Dei para o moleque da cidade nova - Parte II

Um conto erótico de nikovskin
Categoria: Gay
Contém 1625 palavras
Data: 17/01/2026 00:28:24

Desde o entardecer do domingo até a manhã da terça, me limitei a fazer minhas obrigações em casa e gastar meu tempo com o celular. Ao entardecer, procurei um barbeiro e aparei as pontas dos cabelos. No dia seguinte, iniciei finalmente meu primeiro ano do ensino médio em um curso técnico. Era preciso pegar um ônibus de onde eu morava até o Instituto. Ele passava as 6h15 e eu chegava para a aula as 7h.

O primeiro dia resumiu-se a introdução do curso, a apresentação da grade curricular, os professores e salas de aula, além também de um pequeno evento de boas vindas e bolo na merenda. A programação ocupou o horário das 7h as 12h. Ao fim, me encaminhei a parada de ônibus junto a um grupo de estudantes. Era uma caminhada curta, algo como atravessar uma passarela. O que me levaria para casa passaria de 12h20.

Se aproximando da parada, o grupo começou a se dispersar. Certa metade subiu em um ônibus que já aguardava enquanto a outra se realocou com seus devidos conhecidos. Quanto a mim, que não havia me entrosado nem com as pedras sob meus pés, me escorei em um dos pilares de sustentação da estrutura e me restringi a ouvir música nos fones.

5 ou 10 minutos depois, um pequeno alternativo parou e de dentro saíram cerca de cinco pessoas. Essas dissolveram-se na aglomeração, mas antes que o ônibus fechasse as portas e desse partida, saltou de dentro alguém pouco maior que os demais ali.

Sob cabelos castanhos estilizados em corte mullet, um rosto ligeiramente familiar de bronze sedutor espremia os olhos, desconfortáveis com a luz do sol. Se apressou em abrigar-se na sombra e piscou rápido algumas vezes reajustando a visão.

Surpreso, me dei conta por fim da sacanagem sutil que a vida esfregava na minha cara. Ali estava ele. Era ele mesmo. Se tratava dele de fato. Ele outra vez. Com shorts pretos de tecido fino, camisa de futebol (na qual se lia PSG no peito esquerdo) claramente tamanho M, as mesmas havaianas brancas e aquela maldita fita tricolor.

Loucamente, me ocorreu o desejo de ocupar o lugar daquela fita. Acolher o suor de todo o corpo que escorria pelas pernas carnudas e corriqueiramente sentir o sabor e aroma daqueles pés.

A adrenalina já alcançava seu pico quando desprendi atenção de seus pés e elevei a visão ao seu rosto. Dessa vez eu precisava olha-lo a finco e entalhar cada traço dele na minha mente. Eu só não esperava o sobressalto violento que me causaria perceber que seus olhos já estavam cravados em mim, quando os meus os encontraram.

Desviei os olhos ligeiro para uma mão erguida pedindo parada.

"Me olha de novo" um sussurro sinistro sibilou no fundo da minha mente.

Quando retornei o olhar a ele, flagrei a tempo o movimento mais canalha vindo de um homem: com os braços esticados bem acima da cabeça, ele se espreguiçou despojadamente, de modo que sua camisa esticou até a altura do umbigo enquanto, em movimento contrário, o cós de seu shorts folgado deslizou com desleixo, expondo um amontoado aparado de pelos pubianos. O trecho a mostra expôs uma barriga lisa, o famigerado caminho da tentação e um par de entradas malignas em direção ao prêmio.

Nem se eu quisesse, teria conseguido desviar os olhos daquilo. Salivei como se visse um doce. Talvez se eu olhasse com mais vontade, conseguiria ver o contorno do que estava guardado dentro da sua cueca — se é que ele vestia uma.

Quando percebi certo remanche no movimento, busquei seu rosto somente para percebe-lo me fitando outra vez. Como fruto do que há de mais libertino, seus olhos penetrantes me perguntaram silenciosamente "gostou do que viu?".

Sustentei seu olhar por ousadia do tesão e finalmente pude me dar conta de como ele era bonito.

Seu rosto era o equilíbrio harmônico entre juventude e masculinidade, contornado com um maxilar afiado. Suas bochechas eram cheias. Sua boca, arrebitada como um coração, era de um rosa convidativo enquanto seus olhos cor de mel pareciam antecipar uma dissimulação.

Apesar de sua aparência juvenil, seu corpo já esbanjava a sensualidade de um homem formado. Seu peitoral era farto e protuberante, deformando a fronte da camisa. Seus braços eram roliços e fortes, com músculos sutis, de onde pendiam mãos avantajadas. Suas panturrilhas grossas evidenciavam uma genética excelente. As carnes bem distribuídas conferiam um delineado bonito e suave à silhueta do seu tronco. Nada exagerado, tudo em seu devido lugar, em completa e sedutora harmonia.

Alguem esbarrou nele desviando sua atenção do jogo (aparentemente) bilateral iniciado pelos meus desejos e alimentados por seus movimentos (supus) intencionais.

Ter sua atenção roubada me fez perceber constrangido que minha ereção estava marcada onde pequeno círculo molhado se formava. Por sorte, estava semi coberto sob a bainha da camisa

Senti meu rosto corar imediatamente. Infelizmente, me peguei em uma saia justa. Eu não conseguiria me mexer naturalmente. Como uma resposta ao meu apuros, o meu ônibus despontou no início da avenida.

Apesar de envergonhado, busquei o olhar dele uma última vez mas só vi o topo reluzente de seus cabelos.

Dei com a mão e me apressei em subir antes de todo mundo. Com parte da mochila tampando minha virilha, passei a catraca com uma velocidade anormal e sentei depressa no primeiro banco vazio

Sedento e curioso, ainda tornei a procura-lo como quem busca no chão as gotas de algo que derreteu entre os dedos. Posso jurar que vi ele olhar confuso para a direção onde eu estava e em seguida correr os olhos pelas janelas do ônibus.

Fechei os olhos com força para que a visão não me escapasse. Para orquestrar meus delírios, selecionei algumas músicas intencionalmente sexuais e coloquei para tocar enquanto fantasiava situações. Pelo restante da semana, aquele portento ilustraria os meus desejos mais viscerais.

Cheguei em casa por volta das 13h. Banhado e almoçado, deitei sonolento em uma rede na varanda e cochilei profundamente até o crepúsculo. Acordei assustado por consequência de um pesadelo e me recusei a voltar a dormir.

Após um banho, vesti uma roupa surrada e me propus a auxiliar minha tia a finalizar a janta.

Enquanto ainda vivia em Nascente Ribeiro, minha tia mantinha um romance a distância com um rapaz alheio ao meu conhecimento. Acontece que ele morava justamente na cidade para a qual nos mudamos. E naquela noite, ela o convidou para jantar lá em casa.

Apesar de receber a notícia em cima da hora, não me incomodou em nada.

O fulano chegou por volta das 20h. Nos servimos de batata gratinada, guizado de cordeiro e arroz a grega. Descobri que ele se chamava Augusto, a quanto tempo estavam juntos e até mesmo a fonte de sua renda.

Me retirei ao fim da refeição e os deixei encerrarem a noite entrosados com uma garrafa de Pérgola. Por volta das 23h45, ouvi os dois se trancarem no quarto. Apostei comigo mesmo que eu sairia de casa primeiro que ele na manhã seguinte. Me virei para dormir e peguei no sono quase de imediato.

Qual não foi minha surpresa, aqueles olhos apareceram em meus sonhos e assombraram os meus sentidos. Meu olfato simulou o cheiro da sua nuca, minha boca sentiu o gosto da sua saliva e até meu pau foi afetado pelas consequências do sonho. Acordei às 5h10 com algo quente e pegajoso na cueca. Sequer me dei o trabalho de olhar e entrei no banho da maneira que acordei.

Na manhã da quinta, dois professores destinaram suas aulas para apresentação da matéria e o dia encerrou com um fichamento de Filosofia como dever de casa. Ao fim da manhã, eu não o vi na parada. Estava mais vazia, inclusive.

Não me iludi com a possibilidade de encontra-lo ali na sexta, já que sua rotina era inteiramente alheia ao meu conhecimento. E de fato, não o vi também ao fim da manhã do dia seguinte. As chances se reiniciariam dali a dois dias. Voltei para casa descontente naquele dia.

Dali em diante, passei a sofrer de algo que nomeei de ansiedade-sexual-direcionada, onde eu necessitava desesperadamente saber os detalhes menos óbvios daquele garoto.

Não, eu não queria as informações supérfluas como sabor favorito de sorvete ou nome da tia predileta! Eu ansiava saber o âmago da sua intimidade; saber o cheiro da sua virilha, o sabor das suas axilas, com que frequência aparava os pelos, qual a textura dos seus peitos ensaboados, o que o deixava louco de tesão. Queria sentir a pressão exercida no chão quando ele caminhava, o afundar da cama sob seu peso, a suavidade da sua mão ao redor do próprio pau enquanto se masturbava...

Desde que o finquei detalhadamente em minha mente, nenhuma punheta era mais capaz de saciar o desejo que me rasgava. Eu estava doente. Podia jurar que senti febre.

A improbabilidade de encontrar ele de novo desafiava meus sentidos e ocasionava um sentimento semelhante a paixão. O anonimato do seu nome e quem ele era me atraiam exponencialmente. Em contraparrida, a ansiedade e irritaçãoe me consumiam vivo. E eu não sabia quais pauzinhos mexer para chegar às respostas que me satisfariam.

A cada instante eu torcia para que o Instagram fizesse seu papel invasivo de me oferecer de bandeja o perfil dele. Mas, até então, nenhuma sugestão era quem eu precisava que fosse. Eu nem mesmo possuía amigos ou contatos que me soprassem as respostas. Estava inteiramente por conta própria, caminhando em uma estrada traçada pela libido e pelo desejo.

No sábado, tia e eu fomos a praia. Saímos de casa por volta das 7h e retornamos antes das 13h. Passamos a tarde descansando e, pouco antes do anoitecer, arrumamos a casa. Gostava de me encher de coisas para fazer e deixar qualquer problema soterrado num esquecimento amortecedor

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