Que coisa mais besta, eu proponho um desafio de escrita sobre provas de amor e agora não sei o que dizer sobre o tema. Às vezes acontece de eu ficar sem inspiração, mas na verdade acho que a razão é que eu não sou dado a essa coisa de provas de amor.
Cada um demonstra amor de um jeito e meu estilo se manifesta mais nas pequenas coisas, gestos cotidianos, como fazer um café da manhã para a esposa ou, quando estou no mercado, escolher algo diferente que ela vai gostar.
Talvez seja por isso que não sou dado a grandes demonstrações de afeto, ou talvez eu seja um traumatizado, o que me faz pensar em Mariela.
Há uns quarenta anos, eu me apaixonei por essa garota, uma gaúcha de sotaque encantador e cabelos negros encaracolados, rosto de traços finos com um narizinho perfeito e um corpo jovem trazendo uma bunda que, confesso, era seu maior atrativo. Só de lembrar eu suspiro, que bunda era aquela, uma perfeição.
No auge da minha juventude, Mariela pertencia a um grupo grande de amigos da faculdade e vivíamos nos topando por aí. Eu botei os olhos nela desde que a conheci, mas não havia muito espaço para tentar alguma coisa: ela era assediada, não faltava homem dando em cima dela.
Convenhamos, nessa época eu não tinha lá muitos atrativos, era magrelo, moreno, caladão, sem grana, um cara normal que não se destacava por nada. Sem falar que eu era inseguro pra caralho. O que uma garota radiante como aquela ia querer comigo?
Bem, o tempo foi passando e eu estava sempre por ali, como uma mosca de padaria rondando o pãozinho doce da Mariela. Nesse tempo, terminei ficando muito próximo à melhor amiga dela, e de um outro cara que andava com a gente, até que numas férias combinamos de ir os quatro passar uma semana na cidade da Mariela.
Porra, era agora ou nunca. Passei a viagem de ônibus inteira, horas e horas, imaginando o que eu podia fazer para ficar com essa garota. Fiz meus planos, eu já tinha clareza de como chegar junto, seria até fácil, afinal, dois caras e duas garotas dormindo num apartamentinho é meio caminho andado para rolar alguma coisa.
Chegamos numa quinta e, logo na primeira noite, saímos todos para uma boate. Era parte do plano, beber, descontrair, relaxar, dançar e começar a dar uns pegas na Mariela já na pista, para depois ter a semana toda me divertindo e criando intimidade com ela.
Deu tudo errado. Mariela era amiga do barman, um cara mais velho, bonito e descolado, todo cheio de sex appeal e coberto de tatuagens, que a manteve no balcão a noite inteira conversando e dando birita grátis pra ela.
Frustrado, eu fumei dois baseados no jardim e bebi muito de tudo, até ficar meio grogue. Quando dei por mim, estava na pista dançando com a Giovana, amiga do tal barman, uma garota um pouco mais velha, esguia e com uns peitos maneiros, que ficou me dando corda até me agarrar, beijando a minha boca - bem na frente da Mariela.
A essa altura, eu já estava doidaço e tocando o foda-se: mais valia a desconhecida da Giovana nas minhas mãos que a Mariela voando. A noite ia acabando e eu terminei num táxi com a Gio, ao invés de voltar pro apartamento com a sonhada Mariela.
Gio era divorciada, cheia de tesão e muito mais experiente que eu. Quando ela me jogou no colchão do seu quarto e foi tirando a roupa na minha frente, eu já nem lembrava mais que a Mariela existia.
Ela era meio alta, mas era dessas mulheres bem propocionadas. Seus peitos eram relativamente grandes, mas sua cintura era fina e se viam as costelas desenhadas por baixo da pele, vindo logo abaixo seu sexo com uma fileira de pelinhos bem aparados e, por trás, uma bunda redonda e firme. Achei um tesão.
Nossa primeira vez foi romântica, o tanto quanto pode ser para duas pessoas com álcool maconha na cabeça se pegando de madrugada. Brincamos um pouco com o corpo um do outro, nos abraçamos e nos comemos deitados de lado, frente a frente, devagar e sem afobação, enquanto nos beijávamos. A Gio beijava bem pra caralho.
Dormimos depois de gozar, acordei sei lá quando, Gio estava em cima de mim, mexendo no pau e rindo, colocando pra dentro. Uma vez com ele lá, começou a mexer e requebrar devagarzinho sobre mim, eu deitado e ela sentada com o par de peitos balançando. Gio pegou minhas mãos e fez com que eu os agarrasse, enquanto acelerava o remelexo. Gozamos de novo, e dormimos de novo.
Acordei, nem tinha ideia do tempo, vi a Gio dormindo deitada de costas para mim e me deu vontade de novo. Abracei-a por trás, segurando seus peitos do jeito que ela tinha me ensinado e vim me encaixando entre suas pernas. Quando a Gio acordou, eu a estava comendo por trás de ladinho e sua reação foi trazer um braço e me puxar pela nuca, pedindo para eu beijar seu pescoço. Gozamos outra vez e voltamos a dormir.
Acordei sozinho no colchão, com a luz do dia entrando pela janela e cheiro de café no ar. Eu devia estar um trapo depois daquela noite, levantei todo desajeitado e fui andando pela casa da Gio peladão, até encontrá-la na cozinha, cantarolando uma música brega qualquer e mexendo ovos numa frigideira.
Gio estava virada para o fogão, usando somente com um avental. Sua bunda redondinha era mais bonita do que eu imaginara. Me deu tesão vê-la ali, seminua, numa cena tão matinal e caseira. Vim chegando por trás sem que ela percebesse, abracei-a colocando meu corpo junto ao seu e, apertando seus seios, a beijava na nuca como da última vez.
Gio riu e disse que eu era incansável, o que tomei como um elogio.
Daí seguiu mexendo os ovos, mas começou a dar uma reboladinha comigo ali, colado atrás dela. Os ovos estavam queimando mas não importava, porque agora eu comia a Gio de pé na cozinha, segurando sua cinturinha por trás com ela apoiada no fogão, enquanto seguia cantarolando a mesma canção brega de antes, um pouco mais ofegante agora.
Comemos tomando um café muito forte, os dois pelados sentados frente à frente numa mesinha de canto. Os ovos queimados estavam horríveis, mas não importava: era a primeira vez que conversávamos desde que nos conhecemos. Gio armou um baseado e disse para voltarmos para o quarto, por causa do cheiro.
Fumamos sentados na cama, o negócio não queimou nem a metade quando ela disse que tinha vontade de novo - e aí me dei conta de que o incansável ali não era só eu.
Gio não disse aquilo como sugestão, ou um pedido. Enquanto falava, ela mesma já afastava meus braços e vinha subindo no meu colo, sentando de frente para mim. Ficou se mexendo ali, eu sentia o seu sexo úmido deslizando sobre o meu pau, provocante e eriçada, até me deixar pronto para recomeçarmos o que mal havíamos terminado de fazer.
Sobre o meu colo, com os joelhos dobrados no colchão, Giovana riu outra vez e se encaixou em mim. Senti como ela me engolia entre suas pernas e me engolia com sua boca beijando a minha, as duas coisas ao mesmo tempo e no mesmo compasso, enquanto eu apertava suas nádegas e ela abraçava meu pescoço, ao ponto de parecermos uma só pessoa contorcendo-se de forma errática.
Mas tá, eu já dei uma bela ideia do que foi este encontro inesperado com a Gio e não quero que pareça que estou me gabando. Acho que para terminar essa parte só falta mencionar que, quando saí de lá e voltei ao apartamento com Mariela e os outros amigos, já era segunda no meio da tarde.
E só nos separamos porque a Giovana tinha que ir trabalhar, algo com eventos de grandes empresas, se me lembro bem.
Eu estava nas nuvens, pisando leve, quando reencontrei Mariela. Ouvi um bocado de desaforos do pessoal, afinal eu tinha desaparecido por dias numa cidade estranha e eles ficaram preocupados.
Só não buscaram a polícia por duas razões: eles estavam ocupados fumando maconha e também ligaram para o barman, que argumentou que eu devia ter desaparecido porque a Giovana estava me dando um trato. E deu mesmo.
Deixei eles na sala e fui tomar meu banho, larguei a roupa que usava desde a boate no chão do quarto e ainda bati uma no chuveiro, lembrando da Giovana. Depois saímos os quatro e fomos comer uma pizza, e foi só aí que eu notei que a Mariela estava meio azeda.
A garota mal falava comigo e ficava me dando fora, não importa o que eu dissesse e qual fosse o assunto. Era só eu falar que lá vinha cortada, como se estivesse num jogo de volei sem bola onde as palavras eram atiradas diretamente na minha cara.
Mas tudo bem, porque agora eu tinha a Giovana, o melhor sexo que já expeimentara, e ainda restavam uns dias para a gente curtir mais um pouco - ou muito, sei lá.
Na hora de irmos dormir, em vez de eu ter a Gio me provocando ao lado, fiquei na cama com o outro carinha da viagem, que roncava como se o apocalipse estivesse anunciando sua chegada triunfante, enquanto as garotas ficavam no outro quarto.
Na manhã seguinte, pensei em procurar um telefone público e ligar para a minha mais nova - e única - peguete. Quando consegui encontrar minhas roupas no meio da bagunça que o apartamento tinha virado, procurei nos bolsos pelo guardanapo em que tinha anotado seu número e não achei nada.
Caralho, eu tinha certeza de que tinha aquele guardanapo. Nem um quilo de maconha me faria jogar aquilo fora. Revisei todos os bolsos de novo, e nada. Procurei na minha mochila, vai que eu tinha guardado aquela preciosidade lá, mas nada. Remexi nos lixos do apê, o da cozinha, o do banheiro, o do andar do prédio, e nada do maltido guardanapo.
Passei a tarde torrando a paciência da Mariela para me dar o contato do infeliz daquele barman. A garota fez um jogo duro danado, como se fosse um grande favor pedir ao carinha que me desse o telefone da Gio. Depois de eu quase implorar, por fim consegui ligar para o bonitão tatuado, mas o cara me cortou.
Ele disse que não ia dar o número da sua amiga assim, sem mais nem menos. Alegou que ela era muito reservada e seletiva para dar o telefone, então, a última coisa que ele faria era sair distribuindo seu número assim, para qualquer um.
Mas eu não era qualquer um, porra, a gente tinha um lance!
Não teve jeito, depois de muito insistir, o máximo que consegui era que ele se comprometesse a ligar para a amiga perguntando se podia dar o número para mim. Mas ele ia demorar pra fazer isso, pois a Gio devia estar trabalhando e ele tinha que sair para a boate.
Paciência, eu teria que esperar até o dia seguinte, olhando para a cara azeda da Mariela e tomando cortada a cada cinco minutos. Em algum momento, eu me incomodei com uma de suas respostas e retruquei meus o agressivo, perguntando qual era a dela comigo.
Mariela disse que eu perdi todo o respeito, que eu era um verme e que ela não suportava caras que saiam com putas. Êpa, peraí… A Mariela estava com ciúmes, era isso? Sim, porque uma garota só chama outra assim se é por ciúmes, não é? Não…
Fui falar com a outra mina, a melhor amiga da Mariela, e resultava que elas realmente achavam que a Gio era puta. Puta mesmo, tipo sexo por dinheiro, dessas bem pagas. Ela disse pra eu pensar bem…
Um cara qualquer como eu conhece uma garota alta, bonita e com um corpão numa boate cheia de putas, ela dá mole pra ele, os dois saem juntos de lá e ficam ele só aparece dias depois, dizendo que trepou o fim de semana inteiro, e que só voltou porque ela tinha que ir trabalhar num evento de empresários? E esse nome então? Giovana? Nome de garota de programa!
Porra, eu não podia acreditar mas… A Gio bem podia ser puta!
Depois da briga que tivemos, Mariela passou a me ignorar completamente. O clima ficou pesado entre a gente e, quando eles saíram, eu não quis ir junto.
Já era quarta de manhã e nós íamos embora de volta na sexta. Liguei inúmeras vezes para o babaca do barman, mas ninguém atendia. Eu quicava de ansiedade, só pensando que eu precisava tirar a limpo aquela história da Giovana fazer programa. Fiquei nervoso, fiquei com raiva, fiquei angustiado e fiquei triste, numa sequência que durou a tarde inteira.
No final da tarde, quando os amigos voltaram para o apê, eu era novamente um trapo humano. Só me restava um dia na cidade e eu não tinha ideia de como encontraria a Gio para saber a verdade. Por estranho que pareça, a única que se comoveu um pouco com a minha situação foi a Mariela.
Os outros me chamaram para um barzinho, querendo descontrair e aproveitar a cidade, mas eu não tinha ânimo nenhum pra isso. E aí veio o inesperado: Mariela decidiu ficar e me dar um apoio moral. Porra, eu devia estar muito mal mesmo pra ela querer fazer isso depois de tudo!
Mariela queria levantar o meu estral. Pegou um vinho que tinha guardado por lá e uns queijos, cortou uns pães e me chamou pra sentar no sofá e beliscar com ela. Durante a noite, teve a sensibilidade de não mencionar uma vez sequer a história da Giovana.
Quando eu começava a falar disso, ela rapidamente mudava o assunto, tudo para me fazer esquecer minha desgraça. Muito hábil a Mariela, não era à toa que estudava psicologia.
E vai, estamos só os dois no apartamentinho, no sofá, de noite, com vinhos e queijos, conversando sem compromisso e sem que ela fizesse cara azeda ou me respondesse mal. Era inevitável que em algum momento me ocorresse que, antes de Gio, estar com Mariela assim era meu sonho dourado.
E justamente quando pensei nisso, ela começou a passar a mão nos meus cabelos, fazendo cachinhos com um dedo nas minhas mechas, com o braço sobre o encosto e o corpo inclinado em minha direção. Ao dar-me conta do que acontecia, olhei diretamente nos seus olhos e vi que ela me queria.
Talvez a viagem à sua cidade tenha resultado aborrecida, talvez ela não tivesse nada melhor para fazer, ou talvez ela gostasse mesmo de mim e estava superando o lance da Gio, ao percebendo que eu não tinha noção de que ela era puta, sei lá, mas eu fui aproximando meu rosto e ela não recuou, até nos beijarmos.
Para alguém na minha situação, que estava meio machucado e desiludido porque a mulher das minhas férias era uma puta, aquele beijo foi estranho, carregando um misto de emoção e surpresa.
Por tanto tempo eu quis a Mariela e, justo quando parecíamos estar mais distantes um do outro, nos encontrávamos naquele contato de lábios e nos desejávamos.
Nos aproximamos mais, continuamos nos beijando e agora nos abraçávamos. Eu sentia sua respiração em minha boca e o palpitar de seu coração em meu peito, enquanto tudo em volta se esfumava num borrão e as memórias recentes de Inês iam perdendo importância numa velocidade absurda.
Ainda assim, eu estava reticente. Aquela era a Mariela, a garota gostosa da turma, a que tinha uma bunda inigualável, a do narizinho perfeito que falava com um sotaque de derreter qualquer macho. E ela estava ali, finalmente ao ao meu alcance, facinha!
Eu jamais me perdoaria se perdesse a oportunidade e não rolasse nada, mas, ao mesmo tempo, pensava nessas coisas sobre a Mariela e minha insegurança batia forte, ainda mais depois de ter descoberto aquilo tudo sobre a Giovana.
A Mariela devia ler a mente das pessoas. Como se adivinhasse a confusão em minha cabeça, ela foi se levantando e me levando pela mão até o quarto sem dizer nada. Quando entramos, ela trancou a porta atrás de si e me olhou sorrindo. Ao se aproximar, enlaçou meu pescoço e me beijou e colando seu corpo ao meu.
Minhas mãos passearam um pouco por sua cintura, desceram um pouco, pousaram sobre sua bundinha e, devagarinho, começaram a apertá-las. As nádegas de Mariela correspondiam exatamente ao que eu imaginava, eram durinhas e suaves, polpudas, redondinhas. Ela não retirou minhas mãos, muito pelo contrário, suspirou no meu ouvido e sussurrou que eu tinha mãos firmes, como ela gostava.
Ao dizer isso, Mariela parecia ter se decidido, se é que já não estava desde que os outros amigos saíram. Delicada mas determinada, me deu um empurrãozinho e me fez cair sobre a cama, para em seguida vir deitar-se sobre mim.
Agora, enquanto nos beijávamos e eu seguia apertando suas nádegas, sentia também seus seios contra meu peito e suas mãos um pouco afoitas retirando minha camisa, puxando-a para cima, para que em seguida ela pudesse ir deslizando a língua pelo meu corpo, mordendo meus mamilos, descendo pelo peito, correndo pelo abdômen e me dando beijos ali enquanto ela puxava minhas calças.
Mariela encontrou-me teso, excitado pelo que fazia comigo. Segurou-me por ali e, enquanto seus lábios me envolviam, olhava diretamente para mim, lambendo e sugando, ora tudo e ora só um pouco, mas sem desviar os olhos de mim, como se quisesse certificar-se de que eu via o que ela estava fazendo.
Sem muito aviso, me libertou daquele beijo e veio por cima, levantando o tronco, até ficar com os joelhos flexionados em volta do meu tórax. Foi levantando o vestido e me deixou ver sua calcinha negra contrastando com sua pele branca e seus seios descobertos de mamilos pequenos e escuros.
Desde onde eu estava, era como se seu sexo estivesse sendo imposto, imperativo frente a mim, quase que ordenando que eu o sorvesse. Se ainda restava alguma dúvida, esta se dissipou quando ela puxou a calcinha para o lado e desceu seu sexo sobre minha boca.
Mariela era deliciosa, quente, fogosa. Me segurava pelos cabelos e empurrava seu sexo contra minha boca, gemendo e sussurrando que assim era gostoso. Extasiado com seu sabor, eu já nem me lembrava da… da… Enfim, já nem me lembrava do nome daquela outra garota.
Depois de algum tempo, senti aquele ímpeto, aquela urgência, eu precisava estar dentro de Mariela, precisava que ela descesse e se encaixasse em mim, e tinha que ser agora. Com as mãos em sua cintura, foi levando-a para baixo, em direção a mim, desejando penetrá-la.
No meio do caminho, como quem acorda de repente, Mariela deu um sorriso aberto me olhando e parou subitamente. Com uma vozinha doce, disse que assim não, não era como ela queria. Por um breve segundo, meu coração parou vendo-a sair de cima de mim e achando que ela ia embora.
Mas ele voltou a bater mais forte ainda, quando em seguida ela se postou agachada ao meu lado, com a cara nos travesseiros e a bundinha arrebitada para cima, pedindo para ser de quatro e na bundinha, como se ela fosse uma das putas que eu gostava…
Sinceramente? Mesmo? Nem na punheta mais alucinada que eu já batera sonhando com Mariela eu havia imaginado que um dia a comeria de quatro, rebolando suavemente comigo estocando atrás, pedindo para segurá-la pelos cabelos e dar tapinhas em suas nádegas brancas e perfeitas, enquanto pedia para xingá-la de puta.
Mariela era puro tesão e se divertia com o efeito que isso causava em mim.
Diferente da performance extraordinária que tive com Gio, com Mariela caímos os dois no colchão após o orgasmo e dormimos. Acordei no meio da noite, fui procurá-la ao meu lado querendo seguir, mas ela já não estava lá.
Só encontrei o outro carinha que viajava com a gente, num sono profundo e roncando como costumava. Era óbvio, Mariela ficou comigo mas não queria que os outros soubessem. Por isso, retirou-se da cama e me deixou dormindo lá, antes que os amigos chegassem.
O dia seguinte foi meio estranho. Mariela agia como se nada houvesse ocorrido, não havia nenhum sinal de cumplicidade entre nós, nenhum café da manhã juntos e muito pouco para conversar, embora houvesse tanto que eu quisesse dizer-lhe.
Mariela foi evasiva, distante e meio ausente em todas as vezes que busquei falar com ela. Tentei conseguir o número da Gio mais um par de vezes, eu queria mesmo tirar aquela história a limpo, mas não encontrei o puto do barman.
Mais uma noite de sono ao som dos roncos do outro carinha e, finalmente, para bem ou para mal, íamos embora. Eu já nem me importava, a viagem fora excelente e fora uma merda ao mesmo tempo. Vivi días incríveis com uma puta de verdade e comi a Mariela de quatro como uma puta de mentirinha, mas sofri ao não poder encontrar mais com uma e sofri com a frieza da outra.
Na interminável viagem de ônibus voltando para casa, já de noite, Mariela veio sentar-se ao meu lado. Pensei que ela era doida, ou que estava me zoando, algo assim. Me deu o maior gelo e agora vinha me procurar, dá pra entender?
O ônibus seguia com seus passageiros dormindo e havia um silêncio incômodo entre nós, como se ela esperasse que eu dissesse alguma coisa, mas eu, desconfiado, não sabia o quê.
Quando ela deitou a cabeça no meu ombro, fiz um carinho em seus cabelos e a ouvi suspirar. Falando baixinho, tomei coragem e comecei a dizer o que eu sentia.
Contei que sempre desejei ficar com ela, que durante todo esse tempo eu fora apaixonado, que eu tinha fantasiado essa viagem como o início do nosso namoro e que foi uma experiência incrível estar na cama ao seu lado.
Disse ainda que eu entendia porque ela me tratava daquele jeito, afinal, eu tinha melado tudo ao desaparecer com a Giovana, mas que tudo bem: por mim, o que tivemos seria inesquecível.
Mariela, começou a chorar baixinho. Entre soluços, confessou, ela me desejava e também tinha imaginado que aquela viagem seria quando nós finalmente ficaríamos juntos, mas depois que eu fui embora com uma garota de programa, tudo tinha mudado.
Naqueles dias em sua cidade, Mariela ficou com raiva de mim, depois ficou com ódio de mim, depois decidiu me ignorar, mas então sentiu pena de mim e me perdoou, afinal de contas, ela me amava.
Eu me espantei com toda aquela informação sendo despejada de uma só vez durante uma viagem de ônibus. Mais que tudo, era impossível acreditar na sua última afirmação. Como assim? Ela me amava? Não, isso era meio impossível.
Questionei Mariela logo em seguida. Aquele momento era crucial entre nós e devíamos ser sinceros se quiséssemos ao menos ter algum tipo de relacionamento dali pra frente.
Mariela olhou-me firme, com seus olhos cheios de lágrimas que escorriam por suas bochechas rosadas. Reafirmou que era pra valer, ela me amava, e me daria uma prova disso.
Enfiou a mão nos bolsos procurando alguma coisa e, quando achou, apressou-se em entregar-me um papelzinho todo amassado, dizendo que eu podia fazer com aquilo o que quisesse.
Era o guardanapo com o telefone da Inês, que ela havia roubado com ciúmes porque me amava.
Tá bem, eu ia terminar aqui, acho chique deixar finais abertos, com as coisas no ar, só para poderem ficar imaginando o que aconteceu.
Mas hoje estou melancólico com essa história toda que voltou depois de tanto tempo, então vou contar.
Cheguei em casa, o papelzinho com o telefone da Giovana queimava nas minhas mãos, mas, ao mesmo tempo, ligar para ela era meio que trair a confiança da Mariela, minha mais nova - e primeira - namorada.
Resolvi jogar aquilo fora, só para esquecer a Gio e não correr o risco de cair em tentação, afinal, a carne foi, é e sempre será fraca. Eu nunca mais soube da Giovana, nem tirei a limpo aquela história dela ser puta. Não posso contar o que não sei, mas, olhando para trás, acho que não era.
Ainda assim, mesmo que fosse, eu não paguei, nem ela cobrou nada, não é? Então, prefiro não pensar nisso e só lembrar daquele fim de semana como algo fantástico que vivi.
Quanto à Mariela, bem, aí é outra história.
Nós ficamos juntos uns meses e comi ela brincando de puta de tudo quanto foi jeito, até descobrir que ela começara a fazer o mesmo com outros caras. Homens mais velhos, vários deles, empresários… E Mariela estava cobrando uma grana alta por isso!
