Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 11— Tudo Que Arde Chama

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 5025 palavras
Data: 18/01/2026 16:25:28

O silêncio que se instalou depois daquela atitude foi diferente de todos os outros que eu já tinha vivido.

Não era ausência de som — era excesso de significado.

— Porra, Arthur — Estava se masturbando enquanto falava comigo, filho da puta safado.

Fiquei olhando para a tela, vendo cada movimento da mão grande e forte subindo e descendo naquela piroca grossa e cheio de veias. O barulho da mão batendo contra a pele era alto, obsceno, uma sinfonia de desejos que ecoava em meus ouvidos.

— Você deseja tanto isso aqui, não é Ber? — provocou com uma voz rouca, o olhar fixo na câmera.

— Quer ver meu pau latejante te fodendo, quer sentir cada centímetro do meu mastro entrando no seu rabo apertado? Você quer que eu te foda com força, que eu te faça meu viadinho ?

— Caralho, Arthur — Susurrei, sentindo meu pau pulsar. — Você sabe me provocar. Sabe que estou louco para ter você me fodendo, me fazendo seu. Quero sentir cada centímetro do seu pau entrando, me preenchendo por dentro.

— Então mostra para mim, Ber. — Com uma voz grossa, os olhos brilhando de desejo. — Mostra esse corpo gostoso para mim, mostra esse rabo que eu quero foder até você não aguentar mais. Deixa eu te ver, deixa eu te contemplar como uma obra de arte. Deixa eu te comer visualmente, deixa eu te possuir antes mesmo de te tocar.

Obedeci à ordem, ficando de quatro para a câmera. Levantei a bunda, exibindo meu cuzinho apertado para ele. Arthur começou a gemer alto, o som do pau sendo punhetado ficando ainda mais alto, ainda mais obsceno.

— Porra, Bernardo, você tem um rabo gostoso — murmurou, a voz carregada de tesão.

—Quero enfiar meu pau duro nesse seu cuzinho apertado, quero sentir sua carne me apertando, me ordenhando. Quero te foder com força, quero te fazer gritar meu nome até você ficar rouco. Quero te deixar moldado por dentro, com o formato da minha pica.

Senti meu corpo inteiro formigar, cada centímetro da pele sensível e quente ao toque. Meu pau latejava abaixo de mim, implorando para ser libertado. Abri ainda mais as pernas, exibindo cada centímetro do meu cuzinho para a tela.

— Vou te dar o que você quer Ber!

— Você quer ver minha pica dura, quer sentir meu pau duro latejando dentro de você! Você quer ser fodido por mim. Você vai ser meu viadinho safado.

— Você sabe que quero, Arthur — Com a voz carregada de tesão. — Sabe que estou louco para ter você me fodendo, para sentir cada centímetro do seu pau me arrombar, me destruindo por dentro.

— Quero ser seu, Ber. Sua diversão favorita e particular, para você brincar sempre que quiser. Quero ser seu, Ber...

Senti meu pau latejar ainda mais intensamente, meu corpo inteiro tremendo de desejo. A imagem de Arthur se masturbando para mim, a visão do seu corpo delineado e suado, me deixa ainda mais excitado. Queria estar lá, queria sentir cada centímetro do dele me penetrando, me fodendo até eu não aguentar mais. Queria ser dele naquela.noite, queria ser completamente dele ali e agora.

— Você é meu, Arthur — murmurei, sentindo meu pau pulsar cada vez mais. - Você é meu, porra. Meu meu homem, meu safado meu macho. Você é quem eu quero dar, até cansar...

Comecei a rebolar devagar, provocando Arthur ainda mais. Meu corpo inteiro estava em chamas, meu pau latejando dolorosamente sem nenhum toque. Queria aquele filho da puta louco, queria que ele sentisse o mesmo desejo intenso que eu estava sentindo.

Rebolei meu rabo com lentidão, exibindo cada centímetro da minha retaguarda para a câmera. Meu cuzinho apertado e gostoso piscava com cada movimento, convidando Arthur para me penetrar com os olhos. Senti meu pau pulsar ainda mais intensamente, meu mastro grande e grosso latejando dentro do tecido apertado.

Não aguentei mais e eu virei de frente para a tela, exibindo minha piroca completamente melada de pré-gozo. Meu pau estava duro feito pedra, a cabeça avermelhada e inchada pingando aquele líquido grosso e viscoso que escorria por minha pica grossa e pulsante. Meus músculos abdominais estavam definidos, cada um saltando com cada respiração ofegante.

— Porra, Bernardo — Gemeu alto, a voz carregada de tesão. — Você é uma porra de um deus gostoso. esse abdômen, esses quadris, seu bronzeado... caralho, isso me deixa louco de tesão. Não vou aguentar muito tempo vou acabar esporrando logo logo, Bernardo. Você é tão gostoso, tão sexy. Quero te foder, quero te fazer meu.

— Sentindo meu pau pulsar ainda mais intensamente. — Quer ver meu pau pulsando, quer sentir meu pau duro e latejante enquanto eu dou para você? Não aguenta mais? Você quer ser meu macho, Arthur? Quer ser completamente meu dono?

Não pude mais me conter. Senti meu corpo inteiro tremer, minhas pernas começarem a fraquejar. Meu pau latejou com força, minha pica grossa, pulsando e pulando na minha barriga. Comecei a gozar com força, meu sêmen quente e grosso jorrando para fora do meu pau latejando.

Gemi um pouco alto, muito alto por sinal, meu gemido de prazer ecoando pelo quarto.... Meu corpo inteiro sacudiu, meu cuzinho se contraindo e piscando em espasmos de puro êxtase. Senti jatos e mais jatos do meu gozo quente e grosso atingindo me atingind, cobrindo a superfície com meu corpo com líquido viscoso.

— Caralho, Bernardo — Referiu-se a Arthur —

Ao ver aquela cena de puro êxtase, ao ver meu gozo quente e grosso jorrando na tela, e meu cuzinho piscando sem parar. Arthur perdeu completamente o controle. Começou a gozar com força, seu pau pulsante na mão grande e forte.

— Porra, Ber — Gemeu alto, a voz carregada de prazer. — Você me faz gozar tão gostoso, tão intensamente. Quero sentir você gozando com o meu pau duro e grosso te penetrando, te fodendo até eu não aguentar mais e te encher de porra.

Senti meu corpo inteiro tremer, minhas pernas começarem a fraquejar. Meu pau latejou com força, e levemente um espasmo de exaustão depois daquele momento...

A imagem ainda estava ali, suspensa entre nós dois, como se o ar tivesse ganhado peso. Eu sentia meu próprio corpo reoaxado demais. Cada respiração parecia inconsciente. Cada batida do coração, um lembrete de que eu tinha ido longe. Mais longe do que costumava ir sem pensar nas consequências.

Arthur não falava.

E, estranhamente, isso só tornava tudo mais intenso.

— Você ficou quieto… — ele disse por fim, a voz mais baixa do que antes. Não havia provocação ali. Havia curiosidade. E algo que soava muito parecido com expectativa.

Passei a mão pelo rosto, devagar.

— Tô tentando processar — respondi com honestidade. — Isso… tudo isso.

Ele sorriu de canto. Não aquele sorriso escancarado e seguro. Era um sorriso contido, quase vulnerável.

— Intenso? — perguntou.

— Muito.

A palavra saiu simples, mas carregada. Meu corpo ainda reagia, mas agora havia algo a mais misturado ao desejo: consciência. Presença. A noção exata de quem estava do outro lado daquela tela.

Arthur se ajeitou levemente na cama. O movimento foi pequeno, mas suficiente para denunciar o quanto ele também estava afetado. A respiração dele não estava regular. Nenhuma de nós estava.

— Você sempre foi assim? — ele perguntou. — Ou é só comigo que você fica desse jeito?

Inclinei a cabeça, observando-o com atenção. O jeito como ele evitava me encarar diretamente por alguns segundos. A forma como mordia o lábio inferior sem perceber.

— Assim como? — provoquei de leve.

— Pensando demais… sentindo demais — respondeu. — Mesmo quando o corpo já decidiu.

Soltei um riso baixo.

— Talvez. — Fiz uma pausa. — Mas com você parece tudo… mais rápido. Mais fundo.

Ele sustentou meu olhar pela tela.

— Isso é bom ou ruim?

Respirei fundo antes de responder.

— Assustador. — Sorri. — E bom.

Arthur aproximou um pouco mais o rosto da câmera. O tom da voz dele mudou, ficou mais quente, mas ainda contido.

— Eu senti sua falta, sabia?

A frase me pegou desprevenido.

— A gente se viu há poucos dias — respondi.

— Eu sei. — Ele desviou o olhar. — Mas não é disso que eu tô falando.

Engoli em seco.

— Você complica as coisas sem esforço nenhum — murmurei.

— Você também — ele devolveu. — Do seu jeito.

Houve um breve silêncio. Não desconfortável. Carregado.

— Continua falando comigo — Arthur pediu, de repente. — Mesmo se for complicado. Só… não se afasta agora.

Passei a língua pelos lábios, sentindo o calor voltar, mais lento, mais denso.

— Você tá pedindo coisas perigosas — falei.

— Eu sei. — Ele sorriu, dessa vez sem ironia. — Mas não pede pra eu fingir que não tô sentindo isso.

A tela tremulou levemente quando ele mudou a posição do celular. O enquadramento não era explícito — era íntimo. Próximo demais. Como se a distância entre nós tivesse diminuído sem aviso.

— Eu penso em você — ele disse, num tom quase casual. — Em como foi. Em como poderia ser.

Minha respiração ficou mais funda.

— Arthur…

— Shh. — Ele levantou a mão, pedindo silêncio. — Não precisa explicar nada agora.

Observei o movimento lento dele, o jeito como fechava os olhos por um segundo, como se estivesse tentando se controlar. Havia desejo ali, claro. Mas havia algo mais forte: vontade de conexão.

— Fica comigo aqui — ele continuou. — Mesmo que seja só assim, por enquanto.

A palavra ecoou.

Por enquanto.

Meu corpo reagia, mas minha mente estava desperta. Alerta. Sabendo que aquele momento era uma encruzilhada.

— Você tem noção do que tá despertando em mim? — perguntei, a voz mais baixa do que eu pretendia.

Arthur abriu os olhos e me encarou diretamente.

— Tenho. — Ele respirou fundo. — Porque eu sinto o mesmo.

O silêncio voltou, pesado, quase palpável. Nenhum de nós precisava dizer mais nada. O desejo estava ali, pulsando, mas agora havia algo segurando as rédeas: escolha.

Eu fechei os olhos por um instante.

Quando abri, falei com calma:

— Se a gente continuar… não vai ser só isso.

Ele assentiu.

— Eu sei.

— E você ainda quer?

Arthur sorriu devagar. Um sorriso seguro, decidido.

O celular permaneceu ligado. Nenhum gesto apressado. Nenhuma palavra explícita. Apenas duas respirações se encontrando através de uma tela, carregadas de tudo o que já tinha sido feito — e de tudo que, inevitavelmente, ainda seria feito.

E naquele instante, eu entendi:

não era só desejo.

— Arthur… — eu interrompi, a voz mais baixa, quase rouca. — Eu sei que você quer o que eu também quero. Mas olha pra gente.

Ele ficou em silêncio por um segundo, atento.

— Olha como eu tô — continuei. — E olha como você também está.

Do outro lado da tela, eu via o reflexo exato do que eu sentia por dentro. Arthur estava descompensado, a respiração irregular, a pele marcada pelo calor, o corpo suado, entregue demais ao momento. Eu sabia que não estava diferente. Meu peito subia e descia rápido, o corpo inteiro em alerta, como se cada poro tivesse sido acordado à força.

— A gente passou do ponto — eu disse, sem acusação. Só constatação. — E… eu acho que foi bom. O que aconteceu aqui entre a gente.

Arthur abriu a boca para responder, mas eu segui:

— Foi bom isso. E o que aconteceu no outro dia também. Mas… — hesitei. — Existe uma linha que a gente pode estar cruzando.

Ele me interrompeu de imediato.

— Não vamos falar disso agora.

Franzi a testa, ainda ofegante.

— Mas foi você quem começou esse assunto — retruquei. — E a gente precisa continuar. Porque antes de qualquer coisa… você é meu melhor amigo.

Arthur desviou o olhar por um instante, depois voltou a encarar a câmera.

— Tudo bem — disse, rendido. — Então responde uma coisa. Você vai vir aqui hoje?

— Hoje? — perguntei, confuso. — Como assim, hoje?

Ele deu um meio sorriso.

— Já são quase duas da manhã.

Passei a mão pelos cabelos, sentindo o cansaço finalmente começar a pesar.

— Caramba, Arthur… eu preciso dormir. Eu dou aula amanhã cedo. — Suspirei. — Eu não posso chegar tarde no trabalho.

— Eu sei — ele respondeu, mais calmo. — Seria pedir muito.

— Sim — concordei, sem rodeios. — Qualquer pedido agora seria pedir muito. Eu preciso levantar, tomar um banho… limpar depois de tudo isso que a gente fez. Você me entende, né?

Ele assentiu lentamente.

— Entendo. Mas você ainda não respondeu.

Inclinei a cabeça.

— O quê?

— Você vai vir aqui hoje à tarde? — repetiu. — Eu vou estar te esperando.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. O peso do que estava sendo proposto caiu de vez.

— Já que você insiste… — falei, por fim. — Eu vou. Mas pra gente conversar sobre tudo isso que tá acontecendo.

Arthur sorriu, aliviado.

— Ok. Eu vou estar te esperando. — Fez uma pausa e completou, rindo: — Até porque eu não tenho como sair do lugar.

Eu ri também, balançando a cabeça.

— Eu sempre esqueço que você tá com a perna lesionada — provoquei. — Até porque parece bem mais disposto do que deveria.

— Energia acumulada — ele respondeu, com aquele brilho conhecido nos olhos. — Preciso extravasar de alguma forma.

A gente riu junto, um riso leve, quase cúmplice, enquanto ainda se observava pela tela. Os corpos cansados, marcados pelo excesso de sensação, mas agora num silêncio confortável, íntimo demais para ser constrangedor.

— Tá bom — eu disse, por fim. — Se cuida.

— Você também — ele respondeu. — Até amanhã.

A chamada se encerrou.

O quarto ficou silencioso de repente, grande demais. Eu me levantei devagar, ainda sentindo o corpo quente, e fui direto para o banheiro. A água caiu sobre mim como um reset necessário, levando embora o suor, a tensão, mas não os pensamentos.

Voltei para a cama pouco depois, ainda meio zonzo.

— Eu preciso dormir urgentemente — murmurei para mim mesmo.

Apaguei.

Ou quase isso.

O despertador tocou. E tocou de novo. E de novo.

— Meu Deus… — resmunguei, abrindo os olhos com dificuldade. — Eu não dormi quase nada.

Me arrastei até o banheiro, tomei outro banho às pressas e me vesti correndo. Desci já atrasado, encontrando meus pais na cozinha.

— Bom dia, pai. Bom dia, mãe — falei rápido, dando um beijo no rosto dos dois.

— Filho, você não vai tomar café? — minha mãe perguntou.

— Mãe, eu tô um pouco atrasado. Vou indo! — respondi, já com o celular na mão.

O Uber já estava me esperando lá fora. Entrei apressado, dei o endereço da escola e me joguei no banco.

— Bom dia, senhor Bernardo — disse o motorista, pelo retrovisor.

Sorri, surpreso.

— Bom dia… — respondi. — Isso foi… familiar demais.

Enquanto o carro arrancava, eu encostei a cabeça no banco e fechei os olhos por um instante.

O dia estava só começando.

E eu já sabia: nada mais seria simples dali em diante.

O Uber me deixou exatamente em frente à escola. Ainda antes de o carro parar por completo, eu já estava com a mão na maçaneta, o corpo inclinado para frente, como se o atraso que eu sentia fosse maior do que realmente era.

— Bom trabalho, senhor Bernardo — o motorista disse, educado.

— Obrigado — respondi rápido, já descendo.

Entrei apressado, atravessando o corredor principal quase no automático. O cheiro de café recém-passado misturado com o som distante de vozes conhecidas me guiou direto para a sala dos professores. Decidi que tomaria café ali mesmo. Não tinha cabeça para socializar.

Peguei uma xícara, servi o café e me sentei num canto mais afastado. Cumprimentei alguns colegas com um aceno discreto, mas evitei conversa. Meu corpo estava presente; minha mente, não totalmente.

Puxei o celular.

As notificações se acumulavam. Mensagens simples, cotidianas. Abri a primeira.

Yan:

Bom dia. Dormiu bem?

Sorri de canto. Respondi quase de imediato:

— Bom dia. Dormi mais ou menos 😅 Hoje meu dia vai ser cheio, mas a gente se fala ao longo do dia. ❤️

Enviei o coração sem pensar muito. Parecia natural.

Logo abaixo, outra mensagem. Arthuro.

Quais são os planos pro final de semana?

Respirei fundo antes de responder.

— Descansar.

A resposta dele veio rápido demais para alguém que, teoricamente, também estava trabalhando.

Você tá completamente enganado. A gente tem que comemorar sua aprovação no concurso. Não marca nada pra noite do final de semana.

Dei uma risada silenciosa, levando a xícara aos lábios.

— A gente vê isso depois. Bom dia.

A tela ficou muda por alguns segundos.

Senti aquela ausência mínima, quase imperceptível, mas presente.

Lembrei de do Arthur, e logo encaminhei uma mensagens.

— Bom dia. Passo aí hoje à tarde, mas bem rápido. Entre uma e uma e meia. Às três preciso estar de volta no colégio.

Enviei. Bloqueei o celular e me levantei.

Foi quando dei de cara com o Jonas.

— Bom dia, Bernardo — ele disse, com aquele sorriso sempre fácil. — E aí, conseguiu pesquisar sobre o anúncio da trilha e da praia?

Parei por um segundo, ajustando a mochila no ombro.

— Confesso que não consegui pesquisar direito — admiti. — Mas hoje pela manhã eu tenho um tempo livre entre uma aula e outra. Hoje são quatro tempos de manhã e dois à tarde. Prometo dar uma olhada.

— Tranquilo — ele respondeu. — Qualquer coisa, passa na minha sala no seu tempo livre. A gente pesquisa junto, vê se rola essa trilha.

— Fechado — sorri. — Eu realmente tô precisando de sol e mar.

Jonas me observou com mais atenção.

— Percebe-se — comentou. — Você tá com cara de cansado. Dormiu bem?

— Dormi pouco — respondi, sincero. — Mas tá tudo bem.

O sinal tocou antes que a conversa se estendesse. Segui para a sala de aula, dei os dois primeiros tempos quase no piloto automático. A voz saía firme, o conteúdo fluía, mas eu sentia o corpo pedindo pausa.

Quando terminou o segundo tempo, voltei à sala dos professores. Peguei o celular de novo.

Arthur tinha respondido.

Nossa, é pouco tempo. Pensei que você teria mais.

— Hoje ainda é quarta-feira — digitei. — Minha tarde livre é só na quinta. Você prefere que eu vá amanhã? A gente teria mais tempo.

A resposta veio com aquele tom meio brincalhão, meio sério.

Você pode fazer como achar melhor. Se quiser, pode vir hoje, amanhã e depois.

Ri sozinho.

— Vamos fazer assim — respondi. — Hoje eu fico por aqui, porque teria que ir e voltar correndo. Na quinta, eu passo a tarde com você.

A mensagem seguinte veio quase como um suspiro digitado.

Poxa… queria te ver hoje.

— Segura os ânimos — escrevi. — Amanhã eu te vejo, tudo bem?

Tudo bem.

Completei:

— Vou pesquisar o que o Jonas me mandou e corrigir umas provas agora.

Guardei o celular. Corrigi algumas avaliações rapidamente. Eram poucas. Assim que terminei, me dirigi à sala do Jonas.

Bati na porta.

— Entra — ele disse.

Quando entrei, foi inevitável reparar. Não sei se pela luz da sala, pelo silêncio ou pelo meu próprio cansaço, mas algo me chamou atenção. Jonas estava sentado à mesa, diante do computador, usando uma camisa social clara. As mangas levemente ajustadas destacavam os braços torneados. O primeiro botão aberto deixava à mostra apenas o início do peito, nada exagerado, absolutamente comum… e ainda assim, impossível de ignorar.

Fiquei parado um segundo a mais do que devia.

— Bernardo? — ele chamou, sorrindo.

— Ah… desculpa — pisquei, voltando a mim. — É o sono.

— Fecha a porta — ele pediu. — Vamos pesquisar isso juntos.

Fechei. Sentei-me na cadeira em frente.

— Não, pega essa aqui — ele disse, puxando outra cadeira para mais perto da mesa. — Assim a gente vê melhor.

Nos inclinamos para a tela. As imagens da trilha apareceram, depois a praia ao final do percurso.

— Nossa… — comentei. — É muito bonito. Principalmente essa praia depois da trilha.

— Dizem que é bem deserta — Jonas explicou. — Não é muito cheia, principalmente fora de domingo. Mas é um lugar lindo.

— Então vamos fechar sábado de manhã? — sugeri. — O que acha?

Ele arqueou levemente a sobrancelha.

— Só nós dois?

— Sábado cedo ninguém quer acordar — dei de ombros. — A gente já acorda cedo a semana inteira mesmo.

Jonas sorriu, com um tom que não era exatamente neutro.

— Tudo bem. Só nós dois, então.

— Beleza — concordei. — Mas como a gente faz pra chegar lá? Uber?

Ele me interrompeu, quase rindo.

— Eu dirijo. Tenho carro. E como eu imagino que você não pretende beber, né? — fez uma pausa irônica. — Ainda mais num rolê saudável, sábado de manhã.

Ri.

— Faz sentido.

— Eu te busco na sua casa — continuou. — De lá a gente vai. Só preciso ver se tem estacionamento perto.

— Sempre tem — respondi.

O sinal tocou de novo.

— Preciso dar os dois últimos tempos — falei, já me levantando.

Jonas me acompanhou até a porta.

— O que você acha de almoçarmos juntos hoje de novo? — perguntou. — Queria conversar com você sobre algumas coisas do currículo acadêmico.

— Precisa que ser hoje? — brinquei.

— Não — ele riu. — Mas se quiser…

— O almoço eu aceito — respondi. — Mas essa conversa a gente deixa pra outro dia.

— Tudo bem — ele disse, observando meu rosto. — Dá pra ver que você tá cansado.

Saí. Segui para a sala de aula seguinte.

Quando entrei, reconheci imediatamente a turma.

— Oi, professor Bernardo! Bom dia! —

A voz da Yuli veio acompanhada de um sorriso aberto, daqueles que preenchem o ambiente antes mesmo de a pessoa terminar a frase. Ajustei os materiais sobre a mesa, organizei os livros, o diário, e levantei o olhar para ela.

— Bom dia, Yuli. Tudo bem?

— Tudo — respondeu, ainda sorrindo, enquanto os outros alunos iam entrando, ocupando seus lugares, arrastando cadeiras, abrindo mochilas.

Ela ficou ali por um instante a mais do que o necessário, como se estivesse decidindo se falava ou não. Então falou:

— Meu irmão não para de falar de você.

Por um segundo, senti o corpo inteiro reagir, não por surpresa, mas pelo cuidado que aquela frase exigia. Olhei ao redor, a sala ainda se organizando, vozes demais, curiosidade demais no ar.

— Yuli — falei em tom baixo, mas firme — não é o lugar pra falar disso.

Ela arregalou os olhos de leve, imediatamente consciente.

— Desculpa — disse, sem perder o sorriso. — Era só pra você saber.

Respirei fundo, suavizei a expressão.

— Tudo bem. Não tem problema.

Ela riu de canto.

— Bem-vindo à família, então.

Balancei a cabeça, quase rindo também.

— Yuli, é horário de aula.

— Tá bom, tá bom — ela respondeu, já se afastando. — Vou sentar.

As aulas seguiram. Duas seguidas. Conteúdo, perguntas, explicações, quadros preenchidos, risadas pontuais. Eu estava presente, atento, mas havia um cansaço acumulado que deixava tudo um pouco mais lento por dentro.

Quando finalizei o segundo tempo, Yuli se aproximou novamente da mesa.

— Professor, posso te fazer uma pergunta?

— Pode, sim.

Ela abriu a boca, fechou, mudou de ideia.

— Não… nada, não. Já vou. Boa tarde pra você. Bom descanso.

— Boa tarde, Yuli.

Saí da sala com a sensação estranha de que aquele dia estava cheio de pequenos cruzamentos — todos pedindo atenção, todos pedindo cuidado.

Deixei minhas coisas na sala dos professores, peguei a carteira e segui em direção à sala do Jonas. Antes mesmo de bater à porta, senti um toque leve no ombro.

— Vamos? — ele perguntou, já ao meu lado.

— Vamos.

— Pensei da gente almoçar em outro lugar hoje — disse enquanto caminhávamos pelo corredor. — Um pouco diferente. O que acha?

— Eu só tenho os dois últimos tempos hoje — respondi. — Então dá tranquilo. Onde você pensou?

— Tem um restaurante aqui perto, antes do shopping. A gente pode ir lá.

— Mas é meio longe andando…

— A gente vai de carro — ele disse, simples. — É rápido.

Poucos minutos depois, eu estava no banco ao lado dele. Jonas colocou uma música tranquila, dessas que não competem com a conversa, só acompanham. Falamos sobre coisas soltas da escola, pequenos comentários do cotidiano, nada profundo — e ainda assim confortável.

O restaurante era temático, acolhedor. Naquele dia, o foco eram massas. Pedimos o prato da casa, com o molho especial do dia.

Quando começamos a comer, Jonas apoiou os talheres e me olhou com atenção.

— Eu gostei muito de almoçar contigo aquele dia — disse. — Mesmo resolvendo coisas de trabalho, foi bom. Deu pra conversar, pra eu falar um pouco da minha vida… e agora ainda consegui uma trilha pro final de semana.

— Foi muito bom mesmo — concordei, mastigando devagar. — No trabalho eu quase nunca paro pra conversar assim com outros professores.

Ele riu.

— Também… você é o mais novo. Não tem muito assunto com os senhores de idade.

— Exatamente — brinquei. — Até você, que é mais velho que eu, sente essa diferença.

— Sinto — ele confirmou. — Bastante.

Houve um breve silêncio. Então ele respirou fundo.

— Bernardo… e a sua vida?

Levantei o olhar.

— Como assim?

— Você comentou que é solteiro — ele continuou. — Não pensa em aproveitar mais? Em relacionamento?

Pensei antes de responder.

— Minha vida é meio caótica — falei com honestidade. — Independente de qualquer coisa, acho que agora não tenho tanto tempo pra isso. Talvez mais pra frente… mas agora não sei se é o momento.

— Entendo — ele assentiu. — Faz sentido. Você é um rapaz em ascensão.

Ri.

— Em ascensão nada. Só tentando sobreviver.

Jonas sorriu, mas logo ficou sério outra vez.

— Eu perguntei porque… — ele fez uma pausa curta — eu vi você na esquina do colégio esses dias — com um rapaz, e fiquei pensando.

Sorri, sem tensão.

— Ah… aquele é um grande amigo meu. A gente se conhece desde novo. Tenho poucos amigos poucos, mas todos como irmãos.

— Entendi — ele disse. — Pensei que fosse alguém que você não quisesse assumir.

— Não — respondi com tranquilidade. — O Arthuro é muito de contato, de presença. Mesmo sendo hétero, nunca teve masculinidade frágil. Por isso nossa amizade funciona.

— Que bom — Jonas comentou. — É importante ter esse tipo de vínculo.

Falamos então da trilha. Jonas sugeriu um trajeto diferente.

— A gente podia fazer a trilha inversa.

— Como assim?

— Deixar o carro na praia. A trilha é plana, em formato de O. A gente contorna tudo, vê os pontos… no meio tem uma cachoeira.

— Cachoeira? — sorri. — Faz tempo que não vou numa.

— Eu sei — ele brincou. — Você é peixe de água salgada.

— Sou uma sereia de água salgada — respondi, rindo.

Pagamos a conta e voltamos para o colégio. No carro, peguei o celular.

Mensagem do Yan:

Almocei com a Yuli hoje. Ela falou bastante de você.

Respondi:

— Ela falou comigo também. É uma fofa.

— Só não dá muita trela, por favor 😅 — Disse Yan

Tá bom. Se cuida.

Logo depois, uma foto do Yan: sorrindo fazendo um gesto de academia onde demonstra o biceps, a legenda “se cuida”.

Curti e segui.

Arthur também tinha mandado mensagem:

Estou de carro hoj. Quer que eu te busque mais tarde pra gente ir junto?

— Não precisa — respondi. — Hoje vou de Uber mesmo. Obrigado. Bom trabalho pra você.

Voltamos ao colégio em silêncio confortável. Ao descer do carro, percebi com clareza:

aquele dia estava sendo menos sobre escolhas imediatas

e mais sobre aprender a sustentar os espaços entre elas.

Ao chegar novamente ao colégio, decidi me permitir um intervalo real. Fui para a sala dos professores e me sentei em uma das poltronas mais afastadas, deixando o corpo afundar um pouco, como se ali fosse um espaço neutro entre tudo o que vinha acontecendo e o que ainda estava por vir. As horas passaram tranquilas. Observei o movimento dos corredores, ouvi conversas soltas, risadas baixas, o som distante do sinal anunciando o fluxo normal da rotina escolar.

Minhas últimas aulas só começariam às três. Quando o horário chegou, tudo seguiu de forma surpreendentemente leve. Dei aula sem interrupções, sem estresse, quase automático — como se minha mente tivesse aprendido a compartimentar os acontecimentos recentes.

Quando finalizei o último tempo, chamei um Uber para ir embora. Enquanto aguardava, encontrei o Jonas no corredor.

— Quer carona? — ele perguntou, com naturalidade.

— Ah, já tô chamando o Uber — respondi, mostrando o celular.

— Cancela — ele disse, simples. — Eu te levo. Assim já sei o caminho da sua casa pro dia da trilha.

Pensei por um segundo. Cancelei.

— Tá virando rotina andar de carro com você — comentei, entrando.

Jonas sorriu.

— Essa sua nomeação no concurso nos aproximou nessa semana, né?

— Com certeza — respondi.

No caminho, falamos sobre o colégio, sobre pequenos ajustes, sobre banalidades que não exigiam profundidade. Fui guiando até minha rua, expliquei referências, e ele comentou que morava num bairro vizinho.

— Obrigado pela carona — falei ao descer.

— Até amanhã — ele respondeu.

Entrei em casa, cumprimentei meus pais rapidamente e subi para tomar um banho antes do jantar. A água quente ajudou a dissolver o cansaço acumulado. Enquanto me secava, troquei algumas mensagens com o Yan.

Falamos do dia dele. Tranquilo. Personal, academia, rotina.

— Encontrei o Arthuro hoje — ele comentou. — Nada demais.

— Quando vai rolar nosso treino? — ele perguntou em seguida.

— Acho que você já treinou bastante hoje — brinquei.

— Outro tipo de treino — ele respondeu.

Ri.

— Eu sei, seu burro. Preciso voltar às atividades físicas mesmo.

— Quando quiser, tô à disposição.

— Prometo que assim que assumir o cargo, eu volto à rotina.

Desci para jantar. Conversa simples, comida quente, o conforto habitual da casa. Depois, lavei a louça, dei boa noite aos meus pais e subi mais cedo do que o normal.

Já quase dormindo, o celular vibrou.

Arthur: Tá aí?

Respondi:

— Hoje não, Arthur.

— Tudo bem — ele escreveu. — Descansa. Mas amanhã eu te espero aqui.

— Amanhã a gente se fala.

Adormeci rápido.

O dia seguinte começou no ritmo habitual. Banho, mensagens de bom dia, café apressado, aulas pela manhã. Não encontrei o Jonas no colégio, o que estranhei, até saber que ele estava em uma reunião externa.

Ao fim das aulas, segui direto para a casa do Arthur. Pensei em avisar que estava indo, mas desisti. Ele já me esperava.

Toquei a campainha.

Quem abriu a porta não foi Arthur.

— Oi, Bernardo. Boa tarde.

Era o senhor Juan.

— Boa tarde… — respondi, automaticamente. — O Arthur tá?

— Tá lá em cima. Pode entrar.

Meu olhar demorou um segundo a mais do que deveria. Tio Juan estava de calça social, sapato bem ajustado, sem camisa. A pele morena naturalmente marcada pelo sol, o corpo firme, adulto, seguro. Um homem bonito. Muito bonito. Não no sentido juvenil, mas numa presença sólida, quase intimidante.

Ele passou a mão pelos cabelos, sorriu de um jeito tranquilo.

— Ele tá te esperando.

— Obrigado.

Quando dei o primeiro passo para entrar, senti a mão dele segurar meu braço, firme, mas não agressiva.

— Sobre aquela mensagem… — ele começou.

Meu corpo reagiu antes da mente.

— Eu não quero conversar agora — interrompi.

Tio Juan sustentou o olhar.

— Em algum momento a gente vai precisar conversar. Eu vou respeitar o seu tempo. Mas esse momento vai chegar.

Meu coração batia mais rápido do que eu gostaria de admitir. Soltei o braço com cuidado.

— Com licença.

Subi as escadas sem olhar para trás. Cada degrau parecia carregar uma tensão nova, um aviso silencioso de que certas coisas não podem ser evitadas para sempre.

E assim, antes mesmo de encontrar Arthur, eu entendi:

o desejo não estava apenas nos corpos —

estava nos silêncios que começavam a exigir resposta.

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Comentários

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a vida é circular mas não é uma ciranda... pessoas até podem dançar juntas mas os tempos e os ritmos serão sempre singulares, o infinito particular de cada um e Bernardo está no centro deles, a vida dele é quase uma mandala...

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Que intenso esse começo emh?! estou me sentindo em uma sauna😈🙊. Só fico aqui imaginando o que aconteceria se você namorasse com um dos irmãos sabendo que os dois gostam de você🧐, ainda tem o gostosinho do Ian que parece ser um cara legal e aí vem o Jonas que eu ainda não sei se vai rolar algo, meu pai do céu...aja coração pra tantos pretendentes rsrsrs. E esse seu jeito estranho com o tio Juan é pq? Estou doido pra descobrir.

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