sempre que podia, eu a elogiava, com foco no corpo dela. Enfim, chegamos a participar de resenhas com ela e sua família na churrasqueira e, pasmem: ela virou amiga da minha esposa. Em casa, minha mulher falava dela com frequência, e eu apenas concordava com tudo.
O nome dela é Roberta, mas passei a chamá-la de "gata" quando estávamos a sós. Determinado dia, ela me convidou para uma confraternização com amigos. Aceitei, levei minhas bebidas e lá tive a certeza de que teria chances pelos olhares que trocávamos. Era óbvio que eu a queria; ela estava maravilhosa de minissaia e cabelos soltos. Nas redes sociais, curti os posts do evento e enviei mensagens de duplo sentido no privado, que foram respondidas da mesma forma.
Em outro momento, num impulso, perguntei se ela queria algo do mercado. Ela aceitou e eu levei a encomenda até seu apartamento. Ali eu já tinha o que faltava: o número do imóvel. Lá estava o meu "elo", o Gibson; brinquei com ele, entreguei o pedido e fui para casa. Na semana seguinte, repeti o gesto. Enquanto eu ainda estava no mercado, ela enviou uma mensagem pedindo para eu não brincar apenas com o cachorro, mas dar atenção a ela também. Respondi que seria mais educado desta vez. Ela continuou, dizendo que eu parecia sem graça por ter ido embora rápido da última vez, e eu reforcei que não repetiria o erro.
Chegando ao condomínio, fui direto ao sexto andar. Na porta dela, meu celular tocou: era minha esposa avisando que o almoço encomendado estava chegando à portaria e pediu para eu buscar. Respondi e entrei na casa da vizinha pela primeira vez. Enquanto o cachorro fazia festa, eu a beijei, sem dizer uma palavra. Que beijo maravilhoso! Levantei sua blusa, admirei seus seios lindos e os acariciei. Com a porta da sala entreaberta, peguei-a no colo — muito leve — e a levei até o sofá. Fechei a porta. O cachorro entendeu o clima e foi para o canto dele. Sem cerimônias, nos entregamos ao momento.
Afoito, tentei tirar a bermuda dela, mas ela pediu para pararmos por ali. Disse que queria sim, mas em outro momento. Recompus-me e fui para casa pelas escadas, temendo um encontro desnecessário no elevador caso minha mulher já tivesse descido para buscar a comida.
Em casa, deixei os vinhos que comprei para o almoço. Eu estava atordoado; o lance foi tão bom que senti uma vontade absurda de contar para a esposa (risos). Meu celular não parava de receber mensagens da vizinha elogiando a "pegada" e dizendo que eu a "destruiria". Respondi apenas que queria terminar o que comecei.
O domingo passou e, na semana seguinte, combinei um jantar em um restaurante japonês que ela já havia mencionado. Ela aceitou. Como minha esposa estava de plantão, eu estava "solteiro". A noite foi maravilhosa. Na volta, os beijos deram o tom do que viria. Entramos separados no condomínio e fui direto para a casa dela. Entrei tentando tirar seu vestido, mas ela pediu paciência, pois tinha algo para me contar. Tive que frear o tesão.
Abrimos uma garrafa de vinho tinto e, então, ela me revelou que era trans. Virei o resto do vinho na taça. Meu desejo não diminuiu; pelo contrário, fortaleceu-se. Eu já desconfiava, mas a Beta é divina. Fui até ela e a beijei. Tirei seu vestido e aproveitamos cada segundo. Transamos no sofá e depois seguimos para o quarto, onde o clima esquentou ainda mais. Entre frases de efeito e provocações, passamos a noite juntos.
Dormi de conchinha com ela, mas acordei assustado e voltei para minha casa, enfrentando a ressaca sem que minha esposa percebesse, já que o cheiro de álcool me entregava. Tivemos outros momentos maravilhosos depois disso, mas a amizade dela com minha esposa acabou trazendo um fim ao relacionamento. Ela temia ser descoberta e não queria perder a amizade da "minha senhora".
Decidimos parar. Confesso que fui obrigado a aceitar, já que minha posição não permitia escolhas. Mas não nego a saudade que sinto daquela mulher e de tudo o que vivemos. Fico com as recordações e na esperança de um "deslize" dela, porque estou prontinho para errar de novo (risos).
Beijos e até a próxima!
