O Foco da conversa na cozinha de alguma forma tinha migrado do concentimento ou não do Eduardo ter relações sexuais com a namorado no quarto para um possivel relacionamento de Gustavo. O ar ficou pesado demais, sufocante. Gustavo sentiu o rosto queimar e, sem conseguir suportar mais um segundo daquela exposição, escapou rápido em direção ao portão.
Foi quando quase colidiu com o corpo suado e quente de Luiz Felipe.
_ Gustavo!
A voz grave o fez congelar. O vizinho estava ali passando em direção a sua casa, kimono de jiu-jitsu entreaberto, o tecido úmido grudado na pele, revelando o peitoral esculpido, os gomos do abdômen brilhando de suor, os mamilos escuros e endurecidos pelo ar fresco da noite.
_ Desculpa… eu… nem te vi _ murmurou Gustavo, a voz saindo arrastada, rouca, os olhos descendo involuntariamente pelo caminho que o suor fazia entre os músculos antes de se perderem na cintura baixa do kimono.
Luiz Felipe inclinou a cabeça, um sorriso lento e predador surgindo.
_ Tá tudo bem, Tavinho? _ perguntou baixo, quase num ronronar, aproximando-se um passo.
Gustavo engoliu em seco. O cheiro de Luiz Felipe invadiu suas narinas: suor limpo, tecido quente, um toque de desodorante masculino e algo mais… algo que fazia o seu corpo todo se arrepiar e não era frio, muito pelo contrário.
_ Tô… muito bem. Quer dizer… sim. Tô bem. Meu irmão tá lá dentro.
_ Ele me mandou mensagem dizendo que não ia treinar hoje, mudaram o turno na fábrica _ explicou Luiz Felipe, mas seus olhos não estavam na conversa. Estavam na boca entreaberta de Gustavo, na forma como a garganta dele subia e descia nervosamente.
_ O Edu ficou puto… mas é só essa semana _ Gustavo mal conseguia formar frases completas.
O moreno deu mais um passo. Agora estavam perto demais. O calor do corpo dele parecia queimar a pele de Gustavo mesmo sem encostar.
_ E você? Como foi o trabalho? Tirou muitas fotos hoje? _ perguntou Luiz Felipe, mas a voz saiu mais grave, mais lenta, como se estivesse acariciando cada sílaba.
_ Não… fiquei mais na edição… _ Gustavo respondeu quase num sussurro. _ E você? O braço… não é melhor esperar melhorar antes de treinar?
_ Tô bem. _ Luiz Felipe ergueu o braço machucado devagar, exibindo a faixa improvisada. _ Só vou fazer aquecimento, uns movimentos leves… não vou rolar. Mas sabe como é… gosto de manter o corpo em movimento.
O jeito que ele disse “movimento”, a forma como ele estufou o peito deixando seu corpo ainda mais à mostra fez um arrepio descer pela coluna de Gustavo.
_ Sei… e seu irmão? Não foi treinar também?
_ Aquele ali ta de rolo, atendeu uma ligação e sumiu. A sorte dele é que nossa mãe pegou plantão hoje.
_ Se quiser… eu posso te ajudar com os curativos _ ofereceu Gustavo, a voz tremendo de leve enquanto estendia a mão e tocava o antebraço dele. Os dedos deslizaram devagar sobre a pele quente, úmida, sentindo os músculos rijos sob a superfície. Ele demorou mais do que o necessário, acariciando com as pontas dos dedos, quase uma carícia.
Luiz Felipe soltou o ar devagar, um som baixo e rouco.
_ Seria bom contar com você… _ murmurou, inclinando o corpo para frente, diminuindo ainda mais o espaço entre eles.
_ Só pra te agradecer… por tudo. Por me proteger.
A mão grande e calejada de Luiz Felipe subiu devagar até o rosto de Gustavo. As costas dos dedos roçaram a bochecha, desceram até a linha do maxilar, depois traçaram o contorno do lábio inferior com uma lentidão torturante.
_ Eu nunca deixaria ninguém te machucar, Tavinho… nunca _ sussurrou ele, os olhos negros cravados nos dele, a respiração quente batendo na boca entreaberta de Gustavo.
Os lábios dos dois estavam a centímetros. Gustavo sentia o calor que saía da boca dele, o cheiro doce e salgado da respiração, o leve tremor que percorria o corpo enorme à sua frente. Seus próprios lábios se entreabriram por instinto, quase implorando.
E então…
_ Gusta! O jantar tá na mesa! _ A voz de Eduardo cortou o ar como faca. O Portão semi aberto foi violentamente escancarado
_ Luiz? Luizão? Que porra vocês tão fazendo aí fora?
Os dois se separaram num sobressalto, mas o olhar que trocaram ainda queimava.
_ Nada… só conversando _ respondeu Gustavo, a voz falhando, o rosto vermelho, os lábios ainda úmidos de antecipação.
_ Bom, eu já vou indo… _ começou Luiz Felipe, mas Eduardo não permitiu.
_ Nada disso. Você vai entrar e jantar com a gente.
_ Valeu Edu, mas não vai dar eu… eu… Tô de kimono, Edu…
_ E qual o problema? Melhor ainda. Vem.
Sem dar chance de recusa, Eduardo passou o braço pelos ombros largos de Luiz Felipe e praticamente o arrastou para dentro, gritando para a mãe colocar mais água no feijão.
Na mesa, Luiz Felipe sentou-se bem ao lado de Gustavo.
Durante todo o jantar, os joelhos se esbarravam “sem querer”. A coxa musculosa pressionava de leve contra a de Gustavo, um contato constante, quente, deliberado. Quando alguém falava, Luiz Felipe virava o rosto para responder, mas seus dedos _ escondidos pela toalha de mesa _ roçavam de leve a parte interna da coxa de Gustavo, subindo e descendo num carinho lento, quase imperceptível.
Depois do jantar, a conversa voltou ao mesmo assunto.
_ Eu acho que você devia vir treinar com a gente, Gusta _ disse Eduardo. _ Quem sabe deixa de ser mole e aprende a se defender de um bêbado idiota como aquele do bar.
_ Eduardo, mais respeito quando falar do seu irmão.
Gustavo revirou os olhos
_ Concordo com a sua mãe pela forma grosseira como você expôs o assunto, mas tem meu apoio quanto a volta do Gustavo treinar, na minha opinião ele nem deveria ter saido do mundo dos esportes.
_ Eu não gosto de Violência pai.
Ouvindo a resposta de Gustavo, Luiz Felipe se inclinou, a voz baixa e aveludada quase roçando a orelha dele:
_ Jiu-jitsu não é violência, pequeno… _ sussurrou, só para Gustavo ouvir e continuou para que todos ouvissem . _ Jiu jitso é controle. É dominar o outro usando o mínimo de força. É aprender a prender, imobilizar… fazer o corpo do outro obedecer ao seu. _ A mão dele deslizou por baixo da mesa e apertou de leve a coxa de Gustavo, os dedos fortes cravando na carne macia. _ É disciplina… e muito, muito prazer no esforço.
Gustavo prendeu o ar. Sentiu o pau pulsar dentro da calça só com aquelas palavras e aquele toque.
_ Olhando por esse lado… mas eu… não tenho força, não sou forte como você ou meu irmão _ conseguiu dizer, a voz fraca.
Luiz Felipe sorriu, os olhos Mel brilhando.
_ Não vou mentir que com certeza a força ajuda, mas no início você aprende a usar a força do outro contra ele… _ continuou, os dedos subindo perigosamente mais um pouco. _ Depois vem o gosto. A vontade. O desejo de ficar mais forte… mais duro… mais resistente. E eu prometo _ ele apertou de novo, devagar, possessivo _ que eu te ajudo em cada etapa. Te ensino tudo… do jeito que você quiser aprender.
_ Com certeza isso eu apoio, melhor do que aquela ideia ridícula de fazer vôlei.
Diz Eduardo.
_ Eduardo!
Contesta Manu dando um beliscão na lateral do namorado
_ E qual o problema de eu ir jogar vôlei?
Questiona Gustavo.
_ Volei é esporte de fresco.
Maria Eduarda balança a cabeça negativamente colocando uma mão no rosto.
_ Eu não acredito que estou ouvindo isso Eduardo!
_ Desculpa Edu, mas nada haver isso ai. Você está misturando sexualidade com esporte e uma coisa não tem nada haver com a outra.
_ De onde você tira essas coisas, garoto? Não foi isso que seu pai e eu te ensinamos.
_ Qual é mãe é só assistir a um jogo na tv ou mesmo na quadra de vôlei no poliesportivo quem está lá jogando vôlei? Mulher e viado!
_ Chega Eduardo!
Repreende o filho Mirim.
_ Pra mim ja deu, Dona Miriam seu Jorge o jantar estava delicioso como sempre, mas acho melhor eu ir embora.
_ Amor, que isso, por favor fica.
Implora Eduardo.
_ Do jeito que estou nervosa agora Eduardo é melhor você ficar bem longe de mim. Gusta, até amanhã no trabalho, tchau Luiz. Boa noite a todos.
_ Espera Manu eu vou com você.
Maria Eduarda sai da casa furiosa com a forma preconceituosa com que o namorado se comportava na mesa, Luiz Felipe também se despede e vai embora seguido por Gustavo.
Ao sair no portão, Luiz Felipe olha para trás e ao ver o jovem Gustavo o questiona.
E aí vai cumprir com sua promessa e me ajudar com os curativos?
Autor Mrpr2