Nunca imaginei que seria assim. Que a coisa mais humilhante da minha vida seria também a mais erótica. Que o veneno e o antídoto pudessem vir da mesma fonte, que a degradação pudesse ser o caminho para algo que meu cérebro interpreta como transcendência. Mas aqui estou eu, Daniel, quarenta e dois anos, arquiteto premiado, homem que projeta edifícios que desafiam a gravidade, incapaz de explicar por que minha própria estrutura psicológica desmorona e se reconstrói toda vez que vejo minha esposa com outro homem.
Mariana não sabe. Ainda não. E esse é o tormento delicioso que me corrói por dentro como ácido lento.
Tudo começou há seis meses, numa conferência em São Paulo. Eu tinha apresentado um projeto na parte da manhã e voltei para o hotel mais cedo, com aquela exaustão satisfeita de quem cumpriu bem seu papel. Mariana tinha ido ao spa do hotel. Peguei o elevador até nosso andar, o décimo terceiro, e quando a porta se abriu, vi algo que deveria ter me destruído mas que, em vez disso, plantou uma semente obscena no solo fértil da minha psique.
Ela estava no corredor, encostada na parede ao lado da nossa porta. Vestido azul-marinho justo, aquele que realça cada curva do corpo dela que conheço de memória. Mas não estava sozinha. Um homem - alto, bronzeado, maxilar quadrado que parecia saído de um comercial de perfume - tinha a mão na cintura dela, a outra apoiada na parede acima de sua cabeça. Estavam rindo. Mariana jogou a cabeça para trás daquele jeito que ela faz quando algo a diverte genuinamente, expondo a linha branca do pescoço dela, aquela curva que sempre me faz perder o fôlego.
Devia ter avançado. Devia ter dito algo. Mas fiquei paralisado atrás da esquina do corredor, observando.
Ele se inclinou. Vi os lábios dele se moverem perto da orelha dela. Mariana mordeu o lábio inferior - aquele gesto inconsciente que ela faz quando está sendo provocada, quando está interessada. Meu estômago despencou. Meu coração acelerou. E para meu horror absoluto, senti meu pau endurecer dentro das calças sociais.
Não foi gradual. Foi instantâneo, brutal. Uma ereção tão intensa que doeu contra o tecido, pulso após pulso de sangue enchendo meu pau enquanto eu observava minha esposa - *minha* esposa - ser seduzida por um estranho a três metros de distância.
Eles não transaram. Não ali, não naquele dia. Eventualmente ela se afastou com um sorriso, entrou no quarto. Ele ficou ali por um momento, ajustando a própria ereção óbvia através das calças antes de seguir pelo corredor. Esperei cinco minutos inteiros antes de conseguir me mover, antes que meu pau amolecesse o suficiente para eu caminhar sem parecer um adolescente no primeiro dia de aula.
Quando entrei no quarto, Mariana estava no chuveiro. Cantarolava alguma música pop. Feliz. Excitada, percebi pelo tom da voz. Sentei na cama e enfiei a mão dentro das calças, me masturbando com violência quase raivosa enquanto ouvia a água do chuveiro e imaginava aquele homem fazendo o que eu não tive coragem de interromper.
Gozei em menos de dois minutos. Jorrei no meu próprio punho com tanta intensidade que vi estrelas, o orgasmo arrancado de mim como confissão sob tortura. E depois, a vergonha. Densa, sufocante, me cobrindo como mortalha.
Limpei a mão, troquei de roupa, agi como se nada tivesse acontecido. Mariana saiu do banho radiante, me beijou, perguntou sobre a apresentação. Não mencionou o homem no corredor. Eu também não.
Mas aquela noite, quando a penetrei - devagar, metodicamente, do jeito que ela gosta - tudo que conseguia ver era aquele homem, aquelas mãos grandes na cintura dela, aquele maxilar pressionado contra o cabelo dela. Gozei pensando nisso. Gozei imaginando que não era eu dentro dela, que eu estava apenas observando do canto escuro do quarto enquanto outro homem a fodia.
A vergonha depois foi ainda pior. Mariana adormeceu satisfeita, enrolada em mim. Fiquei acordado até as quatro da manhã, tentando decifrar meu próprio código, entender a arquitetura dessa compulsão que tinha se instalado em mim como vírus.
***
Nos meses seguintes, virou obsessão. Comecei a fabricar oportunidades. Sugeria que Mariana saísse mais com as amigas, que fosse àquele bar novo que abriu no bairro, que usasse aquele vestido que deixa as costas nuas. Ela achava estranho - eu sempre fui o tipo ciumento, o tipo que franze a testa quando garçons flertam com ela - mas aceitava meu novo entusiasmo como evolução, maturidade do relacionamento.
Eu a seguia. Não todas as vezes, mas frequentemente o suficiente para alimentar essa fome que crescia dentro de mim. Ficava em cantos estratégicos de bares, me escondia em estacionamentos, observava.
Mariana é linda de um jeito que não é óbvio na primeira olhada. Não é a beleza escandalosa que para o trânsito. É algo mais sutil, mais devastador quando você finalmente percebe: a inteligência feroz nos olhos castanhos, o jeito que ela gesticula quando fala sobre literatura russa, as sardas invisíveis exceto de perto que cobrem os ombros dela. Aos trinta e oito anos, ela tem o corpo de quem pratica yoga religiosamente - músculos longos e definidos, seios pequenos e firmes, a curva da cintura que desce para quadris que pedem para ser segurados com força.
Homens percebiam. Obviamente percebiam.
Assisti um cara comprar três drinks para ela num rooftop bar antes de ela educadamente declinar o quarto e voltar para as amigas. Observei um bartender tatuado anotar o próprio número no guardanapo que acompanhou o cosmopolitan dela (ela jogou fora sem olhar). Vi um empresário de meia-idade, todo charm ensaiado e relógio caro, tentar impressioná-la citando Dostoiévski incorretamente - ela corrigiu com um sorriso que não chegou aos olhos, e ele se retirou humilhado.
Cada tentativa rejeitada era paradoxalmente frustrante. Eu queria e não queria que acontecesse. Queria a narrativa de infidelidade que justificasse essa excitação doentia, mas também queria que Mariana permanecesse minha, intocada, fiel.
A dualidade me despedaçava. Me masturbava pensando nisso todas as noites. Fantasias cada vez mais elaboradas, mais degradantes. Mariana sendo fodida em banheiros de bares. Mariana chupando pau de estranhos em estacionamentos escuros. Mariana gemendo outro nome enquanto eu assistia, impotente, humilhado, duramente excitado.
Gozava com tanta frequência que meu pau ficava dolorido. Mas não conseguia parar.
***
A mudança real veio numa quinta-feira. Mariana tinha reunião de trabalho que provavelmente se estenderia para happy hour. Editora onde ela trabalha, celebrando o lançamento de algum romance. Ofereci carona para deixá-la no local, um wine bar chique em Pinheiros.
"Tem certeza que não quer vir?" ela perguntou, ajeitando o batom vermelho escuro no espelho do carro. Aquele tom de vermelho que faz a pele clara dela parecer porcelana, que faz eu querer morder seus lábios até sangrarem.
"Tenho que terminar uns desenhos pro cliente", menti. "Mas se diverte. Volta quando quiser."
Ela me beijou - gosto de vinho tinto e menta do chiclete que mascava - e saiu do carro num movimento fluido de pernas longas e salto alto.
Estacionei duas quadras adiante e voltei caminhando.
O wine bar tinha grandes janelas de vidro. Consegui mesa num café do outro lado da rua com visão perfeita. Pedi espresso duplo que não toquei e observei.
Mariana estava radiante. Gesticulava animadamente, rindo com colegas, o corpo inteiro envolvido na conversa do jeito que ela fica quando discute livros. Linda. Tão perfeitamente, devastadoramente linda que algo apertou no meu peito - orgulho, possessividade, medo.
Então ele apareceu.
Não era colega dela. Isso ficou óbvio pela linguagem corporal - a forma como se aproximou do grupo dela, casual mas calculada. Cabelos pretos bagunçados de propósito, barba por fazer,jaqueta de couro sobre camisa branca. Tipo artístico. Tipo que Mariana mencionava admirar antes de me conhecer.
Vi quando Mariana notou ele. A forma como seus olhos se alargaram ligeiramente, como ela endireitou a postura de modo quase imperceptível. Interesse. Reconhecimento do interesse dele.
Meu pau endureceu instantaneamente. Ali mesmo, no meio do café, cercado de pessoas tomando cappuccinos e trabalhando em laptops, fiquei duro como adolescente.
Eles conversaram. Não conseguia ouvir através do vidro, mas conseguia ler a coreografia: ele se aproximando gradualmente, ela não recuando. Risadas compartilhadas. Ele oferecendo pagar a próxima bebida dela. Mariana aceitando.
Quarenta minutos depois, o grupo dela começou a dispersar. Pessoas abraçando despedidas, pegando bolsas. Mariana ficou. Com ele.
Meu coração martelava tão forte que senti o pulso no pescoço, nas têmporas, na ponta dos dedos. Molhei as calças com pré-gozo, uma mancha escurecendo o tecido que precisei cobrir com a jaqueta.
Eles pediram outra rodada. Depois outra. A cada taça, sentavam mais próximos. Vi quando ele encostou a mão no joelho dela - toque casual que se demorou um segundo a mais do que amigável. Mariana não afastou.
Eu deveria estar furioso. Deveria invadir aquele bar e causar uma cena. Mas estava paralisado, assistindo minha própria humilhação se desenrolar em tempo real, e estava mais excitado do que jamais estive na vida inteira.
Noventa minutos. Duas horas. Eles saíram juntos do bar.
Meu primeiro pensamento foi: *ela vai foder ele*. Certeza absoluta, visceral. Quinze anos de casamento, fidelidade nunca questionada, e eu tinha certeza que essa noite era diferente. Algo na química entre eles, na forma como Mariana ria, na maneira como ela olhava para ele.
Mas eles apenas dividiram um Uber. Ele a deixou no ponto mais próximo da nossa casa (a dois quarteirões - porque é claro que ela não ia dar nosso endereço exato). Assisti de longe quando ela saiu do carro, acenou, desapareceu virando a esquina.
Corri para casa, cheguei ofegante três minutos antes dela. Estava no escritório quando a ouvi entrar, fingindo trabalhar nos tais desenhos inexistentes.
"Oi, amor", ela chamou, voz ligeiramente arrastada do vinho. "Ainda acordado?"
"Terminando umas coisas", respondi, tentando soar casual apesar do pau latejante pressionando contra a mesa.
Ela apareceu na porta do escritório. Cabelos bagunçados, batom esmaecido, bochechas coradas. Havia algo diferente nela. Uma energia. Excitação, percebi. Ela estava excitada.
"Foi bom?" perguntei.
"Foi ótimo", sorriu. "Conheci um escritor incrível. A gente ficou conversando sobre Clarice Lispector por *horas*."
Mentira. Pequena, intrascendente talvez, mas mentira. Não tinham ficado no bar por horas. Tinham saído. Ido a algum lugar.
"Que legal", consegui dizer. "Vai vê-lo de novo?"
Algo mudou na expressão dela. Surpresa, talvez. Ou suspicácia. "Não sei. Por quê? Tá com ciúmes?"
"Não", respondi, verdade e mentira simultaneamente. "Só... você parece feliz. Gostei de te ver assim."
Mariana se aproximou, sentou no meu colo. Senti o calor dela através das roupas, o perfume misturado com cheiro de vinho e algo mais - almíscar masculino? Água de colônia dele?
"Você é estranho às vezes, sabia?" ela murmurou contra meu pescoço. "Mas eu amo isso em você."
Me beijou. Profundo, língua explorando minha boca com urgência que não vinha dela há meses. Senti quando ela percebeu minha ereção pressionando contra ela, o pequeno som surpreso que fez.
"Alguém tá animado", provocou, mexendo os quadris.
Não fomos para o quarto. Fodi ela ali mesmo, na cadeira do escritório, com uma intensidade animal que nos surpreendeu. Arranquei a calcinha dela - literalmente rasguei o tecido de renda. Ela arfou, meio chocada meio excitada, e então guiei meu pau para dentro dela com uma única estocada violenta.
"Caralho, Daniel", ela gemeu, agarrando meus ombros.
Estava molhada. Mais molhada do que costuma ficar só com preliminares mínimas. Encharcada, escorregadia, meu pau deslizando sem resistência.
*Ele a tocou*, pensei. *Aquele filho da puta a tocou e ela ficou molhada para ele e agora está aqui, deixando eu foder essa boceta que outro homem excitou.*
A humilhação dessa narrativa - real ou imaginada, impossível saber - me fez gozar em menos de dois minutos. Explodi dentro dela, jorradas e jorradas de porra enquanto mordia seu ombro com força suficiente para deixar marca.
Mariana não gozou. Percebi pela respiração, pela tensão que permanecia no corpo dela. Mas não reclamou, apenas me segurou enquanto minha ereção amolecia, acariciando meu cabelo com uma ternura que me fez querer chorar.
***
Não consigo mais parar de pensar nisso. Virou loop infinito no meu cérebro: Mariana sendo tocada, sendo desejada, sendo fodida por outros homens enquanto eu assisto, impotente, humilhado, excitado além da razão.
Pesquisei sobre isso. Cuckold. A palavra parece vulgar, diminutiva. Insuficiente para descrever a complexidade desse labirinto psicológico. Os artigos falam sobre humilhação erótica, sobre voyeurismo, sobre a excitação de ver seu parceiro sendo sexualmente desejado e possuído.
Mas nenhum deles captura essa sensação: o veneno doce da própria inadequação transformada em combustível erótico. A forma como meu cérebro pega a pior coisa imaginável - a traição, a perda, a substituição - e a recodifica como a fantasia definitiva.
Sou arquiteto. Trabalho com estruturas, fundações, a matemática que mantém prédios de pé. E aqui estou, incapaz de entender a arquitetura do meu próprio desejo. Não há lógica. Não há utilidade evolutiva. Nenhum benefício genético em querer que outro homem insira genes superiores na minha esposa.
É puramente emocional. Puramente psicológico. E devastadoramente poderoso.
Imagino cenários constantemente. Mariana voltando para casa com o cheiro de sexo grudado na pele. Mariana me contando detalhes - como ele era maior, como ele a fodeu melhor, como ela gozou mais forte. Mariana me humilhando verbalmente enquanto eu lambo a porra de outro homem da boceta dela.
Cada fantasia é mais extrema que a anterior. Cada sessão de masturbação mais desesperada. Gozo três, quatro vezes por dia agora. No chuveiro antes do trabalho. No banheiro do escritório durante o almoço. Na cama quando Mariana dorme, silenciosamente, enquanto ela respira ao meu lado.
É vício. Reconheço os padrões - a necessidade crescente, a tolerância aumentando, fantasias precisando ser mais intensas para produzir o mesmo efeito. Mas ao contrário de drogas, isso não pode ser curado com desintoxicação. O objeto do vício dorme na minha cama toda noite, acorda comigo toda manhã.
***
Decidi que preciso fazer acontecer. Não posso mais viver nessa limbo entre fantasia e realidade, me masturbando para cenários imaginados enquanto a verdade permanece mundana e insatisfatória.
Mas como se propõe algo assim? Como você olha para a mulher que ama e diz: *"Quero que você transe com outros homens enquanto eu assisto porque a ideia da minha própria humilhação me excita mais do que qualquer coisa que fizemos juntos em quinze anos"*?
Não há roteiro para essa conversa. Não há manual de "como revelar seus fetiches de humilhação sexual para sua esposa sem destruir seu casamento em três passos fáceis".
Tentei abordar indiretamente. Mencionei durante sexo que a ideia de outros homens desejando ela me excitava. Mariana riu, achou que era dirty talk genérico, disse "só você me tem" daquele jeito que deveria ser reconfortante mas me frustrou profundamente.
Sugeri assistirmos pornô juntos. Escolhi vídeo de cuckold - marido assistindo esposa com bull dotado. Mariana franziu o nariz, disse que achava "meio triste, meio bizarro", perguntou se poderíamos assistir algo mais "normal".
Normal. Como se houvesse algo normal sobre sexualidade humana. Como se nossos cérebros não fossem colagens caóticas de trauma, condicionamento, acidentes neurológicos e circuitos de recompensa defeituosos.
Comecei a plantar sementes mais agressivamente. Elogios estratégicos - "aquele garçom tava totalmente interessado em você", "vi aquele cara no mercado checando sua bunda". Mariana respondia com desconforto ou indiferença, mudando de assunto.
Até que numa noite, três semanas atrás, algo mudou.
Estávamos numa festa de aniversário de amigo. Drinks fluindo livremente, música alta, aquela energia de adultos se permitindo agir como jovens por algumas horas. Mariana estava linda num vestido verde esmeralda que abraçava cada curva, cabelos soltos caindo em ondas.
Um amigo do aniversariante - Rodrigo, algo com tecnologia, não lembro - estava claramente interessado. Passou a noite orbitando Mariana, trazendo drinks, fazendo ela rir. Tipo bonito de forma convencional - maxilar definido, corpo de academia, aquela confiança irritante de homem que nunca foi rejeitado com frequência suficiente.
Eu poderia ter intervindo. Deveria ter. Mas não intervim. Fiquei observando de longe, conversando superficialmente com outros convidados enquanto 90% da minha atenção estava em Mariana e Rodrigo.
Vi quando ele encostou a mão na parte baixa das costas dela - aquela zona de pele nua exposta pelo decote do vestido. Vi quando Mariana não se afastou, apenas continuou falando, sorrindo.
Meu pau ficou duro instantaneamente. Ajustei discretamente através da calça, tentando esconder a evidência óbvia da minha excitação doentia.
Uma hora depois, não conseguia mais. Precisava de alívio ou ia explodir. Murmurei desculpa genérica e fui para o banheiro.
Estava ocupado. Esperei alguns segundos, impaciência crescendo, então subi para o segundo andar da casa. Corredor escuro, música abafada vindo de baixo. Encontrei banheiro vazio, tranquei a porta.
Abri o zíper, puxei meu pau já vazando pré-gozo. Começei a me masturbar com urgência brutal, imaginando Rodrigo beijando Mariana, dobrando ela sobre alguma superfície, fodendo ela naquele vestido verde enquanto eu assistia.
Então ouvi.
Vozes no corredor. Risadas abafadas. Corpo batendo contra parede.
Meu sangue congelou. Parei completamente, pau na mão, prendendo a respiração.
"Alguém pode ver", voz feminina. *Mariana.*
"Ninguém vai subir", voz masculina. Rodrigo, certeza.
Som de beijo. Molhado, urgente. Respirações pesadas.
Destranquei a porta silenciosamente. Abri milímetros, só o suficiente para espiar através da fresta.
Cinco metros pelo corredor. Mariana prensada contra a parede. Rodrigo pressionado contra ela, mãos na cintura dela, boca no pescoço dela. O vestido verde estava puxado para cima, expondo a renda branca da calcinha. A perna dela estava levantada, envolvendo a cintura dele.
Eles estavam praticamente fodendo de roupa.
Minha mão se moveu automaticamente de volta para meu pau. Comecei a me masturbar ali mesmo, no banheiro escuro, observando minha esposa se esfregar num estranho a poucos metros de distância.
A mão dele subiu, apertando o seio dela através do vestido. Mariana gemeu - alto o suficiente para eu ouvir através da música. Aquele som que ela faz quando está perdendo controle, quando quer mais.
Rodrigo puxou o decote do vestido para baixo. Seio pequeno e perfeito dela exposto na penumbra do corredor. Ele abaixou a cabeça, colocou o mamilo na boca.
"Porra", Mariana sussurrou, cabeça jogada para trás.
Eu estava próximo. Tão obscenamente próximo de gozar que precisei espremer a base do meu pau, pausar, respirar.
Então Mariana empurrou ele para trás.
"Não posso", ela disse, ofegante, puxando o vestido para cima. "Eu... sou casada. Não posso."
Rodrigo tentou puxá-la de volta. "Seu marido não precisa saber."
"*Eu* preciso saber", Mariana respondeu, voz firme apesar da respiração irregular. "Desculpa. Eu... não devia ter deixado chegar até aqui."
Ela ajeitou o vestido, o cabelo, e caminhou rapidamente de volta para a escada.
Rodrigo ficou ali, visivelmente frustrado, ajustando a ereção óbvia através das calças. Depois desceu também.
Fiquei no banheiro. Terminei me masturbando com violência quase raivosa. Gozei imaginando que ela *não* tinha parado. Imaginando Rodrigo fodendo ela ali no corredor, minha esposa gemendo enquanto ele enchia ela de porra.
Quando voltei para a festa quinze minutos depois, Mariana estava do outro lado da sala. Nos olhamos através da multidão. Algo passou entre nós - culpa no rosto dela, reconhecimento no meu.
Fomos para casa em silêncio.
***
Essa foi a última vez há três semanas. Desde então, tensão permeia nosso apartamento como perfume denso. Mariana sabe que sei. Eu sei que ela sabe que sei. Mas nenhum de nós fala sobre isso.
O sexo entre a gente mudou. Mais intenso, mais frequente, mas com algo por baixo que não estava ali antes. Desespero talvez. Ou talvez seja só minha projeção.
Ontem à noite, algo quebrou.
Estávamos transando. Posição padrão - ela de costas, eu por cima. Ritmo lento, íntimo. Mas minha mente estava em outro lugar. No corredor daquela festa. Nas mãos de Rodrigo no corpo dela.
"Em quem você tá pensando?" Mariana perguntou de repente.
Congelei, pau ainda dentro dela. "O quê?"
"Você tá longe. Pensei que talvez... tivesse pensando em outra pessoa."
A ironia era devastadora. "Não", menti. "Tô pensando em você."
"Mentiroso", ela disse suavemente. Não acusatória. Apenas... observação factual.
Nos encaramos por longo momento. Algo não dito vibrando no ar entre nós.
"E você?" ousei perguntar. "Em quem *você* tá pensando?"
Mariana corou. Resposta em si mesmo.
"Naquele cara", continuei, voz rouca. "Da festa. Rodrigo."
Ela fechou os olhos. "Daniel..."
"Tudo bem", interrompi. E para minha surpresa, era verdade. Era mais do que tudo bem. Meu pau estava pulsando dentro dela, mais duro do que esteve a noite inteira. "Quero que você pense nele."
Olhos dela se abriram, chocados. "Que?"
Comecei a me mover de novo. Devagar, deliberadamente. "Quero que você imagine que sou ele. Que ele tá te fodendo agora. Que aquela noite não parou no corredor."
"Daniel, isso é—"
"Me diz", demandei, estocando mais fundo. "O que ele teria feito se você não tivesse parado?"
Silêncio. Então, tão baixo que quase não ouvi: "Teria me fodido ali mesmo."
Algo explodiu na minha cabeça. Visão branca, pulso martelando. "Como?"
"De costas contra a parede", Mariana sussurrou, entrando no jogo ou na confissão, impossível distinguir. "Ele teria puxado minha calcinha de lado e me fodido em pé."
Gemi. Não consegui evitar. Fodi ela mais forte, imaginando tudo, a humilhação transformada em propulsor.
"Você teria gostado?" perguntei. "Teria gozado no pau dele?"
"Sim", ela admitiu, e havia algo em sua voz - verdade, talvez. Verdade vergonhosa mas inegável. "Caralho, Daniel, sim. Eu teria gozado."
Gozamos juntos. Pela primeira vez em meses, simultâneo e devastador. Eu enchendo ela de porra enquanto imaginava que era porra de outro homem. Ela se contraindo ao meu redor enquanto imaginava outro corpo, outro pau.
Depois, deitados em silêncio suado, minha cabeça no peito dela ouvindo o batimento cardíaco desacelerando, Mariana falou.
"Precisamos conversar sobre isso. De verdade conversar."
"Eu sei", respondi.
"Não sei o que você quer de mim", ela continuou. "Não sei se consigo te dar o que você quer. Mas não posso mais fingir que não vi o jeito que você reagiu quando contei sobre... sobre imaginar ele."
Silêncio.
"Você quer que eu transe com outros homens", ela disse. Não pergunta. Constatação.
"Sim", respondi. Verdade crua, finalmente exposta.
"Por quê?" Voz pequena, confusa. "Você não me ama mais? Não me deseja?"
"Te amo desesperadamente", disse, virando para encará-la. "Te desejo mais do que qualquer coisa. Mas tem algo em mim... algo que não consigo explicar. A ideia de você com outro homem... me destrói e me excita simultaneamente. A humilhação é... Deus, é a coisa mais erótica que consigo imaginar."
Mariana me estudou por longo tempo. "Isso não é normal", ela disse finalmente.
"Eu sei."
"Mas também não é... imperdoável. Só... complicado."
Esperança acendeu no meu peito. "Você... consideraria?"
"Não sei", ela admitiu. "Preciso pensar. Entender o que isso significa. Se consigo separar sexo de emoção do jeito que você aparentemente consegue."
"Não é que consiga separar", tentei explicar. "É justamente que *não* consigo separar que isso funciona. É porque te amo que a ideia é tão... potente."
"Isso não faz sentido nenhum."
Ri sem humor. "Bem-vindo à minha cabeça nos últimos seis meses."
Mariana suspirou. "Vou pensar. Mas Daniel... se eu concordar com isso, precisa ser nos meus termos. Minhas regras. Não posso ser só... objeto da sua fantasia. Preciso entender o que *eu* quero disso também."
"Qualquer coisa", prometi. "O que você quiser."
"Vamos ver", ela disse, mas havia algo em sua voz. Não promessa, mas talvez... possibilidade.
***
Isso foi ontem. Hoje é sexta-feira. Mariana está trabalhando até tarde de novo. Ou talvez não. Talvez ela esteja num bar, conversando com Rodrigo ou algum outro homem. Talvez ela esteja num hotel, testando limites, explorando essa nova dinâmica.
Não sei. Ela não me contou onde está.
E aqui estou eu. Sozinho no apartamento, pau dolorosamente duro, esperando.
A incerteza é seu próprio tipo de tortura erótica. Não saber se hoje é o dia. Se quando ela voltar, será com o cheiro de outro homem na pele. Se ela vai me contar detalhes ou guardar segredos.
Meu telefone vibra. Mensagem dela.
*"Não me espera acordado. Vou chegar tarde."*
Meu coração dispara. Respiro fica irregular. Dedos tremem enquanto digito resposta.
*"Tudo bem. Se diverte."*
Três pontos aparecem. Ela está digitando. Somem. Aparecem de novo. Somem.
Finalmente: *"Talvez eu me divirta. A gente conversa amanhã."*
Talvez.
A palavra fica suspensa na tela como promessa e ameaça.
Abro o zíper das calças. Tiro meu pau já vazando. Começo a me masturbar lentamente, imaginando todas as possibilidades.
Mariana num bar, aceitando drink de estranho.
Mariana sendo beijada em estacionamento escuro.
Mariana de joelhos, chupando pau maior que o meu.
Mariana gemendo outro nome enquanto ele a fode.
Mariana voltando para casa cheia de porra que não é minha.
Vou gozar pensando nisso. Vou gozar na minha própria mão enquanto minha esposa pode estar - provavelmente está - sendo tocada, desejada, possuída por outro homem.
E amanhã, quando ela voltar, vou implorar por detalhes. Vou lamber cada centímetro de pele dela, procurando evidências. Vou fodê-la com a porra dele ainda dentro dela, se tiver sorte.
Porque isso é o que sou agora. Isso é a arquitetura da minha rendição.
Cuckold.
A palavra não parece mais vulgar. Parece como confissão. Como identidade. Como a única verdade que ainda me excita o suficiente para sentir alguma coisa.
Gozo com essa palavra nos lábios, sozinho no escuro, esperando.
Sempre esperando.
**FIM**
***