Correria

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 3416 palavras
Data: 18/01/2026 15:44:43
Assuntos: Lésbicas

Voltei para casa pela manhã e apenas minha sogra estava de pé. Eu já ia me preparar para correr, mas não resisti ao cafezinho dela. Nos juntamos à mesa e começamos a conversar sobre a gravidez, enquanto eu encomendava o buquê.

— Vou tentar marcar todos os exames hoje e para o mesmo dia, assim eu posso acompanhá-la — falei.

— Se você quiser, pode espaçar que eu ajudo — D. Jacira disse.

— Vamos nós três — confirmei.

— Ontem ela dormiu enquanto falávamos de como você é cuidadosa com ela, minha menina está radiante — minha sogra falou.

— Ela também é, e muito... — comentei, rindo sem perceber.

— Você melhorou daqueles passamentos que estava tendo? — ela quis saber.

Passamento é a maneira popular daqui de se referir a um mal-estar, ou seja, ela queria saber como estava a minha saúde mental; mais precisamente, sobre as crises de ansiedade.

— Olha, melhorei bastante com terapia, corrida e ainda uso a medicação quando preciso... Mas houve um bom progresso — respondi, ainda me analisando.

— Eu estava pensando em fazer também esse negócio. Se até você faz, né? Juh faz, os meninos fazem... E eu já passei por tanta coisa, deve ser bom falar com um desconhecido — minha sogra disse, virando-se para lavar a xícara.

Não esperava por aquilo.

A história da minha sogra é extensa. Apesar de ter vindo de uma família estruturalmente estável, acumulou diversas feridas profundas ao longo da caminhada. A construção da sua própria família já representa, por si só, um exercício gigante de resiliência.

Ouvi-la manifestar interesse em cuidar da própria saúde me tocou de um jeito inesperado. D. Jacira sempre se doou integralmente aos outros, quase como um dever, uma devoção, e com altas doses de obrigação. Nunca ponderou sobre custos emocionais, reconhecimento dos seus atos ou merecimento das pessoas. Com frequência, anulou a si mesma para que o outro estivesse confortável, seguro e amparado.

Talvez por isso aquele comentário, dito de forma simples enquanto lavava a xícara, de um jeito tão natural, em uma conversa comum e tratando de um assunto que, em outros tempos, seria um tabu para ela... Talvez por isso tenha tido tanto peso. Havia ali um movimento raro: o desejo de olhar para si, de admitir que falar, elaborar e ser cuidada também lhe cabia.

Vê-la, à sua maneira, considerar a possibilidade da terapia foi profundamente significativo. Foi como um pequeno deslocamento interno e, às vezes, é exatamente assim que começam os processos mais importantes das nossas vidas. Isso, sinceramente, alegrou meu coração.

— D. Jacira, amanhã mesmo iremos à clínica! — falei para ela.

— Não, menina, não tem pressa — minha sogra tentou.

— Não é pressa, não... A senhora vai gostar. Conheço ótimos profissionais, que irão te ajudar no seu ritmo. Esse passo que a senhora está dando é muito importante. Fiquei feliz em ouvir isso da senhora — disse-lhe.

— Até Iury, que diz que não gosta, admite que fez bem. Deve me ajudar também — ela falou.

Eu a abracei e D. Jacira aproveitou a oportunidade para pegar minha xícara também.

— Vai te fazer bem! — afirmei, confiante.

O meu pré-treino foi aquele cafezinho com aquela notícia. Nem precisei ouvir música no trajeto. Senti-me tão feliz com a quantidade de coisas boas acontecendo que até aumentei o percurso que eu costumava fazer. Peguei o buquê que havia encomendado e, quando retornei para casa, os meninos estavam em aula e Mih apresentava um trabalho. Dei um beijinho na cabeça de cada um e subi para o quarto. Queria ver a minha gatinha e tomar um banho.

— Bom dia, amooooor — falei ao entrar.

Juh estava em reunião. Ela se surpreendeu com o buquê em minhas mãos, mexeu no notebook para desligar o áudio e a câmera e veio até mim.

— Meu Deussss... Bom dia, amoooor! — Júlia respondeu e me abraçou.

— Trouxe florzinhas para você — disse, cheirando o pescoço dela e a beijei.

— Eu te amo, te amo, te amo — ela ficava repetindo entre os beijinhos.

A reunião era com Rafael. Dei um tchauzinho para a câmera depois e fui para o meu banho. Quando voltei para o quarto, ela já havia encerrado e estava supervisionando o restante das aulas, como sempre.

— Amor, impossível eu comer isso tudo — Juh falou, apontando para o prato de cuscuz montado por minha sogra.

— Eu comeria uns quatro desses — respondi e já roubei um beijinho.

Existe todo tipo de cuscuzeira aqui em casa: grande, pequena, individual e uma que a gente chama de drone porque tem quatro porções com divisórias. Como D. Jacira fez para todos, acredito que ela usou a maior que encontrou e exagerou um pouco no prato da gatinha, pela quantidade que ela costuma comer.

Estava muito bonito e bem caprichado, como tudo que minha sogra faz. Não é à toa que tenho uma belíssima mulher. Só de lembrar me dá água na boca.

Não sei se estou falando do cuscuz ou da gatinha 🤣

Os dois.

Sabem aqueles pratos de criança, em que tudo é separado? O prato de Júlia estava assim. Dava para perceber o cuidado: o tempero mais de lado porque não é a preferência dela; a calabresa de um lado; a carne de sertão do outro; o bacon bem fatiadinho... Só minha sogra para conseguir tanto capricho em tão pouco tempo.

— Mas é fofinho, não é? — Juh comentou.

— Bonitinho demais, amor — respondi.

— E ela falou que milho puxa o leite. Eu estou com quatro semanas de gravidez e minha mãe está falando em leite... Nem consigo acreditar! — Júlia falou.

— Deixa eu ver se já está funcionando — brinquei, apertando o peito dela, e ela riu, tirando minha mão.

— O que eu faço? — Juh me perguntou, olhando para o prato e respirando fundo.

— Come o que conseguir... O problema é que você já não gosta... — respondi.

— É, mas eu vou tentar — ela falou, um pouco desanimada, porém foi em frente.

Eu fui ajudando, enquanto marcava os exames e consultas.

— Você deveria descansar — Juh me aconselhou.

— Desculpa, gatinha, mas sua logística não é das melhores nesses casos — falei, rindo.

— Aiiii... Doeu... — Juh brincou, fingindo estar magoada.

— Vai acabar marcando um médico aqui e outro lá na pqp, neném — tentei amenizar, dando uns beijinhos na boca dela.

— Mas é sério, você precisa descansar — Júlia comentou.

— Fique tranquila. Assim que eu descer, vou comer um pouquinho e cama — afirmei.

Deixei tudo agendado e anotei os horários na agenda do celular para que a gente não esquecesse de nada. Seria um dia corrido e eu não pretendia levar minha sogra; queria que ela relaxasse o máximo possível e começasse a terapia.

Consegui descansar a maior parte do dia e, à noite, pedimos uma pizza. D. Jacira já havia contado a Juh que estava interessada em marcar uma consulta com o psicólogo e ficamos conversando sobre os benefícios pessoais que notamos ao cuidar da nossa saúde mental.

O celular despertou cedo e, enquanto Júlia se dirigia ao banheiro, eu já parti com minha sogra para a clínica. Apresentei alguns espaços para ela e indiquei um profissional que eu achava que bateria melhor com o perfil dela. Também comentei outras opções, mas ela preferiu seguir a minha sugestão.

D. Jacira me agradeceu e disse que depois iria para casa ajeitar o almoço e ficar com os meninos. Eu concordei e deixei no ar que ela teria uma surpresinha durante o dia.

Em casa, o primeiro compromisso foi a coleta de sangue. Acabei chegando junto com o pessoal. Juh estava belíssima e visivelmente nervosa, tentando disfarçar.

— É só uma picadinha — cochichei no ouvido dela, sentando ao seu lado.

— Hunrum — Júlia confirmou, aproximando o rosto para que eu desse um beijinho.

Rindo um pouco da situação, depositei uma sequência em sua bochecha e dali ela não saiu mais. Enfiou a cabeça contra o meu corpo e esticou o braço para o outro lado.

— Ai, meu Deus... Não fala quando for... — ela pediu, com o tom de voz choroso.

— Nem vou — garantiu a enfermeira, rindo baixinho.

— Não sei se a senhora percebeu, mas Juh tem um pouquinho de medo — brinquei.

— Se você não falasse, eu nem ia notar! — a enfermeira brincou de volta.

Passei a mão pelas costas da gatinha, acompanhando a respiração, e Júlia foi encolhendo um pouquinho a cada segundo, como se procurasse o menor tamanho possível dentro de mim.

— Acabou — a enfermeira avisou, enquanto tampava o tubinho.

Juh ergueu o rosto devagar, estava toda vermelhinha e me olhou como se tivesse sobrevivido a uma guerra.

— Ufa! — ela exclamou em alívio, e todos rimos.

Logo depois seguimos para o consultório da nutricionista. No caminho fomos conversando; fui falando que Juh teria que fazer um esforcinho para cumprir tudo e ela me pareceu disposta a enfrentar a terrível e verdadeira batalha que seria contra a comida.

— Comer não me impede de reclamar. Sua missão vai ser me suportar — Júlia falou.

— Pode reclamar à vontade entre uma garfada e outra, amor — brinquei e dei um beijinho nela.

Júlia e alimentação nunca foram exatamente amigas. Ela come pouco, come devagar, é criteriosa, e só Deus sabe o que sustenta aquela mulher. Eu brinco que ela faz fotossíntese. Com a gravidez, a demanda precisava aumentar. Não se tratava só de ela comer, era preciso comer mais, comer melhor, ganhar peso e, se possível, sem enjoar, sem se estressar e sem entrar em debate filosófico sobre textura, cheiro e consistência.

Entramos no consultório. Ela logo se ajeitou na cadeira e eu fiquei ao lado, observando de canto e, confesso, um pouco tensa. A nutricionista era calma, didática e muito educada. Primeiro vieram as perguntas de rotina: hábitos, preferências, aversões, histórico, horários, sensações, enjôos, fome. Juh respondia com sinceridade, mas com aquele ar de “não sei se estou sendo uma boa grávida”. Eu intercalava pequenos detalhes, tentando suavizar, contextualizar e, ao mesmo tempo, não parecer que eu fazia um contra dossiê sobre a minha esposa.

Quando chegamos na parte das metas, a nutricionista puxou o gráfico, apontou o peso atual, a curva ideal e então falou, com naturalidade, que ao longo dos nove meses Juh precisaria ganhar cerca de doze quilos. Doze!

Juro que senti o tempo parar por alguns segundos. Meu corpo inteiro travou e a crise de riso simplesmente veio, não porque era engraçado, mas por nervosismo. Era cômico e trágico ao mesmo tempo: eu estava ouvindo sobre meta calórica para uma mulher que já acha complicado comer meio prato de cuscuz.

Júlia me olhou completamente indignada, como quem diz “você não deveria estar rindo”, o que, por si só, já me dava vontade de rir mais.

A nutricionista continuou explicando as alterações metabólicas, o aumento das necessidades proteicas, os micronutrientes, o cálcio, o ferro, o folato... E eu pensava em todas as vezes em que Juh fez drama para comer uma fruta ou recorria aos nossos filhos para que terminassem a refeição por ela.

Fui me acalmando enquanto a nutri tirava medidas, observava o IMC — que já sabíamos que estava abaixo do normal — explicava os possíveis desafios nos primeiros meses e reforçava que cada corpo gestava de um jeito. Juh prestava muita atenção em tudo e, no fim, vieram as orientações práticas, o cardápio inicial e algumas substituições, tudo bem flexível, mas ainda assim robusto o suficiente para que eu soubesse que o trabalho estava só começando.

Saímos de lá com Júlia extremamente brava comigo.

— Desculpa, amor... Eu só me desesperei... Doze quilos é... Vai ser um desafio, mas vamos vencer, tá? Cê me perdoa? — perguntei, e ela acenou positivamente.

Nosso próximo rumo seria o endocrinologista, porém no percurso a gatinha começou a se sentir mal e eu parei próximo a um quiosque para comprar uma água de coco.

— Se sente melhor, amor? — perguntei, fazendo com que ela sentasse no meu colo.

E Júlia começou a chorar.

— Você ficou rindo de mim e não me apoiou — ela falou, já soluçando.

— Não pensa assim, por favor... Desculpa, gatinha... Não era para eu rir, mas eu não consegui controlar... Você vai conseguir esses doze quilos. Eu vou te ajudar. Foi desesperador para mim e meu corpo reagiu daquela forma, mas eu estou com você. Acredito que você é capaz de tudo, de dar o seu melhor pelo nosso neném... — disse-lhe.

E, nesse momento, toda a água de coco ingerida foi para fora. Juh vomitou tudo!

— A gente pode ir para casa? — ela me perguntou, e eu confirmei.

No caminho, Júlia ainda não estava cem por cento bem comigo, respondendo só o básico — e isso foi me chateando. A deixei em casa e, assim que entramos, tinha uma massagista no meio da sala, trabalhando nas costas da minha sogra.

— Você é doida. Nunca que eu ia imaginar isso — falou D. Jacira, e eu ri.

— A senhora merece, sogrinha — falei e dei um beijinho na cabeça dela.

— E aí, como foram as consultas? Achei rápido! — ela perguntou.

— Acabamos indo somente na nutri. Juh não estava se sentindo bem — respondi, sentando ao lado da minha gatinha.

Puxei o corpo dela para se encontrar em mim e Juh veio sem resistência.

— Te amo, amor — disse-lhe baixinho.

— Eu também te amo — ela respondeu, no mesmo tom.

— Quer que eu desmarque a fisioterapia pélvica? Será à noite — quis saber.

— Não, acho que até lá estarei melhor — Juh respondeu.

— Certo, então vou fazer as compras do que você precisa... Almoça direitinho, tá? — pedi, e ela acenou positivamente.

Estava aquele climinha estranho ainda, porém ela me deu um abraço bem forte antes que eu levantasse.

Coloquei os cardápios na geladeira com um ímã e brinquei que Milena e Kaique seriam os responsáveis por supervisionar a mamãe. Eles se animaram com a nova missão e ficaram inventando punições caso ela tentasse burlar. Senti que minha gatinha se descontraía e, nesse momento, saí para o supermercado.

Assim que cheguei lá, comecei a sentir um mal-estar. Não esqueci de nada, porém corri para dar logo o fora dali. A sensação física era de cansaço e a mental era de esgotamento. Foi do mais completo nada: eu estava bem e, de repente, não estava mais.

Tentei me autorregular, contudo estava complicado. Não lembro de pensar ou me culpar por nada. Eu simplesmente comecei a sentir o meu coração acelerar e as minhas mãos tremiam e suavam frio.

— Vou passar na clínica — falei ao chegar no carro.

Ia mandar uma mensagem para Juh, mas percebi que meu celular estava em casa. Resolvi então deixar as compras em casa e falei com Mih que iria à clínica. Pedi que ela avisasse porque Júlia estava dormindo.

Não recorri a terceiros. Solicitei a medicação e efetuei eu mesma a administração. Deitei para aguardar o efeito da medicação e, espontaneamente, acabei dormindo.

Despertei e já estava próximo das dezoito horas. Levantei em um pulo e voei para casa. Encontrei Júlia no quarto chorando muito, muito mesmo — e isso partiu meu coração.

— Onde você estava? — ela questionou, engasgando com o choro.

— Na clínica, amor. Pedi para Mih passar o recado — respondi.

— Até agora? Lore, você nem almoçou em casa! Eu só quero você ao meu lado. É pedir demais? Eu estou sentindo uma necessidade impossível de controlar de ficar perto de você, que é uma pessoa que trabalha demais... Mas será que quando não estiver exercendo o seu ofício, você poderia me dar o prazer da sua presença? Poxa, eu só quero um abraço, uma companhia. Você é assim e agora parece que... Ah, sei lá! Eu estou me sentindo uma péssima mãe... Péssima!!! Estou abaixo do peso, cheia de hormônios e eu queria só que você estivesse aqui porque eu preciso de você. Com você eu sei que posso vencer qualquer batalha. Você pode fazer isso por mim? Pelo bebê? Por nós? Pela nossa família? — A muié disparou.

Tudo bem que ela estava arrasada e tudo que dizia batia em cheio no meu peito, mas eu amei que Juh conseguiu pôr isso para fora. Se ela só engolisse, eu não ficaria sabendo, e pequenos deslizes virariam bola de neve depois.

— Eu... Me senti mal e passei na clínica para tomar uma medicação. Acabei dormindo, mas fica tranquila... Eu estou bem e foi ótimo ouvir você falando tudo isso, tá? Eu estou aqui. A gente vai enfrentar isso um degrau de cada vez — Falei, me aproximando para enxugar suas lágrimas.

— Desculpa... — Juh sussurrou, deixando novas lágrimas banharem o rosto.

— Estamos juntas, amor — Declarei.

Nesse momento minha sogra bateu na porta avisando que a fisioterapeuta havia chegado e eu pedi que entrasse.

— Oxe, aqui no quarto? — Juh me perguntou.

— Ué, quer ficar pelada na sala? — Perguntei, rindo.

— PELADA? — Júlia arregalou os olhos.

— Sim, amor... Você sabe o que é fisioterapia pélvica? — Perguntei, já rindo sem conseguir disfarçar.

— Não é exercício com uma bola? Imaginei que fossem posições — Ela murmurou, tensa.

— Ela vai enfiar o dedinho dela dentro de você — Falei, morrendo de rir.

— NÃO! — Juh exclamou, completamente chocada.

— Vai te ajudar muito, principalmente pra conseguir o parto vaginal, que você tanto quer. Vai por mim — Assegurei.

— Meu Deus do céu... Eu vou morrer de vergonha — Ela admitiu.

— Oxe, relaxa, ela já deve ter visto muitos periquitos na vida — Tentei brincar.

— Fica aqui comigo, viu? — Júlia pediu.

— Estou do seu lado sempre — Afirmei, beijando seu pescoço.

Logo depois, a fisioterapeuta entrou com uma bolsa enorme. Uns quarenta anos, postura tranquila. Cumprimentou a gente e começou a montar uma maca portátil no meio do quarto, improvisando uma mesinha na cômoda.

— Pode tirar a parte de baixo, Júlia, e deitar de barriga pra cima. Vamos começar com uma avaliação relaxada — Disse, serena.

— É a primeira gestação? — Ela perguntou.

— Segunda. A primeira eu perdi — Juh respondeu, sentando devagar.

— Sinto muito... Mas vamos com tudo pra essa dar certo! A físio na gestação ajuda muito com dor lombar, períneo, controle urinário, evacuação, percepção corporal, preparo de assoalho e, principalmente, pro parto… seja vaginal ou cesárea. E depois também — explicou, enquanto eu ajudava Juh a se deitar.

— Eu não sabia que tinha tudo isso — Ela murmurou.

— Tem, e ninguém conta. Acham que mulher “se vira” porque é mulher. Mas corpo não funciona no automático. Corpo precisa de instrução! — Ana riu leve.

Ela avaliou externamente primeiro: palpação, respiração, contrai e relaxa… Minha gatinha obedecia toda envergonhada enquanto eu fazia carinho na mão dela, beijinho aqui, gracinha ali.

Depois, Ana lubrificou o indicador e avisou que ia inserir devagar, só pra mapear tonicidade e identificar pontos de tensão. Júlia fechou os olhos, abriu mais as pernas e arfou quando sentiu o toque, corpo inteiro enrijecendo.

— Aperte agora, segure três, solte… Aqui dói? — Ela perguntou.

— Não — Juh respondeu tímida.

— E aqu…

— Dói!!! — Juh interrompeu.

— Normal. Nós vamos trabalhar isso nas próximas sessões — Ela disse, animando.

— Cuidado que meu fiu te dá uma mordida aí — Brinquei. A físio riu.

— Perigoso mesmo — Retrucou.

— Isso vai me ajudar mesmo no parto? — Juh perguntou.

— Vai te ajudar a parir, a evacuar, a fazer xixi, a transar, a não ter dor, a não ter medo e, principalmente, a confiar no seu corpo — respondeu.

Antes de finalizar, ela passou uns “deveres de casa” pra Juh praticar até a próxima sessão. Em muitos deles… minha participação era essencial. Adorei essa parte.

Júlia quis se vestir rápido, mas sugeri banho juntas e meu amô aceitou na hora.

— Eu te amo muito, tá? Estou com você. Júlia Oliver… você é a melhor mãe do mundo. Nunca duvide disso — Falei, beijando-a.

— Desculpa por mais cedo. Eu não sabia que você não estava bem… Você está melhor, amor? — Ela perguntou.

— Me sinto ótima — Respondi, carregando-a.

— Eu também te amo muito! — Juh disse, tomando meus lábios.

Depois da ducha, Kaique e Milena estavam na nossa cama assistindo desenho.

— Acho que vocês deviam dormir aqui hoje — Falei.

— EBAAAAAAAA! — Eles gritaram.

— Eu ia pedir pra jogar um pouquinho, mas isso é muito melhor — Mih disse, empolgada.

— Um lado da mamãe é meu — Falei, decidida.

— Ah, não… A senhora já tem todo dia — Kaká protestou.

— Não abro mão — Concluí.

E pronto: reorganizamos tudo, tagarelaram até cair no sono, e quando ficaram molinhos, Juh virou pra mim, me agarrou forte e adormeceu no meu colo.

Foi uma gestação bem diferente da anterior: ela virou um grudinho comigo. No outro dia, conversando com minha sogra, ela brincou que se existisse chance do bebê parecer comigo, ia tudo por água abaixo, porque quando a mãe pega implicância do cônjuge, o neném nasce idêntico.

Aproveitei pra perguntar sobre a primeira sessão da psicóloga. Minha sogra disse que chegou travada, mas a profissional foi perguntando… quando viu, já estava falando pelos cotovelos. Chorou, se aliviou e disse que ia continuar. Foi lindo pra mim poder proporcionar isso e ver que ela, pela primeira vez, estava disposta a se entender, se cuidar e se curar.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 155Seguidores: 47Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Muito legal sua sogra resolver fazer terapia. pelo pouco que sei da vida dela, com certeza foi uma ótima escolha.

Juh e as agulhas são um caso a parte, eu sei que é errado rir, mas eu não aguento. rsrs

Eu tenho essa mania de rir de nervoso e isso já me causou alguns constrangimentos.

Que bom que Juh pois tudo para fora, mesmo sendo um pouco injusta pelo que você tinha passado, guardar com certeza seria pior, ainda mais na situação dela.

Muito bom como sempre Lore!

Parabéns minha amiga querida! 🤗❤️😘

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Minha sogra, por livre e espontânea vontade, aceitar fazer terapia por si só… Para mim é algo chocante até hoje 😂😂😂😂

Ela teve uma vida muito cruel e merece receber esse cuidado. O que estiver ao meu alcance, minha sogrinha terá 🥰

A bichinha quase se fundiu ao meu peito para não olhar a agulha 😂😂😂😂😂

Mas ela ganhou um certificado de coragem no fim, tá? ☝🏽😌

Eu simplesmente não conseguia parar de rir… Imagina aí: minha muié levando uma alimentação saudável para ganhar 12 kg. Cenário surreal de cogitar!

Muito obrigada pelo apoio, amiga! Estava com saudade de você! ❤️😘

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Juh está ficando mais corajosa a cada picada. Kkkk

Pelo que sei, era algo quase impossível ela ganhar esses 12 quilos com alimentação saudável, estou curiosa para saber se ela conseguiu. rsrs

Por nada amore! ❤️

Saudades de você também! 🤗

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Aiai... 🗣️😂😂😂😂😂

Deram uma missão quase impossível para a minha gatinha, o que eu posso dizer é que ela se saiu muito bem, deu o nome 😌

Agora atingir a meta... 👀 😂😂😂😂

😘😘😘😘😘😘

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Juh é decidida quando ela quer muito algo, só não sei se isso era algo que ela queria. Kkkkk

Mas pelo que você disse, ela foi esforçada. rsrs

🤗❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️😘

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Ela se doa ao máximo quando o assunto é gestar. A bichinha faz de tudo, exceto acupuntura... Aí já é pedir demais! 😂😂😂😂

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Kkkkkkkkkkkk

Para tudo existe um limite. Kkkkk

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Está recebendo infusão de Noripurum nesse exato momento e mandou um beijinho para você 😘

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Muita coisa está acontecendo por aqui ao mesmo tempo e, por isso, as postagens vão ficar um pouco mais espaçadas nesse período. Sempre que eu puder, eu volto para atualizar... Escrever aqui me faz um bem danado e conversar com vocês nos comentários é uma das minhas partes favoritas! ❤️

Daqui a pouco tudo se ajeita e retomamos nossa programação normal, no ritmo de sempre. É até bom que vocês não enjoam do meu blá blá blá semanal 😂😂😂😂😂

Beijão! 😘❤️

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Vai no seu tempo, só não some.

Seus blá blá blá faz falta. rsrs

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Sumo não, Jú, morro de saudade! ❤️

Você é um amô de pessoa 😂❤️😘

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Tu que é amore. ❤️

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😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘❤️

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Que difamação é essa que vamos enjoar do seu blá-blá-blá? Todos aqui deviam estar se perguntando o que aconteceu com as muié mais simpáticas desse site rsrs

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Poooorra, tenho essa moral toda, é? 😂😂😂

Obrigada pelo carinho, Juão 🥰❤️😘

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Claro que sim. Você e a Juh são muito amadas aqui. Muita gente admira suas histórias de vida.

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Obrigada, amigo. É bom ler isso e saiba que tenho grande carinho e admiração por todos os leitores! 🥰

Valeu de verdade pela consideração ❤️

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