Luana: Quando o Passado Cala, o Corpo Fala - O recomeço em Uburici

Um conto erótico de Luanaa
Categoria: Heterossexual
Contém 1284 palavras
Data: 20/01/2026 10:46:50

Meus amores, que alegria voltar aqui e falar com vocês com o coração um pouco mais leve. A vida tem dessas coisas: às vezes ela passa como um vendaval, bagunça tudo, derruba certezas, expõe desejos que a gente fingia não ter… e depois, quando o caos baixa, sobra silêncio, aprendizado e uma chance rara de recomeçar.

Depois daquela última noite que passamos — depois de todo o caos envolvendo a Clara, mulher do Maurício, do meu aniversário que foi um fiasco e, principalmente, de ver a Luiza deitada de conchinha com o meu Jonas — tudo ficou meio sem graça, meio morno. A vibe simplesmente mudou.

Eu fiz de tudo pra evitar qualquer novo lance entre mim, Jonas, Luiza e Pedro. Não queria, de jeito nenhum, que aquela cena da Luiza agarrada com o Jonas se repetisse. A Luiza até estranhou meu afastamento, e quando questionei, expliquei que precisava dar um tempo pra tentar reorganizar meu casamento. Ela não curtiu muito, deu pra sentir.

O Pedro até que levou numa boa. Apesar de, vez ou outra, tentar roubar uns beijos no elevador… mas acho que, no fundo, ele entendeu. Ou quis entender.

Já o Jonas… ah, o Jonas não me olhava mais do mesmo jeito. Aquele brilho no olhar tinha sumido, e isso doía. Eu sabia que precisava reconquistar aquilo. O curioso é que, quando ele olhava pra Luiza, o sorriso vinha fácil, quase automático.

Mesmo assim, esse afastamento íntimo meio forçado acabou ajudando. Pelo menos evitou que meu relacionamento, que já estava todo desgastado, se esfarelasse de vez.

Depois de tudo o que vivi — a mansão misteriosa, aquela noite que nunca mais saiu da minha pele, a orgia que escancarou desejos que estavam enterrados, o jogo perigoso de seduzir a Luiza e vê-la se entregar ao Jonas, o jeito como ela acabou se apaixonando por ele sem perceber — eu achei que nada mais fosse me surpreender. Mas me enganei.

As investidas insistentes do Maurício quase destruíram meu casamento. O meu ex-chefe, com aquele plano sujo e doentio, conseguiu me colocar contra a parede, me expor, me fragilizar. Houve momentos em que eu realmente acreditei que Jonas iria embora. Que tudo o que construímos tinha sido contaminado demais para sobreviver.

Mas não foi assim.

Três meses antes da mudança, Jonas chegou em casa diferente. Não tenso. Não distante. Diferente de um jeito sereno. Sentou ao meu lado, me olhou com aquele olhar que eu conhecia tão bem — firme, profundo, honesto — e me contou da proposta de trabalho numa cidade pequena, longe de Florianópolis, longe das memórias pesadas, longe das pessoas que sabiam demais da nossa vida.

Não foi uma decisão imediata. Conversamos muito. Fizemos amor. Jonas deixou claro que não queria fugir de mim, nem do que vivemos. Queria esquecer o passado. E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti que estávamos do mesmo lado.

Viemos juntos.

Urubici nos recebeu com uma calma quase desconcertante. Pequena, cercada de verde e montanhas que pareciam guardar segredos antigos, a cidade tinha ruas sem pressa e um silêncio que não incomodava — acolhia. O ar era frio pela manhã, limpo, com cheiro de terra e de começo novo. Nada ali lembrava o excesso de Florianópolis. Em Urubici, as casas eram baixas, as pessoas se cumprimentavam pelo nome e ninguém parecia interessado em saber de onde viemos ou o que deixamos para trás. Era como se a cidade nos oferecesse um acordo silencioso: vocês ficam, eu cuido do resto.

A cidade era menor do que eu imaginava. Mais silenciosa. O ar tinha cheiro de manhã limpa. De terra. De vida simples. Nos primeiros dias, confesso: senti falta do caos de Florianópolis, do barulho, da pressa, das esquinas que conheciam meus segredos. Me senti deslocada. Uma mulher intensa demais para ruas tão calmas.

Mas algo em mim começou a mudar.

Acordava cedo, abria a janela e sentia aquele vento atravessar meu corpo como um carinho. Eu me sentia… mais nova. Não no espelho, mas por dentro. Jonas também parecia outro homem. Mais leve. Mais presente. Ele não tocava mais nos assuntos do passado. Não perguntava, não acusava, não revivia fantasmas. Era como se tivéssemos feito um pacto silencioso: o que ficou pra trás, ficou.

E eu estava amando tudo.

Nossa casa era simples, mas acolhedora. Havia desejo nos corredores, nos olhares, nos toques aparentemente distraídos. Eu provocava Jonas o tempo todo. Um beijo mais demorado na cozinha. Um sussurro quando ele estava concentrado. Um toque lento no fim do dia. Eu queria ele inteiro. E ele me respondia com aquela mistura deliciosa de controle e entrega.

Jonas começou a frequentar a academia da cidade. Voltava com o corpo quente, a pele levemente salgada, os olhos brilhando. Eu o observava trocar de roupa como quem aprecia uma obra de arte particular. Às vezes eu não dizia nada. Só chegava perto, encostava, deixava claro que eu ainda sabia exatamente como enlouquecê-lo.

E enlouquecia.

Havia noites em que não precisávamos de palavras. Bastava o jeito como ele me puxava pra perto, como me prendia contra o próprio corpo, como o desejo vinha carregado de intimidade, não de urgência. Era diferente de tudo que vivemos antes. Mais maduro. Mais intenso.

Sentíamos falta do Pedro e da Luiza. Falávamos deles com carinho. As mensagens eram frequentes. Risadas por chamada de vídeo. Confissões leves. Eles continuavam juntos, fortes, do jeito deles. A distância não abalou nossa amizade, apenas a transformou. Às vezes, à noite, eu lembrava da Luiza com saudade — não de desejo, mas de cumplicidade feminina, daquela conexão rara que só algumas mulheres entendem.

Para não trazer de volta os fantasmas do passado, fiz um acordo comigo mesma. Passei a prestar serviços de assessoria remota em contabilidade para empresas de fora. Trabalhar de casa, no meu ritmo, sem precisar provar nada pra ninguém. Foi libertador. Pela primeira vez, eu sentia que estava no controle da minha própria história.

Jonas, por sua vez, estava feliz. Muito feliz. A equipe da nova empresa o acolheu bem. Ele entregava resultados, se destacava, voltava pra casa orgulhoso. Isso refletia em nós. Um homem satisfeito transborda. E eu bebia desse transbordamento com prazer.

Foi nessa fase que conheci a Luciana.

Jovem, universitária, evangélica, noiva do Danilo. Filha de um fazendeiro conhecido na cidade. Tão diferente de mim que, talvez por isso mesmo, nos demos tão bem. Ela tinha uma doçura tranquila, uma fé serena, um jeito de ouvir sem julgar. Tornou-se uma presença boa na minha rotina. Uma amizade inesperada, limpa, sem segundas intenções.

Luciana entrou na minha vida na academia, num dia em que eu ainda me sentia deslocada na nova rotina. Ela lutava para ajustar um aparelho, visivelmente perdida, e algo me fez parar para ajudar. A conversa foi simples, o gesto foi pequeno, mas suficiente para criar uma conexão imediata. No dia seguinte ela voltou, depois no outro, e logo passamos a treinar juntas, sem pressão, apenas pela companhia.

Com o tempo, Luciana revelou um jeito doce e tranquilo: universitária, evangélica, noiva, com fé e sonhos bem definidos. Aos poucos, tornou-se essencial para que eu me sentisse mais em casa naquela cidade. Depois dos treinos, conversávamos sobre coisas leves, até que surgiam perguntas sobre minha vida em Florianópolis e o motivo da mudança. Eu respondia com cuidado, falando apenas da amizade com Luiza e de Pedro como um amigo querido, evitando qualquer detalhe íntimo do nosso passado. Para Luciana, éramos apenas dois casais amigos.

Ela conhecia Jonas só pelos meus relatos, nunca pessoalmente, já que treinávamos em horários diferentes. Em casa, eu contava a ele sobre essa nova amizade, e Jonas ficava muito feliz em me ver criando raízes e mais leve.

Naquela cidade, eu era apenas Luana — alguém que treina, trabalha, ama e constrói uma nova vida.

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Comentários

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aposto que ela vai esttagar tudo novamente

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Certeza, o Jonas vai se apaixonar na Luciana, Luana vai chamar ela pra cama dos dois e vão fuder o relacionamento deles de novo

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De quebra a Luana vai adorar ser a amante do Danilo

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