# SEXTA-FEIRA
O dia antes do fim de semana sempre foi o mais longo da semana. Esperar pelo fim de semana sempre fazia o dia de trabalho se arrastar.
Depois da semana que eu e a Bruna tivemos, só precisávamos de um fim de semana relaxante. Eu também estava empolgado pra tentar algo novo com a Bruna que tinha estado pensando. O roleplay que tivemos recentemente me deixou louco de tesão. Foi então que pouco antes de dormir tive uma ideia.
— Sabe o que achei realmente empolgante sobre o jeito que você falou com ele? — Perguntei pra Bruna enquanto conversávamos no banheiro nos preparando pra dormir. Eu estava me barbeando, algo que gosto de fazer à noite pra poder sair correndo mais rápido de manhã.
— Ah, é? O que você achou empolgante, amor? — perguntou a Bruna, falando alto por cima do som da água caindo conforme tomava banho.
— Eu sei que você disse que era só atuação, e eu entendo isso, mas... me deixou excitado ouvir você falar mal de mim um pouco. Você tava dizendo coisas tipo que o Osvaldo era melhor que eu. Maior que eu. Que era dono de você.
— É, isso parece ser tema comum na fantasia de 'esposa traidora' — a Bruna comentou —, e você curte isso?
— Não sei. Talvez. Você gostaria de tentar hoje à noite? — Perguntei.
— Espera. Calma. Por que você gosta disso? — A Bruna perguntou. Olhei pro reflexo embaçado do espelho pra ver ela ensaboando o cabelo, fazendo várias coisas ao mesmo tempo.
— Gosto da ideia da minha linda esposa se submetendo pra alguém que deveria estar... sei lá, abaixo da gente, acho. Não no nosso nível. É uma coisa contrastante e talvez eu queira sentir que perdi o controle. Realmente não sei. Talvez por isso devíamos tentar.
— Ok... — a Bruna disse com hesitação —, acho que posso tentar — ela disse.
Eu podia ver que ela não queria me machucar, mas depois de tudo que tínhamos passado essa semana, estávamos mais abertos que nunca.
— O que você quer que eu diga? — ela perguntou.
— Você tava inventando umas coisas bem quentes e espontâneas no outro dia — eu disse —, talvez só improvise e diga algumas daquelas coisas de novo?
— Ok, amor. Vou pensar em algo — a Bruna disse.
Eu podia praticamente sentir o gosto da luxúria na voz dela. Parece que nossa discussão estava excitando ela também. Ela ficou bem quieta depois disso. Podia dizer que estava pensando, mas eu tinha terminado no banheiro então saí pra ir pra cama.
Sentei na beira da cama esperando a Bruna se juntar a mim. Felizmente, não precisei esperar muito.
— Deita de costas — a Bruna disse pra mim.
Ela se ajoelhou na cama entre minhas pernas, massageando meu pau conforme começava a encher de sangue. Ela ia me fazer um boquete de novo? Minha mente começou a acelerar com o pensamento. Esse seria o primeiro boquete que eu recebia desde a noite que ela ficou com o Osvaldo.
— O Osvaldo é maior que isso — ela disse, me olhando nos olhos, lendo minha expressão.
A Bruna só segurou meu pau contra o rosto. Só dava beijos e lambidas leves por todo o eixo e ponta. Não chupou. A provocação já estava me deixando insano.
— Sabe, tô começando a sentir falta daquele babaca do pauzão. — Os lábios dela beijaram a lateral da cabeça do meu pau alto.
— Já tô com saudade da sensação quando o Osvaldo fode minha garganta — ela começou a jogar pesado.
— Devo continuar? — A Bruna perguntou, quebrando o personagem por um segundo.
— Continua. Me dá tudo. Quero ouvir, amor. — Mal consegui soltar. Ela decidiu me dar o doce tabu que eu queria ouvir.
Mas algo em mim mudou.
Não era só tesão que sentia mais.
Era raiva.
Raiva de mim mesmo por pedir isso.
Raiva dela por estar gostando tanto.
Raiva do Osvaldo por existir.
E debaixo de tudo — debaixo da humilhação e da excitação doentia — havia uma centelha.
Uma centelha de algo que eu não sentia há muito tempo.
Dignidade.
— Você realmente ferrou tudo, Bruno. Nunca devia ter empurrado aquela fantasia idiota. Agora eu desejo o pau dele. Preciso dele. Preciso que meu papai Osvaldo me trate como a vadia que sou. — A Bruna decidiu parar de segurar. O Osvaldo gostou dela dizendo e eu estava ainda mais nisso.
— O Osvaldo me fodeu nessa cama, bem aqui. Me fez gozar pra ele, de novo e de novo. — De repente fiquei ciente da cama em que minhas costas estavam afundando. Podia facilmente imaginar o jeito que balançou com o Osvaldo e minha esposa, fodendo um ao outro sem sentido. Conhecia o som da cabeceira batendo contra a parede. Pela primeira vez no domingo passado, minha esposa estava fazendo aquele mesmo ritmo de tambor com o Osvaldo, nosso vizinho.
— Eu te amo, Bruno, mas você me perdeu pro Osvaldo naquela noite. Toda vez que ele me fez gozar ele me fez dele. De novo e de novo. Não tem nada que você possa fazer sobre isso, amor. Não devia ter pensado com o pau com aquela fantasia. Agora o Osvaldo é meu papai. Eu pertenço a ele. — A barriga da Bruna tremeu ouvindo aquelas palavras saindo da boca. Sentiu a buceta pingar lembrando das coisas que sentiu com o Osvaldo.
Ela estava indo longe demais.
Ou talvez... não longe o suficiente pra me quebrar completamente.
Mas eu não ia quebrar.
Não hoje.
— Você fez isso acontecer, amor. Tá feliz? — ela perguntou inocentemente —, agora sua esposinha linda é viciada no pau do nosso vizinho.
Parei ela.
Tirei meu pau da mão dela. Sentei ereto.
— Para — eu disse.
A voz saiu firme. Não trêmula. Não suplicante.
Firme.
A Bruna piscou, surpresa.
— Bruno? Você tá bem? Eu fui longe demais?
— Não — eu disse, pegando o queixo dela. — Você foi exatamente até onde eu pedi. Mas agora eu mudei de ideia.
— O quê?
— Vira de costas — ordenei.
Ela hesitou.
— Bruno, se você não tá curtindo a gente pode par—
— Eu disse: vira de costas.
Havia algo na minha voz que ela nunca tinha ouvido antes. Comando. Autoridade. Não a raiva desesperada de quarta-feira na cozinha. Mas algo diferente. Algo mais frio. Mais controlado.
Ela obedeceu.
Virou de quatro na cama. A bunda empinada. Olhando pra trás pra mim com olhos ligeiramente arregalados.
— Bruno...
— Você disse que pertence ao Osvaldo — eu disse, passando a mão pela bunda dela. Devagar. Possessivo. — Mas sabe o que eu percebi, Bruna?
Dei um tapa. Forte. Ela ofegou.
— Ele não tá aqui agora. Tá?
Outro tapa. A pele ficou vermelha.
— Ele não casou com você. Eu casei.
Outro.
— Ele não paga as contas dessa casa. Eu pago.
Outro.
— Ele não acorda do seu lado toda manhã. Eu acordo.
Afundei dois dedos dentro dela sem aviso. Ela gritou, as costas arqueando.
— E essa buceta? — Bombeei os dedos com força. — Essa buceta que você diz que é dele?
Ela estava encharcada. Pingando. A mão dela foi automaticamente pro clitóris, mas eu bati na mão.
— Não. Você não toca. Só eu toco.
— Bruno, porra, eu—
— Só. Eu. Toco.
Continuei fodendo ela com os dedos. Profundo. Rápido. Sentindo as paredes quentes apertarem. O polegar encontrou o cuzinho. Pressionei levemente.
— Ele comeu seu cu?
— N-não...
— Não? — Pressionei mais. — Então ainda tenho algo que ele não teve, né?
— Bruno, vai devagar, eu nunca—
— Eu sei. — Tirei os dedos da buceta. Passei o molhado no buraquinho apertado. — Mas você disse que pertence a ele. Disse que eu te perdi. Então deixa eu te mostrar quem você realmente pertence.
Não enfiei. Ainda não. Só continuei provocando. Pressionando. Soltando. Enquanto a outra mão voltava pra buceta encharcada.
A Bruna estava gemendo agora. Não o gemido teatral que dava pro Osvaldo. Mas gemidos reais. Desesperados.
— Por favor...
— Por favor o quê?
— Por favor... me fode.
— Quem?
— Você. Bruno. Você, porra!
— E de quem é essa buceta?
Silêncio.
Parei de me mover completamente.
— De quem?
— Sua! — Ela quase gritou. — Sua, caralho!
Entrei nela de uma vez. Até o fundo. Sem aviso.
Ela gritou. Alto. As mãos agarrando os lençóis.
E comecei a foder.
Não como quarta-feira. Não com raiva cega.
Mas com propósito.
Com controle.
Com a certeza de um homem recuperando o que sempre foi dele.
— Isso — eu disse, cada estocada marcando o ritmo. — Você. É. Minha.
A Bruna estava vindo já. Podia sentir.
— Bruno! Porra! Não para!
— Não vou parar. Nunca mais vou parar. Você é minha esposa. Minha. Não dele.
— Sim! Sim! Sua!
— Diz de novo.
— SUA! SOU SUA!
Ela gozou com tanta força que quase me empurrou pra fora. Mas segurei. Continuei. Fodendo através do orgasmo.
— Ah! Demais! Bruno!
— Aguenta. Você aguenta. Porque eu ainda não terminei.
Puxei ela pelo cabelo. Arqueando as costas. A mão livre foi pro pescoço. Não apertando pra machucar. Mas segurando. Possuindo.
— Olha pra mim.
Ela virou a cabeça. Os olhos azuis arregalados. Molhados. Perdidos.
— Quem é seu dono?
— Você.
— Quem?
— Você, Bruno! Você!
Gozei. Enterrado até o fundo. Olhando nos olhos dela. Vendo ela. Realmente vendo.
E ela me viu de volta.
Não o Bruno passivo.
Não o corno patético.
Mas o homem que ela casou.
O homem que eu podia ser.
Se eu escolhesse.
Desabei em cima dela. Ambos tremendo. Suor. Fluidos. Respirações rasgadas.
Finalmente saí. Rolei pro lado. Ela se virou pra mim, os olhos ainda arregalados.
— Bruno... isso foi...
— Foi o quê?
Ela engoliu.
— Intenso.
— Bom.
Puxei ela pro meu peito. Ela se aconchegou, a cabeça sobre o coração que ainda martelava.
— Bruno?
— Hm?
— Eu... eu não pertenço a ele. Você sabe disso, né?
Fiquei em silêncio por um momento.
— Eu sei. E você também sabe. Mas talvez a gente tenha precisado dessa semana pra lembrar.
Ela não respondeu. Só apertou mais forte.
E conforme deslizávamos pro sono, exaustos e satisfeitos, senti algo que não sentia há dias.
Paz.
***
Mas no meio da noite, acordei.
A Bruna dormia pacífica ao meu lado.
Peguei o celular. 3:47h
E então vi.
Uma notificação.
Mensagem do Osvaldo. Pro meu número? Não. Pro dela.
O celular dela tava na mesinha de cabeceira. Desbloqueado.
Não deveria olhar.
Mas olhei.
**Osvaldo:** *"Domingo ainda tá de pé? Ou seu maridinho desistiu?"*
A mensagem tinha sido enviada às 23:15.
Antes da gente transar.
Minha mão tremeu.
A Bruna não tinha respondido.
Ainda.
Mas também não tinha bloqueado.
Deitei o celular de volta.
Olhei pro teto.
E percebi.
A guerra não tinha acabado.
Só tinha começado.
E domingo estava chegando.
***
# SÁBADO
Depois da noite passada, eu e a Bruna aproveitamos nosso fim de semana de folga. Fizemos algumas tarefas pela casa e circulamos pela cidade. Depois que terminamos, fomos pra academia. Nós dois gostávamos de ir pra academia. Sempre aliviava nossa tensão da longa semana de trabalho.
Nós dois tivemos um treino incrível, e como sempre os caras na academia estavam constantemente olhando pra Bruna.
Conforme dirigíamos pra casa, eu constantemente provocava ela sobre os homens olhando pra ela. O que ela descartou com um aceno de mão.
— Ver aqueles caras que não conseguiam tirar os olhos de você me lembrou de uma certa pessoa — eu disse com uma risada.
— Não pense que não sei de que babaca você tá falando — a Bruna revirou os olhos e cruzou os braços. O que não fez nada além de acentuar os peitos cheios.
— Babaca? — Olhei pra ela, levantando a sobrancelha, ainda dando aquele sorriso astuto. Como se não soubesse do que ela estava falando.
— O Osvaldo definitivamente é um babaca — a Bruna disse depois de respirar fundo, como se estivesse prestes a desabafar. — Ele é desrespeitoso. O jeito que ele sempre falou comigo foi abrasivo, grosseiro e objetificador. Os comentários nojentos e lascivos sobre minha aparência nunca foram bem-vindos. Entendo que a fantasia depende dele ser maldoso, mas só tô apontando o que ele é na realidade.
— Ele tem problemas com limites. Você sabe como ele sempre tentou me foder. Sempre insistindo até finalmente conseguir.
— É, ele definitivamente cruzou algumas linhas quando colocou droga na minha bebida — eu disse de forma casual.
— Ele FEZ O QUÊ?! — A Bruna gritou surpresa.
O grito dela praticamente sacudiu o carro inteiro. Quase saí da estrada.
— Calma. Uh, é, tenho quase certeza que o Osvaldo colocou algo na minha bebida. Por isso fiquei tão apagado. Você não sabia?
— Eu... acho que realmente não pensei sobre isso... — A Bruna tinha uma expressão dolorosa de culpa no rosto conforme as sobrancelhas franziam em preocupação.
Nós dois sabíamos que a culpa dela vinha de como ela estava empolgada pra foder o Osvaldo naquela noite. Ela estava verdadeiramente bêbada de luxúria.
— ...Acho que faz sentido... Me desculpa tanto, Bruno! Se eu soubesse teria expulsado ele e te levado pro hospital. Você sabe o que ele te deu?
— Amor, tá tudo bem, tô bem. Não aconteceu nada. Fico feliz que você não me levou pro hospital. Teriam cobrado os olhos da cara, mesmo você trabalhando lá.
— Não tá tudo bem, Bruno! Quem sabe que tipo de merda ele te deu? Você podia ter tido overdose! — Lágrimas começaram a surgir nos olhos conforme imaginava mal acontecendo comigo.
Ela imediatamente pensou sobre as piores possibilidades que, dependendo do que era a droga, eu podia ter parado de respirar no sono. Podia ter vomitado e engasgado até a morte no próprio vômito. Se isso tivesse acontecido em qualquer momento daquela noite, ela nunca teria sabido. Ainda mais, ela estaria ocupada fodendo nosso vizinho e gozando no pau dele logo ali no corredor, implorando por mais. Era um pensamento sombrio que a assustava.
— Não é como se eu nunca tivesse tomado analgésicos ou remédios pra dormir antes. Não acho que foi nada perigoso. Você sabe como preciso dormir às vezes depois de ficar com jet lag. Dormi bem, de qualquer jeito!
Mas conforme as palavras saíam da minha boca, algo clicou.
Realmente clicou.
Não era sobre o tesão. Não era sobre a fantasia.
Um homem me drogou.
Na minha própria casa.
Sem o meu consentimento.
E fodeu minha esposa enquanto eu estava inconsciente.
A excitação que senti a semana toda de repente teve gosto de cinza na boca.
— Pera... — minha voz saiu diferente. Mais séria. — Pera um segundo.
A Bruna me olhou, confusa com a mudança de tom.
— Bruno?
— Ele me drogou. — Repeti, mas dessa vez não como piada. Como fato. — Ele entrou na nossa casa, colocou algo na minha bebida sem eu saber, e... porra, Bruna. Eu podia ter morrido.
As mãos apertaram o volante.
— E a gente passou a semana inteira tratando isso como se fosse... sexy? Como se fosse parte da brincadeira?
O olhar da Bruna se estreitou numa expressão séria. — Quem sabe que porra ele te deu.
— Exatamente! — A voz saiu mais alta que pretendia. — E eu tava aqui racionalizando. Dizendo que tá tudo bem porque gozei com isso. Que porra é essa? Que tipo de homem eu sou?
Silêncio pesado encheu o carro.
— Um homem que foi violado — a Bruna disse baixinho. — Assim como eu fui... de certa forma. Porque se você não consentiu em ser drogado, então o que aconteceu depois...
Ela não terminou a frase.
Não precisava.
— Ele é um desgraçado — eu disse, e dessa vez não tinha tesão na voz. Só raiva. — Um desgraçado de verdade.
— É — a Bruna concordou, e vi lágrimas nos olhos dela. — E eu... eu transei com ele. Sabendo que você tava apagado. Sem questionar por quê. Sem verificar se você tava bem.
— Amor, você não sabia—
— Mas eu devia! — Ela cortou, a voz quebrando. — Sou enfermeira, caralho! Devia ter percebido. Devia ter te protegido.
Estacionei o carro na entrada de casa. Desliguei o motor. Ficamos ali sentados em silêncio por um longo momento.
— A gente se deixou levar — eu disse finalmente. — Os dois. Pela fantasia. Pelo tesão. Pela... transgressão de tudo.
— E ele se aproveitou disso — a Bruna completou amargamente.
Olhei pra ela. Realmente olhei.
— Você ainda quer ele?
A pergunta saiu crua. Honesta.
A Bruna engoliu seco.
— Eu... não sei. Meu corpo quer. A parte de mim que se sentiu livre naquela noite quer. Mas minha cabeça... minha cabeça tá nojenta. Confusa. Com raiva.
— De mim?
— De mim mesma. De você por ter plantado a ideia. Dele por ter manipulado tudo. De mim de novo por... por ainda sentir meu corpo molhar quando penso naquilo.
Ela cobriu o rosto com as mãos.
— Que porra de pessoa isso me faz?
Tirei as mãos do rosto dela gentilmente.
— Uma pessoa humana. Complicada. Que tem desejos que não se alinham perfeitamente com a moral. Bem-vinda ao clube.
Um sorriso fraco.
— Então o que a gente faz?
Respirei fundo.
— A gente vai lá amanhã.
— O quê?
— Na casa dele. A gente vai lá e acerta as contas. Sem tesão. Sem fantasia. Só... a verdade. Ele precisa saber que cruzou uma linha. E a gente precisa do encerramento.
A Bruna me encarou, surpresa.
— Você tem certeza?
— Tenho. Porque se a gente não fizer isso, ele vai continuar achando que é tudo jogo. Que pode fazer o que quiser. E a gente vai continuar confuso sobre o que sentimos.
Ela assentiu devagar.
— Ok. Amanhã então.
— Amanhã — concordei.
Saímos do carro. Entramos em casa.
E pela primeira vez em dias, não transamos imediatamente.
Apenas nos abraçamos no sofá.
Processando.
Decidindo.
Quem queríamos ser.
Depois do jantar e do filme.
***
Não demorou muito antes de eu e a Bruna olharmos nos olhos um do outro conforme fazíamos amor em missionário. Os olhos suaves e amorosos da Bruna encontraram os meus conforme nós dois ofegávamos e gemíamos até o orgasmo.
— Ai meu Deus! Tô gozando! Te amo! — A Bruna gritou conforme gozou.
Eu não estava muito atrás dela. Com nossa feita-amor apaixonada, assistir ela gozar me excitou. Em algumas estocadas, estava gozando também.
— Bruna! Também te amo! — Gemi conforme explodi minha carga o mais fundo que consegui.
— Caralho, isso foi incrível — eu disse conforme tentava recuperar o fôlego.
Nós dois deitamos de costas, recuperando o fôlego. Havia uma ternura diferente hoje. Não a urgência selvagem de antes. Mas algo mais sólido. Mais real.
— Bruno? — A Bruna disse baixinho.
— Hm?
— Você acha que a gente vai ficar bem? Depois de tudo isso?
Virei pra ela. Peguei o rosto dela nas mãos.
— A gente vai. Porque amanhã a gente fecha esse capítulo do jeito certo. Juntos.
Ela assentiu.
— Juntos.
A Bruna se levantou pra ir se limpar no banheiro. Fiquei deitado, olhando pro teto.
Pensando em amanhã.
Pensando no Osvaldo.
No sorriso arrogante.
Na forma que ele entrou na minha casa.
Me drogou.
Fodeu minha esposa.
E achou que podia sair impune.
A raiva voltou. Mas não era a raiva desesperada de antes. Era algo mais frio. Mais focado.
O Osvaldo ia aprender.
Ia aprender que cruzou a linha errada.
Com o homem errado.
E amanhã — domingo — eu ia colocar aquele desgraçado no lugar dele.
De uma vez por todas.
A Bruna voltou do banheiro e se deitou ao meu lado. Puxei ela pro meu peito.
— Descansa — sussurrei. — Amanhã vai ser um dia longo.
Ela se aconchegou e logo adormeceu.
Mas eu fiquei acordado.
Planejando.
Preparando.
Porque amanhã não seria sobre fantasia (pelo menos não como Osvaldo gostaria que fosse).
Seria sobre justiça.
***