As Minhas Aventuras - 8º Capítulo - ​A Tensão entre as Portas

Um conto erótico de Fernando
Categoria: Gay
Contém 6186 palavras
Data: 25/01/2026 00:41:09

dia seguinte ao culto foi um inferno. Eu sentia o toque do Natan na minha cintura como se a mão dele ainda estivesse ali, queimando a pele por baixo da camisa polo azul que minha mãe lavou com tanto carinho, usando aquele amaciante de sempre que cheirava a "casa de família cristã".

No trabalho, eu não rendi nada. Cada vez que eu fechava os olhos, a imagem daquela jaqueta de couro dele surgia na minha mente, e eu ainda conseguia sentir o gosto daquela língua invasora, ácida e viciante.

​Eu me sentia um hipócrita completo. Enquanto meus colegas de trabalho falavam de metas, eu só pensava no peso da mão dele. Quando saí do serviço e cheguei no CDHU, minhas pernas pareciam feitas de chumbo. Eu tentei, juro que tentei não olhar para a janela dele, mas o meu corpo parecia ter vida própria, uma bússola interna que só apontava para o perigo.

​Ele não estava na janela. O Natan estava lá embaixo, no pátio, escorado naquela moto preta que brilhava sob o sol do final da tarde. Ele estava com uma regata preta, tão justa que parecia uma segunda pele, deixando os braços absurdamente gigantes à mostra.

O tríceps dele era marcado, e as veias saltavam conforme ele segurava um cigarro. Ele me viu. Dessa vez, não houve sorriso provocante ou piscadela. Ele apenas me encarou com uma seriedade que me fez estremecer, e inclinou a cabeça levemente, indicando o bloco.

​Um comando.

E eu, o "bom moço" da igreja, obedeci sem dizer uma palavra.

​Subi os lances de escada sentindo meu coração martelar contra as costelas de um jeito que eu achei que ia desmaiar antes de chegar ao terceiro andar. Quando passei pelo corredor dele, a porta estava entreaberta. Um convite mudo, escuro e perigoso. Eu entrei.

​O apartamento estava na penumbra. As cortinas grossas barravam a luz do sol, deixando apenas o brilho fraco da lâmpada da cozinha ao fundo. O cheiro de café que eu senti na primeira vez tinha sido substituído por algo mais pesado: um incenso forte de sândalo misturado com o cheiro de couro e solvente de tinta.

​O Natan entrou logo atrás de mim. Eu ouvi o som da porta batendo e, logo em seguida, o estalo da fechadura. Aquele som... pareceu um tiro de misericórdia no silêncio do lugar.

Eu estava trancado com ele.

​— O crente veio buscar o perdão ou mais pecado? — ele sussurrou. A voz dele era um trovão baixo, vibrando logo atrás da minha nuca.

​Eu senti o calor do corpo dele antes mesmo de ele me tocar. Eu estava imóvel, rígido.

— Natan... a Letícia me mandou mensagem agora pouco... ela queria saber se eu vou no ensaio do coral... — tentei dizer, mas minha voz falhou, saindo como um sussurro patético.

​Ele não esperou eu terminar. A mão dele, pesada, quente e áspera de quem lida com rua, subiu por dentro da minha camiseta polo. O contato da pele dele com as minhas costas espalhou um rastro de eletricidade que me fez soltar o ar dos pulmões de uma vez.

​— Esquece a santa, Fernando. Ela não sabe nem o começo do que você gosta — ele disse, colando o peito largo nas minhas costas. Eu sentia a dureza dos músculos dele me prensando.

— Eu quero ver se você é tão comportado assim quando a luz apaga. Se esse seu Deus vai descer aqui pra te tirar da minha mão.

​Ele me virou de frente com uma brutalidade controlada, me segurando pelos ombros e me prensando contra a porta de madeira velha. O impacto me deixou tonto por um segundo, mas o desejo foi maior. As mãos dele foram direto para o meu cinto, rápidas, experientes, sem nenhuma hesitação. Eu estava trêmulo, mas minhas mãos, famintas por toque, buscaram desesperadamente os músculos do abdômen dele por baixo da regata. O relevo daqueles gomos era perfeito, e o calor que emanava dali me deixava zonzo.

​— Você me pichou, Natan... — eu disse, ofegante, enquanto ele enterrava o rosto no meu pescoço.

​Ele deu uma mordida forte, exatamente onde a gola da camisa escondia.

— Eu ainda não comecei, garoto. Vou deixar marcas em lugares que o seu pai nunca vai imaginar. Vou tatuar o meu nome em você sem usar agulha.

​Ele me suspendeu do chão como se eu não pesasse nada. Meus pés perderam o contato com o piso e minhas pernas envolveram o quadril dele por puro instinto de não cair. O contraste era absurdo: eu ainda sentia o peso da "santidade" do culto de domingo, mas o que o Natan fazia comigo ali, com aquelas mãos possessivas e aquela boca faminta que agora buscava a minha, era a única coisa que me fazia sentir verdadeiramente vivo

Ele me carregou pelo corredor curto, meus braços apertando o pescoço dele como se ele fosse a única boia em um oceano revolto. O Natan não caminhava, ele avançava. Cada passo dele era firme, fazendo o assoalho de taco do CDHU ranger sob o peso do nosso desejo acumulado. Quando entramos no quarto, a temperatura parecia ter subido dez graus.

​O quarto era o santuário dele. Não tinha luxo; apenas um colchão de casal jogado direto no chão, cercado por latas de spray coloridas, esboços de grafites colados nas paredes com fita crepe e o cheiro onipresente de fumo e masculinidade. Ele me soltou sobre o colchão e o impacto me fez afundar um pouco, sentindo a textura do lençol de algodão escuro.

​— Fica aí — ele ordenou, a voz saindo como um rosnado de comando. — Não se mexe.

​Eu fiquei deitado, o peito subindo e descendo freneticamente. Eu olhava para ele, e a imagem era de uma beleza agressiva. O Natan parou de pé na minha frente e, com um movimento lento e deliberado, puxou a regata preta pela cabeça. Os músculos das costas dele se contraíram, revelando uma tatuagem enorme de uma asa que parecia querer sair da pele. O peito dele era largo, com uma penugem escura e rala que se concentrava em volta dos mamilos e descia em uma linha perfeita, atravessando o abdômen trincado até sumir no cós da calça.

​— O que foi, Fernando? Nunca viu um homem de verdade sem armadura? — ele provocou, soltando o botão da calça jeans surrada.

​Eu não conseguia responder. Minha garganta estava seca. Quando a calça dele caiu, revelando as coxas grossas e marcadas, e logo em seguida a cueca, eu senti o meu mundo cristão desabar de vez.

O pau do Natan era uma afronta a qualquer moralidade que eu conhecesse.

Era grande, muito grosso, de uma cor bronzeada que latejava conforme o sangue o preenchia. As veias saltadas pareciam estradas em relevo, e a cabeça era larga, já brilhando com uma gota de desejo na ponta.

A base era envolta em pelos pretos, grossos e cerrados, que exalavam o cheiro acre e viciante dele.

​— Vem aqui — ele sentou na beirada do colchão, abrindo as pernas e me puxando pela cintura até eu ficar ajoelhado entre seus joelhos.

— Eu sei que você passou o dia todo pensando nisso. Eu senti o seu olhar no pátio. Agora prova o que você queria.

​Eu me aproximei devagar. Minhas mãos, pálidas perto da pele dele, envolveram aquela grossura. O calor era chocante. Eu sentia o pulsar do coração dele ali, na palma da minha mão.

​— Usa a boca, Fernando. Quero que você sinta cada centímetro do que é ser meu — ele disse, enterrando a mão no meu cabelo e me guiando.

​Eu abri os lábios, sentindo o tremor nos meus dedos. Quando a ponta dele tocou minha língua, o gosto era intenso, salgado, carregado de uma masculinidade que eu nunca imaginei provar. Eu o envolvi, tentando acomodar aquela espessura. Era difícil; ele era grande demais, largo demais. Eu o chupava com uma fome que vinha da alma, indo até onde minha garganta permitia, sentindo o vácuo que eu criava fazer o Natan soltar um suspiro longo e pesado.

​— Isso... porra, garoto... você nasceu pra isso — ele murmurou, a voz falhando pela primeira vez.

​A cada movimento da minha cabeça, eu sentia os pelos grossos e ásperos da base do pau dele batendo contra o meu nariz e minhas bochechas. O cheiro de homem, de suor limpo e de desejo impregnava meus sentidos. Eu me sentia pequeno, mas ao mesmo tempo poderoso por tirar aqueles sons dele. Eu desci para as bolas dele, sentindo o peso e o calor delas, usando a língua para mapear cada vinco da pele enquanto o Natan cravava as unhas no meu ombro.

​— Para... para um pouco — ele disse, me puxando para cima com força, o olhar em chamas. — Se você continuar, eu vou descarregar na sua boca agora mesmo, e eu quero que você sinta muito mais do que isso.

​Ele me empurrou para trás, me deitando de vez no colchão, e começou a arrancar minha camisa polo e minha calça. Eu me sentia exposto, como um sacrifício no altar. Quando eu estava totalmente nu sob o olhar dele, ele parou por um segundo, admirando o contraste.

​— Você é muito branco, Fernando. Parece que nunca viu o sol — ele passou a mão pelo meu peito, descendo até o meu pau, que já estava rígido e chorando. — Vamos ver se você tem o gosto tão doce quanto parece.

​Foi a primeira vez que senti a boca de um homem em mim. O Natan não teve pressa. Ele começou lambendo a base, subindo lentamente até a ponta, fazendo círculos com a língua que me faziam perder o fôlego. Quando ele me abocanhou de vez, a sucção era quente, experiente, rítmica. Eu gemia o nome dele, minhas mãos perdidas nos cabelos curtos da nuca dele.

​— Natan... ah... por favor... — eu balbuvei, sentindo que ia explodir.

​Mas ele não parou. Ele desceu mais, separando minhas pernas com as mãos grandes. Senti a respiração quente dele entre minhas nádegas e, logo em seguida, a língua dele, úmida e decidida, explorando o meu cu. O choque elétrico foi tão forte que eu dei um solavanco no colchão, as unhas cravando no lençol.

​— Natan! O que você tá fazendo? — eu perguntei, entre o susto e o prazer absoluto.

​Ele levantou o rosto, o olhar carregado de luxúria.

— Estou te preparando, crente. Quero que quando eu entrar, você saiba que não existe mais volta. Quero que você esteja implorando por mim.

​O Natan se deitou de costas, os braços abertos sobre o colchão, revelando toda a extensão do seu corpo tatuado e imponente. O pau dele estava ereto, apontando para o teto, latejando a cada batida do seu coração. Ele me encarou, os olhos escuros brilhando com um desafio silencioso.

​— Senta aqui, Fernando — ele ordenou, a voz grave vibrando no quarto.

— Eu quero que você tome o controle. Quero que você sinta o peso do que escolheu.

​Eu me posicionei sobre ele, minhas pernas trêmulas de cada lado do seu quadril. O contraste era gritante: minhas coxas claras e macias contra a pele bronzeada e calejada dele. Eu segurei o pau dele com a mão, guiando a cabeça larga para a minha entrada, que ainda pulsava pelo toque da sua língua.

​— Devagar... Natan, é muito... — eu comecei, mas ele interrompeu, segurando firme na minha cintura.

​— Só relaxa, garoto. Deixa eu te preencher.

​Eu comecei a descer. No primeiro instante, senti como se estivesse sendo aberto por uma tora de ferro em brasa. A dor e o prazer se misturaram em um grito que ficou preso na minha garganta. Fui descendo milímetro por milímetro, sentindo cada veia do pau dele me esticando, me ocupando por completo. Quando finalmente cheguei ao fim, soltei um suspiro longo, o corpo todo amolecendo sobre o dele. Eu estava sentado por completo, e o calor era absurdo. Eu sentia os pelos grossos e ásperos da base do pau dele encostando diretamente na minha bunda, um toque másculo que me causava arrepios elétricos.

​— Porra... — Natan arfou, as mãos dele apertando minha cintura com tanta força que eu sabia que deixaria marcas. — Você é muito apertado, Fernando. Parece que foi feito sob medida para mim.

​Eu comecei a me mover. No início, eram movimentos curtos, tentando me acostumar com a sensação de ter aquele volume todo dentro de mim. Mas logo o Natan começou a ajudar, me impulsionando para cima e para baixo. O som da nossa pele batendo, o estalo do suor se misturando e os nossos gemidos preenchiam o ar pesado do quarto.

​— Gosta disso, né? — ele provocou, o olhar fixo no meu. — Gosta de sentir o pichador te estraçalhando por dentro enquanto sua mãe acha que você está no grupo de jovens?

​— Gosto... ah, Natan! Mais! — eu gritava, perdendo qualquer rastro de pudor.

​Ele me puxou para baixo para um beijo brutal. O gosto de nós dois estava ali. Ele não me deu descanso. Com um movimento ágil, ele me virou, me deixando na posição de frango assado. Minhas pernas foram dobradas contra o meu peito, meus pés perto dos meus ombros, me deixando totalmente escancarado para ele. Eu nunca tinha me sentido tão vulnerável, tão bicho.

​Natan segurou minhas coxas com as mãos gigantes, os dedos cravando na minha carne, e voltou a entrar. Agora, sem o controle, eu sentia cada estocada batendo no fundo da minha alma. O pau dele ia tão fundo que eu sentia o impacto no meu abdômen.

​— Olha pra mim, Fernando! — ele rosnou, me puxando novamente para um beijo. Nossas línguas se batiam com violência. — Esquece tudo! Esquece o mundo lá fora! Agora sou eu e você!

​A fricção era desesperadora. Eu sentia o calor crescendo, uma pressão no pé da barriga que eu não conseguia controlar. Sem que eu nem encostasse no meu próprio pau, apenas com a força das estocadas dele e o prazer esmagador daquela posição, eu senti que ia desabar.

​— Natan... eu vou... ah! — tentei avisar, mas a voz sumiu.

​Eu entrei em curto-circuito. Meu corpo retesou e eu gozei ali mesmo, jatos quentes disparando contra o meu próprio peito e o dele, enquanto minhas pernas tremiam violentamente no ar. No mesmo segundo, senti o Natan dar um rosnado animal contra a minha boca. Ele deu três estocadas finais, as mais profundas de todas, e eu senti o calor do gozo dele me inundando por dentro. Era viscoso, quente e parecia que ele estava me marcando internamente, selando o meu destino.

​Ficamos ali, emaranhados, as respirações tentando encontrar o ritmo. O silêncio que se seguiu era denso. Natan se afastou devagar e sentou contra a parede, tateando o colchão até achar o maço de cigarros. Ele acendeu um, a chama do isqueiro iluminando o suor que brilhava no seu peito.

​Eu continuei deitado, sentindo o líquido dele escorrer lentamente entre minhas nádegas, sujando o lençol escuro. Eu me sentia oco, mas ao mesmo tempo, preenchido por uma verdade que eu nunca tive coragem de encarar.

​— E agora? — perguntei, a voz fraca, sentindo o latejar lá embaixo.

​Natan soltou a fumaça lentamente, me olhando de um jeito que me fazia sentir sua propriedade.

​— Agora você volta para a sua vida, crente. Mas toda vez que você se ajoelhar no altar, vai lembrar do meu peso. Vai lembrar do cheiro desses pelos na sua cara e de como o meu pau te fez gritar. Você agora tem a marca da minha tinta, Fernando. E ela não sai com oração.

​Eu me levantei com as pernas bambas, sentindo o incômodo real que me faria andar diferente por um tempo. Vesti minha camisa polo azul, abotoando cada botão até o pescoço para esconder os chupeis roxos que o Natan tinha deixado como assinatura. Eu saí do apartamento dele e Fechei a porta do Natan tentando controlar o tremor nas mãos. Cada nervo do meu corpo parecia vibrar, uma mistura de adrenalina pós-orgasmo e um pânico crescente que começava a tomar conta. O incômodo lá embaixo era real e constante; uma queimação profunda que me obrigava a dar passos curtos, calculados, para não mancar. Eu sentia o líquido dele esfriando e colando na minha pele por baixo da cueca, e o cheiro de incenso barato, suor e fumo parecia gritar na minha polo azul, mesmo com ela abotoada até o pescoço.

​Eu só precisava abri minha porta . Mas, ao abrir a porta o destino me pregou uma peça.

​— Fernando? — O grito veio abafado por um soluço, ecoando no cimento frio do corredor.

​Era a Nayara. Ela estava sentada num degrau mais abaixo, com a cabeça escondida entre os joelhos. Quando me viu, ela se levantou cambaleando, revelando um rosto que era um verdadeiro desastre: rímel escorrendo em trilhas pretas, olhos inchados e o peito subindo e descendo num ritmo de desespero.

​— Nay? O que foi? O que aconteceu? — Tentei soar normal, mas minha voz saiu tensa e sem fôlego. Eu instintivamente fechei as pernas um pouco mais, sentindo a ardência me castigar a cada movimento.

​— Eu não aguento mais, Fernando... eu vou sumir desse lugar! — Ela veio na minha direção e se jogou nos meus braços, chorando alto.

​O impacto do corpo dela contra o meu me fez soltar um gemido de dor que eu tive que camuflar rapidamente como um suspiro de pena. O cheiro do perfume dela se misturou ao odor de sexo cru que emanava de mim, e eu entrei em pânico. Será que ela sente? Será que o cheiro do Natan está saindo pelos meus poros?

​— Calma, Nay... me fala o que houve. É o Son de novo?

​— Aquele lixo! — Ela se afastou um pouco, limpando o rosto com as mãos trêmulas, mas a raiva agora brilhava nos seus olhos. — Eu peguei o celular dele, Fernando. Eu desconfiava, sabe? Aí eu fui ver as câmeras que ele instalou no quarto... ele grava tudo! Ele grava tudo e eu não sabia!

​Meu coração deu um solavanco violento. Eu me lembrei da noite em que fiquei lá no canto do quarto do Son, apenas assistindo os dois, sentindo o olhar dele em mim enquanto ele a possuía.

​— Ele grava tudo, Nay? — Perguntei com a voz falha, o suor frio brotando na minha testa sob o topete sempre impecável.

​— Sim! Eu vi vídeos dele com outras mulheres, Fernando! Vídeos de meses atrás... ele me faz de palhaça na minha própria cama! Eu achei que a gente tinha uma conexão, que aquele fogo todo era só meu, mas ele é um doente! Ele leva qualquer uma pra lá!

​Respirei aliviado por um segundo: se ela estava falando apenas de "outras mulheres", talvez ainda não tivesse chegado na parte das gravações onde eu aparecia assistindo no escuro. Mas o perigo era uma lâmina no meu pescoço.

​— Fernando... — ela se aproximou, me segurando pelas mãos. — Eu decidi. Eu não quero mais essa vida de podridão. Eu vou largar o Son e vou voltar para a igreja com você.

​Eu gelei. O ar pareceu sumir do corredor.

— Pra igreja, Nay? Agora?

​— Sim! Eu vi que você está indo todo dia, que está firme... e eu soube que você está orando com aquela menina, a Letícia, né? Ela é uma santa, Fernando. É disso que eu preciso. De gente de Deus por perto para me limpar dessa sujeira.

​Eu tive que me escorar no corrimão descascado. A ironia era cruel demais. Ela queria buscar a "santidade" ao lado do cara que tinha acabado de ser marcado e preenchido pelo pichador do prédio.

​— A igreja é um lugar sério, Nayara... — tentei desviar, sentindo um pingo de suor escorrer pela nuca, bem em cima de onde o Natan tinha mordido.

​— Eu sei! Por isso mesmo! Eu quero ir no culto com você hoje à noite. Eu quero sentar lá do seu lado e da Letícia. Eu quero que ela ore por mim. Vocês dois são o casal mais lindo da congregação, são o exemplo de que ainda existe gente que se preserva, que se respeita.

​As palavras dela eram como facadas. Ela me chamando de exemplo enquanto eu sentia o sêmen do pichador secando dentro de mim.

​— Hoje à noite é o ensaio do coral, Nay... não sei se é o melhor dia — menti, desesperado para não ter que encarar ela e a Letícia sob as luzes brancas do templo, com o corpo todo dolorido.

​— Não importa! Eu vou em qualquer coisa! — Ela apertou minhas mãos com força. — Por favor, Fernando. Não me deixa sozinha hoje. Se eu ficar em casa, eu vou acabar cedendo e voltando pro Son. Me leva pra igreja. Eu quero ver você e a Letícia, quero ver como é um relacionamento de verdade, baseado na fé, e não nessa nojeira que eu vivo com ele.

​— Tá bom, Nay... a gente se fala mais tarde — eu disse, querendo apenas fugir daquele olhar de esperança.

​— Eu passo na sua casa às sete, tá? Me espera! — Ela me deu um beijo no rosto e começou a descer as escadas com uma determinação que me apavorava. — Obrigada por ser esse homem de Deus, Fernando. Você é a minha única luz nesse CDHU.

​Eu esperei ela sumir de vista para soltar o ar. Passei a mão na boca freneticamente, sentindo o rastro seco que o Natan tinha deixado em mim. A Nayara queria usar o meu "exemplo" para se salvar, sem saber que o meu "exemplo" era uma máscara de vidro prestes a estilhaçar.

A marca da tinta do Natan estava em mim, o medo das câmeras do Son me perseguia, e agora a Nayara queria me levar para o altar como se eu fosse um santo.

Cheguei à porta do meu apartamento e parei por um segundo, com a mão na maçaneta.

Eu precisava de um fôlego que não vinha. O corredor do CDHU cheirava a produtos de limpeza baratos, mas para mim, tudo o que existia era o cheiro de Natan que parecia exalar de cada poro meu. Respirei fundo, tentei ajeitar a postura

— o que me causou uma fisgada dolorosa lá embaixo, um lembrete físico da força dele — e girei a chave.

​Moro apenas com a minha mãe e meu irmão mais novo. Meu pai mora em outra cidade desde que eles se separaram, o que tornava a casa um ambiente mais silencioso, mas nem por isso menos vigilante.

​— Chegou na hora, Fernando! — A voz da minha mãe veio da cozinha, acompanhada pelo estalar do feijão fresco.

— O jantar está quase na mesa. Lava as mãos e chama seu irmão, que ele não sai daquele videogame

.

​— Oi, mãe. Já vou — respondi, tentando manter a voz o mais estável possível.

​Passei pela sala e vi meu irmão jogado no sofá, com os fones de ouvido, completamente alheio ao meu estado. Entrei direto no banheiro e fechei a porta com o trinco, encostando a testa na madeira fria. Meu corpo ainda vibrava.

​No reflexo do espelho, eu não reconheci o cara que olhava de volta. Meus lábios estavam levemente inchados do beijo bruto do Natan e meus olhos tinham um brilho de quem tinha acabado de descobrir um mundo proibido. Abri os primeiros botões da camisa polo azul e o pânico me atingiu: as marcas roxas no meu pescoço, onde ele cravou os dentes, e na clavícula eram como gritos em uma parede branca. O Natan tinha me carimbado.

​Lavei o rosto com água gelada, tentando baixar a temperatura do corpo. Usei muito sabonete no pescoço, esfregando até arder, mas o cheiro do incenso de sândalo e do fumo dele parecia impregnado na minha alma.

​— Fernando! A comida tá esfriando! — minha mãe gritou do corredor.

​Saí do banheiro com a gola da camisa levantada e os botões fechados até o queixo, sufocando. A mesa estava posta na cozinha pequena. O problema foi na hora de sentar. Quando tentei me acomodar na cadeira de plástico, a dor da penetração do Natan me atingiu em cheio. Eu tive que morder o lábio e segurar o ar para não soltar um gemido de dor na frente dela.

​— Tudo bem, filho? — minha mãe perguntou, me observando enquanto servia o arroz. — Você está com uma cara estranha. E que calor é esse pra estar com a camisa fechada desse jeito?

​— É só cansaço, mãe. E acho que peguei um pouco de vento no caminho, meu pescoço tá meio rígido — menti, sentindo o suor frio brotar na testa.

​— Deixa eu ver se você está com febre... — Ela estendeu a mão na direção do meu rosto e eu recuei instintivamente, como se o toque dela pudesse revelar o pecado

.

​— Não precisa, mãe! Eu tô bem. Vamos orar? — mudei de assunto rápido, querendo que ela parasse de me olhar.

​Demos as mãos. Ela começou a agradecer pela nossa família e a pedir que Deus me guardasse em "santidade e pureza". Cada palavra dela era como um prego sendo martelado. Eu sentia o líquido do Natan ainda ali, um peso morno e viscoso entre as minhas pernas, enquanto ela pedia que eu continuasse sendo o "orgulho da casa".

​No meio da oração, meu celular vibrou no bolso. Três vezes.

​De um lado, a Nayara, vindo em minha direção para buscar uma salvação que eu não tinha para dar. Do outro, o Son e o perigo das suas câmeras. E no bloco ao lado, o Natan, o dono da dor que eu sentia agora.

​— Amém — ela finalizou, me olhando com carinho.

​Eu peguei o garfo, mas minhas mãos tremiam. Eu precisava sobreviver àquele jantar, passar um perfume forte para esconder o rastro do pichador e encarar a Nayara e a Letícia na igreja. A noite estava longe de terminar.

O jantar foi uma tortura de silêncios e mentiras. Minha mãe falava sobre o preço do gás e sobre como eu deveria levar um agasalho para a igreja, enquanto eu sentia cada fibra do meu corpo latejar. O sêmen do Natan parecia pesar quilos dentro de mim. Logo que terminei, voei para o banho. Esfreguei minha pele até ficar vermelha, tentando arrancar o cheiro de sândalo, mas a marca roxa no pescoço continuava lá, vívida. Passei metade do frasco de perfume da Natura para camuflar qualquer rastro.

​Às sete em ponto, a Nayara bateu à porta. Ela estava com uma saia longa e um olhar de quem buscava o paraíso para esquecer o inferno que vivia com o Son. Fomos para a igreja em silêncio. No culto, a Letícia me recebeu com aquele sorriso doce e puro que, por um segundo, me fez sentir o pior dos homens.

​O culto passou como um borrão. Os louvores, as orações de joelhos — que me faziam morder os dentes de dor por causa do esforço no meu cu — e a Nayara chorando ao meu lado, entregando seus problemas a Deus. Eu olhava para o altar e só conseguia ver o teto descascado do quarto do Natan. A Letícia segurou minha mão e sussurrou: "Você está tão distante hoje, Fer. Está tudo bem?". Eu apenas assenti, sentindo o suor frio escorrer.

​Assim que o culto acabou, deixei a Letícia com as amigas e a Nayara em casa. Mas eu sabia que a conta ia chegar. E ela chegou antes de eu entrar no meu bloco.

​As luzes dos postes do CDHU falhavam, criando sombras longas no pátio. Eu estava quase chegando na entrada quando uma silhueta alta e forte se desprendeu da escuridão, encostada numa coluna. Era o Son. Ele fumava, e a brasa do cigarro brilhava como um aviso.

​— Ora, ora... se não é o nosso missionário favorito — a voz do Son veio carregada de um deboche perigoso.

​— Son? O que você tá fazendo aqui fora uma hora dessas? — Tentei manter a voz firme, mas meu corpo, já exausto, fraquejou.

​Ele deu um passo à frente, entrando na luz. O rosto dele estava fechado, os olhos injetados.

— Eu que te pergunto, Fernando. O que você tava fazendo levando a minha mulher pra igreja? Ficou maluco?

​— A Nayara estava mal, Son. Ela descobriu as coisas que você faz. Ela só queria um pouco de paz.

​— Paz o caralho! — Ele avançou, me prensando contra a coluna de concreto com um braço no meu pescoço

— Você acha que eu sou otário? Você acha que eu não sei que você tá se achando o salvador da pátria? A Nayara é minha, entendeu? Se ela tiver que chorar, que chore no meu ombro, não no banco de uma igreja com um santinho de merda como você.

​— Solta eu... você tá passando dos limites — eu disse, sentindo a dor no meu corpo gritar com o impacto.

​— Limite? Eu vou te mostrar o limite, Fernando. — Ele aproximou o rosto do meu, o cheiro de álcool e fumo vindo forte. — Eu vi como você olhou pra ela hoje. E vi como você saiu do apartamento do Natan mais cedo. Acha que eu não tenho olhos nesse condomínio?

​Meu coração parou. O pânico de ser descoberto pelo Natan e pelo Son ao mesmo tempo me deixou sem ar.

​— Eu não sei do que você tá falando — menti, a voz saindo esganiçada.

​— Sabe sim! Você tava lá com aquele pichador de bosta, não tava? O que foi? O Son aqui não é o suficiente pra você assistir? Teve que ir buscar o original? — Ele apertou mais o meu pescoço. — Me fala a verdade, Fernando! Você deu pra ele? Você deu pro cara que eu mais odeio nesse lugar?

​— Não te interessa, Son! A minha vida não é da sua conta! — Tentei empurrá-lo, mas ele era uma parede.

​— É da minha conta sim! Você entrou no meu jogo, assistiu eu e a Nayara, ficou lá no canto babando... e agora quer dar uma de crente puro e levar ela pra igreja? Você é um lixo, Fernando! Um hipócrita!

​— E você é o quê, Son? — Gritei, perdendo o medo pela primeira vez. — Um cara que grava as mulheres escondido? Que trai a namorada e se acha o dono de todo mundo? A Nayara sabe dos seus vídeos! Ela viu tudo!

​O Son parou por um segundo, o ódio oscilando com a surpresa.

— Ela viu... o quê?

​— Ela viu ks vídeos! Ela sabe quem você é de verdade! Por isso ela foi pra igreja, pra ficar longe de você! — Eu o empurrei com força, e dessa vez ele recuou. — Deixa a gente em paz, Son. A Nayara não te quer mais.

​Ele soltou uma risada sinistra, jogando o cigarro no chão e pisando com força.

— Você acha que ela vai ficar longe? Aquela ali rasteja pra mim em dois dias. Mas você... ah, Fernando... você mexeu com fogo. Se eu descobrir que você tocou no Natan, ou que nks transamos, eu acabo com a sua raça. Eu espalho aqueles vídeos de você transando comigo a gente pra toda a sua igreja. Quero ver a Letícia e a sua mãe olhando pra sua cara depois disso.

​— Você não teria coragem... — sussurrei, sentindo o mundo desabar.

​— Tenta a sorte, "irmão" — ele deu um tapa forte no meu rosto, não para machucar, mas para humilhar. — Fica longe da Nayara. E fica longe do Natan. Se eu te vir perto de um dos dois de novo, o CDHU inteiro vai saber quem é o verdadeiro Fernando.

​Ele se virou e saiu andando pela escuridão, me deixando ali, trêmulo, com o rosto ardendo e a alma em frangalhos. Eu estava entre dois monstros: o Natan, que tinha o meu corpo, e o Son, que tinha o meu segredo.

​Entrei no meu quarto, bati a porta e me joguei na cama sem nem acender a luz. O rosto ainda ardia do tapa, mas o que doía mais era a ameaça: o vídeo. O Son tinha o poder de destruir a minha vida com um clique.

​Eu estava ali, encarando o teto, sentindo cada músculo do meu corpo cobrar o preço daquela tarde, quando a tela do celular iluminou o quarto escuro.

​Mensagem de número desconhecido:

​"Não consigo tirar o gosto de você da minha boca, crente. O quarto ainda tá com o seu cheiro. Amanhã, na hora que a sua mãe sair, eu vou estar te esperando na escada. Eu quero terminar o que eu comecei."

​Meu coração disparou. Era o Natan. O perigo era óbvio, o Son estava na espreita, mas o meu corpo respondeu instantaneamente àquelas palavras. Eu não conseguia dizer não.

Depois do confronto com o Son, a noite foi um tormento. Deitado na minha cama, eu conseguia ouvir o som abafado da música que vinha do apartamento do lado. Era o Natan. Saber que ele estava a poucos metros de distância, separado apenas por uma parede de tijolos e reboco, fazia meu corpo queimar. Cada batida do grave da música dele parecia ecoar dentro do meu peito.

​O Son tinha me ameaçado, mas a proximidade do Natan era um vício mais forte que o medo.

​Na manhã seguinte, o silêncio no corredor era absoluto. Minha mãe saiu para o mercado e meu irmão foi para a escola. Eu estava na cozinha, tentando tomar um café, quando ouvi o estalo da porta ao lado se abrindo. Meu coração parou. Logo em seguida, o meu celular vibrou em cima da mesa.

​Mensagem do Vizinho (Natan):

​"Eu sei que você tá sozinho aí. Sua mãe acabou de descer. Abre a porta ou eu entro pela janela."

​Um arrepio subiu pela minha espinha. Ele não estava brincando. Fui até a porta e a abri apenas uma fresta. O Natan estava parado ali, no corredor estreito do CDHU, com uma mão apoiada no batente da porta dele e a outra segurando o celular. Ele estava sem camisa, apenas com uma bermuda larga, revelando o abdômen trincado e aquela trilha de pelos que me enlouquecia..

​— Você é louco, Natan... minha mãe pode voltar a qualquer minuto — sussurrei, olhando para os lados do corredor.

​— Então me puxa pra dentro logo, crente — ele deu um sorriso de lado, aquele sorriso de quem sabe que tem o controle.

​Eu o puxei. Assim que a porta fechou, o mundo lá fora sumiu. Ele me prensou contra a madeira da minha própria porta de entrada. O cheiro dele — aquele mix de fumo e sândalo — inundou meus sentidos.

​— Eu não consigo parar de pensar em como você gritou ontem — ele sussurrou, a mão grande descendo e apertando a minha bunda com força por cima da calça de moletom

.

— O quarto ainda tá com o seu cheiro. Mas eu quero sentir você aqui, na sua casa. No território do seu "Deus".

​— Natan, aqui não... minha mãe... — tentei protestar, mas ele calou minha boca com um beijo voraz, a língua dele explorando a minha com uma autoridade que me deixava sem pernas.

​Ele me arrastou para o meu quarto. Ver o Natan, aquele homem bruto e tatuado, sentado na minha cama de solteiro, cercado pelos meus livros de estudo bíblico e fotos da família, era a imagem da profanação perfeita.

​— Tira tudo — ele ordenou, sentando na beirada da cama.

​Eu me despi, sentindo o peso do olhar dele em cada centímetro da minha pele clara. O Natan se livrou da bermuda e, mais uma vez, a visão do seu membro me deixou sem ar. Estava latejante, a cabeça escura e larga pedindo atenção. Ele se deitou e me puxou para cima dele.

​— Hoje você vai sentar com vontade, Fernando. Quero que você sinta cada veia — ele disse, segurando meu pescoço e me trazendo para um beijo fundo.

​Eu montei nele. Quando a cabeça dele tocou minha entrada, eu soltei um suspiro trêmulo. Fui descendo devagar, sentindo meu corpo se alargar para receber aquela grossura absurda. No momento em que cheguei na base, senti os pelos grossos e ásperos dele encostando na minha bunda, um calor que me fez arquear as costas e soltar um gemido alto.

​— Isso... preenche tudo, não deixa sobrar nada — ele rosnava, as mãos cravando nas minhas coxas.

​Começamos um ritmo frenético. O som da cama de solteiro rangendo parecia ensurdecedor no silêncio do apartamento. Eu olhava para a porta do quarto, com medo de ouvir a chave da minha mãe virar, e esse medo só aumentava o meu prazer.

​— Natan... eu vou... — eu balbuveia, o suor escorrendo pelo meu rosto e pingando no peito dele.

​Ele me inverteu na cama, me deixando na posição de frango assado, com minhas pernas jogadas sobre os ombros dele. Ele segurou meus calcanhares e começou a estocar com uma violência rítmica, batendo no fundo, me fazendo perder a noção de quem eu era.

​— Esquece a igreja, Fernando! Esquece o Son! Agora você é só meu buraco! — ele rugia, cada estocada sendo um choque elétrico no meu corpo.

​Eu gozei sem as mãos, jatos quentes sujando meu próprio rosto e o lençol que minha mãe tinha trocado no dia anterior. Logo em seguida, senti o Natan dar um solavanco, as veias do pescoço dele saltando, e ele descarregou tudo dentro de mim, uma inundação quente que me fez chorar de alívio e culpa.

​Ficamos ali por poucos segundos. O perigo era real.

— Agora vai se limpar — ele disse, levantando e vestindo a bermuda rápido. — Amanhã tem mais, vizinho.

​Ele saiu do meu apartamento tão rápido quanto entrou. Eu fiquei ali, olhando para o teto, sentindo o cheiro dele no meu travesseiro e o líquido dele escorrendo. Eu era um traidor, um hipócrita e um pecador. Mas, pela primeira vez, eu não me importava.

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