Jonas: O recomeço em Uburici

Um conto erótico de Jonas
Categoria: Heterossexual
Contém 1638 palavras
Data: 23/01/2026 21:32:36

Fala meus queridos, tudo bem com vocês? Há quanto tempo, hein! Desde a última vez que vim aqui, minha vida deu um monte de voltas. Antes de começar, já me adianto que não moro mais em Florianópolis, estou morando agora no interior, resolvi junto com a Luana apostar numa vida nova longe de tudo aquilo que causou danos no nosso casamento.

Eu sou um homem comum, cheio de defeitos, mas também com vontade sincera de acertar, pois, sempre fui muito ligado à ideia de família. E agora, mais do que nunca, eu queria uma vida nova. Sem excessos.. Sem aquelas escolhas que, no passado, pareciam liberdade, mas que hoje eu sei que cobraram um preço alto demais.

Depois de tudo o que aconteceu, eu e a Luana decidimos sair de Florianópolis. Não foi uma fuga, mas também não foi só uma mudança geográfica. Foi uma tentativa real de recomeço. Viemos morar em Urubici, aqui na serra catarinense. Um lugar que respira outro ritmo. Friozinho de manhã cedo, neblina descendo devagar pelas montanhas, gente que se conhece pelo nome, silêncio que não incomoda — pelo contrário, acalma.

Urubici tem me feito bem. Eu acordo cedo, tomo meu café olhando a serra, sinto o cheiro da terra molhada. Aqui as coisas parecem mais simples, mais honestas. Não tem aquela pressa de cidade grande, aquela sensação de que tudo está sempre por um fio. Aqui, o tempo passa diferente. E isso ajuda quando a cabeça está tentando se reorganizar.

Eu e a Luana estamos tentando. Não vou romantizar. O que a gente viveu não foi pequeno. O aniversário dela — aquele aniversário — ainda ecoa em mim. Foi ali que tudo desandou de vez. A traição dela com o Maurício não foi só uma quebra de confiança, foi uma quebra de chão. Eu senti o mundo sair do lugar. E, pra piorar, a Clara, mulher do Maurício, acabou me procurando numa das minhas viagens a trabalho no Rio Grande do Sul. Ela estava ferida, machucada, com sede de resposta… e também de troco.

O que aconteceu entre mim e a Clara foi curto, intenso e confuso. Um pequeno romance, desses que nascem mais da dor do que da escolha consciente. Não me orgulho. Não finjo que não aconteceu. Mas também não deixo isso definir quem eu sou hoje. Aquilo ficou lá, no meio do caos. Não quero carregar isso pra frente e foi justamente por isso que eu quis mudar tudo. Quis sair do ambiente que alimentava excessos. Queria evitar ou reduzir aquelas experiências de trocas de casais, ménages, noites que começavam sem limites e terminavam sem memória. Aquilo deixou marcas. Em mim. Na Luana. No nosso jeito de se olhar.

Aqui em Urubici, eu queria construir algo diferente. Um cotidiano mais limpo. Uma relação menos ruidosa. No entanto, a vida adora pregar peças e me apresenta o Lázaro, um colega de trabalho.

No trabalho, acabei conhecendo o Lázaro. Um cara diferente do que eu estava acostumado a conviver. Evangélico antigo de igreja, mas com uma cabeça mais aberta do que o estereótipo costuma sugerir. Boa aparência, se cuida, frequenta academia, conversa fácil. Daqueles sujeitos que falam com calma, mas que te observam com atenção.

A amizade com o Lázaro surgiu naturalmente. Almoço aqui, café ali, conversa no fim do expediente. Ele nunca foi invasivo, nunca tentou me converter ou coisa do tipo. Falávamos de trabalho, de rotina, da vida no interior. Até que, com o tempo, os assuntos foram ficando mais profundos.

O Lázaro tinha essa coisa curiosa: era religioso, mas não ingênuo. Falava de fé, mas também falava de carne, de desejo, de curiosidade. Um dia, numa dessas conversas mais longas, ele comentou — meio rindo, meio sério — que tinha muita coisa que gostaria de experimentar pelo menos uma vez na vida. Disse que se sentia culpado por pensar nessas coisas, mas que não conseguia fingir que elas não existiam e que há momentos que a vida de casado precisava passar por uma apimentada.

A conversa foi ficando delicada. Ele não revelou fantasias específicas, mas deixou escapar referências, comentários, empolgação com relatos que tinha ouvido ou visto na internet. Fetiches que, pra mim, não eram novidade nenhuma.

Aquilo me espantou. Não por julgamento, mas por constatação. Até no interior, até entre pessoas religiosas, o desejo encontra brechas. A fantasia não escolhe CEP nem religião. Ela só existe. O pior, parece até que eu atraio isso.

Em nossas conversas, eu tentei, sempre de forma sutil, puxar a conversa pra outro lado. Falava de treino, de rotina, de trabalho. Não porque eu tivesse medo do Lázaro, mas porque eu já sabia onde esse tipo de conversa podia levar. Eu sabia o estrago que a perda de controle causava. Não queria ser gatilho pra nada. Nem pra ele, nem pra mim.

Nunca contei pro Lázaro sobre Florianópolis. Nunca falei das orgias, das trocas, da vida intensa que eu deixei pra trás. Nem expliquei exatamente por que saí da cidade grande. Algumas histórias precisam morrer onde aconteceram.

Com o tempo, começamos a treinar juntos à noite. Academia pequena, ambiente tranquilo. Aquilo virou quase um ritual. Treino, conversa rápida, cada um pra sua casa. Um hábito saudável. Um jeito de ocupar a mente e o corpo.

Enquanto isso, minhas lembranças da Luiza seguia presente — mesmo à distância. As conversas no WhatsApp eram frequentes. Ela dizia que estava com saudade, que sentia falta da nossa convivência, da nossa proximidade.

Eu sabia o quanto ela gostava de mim. E também sabia que eu sentia algo forte por ela. Não dava pra negar. A gente tinha dividido a cama várias vezes, sob o consentimento da Luana. Tinha intimidade, cumplicidade, história. Mas agora tudo precisava ser diferente.

Eu respondia com cuidado. Dizia que também sentia falta, que estava curtindo a nova vida, que aguardava a visita deles, Luiza e o Pedro, quando desse. Sempre reforçava: sem pressa. No tempo certo. Eu não queria fechar portas, mas também não queria abrir atalhos perigosos. E eu realmente espero que venham. Só não agora. Ainda não.

Aqui, minha vida é outra. Descobri que gosto de coisas simples. Nunca fui ligado em futebol. Joguei na adolescência, coisa de colégio, nada demais. Mas o Lázaro me chamou pra um jogo de domingo: a tal da “babá dos coroas”. Futebol amador, galera mais velha, sem competitividade exagerada.

Ele explicou que naquele domingo seria aniversário de um dos membros do grupo, do Joaquim. Depois do jogo, fariam uma festinha. Nada grande. As esposas levariam salgados, o aniversariante ficaria responsável pela carne e pelo carvão, os jogadores levariam bebidas alcoólicas pra quem bebia e refrigerante pra quem não bebia.

Achei a ideia simples e… boa. Vida normal. Coisa que eu estava aprendendo a valorizar.

Quando eu disse que precisava falar com a Luana antes, o Lázaro sorriu e completou, num tom bem tranquilo, que adoraria que fôssemos. Disse que a esposa dele, a Daniele, iria com certeza e que o filho deles, ainda pequeno, também estaria lá. Falou com um certo orgulho de pai, sabe? Comentou que queria muito apresentar a família dele pra mim e pra Luana, conhecer a gente melhor fora do ambiente de trabalho, como casal mesmo. Eu disse que achava bacana, que ia conversar com a Luana e que depois retornava pra combinarmos o que levar.

Quando cheguei em casa naquele dia, a Luana estava sentada no sofá, mexendo no celular, com aquele jeito tranquilo que ela adquiriu depois da mudança. Comentei do convite do Lázaro para o jogo de domingo — o tal baba dos coroas — e da festinha simples que fariam depois, por causa do aniversário do Joaquim. Ela ouviu com atenção, sorriu e disse que achava uma boa ideia. Mas logo em seguida ela comentou que já tinha combinado outra coisa para o mesmo dia. Tinha aceitado sair de bicicleta com a amiga da academia, a Luciana. Um passeio leve até a fazenda do pai dela. Iriam em grupo, o noivo da Luciana, o Danilo, também iria. A ideia era pedalar, tomar banho de rio, respirar um pouco e voltar antes do fim da tarde.

Ela fez questão de dizer que queria muito que eu fosse junto. Disse que seria bom pra gente, pra eu conhecer a Luciana pessoalmente, o Danilo, o lugar. Eu confesso que fiquei dividido. Queria ir com ela, mas também tinha ficado animado com o futebol. Não pelo jogo em si, mas pelo simbolismo: era a primeira vez que eu começaria a criar vínculos ali, fora do trabalho.

Comentei isso com a Luana, sem rodeio. Disse que gostaria de ir à pedalada, mas também queria muito participar do futebol, principalmente por ser o primeiro convite, o primeiro domingo com o grupo.

— Então faz assim — ela disse. — Eu vou com a Luciana, faço a pedalada, tomo o banho de rio, e volto antes do horário do aniversário. Quando eu estiver voltando, passo na padaria e levo alguma coisa pra festa. A gente se encontra lá.

Concordei na hora.

Mesmo assim, antes de dormir, ainda perguntei se ela não preferia cancelar o passeio e deixar pra outro domingo, pra irmos juntos desde o começo. Não por insegurança, mas por vontade de estar perto. Ela sorriu, me abraçou e disse que estava tudo bem daquele jeito, que era importante a gente também ter nossos momentos separados, sem isso virar distância.

No dia seguinte — era uma terça-feira — ela me falou que conversou com Luciana, durante o treino, que precisaria remarcar o passeio. Disse que queria estar comigo no primeiro baba dos coroas que eu participaria, que aquilo era importante pra mim. Segundo ela, a Luciana entendeu na hora, sem nenhum incômodo. Propuseram então deixar a pedalada para o domingo seguinte.

Quando a Luana me contou isso à noite, senti um orgulho silencioso dela. Não foi renúncia forçada, nem sacrifício teatral. Foi escolha. Daquelas que a gente faz quando quer cuidar do que está construindo.

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Comentários

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Gostei. Vcs só se separam com a morte. Foram com muita intensidade sem controle.. ainda mais da parte da Luana. Olhando pra tudo vc tb aproveitou Jonas, se envolveu sentimentalmente com Luiza, foi uma forma de traição a Luana e sabe disso. O lado bom é que vc consegue ter mais controle que ela e sabe afastar quando quer até sentimentos. Acredito que devam dar um tempo longo na abertura do casamento. E na boa, assuma o controle. Luana não tem controle e não espere que isso parta dela. Assuma que é você quem controla a porra toda! Seja dominante.

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