## ATO II – O PONTO SEM VOLTA
[Quarto, 00:12]
O pau dele pressiona minha entrada. Cabeça larga, quente, já lubrificada com pré-gozo. Ele não pergunta. Apenas empurra.
Devagar primeiro — não por gentileza, mas por física. Sou apertada. Sempre fui. Rafael comenta às vezes ("nossa, tá apertadinha hoje"), como se fosse elogio, quando na verdade é só meu corpo se recusando a abrir pra mornidão.
Mas agora? Agora estou encharcada e ainda assim dói. Porque o pau de Vitor é grosso — *muito* grosso, mais que Rafael, mais que qualquer vibrador caro que escondi no fundo da gaveta. A cabeça força passagem, alargando, esticando tecido sensível até o limite.
*Ahhhnnn—*
Som escapa antes de conseguir morder. Vitor reage instantâneo: mão esmagando minha boca de novo, tanta força que sinto os dentes pressionando o lábio interno. Gosto de sangue misturado com sal da pele dele.
— Quieta — ele rosna no meu ouvido.
E empurra mais.
Metade do pau dele desliza pra dentro num movimento contínuo. A sensação é... *caralho*, não tem palavra. Estiramento brutal. Preenchimento excessivo. Dor afiada rasgando do canal vaginal até o útero. Mas embaixo da dor, latejando como segundo coração: prazer. Prazer doentio, errado, viciante.
Ele para. Pau metade dentro, metade fora. Deixa meu corpo se ajustar? Não. Só aprecia. Sinto o pulsar da veia grossa na lateral do pau dele batendo contra minha parede interna.
Depois: estocada final.
O resto enfia de uma vez. Fundo. *Tão fundo que a cabeça bate no colo do útero* — dor aguda, elétrica, que me faz arquear e tentar escapar. Mas ele segura meus quadris com força, unhas cravando, mantendo colado.
— Caralho, você é quente pra caralho — ele murmura. Não é elogio. É observação clínica de predador satisfeito com a caça.
O cheiro dele sufoca: suor azedo, tabaco, masculinidade animalesca. Tão diferente do Dior Sauvage que impregna o travesseiro sob meu rosto. *Rafael. Meu marido está aqui. Dois metros. Dormindo enquanto outro homem me fode no nosso leito conjugal.*
A consciência disso — a transgressão absoluta — detona algo primordial no meu cérebro.
*Flash: banheiro da casa da tia Márcia, dezesseis anos, primo Lucas me prensando contra a pia fria. Cheiro de sabonete barato e suor de jogo de futebol. "Fica quieta, ninguém vai saber." Dor. Terror. E depois... gozo. Aquele primeiro gozo proibido que plantou a semente de tudo.*
Gozo.
Violento. Sem aviso. Útero contraindo em espasmos caóticos, boceta apertando no pau dele como torno, e depois — *oh Deus, não* — squirt. Jato quente de líquido transparente espirrando ao redor do pau dele, encharcando as bolas, o lençol, tudo.
— Puta que pariu — Vitor ri baixo, impressionado.
O colchão balança. Muito. O squirting criou uma poça, e o movimento violento do meu corpo desequilibrou o peso distribuído.
Rafael resmunga.
*Não. Não não não não—*
— Hm… amor? — voz pastosa, sonolenta, confusa.
Vitor congela. Pau fundo dentro de mim, imóvel como estátua. Mão aperta minha boca com força redobrada — se eu tentar falar agora, ele sufoca até eu apagar.
Rafael vira de lado. O colchão afunda na direção dele. Braço caindo pesado, aterrissando no lençol molhado — a dois palmos do quadril de Vitor.
*Ele vai acordar. Vai ver. Vai ligar a luz e ver o estranho fodendo a esposa dele e—*
Ronco.
Alto, gutural, seguro.
Rafael volta a dormir.
*O remédio. Ele tomou aquele Rivotril depois do vinho. Tomou porque estava "estressado com trabalho," porque nunca consegue desligar a cabeça. Dorme como pedra desde sempre — nem o choro da Sofia bebê o acordava. Eu costumava odiar isso. Agora... agradeço.*
Vitor espera mais cinco segundos. Depois solta minha boca, devagar. Lábios roçam minha orelha:
— Quase, né?
E recomeça a foder.
***
[Quarto, 00:18]
Ele me puxa pra posição de quatro. Não pede. Apenas agarra meus quadris e levanta, forçando joelhos sob meu corpo, bunda empinada no ar. Mãos dele viajam — uma segurando minha cintura, outra enrolando no meu cabelo. Puxa. Forte. Couro cabeludo queimando, pescoço arqueando pra trás numa curvatura antinatural.
Estocadas recomeçam. Ritmo brutal agora — dentro, fora, dentro, fora. Rapidez mecânica. Pau dele desliza fácil na lubrificação obscena (mistura de squirt, gozo, pré-sêmen), mas o atrito ainda queima. Cada entrada força o ar pra fora dos meus pulmões em gemidos abafados.
Som grotesco preenche o quarto: *ploc ploc ploc ploc* — carne molhada batendo contra carne. As bolas dele, pesadas e peludas, batem no meu clitóris inchado a cada estocada profunda. Estimulação involuntária que me empurra pra beira de novo.
Depois: som pior. *Pffft* — ar forçado pra dentro da vagina escapa em flatulência molhada. Humilhação queima meu rosto. Tento apertar os músculos pra parar, mas só piora — *pffft pffft*.
Vitor ri. Não zombando, mas genuinamente divertido.
— Que delícia — ele murmura. Depois: cospe.
Sinto a saliva quente aterrissar na fenda da minha bunda. Escorre devagar até o ânus. Polegar dele segue a trilha, circulando a abertura franzida, pressionando.
*Não. Não ali. Rafael nunca—*
Invade.
Polegar grosso forçando o esfíncter, penetração superficial mas suficiente pra acender cada terminação nervosa. Dor aguda, queimação, sensação de plenitude excessiva — dois buracos preenchidos simultaneamente.
*Flash: pia do banheiro de novo. Lucas sussurrando "vou botar aqui também," dedos explorando onde nunca tinha sido tocada. Pânico absoluto misturado com curiosidade proibida. Ele não conseguiu — alguém bateu na porta —, mas a ameaça ficou gravada.*
Gozo de novo.
Mais rápido que o primeiro. Ondas elétricas percorrendo da base da espinha até a nuca. Boceta aperta no pau dele, ânus contrai ao redor do polegar invasor. Corpo inteiro treme — braços cedem, rosto afundando no colchão.
Mas as estocadas dele não param. Continuam. Acelerando. O polegar enfia mais fundo no meu ânus — até a segunda falange, movimento circular raspando as paredes internas.
Grito. Não consigo segurar — som escapa abafado no travesseiro mas ainda audível.
Rafael mexe.
*Merda. Merda merda merda—*
Ele vira de barriga pra cima. Movimentos bruscos de quem está surfacing da inconsciência. Abre os olhos — vidrados, confusos. Olha pro teto. Depois pro lado.
Diretamente pra mim.
Vitor congela de novo. Pau fundo. Polegar fundo. Imóvel.
— Clara…? — voz arrastada, língua pesada de remédio. — Tá tudo bem?
Não consigo falar. Garganta fechada de terror e excitação. O pau de Vitor pulsa dentro de mim — sinto cada batida cardíaca dele transferida pro meu canal. Ele está *mais duro* agora. O risco o excita.
Forço. Voz trêmula saindo estranha:
— Pesadelo... volta a dormir, amor.
Rafael franze a testa. Processa a informação devagar, cérebro nadando em benzodiazepínicos. Olha pra mim — será que vê minha posição? A sombra de Vitor? O colchão encharcado?
Resmunga algo incompreensível. Vira de lado, de costas pra mim. Ronco recomeça em trinta segundos.
Vitor espera um minuto inteiro. Depois ri — som gutural, satisfeito — e volta a me foder com o dobro da violência.
***
[Chão ao lado da cama, 00:25]
Ele me arrasta. Literalmente. Mão enrolada no meu cabelo, puxando pra fora da cama. Joelhos batendo no piso de madeira — dor seca nos ossos. Me posiciona de joelhos entre a cama e a parede. Rafael está ali, centímetros acima, de costas, roncando.
Vitor fica em pé na minha frente. Pau na altura do meu rosto — brilhando de fluidos, veias saltadas, cabeça arroxeada vazando. Cheiro forte — almíscar, suor, meu próprio gozo seco grudado na base.
Ele não fala. Apenas segura a base do pau com uma mão, a outra agarra meu cabelo, e empurra.
Cabeça entra forçada entre meus lábios. Gosto explode na língua: salgado, levemente amargo, essência dele misturada comigo. Tento acomodar, abrir mais a boca, mas ele não dá tempo.
Empurra mais. Metade do pau deslizando sobre a língua, batendo no céu da boca. Mais. Cabeça atinge a entrada da garganta. Reflexo de vômito ativa instantâneo — *gahh* — corpo tentando expulsar a invasão.
Vitor segura firme. Empurra mais fundo.
Garganta se abre forçada. Pau desce. Invade. Preenche o espaço onde ar deveria estar. Não consigo respirar. Nariz esmagado contra o púbis suado dele — cheiro animalesco, puro, masculino primitivo.
Engasgo. *Gkkkh gkkkh* — sons feios, desesperados. Saliva grossa acumula, escorre pelos cantos da boca, pinga no meu peito. Lágrimas brotam automáticas.
Ele recua. Pau saindo com *pop* molhado. Respiro — inalação profunda, desesperada.
Ele enfia de novo.
Fode minha boca. Não oral, não boquete — *foda*. Segura minha cabeça imóvel e estoca a garganta como fosse boceta. Ritmo rápido, violento. Bolas batendo no meu queixo a cada investida.
*Gkk gkk gkk gkk* — engasgos contínuos. Baba grossa escorrendo pelo pescoço. Bile subindo — ácida, queimando. Vomito um pouco — só líquido, enchendo a boca ao redor do pau dele. Engulo forçada. Gosto horrível.
*Flash: Lucas gozando na minha boca sem avisar. Sêmen quente, grosso, escorrendo pela garganta e pelo queixo. Nojo. Vergonha. E excitação secreta que não consegui admitir por anos.*
Minha mão desce sozinha. Entre minhas pernas. Clitóris inchado, sensível demais. Toco. Circulo. Aperto.
Gozo só com a humilhação. Só por estar de joelhos, boca escancarada, usada como objeto. Corpo convulsiona. Gemido abafado no pau dele.
Engasgo particularmente alto — *GAHHKK* — misturado com som de vômito.
Rafael mexe.
Braço caindo pra fora da cama. Dedos pendurados a centímetros do ombro de Vitor.
*Não. Não agora. Mais um segundo e ele toca, e acorda, e—*
Ronco gutural. O braço se retrai. Puxado de volta pra cama.
Vitor para. Pau fundo na minha garganta. Olhando pra baixo com expressão... diversão? Prazer sádico? Ele esperou de propósito. Queria ver se seríamos pegos.
Depois ri. Baixo, vibrando no pau dele.
E continua fodendo minha boca. Mais forte.
***
[Cama, 00:33]
Ele me joga de volta. Barriga pra cima dessa vez. Pernas forçadas abertas — joelhos empurrados até quase tocarem o colchão dos lados da minha cabeça. Exposição total. Boceta inchada, vermelha, escorrendo fluidos misturados. Ânus ainda franzido mas relaxado do polegar anterior.
Vitor se posiciona entre minhas pernas. Peso total do corpo descendo sobre mim — peito esmagando meus seios, ar sendo forçado pra fora. Não consigo me mexer. Presa.
Pau encontra entrada de novo. Desliza fácil agora — caminho já aberto, lubrificado com camadas de gozo e squirt. Enfia até o talo numa estocada única.
*Ahhhhh—*
Diferente dessa posição. Mais profundo. Cabeça do pau batendo no colo do útero a cada movimento. Dor misturada com prazer até virarem a mesma coisa.
Mão dele sobe. Envolve meu pescoço. Dedos ao redor da garganta. Aperta.
Asfixia erótica.
Ar cortado. Não completamente — ainda entra um fio fino pelas laterais —, mas suficiente pra criar pânico. Batida cardíaca acelera. Sangue lateja nas têmporas. Visão começa a escurecer nas bordas.
E o prazer *multiplica*.
Cada estocada amplificada. Cada fricção do pau dele raspando meu ponto G sentida com intensidade tripla. Privação de oxigênio faz cada terminação nervosa gritar.
— Olha pra mim — Vitor ordena.
Obedeço. Olhos encontram os dele. Escuros. Vazios. Famintos.
Ele fode olhando nos meus olhos. Mão apertando mais. Visão escurecendo mais. Consciência derretendo.
*Flash final: primo Lucas gozando dentro de mim. Aquele momento exato. Sêmen quente inundando, preenchendo, transbordando. Pânico — "e se eu engravidar?" — misturado com o orgasmo secreto que veio depois, sozinha no quarto, dedos tocando a mistura vazando. O momento que plantou essa semente podre.*
Agora entendo. Sempre foi isso. Aquele trauma não me quebrou — me *criou*. Moldou meu desejo. Fez prazer e perigo virarem inseparáveis.
Vitor grunhe. Estocadas erráticas. Ele vai gozar.
— Vou encher você — ele rosna. Não é pergunta.
Deveria dizer não. Deveria empurrar. Rafael vai perceber — sêmen de outro homem vazando da esposa.
Mas não digo nada. Porque eu quero.
Ele enterra fundo. Corpo enrijece. Pau pulsa — uma, duas, três vezes. Sêmen quente jorra, inundando meu útero. Tanto que sinto a pressão, o calor interno, o transbordamento imediato escorrendo ao redor do pau dele.
A sensação detona meu último orgasmo.
O maior. Corpo inteiro convulsiona. Squirt jorra de novo — molhando o abdômen dele, o lençol, respingando na minha própria coxa. Grito silencioso — boca aberta mas sem som, garganta ainda parcialmente comprimida.
E o colchão encharca. Completamente. Poça enorme se formando.
Rafael mexe. Inquieto. Abre os olhos — dessa vez de verdade. Olha pro teto. Franze o nariz.
— Que cheiro… — murmura.
*Sexo. Suor. Sêmen. Ele está sentindo.*
Vitor solta meu pescoço. Eu inalando ar violentamente. Mas ele não sai. Fica ali, pau ainda dentro, quase desafiando.
Rafael vira a cabeça pro lado. Olha. Vê vultos borrados — remédio e vinho turvam a visão.
Processa devagar.
Depois: vira de lado completamente, de costas pra mim. E apaga.
*Ele viu. E escolheu dormir.*
Vitor ri baixo. Sai de dentro de mim — movimento lento, pau mole escorregando, seguido por jorrada de sêmen vazando. Limpa o pau no meu rosto. Depois nos meus seios. Marca de propriedade.
Veste-se em silêncio. Bermuda. Camiseta. Tênis.
Olha pra mim uma última vez. Destroçada, coberta de fluidos, marcas roxas nos quadris e pescoço.
— Semana que vem? — ele pergunta casual.
Não respondo. Não preciso.
Ele sai.
Porta range. Passos se afastando. Silêncio.
Fico ali. Boceta latejando, vazando sêmen quente que escorre até a fenda da bunda. Corpo dolorido. Mente em loop de êxtase e autodestruição.
Passo os dedos pela mistura. Levo à boca. Gosto.
Olho pra Rafael. Dormindo pacificamente. Como sempre.
*Ele quase viu. E não fez nada.*
*Semana que vem, eu deixo a porta mais aberta.*
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[EM BREVE PARTE 3 - FINAL]