Minha Noiva Me Fez De Corno E Eu Vou Contar Tudo - PARTE 5

Um conto erótico de maridaomanso
Categoria: Heterossexual
Contém 3551 palavras
Data: 23/01/2026 05:05:20
Última revisão: 23/01/2026 05:06:24

Aquele silêncio que se seguiu ao estalo do Paulo contra a tela da TV foi a coisa mais ensurdecedora que já experimentei. Não era apenas ausência de som; era o tipo de vácuo que existe depois de uma bomba explodir, quando seus ouvidos zumbem e seu cérebro tenta processar se você ainda está inteiro. Ele estava lá, escorado na eletrônica, ofegante, com as mãos na cabeça como se tivesse acabado de cruzar a linha de chegada de uma maratona que ninguém mais estava correndo. E a Júlia... minha doce, impecável, tímida Júlia... estava de joelhos no carpete fofo, com o rosto marcado por rastros da minha porra e o brilho úmido do excesso do Paulo no canto dos lábios.

Eu não conseguia desviar o olhar. Era como assistir um acidente de carro em câmera lenta — você sabe que deveria fechar os olhos, ligar para a emergência, fazer alguma coisa, mas está paralisado pela violência crua da cena. Só que neste caso, eu era o motorista bêbado que tinha causado a colisão. Eu tinha permitido isso. Não, pior: eu tinha orquestrado isso com meu silêncio, com minha ereção traidora, com aquele aceno de cabeça que dei quando ela me olhou procurando permissão ou salvação.

"Puta merda, Roberto... ela é uma joia!" O tom de voz dele, aquela arrogância de quem tinha acabado de plantar uma bandeira em território estrangeiro, me atingiu como um soco no plexo solar. "E ela engole!"

O comentário foi tão grosseiro, tão redutivo, que deveria ter me feito levantar e quebrar aquele queixo esculpido. Mas em vez disso, senti meu pau dar aquele espasmo patético dentro da calça de moletom já suja. Meu corpo estava me traindo de formas que eu não sabia serem possíveis. É como se toda a minha educação, todo o meu senso de masculinidade protetor, tivesse sido desligado como um interruptor, e no lugar houvesse apenas esse desejo primitivo e perturbador de ver minha mulher sendo... usada. A palavra era essa. Usada. E o Paulo tinha feito exatamente isso.

Júlia se virou devagar na minha direção. O cabelo, que ela sempre mantinha em um corte perfeito e arrumado, estava grudado na testa pelo suor. Alguns fios estavam presos no canto da boca. Ela me deu aquele sorriso — não era o sorriso educado que ela usava com clientes no estúdio, nem o terno que ela reservava para mim quando acordávamos juntos. Era um esgar de cumplicidade e devassidão que nunca tinha feito parte do nosso vocabulário compartilhado. Era o sorriso de alguém que tinha acabado de descobrir um novo superpoder e estava testando os limites dele.

"Foi divertido pra você, amor?"

A pergunta flutuou no ar entre nós, carregada de significados que eu não estava pronto para desempacotar. Minha garganta estava seca como se tivesse engolido areia. Tentei engolir, mas não tinha saliva. Eu não era mais o noivo protetor que tinha proposto com um anel de diamante comprado em doze parcelas; eu era um espectador que tinha acabado de pagar ingresso VIP para ver sua própria vida ser desmontada peça por peça e reconstruída em algo irreconhecível.

O som da descarga lá em cima cortou o clima como uma guilhotina. O pânico nos olhos do Paulo foi quase cômico — o grande conquistador sendo reduzido a um adolescente com medo de ser pego pelos pais. Ele começou a catar as roupas espalhadas pelo chão da sala, tropeçando na própria calça enquanto tentava enfiar as pernas de volta no moletom. A pressa dele era tão exagerada que eu quase ri. Quase.

"Beleza, galera, foi divertido e tal, mas tenho que ir!" Ele sussurrou isso enquanto já subia os primeiros degraus da escada que rangia, mas não antes de lançar um último olhar predatório para as coxas abertas da Júlia ainda apoiada no sofá. Aquele olhar dizia tudo: *isso não acabou*. "Ah, e obrigado, Júlia!"

O "obrigado" soou como se ela tivesse emprestado um carregador de celular, não como se tivesse acabado de engolir o gozo dele enquanto o noivo assistia. Então ele desapareceu na escuridão do segundo andar, deixando apenas o eco dos degraus rangendo e aquele cheiro de sexo cru que parecia ter se infiltrado nas fibras do carpete, nas cortinas, na própria estrutura da casa.

Ficamos ali. Sozinhos. Finalmente. O silêncio agora era diferente — não era o vácuo pós-explosão, mas sim aquele peso denso que existe entre duas pessoas que sabem que uma conversa importante está prestes a acontecer e nenhuma das duas quer começar. Júlia se recostou completamente no sofá, deixando as pernas penduradas de lado, encarando o teto de madeira com vigas expostas. A luz fraca do abajur no canto da sala criava sombras nos contornos do corpo dela. Ela parecia estar em transe, ou talvez estivesse apenas evitando me olhar diretamente.

"Bom, você não me respondeu." A voz dela estava rouca. Não era a rouquidão sexy que você ouve em filmes; era crua, quase machucada.

Eu me arrastei pelo chão, sentindo o joelho arder no atrito com o carpete, e parei pairando sobre ela. De perto, consegui ver os detalhes que a distância tinha escondido: a vermelhidão ao redor dos lábios dela, provavelmente da barba por fazer do Paulo; as marcas de dedos no braço esquerdo, onde ele tinha segurado com força; e aquele brilho nos olhos verdes que parecia ser uma mistura de orgulho, confusão e talvez um pouquinho de vergonha. O cheiro que emanava dela era uma mistura inebriante do perfume caro de jasmim que eu dei de aniversário e o odor cru e almiscarado do Paulo. Era a coisa mais excitante e perturbadora que já senti na vida. Meu estômago revirava, mas meu pau insistia em dar sinais de vida novamente.

"Isso foi incrível, amor. Você estava tão sexy. Foi de outro mundo."

As palavras saíram automáticas, como se outra pessoa estivesse falando através de mim. Mas eram verdade. Cada sílaba era verdade, por mais que eu quisesse que não fosse.

Ela franziu a testa. O sorriso sumiu instantaneamente, substituído por uma expressão que misturava irritação e mágoa. "Eu fiz isso por você, Roberto. Eu nem gosto do Paulo!"

A declaração me atingiu como um tapa. Ela tinha jogado a responsabilidade toda de volta no meu colo, e ela estava certa em fazer isso. Mas havia algo na forma como ela disse, na ênfase exagerada no "nem gosto", que me fez questionar se ela estava tentando me convencer ou a si mesma.

Pairei sobre ela, sentindo o peso daquela declaração como uma âncora puxando minha consciência para o fundo do oceano. Minha mão direita agiu com vontade própria, deslizando pelo quadril dela até descer entre as pernas. Não houve resistência. Os dedos encontraram aquela umidade que parecia não ter fim. Ela estava encharcada de uma forma que transcendia qualquer preliminar que eu já tinha feito. Isso não era tesão normal; era algo mais primordial, mais visceral.

"Isso foi realmente... tudo por mim?" Perguntei, minha voz falhando na última palavra enquanto meus dedos exploravam a evidência contrária à narrativa que ela estava tentando construir.

O rosto dela ferveu num vermelho intenso que se espalhou pelo pescoço e pelo colo. Aqueles olhos verdes, que antes transmitiam apenas paz, doçura e uma timidez encantadora, agora brilhavam com uma luxúria que ela não conseguia mais represar. Por um longo segundo, ela apenas me encarou, a boca entreaberta, a respiração acelerada. Então, devagar, ela sorriu de novo — aquele sorriso novo, perigoso — e puxou meu rosto para baixo com ambas as mãos.

"Bom. Talvez não tudo," ela murmurou contra meus lábios, a respiração quente invadindo minha boca. "Posso ter gostado um pouquinho, também."

Eu a beijei de volta com uma fome que beirava o desespero, ignorando a lógica, o ciúme, o bom senso, e toda a voz racional na minha cabeça que gritava que eu deveria estar furioso. Mas a única coisa que eu conseguia pensar era em como ela estava molhada, em como os lábios dela tinham o gosto residual do Paulo misturado com o meu, e em como isso era errado de todas as formas possíveis e ainda assim a coisa mais excitante que já tinha experimentado. Enquanto eu a dedilhava ali mesmo, no sofá bagunçado, ela gemia baixinho contra minha boca, e eu senti um arrepio percorrer toda a minha espinha. O fim de semana estava apenas começando, e o Paulo — aquele babaca arrogante — ainda estava na casa. E o pior: parte de mim já estava antecipando o que poderia acontecer a seguir.

"E agora?" sussurrei contra o cabelo dela, com medo e expectativa pela resposta.

Ela não respondeu. Apenas puxou minha mão para mais fundo e fechou os olhos.

***

A noite de sexta para sábado foi um borrão de sono interrompido e pensamentos obsessivos que se repetiam em loop infinito. Toda vez que eu fechava os olhos, via a imagem da Júlia agarrando os cabelos loiros do Paulo e puxando-o para mais perto da buceta dela enquanto ele a devorava com uma técnica que me fez questionar quantas vezes ele já tinha feito aquilo antes. Eu me virava na cama, ouvindo o rangido das molas baratas do colchão, sentindo o calor do corpo dela ao meu lado, e me perguntava se ela estava tendo os mesmos flashbacks. Será que ela conseguia dormir? Será que ela estava arrependida? Será que ela estava *excitada* relembrando?

Perto das quatro da manhã, a ficha finalmente caiu com um peso que me deixou sem ar. Nós tínhamos cruzado a linha. Não era mais um vídeo no navegador anônimo, não era mais uma fantasia que eu explorava em segredo enquanto ela estava no estúdio. Era a nossa pele, o nosso noivado, a nossa história. E não havia botão de "voltar" ou "delete".

Eu tinha permitido outro homem tocar minha noiva. Eu tinha assistido ele fazer coisas com ela que deveriam ser exclusivamente nossas. E a parte mais perturbadora? Eu tinha gozado *duas vezes* assistindo. A segunda vez nem tinha sido pelo prazer físico direto; foi apenas pela imagem mental dela engasgando e escolhendo continuar. Que tipo de homem isso me fazia? Que tipo de pessoa fica excitada vendo a mulher que ama sendo... o quê, exatamente? Compartilhada? Usada? Adorada por outro?

A luz da manhã começou a vazar pelas cortinas finas do quarto por volta das seis. Acordei com o som irritante de pássaros cantando do lado de fora — aqueles cantos estridentes que parecem alegres em filmes, mas na vida real apenas perfuram seu crânio quando você dormiu mal. E o cheiro. Café passado. Por um segundo abençoado, esqueci completamente onde estava. Achei que era domingo de manhã no nosso apartamento, que a Júlia estava fazendo café antes de irmos para a feira. Então, a memória da noite anterior me atingiu como uma ressaca de vodca barata misturada com energético.

Júlia não estava na cama.

O lado dela estava frio, o que significava que ela tinha levantado há algum tempo. Eu me sentei, sentindo a cabeça latejar. A roupa de ontem estava jogada no chão, formando um caminho patético até a porta. Vesti uma camiseta qualquer que encontrei na mala e uma bermuda, evitando olhar para o espelho porque sabia exatamente que tipo de cara derrotada eu veria refletida.

Desci as escadas de madeira que rangiam sob meu peso, denunciando minha presença para quem quer que estivesse lá embaixo. Cada degrau parecia gritar "covarde" ou "corno" — escolha seu xingamento preferido. A casa estava banhada pela luz dourada da manhã que entrava pelas janelas grandes, criando um contraste cruel com a escuridão moral da noite anterior.

Na cozinha, a cena que me cumprimentou era um quadro surrealista do meu novo normal, e eu precisei segurar no batente da porta para processar completamente.

Júlia estava de costas para mim, de frente para o fogão, vestindo apenas uma das minhas camisas de botão brancas. Era a mesma que eu tinha usado ontem à tarde na viagem. A camisa era grande demais para ela, caindo até a metade das coxas, mas o tecido fino não escondia absolutamente nada quando a luz da janela batia por trás. Eu conseguia ver perfeitamente o contorno da bunda tonificada dela, a curva da cintura, a ausência completa de qualquer roupa íntima. Ela estava passando café na cafeteira italiana velha, e a cena teria sido perfeitamente doméstica e adorável se não fosse pelo detalhe que fazia meu estômago revirar.

Sentado à mesa rústica de madeira, apenas de bermuda e sem camisa, estava o Paulo.

Ele estava relaxado, o braço musculoso apoiado no encosto da cadeira como se fosse o dono da porra da casa, observando a Júlia com uma possessividade que me fez morder o interior da bochecha até sentir o gosto metálico de sangue. Ele não estava apenas olhando; estava estudando, memorizando, *apreciando*. Os olhos dele traçavam a linha da perna dela até onde a camisa começava, demorando-se ali com um sorriso discreto no canto da boca.

"Bom dia, campeão!" Paulo levantou a caneca de café para mim em um brinde sarcástico, o sorriso dele transbordando aquela satisfação pós-coito que eu conhecia bem demais. Só que dessa vez não era *comigo* que ele tinha acabado de trepar. "Dormiu bem? Você parecia meio... *exausto* ontem à noite."

A ênfase na palavra "exausto" foi deliberada, carregada de subtext. Ele estava se divertindo. Estava esfregando na minha cara o que tinha acontecido, testando para ver como eu reagiria. E o pior era que eu não sabia qual era a reação certa. Deveria socar ele? Deveria rir junto e fingir que era tudo uma grande brincadeira de adultos modernos e liberais? Deveria pegar a Júlia pela mão e sair dali imediatamente?

Júlia se virou rapidamente ao ouvir a voz dele. O rosto dela ficou vermelho instantaneamente quando me viu parado no batente da porta, mas ela tentou manter a pose, ajeitando o cabelo atrás da orelha em um gesto nervoso que eu conhecia bem. "Oi, amor. O café está pronto."

A voz dela estava normal demais, controlada demais. Era a voz que ela usava quando estava tentando esconder algo — geralmente uma surpresa de aniversário ou uma compra cara que ela não queria que eu soubesse. Mas agora? Agora ela estava usando para esconder... o quê, exatamente? Vergonha? Excitação residual? Arrependimento?

Eu caminhei até a mesa e me sentei, sentindo o clima pesado o suficiente para ser cortado com uma faca de pão cega. A madeira da cadeira estava fria e dura, um contraste desagradável com o calor que emanava da cozinha compacta. Júlia trouxe uma caneca para mim, e quando ela se inclinou para colocar na mesa, a camisa abriu levemente na frente. Eu vi — e tenho certeza de que o Paulo também viu — o topo dos seios dela, as marcas levemente avermelhadas no pescoço que definitivamente não tinham vindo de mim.

"Obrigado," murmurei, pegando a caneca como se fosse uma âncora.

Foi nesse momento que a Taís apareceu.

Se eu achava que o clima já estava tenso, a entrada dela elevou tudo para um nível completamente novo. Ela desceu as escadas com passos pesados, sem a graça usual. Estava usando óculos escuros gigantescos — daqueles que cobrem metade do rosto — e uma expressão que conseguia ser lida mesmo através das lentes escuras. Era a cara de alguém que tinha passado a noite chorando, ou bebendo sozinha no quarto, ou ambos.

Ela não disse bom dia. Na verdade, ela não disse nada. Apenas pegou uma caneca da prateleira aberta com mais força do que necessário, fazendo o metal bater contra a madeira com um *clang* agressivo. Serviu-se de café, o líquido escuro quase transbordando pela borda, e sentou-se na ponta oposta da mesa — o mais longe fisicamente possível do Paulo sem sair da cozinha.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor de formas que eu não sabia serem possíveis. Eu podia ouvir cada gole que cada pessoa dava, o tique-taque do relógio de parede em forma de galinha, até mesmo o zumbido distante da geladeira velha. Era o tipo de silêncio que grita.

"Então," Paulo começou, batucando os dedos fortes na mesa de madeira, quebrando o silêncio como se estivesse fazendo um favor a todos nós. Ele estava claramente se divertindo com o desconforto geral. "O dia está lindo. Acho que a piscina nos espera, não acham? Temos que aproveitar, já que o Reiner e a Jéssica nos deram esse presente."

A menção aos nossos amigos que deveriam estar aqui foi como jogar sal em ferida aberta. Se a Jéssica e o Reiner tivessem conseguido vir, nada disso teria acontecido. Teríamos sido seis pessoas, e a dinâmica seria completamente diferente. Mas eles se acidentaram, e agora éramos apenas nós quatro em uma casa isolada no interior com uma tensão sexual e emocional que poderia alimentar uma usina nuclear.

Eu olhei para a Júlia. Ela evitou meu olhar completamente, focando com uma intensidade absurda em adoçar o café do Paulo — que ela tinha servido automaticamente sem ele pedir. Quando ela tinha começado a conhecer como ele tomava o café? Eles tinham tido uma conversa sobre isso que eu não tinha presenciado, ou ela simplesmente tinha prestado atenção ontem durante o jantar enquanto eu estava distraído?

"Não sei se é uma boa ideia," a voz da Taís cortou o ar como uma navalha. Ela tinha tirado os óculos escuros, e eu pude ver os olhos inchados, a pele ao redor vermelha. Ela tinha chorado mesmo, e muito. "Acho que alguns de nós deveríamos voltar para a cidade hoje mesmo."

"Taís, amor, não seja dramática," Paulo disse com aquele tom condescendente que provavelmente funcionava com clientes corporativos, mas que agora soava como gasolina em fogo. "Foi só um jogo. Todo mundo se divertiu."

"*Todo mundo?*" A voz dela subiu uma oitava. Ela se levantou bruscamente, a cadeira raspando ruidosamente no piso de cerâmica. "TODO MUNDO se divertiu, Paulo? MESMO?"

Júlia congelou junto à pia, a colher ainda na mão. Eu podia ver os ombros dela tencionarem.

"Amor, você participou também," Paulo tentou, mas havia algo na forma como ele disse que me fez perceber algo. Ele não era apenas um idiota sem noção. Ele sabia *exatamente* o que estava fazendo. Cada palavra, cada gesto, era calculado. Ele estava manipulando a situação, mantendo todas as bolas no ar, e se divertindo com isso.

"Eu participei porque você me EMPURROU para aquilo!" Taís explodiu. As lágrimas começaram a escorrer livremente agora. "Você arrancou minha porra da camisa na frente deles! Você me expôs como se eu fosse... como se eu fosse algum pedaço de carne para exibição!"

"Você não reclamou na hora," Paulo respondeu calmamente, mas eu podia ver a mandíbula dele tensionar. Estávamos entrando em território perigoso.

"Porque eu estava BÊBADA! E porque eu não queria estragar a noite de todo mundo!" Ela limpou as lágrimas com as costas da mão, borrando o rímel que tinha sobrevivido. "Mas parece que você não teve problema nenhum em estragar o resto da noite sem mim, não é?"

O ar saiu completamente da cozinha.

Então era isso. A Taís não estava brava apenas por ter sido exposta. Ela estava com ciúmes. Ciúmes da Júlia. Ciúmes do que tinha acontecido depois que ela subiu. E honestamente? Ela tinha todo o direito de estar.

"Taís, eu..." Júlia finalmente se virou, a culpa escrita em cada linha do rosto dela.

"Não." Taís levantou a mão, cortando qualquer desculpa antes que ela pudesse se formar. "Não quero ouvir, Júlia. Você é minha melhor amiga desde que a gente tinha SETE anos. SETE. E você... você..."

A voz dela falhou. Ela não conseguiu terminar a frase. Em vez disso, ela jogou a caneca ainda cheia de café na pia — o líquido espalhando e a porcelana quebrando em pedaços — e saiu pisando duro da cozinha, subindo as escadas com força suficiente para fazer os quadros nas paredes tremerem.

O silêncio que ficou era de um tipo diferente. Era o silêncio depois que uma granada explode e você está checando se ainda tem todos os membros.

Júlia estava tremendo. Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela, e de repente ela parecia muito menor, muito mais frágil do que eu estava acostumado a ver. Ela nunca foi a pessoa mais confiante, mas sempre teve uma força silenciosa. Agora? Agora ela parecia estar desmoronando.

Paulo, para me surpreender, ficou quieto. Mas o sorriso ainda brincava nos cantos da boca dele. Ele tinha plantado o caos e agora estava apenas assistindo a colheita.

Eu me levantei, minha cadeira raspando no chão, e fui até a Júlia. Coloquei as mãos nos ombros dela, sentindo-a tremer sob meu toque.

"Eu estraguei tudo," ela sussurrou. "Eu estraguei minha amizade. Eu estraguei a gente. Eu..."

"Ei," eu interrompi suavemente, virando ela para me encarar. As lágrimas desciam livremente agora, e eu limpei com os polegares, segurando o rosto dela entre minhas mãos. "Você não estragou nada. Eu... eu te incentivei. Isso está em mim também."

Mas enquanto eu dizia isso, olhando nos olhos verdes dela que agora pareciam mais escuros com a emoção, uma parte da minha mente — a parte doente, pervertida, viciada em adrenalina — estava pensando em outra coisa completamente diferente.

Eu estava pensando em como o Paulo ainda estava ali.

Eu estava pensando em como ainda tínhamos o dia inteiro.

Eu estava pensando em como, apesar de todo o drama, todo o choro, toda a dor que estávamos causando, eu ainda queria ver o que aconteceria a seguir.

E Deus me ajude, acho que a Júlia também queria.

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Comentários

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Muito bom conto, escrito com detalhes e sem pressa, parabéns! Ansioso pela continuação!

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