Algumas horas antes.
Tinha acabado de sair do motel juntamente com o Caio. O mesmo entrou no meu carro e logo acabamos saindo dali, e ele parecia completamente transtornado com tudo o que havia acontecido. Tentei acalmá-lo enquanto estava dirigindo:
— Cara, você ta bem? Quer que eu te leve para algum lugar?
— Eu não sei onde ir, eu não sei nem o que fazer da minha vida. — Dizia ele, com o rosto pálido ainda, como se não quisesse acreditar.
— Pois se quer um conselho, a primeira coisa que precisa fazer é não acreditar em nada que Elisa venha dizer, essa mulher é ordinária e muito mentirosa. Acredita que ela mentia sobre você, né?
— Pois é, fiquei sabendo disso. — Disse ele, enquanto ainda estava tremendo no banco de passageiro dentro do carro. Acabei levando-o para minha casa naquele momento, foi o único lugar que pensei.
Chegamos em casa, e Caio acabou se sentando no sofá da minha sala, levou a cabeça entre as mãos, os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele balançava o corpo levemente pra frente e pra trás, como se quisesse que o tempo voltasse e apagasse tudo o que tinha acontecido. Eu sentei ao lado dele e coloquei a mão em seu ombro.
— Caio… você não tem culpa de nada, cara. — falei, tentando encontrar as palavras certas. — Você fez o que qualquer homem decente faria pela mulher que ama: apoiou, respeitou, confiou. O problema não foi você. Foi ela que não soube valorizar isso.
Ele levantou o rosto devagar, a voz embargada.
— Mas eu devia ter percebido, Pedro. Como é que eu não vi quem ela realmente era?
Suspirei e apertei seu ombro.
— Ninguém tem bola de cristal, irmão. Você acreditou nela porque é assim que a gente deve ser num relacionamento. Devemos dar o voto de confiança, confiar não é defeito. É ela que falhou contigo.
Antes que ele pudesse responder, ouvimos batidas fortes na porta. Três, quatro pancadas, como se alguém quisesse derrubar a madeira. Eu me levantei e fui atender. Quando abri, Elisa entrou sem pedir licença, os olhos marejados e o rosto tenso.
— Caio! — ela disse quase gritando, andando em direção a ele. Depois disso, ela caiu junto a nós dois, e olhou pra ele:
— Caio, por favor! Me perdoa, eu errei contigo, foi um vacilo, eu não quero...
Caio se levantou de súbito, a raiva e a dor misturadas em sua voz.
— Sai daqui, Elisa. Eu não quero você aqui.
Ela estava ali em prantos, segurando a barra de sua calça, ainda de joelhos. Eu não sentia pena nenhuma, eu sabia que aquilo era muito mais medo de perder comodidade do que arrependimento.
— Por favor, Caio! Me escuta! Eu não fiz nada do que estão dizendo. Você precisa acreditar em mim! — disse Elisa.
Caio puxou a perna, mas ela se agarrou ainda mais firme.
— Não existe mais conversa, Elisa. Eu vi com meus próprios olhos. Não adianta tentar inventar desculpa. — disse Caio.
Foi então que ela virou o rosto para mim, com uma expressão desesperada, quase enlouquecida.
— Pedro, por favor, me ajuda! Fala pra ele que isso é um deslize, só isso! Eu amo ele, por favor, me ajuda, eu sei que você sempre me odiou, mas por favor, não destrua a minha vida assim!
Caio olhou pra mim, confuso, mas logo seus olhos se estreitaram, como se já soubesse a resposta. Eu cruzei os braços e encarei Elisa firme.
— Elisa, pare de cinismo, você não se arrepende coisa nenhuma. Ele já sabe que você deu em cima de mim no Facebook, e que ainda por cima você influenciava indiretamente a minha namorada a querer me trair. Você quer que todas as pessoas sejam podres como você.
Ela arregalou os olhos, perdida entre a vergonha e a raiva.
— Isso não é verdade! — ela gritou, com a voz falhando. — Eu só estava... Eu só estava fingindo que estava fazendo tudo isso porque eu queria desmascarar a Mônica, ela não presta!
Caio soltou uma risada curta, amarga, sem humor nenhum. Ele finalmente conseguiu afastar a perna dela e deu um passo pra trás, olhando-a como se estivesse vendo um estranho.
— Você é patética, Elisa. Patética. Eu te amei de verdade, e olha no que deu. Você não passa de uma mentirosa.
Ela ainda estava de joelhos, respirando rápido, mas agora parecia sem forças. Eu dei um passo à frente, completando:
— É isso, Elisa. Acabou. O Caio merece alguém que respeite ele de verdade. Você só mostrou quem realmente é.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, como se procurasse mais uma desculpa, mas nada saiu. De repente, ela se levantou com um movimento brusco, lágrimas escorrendo pelo rosto. Abriu a porta correndo e saiu sem olhar pra trás, batendo com força.
O silêncio que ficou foi pesado. Eu olhei para Caio, que respirava fundo, tentando processar tudo. Sentei novamente ao lado dele.
— Eu sei que dói — falei baixinho. — Mas agora você sabe a verdade. E pode começar a seguir em frente.
Ele passou a mão pelo rosto, enxugando as lágrimas.
— É… melhor descobrir agora do que depois, né?
— Exatamente — respondi, dando um tapinha no ombro dele. — Isso só prova que você merece bem mais do que ela.
Foi então que pedi para ele esperar, e voltei com o console que ele tinha vendido pra mim. Estendo minhas mãos e entreguei a ele:
— Cara, aqui está seu Switch.
— Mas você comprou de mim cara, não posso... — o interrompi.
— Mano, eu só comprei pra me aproximar de você. Queria te mostrar a real de tudo que tava acontecendo. Fica em paz.
Após isso, acabei então entregando o console para ele, e o levei para casa. O restante do dia passou normalmente, até que falei uma última vez com Mônica, e dormi.
Acordei cedo, como sempre. Estava me arrumando para o trabalho quando ouvi a notificação do computador. Era mais um email com remetente desconhecido, e fiquei aqui imaginando o que poderia ser agora. Seria então mais alguma prova, ou algo contra o Vítor?
Pois não perdi tempo. Cliquei, e não tinha nada ali. Apenas uma foto.
A foto tinha um conteúdo de duas pessoas, meio que negociando algo Um deles, eu nunca tinha visto na vida. Meio gordo, cara fechada, expressão de encrenqueiro de rua. Estava ao lado de Vítor, como se conversassem. O que me assustou não foi a cara dele, e sim o detalhe da imagem: parecia muito recente. Talvez de ontem, ou no máximo da semana passada.
No conteúdo do email, além da foto anexada, também tinha um aviso:
“Vai pro lado de fora de sua casa, devagar. Não faça barulho.”
Fiquei me perguntando o que poderia ser, então eu resolvi seguir o que a foto tinha indicado, e fui.
Levantei devagar da cadeira, cada passo parecia pesar uma tonelada. Peguei o celular, respirei fundo e fui até a porta. Abri com cuidado. A rua parecia tranquila, mas então meu olhar bateu no carro, estacionado bem em frente.
Debaixo dele, saiu o mesmo cara, gordo, encrenqueiro. O timing foi praticamente perfeito. Eu sabia então que não podia ignorar a foto.
— Ei! — gritei, no impulso.
O homem rolou para fora, rápido, e me encarou por um segundo. O sujeito arregalou os olhos e saiu correndo pela rua.
— Filho da... — disparei atrás dele.
Corremos alguns quarteirões. Eu já sentia a respiração falhar, mas a adrenalina me empurrava. Ele virava esquinas, se enfiava por becos. Fiz de tudo para acompanhar, mas em um ponto ele sumiu. Desapareceu entre as vielas como se tivesse evaporado.
Parei, encostando na parede, respirando pesado.
— Droga...
Voltei pelo mesmo caminho, ainda em choque. Quando cheguei em casa, sentei na mesa e acessei meu email novamente, e fiquei ali visualizando a foto. Olhava com atenção aquilo, tentando entender, ou talvez se lembrar, daquele rosto desconhecido ao lado de Vítor. Quem estava me mandando esses e-mails? E por que sabiam exatamente o que estava acontecendo?
Bati os dedos na mesa, nervoso. Mas não dava pra perder tempo. Já estava atrasado para o trabalho. Peguei a mochila, as chaves e fui em direção ao carro.
Eu entrei normalmente no carro, enquanto eu olhei, pelo celular, a foto mais uma vez. E foi então, que algo em minha mente, começou a dizer que eu deveria não ligar aquele carro, e ver exatamente o que estava acontecendo. Eu me lembrei do acidente de Ana, e que suspeitávamos de sabotagem. Será? Engoli seco. Minha mão tremia na chave de ignição.
— Não... — murmurei.
Lembrei da sombra debaixo do carro. A foto. O aviso.
Me abaixei devagar, dessa vez para olhar por conta própria. Passei a mão pelo chassi, os olhos vasculhando cada detalhe. E então vi.
Uma adaptação tosca, fios cortados, marcas de ferramenta. O sistema de freio estava sabotado.
Meu corpo gelou.
Se eu tivesse saído sem pensar, se eu tivesse ignorado aquele e-mail, estaria morto. Assim como a Ana.
Sentei no chão, apoiando a cabeça entre as mãos. Não fazia ideia de quem me mandava esses avisos, mas agora tinha certeza de uma coisa: alguém queria me ver morto.
E alguém, em silêncio, estava me salvando. Mas quem será? Será mesmo que Vítor estava indo longe demais e queria levar a tal "vingança" dele a esses extremos?
Eu ainda sentia aquele nó no estômago desde o momento em que vi o freio sabotado. Não podia mais deixar isso passar. Peguei o celular, e primeiro pedi, mais uma vez, licença no trabalho, e inclusive, levei sermão do chefe. Mas sinceramente, eu não tinha cabeça para aquilo agora. Depois, respirei fundo e disquei o número da polícia.
— Polícia Militar, qual a ocorrência? — a voz do atendente soou firme do outro lado.
— Eu… eu acho que tentaram me matar. Meu carro foi sabotado. Eu queria alguém aqui pra confirmar, e fazer uma denúncia.
— Estaremos enviando uma viatura no local. Pedimos por gentileza que aguarde. — Disse o atendente.
Em menos de dez minutos, a viatura estacionava perto do meu carro. Dois policiais desceram, depois disso, uma viatura da polícia civil, onde um deles veio carregando uma maleta de perícia.
— O senhor é o Pedro? — perguntou o mais velho.
— Sim, fui eu quem ligou. O freio do meu carro foi mexido. Olhem.
— Com licença. — Disse o policial da civil, onde foi analisar o carro.
Me afastei para que eles pudessem se abaixar e verificar. O perito passou alguns minutos analisando, fotografando, fazendo anotações.
— Realmente… isso aqui foi cortado de propósito. — ele ergueu os olhos para mim. — Se tivesse entrado nesse carro, amigo, com certeza teria sofrido um acidente se precisasse dos freios.
Engoli seco. A confirmação que eu temia.
— Avisa a centra do ocorrido, Mendonça. — Disse o militar ao seu colega. Enquanto ele falou com o rádio, o outro policial veio até mim.
— Senhor Pedro, precisamos que o senhor nos acompanhe até a delegacia pra abrir um boletim de ocorrência, pois isso foi tentativa de assassinato. O senhor tem ideia de quem possa ter feito isso?
— Eu tenho uma coisa que pode ajudar — falei, puxando o celular do bolso. — Recebi esse e-mail ontem. Mandaram uma foto… duas pessoas conversando. Um desses aí, foi quem eu flagrei embaixo do meu carro.
Mostrei a imagem para os dois. O mais novo se inclinou para ver melhor.
— O senhor reconhece o outro? — perguntou o policial.
— Esse aqui… como disse, foi o cara que sabotou meu carro. Mas esse outro eu conheço muito bem. O nome dele é Vitor.
— Certo. E qual seria o motivo desse tal Vitor querer prejudicá-lo dessa forma?
Hesitei por um segundo. Eu sabia que aquilo não era só sobre o carro.
— Na verdade eu prefiro formalizar isso como uma denuncia. Na frente do delegado, junto de meu advogado.
O policial mais velho assentiu.
— Entendo. O senhor pode nos acompanhar até a delegacia?
— Claro.
Entrei na viatura, tentando organizar meus pensamentos. No caminho, mandei uma mensagem curta para Alex. “Preciso de você na delegacia. É sério. Vou te mandar o endereço.”
Pouco tempo depois, já sentado na sala do delegado Tobias, um homem mais velho do que eu, porte atlético, imponente, estávamos aguardando meu advogado. Ouço a porta se abrir por de trás de mim, e vi Alex entrar, acompanhado de um policial.
Ele se acomodou em uma cadeira ao meu lado, enquanto colocou sua pasta em cima da mesa. Ele me encarou, e assim perguntou:
— Pedro, o que aconteceu? Você precisa de mim, por qual motivo?
Expliquei em detalhes: Disse que precisava dele para me assessorar em uma denúncia contra Vítor, e precisava de todas as provas que conseguimos. As chantagens com Marcos, a prova forjada que manipulou a Mônica, os audios conseguidos, e tudo que pudesse ser usado. O delegado franziu a testa, após analisar tudo, e disse:
— Então, deixa eu ver se entendi — o delegado começou, juntando os dedos. — O senhor foi sacaneado por esse cara, tem provas de que ele não só está montando uma rede para te prejudicar, como também induziu um estudante a tentar estuprar sua namorada, e ainda por cima acredita que ele tentou te matar, é isso?
— Não acredito, delegado. Eu tenho certeza. As ameaças dele contra o Marcos, provam muita coisa.
Alex interveio, firme como sempre:
— Delegado, meu cliente está disposto a colaborar com a investigação e já entregou tudo que possui, e tenho mais um amigo que está para enviar para seu e-mail coisas interessantes que descobrimos.
O delegado me encarou por alguns segundos, depois recebeu algo em seu e-mail. Olhou por um bom tempo na tela do computador, e sorriu:
— Parece que você tem bons contatos, hein sr. Alex. Recebi uma coisa bem interessante aqui agora.
— Eu sabia que iria gostar. — respondeu Alex. O Delegado então resolveu formalizar tudo:
— Vamos oficializar a denúncia contra Vitor. Iremos também procurar o tal sujeito dessa foto, pois recebi informações interessantes sobre esses dois. Senhor Pedro, à partir de agora, a investigação será nossa.
Senti o peso sair dos meus ombros, ainda que apenas um pouco. Finalmente, tudo estava começando a se desenrolar.
— Eu só quero que ele não consiga mais machucar ninguém. — falei, a voz firme, mas com um fundo de exaustão.
Alex colocou a mão no meu ombro.
— Vamos vencer essa juntos, amigo.
— Bom, eu darei entrada nos papéis. — Disse o delegado. Me levantei junto de Alex, e quando ia embora, o delegado completou:
— Diga ao Ferreira que devia vir pro Rio qualquer dia desses pra gente assar uma carne. E que ele traga aquela gostosa.
Não entendi nada do papo, apenas vi Alex assentir, e assim saímos da delegacia. Sai com um peso a menos, mais aliviado. Mas agora, bem mais preocupado comigo mesmo, e principalmente com Mônica.
Mônica:
Depois de todo ocorrido, acabei indo para a casa de Isa, para poder distrair um pouco, e aproveitar e contar pra ela tudo que aconteceu, e pedir, quem sabe, um conselho sobre o que podíamos fazer agora.
— Oi, Mô! Que surpresa. — disse Isa ali, abrindo a porta, com aquele sorriso fácil e contagiante. Eu entrei, e fui falando que precisava falar com ela.
Contei para ela tudo que aconteceu no motel com Elisa e Rafael. Ela deu umas boas gargalhadas.
— Nossa, eu queria muito ver essa cena, meu! — Ela comentou, enquanto ainda seguia rindo da situação. — Essa Elisa é uma piranha viu, pelo amor de Deus, e ainda se fez de sonsa ela. Não sei como eu andava com ela, sabe amiga.
— Pois é, mas eu fiquei com um pouco de pena no final, ela parecia desesperada. Será que se arrependeu? — comentei.
— Não, Mô. — respondeu. — Possivelmente ela no máximo se arrependeu de ter sido pega, isso sim! Uma mulher daquelas não se arrepende de botar chifre em homem bom.
— E o que você acha que podemos fazer agora? — perguntei.
— Olha, Mô. Você já conseguiu o que queria se aproximando do Rafael, a gente conseguiu derrubar a Elisa e ainda ele pensa que você não teve nada a ver, eu acho que já chega um pouco.
— Você acha mesmo? Pensando bem, eu acho que já fizemos tudo né? — comentei ali, enquanto olhava para Isa.
— Pedro já tem tudo, você me disse, né? Então agora deixa nas mãos dele, eu acho que você deve agora apenas se preservar e curtir seu namorado, e a vitória que vocês estão conquistando. A Vanessa não tem muito o que fazer, ela no máximo participou da armação toda, não sei como vai ser.
Fiquei então mais um pouco na casa de Isa. Conversamos e rimos um pouco mais, era um ambiente bem leve ali. Quando saí da casa da Isa, eu estava me sentindo mais leve, porém ainda cansada. O dia tinha sido longo, e eu precisava de silêncio para organizar tudo o que tinha acontecido.
Apertei a alça da bolsa no ombro e olhei para a rua, pronta para atravessar e esperar o ônibus. Foi então que um carro parou bem na minha frente. O vidro abaixou devagar, e Rafael apareceu ao volante, me olhando com aquele jeito quase convencido dele.
— Oi gatinha. Tava indo te procurar. Quer uma carona? — perguntou.
Respirei fundo. Minha primeira reação foi recusar.
— Não, Rafael. Obrigada. Eu queria ir de ônibus… precisava pensar um pouco. E quero distância de você.
Ele fez uma cara de quem não ia aceitar minha desculpa.
— Porque? Ta bolada ainda pelo flagra do Pedrão? Relaxa, vocês nem estão mais juntos, e quanto a Elisa, que se foda ela. Eu te levo, é melhor. Vai ser rápido.
— Estou bolada sim, Rafael, quem me garante que não foi você que armou esse flagra pra me prejudicar?
— E você acha que eu iria prejudicar você? — ele disse, levando uma de suas mãos até meu rosto, acariciando. — Você é especial pra mim, Mônica. Me faz lembrar minha irmã. Bora, entra no carro aí.
Hesitei, mas acabei entrando. Talvez fosse uma boa oportunidade para colocar algumas ideias no lugar, até tirar mais algumas coisas dele. Fechei a porta e ajeitei o cinto.
— Eu não quero que fique me comparando a sua irmã. — disse.
— Tá bom, gata. Desculpa, só disse que tem coisas que parecem mesmo.
— E não fique me chamando de especial, eu nem sou quase nada sua. — disse. Ele então olhou nos meus olhos, e respondeu:
— Você tem esperança de voltar pro Pedro, não é?
— Bom, você sabe onde é minha casa, não é? — Comentei, pra desviar o assunto.
Enquanto o carro ganhava velocidade, meu celular vibrou. Era uma mensagem do Pedro: “Precisamos conversar mais tarde.”
Meu coração disparou. Eu o respondi, e mandei a mensagem pra ele em seguida, Rafael lançou um olhar rápido para mim.
— Quem é? — perguntou.
Travei por um segundo. Não queria me complicar.
— Minha mãe… perguntando quando eu chego.
Ele sorriu de canto, voltando os olhos para a rua.
— Então diz pra ela que a gente já tá chegando. Vou entregar a filha dela salva em casa.
Fiquei em silêncio, sentindo aquele desconforto crescer. Quando dobramos na rua da minha casa, percebi que Rafael diminuiu a velocidade de repente. Ele fixou o olhar adiante, os dedos apertando o volante. Segui o olhar dele e vi um carro parado em frente à minha casa. Encostado nele, um homem gordo, de postura pesada, o tipo de pessoa que a gente sente perigo só de bater o olho.
Antes que eu entendesse, Rafael passou direto.
— O que você tá fazendo? — perguntei. — Minha casa é ali!
— Abaixa a cabeça — ele disse firme, sem me olhar. — Agora.
Meu corpo gelou.
— Mas… por quê?
— Só faz o que eu tô dizendo.
Obedeci, ainda sem entender, e ele só relaxou um pouco quando a rua já tinha ficado para trás.
— Onde mais eu posso te deixar hoje? Não quero você na sua casa. — perguntou, sem tirar os olhos da estrada.
— Eu queria ir pra casa… — respondi num fio de voz.
Ele balançou a cabeça.
— A sua casa agora não é um bom lugar. Tem algum lugar que eu possa te deixar?
— Mas por que não? — perguntei.
— Mônica! — ele disse, meio impaciente. — Olha, desculpa, mas eu não posso te deixar na sua casa agora. Tem algum lugar que eu possa te deixar?
Olhei para ele, o coração disparado, tentando entender o que estava acontecendo. Depois de alguns segundos de silêncio, apenas assenti.
— Tá… pode me levar pra esse endereço.
Eu passei então o endereço para Rafael, e ele me deixou onde eu tinha pedido. Tentei questiona-lo sobre, mas ele acabou não falando nada. Apenas despediu, e me pediu pra não voltar pra casa até amanhã, ou esperar ele ligar. Não entendi, mas obedeci. Liguei para o Pedro depois disso.
Pedro:
Estava em casa, ainda raciocinando sobre tudo que tinha acontecido, até que ouço a ligação de Mônica. Assim que atendi o celular e ouvi a voz da Mônica, percebi que ela estava nervosa. Eu não entendi bem o que era, mas ouvi:
— Oi meu amor. — cumprimentei.
— Oi Pedro… preciso que venha me buscar. — disse ela, com aquela pressa que eu conhecia bem. — Você pode?
— Claro que posso? O que aconteceu? — perguntei.
— Por favor, só vem... Eu te explico depois, tô achando algumas coisas muito estranhas.
Não pensei duas vezes. Liguei o carro e fui direto até o ponto que ela indicou. Quando a vi esperando na calçada, meu coração deu uma acalmada. Parei ao lado dela, abri a porta e ela entrou rapidamente.
— Entra ai, amor. — disse.
Ela então se sentou no banco, visivelmente alterada. Coloquei uma de minhas mãos sobre a sua, e tentei acalmar.
— Tá tudo bem? — perguntei, ainda com a mão firme no volante, enquanto a outra acariciava a dela. Tentando prestar atenção no caminho.
— Agora tá… porque você chegou. — respondeu, tentando disfarçar a tensão.
— E o que aconteceu?
— Primeiro vamos pra algum lugar, amor. — Ela disse.
Eu sabia que não podíamos simplesmente rodar pela cidade como se nada estivesse acontecendo, até porque, ainda estamos encenando uma separação. Decidi levá-la a um lugar mais seguro, um canto afastado onde ninguém nos reconheceria. Um lugar onde costumamos ir quando queremos nos afastar do restante do mundo.
Depois de quase uma hora dirigindo, chegamos a uma pequena pousada nos arredores da cidade. O tipo de lugar discreto, onde casais se hospedam sem chamar atenção. Pegamos um quarto simples, mas aconchegante. Quando a porta se fechou atrás de nós, senti finalmente que podíamos respirar.
Ela se jogou na cama, respirando fundo. Eu tirei o casaco e puxei uma cadeira, ficando de frente para ela.
— Ei, Mônica… Pode me contar agora o que foi que aconteceu? — perguntei.
— Claro, eu preciso te contar o que aconteceu. — ela então começou, com a voz baixa.
— Eu acho que antes, eu que gostaria de te contar uma coisa. — ela me encarou, como se já soubesse a resposta.
Então, sentei junto com ela em cima do sofá, me acomodando junto a ela.
— Olha, eu sofri uma tentativa de um atentado.
Os olhos dela se arregalaram.
— Meu Deus, Pedro! Como assim, me explica.
— Então, recebi um email sabe? Do Vítor e um cara, e uma mensagem pra mim olhar pela janela. Olhei um cara cortando meus freios, sai correndo atrás dele. Não consegui alcançar, mas tomei uma decisão. Eu levei as provas que tenho do Vítor e esse incidente para a polícia.
Mônica ainda com os olhos arregalados e pega de surpresa, ficou me tocando. Queria talvez, certificar que eu estivesse inteiro.
— Mas isso é muito sério! Eu... Não imaginava que o Vítor chegaria a tanto.
— Mas ele chegou mesmo. — disse para a Mônica. — Precisamos ter cuidado agora. Porque eu levei todas as provas a polícia e um inquérito foi aberto. Vítor possivelmente será indiciado.
— Indiciado? Então ele… ele pode ser preso?
— Se a investigação seguir firme, sim. Mas você sabe como é… Eu acho melhor você ficar comigo.
Mônica ficou em silêncio por um instante, mordendo o lábio inferior, absorvendo cada palavra. Eu me levantei, e fiquei junto a ela na sala, com os dois ali em pé. Ela então me disse:
— Amor, eu também tenho que lhe contar algo.
— O que? — perguntei.
— Hoje, quando eu estava indo embora pra casa, o Rafael me abordou. Ficou insistindo carona, ele estava...Estranho. Resolvi ir, pra ver se arrancava algo dele. Mas algo aconteceu.
— O que? — perguntei.
— Bom, quando estávamos próximos da minha casa, havia um carro estacionado do outro lado da calçada com um homem todo encrenqueiro eu nunca vi ele na vida. Ele era gordo, barbudo, o que eu sei é que o Rafael teve medo dele e pediu pra que eu não voltasse pra casa naquele momento e me deixou em outro lugar.
Aquele relato me ligou um sinal de alerta. Pedi para Mônica esperar enquanto abrir meu celular e mostrei Pra Ela a foto do tal homem que tentou sabotar o meu carro. Mônica viu a foto e reconheceu na hora:
— Sim amor! Ele mesmo, foi ele que eu vi estacionado na minha casa.
Era o mesmo homem, primeiro tentando sabotar o meu carro e depois na frente da casa de Monica. De do vi logo que ele estava esperando ela chegar para sequestrá-la ou qualquer outra coisa para me atingir. Será que já chegou nos ouvidos de Vitor que ele está sendo investigado?
Agora mais do que nunca precisamos tomar cuidado, Victor tem se mostrado um cara muito mais perigoso do que eu imaginava porém era só questão de tempo para ele cair. Olhava ali para a Mônica.
— Ninguém vai fazer nada mais contra você, amor. Eu te prometo que vou até o fim com isso. Eu te amo.
Ela apertou meus dedos, como se buscasse forças ali.
— Eu confio em você, Pedro. Mas… e se ele tentar de novo?
— Então ele vai ver que está mexendo com o cara errado... Porque eu não sei o que eu faria se eu visse ele fazendo algum mal contra você.
— Pedro...
Avancei então em Mônica e cheio de saudade comecei a beijá-la . Minha língua praticamente sem enroscava dela enquanto caminhávamos lentamente até a cama, onde ela foi tirando a minha camisa deixando-me praticamente sem nada.
— Quero ser sua hoje, me come vai? — Disse ela, com os lábios ainda quase grudados aos meus, ainda entorpecida pela emoção, medo, e tesão que toda aquela adrenalina era capaz de nos proporcionar.
Jogamos a minha camisa em qualquer lugar daquela sala até que entramos no quarto e assim eu joguei sobre a cama. Avancei até ela e fomos tirando cada peça de nossa roupa, até que deixei a apenas com a sua calcinha onde comecei a descer lentamente. Agarrei suas coxas com as minhas mãos e fiquei massageando lentamente com a ponta dos dedos enquanto eu fui avançando a minha língua por entre as pernas dela.
— Ah, Pedro, ui, gostoso! Isso, chupa vai.
Alcancei então a sua bucetinha e comecei a chupar lentamente, a minha língua foi se deslizando de cima abaixo, provando aquela xoxota molhada enquanto o cheiro dela foi me entorpecendo e deixando viciado.
— Vai devagar, gostoso, eu sou virgem...
Tomava cuidado pois Mônica ainda era virgem, mas apesar disso ela adorava dar aquela bucetinha para mim chupar. E eu chupava, lambia, devorava aqueles lábios carnudinhos e pequenos, que eram cheirosos como uma pétala de rosa.
Tão logo ela se colocou de quatro começando a empinar aquele rabo guloso pra mim, me olhando de canto, mordendo o lábio como uma putinha cheia de tesão. Cheio de vontade e eu fui me colocando por trás de Mônica, dando um tapa no meio daquele rabo que balançava pra mim, e tirava meu pau pra fora, baixando a minha calça e movendo as pernas para despir-me, onde eu comecei a pincelar meu pau grosso sobre a bunda dela.
— Hummm, me come vai, mete no cuzinho...
— Ta doida pra dar esse cu, não tá, sua gostosa?
— Tô, amor.
Comecei então a bater, esfregando a minha pica grossa para logo pegar a bunda dela com a minha mão e dar uma breve afastada começando assim a pincelar a cabecinha do meu pau dentro no cuzinho que já estava praticamente piscando querendo rola.
— Fode amor. Tô com tesão, vai...
O pedido de Mônica era quase uma ordem, então eu deixei cair um fio de saliva no anelzinho enquanto fiquei pressionando a cabecinha do pau. Por mais que eu já tenha comido seu cuzinho, todas as vezes que passava a meter era como se fosse a primeira vez de tão apertado. Segurava ambas as nádegas dela enquanto começava a movimentar meu quadril, passando então a meter.
— Ahhh que delícia! Isso caralho!
Mônica revirava os olhos, apertava os dedos no lençol da cama, enquanto jogava sua bunda contra o meu pau, aproveitava para dar um belo tapa no meio da bunda dela, a pele branquinha ficava mais avermelhada conforme não só os tapas mas também as massagens que os meus dedos faziam sobre aquela bunda.
— Isso, minha gostosa, não troco esse cuzinho por nada, que gostoso. — E de repente, eu já não tinha mais sensações ruins quando eu comia aquele cuzinho da minha namorada. Não pensava mais na "traição". Eu sentia que tudo aquilo tinha ficado pra trás, e estavamos prontos para um recomeço.
— Vou gozar, amor! — disse, enquanto o pau latejava dentro daquele cuzinho, enquanto eu socava forte, gostoso, devorando aquele cuzinho gostoso, enquanto bati na bunda dela.
Eu estava com muito tesão, era muito apertado e eu estava metendo com força, comendo com vontade. Acabei praticamente deitando sobre ela, enquanto estava naquela posição praticamente ficando de bruços junto a ela com as bolas batendo enquanto eu estava ali metendo gostoso o pau praticamente entrando inteiro. Acabei urrando, e logo comecei a gozar, espalhando minha porra naquele cuzinho apertado, ali, gozando forte, com vontade.
— Ah porra... — Xingava em êxtase, junto com ela, que gritava de prazer. Como era bom foder aquela mulher.
Depois daquilo acabamos nos deitando, e ficamos ali juntos. Olhava para Mônica, e ela me olhava, e eu sabia, que tínhamos forças para ir até o final, e mal sabíamos que tudo aquilo, estava prestes a acabar.
No dia seguinte, levei ela de volta pra cidade, e eu, claro, tinha que trabalhar. Mas estava com a cabeça em outro lugar, preocupado com Mônica. Ela foi para faculdade, e comunicou a família que iria ficar comigo para se preparar para a mudança, pois iriamos morar juntos.
Resolvemos deixar pra lá essa questão de fingirmos estar separados, e ficamos na boa. Não tinha mais por que fingir nada, ainda mais quando Alex me deu a melhor das notícias: Vítor agora era um procurado. Um mandado de prisão preventiva foi efetivado para ele. E Vanessa? Ela também foi presa preventivamente, e senti, pela primeira vez, que as coisas estavam quase seguindo a normalidade.
Combinei com Mônica no dia que iriamos comer juntos, então fui busca-la na faculdade. Assim que cheguei na frente da faculdade, meu coração deu um salto ao ver Mônica me esperando. O sorriso dela iluminava tudo, e quando ela correu até mim e me abraçou, senti aquela paz que só ela me traz. Beijei seus lábios devagar, aproveitando cada segundo.
— Como foi o dia, amor? — perguntei, acariciando seus cabelos.
— Foi ótimo — ela respondeu animada. — Tivemos uma prática com cães hoje, eu fiquei ajudando a dar medicação… foi incrível. Estou cada vez mais apaixonada, eu sinto, sei lá, que isso é pra mim mesmo!
Eu sorri orgulhoso, mas de repente meu olhar se desviou para a lateral do prédio. Meu corpo inteiro gelou. Ali, meio escondido entre carros, estava Vitor. Aquele maldito.
Meu peito começou a queimar. Senti o sangue ferver.
— Mô… espera aqui um instante — falei firme, tentando manter a calma.
— O quê? Aconteceu algo? — ela perguntou confusa, mas eu já estava me afastando.
Assim que percebi que eu tinha o visto, Vitor arregalou os olhos e começou a correr. Sem pensar duas vezes, disparei atrás dele.
— SEGUREM ELE! NÃO DEIXEM ELE ESCAPAR! — gritei com toda a força dos meus pulmões.
Alguns alunos e pessoas que estavam perto olharam assustados. Vitor tentava se esgueirar no meio da multidão, mas, para a minha sorte, um rapaz mais forte que estava próximo entendeu a situação e o agarrou pelo braço.
— Peguei esse aí! — o cara gritou.
— Me solta, caralho! — disse Vítor.
Cheguei num fôlego só, tomado pela adrenalina, e sem pensar enfiei a mão na gola da camisa de Vitor, puxando ele com violência.
— Eu te peguei, seu desgraçado… — falei encarando-o de perto, o rosto a poucos centímetros do dele.
— É, você me pegou, "corninho". Vai fazer o que agora?
Senti meu coração disparado, o ar pesado nos pulmões, e a única coisa que me mantinha ali firme era a imagem de Mônica. Eu não ia permitir que ele chegasse perto dela de novo. Nunca mais.
— Você vai ver o que eu vou fazer.
Soltei a gola da camisa dele. E antes que ele ensaiasse fugir, eu dei um murro na cara dele, que o fez desmontar.
— Isso aqui é pela Mônica, seu desgraçado.
Ele cambaleou um pouco, com a boca sangrando. Ele olhou pra mim, furioso.
— Eu ia dar um trato na princesinha. Mas você é melhor. Você comeu minha mulher, como se sente depois que eu comi a sua?
— Vai se foder! — disse. — A Ana sentia mais prazer comigo, assim como a Mônica. De você, elas só sentem nojo.
Ele partiu pra cima de mim, e eu dei mais um soco nele. Ele quase se desmonta no chão, ficando de quatro.
— Isso, fica assim mesmo. De quatro, seu viado, é assim que vão te tratar na cadeia.
Ele então se levanta, e vem pra cima de mim de novo. Porém, sinto algo fisgando a lateral da minha barriga. Logo que olho, um rasgo na camisa, e sangue. Vejo Vitor fugindo, largando uma faca ensanguentada... Com o meu sangue.
— Argh!
— Pedro! Não, por favor, alguém me ajude! — disse Mônica.
Vejo por fim Vítor saindo correndo, enquanto ouço um barulho de viatura. Ouço também um grito.
— Vitor, toma a chave desse carro, foge!
Minha vista começa a ficar turva, talvez pela perda do sangue. Sinto que vou desmaiar.
Eu acordo, horas depois. Estava no hospital, ainda meio grogue.Tinha algo no pulso,parecia estar recebendo medicação, e Mônica ali, do meu lado.
— Meu amor, que bom! Eu pensei que ia te perder...
— Oi, Mônica. Ainda não vai me perder.
Ela então se aproxima. Cheia de amor, ela acaba selando os meus lábios, porém devagar pois ainda estava na maca. Perguntei a Mônica o que aconteceu e ela disse que havia levado uma facada do Vitor e depois ele saiu correndo. Ela não sabe mais o que aconteceu depois, pois só estava focada em mim.
Foi então que eu recebi uma mensagem no meu celular. Mônica então pegou a mensagem e me mostrou o visor. Eu jamais poderia imaginar a sequência que viria á seguir.