A tarde passou arrastada. Entre tarefas, mensagens e prazos de códigos e roteiros para fazer, mesmo assim, minha cabeça não parava de voltar para ela. Desde cedo, minha mãe estava trancada no quarto, revirando tudo. Eu sabia o motivo. Na noite anterior, ouvi meu pai gritando com ela. Estava atrás de umas camisas antigas de futebol, umas roupas guardadas há anos. Disse que ia vender. Ela estranhou, perguntou o porquê, e ele como sempre, respondeu com grosseria, mandando que ela apenas obedecesse.
Aquilo ficou martelando na minha cabeça. Meu pai sempre trabalhou muito, nunca faltou nada em casa. Dívidas? Não fazia sentido. Mas o tom dele… a urgência… alguma coisa estava errada.
Levantei da cadeira, larguei o que estava fazendo e fui até o quarto dela preocupado, com aquele tempo todo, que estava trancada. Bati na porta, mas não tive respostas, então resolvi abrir bem devagar.
O que vi me paralisou.
O quarto estava de cabeça pra baixo. Gavetas abertas, roupas espalhadas, caixas no chão. Mas não foi isso que me fez travar. Foi ela.
Minha mãe estava de costas, em pé diante de um espelho que tinha na porta do armário, estava completamente imóvel olhando para um livro. Usava um top que parecia explodir a qualquer momento, como se aquilo não coubesse mais ali. E uma saia tão fina, tão curta e transparente, que mal parecia estar vestida, dava até para ver a calcinha. Mas o que realmente me atingiu foi o rosto dela quando se virou.
Uma expressão dura. De raiva. Mas não contra ninguém. Era contra ela mesma. Um nojo silencioso, como se estivesse se julgando e se odiando só com o olhar.
Aquilo mexeu comigo de um jeito que eu não soube explicar. Ver minha mãe assim, tão diferente, parecia tão desconfortável na própria pele, me deu um nó na garganta, mesmo que ver ela gostosa daquele jeito me causasse excitação. Não era só pelas roupas. Era pelo que elas diziam sem palavras. Pela dor que ela não estava conseguindo esconder.
— Mãe… o que aconteceu? — perguntei, entrando no quarto com o coração acelerado.
Ela se virou num grande susto, como se só tivesse percebido minha presença só agora. Tentou se cobrir com as mãos, mas ao se mexer, o top apertado demais acabou arrebentando com um estalo seco. Ela segurou o tecido com pressa, cobrindo o peito, e gritou:
— Filho! O que você tá fazendo aqui?
— Eu fiquei preocupado — respondi, tentando manter a calma. — Você passou o dia todo trancada aqui. Não comeu, não falou com ninguém… e agora te encontro assim, com essas roupas…
Ela me interrompeu, com a voz embargada:
— Eu sei que tô ridícula.
— Não é isso — falei, me aproximando devagar. — Meu espanto não tem nada a ver com aparência. Na verdade… não achei nada feio. Muito pelo contrário, achei bastante atraente, com todo o respeito. Só não entendi por que essas roupas tão apertadas, menores, que nem parecem ser suas. E ainda arrebentou…
Ela respirou fundo, desviando o olhar.
— Já foram minhas… no passado.
Fez um gesto com a cabeça, apontando para o chão.
— Fecha a porta. E pega aquilo ali.
Olhei para onde ela indicava. Achei que fosse um livro, mas ao me abaixar, vi que era um álbum de fotos antigo, encostado numa caixa cheia de roupas femininas bastante curtas e provocadoras, todas com cheiro de tempo guardado.
Peguei o álbum com cuidado. A capa estava gasta, mas ainda dava pra ver uma foto colada ali, minha mãe, jovem, sorrindo, usando uma das roupas curtas, que agora estavam espalhadas pelo quarto.
Ela se ajeitou na beirada da cama, ainda segurando o top rasgado com uma das mãos,a outra estava livre com um peito amostra e ela fez um gesto com a cabeça, confesso que me distrai olhando o peito, mas consegui me controlar.
— Vai… vai passando as páginas.
Abri o álbum. As primeiras fotos mostravam minha mãe ainda adolescente. Roupas curtas, poses ousadas, olhares desafiadores. Cada página parecia carregar uma energia diferente — uma sensualidade que mudava, que se transformava. O corpo dela era mais magro, mais definido, mas o que mais chamava atenção era o esforço por trás de cada imagem. Como se ela gritasse por algo que ninguém ouvia.
— Eu nunca fui a mais bonita, sabe? — ela começou, com a voz baixa. — Nem a mais desejada. Muito menos a mais ouvida.
Continuei virando as páginas, sentindo o peso daquelas imagens agora com outros olhos, além da atração e tesão que eu estava sentindo.
— Quando eu era nova… — ela continuou — …ninguém me via de verdade. Então comecei a me vestir assim. Justamente pra isso. Pra ver se alguém me enxergava. Se não era pelo que eu era, que fosse pelo que eu mostrava.
Ela respirou fundo, olhando pro nada.
— Comecei a ir pros bailes. Rebolava como se minha vida dependesse disso. E por um tempo… funcionou. Eu era notada. Mas não como pessoa. Só como distração. Como brinquedo.
Fechei o álbum por um instante, sentindo o peso daquelas palavras e vendo o quão mal ela ficou.
— Um dia… — ela disse, com a voz falhando …um vizinho apareceu lá em casa. Disse que a mãe dele tinha deixado uma marmita pra mim. Eu acreditei. Ele sabia que eu tava sozinha. Quando entrei, ele me encurralou na cozinha. Me encostou na parede. Passou a mão em mim…
Ela fechou os olhos, engolindo seco e eu só segurei forte a mão dela para que pudesse continuar firme.
— Se eu não tivesse um isqueiro no bolso… eu não sei o que teria acontecido. Mas depois daquilo, eu entendi. Aquela atenção… podia me matar.
Ficamos em silêncio por um tempo. Ela passou a mão pelo rosto, como quem tenta apagar uma lembrança.
— Então eu mudei. Me escondi. Me vesti como esperavam. Conheci seu pai. Achei que tava segura. Mas hoje… — ela olhou pra mim, os olhos marejados — …hoje eu não sou mais aquela menina que chamava atenção. Nem aquela mulher que se encaixa no que esperam. E seu pai… me trata como se eu fosse nada. Como se eu fosse um peso. Um bicho.
Ela abaixou a cabeça, os ombros tremendo levemente.
— Nem como mulher, nem como pessoa.
Fiquei ali, parado, com o álbum no colo e o coração apertado. Nunca tinha visto minha mãe assim. Nunca tinha ouvido essa parte de sua história. E agora, tudo fazia sentido: as roupas, o silêncio, o olhar perdido.
Peguei no queixo dela, que já estava quase caindo, e o ergui com delicadeza. Os olhos dela evitavam os meus, mas eu não deixei.
— Mãe… você não é só uma mulher que precisa se mostrar pra ser vista. E muito menos alguém sem valor. Eu sei que meu pai não te enxerga como deveria. Sei que isso machuca. Mas eu tô aqui. E você sabe bem como eu te vejo, né?
Ela me olhou, os olhos marejados, mas ainda tentando manter a força.
— Você não é um objeto. E muito menos alguém invisível. Eu vejo como você cuida dessa casa, como tenta sorrir mesmo com mil motivos pra chorar. Como dá tudo de si por uma família que, muitas vezes, não te devolve nem metade.
Ela respirou fundo, mas não disse nada. Então continuei.
— Você podia ter se tornado amarga, fria, distante. Mas escolheu ser o contrário. Escolheu ser luz. Ser cuidado. Ser amor. E não tô falando só da sua alma, não. Tô falando de tudo. Porque, olha… essas roupas aí nem aguentam mais o mulherão atraente que você virou.
Ela soltou um riso fraco, balançando a cabeça.
— Daqui a pouco tá mais quente que o sol — brinquei, tentando arrancar mais um sorriso. — E olha, com todo respeito… tem muita mulher por aí pagando caro pra ter os peitos, bunda e coxa,que você tem de graça. E você ainda teve a proeza de ficar assim depois de me carregar nove meses, ou seja, foi a grávida mais sensual que eu já vi e ficou ainda melhor depois.
Ela riu de verdade dessa vez. E eu aproveitei o momento.
— Então, por favor… não se veste tentando voltar a um corpo do passado. Porque o seu corpo de agora… é mais forte, mais bonito, mais tudo. Ele carrega história, coragem, e um amor que eu nunca vi em mais ninguém. Mesmo com todos os motivos pra desistir… você escolheu amar.
Ela fechou os olhos por um instante. E pela primeira vez em muito tempo… parecia acreditar e ficar mais leve, inclusive tirando a outra mão que segura o seio.
Então ela olhou para mim e me abraçou. Um abraço intenso, forte, libertador. Como se estivesse soltando anos de dor em um único gesto. Encostou o rosto no meu ombro e sussurrou:
— Obrigado, filho… Apesar de tudo, apesar de me sentir injustiçada pela vida… eu tive a chance de dar vida ao homem mais incrível e perfeito que eu conheço.
Fiquei em silêncio por um segundo, sentindo o peso daquelas palavras. Depois respondi, no mesmo tom baixo, quase como um cochicho:
— Eu tive a quem puxar.
Ficamos ali, abraçados, como se o tempo tivesse parado. Como se o mundo lá fora não existisse.
Depois, me afastei um pouco e olhei pra ela.
— Percebi que sua cintura tá toda marcada… com certeza por causa dessa saia apertada. E não é só ela. Essas roupas… já tão te machucando há tempo demais. Tá na hora disso acabar.
Ela riu, passando a mão pelo top rasgado que estava jogado ali em cima da cama.
— Até que eu gostei de ter estourado esse aqui.
Não sabia que tinha seios tão fortes.
— É porque eu tenho uma mamãe grandona — falei, rindo junto. — Se fosse um hambúrguer, seria um X-tudo.
Ela caiu na gargalhada, balançando a cabeça e os peitos que estavam ali expostos, balançavam juntos e me causavam cada vez mais tesão.
— Só você mesmo pra me tirar de um momento péssimo e transformar num dos mais leves e lindos que eu vou guardar na memória.
Depois olhou pras roupas espalhadas pelo chão, pensativa.
— Seria bom se eu conseguisse estourar todas essas peças com o próprio corpo… igual fiz com o top. Mas seria coisa de gente maluca né?
— Não é não — respondi, ainda sorrindo. — E se for… então eu também sou. Porque acho uma ótima ideia. Quer que eu saia do quarto pra você fazer isso?
Fiz questão de me levantar e deixar ela fazer isso sozinha, mas ela me puxou pelo braço com firmeza e carinho.
— Quero sim fazer isso. Mas quero que você faça parte desse momento.
Claro, Pedro. Aqui está a continuação da cena, mantendo a leveza, o simbolismo e a cumplicidade entre mãe e filho de forma sutil e respeitosa:
Ela se levantou com um brilho diferente no olhar. Pegou uma das peças da caixa — uma blusa apertada, de tecido curto — e a vestiu com certa dificuldade. Caminhou até o espelho, se olhando com um misto de ironia e coragem.
— Vamos ver se essa aqui ainda aguenta — disse, com um sorriso provocativo, olhando para o espelho e depois para mim
Fiquei ali, quieto, respeitando o momento, apenas observando com o pau duro é claro. Ela começou a se mover, devagar, balançando o corpo de um lado pro outro, como se estivesse dançando sozinha. E uma a uma, as peças iam cedendo. Costuras estalavam, tecidos se desfaziam. Mas não havia vergonha. Havia alívio e satisfação.
Ela fazia questão de que eu visse. Não por vaidade, mas por libertação. Como se dissesse: “Olha, filho, tô me soltando. Tô deixando pra trás o que me apertava, mas aquilo também parecia uma mulher se mostrando para um homem, que ela sabe que também sentia atração.”
Em um momento, uma das roupas resistiu. Ela tentou se mexer, mas nada. Então olhou pra mim, rindo:
— Essa aqui tá teimosa, vem me ajudar filho
Me aproximei, hesitante, e coloquei as mãos em sua cintura. Comecei a balançá-la de leve, como numa dança improvisada. Ela riu alto, e eu ri junto. A gente se movia no mesmo ritmo, como se aquele quarto tivesse virado um palco só nosso e tudo aquilo também me deixava excitado, ver os seus peitos pulando dentro daquele sutiã querendo sair e principalmente em como ali parecia que ela tinha esquecido que éramos mãe e filho, como e ela só precisasse de um homem.
E então com toda aquela movimentação o sutiã cedeu e arrebentou.
Ela olhou pra mim com os olhos brilhando, surpresa e livre. E eu, tomado por uma mistura de alegria, leveza , admiração, tesão que fazia tempo que não sentia, só consegui sorrir de volta e acho que ela até percebeu que eu estava excitado, pois olhava de canto alguns momentos.
Depois de tudo, começamos a arrumar o quarto juntos. Dobramos o que ainda fazia sentido guardar e, sem hesitar, jogamos fora o que já não servia mais — nem no corpo, nem na alma. As camisas do meu pai apareceram no fundo de uma caixa, amassadas, esquecidas. Ela olhou pra elas com um misto de cansaço e indiferença.
— Achei — disse, como quem encontra algo que já não importa tanto.
Quando tudo estava quase no lugar, com o quarto mais leve e o ar mais limpo, olhei pra ela e falei:
— Mãe… você podia fazer um novo álbum de fotos. No celular mesmo, sabe? Recriar algumas daquelas antigas. Mas agora com outro olhar. Não só pela sensualidade… mas pela mulher que tá começando a se enxergar hoje.
Ela sorriu, surpresa.
— Sabe que é uma boa ideia? — disse, animada. — Posso até fazer e te mostrar, como se fosse uma modelo. E você vira meu avaliador, que tal?
— Fechado — respondi, rindo e com um tesão grande. — Mas já te aviso que sou exigente, hein.
Ela riu também, mas logo o riso foi se acalmando. Ficamos em silêncio por um instante, até que ela falou, com um tom mais sério:
— O que aconteceu aqui… é melhor a gente deixar aqui.
Eu a respondi então, sem rodeios:
— Com certeza. Eu nem pensei em contar pra ninguém. Mas… — ela hesitou — …eu tenho até medo de pensar no que seu pai faria se soubesse.
Suspirei fundo.
— Ele não merece saber. Porque ele nunca procurou te conhecer. Nunca quis ouvir suas dores, nem tentou te acolher. E se isso que você viveu aqui hoje… se esse momento é seu, e é nosso… então ele não tem lugar nisso. Não tem direito de tocar no que a gente construiu hoje.
Ela me olhou com um sorriso cansado, mas verdadeiro. E disse, rindo:
— Você tá parecendo até o meu marido agora.
— Melhor que o seu, né? — brinquei, e ela riu de novo, dessa vez com leveza.
E foi assim que a gente terminou aquele dia. Leve, em paz, com o quarto arrumado e o coração um pouco mais também e o meu carinho e ao mesmo tempo desejo pela minha mãe só aumentou mais.