Perdidamente Apaixonado na Vagaba da Faculdade!

Um conto erótico de Mais Um Autor
Categoria: Heterossexual
Contém 866 palavras
Data: 26/01/2026 01:48:36

Não precisou nem de um dia inteiro na faculdade para minha vida mudar.

Estava tão nervoso com o começo desse novo capítulo que não preguei o olho na noite anterior. Enquanto atravessava os corredores, sentia que todo mundo podia ver o suor escorrendo pela minha nuca e a adrenalina pulsando sob a pele. Devia estar uns quarenta graus lá fora, mas eu insistia em usar um casaco preto enorme com capuz, tão largo que as mangas engoliam minhas mãos. A ideia era simples: desaparecer. Se ninguém me notasse, nada poderia dar errado naquele primeiro dia.

Durante as apresentações dos professores — explicando ementas, bibliografias, critérios de avaliação —, minha cabeça pendia para frente, prestes a dormir. Só não apagava de vez porque o pavor de ser chamado na frente de todo mundo me mantinha acordado. No intervalo entre uma aula e outra, fui até a máquina de café no saguão.

Meu corpo estava estranho: a insônia me deixava ao mesmo tempo confuso e desajeitado. Li as opções da máquina uma por uma, sem conseguir de fato processar qualquer palavra. De repente, senti dois toques leves no ombro. Quase derrubei a caneca vazia que segurava.

A garota atrás de mim levou a mão à boca, tentando (sem muito sucesso) esconder o riso da minha reação exagerada.

“Não é tão difícil, é só passar o cartão ali e apertar o botão”, disse ela, pegando minha mão com naturalidade e guiando o cartão até o leitor. Percebi que ela esperava que eu escolhesse o sabor, mas meu corpo simplesmente travou. “Bom… acho que você precisa de um espresso. Talvez acordado você fique mais espertinho.”

Ela segurou o riso de novo, e mesmo sendo zoado, eu não estava bravo. Nunca uma garota como ela tinha puxado assunto do nada comigo daquele jeito.

Era bonita, mas de um jeito despretensioso. Corpo pequeno e magro, curvas suaves, quase discretas. A postura, porém, era firme, como se ela soubesse exatamente onde estava e o que queria. A camisa clara e fina marcava levemente o contorno do sutiã quando ela se mexia. O cabelo castanho comprido caía solto pelos ombros, com algumas mechas bagunçadas que pareciam não se importar com perfeição. Os olhos verde-claros eram atentos, fixos nos meus, sem desviar nem por um segundo enquanto a gente conversava.

Se eu não fosse tão cagão, provavelmente já estaria interessado.

Ela disse que se chamava Marina e começou a conversar como se fôssemos velhos conhecidos. Me contou sobre as matérias mais pesadas do primeiro semestre, quais professores eram tranquilos e quais eram monstros, as festas que valiam a pena e as que deviam ser evitadas. Fui eu quem encerrou a conversa, quando vi que faltavam só cinco minutos para a próxima aula e eu precisava achar a sala.

Voltei para a aula com uma sensação leve que não sentia há anos. Talvez a faculdade fosse mesmo um novo começo, e as coisas poderiam ser bem melhores do que no ensino médio.

Nossa amizade evoluiu de forma tão natural que nem percebi. Quando nos esbarrávamos nos corredores, Marina abria um sorrisão largo, parava o que estava fazendo e perguntava como eu estava, se a faculdade estava me tratando bem, como se fosse uma irmã mais velha, me adotando. Outras vezes me chamava para tomar um chope no bar da esquina, ou para ir num show de uns amigos, ou só para ir na atlética conversar besteira.

O pessoal da turma começou a brincar que a gente era “Eduardo e Mônica”. Eu, o nerd quietão que vivia de fone de ouvido e livros; ela, falante, risonha, mandona pra caralho, que ia pra faculdade mais para encontrar gente do que para estudar. Opostos que, de algum jeito esquisito, se encaixavam.

Os meses foram passando. Ela me arrastava para rolês que eu nunca teria ido sozinho: uma exposição de fotografia num galpão abandonado, um bar com som ao vivo onde ela cantava junto com a banda, uma viagem de fim de semana para uma cachoeira com mais cinco amigos. Eu reclamava no começo (“tô cansado”, “não conheço ninguém”, “vai ser chato”), mas acabava indo. E sempre voltava diferente: mais leve, rindo de coisas que antes me deixariam ansioso.

Uma noite, depois de um desses rolês, estávamos voltando de carona no carro de um amigo. Ela dormiu com a cabeça encostada no meu ombro, o cabelo caindo no meu braço, o cheiro do shampoo dela invadindo minhas narinas. Fiquei olhando pela janela, sentindo o peso leve contra mim, o calor do corpo dela relaxado. Meu coração batia um pouco mais rápido, mas não era pânico — era outra coisa.

No dia seguinte, acordei pensando nela. Não como “a amiga legal”, mas como Marina. O jeito que ela jogava o cabelo para trás quando ria alto. A forma como me olhava quando eu finalmente abria a boca pra falar algo que valia a pena, como se eu fosse a pessoa mais interessante do mundo naquele momento.

Foi aí que entendi.

Não era só amizade. Não era só gratidão por ela ter me tirado da concha. Era mais. Muito mais.

Eu estava apaixonado por Marina.

E o pior: não fazia a menor ideia do que fazer com isso.

---

Quer a continuação? www.ouroerotico.com.br

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive mais_um_autor a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários