Uma puta dama - parte 2

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3277 palavras
Data: 22/01/2026 11:46:20

A mensagem de Helena era curta, dolorosamente explícita e fatalmente nos levaria a enfrentar a maior dificuldade de nosso casamento:

“Amor,

Pensei muito se deveria escrever, ou te contar pessoalmente, ou nem te contar para evitar que você sofresse.

Mas eu jurei que seria honesta com você e mesmo que doa, em você e em mim, preciso me abrir.

Há algumas semanas, tenho sido semanalmente assediada por um alto executivo da empresa.

Sim. Assediada no sentido sexual da palavra.

Eu não transei com ele, nem queria, mas situações me levaram a concluir que seu eu não fizer isso, tanto eu como você podemos ser muito prejudicados, talvez arruinados financeira e emocionalmente.

Essa viagem... Essa convenção... Tudo acabou convergindo para que eu tenha que fazer uma escolha que pode ser terrível, mas que, ao mesmo tempo, poderá ser um importante divisor de águas em nossa vida.

Não posso te explicar todos os detalhes agora. Mas quero que saiba que tudo o que eu fizer a partir de hoje, será pensando em nosso futuro.

Sim. No meu e no seu futuro, juntos, se você ainda quiser ficar comigo.

Espero que compreenda que faço tudo por nós, mesmo que nos machuque um pouco no caminho.

Rezo a Deus para que você me perdoe.

Eu te amo, mais do que a minha própria vida.

Da agora não somente sua, mas sempre sua,

Helena.”

[CONTINUANDO]

- Não é possível... – Balbuciei, sentindo todo o sangue fugir da minha face.

- Oi!? Falou comigo? – Perguntou uma senhora com seus cinquenta e poucos anos, pose distinta, jeito de conservadora, sentada ao meu lado, chamando a minha atenção.

Aquela interrupção inesperada me assustou ao ponto de eu derrubar o meu celular. Olhei para ela, sentindo minha face enrubescer agora e respondi com outra pergunta:

- Hein?

- Você... falou comigo? – Ela insistiu.

- Ah! Não. Desculpa. É que recebi uma mensagem que não esperava. Só isso.

Ela anuiu com um movimento de cabeça e voltou a se ajeitar, pegando o cinto do banco para se preparar para a decolagem. Meu celular havia corrido para baixo do banco e tive que fazer um verdadeiro malabarismo para alcança-lo. Fui exitoso.

Ativei novamente o aparelho. Destravei com minha digital. Fui no aplicativo de mensagens. Minhas mãos tremiam. Eu sentia que estava suando frio. Desbloqueei o aplicativo e procurei as mensagens da Helena.

Surpresa! A mensagens havia sido apagada.

Olhei novamente como se isso pudesse trazer a mensagem de volta e não havia dúvida. A mensagem existiu. E alguém a havia apagado. Esse alguém: Helena.

Oras! Se ela havia apagado a mensagem naquele instante, então ela estava online. Liguei para seu telefone naquele mesmo momento. Eu iria confrontá-la e ela iria me responder.

A ligação chamou... chamou... chamou... chamou... e caiu. Repeti a ligação uma, duas, três vezes, e a mesma coisa se repetiu:

- Filha da puta! – Falei baixinho, virado para a janela do avião para a senhora ao meu lado não começar a achar que eu era um louco.

Insisti outra vez e nada. Mandei uma mensagem para Helena. Simples. Objetiva:

“Helena, você vai me atender agora!

Temos muito o que conversar.

E vai ser agora.

ATENDE!”

Nada. Mas a mensagem foi entregue, recebida e lida.

LIDA!

E se ela havia escrito, apagado e agora lia a minha mensagem, ela sabia muitíssimo bem do que se tratava. E se não me respondia, é porque sabia que a tempestade estava armada e os relâmpagos e trovões já voavam por sua cabeça.

Insisti:

“Helena, eu li a mensagem. Eu li.

ATENDE ESSA PORRA!”

Novamente mensagem enviada, recebida e lida. Não havia dúvidas: eu vi os dois tracinhos azuis, bem azuis:

- Senhor, preciso que desligue o aparelho ou o coloque no modo avião. – Uma voz interrompeu meus pensamentos.

Olhei na direção do corredor e uma aeromoça me encarava, com firmeza no olhar, mas gentileza nas palavras:

- Eu... só estou terminando um assunto urgente com a minha esposa. Desligo em minutos.

- Lamento. Mas já estamos nos preparando para decolar e é obrigatório o desligamento ou ativação do modo avião.

- Mas...

- Por favor, senhor. Se o senhor não me atender, serei obrigada a convidá-lo a se retirar do voo.

Olhei para o meu celular, irado. Eu queria falar, confrontar Helena e a ideia de descer do avião me parecia boa, a princípio. Mas só a princípio, pois ela poderia não me atender e eu ficaria totalmente perdido. Respirei fundo. Uma, duas vezes e desliguei o meu aparelho. A aeromoça me agradeceu e avisou que assim que estivéssemos em altitude de cruzeiro, o wifi da aeronave seria ativado e eu poderia utilizá-lo livremente. Isso me deu um certo alento.

Afivelei o meu cinto e me coloquei na posição de decolagem. Apesar de estar sentado “na janelinha” e olhava fixamente para o banco a minha frente, sem enxergar absolutamente nada. Minha mente era um branco, minha visão estava turva, embaçada, talvez pelo fato de eu ter ficado praticamente catatônico, até mesmo sem piscar:

- Tem medo de voar? – A senhora ao meu lado perguntou.

Suspirei em busca de uma resposta no mínimo civilizada, mas nada me veio à mente. Apenas a encarei por breves segundos e balancei negativamente a cabeça, voltando a encarar o banco dianteiro:

- Está com algum problema, senhor? Se quiser conversar...

Lembrei-me de minha mãe nesse momento, tão prestativa, carinhosa, fiel. Em 50 anos de casamento com meu pai, não me lembro de uma única vez em que um tenha destratado o outro. Trair então, era impensável, uma lição que fizeram questão de me ensinar. Pensei que Helena fosse assim. Já não pensava mais. Já não sabia de mais nada:

- Acho que confiei demais... – Balbuciei, olhando para o banco.

- Problemas com a esposa. – Concluiu a senhora.

Sim. Ela afirmou. Não houve pergunta. Não havia dúvida. Ela já havia entendido o que talvez nem eu mesmo havia ainda:

- Espero que não, mas... – Calei-me: - Acho que não a conhecia tão bem quanto imaginava.

- Brigou? Discutiu? Não há nada que não se resolva com uma boa conversa. Se há amor, há sempre a possibilidade de se entenderem.

Olhei para a senhora, completamente consternado, e sorri. Não um sorriso de alegria, mas um que refletia bem o meu ânimo naquele momento. Amargo, ansioso, destruído.

Suspirei profundamente e decidi me abrir. Seu julgamento para comigo só interessava ali e nada mais. Ela era uma estranha. Nunca nos veríamos novamente:

- Recebi uma mensagem... Da minha esposa e...

Fui interrompido pelas instruções de segurança da aeromoça e depois avisando que estávamos decolando.

Uma vergonha fez com que eu me calasse. Passei a refletir se deveria realmente conversar com aquela senhora. Ela deu dois tapinhas na minha mão:

- Fique calmo. Temos um longo voo. Assim que decolarmos, pediremos dois uísques para relaxarmos sua tensão. Daí você me fala o que quiser falar. Somente fale. Não vou te julgar. Vou apenas ouvi-lo e se quiser, darei meu conselho.

Sorri novamente. Agora algo que mais se aproximava de um sorriso de gratidão por aquela empatia.

O avião se posicionou na pista e as turbinas começaram a rugir, cada vez mais alto, mais intenso, mais agudo. O avião começou a correr sobre a pista, acelerando cada vez mais até sair do solo. Subiu, cada vez mais alto, mais, e mais... Foram longos 15 minutos até recebermos um aviso de que havíamos alcançado a altitude de cruzeiro e que poderíamos utilizar o wifi de bordo.

A senhora ao meu lado pediu dois uísques e uma água à aeromoça. Fomos servidos rapidamente e ela me passou os dois copos. Olhei-a intrigado:

- Não bebo, senhor...

- Ah! Me desculpe. Sou Roberto Camargo. – Estendi-lhe a mão.

Nervoso que estava, nem notei que cometia uma gafe, afinal, o gesto de aperto de mãos, entre homens e mulheres, deve partir da mulher, e não do homem. Ainda assim, aquela senhora, talvez imaginando que eu não estava em condições normais, estendeu sua mão e apertou a minha:

- Sou Silvana Pera Sampaio. E o prazer é meu.

Conversamos um pouco sobre outros assuntos, triviais, sem maiores importância, sobre mim e sobre ela, mas que serviram para criar um certo vínculo entre nós. Aliás, foi ali que descobri que ela era uma psicóloga, especializada em desenvolvimento infantil. Não era o meu caso, mas ela era uma psicóloga e talvez pudesse me dar um norte.

Após alguns instantes, ela começou a falar menos e me encarar mais. Eu sabia o que ela queria saber. Eu queria falar também, mas a minha língua secou. Mesmo eu já tendo bebido um copo de uísque, ainda me sentia preso. Parece que ela entendeu e colocou um pouco de sua água em meu outro copo:

- Você não precisa ficar bêbado. Precisa apenas de um pouquinho mais de “coragem líquida”.

Foi a primeira vez que ouvi aquela expressão, mas ela fazia todo o sentido. Bebi uma bela golada. Respirei fundo, olhando para o banco à minha frente, o mesmo que eu havia encarado profundamente instantes atrás. E comecei a falar. Falar... Falar... Falar... Eu não olhava diretamente para a Silvana, talvez para não perder a coragem, mas falei, como se estivesse num divã. Num único momento em que a olhei de soslaio, vi que ela olhava também para a frente, meio inclinada para a minha direção, tendo os dedos das duas mãos trançados e estranhamente as pontas dos indicadores e dos dedões unidos, como se fosse um fosse uma espécie de “Mudrá”.

Quando acabei de falar eu a encarei e ela a mim, em silêncio, algo quase contemplativo. Ela parecia querer entrar em minha mente naquele momento, como se duvidasse, ou se me estudasse a melhor forma de dizer que meu casamento havia acabado.

Peguei meu celular e abri o aplicativo de mensagens e mostrei para a Silvana. Mas nada havia mudado. A mensagem de Helena continuava apagada. As minhas continuavam não respondidas.

Ainda assim mandei outra:

“Não vai mesmo me responder, Helena?”

Mensagem enviada, recebida e lida. E pela terceira vez, não respondida.

Olhei para a Silvana, como se ela pudesse fazer algo. Ela tocou a minha mão com carinho quase maternal, suave, devocional:

- Você tem certeza do que leu?

A pergunta me pegou de surpresa e me fez duvidar de mim mesmo por um instante. Olhei para o celular e depois para ela:

- Si-Sim... Claro! Não estou inventando isso. Eu li. Eu vi.

Silvana apenas me encarava, encorajando agora a continuar:

- E se eu não tivesse lido, qual o motivo a Helena teria para não me atender, Silvana? Ela estava com o celular bem naquele momento. E mesmo que não pudesse falar, ela estava online, tanto que recebeu e leu minhas mensagens. Ela poderia ter me respondido, não poderia?

- Poderia...

Olhei Silvana por um instante, meio chateado:

- Você duvida de mim, não é?

- Não. Nem um pouco. Estou vendo que você está tenso, irritadiço, meio perdido. São sinais de um trauma recente. Bem diferente de quando nos assentávamos, quando você parecia tranquilo, até mesmo feliz.

- E eu estava. Estou indo para Viena porque queria fazer uma surpresa para a Helena. – Dei uma risada sarcástica: - Quem acabou surpreso fui eu. Veja só.

Silvana olhou brevemente para a janela e depois para mim:

- Você já pensou o porquê de sua esposa te mandar uma mensagem como essa?

- Como assim?

- Veja bem... Quem trai, oculta. Pelo que você me disse, a mensagem dela avisava, ou dava a entender, que ela iria te trair. Por que ela te avisaria? Talvez para obter a sua permissão...

- Nunca! – Interrompi Silvana: - Nunca eu aceitaria uma situação dessas. Se ela foi assediada e está se rendendo a isso, é uma violência, um crime.

- Sim, concordo! Mas veja bem, sua esposa, pelo pouco que você me falou, parece ser bem inteligente, ter um perfil arrojado, afinal, ninguém chega ao cargo em que ela chegou por nada.

- Já não sei mais...

- Como assim?

- E se ela chegou aonde chegou sendo uma pu... – Calei-me, envergonhado de minha conclusão e respirei profundamente, tomando outro grande gole de meu uísque aguado.

- Eu já entendi sua conclusão, mas acho pouco provável. Você também me parece bem inteligente, Roberto. Acredito que você já teria notado situações que o levariam a concluir estar sendo traído, se fosse esse o caso.

Ficamos calados por um breve instante, até que eu conclui:

- Então, acho que não conheço minha esposa.

Silvana tomou um gole de sua água e concluiu:

- Nunca conhecemos totalmente as pessoas, meu querido. Eu tenho pacientes de anos, terapias longuíssimas, e sempre descubro algo novo quando vou me aprofundando nas camadas de suas psiques. Só posso dizer que cada ser humano é único, e surpreendente.

- Não sei se surpreendente é bem a palavra aqui...

- Você não ficou surpreso com a mensagem?

Concordei com um movimento inconformado de cabeça e ela continuou:

- Ela nunca te deu nenhum sinal? Nada que te fizesse desconfiar?

Calei-me, refletindo a respeito, e fora algumas inovações em nossas práticas sexuais, mas que eu considerava normal porque qualquer um pode aprendê-las num rápido passeio pela internet, nada me veio à mente. Expliquei justamente isso para Silvana que concordou com minha conclusão:

- Teve... Tiveram também alguns atrasos eventuais em vários dias da semana, mas como ela é uma alta diretora de uma multinacional, nem questionei. Além do mais, ela sempre retornava bem arrumada, cheirosa, carinhosa... Não havia nada que indicasse que ela estivesse me traindo.

- Você ficaria surpreso de saber como uma mulher pode ser falsa quando quer encobrir uma traição.

Eu encarei Silvana surpreso com seu apontamento e ela se desculpou, afinal, ela queria abrir a minha mente e não colocar mais lenha na fogueira. Por fim, ela continuou:

- Será difícil você chegar a uma conclusão definitiva sem que dê a ela a chance de se explicar.

- Conversar com a Helena!? Eu quero é matar aquela desgraçada! – Bufei, alterando minha voz pela primeira vez.

Silvana calmamente repousou sua mão sobre o meu antebraço, chamando-me à razão. Respirei profundamente e assim que estava mais calmo, ela continuou:

- Saber o que acontece é o primeiro passo para compreender e superar. Não estou dizendo para você perdoá-la e se reconciliarem de imediato. De forma alguma! Essa é uma decisão que somente você poderá tomar. O que eu te aconselho é que você ouça e converse com um terapeuta da sua escolha para que ele filtre tudo o que pode ser fruto de emoções exacerbadas, deixando apenas os fatos e argumentos puros para uma decisão ponderada.

- Não sei se eu consigo, Silvana. Hoje, a minha vontade é realmente de dar uma surra na Helena e em seja lá quem for que esteja com ela.

- Tudo bem. Vamos considerar essa hipótese... E depois? O que você fará depois que agredi-los? Você sabe que toda ação tem uma reação, uma consequência, não sabe? Se você agredi-los, seja lá em... em...

- Viena. – Completei seu raciocínio.

- Isso. Se você agredi-los, seja lá em Viena ou no Brasil, o que acha que irá acontecer com você? Você será preso, fichado, processado e talvez condenado. Sujará seu nome por alguém que, em tese, não merece. Acha mesmo que isso vale a pena?

- Não. Eu sei que não... – Dei de ombros, olhando para o banco à minha frente: - Mas... Poxa, Silvana, me trair, cara. Pensei que a gente estivesse tão bem...

- Roberto, a imoralidade dela não justifica uma ilegalidade sua. Traição não é crime, não pelo menos no Brasil. Trair é uma escolha, imoral, nefasta, mas nem sempre injustificável.

Olhei surpreso pela colocação dela e instintivamente, balancei a cabeça em negação. Ela, ao contrário, balançou afirmativamente sua cabeça e explicou:

- Sim. Já ouvi histórias de traição com justificativas bem pertinentes. Não que seja suficientes para a outra pessoa aceitar continuar o relacionamento. Mas ainda assim boas justificativas e que serviram... Veja bem você... serviram para o traído dar o perdão para o traidor de uma forma mais leve.

- E viveram felizes para sempre... – Zombei de sua explicação.

- Espero que sim, mas certamente no do jeito que você está imaginando! Até tive casos de reconciliação, mas que duraram pouco tempo. Outros perdoaram e continuaram, e estão juntos até hoje. Estranhamente se tornaram ainda mais unidos... – Ela falou, colocando um dedo sobre a boca, como se ela própria não entendesse direito aquilo: - Mas a grande maioria simplesmente perdoou e seguiu em frente, com a consciência tranquila de que não houve um vilão exatamente, entende?

- Silvana nada justificativa uma traição da Helena. Nada! Se ela estivesse sendo ameaçada, bastaria juntar provas, ir à polícia, processar. Ela é inteligente, sagaz, nunca se submeteria a nada desse tipo.

- Por isso conversar com ela é importante. Você precisa entender para curar essa ferida e decidir como quer encerrar esse ciclo.

- Eu não vou conseguir. Se eu me encontrar com ela lá em Viena não vai prestar...

- Então não encontre. A mensagem dela não era clara de que ela tomou uma decisão e que iria explorá-la sozinha? Faça o mesmo. Encare essa viagem como um vale... vale night não se aplica... um vale férias. Isso! Encare essa viagem como um vale férias e tente arejar um pouco a sua mente. Passeie. Conheça pessoas novas. Tente se divertir. Simplesmente relaxe, consciente de que você não tem culpa de nada. Daí, quando vocês voltarem, conversem, ouça com atenção, pondere e decida.

Funguei minha irresignação pela minha situação, balançando negativamente a cabeça e sorri, não de felicidade ou concordância, mas apenas sorri, um sorriso triste e amarelo:

- Acho que vou precisar te contratar, Silvana...

- Querido, vou passar uma boa temporada na Europa. Minha filha está para parir e vou ficar aqui para ajuda-la na adaptação que a maternidade acarreta. Mas vou te passar os meus contatos e se você quiser, podemos ir conversando por vídeo chamada. Nem falo como uma terapeuta, mas como uma amiga que se sensibilizou com sua situação.

- Ué!? Para mim está bom, afinal, amiga não cobra como uma terapeuta faria.

Ela deu uma risada gostosa e concordou:

- Isso. Amiga não cobra...

Inteligentemente, o resto da viagem foi se tornando mais calma e amena. Silvana sabia como conduzir a minha situação de uma tensão inabalável para algo que praticamente não importava. Naturalmente, não conversamos somente sobre a minha situação, mas voltamos a esse assunto algumas vezes. Inclusive ela parecia fazer breves apontamentos homeopáticos, como se me preparasse para algo ainda maior que nem eu, nem ela sabíamos o que era.

Nossa primeira escala foi em Madri, onde pegamos uma conexão para Paris. Ali nos despedimos pois ali sua filha morava. Peguei seus contatos e ela me fez prometer que não faria nada que me prejudicasse e que a manteria atualizada em tempo real de tudo o que acontecesse, principalmente se eu me encontrasse com Helena.

Segui voo até Viena. Nem vi o tempo passar. Não sei se cochilei, mas quando me dei conta, já estávamos aterrissando. O clima estava estranhamente claro, um Sol brilhante que parecia zombar das nuvens que eu trazia comigo.

Rapidamente me vi livre do Controle de Imigração e saí em área aberta. Embora limpo, o clima estava ligeiramente frio, mas nada que parecesse incomodar os locais.

Peguei um táxi e segui direto para o meu hotel. No trajeto pensava no conselho de Silvana:

- Vale férias... – Resmunguei para mim mesmo chamando a atenção do taxista pelo retrovisor.

Não sei se eu teria cabeça para também trair, mas nada realmente me impedia de passear um pouco e aproveitar um pouco da bela “Cidade dos Sonhos”. Sim! Eu deixaria o meu pesadelo para depois. Se Helena podia viver sua vontade, eu também poderia, mas dentro dos meus limites morais.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 30 estrelas.
Incentive Mark da Nanda a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 332Seguidores: 710Seguindo: 28Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

Foto de perfil de Id@

Bom, eu não resisti e voltei a ler os dois capítulos com um pouco mais de calma. Eu costumo fazer isso quando um texto prende a minha atenção e algumas pessoas já me disseram que eu costumo “torturar os textos” até que eles “confessem”.

Tenho que dizer que esses dois textos não me confessaram nada. Até agora. Só me deixaram com mais perguntas.

Entretanto uma coisa passou quase que batido pois só li um comentário sobre o assunto, se não me engano do Lucas90, no capítulo 1 e tem a ver com a tatuagem. Todos ficaram mais ligados na letra “B”, imaginando o que poderia representar.

Eu já reparei na pimentinha. E me pergunto (mais uma entre muitas perguntas): será que o marido não sabe o que significa esse símbolo e, principalmente, tatuado no local que estava ?

0 0
Foto de perfil de Id@

Na verdade não o que significa, pois não existe uma regra fixa sobre o assunto, mas o que pode significar?

0 0
Foto de perfil genérica

Exceto pela mensagem a apagada e falta de resposta da possível adúltera, a história continuou no mesmo ponto. Será que ele vai aguentar esse vale férias sem aproveitar nada?

Acho que ele vai acabar traindo também (considerando que ela traiu, o que acho bem provável). Principalmente depois de tomar umas...

1 0
Foto de perfil de OsorioHorse

Ainda não dá pra saber se a mensagem veio mesmo dela. Tudo indica que sim.

Ele precisa confronta-la, mas se eu fosse ele usaria do efeito surpresa. Encontraria ela e observaria de longe, reuniria provas, e analisaria se era o caso de dar o flagrante ou esperar ela sozinha e jogar as cartas na mesa.

......

Tem um conto do próprio Mark que segue uma "pegada" parecida, é uma funcionaria de uma empresa que também é casada e vai escalando os cargos, até o momento que ela começa a ser assediada por um dos donos da empresa e começa a trair o marido. O conto é interessante e tem algumas semelhanças com esse aqui. Eu indiquei o nome dele nos comentários do capítulo 01 desse conto aqui.

.....

Aproveitando, tem previsão do seu conto Carlos ?

0 0
Foto de perfil de Id@

Se ele trair a esposa ACHANDO que ela também o fez, será um tiro no pé. O correto seria, em primeiro lugar, tirar a história a limpo e tomar as atitudes que achar pertinentes.

O problema é que, para mim, não faz sentido a mensagem ter sido enviada por outra pessoa.

0 0
Foto de perfil de OsorioHorse

Só faria sentido a mensagem ser enviada por outra pessoa, se essa outra pessoa soubesse que o protagonista trairia a esposa e pudesse estar monitorando ele pra mostrar a traição a esposa.

Mas aí já seria muita viagem na baratinho.

Mas provável a esposa ter enviado a mensagem por peso na consciencia e depois se arrependido.

Até pq a traição já poderia estar acontecendo a algum tempo, mesmo que não tenha ocorrido sexo, já havia intimidade e uma tatuagem sugestiva. Se rolou sexo nessa viagem, foi somente uma escala de uma provável traição.

0 0
Foto de perfil de Id@

O que eu não entendo é qual seria o objetivo de uma pessoa se passar pela esposa, enviar a mensagem e depois apaga-la?

E, principalmente, porque a esposa não atendeu as ligações que o marido fez? Não estava com o celular? Estava com a outra pessoa?

Tudo isso é muito conveniente.

0 0
Foto de perfil de Giz

Me bateu uma pequena dúvida se quem apagou a mensagem foi a Helena…

0 0
Foto de perfil genérica

Foi exatamente o que te respondi no primeiro capítulo. Tô achando que não é ela. Porém, acho que ela já vem traindo.

0 0