Muito obrigado pelas suas palavras tão generosas! Fico imensamente feliz em saber que meu texto falou fundo pra você — e, principalmente, que ele pode ecoar em tantas pessoas que vivem o peso do preconceito todos os dias.
Durante o período em que frequentei a igreja, eu realmente acreditava estar sendo guiado por um profeta que falava diretamente com Deus. Era ensinado que ele nos trazia a verdade revelada, e isso me impedia completamente de desenvolver uma opinião própria. Questionar era sinônimo de rebeldia espiritual. E o mais cruel é que o preconceito era imposto como se fosse um ato de amor ao próximo — como se discriminar fosse cuidar da alma alheia. A mensagem era: amar de verdade era corrigir o outro, mesmo que isso significasse negar sua essencia
Escrever esse conto pra mim foi um gesto de cura, e também um pedido de perdão — por todas as vezes em que eu, por medo ou ignorância, reproduzi esse discurso.
É muito bonito saber que nossas escritas podem convergir nesse mesmo desejo de respeito e liberdade.
Hoje, não acredito em profetas, nem em guias espirituais — não por desrespeito à espiritualidade, mas porque aprendi a separar fé de manipulação. Tenho tudo contra qualquer sistema que sustenta o preconceito, mesmo que ele venha disfarçado de amor.
Acredito profundamente na escrita como ferramenta de transformação. Ela pode entreter, sim — e isso é valioso — mas também pode ser instrumento de denúncia, de cura, de combate. Eu gostaria imensamente de viver numa sociedade sem preconceito. Mas já que ele existe, paira no ar, molda estruturas e fere vidas, não me resta outra escolha senão lutar contra ele com as armas que eu tenho — e a escrita é uma delas.
Seguimos juntos, com nossas palavras e nossas histórias, abrindo caminhos.
Um abraço