Virei Escravo da Minha Madrasta - Parte 1

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 2791 palavras
Data: 25/01/2026 19:07:48

Me chamo Daniel, tenho 23 anos e sou muito, mas muito rico. Quer dizer, eu não sou, mas meu pai é. Não gosto que me chamem de playboy, mas no fundo sei que sou. Tenho a pele branca, cabelo loiro, algumas tatuagens nos braços, sou alto e tenho um corpo legal, fruto de uma rotina de academia mais intensa do que qualquer ambição que eu já tenha tido.

Meu pai sempre me deu tudo. Tudo, menos o que importava. Ele era velho quando eu nasci, já beirando os cinquenta. Soube depois, por tias sussurrantes, que foi uma guerra para eu nascer. Minha mãe tinha problemas, algo no útero, e meu pai gastou fortunas em tratamentos, em clínicas, em esperança. Queria um herdeiro. Mais que isso: era completamente apaixonado pela esposa. Reconheço que nasci do amor. Um amor que se provou frágil demais para durar.

Ela não morreu no parto. Foi algo pior: entrou em coma e nunca mais acordou. Passou quase quinze anos entre lençóis hospitalares, alheia ao mundo, enquanto eu crescia visitando um fantasma que tinha cheiro de álcool e hospital. Quando fiz dezesseis anos, meu pai assinou os papéis para desligar os aparelhos. Os médicos disseram que não havia mais esperança. No fundo, acho que foi um ato de misericórdia. Mas nunca, nem por um segundo, perdoei meu pai por ter sido forte o suficiente para desistir. Milagres acontecem, mas ele simplesmente parou de acreditar no nosso.

Uns cinco anos atrás, ele substituiu a fé por outra coisa. Ou melhor, por alguém. Ele se casou com Clara, uma mulher incrivelmente bonita de uns 40 e poucos anos que, eu sei, jamais olharia para o meu pai se ele não fosse rico. Ela tem uma beleza afiada, parece aquelas modelos de revistas caras. É branca, tem cabelo castanho escuro que quase nunca vejo solto, sempre preso num coque tão rigoroso que parece doer. Seus olhos claros são observadores e tão calculistas que parecem estar sempre fazendo contas de cabeça. Tem os atributos que meu pai sempre apreciou: peitos grandes, bunda grande, e um rosto com preenchimentos sutis que você só nota se olhar demais. Mas ela nunca deixa ninguém olhar demais.

Para mim, aquilo foi a traição final. Uma desonra ao amor que ele jurou ter por minha mãe. Uma afronta de silicone e luxúria. Desde então, minha única ocupação foi torrar o dinheiro dele com mais fúria. Comprei dois carros que são basicamente motores com assentos, vou a festas todo final de semana, e namoro uma garota tão linda e vazia quanto as garrafas de champanhe que esvazio em apenas dez minutos nas festas. Ela está comigo pelo dinheiro. Eu estou com ela porque ela me prova que tudo, até o afeto, tem um preço, e o meu está pago.

Tudo desabou numa tarde de terça-feira, no escritório impecável do Dr. Gustavo, o advogado da família que cheira a perfumes caríssimos e decisões irrevogáveis.

Meu pai, mesmo morto, conseguiu ser o filho da puta que sempre foi. Só que dessa vez, com tempo e papel oficial para aprimorar o golpe.

O Dr. Gustavo leu o testamento com uma voz monótona que transformava cada sílaba num prego no meu caixão de arrogância. A casa, as ações, os investimentos, as propriedades, até a maldita coleção de carros que eu já dirigia em meus sonhos, tudo deixado para Clara. Em suas palavras, "a querida esposa e sócia, cujo intelecto e lealdade foram os alicerces do restante do patrimônio".

Para mim, Daniel, seu único filho e herdeiro de sangue, ele reservou um envelope marrom, magro, humilhante. Dentro, um relógio de pulso de couro falso, o tipo que se compra em camelô. E uma nota, na caligrafia firme que já havia assinado tantos cheques pra mim: "Para o meu garoto. Conquiste o seu."

A gargalhada me subiu ácida, mas morreu na garganta. Olhei para Clara, do outro lado da sala. Ela não sorria. Não olhava triunfante para mim. Mantinha as mãos pousadas sobre a bolsa de couro caríssimo, os olhos fixos em algum ponto vazio na parede, o rosto uma máscara lisa e impenetrável de porcelana. Nem alívio, nem pena. Apenas... aceitação. Como se aquela fosse a ordem natural das coisas.

A quietude que tomou conta do carro na volta era mais pesada que qualquer discussão. Clara conduzia, suas mãos pálidas firmes no volante de couro do Mercedes, o perfil impassível contra o vidro escuro. Ela sabia. Sabia que eu estava em chamas por dentro, que cada centímetro da minha pele coçava de ódio por ela. O cheiro do seu perfume, algo amadeirado e caro, envenenava o ar-condicionado.

Subi as escadas para o meu quarto com passos pesados. Tranquei a porta, um ato patético de rebelião em um território que não era mais meu. E então, diante da cama enorme e vazia, a fúria nuclear que me sustentava rachou.

Eu não chorei de tristeza, não estava desolado pela morte do velho. Estava chorando de raiva. Raiva por ele ter me exposto, por ter me jogado no lixo com um relógio de mentira e uma frase de coach de merda. Por ter me condenado à humilhação definitiva diante daquela vadia de olhos frios.

Eu não tinha para onde ir. Não tinha nada que fosse verdadeiramente meu. Ir embora seria conceder a vitória total a ela, ao meu pai, a todos. Ficar nessa casa era o meu único ato de guerra possível.

Desci para o jantar, mesmo sem fome. A ideia de comida me enojava, mas a ideia de me esconder, de dar a ela o espetáculo da minha derrota completa, era pior.

Clara já estava sentada, lendo algo no tablet, um copo de água com gás ao lado. Vestia um robe de seda vermelho. Parecia... Confortável. A dona.

Sem olhar para mim, ela disse, a voz plana, cortando o silêncio:

- Senta, Daniel. A comida vai esfriar.

Não era um convite. Era uma constatação. A primeira regra não dita: a rotina continuaria, mas sob novos termos.

Sentei à sua frente, no meu lugar habitual. O prato já estava lá, uma comida simples, um frango com arroz, diferente dos banquetes a que estávamos acostumados. Ela largou o tablet e começou a comer, com movimentos precisos e econômicos. Eu finquei o garfo no frango, sem apetite.

O som dos talheres contra a porcelana era o único a preencher a sala por longos minutos. Era um silêncio agressivo, carregado de tudo que não era dito. Eu sentia o peso do seu julgamento, da sua vitória, emanando dela como uma radiação.

Foi ela quem quebrou o silêncio, depois de um gole de água.

- Precisamos estabelecer algumas coisas - começou, os olhos ainda fixos no próprio prato, como se estivesse lendo um roteiro. - A dinâmica da casa vai mudar. Você pode continuar a morar aqui. É... conveniente para nós dois, por enquanto.

A palavra ecoou na minha cabeça, seca e afiada como um estalo. O frasco da minha raiva, que eu mantivera tampado o dia todo, estourou.

- Conveniente? - a palavra saiu como um cuspe. - Conveniente pra você, você quer dizer. Pra manter as aparências, não é? A viúva coitadinha, cuidando do enteado pobre que ficou sem nada.

Clara ergueu os olhos lentamente, mas não demonstrou surpresa.

- Estou tentando estabelecer um novo equilíbrio, Daniel. Uma situação prática.

- Prática! - soltei uma risada curta e amarga. - Tudo sempre foi muito prático pra você, não foi? Desde o primeiro dia que você botou os pés aqui. Desde que você viu a fachada dessa mansão, o carro, a conta bancária do meu pai. Era só o que você queria ver.

O volume da minha voz aumentava, a voz reverberando na sala alta. Eu me inclinei para frente sobre a mesa.

- Você acha que eu não via? Você acha que eu não sabia? Você nunca o amou. Nunca! Era tudo uma farsainvestimento - cuspi a palavra. - Você é uma interesseira de marca maior, Clara. Só soube fingir bem, e o velho, carente e burro, caiu. Parabéns. Agora você tem tudo. Acho que agora pode desistir do disfarce de esposa dedicada, não é? Já ganhou o prêmio.

Eu esperava uma reação. Um lampejo de raiva, uma réplica feroz, qualquer coisa que provasse que eu tinha acertado, que podia feri-la. Mas seu rosto permaneceu uma máscara lisa. Ela pousou o garfo e a faca com um cuidado exagerado, alinhando-os perfeitamente à borda do prato.

Quando falou, sua voz não era um sussurro, mas era baixa, controlada, e por isso mesmo, cortante como vidro.

- Terminou?

A pergunta me desarmou.

- O quê?

- Seu discurso. Terminou? - ela me encarou e pela primeira vez vi algo além de frieza naquele olhar: um desprezo monumental, tão vasto que me fez sentir minúsculo. - Porque se terminou, temos coisas reais para discutir. As tarefas domésticas. A lista de compras.

A sanidade parecia escorrer de mim.

- Você não está ouvindo?! Eu estou falando da farsa que é você! Da mentira que foi esse casamento!

- Daniel - ela interrompeu, e a palavra foi como uma porta de aço batendo. - O que houve entre mim e seu pai é assunto nosso. O passado é um lugar onde você não tem permissão de visitar. Estamos falando do presente - ela fez uma pausa, e quando continuou, cada sílaba era um prego sendo martelado. - E no presente, nesta casa, eu estabeleço as regras. Você obedece. É simples assim.

- Eu não vou obedecer a você! - gritei, me levantando da cadeira, que arrastou no piso com um ruído estridente. - Você não é minha mãe! Você não é nada!

O silêncio que se seguiu ao meu grito foi absoluto. Clara nem piscou. Lentamente, ela ergueu o copo de água e tomou um gole, como se estivesse em um piquenique.

Então, colocou o copo de volta sobre a mesa.

- Senta - ela ordenou, a voz ainda baixa, mas agora carregada de uma autoridade que parecia física, como se pressionasse o ar da sala.

- Não! Você não manda em mim!

- Senta. Agora - dessa vez, não era apenas autoridade. Era um aviso.

Tremendo de raiva e de uma confusão avassaladora, eu obedeci. Minhas pernas se dobraram contra a minha vontade, e eu me afundei na cadeira, um cão raivoso encurralado.

Clara se inclinou levemente para frente. Seus olhos claros perfuraram os meus.

- Vou dizer isso uma única vez, então, para que fique absolutamente claro - ela começou, articulando cada palavra com uma clareza mortal. - Esta discussão sobre seu pai, sobre minhas intenções, sobre o passado, está encerrada. O próximo aceno a esse tema, e você está fora. Não gosta? Não concorda com minhas regras? A porta da rua é serventia da casa. Você é um adulto. Ou pelo menos, deveria ser.

Ela fez uma pausa, deixando a ameaça pairar no ar entre nós, mais real e sólida do que a própria mesa.

- Agora, você vai baixar esse tom de voz - continuou, com uma calma aterradora. - Vai comer sua comida e depois, vai lavar, secar e guardar toda a louça.

Ela queria me fazer de empregado. Mas eu não ia aceitar isso. Não mesmo!

- Não vou lavar porra nenhuma. Eu nem sei lavar louça - dei um riso seco e debochado.

- Então sugiro que aprenda rápido - ela já não me olhava mais, como se minha voz fosse um zumbido de mosca ao fundo. - Depois que voltamos, eu dei uma olhada nas despesas da casa e há muita coisa que precisa ser cortada. Dispensei o motorista hoje e a equipe de limpeza completa será reduzida a uma faxineira semanal. E o jardineiro... bem, os jardins precisam de manutenção constante, mas o custo não se justifica mais.

Meu sangue começou a correr mais frio.

- O que você está dizendo?

- Estou dizendo que, para a casa funcionar dentro de um novo orçamento, algumas funções precisarão ser internalizadas - seus olhos encontraram os meus, e neles havia um brilho de pura lógica, impiedosa. - Você tem tempo. Precisa de ocupação. E residentes contribuem. Portanto, além de um aluguel simbólico, você se responsabilizará por suas coisas, fará as compras semanais com uma lista que eu vou fornecer, manterá a limpeza básica dos seus ambientes e cuidará dos jardins. Das podas, da irrigação, da aparência geral. Não é ciência de foguetes. Só trabalho.

O absurdo daquilo me golpeou como um soco no estômago.

- Você... você quer que eu seja seu jardineiro? Seu faxineiro? Seu motoboy?

- Quero que você seja um adulto funcional - ela respondeu, com uma calma que era um insulto por si só. - Algo que seu pai, claramente, nunca exigiu. Mas eu exijo. São condições inegociáveis.

Ela já havia terminado de comer. Cruzou os talheres e continuou me olhando, talvez esperando uma confirmação de que eu a obedeceria como um cachorrinho.

- Besteira! Você quer que eu seja seu servo! Você é maluca. Eu não vou fazer essa merda e você não pode me obrigar!

- "Obrigar" é uma palavra tão feia, Daniel - ela disse, com um tom quase professoral. - E tão ineficiente. Prefiro incentivos. Você gosta de carros, não gosta? Da sensação de poder, de liberdade, de velocidade... de status.

Meu coração deu um salto, um reflexo imediato e patético. Fiquei em silêncio, alerta.

- Aquele PorscheVocê sempre foi apegado a ele - ela continuou, os dedos brincando com o canto do guardanapo. - É um ativo considerável. E agora, está no meu nome.

Ela fez uma pausa, deixando a implicação pairar. Eu podia quase sentir o volante de couro frio sob minhas mãos, o ronco do motor.

- Sustentabilidade financeira é um conceito chato, mas necessário - ela prosseguiu. - E um carro daquele valor, parado na garagem, é um dreno. A lógica me diz para vender.

- Não! - a palavra saiu antes que eu pudesse pensar.

Ela sorriu diabolicamente.

- Exatamente a reação que eu esperava - ela assentiu, como se eu tivesse confirmado uma teoria. - Então vamos fazer um acordo. Um experimento de seis meses. Você cumpre com todas as responsabilidades que listei. Não apenas cumpre, mas faz bem. A casa funciona, os jardins estão impecáveis, as compras são feitas corretamente. Você se mostra... Não um servo, como disse antes. Que palavra horrível. Você se mostra um administrador confiável dos seus próprios deveres. Ao final desse período, se o resultado for satisfatório, eu transfiro o Porsche para o seu nome. Você o terá de volta. Legalmente.

Ela ergueu a mão, um gesto pequeno e preciso, antes que eu pudesse falar.

- Mas entenda: satisfatório à minha altura, não à sua. E qualquer deslize, qualquer atitude como a de hoje, qualquer tarefa malfeita ou esquecida... O tempo que você cumpriu retorna a zero e começaremos a contar seis meses novamente. O que você acha?

Era uma armadilha. Eu sabia que era uma armadilha. Todo o meu instinto gritava. Mas ela havia me fisgado com a precisão de um cirurgião. Ela não estava apenas me tirando tudo, ela estava me oferecendo uma das coisas que eu mais desejava de volta. Ainda por cima, se eu conseguisse aquele carro, poderia vendê-lo e ficar com uma boa quantia de dinheiro nas mãos.

Seis meses de servidão por uma liberdade futura. Era uma matemática suja, mas era a única equação que me restava.

O silêncio se alongou, preenchido apenas pelo zumbido da geladeira distante e pelo som do meu próprio sangue nas orelhas. Clara não se moveu. Ela não precisava. Já havia colocado a isca e agora só observava.

Ela já havia vencido, é claro. Eu só não sabia o quanto.

Minha garganta estava seca quando as palavras finalmente saíram, roucas e derrotadas, mas carregadas de um último resquício de orgulho deslocado:

- Quero o Porsche azul, não o preto.

Foi meu jeito idiota de dizer sim. De aceitar os termos sem me ajoelhar. De fingir que ainda tinha alguma margem de negociação.

Um quase-sorriso, tão rápido que poderia ter sido uma ilusão, tocou os lábios dela.

- O azul - ela confirmou, com um leve aceno de cabeça. - Então está decidido. As regras estão claras. A louça é o seu primeiro passo. Eu vou verificar o resultado antes de me recolher. Bom trabalho, Daniel.

E, com isso, ela deixou a sala de jantar, seu perfume caro pairando no ar como a assinatura no meu contrato de rendição.

Fiquei ali, sozinho na imensidão silenciosa da sala iluminada, encarando o caminho que levava à cozinha. Lá, na pia, a pilha de porcelana e metal brilhava sob a luz fraca, esperando por mim. Eram apenas pratos. Mas naquele momento, pareciam a porta de entrada de um mundo novo e estranho, um mundo onde minhas mãos, que nunca haviam feito nada mais útil do que girar um volante, teriam que aprender a limpar, a arrumar, a servir.

O relógio no hall marcou a hora com um badalo solene.

Engolindo o resto do meu orgulho junto com o amargor da derrota, eu dei o primeiro passo em direção à pia.

(N.A.: Apenas uma introdução, sem conteúdo sexual por enquanto. Mas nas próximas partes não os decepcionarei!)

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