Duas semanas depois do fim de semana no hotel, Júlio me pediu em casamento.
Fazendo um balanço da minha vida, eu esperava por isso e já tinha pensado em tudo.
Tinha dito a mim mesma que meus dias loucos ficaram pra trás. Tinha suprimido aqueles desejos obscuros por pau enorme e inesgotável. Tinha conseguido fazer o Júlio evoluir então pelo menos estava tendo orgasmos na cama com ele, ainda que pela minha própria mão com um vibrador, ou com estimulação do clitóris com os dedos enquanto ele me fodia. Não eram orgasmos alucinantes de explodir a buceta, mas eu estava conseguindo o que precisava. Por enquanto.
Mas o mais importante: Júlio é um cara incrível. Atencioso, gentil, tem um ótimo emprego com muitos amigos inteligentes e divertidos. Ele me ama absolutamente e eu tinha sorte de tê-lo.
Eu disse 'Sim'.
No jantar de comemoração naquela noite, perguntei de novo sobre o primeiro casamento dele. — Me conta de novo por que você e a Tânia terminaram.
Júlio não queria falar sobre isso, compreensivelmente, mas peguei a mão dele e reassegurei. — Só não quero cometer os mesmos erros que ela cometeu.
Júlio recostou e respirou fundo. Pensou por um momento, depois encontrou a intensidade do meu olhar. — Como já disse antes, minha ex-esposa, antes moral e amorosa, de alguma forma virou uma ninfomaníaca completa. Mas não comigo. Ela transou por aí, e muito. MUITO. Ela saía naquelas "noites das meninas". Eu conhecia algumas das vadias com quem ela andava. Má influência.
As "noites só das meninas" ficaram cada vez mais frequentes. Começaram a cada dois ou três meses. No final, ela estava saindo praticamente toda sexta à noite. Nem voltava pra casa depois do trabalho. Saía do escritório, encontrava as amigas e achava algum lugar pra se trocar e colocar roupa de balada ultra sexy. As noites dela ficaram cada vez mais longas também. Em pouco tempo estava voltando pra casa bem depois das duas da manhã.
— Nessas noites, era óbvio o que ela tinha feito. Tinha aquela cara inconfundível de mulher recém-fodida e exausta. Depois de alguns meses disso e brigas incontáveis, não aguentei mais. Esperei acordado até duas e meia da manhã ela chegar cambaleando. Ela implorou pra deixar ela dormir, mas recusei. Conversamos até que finalmente dei um ultimato. Estava disposto a relevar tudo do passado dela se ela apenas prometesse parar ali mesmo e não foder outros homens. Ela disse que ia pensar. No fim de semana seguinte, fez de novo. Então terminei e entreguei os papéis do divórcio.
Me inclinei pra frente e peguei a mão dele. — Caramba. Isso é horrível. Sinto muito que você tenha passado por isso.
Puxei a mão dele pra minha boca e beijei. — Amor, posso te prometer uma coisa. Eu nunca, nunca mesmo vou foder outro homem pelas suas costas. É uma promessa e vou guardar no coração. Sempre.
Júlio sorriu. — Eu sei que vai, amor. Eu sei.
Três meses depois nos casamos numa cerimônia no Ibirapuera com cento e cinquenta dos nossos amigos mais próximos.
Contei pelo menos meia dúzia de homens ali que eu tinha fodido em algum momento. Mas todos estavam acompanhados de uma das minhas amigas, e nenhum deles estava lá simplesmente por causa do meu passado com eles.
Aqueles dias ficaram pra trás.
Quando chegamos no hotel depois de dançar a noite toda na festa de casamento, já passava da uma da manhã. Transamos. Como de costume, meus vibradores estavam à mão e eu precisei deles. Gozei uma vez e demos por encerrado. Estávamos cansados mesmo.
Nos meses seguintes, a vida de casada foi quase tudo que eu esperava. Quase. Ainda amávamos estar juntos. Ainda fazíamos um ao outro rir das coisas mais bobas. Tínhamos nossas piadinhas internas. Nos respeitávamos. Éramos melhores amigos. O sexo até melhorou um pouco, mas não muito. Eu dava nele um dos meus boquetes alucinantes patenteados umas duas vezes por semana na esperança de que isso o inspirasse a descer em mim, mas ele nunca conseguiu aprender a me fazer gozar com a boca. Implorava pra ele, repetidamente, me chupar e me fazer gozar, mas ele simplesmente não conseguia. Ou não queria. Ter que ficar instruindo onde lamber e onde sugar ficou tão broxante que desisti e me resignei aos meus brinquedos.
Ele sempre reclamava que a boca dele estava seca demais. Dizia que meus pontos sensíveis eram pequenos demais, ou escondidos demais. Ou secos demais.
Todo tipo de desculpa.
Descobri que depois do sexo com o Júlio, ele ia direto dormir enquanto eu me masturbava pela noite adentro. E logo minhas fantasias começaram a se voltar pros cafajestes que costumavam me pregar na cama e me comer a noite toda, me fazendo gozar tão forte, tantas vezes que às vezes eu desmaiava de puro prazer.
A vida é sobre compromissos. Certo?
Eu. Não. Ia. Foder. Por. Aí.
Ainda saio com a Alice e a Gisele. Sim, Noites das Meninas. Nossas noites de meninas são uma ótima válvula de escape pra mim. Uma vez por mês ou mais, adoramos beber e fofocar e sim, flertamos. Todas nós trabalhamos na região da Faria Lima, e adoramos compartilhar histórias sobre quem tá comendo quem, e quem é gostoso e quem não é. Alice e Gisele, mulheres lindas por direito próprio, ainda não encontraram O Cara. Mas as duas têm muitas opções e ter sexo ótimo toda semana não é problema pra elas.
Não falo sobre meus e os problemas do Júlio na cama. Se o Júlio descobrisse que minhas amigas sabem da história da nossa vida sexual, ficaria mortificado. Então por respeito ao meu cara e ao frágil ego masculino, não falo.
Isso não impediu a Alice e a Gisele de contarem suas histórias. Alice falou sobre um cara que trabalhava numa filial diferente do escritório dela, em Pinheiros. Ele tinha reputação entre as mulheres solteiras de ser um galinha de primeira. Alice, a vadia tarada que é, provou ele na quinta passada, seduzindo ele pra cama dela. Ela deixou a Gisele e eu morrendo de rir enquanto contava sobre tropeçar no trabalho no dia seguinte num estado de confusão completo, com a buceta e a porta dos fundos esticadas e fodidas pra valer. Ele era dotado feito um garanhão, ela disse, e fodeu ela por quatro horas até ela virar uma vadia babando e balbuciando, incapaz de formar um pensamento coerente.
Alice abriu as redes sociais e achou o Miguel. Ele era grande, como o Júlio, e atlético. Talvez uns 30? Os olhos dele irradiavam confiança.
O que é uma qualidade que me deixa excitada pra caralho. Senti minha buceta umedecer.
Naquela noite foi outra rodada de Júlio bombando e gozando, depois apagando.
Enquanto ele deitava do meu lado roncando, peguei meu vibrador, mas minhas lágrimas me dominaram e não consegui. Chorei até dormir.
Uns seis meses depois de casarmos, consegui uma promoção pro departamento de marketing da agência de publicidade onde trabalhava, com uma divisão de produto pra gerenciar.
Minha divisão? Lingerie feminina. Especialmente meias.
Não estava mais modelando meia-calça e meias 7/8 e meias de costura, mas isso não significava que eu não era um outdoor ambulante pros meus produtos. Mantive minhas saias curtas e minhas meias finas e sexy. No departamento tinha ganhado um apelido: Pernas.
Pode chamar de machista. Não tô nem aí. Abracei. E sempre fiz jus ao apelido. Todo santo dia.
Durante um dos nossos lançamentos de produto, fui numa feira do setor no Expo Center Norte. Havia centenas de representantes da indústria e vendedores, todo mundo na correria. Gente de todo lugar representando lingerie feminina e roupas íntimas.
Vi uma mulher que parecia vagamente familiar. Não achava que tinha conhecido ela, mas talvez de uma foto? Redes sociais? Não tinha certeza.
O que tinha certeza era que ela era absolutamente linda de morrer. Cabelo loiro longo, rosto de atriz de cinema, pernas longas e deliciosas e um par de peitos do tamanho de São Paulo.
Até eu queria foder ela.
Mas quando cheguei perto dela, quase desmaiei quando li o crachá dela.
Tânia Peterson.
A ex do Júlio.
Então essa era a vadia mentirosa e traidora que traiu o Júlio e fez um completo idiota dele. Essa era a piranha que saía toda semana nas "noites das meninas" e depois voltava pra casa cambaleando, fodida e estúpida.
Ela provavelmente é até responsável pela completa falta de confiança do Júlio na cama. Era uma verdadeira peça.
Me perguntei o que faz uma mulher assim funcionar. Quem são essas pessoas que casam com um homem perfeitamente bom e depois abrem as pernas pro primeiro garanhão bem-dotado que aparece?
Tinha que descobrir.
Ela estava no meio de uma multidão de gente, recebendo muita atenção. É claro que sim.
Esperei minha chance e escorreguei na frente dela. Estendi a mão, olhando deliberadamente pro crachá dela. Tânia Peterson. — Oi Tânia. Sou a Mariana. — Como estava começando a ter reconhecimento de nome na indústria, não tinha assumido o sobrenome do Júlio. Meu crachá dizia: Mariana Ribeiro.
O sorriso da Tânia foi brilhante e genuíno. — Oi Mariana. Tânia. Você deve ser uma das modelos. Chuto que roupa de festa?
Sorri com o elogio. — Não mais. Tô no marketing agora. Costumava modelar meias. Meia-calça, meias de costura, 7/8, esse tipo de coisa.
— Bom, você certamente tem as pernas pra isso — ela disse entusiasmada. Então, a ficha caiu. — Mariana! Você não é, é...
— O Júlio é meu marido. Há seis meses.
— Nossa — Tânia disse. — Tenho que dizer, tô um pouco surpresa.
— Surpresa com o quê?
*Surpresa que ele seguiu em frente tão rápido dos seus jeitos mentirosos e traidores?*
Queria dizer que ele trocou pra melhor, mas olhando pra Tânia, não tinha tanta certeza.
A diferença entre nós é: sou leal. Não fodo por aí.
— Bom, Mariana, vamos lá. Olha pra você. O que você tem? Um e noventa de salto? Absolutamente linda. E essas pernas! Meu Deus, essas pernas. — Ela baixou a voz e se inclinou pra mim. — Você sabe que não tem uma mulher nessa sala que não te odeia. Certo?
Ela estava forçando a barra. — O que isso tem a ver com estar surpresa que sou casada com o Júlio?
Ela pareceu um pouco desconcertada. — Não devia dizer nada. Desculpa.
Notei que ela usava aliança. — Então você casou de novo? Tá indo melhor pra você?
Meu tom estava afiado. Me perguntei quanto tempo o marido número dois ia durar casado com essa vadia destruidora de lares de salto alto.
— Com o Roberto? Ah meu Deus, sim. Estamos casados há só alguns meses. Ele é minha rocha. Conto minhas bênçãos todo dia desde que conheci ele.
Isso não ia a lugar nenhum. Mas alguma coisa não batia. A Tânia não se encaixava na imagem que tinha formado dela baseada nas histórias do Júlio.
Tinha que descobrir. Ia me arrepender pra sempre se não fizesse.
— Tânia, posso te fazer uma pergunta super pessoal?
Ela não disse nada, então segui em frente. — Por que você e o Júlio terminaram?
Ela me encarou por um longo momento. Os olhos dela olharam fundo dentro de mim, na porra da minha alma. Havia conflito ali, e dor. De novo, não o que esperava.
Finalmente ela falou. — Mariana, não sei se devo. É tão pessoal. Não é algo sobre o que as pessoas falam.
Ela tinha vergonha do que fez com ele? Ou era outra coisa?
Decidi ir com tudo. Afinal, nunca mais ia vê-la de novo, então por que não? — O Júlio me disse que você foi... infiel. Foi algo que ele fez? Tem algo que preciso ficar de olho?
Queria dar uma saída pra ela, um fio de justificativa pra fazê-la falar. Quando finalmente ela admitisse que tinha fodido metade do elenco de alguma novela da Globo, eu ia soltar o verbo e cair matando nela. Ia dar uma bronca nela. Ia acabar com ela por ter machucado o Júlio tão mal que até afeta nosso próprio casamento.
Talvez então o Júlio e eu pudéssemos começar a reconstruir nossa vida sexual.
Mas a reação da Tânia não foi o que esperava. Estava procurando culpa. Desdém. Talvez um sorriso mal disfarçado. Mas o que consegui foi silêncio atordoado. Observei o rosto dela cuidadosamente, procurando sinais de falsidade. Mas o que vi foi choque.
— Mariana, pelo túmulo da minha mãe, nunca fui infiel.
Não podia deixar passar. Tinha que sondá-la, encontrar as mentiras que estava inventando na hora. Meu tom ficou brutal.
— O Júlio diz que suas Noites das Meninas eram festas de foda semanais com outros homens. Que você voltava cambaleando pra casa depois da uma da manhã, bêbada e largada.
Instantaneamente, a expressão antes defensiva da Tânia se transformou em raiva vermelha e fumegante. — Que porra? Como ele pode dizer isso sobre mim? Nunca. Nunca traí uma vez sequer, nem uma porra de vez durante todo o nosso casamento.
A voz da Tânia se elevou. As pessoas em volta começaram a notar. Ainda assim, ela seguiu em frente. — Noites das Meninas? Aquilo era mais tipo sessões de terapia. Certamente não sexual. Fui completamente fiel. Embora...
— Embora o quê? — *Aqui vem.*
— Ia dizer 'embora eu quisesse'.
— Por quê? Por que você queria?
— Porque o sexo com o Júlio era... inexistente. Não conseguia, pela minha vida, acender um fogo nele.
Ah merda, ah merda, ah merda.
Minha boca de repente ficou seca feito torrada. — Ele era, ah, precoce?
Tânia bufou. — Gatilho sensível. Tinha uma gaveta cheia de brinquedos que usava depois que ele virava e apagava.
Meu coração estava acelerado. Uma névoa desceu sobre meu cérebro.
— Ele te fazia?
— Quer dizer me chupar? Nem fodendo. Sempre dizia que era sujo. Não importava os boquetes que eu tava dando nele. Até engolia pelo... por ele.
Minha visão começou a rodar.
— E você nunca...
— Traí? Arrumei um amante? Eu queria, acredite. Mas nunca fiz. Em retrospecto, talvez devesse ter feito. Talvez até tivesse ajudado o casamento. Mas não importa agora. Tenho um cara incrível e sou tão feliz que conto minhas bênçãos todo dia.
Desmaiei.
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**Notas do autor**
Parece que o Júlio não foi totalmente preciso na explicação de como o primeiro casamento dele fracassou.
O engano inicial do Júlio é grande coisa pra Mariana. Pra Mariana, sexo é como ar. Ela precisa desesperadamente pra se manter sã. Ela honestamente achou que poderia superar suas necessidades mais básicas, mas consegue? Deveria?
Se você fosse a Mariana, o que faria?
E o Júlio? O que ele deveria fazer? É fácil dizer que ele deveria simplesmente dar o que ela precisa, mas pra ele, não é tão simples.
Me contem nos comentários!!!