Um conto de um homem engolido pelo desejo em estado bruto
A primeira vez que Augusto ouviu falar do Mercado foi numa mesa gordurosa de bar, entre um pastel encharcado de óleo e a quarta cerveja morna.
— Fica ali no galpão do antigo Mercado Municipal — disse a mulher de unhas encardidas e sorriso sem filtro. — Entra pela porta dos fundos, entre meia-noite e duas. Leva dinheiro. E não pergunta o preço. Eles cobram o que você vale.
Augusto riu, cético, achando que era algum puteiro de quinta fantasiado de feira. Mas quando chegou em casa, bêbado e curioso, fez o que qualquer jornalista semi-desempregado faria: abriu o laptop, digitou “mercado da libertinagem” no navegador em aba anônima, e caiu num fórum fechado com apenas uma frase:
“Quem não cheira a putaria, não entra.”
A PORTA DOS FUNDOS
Na terça seguinte, à 1h14 da madrugada, ele empurrou a porta de ferro do galpão. Cheirava a canela e suor fresco.
Logo na entrada, foi barrado por um casal completamente nu, de máscaras de porco no rosto e coleiras presas a correntes. A mulher o lambeu do queixo ao umbigo, fungando. O homem enfiou dois dedos no cós do jeans e puxou a cueca para sentir o calor entre as pernas.
— Frio, ainda. Tá cru — disse o de máscara.
— Mas dá pra esquentar — completou a porca, já sorrindo.
Eles abriram caminho, e Augusto entrou.
Ali dentro, a decadência era teatral: paredes descascadas, luzes coloridas piscando de forma errática, goteiras com baldes sob elas, e bancas... bancas lotadas de pornografia viva.
A primeira, chamada "Prazer Cru", vendia cintos de castidade semi-abertos com marcas de unha e sinais de uso. Uma travesti com mamas à mostra oferecia um desconto:
— Se me chupar aqui mesmo, leva dois pelo preço de um. E eu gozo no seu bolso de brinde.
Ele seguiu, tonto, duro, com o jeans apertando as ideias.
A SENHORA DAS BERINJELAS
No corredor dos vegetais, uma mulher idosa se masturbava com uma berinjela grotescamente curva, entre gemidos e risadas de feira. Sua saia era só uma sombra pendurada na cintura, e os seios moles batiam como frutas maduras.
Havia uma placa: "Demonstração gratuita. Toque se quiser."
Augusto tocou.
Ela segurou sua mão, enfiou nos próprios pelos pubianos e gemeu:
— Sente essa terra? É de onde brota tudo. Berinjela, prazer, e homem bom. Quer plantar dentro de mim?
Ele não respondeu. Mas o pau dele já estava rijo, e quando ela ajoelhou e engoliu sem aviso, ele quase caiu para trás.
A boca dela era quente, sem dentes. Molhada como um buraco esquecido pela decência. Enquanto o chupava, outros dois homens o seguraram pelos ombros. Uma mulher chegou por trás, enfiou os dedos pela calça e segurou suas bolas.
Ele gozou ali mesmo, de pé, entre legumes e vozes gemendo.
Alguém aplaudiu.
AÇOUGUE HUMANO
Cambaleando, seguiu até o antigo açougue.
Corpos humanos pendurados, nus, girando lentamente em ganchos. Alguns com vibradores ligados dentro do cu, outros com placas:
"Chupe à vontade",
"Experimente por trás",
"Hoje, penetração dupla."
Augusto se aproximou de um homem de coxas largas e pau semi-duro. Tinha a pele marcada por palavras escritas a faca: submisso, oferta, carne macia.
Sem pensar, o jornalista agarrou aquele corpo morno e chupou-o até o pau inchar na boca. Um gozo discreto, contido, escorreu pelos lábios.
— Você tem boca de cliente recorrente — disse alguém, batendo nas costas dele. Era uma mulher coberta de sangue falso, com um avental escrito "SÓ VENDO À VISTA".
Augusto gargalhou. Estava suado, o rosto manchado de porra e tomate.
A QUEDA
Na semana seguinte, voltou. E na outra.
Logo passou a dormir num dos estandes desativados, debaixo de lonas sujas, cercado por gemidos e cheiro de pau galado.
Parou de escrever.
Parou de sair.
Parou de pensar.
Seu corpo virou moeda. Deitava nas bancas. Era enrabado por feirantes. Oferecia o cu em troca de mordidas. Chupava picas enquanto dormia. Era usado como prato por pessoas que comiam presunto em cima dele, com o pau ainda dentro da boca.
Ficou magro. Cheirava a sardinha e gozo.
Adorava.
A ETIQUETA FINAL
Numa noite especialmente abafada, acordou amarrado pelos tornozelos a dois ganchos. Estava de cabeça pra baixo, nu, lambido por todos os lados.
Ao lado do seu rosto, uma etiqueta presa com fita adesiva:
“Experimente sem compromisso.”
A feira girava.
As luzes piscavam.
O pau dele, mesmo mole, tremulava como uma bandeira.
Alguém lambeu sua axila. Outro mordeu seu mamilo.
Uma voz feminina, distante, gritou:
— Promoção relâmpago! Coma dois, pague um!
E ele sorriu.
Porque ali, no Mercado da Libertinagem Crua, ele finalmente era só isso: carne. Disponível. E feliz.
