A saga do Jom | 13° capítulo

Um conto erótico de Sarawat
Categoria: Gay
Contém 1835 palavras
Data: 18/01/2026 12:20:54
Última revisão: 26/01/2026 13:08:06

No dia seguinte, sou irritantemente consumido pela bagunça das minhas emoções. Minha cabeça parece um pote cheio de coisas necessárias e desnecessárias. Não sei por que guardo tudo ali. Quando percebo, jogo tudo fora, mas as coisas rolam de volta para dentro.

Minha preocupação já era ambígua e desconfortável o suficiente desde o incidente de ontem, e ainda assim tenho a audácia de me preocupar com os negócios da família de outra pessoa. Não sei por que a visão de Khun-Yai e Khun-Bongkoch passeando no jardim e as palavras de Khun-Lek me incomodam tanto. Na verdade, é normal que Khun-Kae procure uma esposa para o filho. Eu não tenho o direito de me intrometer. Pensando bem, tudo o que me corrói vem de uma pessoa: Khun-Yai. Será que ele tem consciência disso? Olhe para ele... caminhando alegremente, sem um traço de tristeza. Que visão irritante.

— Você não precisa levar minhas coisas para o pavilhão. Vou resolver um assunto para minha mãe em breve.

— Tudo bem. — Paro de podar os galhos de jasmim e falo sem olhar para ele. — Vou preparar suas roupas.

— Espere. — A ordem de Khun-Yai me faz parar no lugar. — Parece que você está me evitando.

— Não estou — digo, sem encontrá-lo nos olhos.

— Jura? — Ele se aproxima, inclina-se levemente e vira a cabeça para olhar meu rosto. Desvio o olhar instantaneamente. Minhas bochechas queimam; sua proximidade traz de volta aquela imagem... vergonhosa da noite passada.

— Para onde o senhor vai? Vou preparar o traje adequado — gaguejo. Khun-Yai se empertiga, e eu finalmente consigo respirar.

— Agora não. Quero que o Poh-Jom faça algo para mim primeiro.

— O quê?

— Aprenda a usar um veículo.

— Perdão? — Pisquei, incerto. — Qual deles? Uma carruagem? Não sou bom com animais. Não sei montar cavalos, muito menos bois ou búfalos.

— Nenhum desses. Estou falando de um carro. Você quer me acompanhar lá fora, não quer? Aprenda a dirigir e dirija para mim.

Arregalei os olhos em descrença. O carro antigo preto estacionado na casa grande?!

— O senhor quer que eu aprenda?

— Quero.

— Eu aceito — respondo em alto e bom som. Metade da minha irritação desaparece. Se algumas pessoas podem ser compradas com dinheiro, eu posso ser comprado com carros.

Logo, estou diante do clássico Ford Modelo T preto. Aquilo não é um carro; é história. Estudo o aço preto reluzente, os faróis redondos, os bancos de couro marrom.

— Está com medo, Nai-Jom? — Nai-Tem, o motorista, pergunta com um sorriso. Sim, estou com medo... de não conseguir dirigir essa joia!

Menos de uma hora depois, impressiono Khun-Yai e Nai-Tem. É claro que aprendo rápido; eu dirijo há anos! Só preciso de um momento para me familiarizar com o sistema antigo. Muitos servos se aglomeram para assistir. Nesta era, dirigir deve ser tão emocionante quanto pilotar um avião.

— Posso tentar dirigir na estrada? — pergunto entusiasmado.

Khun-Yai abre um grande sorriso.

— Tudo bem, eu vou com você.

Khun-Yai não se senta no banco de trás como deveria. Ele se senta no banco do passageiro, ao meu lado. Dirijo pela estrada de terra cercada por árvores. É estranho não dividir a estrada com centenas de carros congestionados. Aqui, preciso apenas cuidar das carroças e bicicletas.

Olho para o perfil de Khun-Yai... Por que o mundo criou alguém assim? Atraente, gentil, brincalhão. Sua bondade se espalha para todos, inclusive para a bela Khun-Bongkoch. Pensando nisso, minha mente quase explode. Não posso voltar para o meu mundo, e se ficar aqui, terei que esperar anos pela volta dele da Inglaterra. Que tipo de patrão ele é? Como pode ser ignorante quanto à minha preocupação?

— O senhor vai ficar noivo antes de ir para a Inglaterra? — solto, incapaz de me segurar. Khun-Yai vira a cabeça abruptamente.

— Onde você ouviu isso?

— Bem... o Khun-Lek me contou. Ontem, quando o senhor passeava no jardim com a Khun-Bongkoch.

Khun-Yai permanece em silêncio por um momento e diz:

— Continue.

Eu deveria parar, mas meu freio falhou.

— Khun-Lek disse que Khun-Kae teme que o senhor volte com uma estrangeira, então deseja que o senhor fique noivo antes de partir. E que Khun-Bongkoch poderia ser a escolhida.

Khun-Yai suspira e balança a cabeça.

— O que o Lek disse não é verdade. Khun-Bongkoch está aqui para ajudar com o casamento da Prim, e eu apenas a recebi por cortesia. Meus pais nunca forçariam seus filhos a isso. O Lek não sabia de nada e espalhou rumores falsos. Vou ter que dar um beliscão nele para ele não falar bobagens de novo.

Sua voz firme diminui minha exasperação como uma sopa fervente que teve o fogo baixado.

— Ah... por favor, não faça isso — digo timidamente.

— É por isso que você está todo "amuado" comigo desde ontem à noite?

Hã? Viro a cabeça para ele e foco na estrada de novo, sem palavras. Amuado? Ele acha que tenho o direito de ficar chateado com ele?

— Eu não estou...

— Não se preocupe — Khun-Yai me corta.

— Eu não me importo.

Ele vira para o outro lado, mas vejo o canto de seus lábios se curvarem. Ele está sorrindo.

Droga!

Voltamos para casa. Enquanto caminho pelo gramado pontilhado de flores de Lantom, o vento espalha o perfume no ar. Abaixo-me para colher algumas. De repente, o rosto de Khun-Yai no carro surge na minha mente — o sorriso satisfeito dele por eu estar "amuado". Mordo o lábio para esconder meu próprio sorriso. As flores de Lantom parecem mais cheirosas que o habitual hoje.

No dia seguinte, recebo três conjuntos de roupas novas. O uniforme de motorista: camisa branca e calças pretas. Sem falsa modéstia, pareço mais um estudante rico do que um motorista. Quando Khun-Yai me vê, seus olhos brilham.

— Esse é o Poh-Jom? Pensei que fosse Busaba disfarçada de Unakan.

Bobagem. Eu não sou tão bonito quanto uma dama da literatura.

— Para onde o senhor vai hoje? Estou pronto para servir.

— Preciso fazer um pedido na Kiti Panit, na rua Thapae. Você conhece o caminho?

— Sim!

À tarde, dirijo pela rua Thapae, o centro econômico de Chiang Mai. Tudo parece um sonho colorido, diferente das fotos em preto e branco que vi no futuro. Prédios de arquitetura ocidental, cafés, livrarias. Khun-Yai se diverte com meu espanto.

— É a primeira vez que vem aqui?

— Sim. Dá para notar, né? Que pena que não trouxe meu papel de desenho. Isso aqui é "amazing".

Paramos diante de um cartaz: "Teatro Sriwiang".

— Khun-Yai! Existe um teatro em Chiang Mai?

— Você não sabia? Ele reabriu há alguns meses. Há peças musicais, dramas... Você gosta?

— Nunca vi um de perto.

— Se quiser, eu te trarei aqui na próxima vez.

— O ingresso é caro?

— Há três preços: vinte e cinco satang, cinquenta satang e um baht. Quando eu te trouxer, comprarei o ingresso de um baht.

Uau... que "sugar daddy". Posso ganhar uma pipoca também?

— Promessa é dívida — digo sorrindo.

— Sou um homem de palavra.

Khun-Yai me guia até a Kiti Panit. É um prédio de concreto e madeira pintado de amarelo, com detalhes delicados que lembram casas de gengibre europeias.

Entro no estabelecimento, maravilhado. Este lugar tem de tudo: roupas, joias, cristais, porcelanas chinesas, perfumes, sabonetes e produtos luxuosos importados. Há até seções de peças automotivas e ferramentas de construção. Obviamente, o alvo são os clientes da alta classe, como os príncipes do norte e os ricos de Chiang Mai.

Quando Khun-Yai entra, o gerente o recebe com familiaridade e o convida para conversar em seu escritório. Enquanto espero, passeio pelas vitrines. Olho pela janela e avisto um estrangeiro alto, de cabelos castanhos claros, fazendo compras do lado de fora.

É o Sr. James, o gerente assistente florestal de Lampang, amigo do meu antigo patrão, o Sr. Robert. Escolho sair para cumprimentá-lo, sentindo-me um pouco fora de lugar dentro da loja. O Sr. James me reconhece imediatamente e parece genuinamente feliz em me ver.

— Você é o Jom. Já faz um tempo! Como vai? — Ele dá tapinhas no meu braço, como um amigo.

— Vou bem. — Sorrio. — E o senhor?

— Bem. Visitei o Sr. Robert há algum tempo e não o vi por lá. Perguntei a um servo e ele disse que você se demitiu.

— Sim, saí por questões pessoais. Agora estou servindo na casa de Luang Thep Nititham.

James assente e, sem pedir detalhes, faz um convite inesperado:

— Quer ir para Lampang comigo?

— Perdão? — Rio. — O que eu faria lá?

— Cuidaria da minha casa — responde James. — Antes da temporada de chuvas, trabalharei no escritório. Se você for comigo, pode preparar minhas refeições. Sou um cara de "carne e batatas", nada exigente. Podemos beber uísque e conversar à noite.

Fico tocado com a gentileza dele.

— Agradeço muito, mas estou servindo ao filho do Luang no momento, como um mordomo em treinamento. Seria inapropriado pedir demissão de repente.

James não desiste, brincando sobre eu criar leitões para as corridas de Natal novamente. Ele ri e acaricia meu ombro e minhas costas com satisfação antes de partir, lembrando-me de que as portas estarão sempre abertas.

Quando volto para a Kiti Panit, Khun-Yai já terminou seus negócios. Ele está parado com as mãos atrás das costas e uma expressão amarga, esperando por mim na entrada.

— Vamos a mais algum lugar? — pergunto.

— Não — diz ele. — Leve-me para casa.

Durante todo o caminho de volta, o ar entre nós é denso, sombrio e desconfortável. Khun-Yai não fala nem sorri. Só descubro o motivo do seu mau humor quando chegamos à casa pequena. Ele se vira para mim com um rosto carregado:

— Aquele estrangeiro... você é próximo dele?

— Quem?

— Vi um falando com você hoje.

— Ah... era o Sr. James. Ele é amigo do meu antigo patrão. O senhor não o conhece? Ele estava no Gymkhana Club na corrida de leitões.

— Eu sei quem ele é — a voz de Khun-Yai é surpreendentemente ríspida. — O que eu quero saber é quando vocês se tornaram tão íntimos. Quão próximos vocês são para que você permita que ele toque no seu corpo daquela maneira?

Fico nervoso, até assustado, embora não tenha feito nada errado. A atitude de Khun-Yai é diferente; ele parece absolutamente ofendido e o tom é de repreensão.

— Khun-Yai, o Sr. James é um homem. Eu sou um homem. Não é escandaloso conversarmos e termos contato físico como seria se fôssemos um homem e uma mulher. Está tudo bem.

— Não está — Khun-Yai diz rispidamente. — Eu odeio quando alguém toca no seu corpo.

— Hum...? Ah... — gaguejo. — Khun-Yai, eu não entendo.

— Você não sabe o que eu sinto por você, Poh-Jom?

Meus olhos se arregalam. As palavras escapam automaticamente:

— Eu... eu não sei.

— Você não sabe, ou fecha o seu coração e se recusa a perceber? — Khun-Yai enfatiza cada palavra, com raiva e um traço de tristeza nos olhos. — Acredito que minhas ações sinceras transmitem meus sentimentos melhor que palavras, mas se minhas ações falham em alcançar seu coração...

Ele me encara profundamente. Seus olhos, que costumavam ser sempre afetuosos, agora brilham com intensidade.

— Devo escrever um poema para você?

Ele sobe as escadas furioso, deixando-me sozinho e em choque, com suas palavras ecoando ao meu redor.

...Um poema. Como em... um poema de amor!?

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 6 estrelas.
Incentive Sarawat a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Sarawat Sarawat Contos: 32Seguidores: 5Seguindo: 19Mensagem Aqui você encontrará sagas com amor, erotismo e cultura

Comentários