Dedicação

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 2478 palavras
Data: 29/01/2026 17:16:33
Assuntos: Lésbicas

Como prometido, fui ajudar minha mulher com os exercícios que ela precisava fazer. Eu estava à espera dela em nosso quarto e ela apareceu com uma bola suíça, aquelas grandes e tradicionais de fisioterapia ou pilates.

— Primeiro vou trabalhar a mobilidade do quadril e depois fazer círculos pélvicos, são quase o mesmo movimento — ela me explicou.

— Tá bom… E o que eu faço? — perguntei, agachando para ficar à sua altura.

— Fica aqui comigo, me dá a mãozinha — Juh falou, com um tom doce.

E aí ela começou a rebolar sentada na bola.

— Ah, amor… Mas isso aí você já estava fazendo na minha língua agora há pouco — brinquei, e Juh me empurrou, rindo.

— Com você não dá — ela disse, com a mão no rosto, ainda rindo.

— É brincadeira… — falei, ao levantar e cheirar o pescoço dela.

— Vai, me ajuda que eu quero um parto normal — Júlia falou, e eu voltei a auxiliá-la.

— Se eu te ver sofrendo demais, vou implorar por uma cesariana — falei.

— Nuuuuuuuunca que eu vou deixar enfiarem uma agulha daquele tamanho nas minhas costas — Juh respondeu.

— Você nem vai lembrar disso, só vai querer ter o neném nos braços — disse-lhe, rindo.

Juh começou a fazer agachamento com apoio, e eu sentei entre as pernas dela.

— Que bela visão… — comentei, e ela riu.

— Para, amor, eu quero terminar isso logo — Juh fingiu reclamar.

— Vou começar a ficar com ciúmes… Você toda gostosa assim, com fisioterapeutas te auxiliando… Aiai… — brinquei, fazendo-a rir.

— Falando nisso, quando for fisioterapia pélvica daquele jeito lá, não quero ficar sozinha. Quero você junto, fico com vergonha — ela expôs.

— Então a gente marca sempre em um horário que eu esteja, gatinha — falei e levantei para dar um beijo nela.

A gatinha deve ter feito mais uns quatro exercícios, e eu aproveitei para fazer abdominais e flexões. Ainda brinquei fazendo elevação pélvica com ela em cima de mim, para não ficar ali parada. Foi bom. Passamos um tempo juntas, conversamos e partimos para o nosso terceiro banho, ainda pela manhã.

— Você deveria fazer isso assim que acordasse — aconselhei.

— Não consigo, fico com preguiça. Preciso despertar com um banho primeiro. E também eu teria que acordar mais cedo por conta do trabalho… Não quero acordar mais cedo, não — Júlia me respondeu, fazendo uma careta.

— Justificado, amor — respondi, dando um beijinho nela.

Passados alguns dias, comecei a pensar em algo que seria complicado de convencer, tanto Juh quanto minha sogra.

Vou dar um pequeno contexto antes, para que vocês possam entender melhor, já que nunca toquei no assunto antes.

A pousada é um negócio de família, passado de geração em geração, dos avós para os pais da Juh. Ela foi criada para dar continuidade a isso, aprendendo a fazer de tudo: cozinha, limpeza, administração. Na minha opinião humilde, a formação acadêmica dela nessa área é fichinha perto da experiência prática que acumulou durante a vida. Minha sogra sempre acreditou que quem está à frente precisa ser exemplo, sabendo executar e ensinar cada função. Por isso, a pousada sempre teve muitos funcionários, mas ela nunca parava quieta em um canto só.

Com o tempo, o lugar passou a não ser mais apenas um empreendimento, mas passou a ter um valor emocional gigantesco. Colocou comida na mesa da família por muitos anos, manteve empregos fixos e cultivou amizades profundas. Financeiramente, já não era tão rentável; contudo, as empresas do meu sogro iam bem, e eles tocavam a pousada quase como hobby. Até que nos conhecemos e meu pai entrou na jogada com ideias de inovação, meu sogro colocou em prática, e foi um sucesso. A pousada voltou a gerar lucro!

A casa em que a gente morava era grande e, quando nos mudamos, o máximo que consegui convencer a Juh a aceitar foi uma diarista, uma vez por semana. O resto dos dias, a gente dava o nosso jeito para manter tudo organizado. Teve um lado positivo, porque Kaique e Milena cresceram nesse ritmo, aprenderam a se virar, ajudam sem reclamar e ainda inventam competições divertidas de quem consegue fazer a tarefa mais rápido.

Mas agora, com um bebê a caminho, as coisas precisavam mudar. Caso contrário, eu, Juh e D. Jacira ficaríamos sobrecarregadas. Graças a Deus, temos uma rede de apoio enorme e muitos privilégios. Sugerir uma babá seria inútil; Juh não aceitaria de jeito nenhum. Pensei em propor uma empregada doméstica e uma cozinheira. Assim, eu poderia me dedicar totalmente a ela e ao nosso(a) filho(a), enquanto minha sogra e minha mãe, que com certeza iriam aparecer, nos dariam suporte extra.

O problema é que propor isso seria um desafio. Juh foi criada para dar conta de tudo sozinha em casa. D. Jacira é do tipo de pessoa que acha essencial saber fazer cada tarefa para ensinar os funcionários, e ela mesma está sempre metida em um canto ou outro, sem frescura ou distinção de função. Para Juh, a nossa casa tem que funcionar com a gente na linha de frente. E, apesar de eu achar tranquilo contratar alguém pelo tamanho da nossa casa, não era algo que me incomodava tanto até colocar um bebê na equação.

Despedi-me do meu sogro porque, quando eu retornasse, provavelmente ele não estaria mais ali, e fui levar o carro para lavar. Aproveitei o tempo sozinha para pensar em como eu encontraria um jeito suave de convencer minha gatinha de que a minha proposta era boa e não estava sendo tomada por luxo ou por achar que ela não dava conta do recado, nem que aquilo deveria ser uma obrigação nossa. A gente só tinha condições de tornar as coisas mais leves e dedicar nossa atenção à maior prioridade, que era o(a) nosso(a) bebê.

Nem todo mundo consegue, porém, se tínhamos os meios, por que não fazer?

O dia transcorreu normalmente. Achei melhor tocar no assunto quando estivéssemos a sós no quarto e, à noite, minha sogra estava assistindo à novela enquanto a gente brincava de conversar com o(a) bebê.

— Não acho justo ainda não ter nome de menino — Kaká falou.

— Eu também não. Fico chamando de menininho… Acredito que seja menina, porém, se não for, o bichinho deve estar triste sem nome — brinquei.

— Vai ser menino! — Mih exclamou, confiante, com uma carinha de convencida.

— Vai ser menina, eu vou continuar cuidando das minhas mulheres — Kaique respondeu, no mesmo tom.

— Oi, Maju — continuei zoando.

— Mamãe, a senhora precisa me ajudar contra eles — Mih pediu ajuda a Juh.

— Mas eu não sei mesmo. Talvez seja menino, porque é uma gravidez totalmente diferente da outra — Júlia tentou.

— Tá vendo? O bebê está dentro da mamãe, e ela disse que é diferente da outra gestação — Mih complementou.

— Você falou errado — Kaká comentou.

— O quê? — Milena quis saber.

Eu também não entendi, mas esperei ele explicar.

— É a bebê! — meu filho exclamou, rindo, e eu também ri.

— Independente do que seja, a gente te ama, neném — falei, dando um beijo na barriguinha de Juh, que ainda não dava sinal.

Eles também começaram a depositar beijinhos e acabaram me expulsando da posição em que eu estava.

— Amor, a gente tem três filhos — ela sussurrou, segurando meu pescoço.

Confirmei balançando a cabeça positivamente e tomando seus lábios em um beijo.

O pai de Milena ligou para marcar o horário em que iria buscá-la, e Kaique já foi ficando todo melancólico, mas eu o lembrei de que ele tinha a missão de ajudar a vovó a manter a alimentação da mamãe boa, e ele foi se conformando com maior facilidade.

— Vou até pegar o suco que a senhora tem que tomar — ele disse para Júlia, dando um salto do sofá.

— Eu tomei, e até que está bom, mamãe, só é diferente — Mih complementou.

— De que é? — perguntei.

— Beterraba, mas tem outras coisas também — Milena me respondeu.

Juh logo fez uma expressão de nojo.

Eu tomo qualquer coisa, mas, geralmente, não curto essas misturas.

— Tem cenoura, laranja, linhaça e chia, mas está bem coadinho, filha. Você não vai nem sentir — informou D. Jacira.

Acredito que era melhor a bichinha nem saber; a expressão dela só foi piorando.

Kaká voltou com o copo de suco e entregou com cuidado nas mãos de Juh. Milena buscou um canudo e o posicionou bem pertinho da boca da mamãe.

— Deixa eu provar — pedi, mesmo sem a mínima vontade.

— Fala a verdade — Júlia pediu.

Não era ruim, só diferente mesmo.

— Tem gosto de beterraba e, lá no fundo, um pouco de cenoura — falei, ainda saboreando.

— É ruim? — Kaique sussurrou.

— Não — sussurrei de volta e ri baixinho.

Juh fechou os olhos e foi dando longos goles. Ela parecia querer finalizar o momento de tortura o mais rápido possível, e logo não restou uma gota sequer no fundo do copo.

A cena nos pegou completamente de surpresa. Ficamos todos paralisados, admirados, com os olhos vidrados nela. Júlia é uma mãe incrível, daquelas que transformam pequenos desafios em vitórias diárias, e estava evidente que ela estava disposta, novamente, a entregar tudo de si também nessa gravidez. Cada consulta médica rigorosamente atendida, cada recomendação nutricional seguida à risca, cada exercício incorporado à rotina com uma dedicação feroz e inabalável. Ver aquilo era inspirador.

Minha sogra subiu para dormir e, após comemorarem, os meninos também. Deitei com ela sobre mim e fiquei fazendo carinho em seu cabelo.

— Parabéns, viu, amor? Sei que não está sendo nem um pouquinho fácil — comentei.

— Você acha que eu consigo todos aqueles quilos? Doze é muito… — Juh quis saber.

— Você vai conseguir tudo o que você e o bebê precisarem, porque você é incrível e é a melhor mamãe do mundo para nossas três crias — falei e não resisti ao sorrisinho espontâneo dela; dei um beijinho.

— Isso é mentira, porque a melhor mamãe do mundo é você — Juh rebateu, também roubando um beijo.

— Aceito dividir o título, gatinha — disse-lhe e a beijei de verdade.

Fomos para o quarto, e ela se jogou na cama com um suspiro aliviado.

— Vem cá, amor — Juh me chamou para que eu ficasse grudadinha com ela.

Ficamos ali um tempinho só curtindo o silêncio, eu passando os dedos pelo cabelo dela, sentindo o cheirinho delicioso da pele dela. Era o momento perfeito para tocar no assunto que eu vinha matutando.

— Gatinha… Posso te falar uma coisa que eu andei pensando? — comecei, com voz suave, beijando a testa dela.

— Pode… — ela respondeu, aninhando o rosto no meu peito.

— Com o bebê vindo, a gente vai precisar de mais apoio em casa. Tipo, uma empregada para ajudar na limpeza e uma cozinheira para a gente não se preocupar com as refeições. Não para a gente parar de fazer as coisas, mas para sobrar mais tempo para você, para o(a) neném e para a gente curtir isso tudo de boa. A casa é grande, vai sobrecarregar sua mãe, a minha ou seja lá quem venha nos auxiliar. Nós temos condições, amor. Por que não tornar mais leve? — tentei expor minha ideia, com o máximo de cuidado possível.

Juh ficou quietinha por um segundo. Senti o corpo dela tensionar no meu abraço. Ela ergueu o rosto, os olhos brilhando com uma chateação visível, como se eu tivesse a magoado.

— Lore… Você acha que eu não dou conta? — a voz dela saiu baixa.

Com uma simples pergunta, Júlia mostrou uma vulnerabilidade que partiu meu coração. Eu sabia que seria o primeiro cenário que ela imaginaria, porém a maneira como saiu da boca dela… doeu, e era tudo o que eu menos queria.

— Eu sempre cuidei de tudo aqui, com Mih e Kaká, a casa… Não quero ficar delegando, vou me sentir insuficiente se precisar disso — ela desabafou, ainda triste.

Meu peito apertou. Segurei o rosto dela com as duas mãos, olhando fundo naqueles olhinhos pelos quais sou tão apaixonada.

— Ei, ei, não é isso nem de longe, meu amô. Você é a mulher mais forte e capaz que eu conheço — falei.

— Delegar no trabalho, ok, mas em casa… Eu consigo, eu tenho que conseguir — Juh disse, me olhando fixamente.

— Você dá super conta, sempre deu. Mas agora tem um bebê no meio, e eu quero que a gente viva isso com leveza, focando no principal: você descansando, a gente se amando, brincando com Kaique e Milena. Não é por luxo, não é por não acreditar no seu potencial, é por poder priorizar e proporcionar isso. Eu cuido de você, gatinha. A gente merece isso juntas — tentei explicar da melhor maneira que encontrei.

Ela piscou devagar, parecia processar as informações. Juh mordiscava o lábio, visivelmente hesitante.

— Mas e a minha mãe? Ela vai achar que eu sou uma fresca… — Júlia comentou, pensativa.

— A decisão é nossa, tem que partir da gente. Deixa comigo essa parte de falar com ela, digo que preciso que ela escolha duas pessoas confiáveis e… vai dar certo — respondi, reflexiva.

Inclinei-me para roubar um beijinho rápido na boca delabeijinhos leves, espalhados pela testa, bochecha e na ponta do nariz. Juh tentou resistir com um sorrisinho forçado, mas no quarto eu já estava no pescoço, enchendo de selinhos molhados e fazendo cócegas em sua cintura.

— Para, assim não vale! — Juh riu de verdade, empurrando meu ombro de leve enquanto se contorcia.

— Só paro quando você sorrir para valer e disser que topa — brinquei, atacando com mais beijinhos, até ela se render completamente, rindo alto e me puxando para cima dela.

— Tá bom, tá bom! Eu topo, sua maluca… — ela cedeu, com os olhos agora brilhando de alegria pura.

Suspirei aliviada, deitando de lado e puxando ela para o meu peito. Ficamos abraçadinhas assim, pernas entrelaçadas, minha mão na barriguinha dela traçando círculos suaves.

— Te amo tanto, gatinha… — falei e dei uns selinhos nela.

— Te amo mais, Lore — Juh sussurrou de volta.

— Agora vamos dormir? — perguntei, puxando o corpo dela para mais perto, e Júlia foi se encaixando perfeitamente.

— Amanhã não tenho você o dia todo — ela lamentou, contra meu peito.

— Eu vou sair bem cedinho, mas vou te acompanhar no endocrinologista — disse-lhe, tentando aliviar.

— E depois, só de noite? — Juh quis confirmar.

— Isso… Mas, se você quiser manga verde, por favor, me avise em horário comercial — brinquei para descontrair e levei um tapinha.

— Eu posso ir cedinho com você, então? — ela perguntou, com um olhar irresistível.

— Quer ficar comigo, é? — perguntei, enchendo-a de cheirinho no pescoço.

— Quero muito, muito, muito — Júlia respondeu, me dando mais acesso ao seu pescoço.

— Claro que pode, vou adorar ter sua companhia — falei, e ela abriu um sorriso daqueles que me quebram.

~ Ela é só um nenenzinho, mô Deuxxxxx 🤏🏽❤️

No outro dia, despertamos bem cedo. Juh estava extremamente carinhosa. Acordamos Milena também para se despedir de Kaique por mais tempo e, quando já estávamos saindo, o pai dela chegou.

Partimos para o hospital e, em certo momento, juro que cheguei a inserir informações no sistema com uma linda grávida adormecida em meus braços, e foi a visão mais bonita que meus olhos contemplaram naquele dia.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 9 estrelas.
Incentive Lore a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Lore Lore Contos: 158Seguidores: 47Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

Foto de perfil de Whisper

Acredito que aprender a fazer tudo e buscar dar conta das coisas sozinha é algo positivo. Isso nos ensina a nos virar e a assumir responsabilidades. No entanto, acho que ser condicionado a não aceitar ajuda quando necessário é um erro. Fico feliz que você tenha conseguido convencer a Juh de que isso era essencial e traria benefícios para todos. Com certeza, foi a melhor escolha.

Não tem como não rir ao te ver brincando com a Juh durante os exercícios. Seu senso de humor é, para mim, sua maior qualidade, e olha que você tem várias!

Muito bom, como sempre, Lore! Parabéns, minha amiga querida! 🤗♥️😘

2 0
Foto de perfil de Lore

Eu concordo plenamente com você!

De diferentes maneiras, Juh e eu somos muito desenroladas justamente pela forma como fomos criadas. Eu, mais em me virar em situações adversas e conturbadas; e ela, em saber organizar qualquer coisa, seja lá para quantas pessoas forem.

Fazer com que Milena e Kaique experimentassem um pouco dos dois universos é muito benéfico. Eles são esforçados e sabem ser úteis.

O puerpério, por si só, já é um período complicado para a mulher, e o meu, por outros motivos, foi um terror. Eu só queria que minha muiezinha tivesse uma experiência leve, tranquila e cheia de amor. Fiquei feliz demais quando ela aceitou 🥰

Menina, eu disse ao Beto que vou contar um negócio engraçado envolvendo a fisioterapia pélvica… Foi bem nessas brincadeirinhas aí que eu me estrepei bonito 😂😂😂😂😂😂

Muito obrigada pelo carinho e por seguir acompanhando, minha amiga. Beijão, a gente te ama! Dá um abraço no meu amigo aí! ❤️😘

0 0
Foto de perfil de Jubs Oliver

Minha 2ª gestação foi sinônimo de grude em Lore ❤️😂

1 0
Foto de perfil de Lore

Coisinha mais linda do mundo 🤏🏽❤️🥰

1 0