Culpa da curiosidade

Um conto erótico de Marcos
Categoria: Grupal
Contém 989 palavras
Data: 20/08/2025 00:02:44
Última revisão: 12/03/2026 17:47:06

​Os trabalhadores nas grandes cidades vivem mais tempo dentro do transporte público do que em casa e, claro, têm oportunidades de usufruir dos benefícios dessa convivência compulsória, conquistando novas amizades e passando a ter convívio diário com pessoas que jamais imaginariam conhecer. Nesses encontros, nem sempre agendados, há os que falam a viagem toda, os que roncam e os que passam todo o trajeto mergulhados nas redes sociais; tem para todo gosto.

​O que quero contar nestas linhas tem mais a ver com curiosidade do que com algo de que eu tenha participado. Foi envolvente e excitante, já que a curiosidade do ser humano provoca algo na mente que nos faz querer saber o que, de fato, não nos interessa. Somado à intromissão que os olhos, em silêncio, nos fazem cometer ao invadir a privacidade alheia, concluo que a curiosidade me fez ler textos de terceiros. Adianto que perdi o ponto de descida lendo as mensagens — se não for assim, não tem graça. Quem nunca leu uma conversa ou ficou atento aos áudios de um diálogo de alguém no transporte público?

​Em uma viagem de aproximadamente sessenta minutos no itinerário de casa para o trabalho, como era pós-feriado, a ressaca ainda dominava meu corpo. Eu estava em pé, segurando a barra de ferro que auxilia na viagem, quando vi uma foto no celular à minha frente. Era um nude. A menina sentada abriu a mensagem "quentinha" que acabara de chegar: era um rapaz pelado, segurando a própria pica à beira de uma piscina. Era noite na foto, e a mensagem dizia: "Bom dia, ele já está com saudades de você".

​A menina sorriu e escreveu que também estava com saudade dele. Enviou uma foto dos seios que tinha em sua galeria para o tal rapaz, que, de pronto, respondeu: "Belas tetas". A conversa degringolou. Ela dizia que estava marcada e com dores, que os amigos dele não foram legais. Eu ali, lendo tudo, muito curioso com os relatos. Claro que ela sabia que eu tinha como ler e, pelo jeito, não se incomodava que eu estivesse olhando para baixo. As fotos enviadas pelo rapaz passavam diante dos meus olhos, revelando a orgia pela qual ela tinha passado.

​O rapaz, que tinha o nome de "Malvadão" na conversa, respondeu que ela tinha recebido uma bela grana (o valor não foi mencionado na hora). O tal Malvadão deixou claro que ela sabia que seriam quatro homens e lembrou que, ainda assim, ela quis enfrentar tudo sozinha. Ele recordou um comentário dela, dizendo que seria fácil encarar os quatro, inclusive na "DP" (dupla penetração).

​A tal "santa", moça que estava a centímetros de mim, disse que encarou porque estava precisando do dinheiro, que iria se recuperar e aceitaria a próxima festa, provavelmente levando uma amiga. Nisso, ela escreveu o nome "Sheila", que, pelo que entendi, era a pessoa convidada que ela não havia levado da primeira vez. A moça continuou dizendo que estava machucada porque o "negão mais alto" (ela não mencionou o nome) meteu com força, e o "magrelo branco" não deixou por menos: assim que o outro saiu de trás, ele entrou com tudo, e ficaram revezando no botão dela.

​O Malvadão disse que assistiu de camarote enquanto filmava e mandou o vídeo. Ela não abriu. Eu estava excitado lendo tudo aquilo; meu pau ficou duro, louco para ver a filmagem, mas a fdp não abriu. Ela pediu para não vazarem o vídeo, e o rapaz garantiu que nem os amigos iriam receber; só eles dois teriam a gravação. Eu, curioso para ver o que ela tinha recebido, precisei controlar o impulso; a vontade era pedir para ver também.

​Eu já não tinha mais sono. A cada mensagem, eu estava visivelmente mais atento às palavras do que ela. O pau seguia duro. Já tinha colocado uma mão no bolso para apertá-lo discretamente; a vontade de bater uma punheta ali mesmo era enorme. A moça escreveu que estava rouca de tanto que apertaram seu pescoço na hora do "papai e mamãe", que não queria ser vendada na próxima, nem amarrada, pois abusaram dela e ela não tinha como se defender. O rapaz que apareceu na foto era um jovem, alto e moreno, e a lembrava a todo momento que pagou o que ela pediu e que foi feito o que combinaram.

​A garota teve a coragem de dizer que gozou horrores, mas não estava aguentando sentar, já que o cu estava muito dolorido. Nessa hora, alguém passou atrás de mim no corredor do ônibus e eu tive que chegar para a frente, sendo obrigado a encostar no braço dela. Ela, com certeza, sentiu meu pau duro. Olhou para mim e sorriu. Pedi desculpas, e ela disse que não tinha problema.

​Para piorar, ela chamou a amiga Sheila — uma loira magrinha, linda, de olhos claros — que enviou uma foto de biquíni. A moça encaminhou a foto para o Malvadão, que confirmou que queria ela também no próximo encontro. A grana foi enviada; sei disso porque vi o comprovante da transferência no valor de 800 reais. A moça, que no comprovante se chamava Joana, disse que daria trezentos para Sheila e ficaria com quinhentos. O Malvadão resumiu: "Vocês que são brancas que se entendam, só quero as duas aqui no horário e no dia combinados".

​Ela agradeceu, disse que seu ponto estava chegando, despediu-se com um "tchau" e mandou beijos na pica dele. Colocou o fone de ouvido, levantou, puxou a corda e desceu na parada seguinte. Só então percebi que já tinha passado vários pontos de onde eu deveria ter descido. Já no trabalho, completamente atrasado, fui até o banheiro e bati uma, lembrando das mensagens que li.

​Com certeza, ela não ia só pelo dinheiro, mas pelo prazer e pela sacanagem que rolava. Até a próxima leitura ou, quem sabe, um encontro casual. Talvez uma grana possa me ajudar a provar ao vivo o que li na íntegra.

​Até a próxima.

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Suzane
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