Você Sempre Terá Alguém aos Seus Pés

Um conto erótico de Sativo
Categoria: Grupal
Contém 4849 palavras
Data: 19/01/2026 06:02:19
Última revisão: 19/01/2026 07:48:29

Marta Montenegro comandava a Editora Pólen com punhos de ferro e cuidado minucioso. Por cinco anos seguidos, tornara-se a principal referência do mercado literário da capital. Naquela noite fria de agosto, mesmo após uma situação irreparável com seu escritor iniciante mais promissor, ela havia recuperado as esperanças – aguardava por alguém.

Naquela mesma noite, o jovem escritor Otto Ribeiro, retornou à editora. Tremendo e suando frio, subiu no elevador até o último andar. “Desgraçada”, murmurava entre dentes cerrados, ainda sob os efeitos da vodca que bebera horas antes. Eram sete da noite.

Ao sair do elevador, a roupa ainda molhada pela chuva, paralisou diante do corredor que levava à porta da editora. Sentia-se à beira da pior humilhação da vida e, com os olhos vidrados, lembrou-se vividamente da primeira vez que estivera ali com Marta.

* * *

Marta Montenegro – ou simplesmente Sra. Montenegro, como a chamavam na editora – era uma mulher deslumbrante no auge dos seus 35 anos: morena de pele oliva, corpo esculpido com curvas que pareciam obra de um deus sátiro. Séria, misteriosa, virava cabeças de homens e mulheres sem esforço aparente – ou pelo menos era o que parecia Exibia-se de uma forma sutil. Sabia exatamente o que fazia. Por trás da diretora, havia uma exibicionista nata e uma potencial dominatrix, pronta para transformar desejos em obediência.

Otto era um rapaz tímido, de uma beleza latente, com um olhar profundo que revelava mais do que suas próprias palavras. Estudante de Letras, inscreveu-se no concurso da Editora Pólen durante um festival literário da universidade. Seu manuscrito – poesias e prosas radicais, transgressoras e disruptivas – chamou a atenção imediata da diretora Marta Montenegro, que o premiou com a publicação em uma coleção especial para autores iniciantes, prevista para lançamento naquele ano.

No dia da premiação, Otto captou os primeiros olhares intensos de Marta, acompanhados de sorrisos discretos que curvavam seus lábios carnudos. Por vezes, ela roçava “acidentalmente” a perna na dele, forçando-o a notar as coxas firmes que escapavam da saia fendada, realçadas pela meia-calça escura. Ele já sentia o pau endurecer só de observar de canto de olho.

Nos bastidores, durante uma conversa informal, Marta inclinava-se propositalmente, aprofundando o decote enquanto elogiava a escrita transgressora dele. Quando o convidou para uma reunião na editora, Otto, completamente hipnotizado, limitou-se a assentir devagar, os olhos vidrados nela. Marta, experiente, registrou os primeiros sinais de rendição no corpo e no olhar do rapaz.

Na noite seguinte, Otto chegou à editora e encontrou a recepção vazia. Sentou-se para esperar, mas logo ouviu vozes vindo de uma sala adjacente. Reconheceu a de Marta e bateu na porta, sem resposta. Intrigado, aproximou-se e escutou uma segunda voz feminina, carregada de desespero. Espiou pela brecha da persiana e, com dificuldade, viu uma mulher de cerca de 30 anos de joelhos aos pés de Marta.

— Não me faça implorar mais, Marta! Por favor… – soluçava a mulher, de joelhos no carpete, as mãos trêmulas agarrando a barra da saia da diretora

Marta, sentada numa cadeira confortável de couro negro, atrás de uma mesa enorme, com as pernas cruzadas e uma calma quase inabalável. Seus olhos castanhos escuros não piscavam, o rosto sereno como se estivesse assistindo a uma peça medíocre. Quando finalmente falou, proferiu palavras frias.

— Saia. Agora!

Quando a mulher se levantou do chão e saiu em direção a porta, Otto tentou se afastar da sala furtivamente mas deu de cara com um homem elegante que voltava da copa com uma xícara de café na mão.

— Você deve ser o Otto Ribeiro – disse o homem à recepção.

— Sim… E você é…? – respondeu Otto, desconfiado.

— Mauro Müller, o redator. Li seu manuscrito hoje cedo. Tem muito potencial.

— Sério? Isso me deixa animadíssimo! – exclamou o jovem, empolgado.

De repente, a porta da direção se abriu com violência. A mulher saiu esbravejando:

— Puta! Desgraçada! Eu te amav… – Parou ao ver Mauro e Otto, engoliu o resto da frase e passou em silêncio, maquiagem borrada, expressão derrotada. Ao cruzar com Otto, murmurou: — Aproveite, você será o próximo – e desapareceu no elevador.

Otto olhou para Mauro, confuso.

— Foi demissão ou algo assim?

— Tecnicamente, sim – respondeu o redator, evasivo.

Mauro acrescentou, quase sem querer: – É, meu rapaz… você será o próximo – Corrigiu-se rápido: — Quero dizer… aproveite bem o que te espera.

Antes que Otto pudesse reagir, Flávia, a secretária, apareceu com uma caneca de chá de hortelã na mão.

— Perdão! Sou Flávia. Estava no intervalo, mas pode entrar na sala da diretora agora – disse, apressada.

— Tudo bem. Obrigado – respondeu Otto.

Mauro e Flávia se entreolharam enquanto Otto entrava na sala de Marta. Sabiam melhor que qualquer um o que havia acontecido ali entre a diretora e a escritora que acabara de sair transbordando em lágrimas.

— O garoto já chegou no fogo cruzado – disse o redator.

— Eu pude ouvir da copa – respondeu a secretária.

A tal escritora se chamava Júlia. Tivera um romance casual com a diretora, mas, ao fim do contrato, quis transformar em algo fixo. Marta recusou.

Assim era Marta: sedutora, dominadora e desprendida de seus pares sexuais. Quem se envolvia precisava aceitar os termos – ou acabaria como Júlia, dependente e destruída pela ausência.

Mas, antes que eu fique aqui falando sozinho, vamos ao que importa: o primeiro encontro de Otto e Marta na editora.

* * *

Quando Otto abriu a porta da sala, não fazia ideia do que o esperava naquela noite. Ao entrar, sentiu o ar quente e carregado. Lembrou da mulher aos pés de Marta, da discussão acalorada minutos atrás, mas ainda assim estava animado para aquela primeira conversa com a diretora – especialmente pela forma que ela já havia o seduzido na premiação. Entretanto, imaginou que tudo aquilo pudesse ser apenas fruto de sua imaginação fértil… até encarar Marta outra vez.

— Boa noite, Otto. Seja bem vindo! – disse ela, com a voz aveludada.

Otto fechou a porta, virou-se para responder e congelou… a cena era deslumbrante… Marta estava sentada na cadeira de couro, inclinada sensualmente para trás, com as pernas entreabertas deixando a fenda da saia expor boa parte das coxas, a blusa desabotoada quase até o umbigo revelando os seios redondos livres de sutiã, a pele oliva brilhando de suor, as mãos se abanando…

— Boa… noite… – murmurou ele, as palavras presas na garganta.

— Perdoe meu estado – disse Marta, notando o olhar fascinado dele. — Discussões me deixam com calor, ainda mais com o ar-condicionado quebrado.

“Muito gostosa”, era tudo o que Otto conseguia pensar.

— Sente-se. Vamos conversar sobre sua poesia.

— Claro, Sra. Montenegro – respondeu ele, afundando na poltrona à frente dela.

Marta se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, o que fez a blusa se abrir ainda mais, expondo completamente os seios fartos. Apoiada no queixo, com as mãos entrelaçadas sob o rosto, encarou Otto diretamente nos olhos. Seu olhar era felino, cada gesto calculado com a precisão de uma leoa e a sensualidade perigosa de uma puma.

— Lendo seus textos junto com Müller, percebi que têm muitos elementos eróticos neles. Um erotismo implícito e uma representação deliciosamente transgressora do sexo.

Otto tentava olhar nos olhos dela, mas seu foco vacilava… ora para o contorno perfeito dos seios dela, ora para o vão entre as coxas entreabertas. Sentia o calor subir pelas pernas, concentrando-se embaixo do ventre. Dentro da calça, seu pênis começava a inchar sem controle, formando um volume proeminente que ele tentava disfarçar cruzando as pernas.

— Fico feliz que tenha notado, Sra Montenegro, mas o que quer dizer exatamente?

— Que sua escrita me agradou, me envolveu… me excitou.

Marta se ergueu devagar diante de Otto, que permanecia sentado e mudo, hipnotizado. Parou bem à frente dele, imponente, mãos na cintura, o quadril alinhado à altura do rosto do rapaz. Otto só conseguia ouvi-la e observá-la, sentindo-se mais seduzido do que nunca, como se ela tivesse injetado nele uma toxina que despertava delírios lascivos e inflamava sua luxúria.

— Tão jovem e capaz de escrever coisas tão intensas… – murmurou ela, encarando-o profundamente. — Fiquei curiosa sobre seu processo criativo… ou melhor, sobre sua fonte de inspiração.

O tom da voz de Marta ficava cada vez mais perigoso, imobilizando Otto em sua teia de sedução. Sentado e paralisado, ele estava tão excitado que nem dez pernas cruzadas conseguiriam esconder a ereção evidente na calça..

— Escrevo sobre coisas que vivi – foi apenas o que ele conseguiu dizer.

— Interessante – disse ela, simplesmente. Aproximando-se ainda mais.

Num movimento fluido e preciso, Marta ergueu um pé e plantou a sola do coturno no peito de Otto, empurrando-o contra o encosto da poltrona. A saia lápis subiu o suficiente para expor a liga da meia, revelando a coxa firme e torneada.

— Então te darei inspiração para escrever o seu melhor texto.

Otto arregalou os olhos, espantado e hipnotizado, gravando cada detalhe daquela perna imponente que o mantinha preso. “Como alguém pode agir assim?”, pensava, o peito ardendo, suor escorrendo pelo torso, o pau latejando dolorosamente sob o tecido.

— Eu julgo já estar bastante inspirado agora – retrucou ele.

Sem retirar o pé, Marta deslizou a mão com firmeza entre as pernas dele, apalpando seu pênis e testículos. O rosto agora perto do dele, ela o fitava com olhar predatório.

— Posso te inspirar muito mais do que isso… é só me pedir.

Marta sentiu o pau de Otto latejar mais forte contra a palma da mão, pulsando violentamente a cada aperto deliberado que ela dava. Pressionou com mais força, sentindo as pulsações se elevarem a cada aperto.

— Eu… adoraria – a voz dele parecia um grunhido.

— Peça direito! – ela exigiu, pressionando mais.

— Eu quero… – gemeu Otto.

— Com mais vontade! – ordenou Marta.

— Por favor, Sra Montenegro! Imploro para que seja minha próxima fonte de inspiração! – suplicou, enfim.

A diretora saiu de cima do rapaz, encarou-o com malícia. Seu veneno já fazia efeito no corpo dele. Agora só lhe restava saborear sua nova presa.

— Agora sim – deu-se por satisfeita. — Ajoelhe-se!

— Sim, Senhora!

Marta esticou uma mão até a persiana, para fechá-la, mas antes captou os olhos gulosos de Thomas, o técnico de TI — seu voyeur habitual. Encarou-o diretamente e, apenas mexendo os lábios, disse “Hoje não”, balançando o dedo em negativa discreta. E a persiana desceu.

— Tire minhas botas, garoto!

— Sim, Senhora – disse, tirando-as.

— Agora o meu cinto!

— Sim, Senhora – ele desabotoou e puxou o cinto fino da saia.

— Prenda-o em seu pescoço, como uma coleira!

— O quê?! – hesitou um pouco.

— Prenda-o, agora!

— Sim, Senhora!!! – passou o cinto pelo próprio pescoço e o apertou como uma coleira improvisada.

Marta agarrou a ponta livre e puxou com força, colando o rosto dele contra sua coxa nua e quente.

— Sinta o meu cheiro!

— Como quiser – ele roçou o nariz na coxa dela, fungando devagar.

— Mais em cima! – puxando-o pelo cinto.

Conforme Marta ordenava – “Mais em cima!”, puxando-o pelo cinto –, Otto fungava, subindo, sentindo o perfume do hidratante dela misturar-se ao cheiro almiscarado. Quando chegou perto da virilha, ela ergueu a outra perna e a apoiou na poltrona, abrindo-se completamente. Otto ergueu os olhos e viu a calcinha encharcada, colada aos lábios inchados. “Esse é o cheiro”, pensou.

De repente, Marta agarrou sua nuca e colou o rosto dele contra a umidade quente. Otto roçou o nariz ali, inspirando fundo o aroma íntimo dela. Então ela o empurrou com força para o chão. Otto tentou se apoiar nos cotovelos, mas Marta plantou o pé descalço no peito dele, forçando-o a cair de costas no carpete.

— Você só faz o que eu permitir!

— Sim, Sra Montenegro.

De costas para Otto, Marta levou as mãos à barra da saia e a ergueu até a polpa dos glúteos. Em seguida, sentou-se devagar sobre o volume do pau dele e foi deslizando, ainda de costas, até sentir a umidade encostar na boca do rapaz. Posicionou-se de joelhos sobre o rosto dele, afastou a calcinha para o lado com os dedos e colou os lábios inchados – cheios de mel – diretamente na boca de Otto, beijando-o com a própria boceta.

Começou a rebolar devagar, para frente e para trás, esfregando-se nele. Uma mão segurava a calcinha de lado, a outra deslizava pela coxa dele por cima do jeans, circulando perto do pau sem tocá-lo diretamente. Otto sentia o gosto dela inundando sua língua, o cheiro do prazer, enquanto o pau, no limite, pulsava desesperado dentro da calça. Marta apenas provocava.

Passados quinze minutos, os espasmos começaram a se espalhar pelo corpo dela, fazendo-a intensificar seus movimentos. A língua dele pressionava o clitóris e o nariz roçava entre seus glúteos. Quando Marta sentiu seu ápice se aproximar, puxou-o ainda mais contra ela, pelo cinto, e apertou seu pau com força sobre a calça. Os fluidos escorreram dela, desaguando no rosto de Otto. Sentiu o pênis dele pulsando freneticamente sob o jeans, então o soltou. Deixando-o no quase.

Marta levantou-se rápido, com as pernas trêmulas. Vestiu-se em instantes; já Otto permaneceu deitado no chão, atordoado, processando: “Eu quase gozei só com isso… simples estímulos”.

— Bom menino. Obediente, como eu gosto!

— Terminamos, Sra Montenegro?

— Sim. Marcaremos outra reunião na próxima semana.

— Sim, senhora.

Horas depois, em casa, Otto deitou-se na cama e reviveu cada segundo daquela noite, obcecado pela imagem e os mistérios de Marta Montenegro. “Se ela tivesse segurado por mais alguns segundos…”, pensava, impressionado como nunca havia sentido tanto prazer daquele jeito antes. No banho, masturbou-se pensando nela, terminando o que ela havia começado na editora.

Marta era madura, experiente, dona absoluta do jogo da luxúria. Sabia exercer poder sobre os outros com precisão cirúrgica. Otto, por outro lado, era apenas um jovem universitário que, apesar de alguma bagagem, nunca havia encontrado uma mulher como ela.

Depois daquela noite, ele ficou completamente obcecado: queria a experiência completa, queria gozar com ela e para ela. Mas Marta detestava obsessão. Paixão e obsessão andavam juntas, exigindo prioridade – algo que uma mulher independente como ela jamais concedia. Iludidos como Otto acabavam ansiando por algo que ela nunca daria.

Como já disse: Assim era Marta.

* * *

Na semana seguinte, numa quarta-feira ao fim da tarde, Otto subiu no elevador com o coração acelerado. O sol se punha num gradiente quente e mórbido de cores. Cruzou com Thomas, o técnico de TI, um homem reservado. Na recepção, Flávia o cumprimentou com um sorriso simpático.

Ao entrar na sala da direção, ansioso por mais do que acontecera na primeira reunião, encontrou Marta e Mauro próximos à janela, sussurrando quase colados, café na mão, cigarros acesos e o pôr do sol iluminando-os por trás.

Otto fechou a porta, um estalo suave ecoou e os dois se viraram.

— Boa tarde! Devo voltar depois? – perguntou Otto.

— Não, estávamos te esperando – disse Marta.

— Chega mais, Otto. Temos muito pra conversar – completou Mauro, animado.

Marta saiu, deixando os dois discutindo sobre os textos, possíveis adaptações e diagramação. Ao passar, Otto notou uma marca roxa no pescoço dela – claramente uma chupada fresca. Ele sentiu um ciúme inesperado, imaginando Marta gemendo para outra pessoa.

— A Sra. Montenegro é casada? – interrompeu ele, cortando Mauro.

O redator deu um sorriso compreensivo.

— Só se for com o trabalho… ou com a luxúria.

Mauro percebeu o olhar de Otto seguindo Marta, viu que ele notara o hematoma devasso. Ele conhecia a diretora como poucos, não era um simples redator: era um um grande amigo, confidente e, também, um dos seus… servos mais antigos. Sabia que Otto corria risco de acabar como Júlia — obcecado e destruído. Decidiu observá-lo.

— Desculpe… nem é da minha conta – murmurou Otto, envergonhado.

— Um passo de cada vez, rapaz – falou, parecendo despretensioso.

A partir dali, os dois criaram uma amizade sólida. Mauro tornou-se a única pessoa na editora em quem Otto confiava de verdade. Trabalharam intensamente nos textos; Otto escreveu poemas novos, carregados de metáforas eróticas e simbologia, todos inspirados na fixação crescente pela diretora.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Otto entrou na copa e encontrou Marta. Ela tomou um gole do cappuccino e fitou Otto com olhar predatório. Ele acenou timidamente, meio emburrado, mas não resistiu a admirá-la de relance enquanto pegava chá. Ela estava impecável: pernas firmes em meias finas escuras, saia marrom de couro colada ao quadril, camisa branca desabotoada até o início dos seios. Notando os olhares dele, cruzou as pernas devagar, deixando a calcinha à mostra, e inclinou-se sobre a mesa, expondo o sutiã.

Otto sentiu o pau endurecer na hora. Desde aquela noite na sala, vivia obcecado pela próxima vez. Reuniu coragem, aproximou-se e perguntou baixo:

— Faremos aquilo de novo?

Marta lançou um olhar fulminante, agarrou o pau dele por cima da calça e puxou-o para perto.

— Quando eu quiser – sussurrou, apertando com firmeza. — Até lá, comporte-se.

Soltou-o abruptamente.

— Sim, senhora — respondeu Otto, quase gemendo, antes de se retirar rápido para a sala de Mauro.

Chegando em casa, tarde da noite, masturbou-se no banheiro, relembrando o cheiro e o aperto que ela lhe deu na copa.

— Aquela puta mandona me dominou – murmurou depois de gozar.

* * *

Um mês se passou e o fluxo na editora continuou o mesmo. Otto ainda aguardava ansioso o próximo encontro com Marta, quase como uma vingança pela espera.

Dias depois, Mauro anunciou que tudo estava pronto para o lançamento. As poesias de Otto eram o destaque da coletânea, que reunia outros autores iniciantes de regiões vizinhas. Otto viu o redator entrar na sala de Marta com os manuscritos na mão, animado. Logo em seguida, as persianas foram fechadas e a sala mergulhou num silêncio que durou quase uma hora.

Reuniões longas entre eles eram bem comuns. Entretanto, quando o redator finalmente saiu daquela, exalando seu perfume forte, sem suor, sem marcas ou qualquer sinal de sexo, Otto respirou com certo alívio.

Eventualmente, Otto flagrava outras situações incomuns: como no dia em que viu Flávia se levantando do colo de Mauro ajeitando a saia enquanto Thomas saía apressado com um volume evidente na calça; ou quando Mauro saiu da sala de Marta com marcas de corda nos pulsos e pescoço; ou como noutro dia que Flávia e Thomas sufocavam gemidos e apertavam as coxas, toda vez que Marta mexia em um aplicativo no celular.

Apesar de tudo, ele se esforçava para manter o foco no trabalho e não ficar pensando naquelas coisas.

* * *

Até que, uma semana após o lançamento do livro, Otto finalmente recebeu a tão aguardada segunda dose. Quase sem esperanças, ele atendeu ao chamado de Marta já depois das nove da noite. Ela o esperava na poltrona de couro, apenas de sutiã e saia – sem meias, sem calcinha, sem sutiã e… sem pudor.

— Venha de joelhos até mim!

— Sim, senhora.

Sob o reflexo da lua cheia que entrava pela janela, Otto rastejou até ela, tirando as roupas conforme as ordens: “Tire a camisa…”, “O cinto…”, “Agora a calça…”. Diante dos pés dela, o pau latejava preso na cueca. Marta o apalpou suavemente por cima do tecido, fazendo-o estremecer, antes de puxar a última peça e libertá-lo.

Marta subiu a saia até a cintura e abriu as pernas, revelando sua nudez. Otto segurou o pau e foi levantando, afoito, mas ela o empurrou de volta e deu-lhe um leve tapa no rosto.

— Continue de joelhos, seu putinho! Você só faz o que eu mandar.

— Sim, senh… – foi interrompido abruptamente por um puxão de Marta. Levando-o de cara até sua boceta molhada.

— Dê o seu melhor!

— Uhum – grunhiu, abafado, com a boca pressionada contra os lábios profanos dela.

Marta movia o quadril precisamente. Otto a lambia de cima para baixo, do clitóris à entrada do ânus. Ela soltava gemidos ofegantes, esfregando-se nele, intensificando os movimentos. Sentiu o corpo esquentar e tremer cada fibra. Recebia sucessivos beijos de língua na boceta. Gozou intensamente, com um grito grave, quando teve o clitóris, inchado e sensível, sugado com força.

Puxou-o pelos cabelos, trêmula e gemendo, e deu-lhe mais alguns tapas no rosto, seguidos de xingamentos safados. Livrou-se da blusa e da saia, ficando completamente nua. Ajoelhou-se de frente com Otto, encaixando uma das pernas entre as dele – resvalando por baixo do pau. Começou a roçar a boceta melada de gozo em cima da coxa dele e agarrou o seu pau com a mão, masturbando-o.

De repente, ela parou tudo. Soltou o membro rígido, que latejava no ar, e empurrou Otto de costas no carpete. Montou nele com uma agilidade felina, posicionando a entrada da boceta bem na cabeça do pau. Desceu devagar, engolindo-o inteiro até os testículos dele encostarem na sua bunda. Os seios dela balançavam acima do rosto dele, que tentou apertá-los, mas Marta o prendeu contra o chão com as próprias mãos, dominando-o.

Quando sentiu Otto no limite, Marta acelerou, a polpa da bunda batia forte contra as coxas dele. Preso e dominado, ele mordia os lábios para conter os gemidos.

— Pode gozar agora! – sussurrou no ouvido dele, mordendo seu lóbulo.

Otto obedeceu e, quando iniciou seu urro gutural de júbilo, Marta desmontou rápido e sentou sobre as coxas dele. Jatos grossos de porra espirraram do abdômen ao peito, melando-o inteiro. Segundos depois, ela gozou de novo, roçando o clitóris com as pontas dos dedos, esguichando sobre o corpo do jovem amante.

— Eu estava sonhando com isso… – disse Otto, sujo, exausto e rendido.

— Pois é hora de acordar, garoto. Limpe-se e vá. Tem toalhas no banheiro.

— E quando posso voltar a sonhar?

— Semana que vem… teremos nossa reunião mais importante.

— Sim, senhora – levantou-se devagar, ainda trêmulo e extasiado.

No banheiro da sala de Marta, Otto parou diante do enorme espelho e sorriu, idiotamente feliz. A obsessão pela diretora havia virado paixão irreversível. Sentiu que era tarde para voltar atrás.

Abriu o armário, entre perfumes e hidratantes, pegou uma caixa de lenços e limpou os fluidos espalhados pelo corpo. Ao abrir o lixo para jogar os lenços sujos, deparou-se com dezenas de preservativos usados amontoados. Sentiu uma pontada no peito. Já sabia que Marta tinha vários amantes, mas ver cada sinal era doloroso e o fazia querer ela ainda mais só para ele.

Ao devolver a caixa, notou um perfume masculino entre os frascos dela. Borrifou no ar: o mesmo cheiro forte e inconfundível de Mauro Müller.

— Desgraçado!!!

Tomou um rápido banho, vestiu-se com pressa e saiu do banheiro pensando em interrogar Marta sobre aquilo, Mas a sala estava vazia. Pegou suas coisas e saiu.

No corredor, ela conversava animada com Mauro, os dois rindo de algo. Otto os ignorou, seguindo a passos largos para o elevador.

Marta notou a estranheza repentina do rapaz, mas permaneceu fria como sempre. Imaginou que ele se empolgaria assim que soubesse da proposta que uma das maiores editoras nacionais acabara de enviar para ele. Mauro, sabendo da obsessão, via a situação como perdida para Otto.

“Não tem mais jeito…”, pensou Müller.

* * *

Mais uma semana se passou, trazendo a temporada de chuvas e ventos fortes de agosto. A terceira reunião estava marcada para uma sexta-feira às 15h. Otto seguia em sua moto, uma 150cc – recém-comprada –, mas um temporal o forçou a se abrigar por um tempo, fazendo-o atrasar mais de uma hora.

— A Sra. Montenegro parece bem animada hoje – comentou Flávia ao recebê-lo na entrada.

Marta realmente estava animada, mas para entregar a Otto a proposta irrecusável da importante editora. Para surpresa dela, o rapaz recebeu a notícia com indiferença.

— Então era só isso?! — retrucou ele, arrogante

— “Só isso”?! Você só pode tá ficando maluco… “Isso” é “só” o seu futuro, moleque! – disse a diretora, jogando os papéis do pré-contrato sobre a mesa.

— Quer se livrar de mim… como fez com a Júlia!

Marta fechou os olhos, respirou fundo e conteve a resposta impulsiva. Via o mesmo filme se repetir.

— Aqui está sua grande oportunidade na literatura – disse ela, colocando os papéis no colo dele. — Pense bem, porque aqui você não dá mais certo.

As palavras caíram como rochas sobre Otto. O corpo formigou, a visão embaçou ao imaginar a vida sem Marta e perdeu o controle.

— Desgraçada! – gritou, segurando as lágrimas. — Fui mais um brinquedo teu!

— Saia daqui agora! – ordenou com firmeza.

Otto apertou o pré-contrato com força entre os dedos e saiu da sala agitado, fugindo daquele instante nebuloso que o sufocava.

Já Marta, sob um estresse extremo, convocou uma “reunião” de última hora, com Mauro, Flávia e Thomas.

* * *

Horas depois, Otto retornou arrependido à editora, decidido a se desculpar com Marta. Iria entregá-la o pré-contrato assinado e acabar com aquilo de uma vez, mas encontrou a sala vazia. “Já deve ter ido”, pensou.

Ao sair, reparou fios de luz escapando pelas brechas da porta e das persianas da sala de reuniões, no fim do corredor mal iluminado. Caminhou até lá, devagar. Aproximando-se, ouviu gemidos baixinhos: “Aahn!!!” – sentiu um frio na espinha, soava como Marta. Depois outro, mais agudo, de mulher diferente: “Aaahn!!!”. Em seguida, um gemido grave masculino: “Mmm!!!”. O coração de Otto disparou e a curiosidade o oprimia.

Brechou com cuidado pelas persianas entreabertas. Primeiro viu Thomas sentado no sofá, camisa aberta até o peito, terno e calça jogados ao lado, pau ereto para fora da cueca, masturbando-se devagar com olhar faminto, fixado no centro da sala.

“Thwack!!!” – um estalo seco ecoou, seguido de um gemido agudo feminino. Otto rastejou por baixo da janela de vidro para ganhar melhor ângulo. “Thwack!!!” de novo. Ergueu-se e espiou: Flávia, a secretária, de quatro sobre a mesa de reuniões, nádegas erguidas, chupava Mauro enquanto era lambida por trás por outra mulher que segurava um flogger vermelho trançado na mão.

Thomas assistia a tudo, a mão subia e descia devagar pelo pau, com os olhos fixos no trio. De repente, Otto identificou a mulher atrás de Flávia: era Marta, sua obsessão, erguendo o flogger vermelho… “Thwack!!!” – o estalo ecoou nos glúteos da secretária e depois no redator. Marta e Flávia dividiam o pênis grosso de Mauro, exibiam-se para Thomas enquanto fodiam violentamente sobre a mesa de reuniões.

Otto era puro ciúme e raiva.

Mauro penetrava Marta com brutalidade, enquanto Flávia montava no rosto dela, esfregava a boceta. “Thwack!!!” – o flogger estalava nas peles. As duas entrelaçaram as pernas como tesouras, roçando as bocetas encharcadas, revezando o pau de Mauro nas bocas, gemendo cada vez mais alto até gozarem uivando como lobos. Thomas esperou o clímax deles para jorrar sua porra pelos ares, enquanto se dissolviam em cima da mesa.

Durante horas, Marta chupou, beijou, bateu, beliscou, mordeu, chicoteou e, por fim, regozijou com prazer e crueldade.

Otto não ficou para ver aquilo. Ao reconhecer Marta, jogou os papéis assinados no chão do corredor, escreveu “VADIA!” na porta com um batom dela e saiu correndo, ardendo em cólera.

Mais tarde, Marta encontrou os papéis e o rabisco na porta. Deduziu o óbvio. No fundo, não queria que acabasse assim – queria dar tempo para Otto com sua nova promessa premiada. Mas subestimara a imaturidade dele, seduzindo-o erroneamente para seu jogo de luxúria.

Na noite seguinte, Otto foi chamado para assinar a rescisão de contrato com a Pólen. Acelerou a moto pelas ruas encharcadas, parou sob um viaduto escuro, protegendo-se da tempestade, e avistou um bar vagabundo ali perto. Encheu a cara de vodca, remoendo na lembrança a dor que Marta causara nele.

O álcool logo subiu à mente, sentiu-se arrependido, chorou e decidiu fazer uma última tentativa de ficar na Pólen. Pagou a conta e pilotou bêbado pela escuridão

Isso nos leva ao ponto inicial deste conto – que é o fim.

* * *

Otto caminhou lentamente pelo corredor da editora – a roupa molhada, gotas de chuva e suor escorrendo pelo rosto –, pensando no que diria para convencer Marta a deixá-lo ficar depois de tudo. Quando entrou na sala, ela estava ainda mais deslumbrante naquela noite, como se preparada para uma ocasião especial.

Ele externou arrependimentos e desejos, mas ela reagiu com frieza. Desesperado, ajoelhou-se aos pés dela, suplicando.

— Não quero crescer longe de você! – gritou em certo momento.

— Ponha-se de pé, agora! – ordenou ela.

— Não me obrigue a implorar!!!

— Não estou. Levante-se!

O ambiente pesava a cada palavra dita por eles. Eis que a porta se abriu: era Lucrécia, 27 anos, beleza angelical, a nova revelação premiada para a segunda coleção.

— Boa noite, Sra. Montenegro — disse ela, vendo Otto no chão. — Quer que eu espere?

Otto, encarando Marta com a rescisão nas mãos, sussurrou:

— Marta, por favor… estou aqui, suplicando aos seus pés!

— Pode entrar, Lucrécia. Já estamos terminando — respondeu ela, sem desviar o olhar dele.

Foi quando Otto olhou para a nova garota, viu sua beleza e sensualidade, percebeu a forma alienada que já olhava para a diretora. Olhou uma última vez para Marta e pensou: “Grande bosta… ela sempre terá alguém aos seus pés.”

Assinou o documento, entregou a ela e, ao passar por Lucrécia, murmurou:

— Aproveite, você é a próxima.

E sumiu pelo corredor em direção ao elevador.

* * *

No ano seguinte, Otto lançou seu primeiro romance pela grande editora nacional. O trabalho ganhou prêmios significativos, tornando-o a revelação mais promissora do ano literário.

Marta Montenegro foi ao lançamento prestigiá-lo e foi presenteada por ele com um exemplar. Ela adorou.

Aah, o título da obra, não é?! Perdão, já ia me esquecendo. Pois bem: “Você Sempre Terá Alguém aos Seus Pés”.

[ F I M ! ]

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• NOTA DO AUTOR:

Conto escrito para o 2º Desafio Pirata – Música. É uma releitura livre da música de mesmo título da banda “LUDOVIC”. Aos que tiveram paciência de ler até o final, peço que deixem suas considerações abaixo. A interação entre nós é sempre importante.

Forte abraço e uma ótima semana a todos!

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