Quando o amor incomoda - 10

Um conto erótico de Mrpr2
Categoria: Gay
Contém 1363 palavras
Data: 16/01/2026 14:57:07

A segunda-feira amanheceu suave, quase preguiçosa, entrando pelas cortinas claras da casa alugada onde Miguel, Kenji e Brian dividiam. Miguel apos um beijo na testa e um tapinha na bunda de Kenji e um beijo na cabeça de Brian, saiu para a padaria ainda sonolento, corpo musculoso marcado sob a regata, sorriso fácil mesmo antes do café. Brian ficou encostado no batente da porta, observando Kenji mexer a panela, os fios lisos e negros caindo sobre os olhos atentos.

De camiseta branca fina e calça de moletom clara, Kenji movia-se pela cozinha com delicadeza. O cheiro do café recém-passado para seus namorados misturava-se ao aroma picante do gengibre fervendo com mel para ele.

— Ginger tea… good for you — Brian disse, com seu sotaque charmoso, aproximando-se demais, próximo o suficiente para sentir o perfume leve de Kenji e beijar o pescoço do nissei.

Kenji sorriu, desviando o olhar, mas não o corpo.

Quando Miguel voltou com os pães ainda quentes, o clima era de conforto íntimo. Sentaram-se à mesa pequena, pernas se tocando, mãos se esbarrando como se fosse acaso.

— Vi um estúdio de fotografia de frente a praça — Miguel comentou entre uma mordida e outra. — Stiles… parece bom.

Kenji ergueu os olhos escuros, atento.

— Pode ser uma oportunidade — respondeu, pensativo. — Vou dar uma olhada hoje.

Na despedida, os beijos foram demorados. Primeiro nas bochechas, depois na boca. Brian segurou o rosto de Kenji com força contida, Miguel beijou-o com carinho possessivo. Kenji ficou parado na porta até vê-los sumirem, sentindo o peito apertado de expectativa.

Gustavo estava encostado na porta do estúdio Stiles terminando seu café da manhã, quando Oswaldo se despediu, ajeitando a camisa social clara e os óculos no rosto experiente.

— Vou conversar com um cliente, mas logo estarei de volta, Gustavo, qualquer coisa me mande uma mensagem — Disse o fotógrafo, com a voz grave.

Gustavo assentiu, vestindo uma camisa azul royal que contrastava com sua pele clara e o corpo magro demais para seu próprio gosto. Os olhos castanhos vagaram pela rua… e então ele o viu.

Luiz Felipe.

O mundo sempre parecia desacelerar quando ele surgia. Moreno claro, cabelos castanhos encaracolados, postura firme de um corpo esculpido com dedicação. Ao lado dele, um rapaz loiro, grande, forte demais para passar despercebido, embora Luiz Felipe fosse alto com seus 1,80 e mais velho, seu irmão mais novo o ultrapassava cinco centímetros. Mas foi o terceiro olhar que fez o estômago de Gustavo revirar. Kenji.

Os três conversavam, embora eu não conseguisse ouvir o assunto para mim parecia animadamente demais. Luiz Felipe sorria daquele jeito doce, inclinado levemente para frente, interessado. Gustavo sentiu o ciúme arder quente, silencioso, perigoso.

Quando Kenji entrou no estúdio minutos depois, Gustavo o recebeu com um sorriso controlado demais.

— Estamos… bem completos no momento — Disse, seco, quase ríspido. — Mas se quiser conversar com o senhor Osvaldo que é o dono, volte depois, quem sabe… Mas talvez você encontre algo melhor em outro lugar.

Kenji piscou, confuso, antes que uma voz feminina interrompesse.

— Mas que rapaz educado… — Valquíria surgiu, vestido florido com decote generoso, olhar curioso pousando em Kenji com interesse explícito. — Você não é daqui né?

_ Me mudei ontem.

_ Seu portugues é perfeito, que gracinha! Olha Gustavo.

Diz com ar de surpresa Valquiria com um sorriso nos lábios.

_ Mas ele é brasileiro dona Valquiria.

Explica de forma seca Gustavo nitidamente com tom de ciúmes. Não basta ja chegar querendo roubar meu “namorado” agora quer tomar meu emprego também seu xingue lingue do caralho? Pensa tentando controlar as expressões faciais.

Kenji corou levemente, explicando sobre edição de vídeos, experiências,mostrando seus projetos no tablet. Val aproximou-se mais do que o necessário, tocando-lhe o braço enquanto escutava, olhos brilhando.

— Oswaldo vai gostar disso… muito — Disse Valquiria, com um sorriso lento.

Gustavo observava, mordendo o lábio, sentindo raiva, ciúmes, frustração e um incômodo tudo junto ao mesmo tempo.

Não muito longe dali na loja Elegance, o clima era outro tipo.

Matilda ergueu os olhos ao ver Luiz Felipe com o braço enfaixado e algumas escoriações entrar com o irmão Felipe Luiz.

— Meu Deus, o que aconteceu com você? — Perguntou, aflita.

Felipe Luiz respondeu com um sorriso malicioso:

— Foi bancar o herói, deu nisso, ficou todo ferrado.

Luiz Felipe repreendeu o irmão com o olhar, minimizando a dor, enquanto Matilda se aproximava demais, ajeitando-lhe a gola da camisa, dedos demorados sobre o peito firme e musculoso.

— Preciso de você inteiro para a campanha de aniversário da loja — disse, com voz carregada de intenção.

Felipe Luiz, o Gurizão, inclinou-se levemente, peito largo projetado, sorriso provocador.

— E eu? Também posso ajudar… — disse, olhando Matilda de cima a baixo.

Ela sustentou o olhar por um segundo a mais do que deveria.

— Vai depender da sua… desenvoltura — respondeu, pausadamente.

Percebendo o próprio tom, acrescentou, com um riso curto:

— Na loja, claro!

Mas o ar já estava carregado, olhares e sorrisinhos sarcásticos entre as outras vendedoras era inevitável para que a correção apagasse o que fora dito. Matilda apressou a todos para que tomassem café e se aprontassem para a abertura da loja.

a noite chega, enquanto Miriam faz a comida na cozinha com a ajuda de Gustavo, Jorge assiste o jornal na sala. Eduardo chega aos beijos com Manu.

_ Desculpa seu Jorge boa noite.

_ Boa noite minha filha tudo bem?

_ Pai boa noite, vamos pro meu quarto conversar... rapidinho.

_ Ok mas não vai nem falar com sua mãe? Ela esta na cozinha preparando a janta.

Eduardo tentou continuar indo para o quarto, mas Manu puxou seu braço mudando a rota.

_ Boa noite dona Miriam, Boa noite Gusta!

Disse sorridente abraçando a sogra e seu amigo/cunhado.

_ Boa noite mãe, vamos pro meu quarto quando a janta estiver pronta chama a gente, bate na porta primeiro.

Os dois namorados se foram casa a dentro. Miriam os acompanhou com o olhar e da divisão entre a cozinha e a sala disse ao marido.

_ Não sei se gosto disso.

_ Disso o que meu bem?

Pergunta Jorge sem tirar os olhos da tv.

_ Do Gustavo e da Maria Eduarda dentro do quarto, você sabe que eles estão transando né?

_ E qual o problema?

_ Jorge! E se ela engravida? ou sei lá...

_ Meu bem não estamos mais na nossa época as coisas mudaram, se bem que já na nossa época mulher casar sem ser virgem já não era novidade. Prefere o que? Que eles transem na rua? No motel?

_ Prefiro que eles conversem, que eles reflitam se estarem juntos é o que realmente querem sobre as qualidades um do outro, enfim que usem esse período para o que realmente ele é feito fazer uma escolha, para não se arrependerem depois.

Jorge desviando o olhar da tv e encarando a esposa que mantinha uma expressão aflita no rosto enquanto apertava um pano de prato, disse:

_ Veja bem Miriam, não descordo de você, acontece que hoje em dia os jovens estão um pouco mais liberais e sexo também é um item a ser avaliado para o casamento o que eu não descordo. Se eu tivesse casado com a primeira garota que eu transei... nossa eu teria me arrependido com certeza.

_ Se arrependeu de ter casado comigo? Nós não transamos antes do casamento.

_ Realmente, mas também com a sua mãe em cima o tempo todo kkk - Disse se lembrando e rindo da situação Jorge. - Tivemos sorte, a nossa conversa fluía, você tinha várias qualidades, é linda, cheirosa, cozinha muito bem... O sexo... só complementou suas outras virtudes.

Disse Jorge abraçando e beijando a esposa na boca.

Gustavo ficou olhando sentado na cadeira enquanto picava cheiro verde com um sorriso e um pensamento de que queria algo como aquilo, aquela cumplicidade, amor e respeito dos seus pais para sua vida.

_ Talvez você tenha razão, mas...

_ Quer que eu tenha aquela conversa com ele novamente, sobre relação segura? Se é isso que te preocupa posso enfatizar e já aproveito e converso com o Gustavo também.

Disse Jorge olhando para Gustavo sentado à mesa, que olhou o pai com cara de assustado.

_ Comigo?

_ O Gustavo está namorando?

Questiona Miriam.

Autor: Mrpr2

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