Era um sábado abafado, daqueles em que o céu fica branco de tão quente e as cigarras gritam como se estivessem pedindo socorro. A casa da vó estava cheia, o cheiro de feijão tropeiro e a gritaria dos tios discutindo política preenchiam cada cômodo. Eu estava no canto do sofá, mexendo no celular, quando o Rodrigo passou por mim. Ele nem olhou direito, só chutou de leve o meu tênis e soltou, baixo o suficiente para só eu ouvir:
— Vou lavar a égua na cachoeira do Lageado. Vamos?
Meu coração deu aquele salto familiar. "Lavar a égua" era o código para pegar o Gol quadrado velho dele e sumir.
— Vó, vou com o Rodrigo! — gritei para a cozinha, já me levantando.
— Vão com Deus, meninos! Cuidado com as pedras! — ela respondeu, sem nem imaginar o perigo real que a gente corria.
O caminho até o Lageado era uma estrada de terra batida, cercada por um mato alto e poeirento. O carro tremia inteiro nos buracos, e o calor lá dentro era uma estufa. Rodrigo dirigia com uma mão no volante e a outra apoiada na minha perna, apertando minha coxa a cada marcha trocada. Ele estava quieto, concentrado, mas o ar entre nós vibrava.
Quando chegamos, o lugar estava deserto. Era uma queda d’água modesta, escondida num barranco de pedras escuras, cercada por árvores retorcidas que faziam uma sombra fresca e úmida. O som da água batendo nas pedras abafava qualquer pensamento racional.
Rodrigo estacionou, desligou o motor e o silêncio da natureza caiu sobre nós.
— Tira tudo — ele disse, sem rodeios, já tirando a camisa e jogando no banco de trás.
Eu obedeci. Ali, no meio do mato, a vergonha não tinha vez. Fiquei nu, sentindo o ar úmido tocar minha pele. Eu parecia um fantasma de tão branco contra o verde escuro da mata. Rodrigo me olhou de cima a baixo, aquele sorriso de dono aparecendo no rosto.
— Você brilha nesse mato, Igor. Dá pra te ver de longe.
Entramos na água. O choque térmico foi grande. A água estava gelada, trincando os ossos, e fez meus mamilos endurecerem na hora. Eu suspirei, tentando me acostumar, mas Rodrigo não me deu tempo. Ele me puxou para a parte mais funda, onde a água batia no peito, e me prensou contra uma pedra lisa e coberta de limo.
A frieza da pedra nas minhas costas contrastou violentamente com o calor do corpo dele colado no meu. Dentro da água, a gravidade funcionava diferente. Eu me sentia leve.
— Segura em mim — ele mandou.
Eu enlacei minhas pernas na cintura dele. A água facilitava tudo. Eu flutuava, e ele me sustentava com uma facilidade absurda. Ele me beijou, um beijo molhado, com gosto de rio e desejo, enquanto as mãos dele debaixo da água abriam minhas nádegas, deixando a água gelada entrar e preparar o caminho.
— Tá geladinho... — ele sussurrou no meu ouvido, mordendo minha orelha. — Vou te esquentar agora.
Quando ele entrou, foi diferente de tudo. A água lubrificava, mas também tirava um pouco da sensibilidade externa, fazendo com que a sensação interna fosse ampliada. Eu sentia ele preenchendo cada espaço, quente, pulsante, uma invasão gostosa dentro do meu corpo frio.
— Rodrigo... — eu gemi, a voz ecoando nas pedras.
— Isso... grita. Aqui pode. — Ele começou a se mover.
O movimento era facilitado pela água. Ele me subia e descia no colo dele, usando a flutuabilidade a nosso favor. A cada descida, ele ia fundo, tocando lugares que na cama a gente não alcançava. O som da água chapinhando se misturava com o som da nossa pele molhada se chocando.
Ele me segurava com força, as unhas cravando na minha cintura, deixando marcas vermelhas que logo sumiam sob a água corrente. Eu joguei a cabeça para trás, olhando para a copa das árvores, sentindo a natureza girar. Eu não era mais o Igor, o primo quieto. Eu era parte daquela mata, bicho, instinto puro.
Ele aumentou o ritmo, brutal e eficiente. A água fria batendo nas minhas bolas encolhidas, o pau dele fervendo dentro de mim... essa mistura de temperaturas me levou à loucura.
— Eu vou gozar, Rodrigo! Eu vou...
— Goza! Goza na água, deixa o rio levar! — ele falou.
Eu explodi, meu corpo todo tremendo nos braços dele, um espasmo que quase nos fez escorregar. Segundos depois, senti ele travar, enterrar o rosto no meu pescoço molhado e bombear as últimas vezes, despejando tudo dentro de mim, me enchendo de calor num mundo gelado.
A volta foi silenciosa no começo. O sol já estava baixando, pintando o céu de roxo e laranja. Estávamos secos, mas a pele ainda formigava. Rodrigo dirigia devagar pela estrada de terra deserta. Não passava ninguém ali àquela hora.
Ele olhou para mim. Eu estava no banco do passageiro, olhando a poeira subir lá fora.
— Vem cá — ele disse. Não era um pedido.
Meu coração disparou de novo. Com o carro em movimento?
— Rodrigo, a estrada...
— Vem. Eu seguro. A estrada é reta.
Eu soltei o cinto. Com dificuldade, passei as pernas para o lado do motorista. O espaço era apertado, o câmbio atrapalhava, mas a dificuldade só aumentava a excitação. Eu me sentei no colo dele, de frente para ele, minhas costas apoiadas no volante, minhas pernas abertas sobre os ombros dele, uma de cada lado do banco.
A visão era tudo. O painel do carro aceso, a estrada de terra passando lá fora, e eu ali, montado nele enquanto ele dirigia.
— Você é doido... — eu sussurrei, mas já estava duro de novo.
— E você gosta. — Ele riu, uma mão no volante controlando o carro nos buracos, a outra subindo pela minha coxa, apertando minha bunda.
O carro trepidava na estrada de terra. A vibração do motor, somada aos solavancos dos buracos, passava do banco para o corpo dele e do corpo dele para o meu. Era um estimulante constante.
Ele abaixou o zíper da calça com uma mão, lutando contra o balanço do carro. Quando ele se libertou, já estava duro de novo. A juventude tem essa vantagem; a recuperação é imediata.
Eu me ajeitei. O teto do carro era baixo, eu tinha que ficar curvado, o que me deixava numa posição de submissão total, com o rosto na altura do pescoço dele. Eu desci devagar, engolindo ele ali mesmo, com o carro a 40 por hora.
— Puta merda, Igor... — ele sibilou, apertando o volante com força até os nós dos dedos ficarem brancos.
A sensação era perfeita. O carro balançava, e a cada buraco, ele entrava mais fundo sem querer, me pegando de surpresa. Eu gemia a cada solavanco. Era um sexo ditado pelo terreno. Se a estrada era ruim, a estocada era funda.
Ele largou o volante por um segundo para segurar minha cintura com as duas mãos e me ajudar a quicar. O carro derivou um pouco para a esquerda, levantando poeira.
— O carro, Rodrigo! — eu gritei, rindo de nervoso e de prazer.
— Foda-se o carro... — ele grunhiu, retomando o controle com uma mão e mantendo a outra firme na minha bunda, me controlando.
Eu comecei a rebolar no ritmo da estrada. O perigo de alguém aparecer na curva, o perigo de batermos numa cerca, tudo isso funcionava como gasolina. Eu beijava o pescoço dele, sentindo o gosto salgado do suor que tinha secado. Eu podia sentir os músculos da coxa dele trabalhando para pisar no acelerador e no freio, e esse movimento sutil dentro de mim era enlouquecedor.
Não demorou muito. A vibração do carro, o perigo e o atrito constante nos levaram ao limite rápido.
— Eu não vou aguentar chegar em casa... — ele avisou.
— Não para, não para... — eu implorei, quicando mais rápido, usando o teto do carro para me apoiar.
Ele freou bruscamente no meio da estrada, levantando uma nuvem de poeira vermelha que cobriu o carro. O tranco fez ele entrar tudo de uma vez, com violência.
Ali, parados no meio do nada, cercados pela poeira, ele me segurou com as duas mãos e me golpeou de baixo para cima, forte, sem piedade, até ele gozar dentro de mim de novo e nós dois desabarmos juntos, ofegantes, suados, o carro morrendo no silêncio da estrada.
Ficamos ali por um tempo, eu com a cabeça no ombro dele, ouvindo o motor estalar enquanto esfriava.
— A gente vai acabar se matando um dia — eu sussurrei, rindo fraco.
Rodrigo passou a mão no meu cabelo, ajeitando meus óculos tortos que eu tinha colocado de volta.
— Mas que morte boa, hein, primo? — ele respondeu, dando partida no carro de novo. — Agora veste a roupa antes que a gente chegue na cidade.
Eu me vesti no banco do passageiro, olhando para ele dirigir. Ele tinha aquele sorriso de canto de novo. E eu... eu me sentia vivo. Perigosamente vivo.