Oi! Meu nome é Tamires, e depois que uma amiga me falou sobre esse site, resolvi dar uma olhada e postar minha própria confissão safada. Foi há cinco anos, e na época eu tinha acabado de fazer dezenove anos e meu irmão Jefferson tinha vinte e um. Essa história é totalmente real!
A gente se dava bem como a maioria dos irmãos, tipo, nos importávamos um com o outro, mas também vivíamos zoando e enchendo o saco um do outro, especialmente se um de nós fizesse alguma merda.
Nossos pais tinham viajado por uma semana, e minha mãe disse que eu podia usar o carro dela, mas pra ter cuidado porque alguns meses antes eu tinha batido o meu e destruído totalmente . Foi minha culpa, eu tava olhando pro celular e quando peguei uma parte escorregadia da pista, só tinha uma mão no volante, rodei e bati num poste.
Eu tava no seguro deles, e eles ficaram putos da vida porque ia aumentar, o que já tinha acontecido porque eu também tinha levado uma multa por excesso de velocidade e outra por não ver uma placa de pare. Fui colocada em "liberdade condicional" por eles, dizendo que se eu precisasse usar um dos carros deles pra faculdade ou trabalho, podia, e se eu fosse responsável, depois de seis meses eles me ajudariam a comprar outro carro.
Faltavam só mais três semanas, mas quando peguei o carro da minha mãe pra buscar uma pizza no caminho pra casa de uma amiga, algum babaca tinha estacionado torto e quando dei ré, cheguei perto demais de uma Hilux velha e bati nela.
O motorista tava dentro da caminhonete e quando ele desceu, entrei em modo de pânico total, gaguejando que eu tava arrependida e por favor não chama a polícia, e falando um monte de besteira que nem uma adolescente dramática.
Dei sorte que o cara foi super gente boa e apontou que como a caminhonete dele era mais alta que o carro da minha mãe e tinha um para-choque de aço velho, mal tinha um arranhão, e ele não ligava porque era uma caminhonete velha de trabalho.
Ele me disse pra não me preocupar e cuidar só do meu carro. Foi aí que meu alívio virou um "ah, merda". A lanterna traseira tava completamente quebrada e tinha um arranhão fundo na pintura no canto do para-lama embaixo dela.
O pai da minha amiga Jéssica trabalhava numa funilaria e eu fui direto pra lá e conversei com ele. A Jéssica e eu éramos amigas desde a quarta série, e de novo entrei em histeria contando pra ele como se meus pais descobrissem eu podia nunca mais ter um carro! (Drama total, né?)
Ele prometeu que não só conseguia consertar se eu levasse na manhã seguinte, como não contaria pros meus pais. Ele sabia que eu era uma boa menina e às vezes os jovens se metem em encrenca e não é como se eu tivesse bebendo ou fazendo nada errado.
Parecia que eu ia sair dessa... até ele me dizer que por causa do trabalho na lataria pra tirar o arranhão fundo e a pintura, a lanterna e a estrutura dela, o tempo da oficina... ia dar 300 reais.
Eu só trabalhava vinte horas por semana porque era durante o período letivo, e tinha acabado de pagar meus livros, pagar a minha parte do nosso agora mais caro seguro pros meus pais, e tinha acabado de dar pra minha amiga Lisa 150 reais pelos ingressos do show do Iron Maiden que ela tinha colocado no cartão de crédito pra gente.
Eu tinha um total de 250 reais na minha conta e tinha que deixar alguma coisa lá. Eu precisava de cem reais e até amanhã, já que o pai da Jéssica disse que o dono concordou em deixar ele colocar na frente de outros serviços como um favor, e eu não podia pegar o carro sem pagar.
Ele já tinha feito muito por mim, então não tinha como eu pedir pra ele tentar conseguir mais tempo. Não queria pedir pra nenhuma das minhas amigas, porque sabia que ia demorar até eu conseguir pagar de volta, e elas estavam todas duras que nem eu.
Mas o Jefferson nunca estava duro.
Ele tinha deixado nossos pais putos por não ir pra faculdade, mas como ele disse, não tinha interesse em nenhuma área específica, então por que desperdiçar o dinheiro dele ou deles? Ele era um cara grande, robusto, e bom com as mãos, e através do técnico de futebol do ensino médio conseguiu um emprego com uma construtora pequena.
Ele ganhava bem, e embora gostasse de fumar um beck e comprasse qualquer jogo novo ou console que saísse, tinha uma poupança saudável. Eu odiava ter que pedir pra ele porque significava que teria que contar o motivo.
Isso ia fazer ele me zoar dizendo que ia contar pros nossos pais e outras sacanagens, incluindo que eu ia dever mais que o dinheiro e teria que lidar com qualquer tarefa merda que ele quisesse que eu fizesse pra ele.
Da última vez que precisei que ele me cobrisse quando saí escondida pra encontrar o João, meu ex-namorado, tive que lavar a Saveiro dele todo dia por uma semana e fazer a roupa dele, lidando com as roupas de trabalho imundas dele.
Mas era melhor que pagar mais seguro e ter que implorar pelo carro dos meus pais por mais seis meses, e depois de outra cagada como essa, quem garante que eles ainda me deixariam dirigir o deles?
Tive que trabalhar no Bob's naquela tarde, e quando cheguei em casa às nove achei que o Jefferson não estaria por perto porque ele tinha ficado se gabando de ir encontrar alguma piranha que só queria dar.
Pra minha surpresa, a Saveiro dele estava na garagem, e depois que tomei banho pra tirar o cheiro de cebola e frios de mim, vesti uma camiseta velha e uma calça de moletom e fui pedir meu favor e aguentar o sarro por precisar dele.
Eu consegui o favor, mas o que dei em troca é o motivo de eu estar aqui.
Obs: Gente, não estou acostumada a escrever tanto, não tenho esse costume, vou parar por aqui por enquanto, mas se estiverem gostando, eu escrevo o restante! Espero que estejam gostando do meu relato… beijinhos! 😘