Os segredos de Clara. final

Um conto erótico de Daniel
Categoria: Heterossexual
Contém 5988 palavras
Data: 05/01/2026 09:23:32

Os segredos de Clara 07

Aviso aos leitores mais sensíveis, este episódio contém violência fisica.

As semanas seguintes foram uma verdadeira montanha-russa, cheias de altos e baixos, como era de se esperar. Clara cumpriu sua ameaça e consultou um advogado, e eu recebi uma carta me dando sete dias para declarar meus bens.

Após conversar com minha família, decidi não contratar meu próprio advogado, pelo menos por enquanto. Assim que Clara visse o estado do nosso patrimônio, havia uma chance de ela se acomodar discretamente e desaparecer da minha vida.

Consegui que três corretores de imóveis diferentes me fornecessem, por escrito, uma avaliação. Sorri educadamente quando todos me disseram que o imóvel valeria muito mais se estivesse pronto. Como eu suspeitava, as estimativas deles ficaram um pouco acima do valor da hipoteca.

Quando devolvi as informações, juntamente com cópias dos meus extratos bancários ao advogado de Clara, informei-o de que eles tinham sete dias para me fornecer a declaração de bens de Clara. Isso a deixaria furiosa.

Pelo lado positivo, as cartas de amor viralizaram. Clara e Zaqueu estavam tendo seus quinze minutos de fama. Pelo lado negativo, para minha vergonha, eu também. A estação de rádio, por meio de Elem, me entregou um saco cheio de e-mails que receberam e imprimiram para mim, além de algumas cartas de verdade. Oscar não estava muito longe da verdade, muitas mulheres estavam se oferecendo para me consolar.

Elem achou ótimo. Eu, nem tanto. Gostava do meu anonimato. Mamãe e Mel apoiavam Elem, mas por um motivo diferente. Acho que elas já estavam procurando alguém para substituir Clara.

Meu pai, Saulo e eu finalmente tínhamos bolado um plano de vingança. Não era o que eu queria. Sendo antiquado, eu teria preferido simplesmente confrontar o idiota e desafiá-lo para uma luta, e que vencesse o melhor. Caramba, eu até fantasiei em viver algumas centenas de anos antes e poder desafiá-lo para um duelo, só para poder atirar naquele desgraçado bem entre os olhos. E talvez nos testículos.

Me frustrava viver em tempos em que as leis pareciam proteger os culpados em vez dos inocentes. Do jeito que as coisas estavam, se eu desse uma surra no Zaqueu, aquele verme chorão podia me acusar de agressão e eu acabaria preso. E passar um tempo atrás das grades defendendo a minha própria pele, literalmente não me dava a sensação de sucesso. Nem espancá-lo anonimamente, ou pagar alguém para fazer isso.

Então, depois de muita frustração, decidi que, se não pudesse ter a satisfação de sentir suas costelas e nariz quebrarem sob meu punho, me contentaria com algo que me fizesse rir nos anos vindouros. Algo que o humilhasse e o marcasse por mais tempo do que alguns ossos quebrados e hematomas. Quando expliquei a ideia para meu pai e Saulo, eles riram tanto que tiveram que segurar a barriga, então acho que começamos bem.

O pior dia, de longe, foi quando a tia Sueli nos visitou, implorando para que não virássemos as costas para o Zaqueu. Ela chorou enquanto nos contava que ele estava sendo rejeitado por todos. Ela culpou a Clara, dizendo que ela o havia "enfeitiçado".

Minha mãe também chorou, mas se manteve firme.

— Sueli, eu entendo sua necessidade de apoiar seu filho, mas, por favor, não fale comigo como se eu fosse estúpida. Enfeitiçado? Não foram um ou dois incidentes isolados, foram anos e anos de mentiras e enganos. Ele merece ser rejeitado pela profundidade da traição que cometeu contra Dani. Você leu as cartas? Você leu o quanto ele gostava de humilhar o Dani? Você leu o que ele fez? Pelo amor de Deus, ele transou com ela no dia do casamento dela com Dani! Como você pode nos pedir para perdoar uma coisa dessas?

— Por favor, Eloá, por mim? Por favor, eu não posso abandoná-lo. Ele é meu filho. E ele está tão arrependido de tudo. Eu sei que ele errou, mas ele é meu filho.

— Eu sei, Sueli, mas não posso. Nós não podemos. Dani é meu filho. E se você continuar apoiando o Zaqueu, receio que não será mais bem-vinda na minha casa.

Meu coração se partiu quando a tia Sueli se levantou e pegou a bolsa, deslizando-a pelo antebraço até a dobra do cotovelo. Ela estendeu os braços para minha mãe, abraçando-a com força, a bolsa balançando e batendo em seus quadris. Eu queria poder filmar para mandar para Clara e o bastardo, para mostrar a eles o preço do egoísmo deles; talvez assim eles aprendessem que nenhum de nós vive isolado. Nossas ações afetam os outros. Como uma pedra atirada em um lago, elas criam ondas.

Mas, por outro lado, talvez eles não aprendessem nada e se importassem ainda menos.

Minha mãe se aconchegou nos braços do meu pai enquanto Mel deixava a tia Sueli sair. Eu fiquei parado, me sentindo impotente, com lágrimas não derramadas queimando meus olhos pela dor da minha mãe. Abri a boca para dizer a ela que não precisava se despedir da irmã por mim, mas antes que eu pudesse dizer uma palavra, meu pai balançou a cabeça e me dispensou com um gesto.

Testemunhar a angústia da minha mãe fortaleceu minha determinação: eu jamais perdoaria Clara ou Zaqueu por tê-la magoado.

######

— Meu Deus, está funcionando. Está mesmo funcionando. — Sussurrei tão baixinho que o som das ondas batendo suavemente na lateral do barco do meu pai quase abafou minha voz. Eu não estava falando com ninguém em particular, embora meu pai e Saulo pudessem me ouvir, já que estavam aconchegados bem ao meu lado enquanto escutávamos a conversa abafada que vinha do celular.

— Você achou que não ia acontecer? — Perguntou Saulo em voz baixa.

Assenti com a cabeça. — É tudo tão exagerado, tanta coisa é deixada ao acaso. Quer dizer, e se ele não tivesse gostado da Cristal?

— Só posso dizer, uma pena que ela só precise embebedá-lo. Eu gostaria de tê-la visto dar-lhe uma boa dose de gonorreia. — Murmurou meu pai. — Depois da dor que ele e Clara causaram à sua mãe, acho que quero vingança tanto quanto você.

A prostituta, ou Dama da Noite, como meu pai a chamava, não parecia profissional. Cristal, na verdade, tinha um ar bem elegante. Estávamos pagando uma boa grana para ela, mas ela estava provando que valia cada centavo. Pelo jeito, Zaqueu estava praticamente babando por ela. Claramente, Clara nunca passou pela cabeça dele. Talvez a emoção de transar com ela tivesse acabado agora que eu não estava mais no papel de corno.

Eles estavam em um bar na beira do lago, um lugar calmo, sem muito movimento no meio da semana.

Papai, sendo papai, tomou todo tipo de precaução, até fez Cristal assinar um acordo de confidencialidade. Aposto que foi a primeira vez para ela. Eu não fazia ideia se isso seria válido em um tribunal, ou mesmo se ela tinha usado seu nome verdadeiro, mas se isso fazia papai se sentir melhor, eu não ia discutir.

Quando ela percebeu quem eu era, aparentemente, ela deu ouvidos a Elem e Oscar, ela até convenceu uma amiga a ser sua cupido e ajudá-la a conquistar o Zaqueu sem custo adicional. Pelo visto, nem mesmo as garotas de programa gostam de mentirosos e trapaceiros.

Saulo comprou dois celulares pré-pago com o dinheiro que eu lhe dei. Nossa Dama da Noite ficou com um, e nós com o outro. O único número programado no dela era o nosso. Seguindo nossas instruções, ela estava ligando para que pudéssemos ouvir a conversa dela com o talarico durante a noite. Era a terceira ligação desse tipo e eu já tinha descoberto muita coisa que jamais imaginei sobre os verdadeiros sentimentos do meu primo por mim.

Ele me chamou de "escoteiro" e "menino prodígio" e compartilhou abertamente com Cristal e Amélia o que tinha feito. Não demonstrou nenhum remorso. Chegou a se gabar de ter me enganado por tanto tempo. E depois de ter dito à mãe o quanto estava arrependido. Me xingou por "causar" seu ostracismo familiar e dos amigos. Disse que eu era um "garoto mimado” que sempre teve tudo de mão beijada. Isso me deixou perplexo. Eu, um garoto mimado? Saulo também foi alvo de sua angústia. Nenhum de nós suspeitava que seu ciúme e ressentimento fossem tão profundos, nem que tivessem origem na infância.

— Quem me dera pudéssemos dar alguma coisa a ele para acelerar as coisas. — Resmungou Saulo. — O idiota bebe como um peixe. Nesse ritmo, Cristal e Amélia vão levar até meia-noite para deixá-lo bêbado. Eu estava até torcendo para que a gente conseguisse pescar hoje à noite.

Eu ri baixinho. — Você só quer ver ele se borrar de medo.

Saulo deu uma risadinha. — Pois é. Como se você não se lembrasse. Foi ideia sua. Lembra?

— Paciência, vocês dois. As coisas boas vêm para quem espera, embora eu também esteja ansioso pela parte de defecar.

Meu pai deu um sorriso e, na penumbra do barco, parecia maligno.

Esse era um dos meus critérios. Eu queria que o talarico literalmente se chafurdasse na merda. O outro era que ele tinha que ter as duas mãos quebradas. Uma bela mensagem metafórica para manter as mãos longe de coisas e esposas que não lhe pertenciam.

O fato de, depois de ter as mãos quebradas e se chafurdar na merda, ele não conseguir limpar a própria bunda por um tempo foi apenas um bônus adicional para reforçar uma lição importante.

Mas primeiro Cristal e sua amiga precisavam embebedá-lo e convencê-lo a convidá-las para ir para casa. A casa dele era um chalé com uma escada estreita e íngreme que levava ao seu quarto, onde ele já havia brincado várias vezes que tinha sorte de nunca ter quebrado o pescoço ao tentar subir bêbado.... Esta noite, ele não teria tanta sorte.

— Que tal você nos levar, a mim e à Amélia, para sua casa e a gente festejar lá, querido?

Bati a cabeça com meu pai e com o Saulo enquanto todos nós, instintivamente, nos inclinávamos para mais perto do telefone, incentivando silenciosamente o Zaqueu a morder a isca.

—Claro, gata. — Ele murmurou. — Vamos festejar. — Ouviu-se um barulho de bebida sendo sorvida. Olhei para o meu pai e para o Saulo, e todos demos de ombros, era impossível dizer se alguém estava virando a bebida ou trocando beijos molhados.

Aguardamos mais alguns instantes para confirmar que eles realmente estavam indo embora, antes de nos levantarmos também.

— Vamos começar o show! — Exclamou Saulo, com um sorriso de orelha a orelha.

De repente, ele não parecia mais meu irmão de 34 anos, responsável e pai de dois filhos. Tudo o que eu via era o garoto de escola que me ajudou a espalhar graxa em todos os assentos dos vasos sanitários femininos durante o acampamento da escola. Nenhum de nós foi punido por aquela brincadeira, embora fosse de conhecimento geral que éramos culpados, já que nossa reputação de brincalhões nos precedia. Nos safamos porque nenhum de nós cedeu ao interrogatório dos professores.

— Isso vai ser como nos velhos tempos para vocês dois. — Brincou meu pai.

— Acho que os frutos não caíram muito longe da árvore, né, pai? — Brincou Saulo, com um sorriso ainda estampado no rosto.

Saulo tinha razão: as brincadeiras do papai deixavam a mamãe louca. Sorri para os dois, não conseguia imaginar cúmplices melhores para levar essa travessura adiante.

Um a um, descemos do barco e nos amontoamos no SUV preto do meu pai, escolhido para a aventura justamente por causa da sua cor. Era uma noite pouco clara, com, felizmente, apenas uma fina camada de nuvens. Perfeito para o que tínhamos em mente.

Por sorte, Zaqueu morava perto do lago, numa parte antiga da cidade que tinha visto um ressurgimento de popularidade, com muitos casais jovens comprando e reformando as casas. O pequeno chalé de Zaqueu ficava no canto mais afastado do bairro, além do qual se estendia o próprio lago. A rua tinha duas entradas e sabíamos que ele geralmente usava a que dava para a cidade, então usamos a que dava para o lago, estacionando na sombra de uma arvore, longe de qualquer poste de luz. Apesar da falta de iluminação, ainda assim nos mantivemos agachados por precaução, enquanto esperávamos um sinal de Cristal ou Amélia de que era seguro entrarmos.

Não demorou muito; quinze minutos no máximo. Todos nós colocamos balaclavas, luvas e bonés escuros que tínhamos comprado para a ocasião. Parecíamos uma paródia de ninjas. Um por um, nos encostando nas laterais dos prédios para usar as sombras como cobertura, fomos até o terraço do Zaqueu. Me senti como se estivesse em uma operação secreta de espionagem. Meu pulso estava acelerado, mas ao mesmo tempo era difícil não rir. Eu conseguia imaginar a cara dos três para alguém se a cena estivesse sendo filmada.

Saulo usando dois dedos para apontar para os olhos e depois para a porta da frente da casa do Zaqueu, no velho gesto de "olha/observa", quase me matou de rir.

As garotas gentilmente, como combinado, deixaram a porta dele entreaberta. Entramos sorrateiramente, seguindo em silêncio até a cozinha do Zaqueu. Podíamos ouvir a música, os murmúrios e as risadinhas vindas do andar de cima, onde ficava o quarto principal. Ele devia estar pensando que teria uma noite daquelas, se pegando com duas gatas, mas, com a quantidade de álcool que ele tinha bebido, eu me perguntava como ele achava que ia conseguir uma ereção.

Tirei o taco de beisebol da perna da calça. Encostei-o na parede. Nenhum de nós olhou para ele. Essa parte do plano seria a mais difícil.

— Vou descer e pegar mais bebidas para nós. — Não consegui distinguir se quem falou foi Amélia ou Cristal, mas foi Cristal quem apareceu no pé da escada.

Sempre cauteloso, o pai levou os dedos aos lábios, sinalizando para que ela não falasse. Concordando com a cabeça, ela foi até a geladeira e pegou três garrafas de refrigerante. Excelente; o sabor adocicado disfarçaria o gosto do laxante melhor do que os venenos habituais do talarico, cerveja ou vodca. A destreza com que as abriu me disse que ela estava longe de estar bêbada. Deixou as tampas rolarem pela bancada e levou uma garrafa aos lábios, engolindo um gole generoso.

Papai trouxe sua contribuição para as festividades da noite: o que ele chamava de laxante "forte", mais forte e de ação mais rápida do que qualquer coisa que se pudesse comprar sem receita. Ele tinha ido ao médico reclamando de prisão de ventre severa e saiu de lá com uma receita.

Cristal estendeu a garrafa em direção ao meu pai, que despejou metade do frasco. Piscando para ele, Cristal colocou o polegar sobre a abertura da garrafa e agitou suavemente para misturar. Depois de limpar o polegar em um pano de prato, ela piscou para nós mais uma vez antes de voltar para o andar de cima.

Ouvimos o tilintar de copos e mais comemorações, e logo Cristal voltou para pegar o clonazepam que meu pai trouxe junto. Ela e meu pai repetiram o ritual. Quando Cristal subiu as escadas pela última vez, Saulo teve que levar a mão à boca para conter o riso.

— Ele vai defecar pelo buraco de uma agulha. — Disse ele, ofegante.

— Isso se ele não explodir primeiro. — Sussurrou meu pai, igualmente divertido.

— Vamos lá, querido, beba tudo. Isso vai te reanimar um pouco. — Ouvimos Cristal insistir.

Passaram-se cinco longos minutos. Foi excruciante. Finalmente, as duas desceram as escadas sem demonstrar o mínimo sinal de embriaguez. Se beber fosse um esporte olímpico, as duas teriam sido medalhistas.

— Ele está fora de combate. — Sussurrou Amélia, embora provavelmente já não fosse necessário.

— Divirtam-se, rapazes. Foi um prazer fazer negócios com vocês.

Assim que elas saíram pela porta, subimos as escadas na ponta dos pés, eu na frente. O Zaqueu estava estirado de bruços na cama, com as calças jeans em volta dos tornozelos. Perfeito, mais uma desculpa para ele ter "caído".

Por precaução, dei um tapa na bochecha dele e depois na bunda, nenhuma reação. Ele estava completamente apagado. Meu pai nos surpreendeu com uma seringa para insulina, na mão, ele trouxe sem nos avisar e disse que ia aplicar o conteúdo nos testículos do Zaqueu.

Perguntamos o que era e ele apenas disse que era para ele nunca mais ferrar a vida de ninguém. Após a aplicação de uns 5 ml em cada testículo. Ele apenas segurou os ovos dentro da cueca e aplicou a injeção. Virei-o de lado e o posicionei de forma a conseguir segurá-lo pela parte superior do corpo. Saulo segurou suas pernas. Foi uma situação desajeitada, e eu quase caí também, mas conseguimos descer as escadas sem nenhum acidente. O Zaqueu não emitiu um único som. Ele estava realmente fora de orbita.

Colocamos ele no pé da escada e eu peguei o taco. Essa foi a parte difícil. Numa briga, eu não teria problema nenhum em quebrar os ossos dele, até teria sentido prazer nisso, mas espancar um homem inconsciente e indefeso ia contra a minha natureza.

Respirei fundo algumas vezes, relembrando tudo o que ele tinha feito com a Clara, todas as vezes que me desrespeitou, todas as traições, todas as vezes que ele olhou nos meus olhos e mentiu. Toadas as vezes que zombou na minha cara enquanto contava suas aventuras sem eu saber que era com minha esposa o que ele narrava.

Imaginei minha mãe chorando enquanto se despedia da irmã pela última vez. Lembrei-me de como ele me envolveu na mentira para se divertir. Pensei nele transando com a Clara no meu casamento, nele se vangloriando da ideia de engravidá-la e de eu, sem saber, criar o filho dele.

E então eu dei uma tacada.

Suavizei o golpe, atingindo apenas o suficiente para deixar uma marca roxa. Escolhi pontos em seu corpo que imaginei que ele poderia atingir na escada caso caísse. Além de um ou dois grunhidos baixos, Zaqueu quase não emitiu som.

Meu pai e Saulo não se afastaram e eu fiquei grato por isso. Aliviou minha culpa por ter espancado um homem inconsciente. A solidariedade deles, mesmo com toda a sua agressividade, me fez sentir justificado.

Passei o taco para Saulo antes de me ajoelhar ao lado de Zaqueu. Reunindo coragem, agarrei o pulso mais próximo de mim e, com a cabeça virada para o lado para não ter que ver, dobrei-o para trás até ouvir um estalo. Foi um som nauseante. Meu estômago revirou. Engoli em seco, agarrei o outro pulso dele e, antes que pudesse perder a coragem, repeti a ação. Soltei o pulso dele, inclinei-me para a frente, apoiando as mãos no chão à minha frente e vomitei.

Papai colocou a mão no meu ombro. — É bom não sentir prazer em aplicar uma justiça severa, mas não quero que você se arrependa disso. O castigo é merecido.

Eu cambaleei, me levantei e assenti com a cabeça, sem conseguir falar. Olhei para Zaqueu, atônito por ele quase não ter reagido a tudo o que eu havia feito com ele.

Por um instante, todos nos entreolhamos, sem saber o que fazer. Íamos embora? Esperávamos um pouco pelos, ah, fogos de artifício?

Zaqueu respondeu a essa pergunta soltando um pum alto e fétido.

—Afastem-se. — Avisou meu pai. — O Vesúvio está prestes a entrar em erupção.

Saulo deu uma risadinha; meu irmão adulto, forte e musculoso, riu como um adolescente pré-púbere.

Suas risadas não duraram muito, o cheiro era tão forte que poderia descascar a tinta das paredes e fazer qualquer um rir. Enquanto observávamos, uma mancha marrom se espalhou com velocidade alarmante pela parte de trás da cueca do talarico. O líquido escorreu pelo cós e pelas pernas, pingando pelas laterais do corpo e formando uma poça no chão ao lado dele. O fedor era suficiente para derrubar um exército.

— Acho que está na hora de irmos embora, rapazes.

Saímos tão discretamente quanto chegamos. Nenhuma palavra foi dita até estarmos de volta ao barco. Todos rimos, mas foi forçado. Eu esperava que fosse uma daquelas coisas que se tornariam engraçadas com o tempo, como aquela vez em que fiquei completamente bêbado e saí correndo, tendo o azar de bater, totalmente nu, na porta de um policial que me pegou antes que eu pudesse chegar à parte da corrida da brincadeira da festa. Foi naquela noite que descobri que não possuía velocidade ou reflexos sobre-humanos quando bêbado. Na época, não foi nada divertido ser trancado nu como um passarinho e depois ser libertado na manhã seguinte pela minha mãe, que não achou graça nenhuma. Agora, era uma história contada com frequência, para a diversão de todos.

Mais do que isso, eu esperava que meu pai e meu irmão nunca se arrependessem de terem me ajudado a obter justiça.

Enquanto papai nos levava para longe, Saulo e eu cortamos nossas roupas, luvas, balaclavas e bonés e jogamos tudo fora. O bastão de beisebol foi limpo adequadamente e descartado numa lixeira.

Chegamos em casa, bebemos conhaque e conversamos sobre todo tipo de coisa, menos sobre o que estava em primeiro plano em nossas mentes.

#####

— Meu Deus, gente, vocês não vão acreditar no que aconteceu no trabalho hoje! — Gritou Mel, jogando a bolsa na bancada da cozinha e se juntando a nós no pátio.

Assim que as crianças ouviram a mãe, abandonaram Saulo e eu, deixando-nos deitados de costas no gramado onde estávamos brincando de luta com eles.

— Mãe!

Virei-me de lado. — Bem, acho que isso mostra qual é a nossa situação.

Saulo deu uma risadinha. — Seja grato pelas pequenas coisas. Eles vão se cansar da mamãe daqui a uma hora e depois vão querer mais cócegas do papai e do tio Dani. Descanse e recupere as energias enquanto puder.

Por um instante, meu coração deu um aperto. Me perguntei se algum dia eu teria a oportunidade de ver meu próprio filho brincando comigo.

Levantei-me rapidamente, oferecendo a mão a Saulo. Ajudei-o a subir e nos limpamos antes de caminharmos tranquilamente até nos juntarmos à mamãe e ao papai. Mamãe nos ofereceu uma cerveja.

Momentos depois, Mel se juntou a nós e havia colocado as crianças em frente à TV para assistir a um filme.

— Nemo deve mantê-los ocupados por um tempo.

— Então, o que aconteceu no trabalho? — Perguntou minha mãe.

— Vocês não vão acreditar! Os paramédicos trouxeram o Zaqueu com os dois pulsos quebrados. Parece que ele bebeu demais e caiu da escada. Mas... — Mel caiu na gargalhada. Tentou se acalmar. — Mas a melhor parte é... — Ela se perdeu de novo. — Hehe, meu Deus! — Mais uma vez, ela não conseguiu continuar de tanto rir. — Ele se cagou todo! — Ela gritou, tapando a boca com a mão. — Ele está com uma assadura daquelas! — Mel estava chorando de tanto rir.

Todos rimos, e resisti à vontade de olhar para Saulo e para o meu pai, mantendo o olhar fixo em Mel.

—Assaduras? — Perguntei.

Mel enxugou o rosto com a ponta dos dedos, assentindo com a cabeça. — Sim. Ele ficou tanto tempo deitado na própria sujeira que está com uma assadura terrível. Está até na virilha. Tiveram que colocá-lo num quarto só para ele, porque precisam deixá-lo deitado de bruços com travesseiros apoiando o bumbum, já que a bunda e os testículos precisam de ar. Ele é motivo de chacota no hospital. E para piorar, com os dois pulsos quebrados, vai precisar que uma enfermeira ou a mãe dele segure o pênis e limpe a bunda dele toda vez que ele for ao banheiro, durante semanas.

— Karma. Tudo que vai, volta. — Murmurou minha mãe, satisfeita.

Eu sorri. O Universo me deu um bônus com a assadura.

— Ele sempre bebia demais. — Acrescentou meu pai, com um sorriso irônico.

Zaqueu teve alta dois dias depois e voltou para casa, para dar continuidade ao tratamento. Onde provavelmente fosse a tia Sueli a sua cuidadora.

Dois dias depois, Deise, nossa prima disse a Mel que Clara havia passado mal com fortes cólicas e teve que ser internada para exames, pois num primeiro momento não se descobriu o que estava lhe causando as dores abdominais.

Mel chegou em casa após mais um dia de trabalho no hospital. Ela tinha novidades sobre o caso de Clara.

— Parece que ela contraiu alguma doença sexual, uma DST, os médicos estão suspeitando de gonorreia, pois parte do canal vaginal e colo do útero estão apresentando necrose. E parece ser muito grave.

Nos entreolhamos, eu, Saulo e papai, incrédulos com a notícia. Mais tarde, longe das mulheres indaguei meu pai sobre a injeção nos testículos do Zaqueu, se tinha algo a ver com o problema de Clara.

— Não posso afirmar nada, más parece sim ter sido por causa disso. — Disse meu pai com um olhar preocupado. —

Eu apliquei calicida nos testículos dele, era pra matar os testículos devagar, o remédio tem uma atuação lenta e deve ter sido passado pra clara através do esperma do Zaqueu. Ela deve ter transado com ele nesses dias.

— Caraca pai, mas isso foi longe demais, era pra ser só uma surra e uma diarreia, más calicida? Onde o senhor viu isso?

— Isso já foi feito antes em algum lugar do mundo, eu li em um jornal a alguns anos e agora parecia ser o momento certo para testar. — Disse meu pai.

— E quais as consequências disso? — Indagou Saulo.

— Na reportagem dizia que o s testículos do cara morreram lentamente, sem que os médicos tivessem descoberto a tempo de reverter o processo de necrose.

— E o que pode acontecer com Clara, tendo se submetido ao remédio? — Perguntei.

— Acho que isso nós só vamos saber depois dos exames clínicos. — Respondeu meu pai.

######

Mel chegou na casa dos meus pais naquela quarta-feira com noticias intrigantes.

— Pessoal, fiquei sabendo hoje dos resultados dos exames da Clara, parece que terão que opera-la com urgência, os médicos estão achando que terão que abrir o abdômen dela para retirar as partes que estão necrosando e tentar salvar o máximo que puderem do útero de Clara. Pode ser que ela não possa mais engravidar, segundo boatos na enfermaria.

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Os meses que se seguiram provaram ser uma jornada longa e terrível. Clara perdeu o útero e as trompas, parte de seu canal vaginal foi atingido e pode ser que ela nunca mais sinta prazer no sexo, os efeitos colaterais do esperma contaminado deram um fim trágico a vida sexual de Clara. Zaqueu perdeu os testículos e a sensibilidade na genitália.

Agora ele tem algo pendurado entre as pernas que serve apenas para mijar. Ela culpa Zaqueu até hoje por lhe ter passado uma DST que ele acha que pegou de duas prostitutas numa noite de bebedeira.

Apesar da crueldade imposta por nós ao casal de pombinhos, agora me sinto de fato vingado por tudo que me fizeram durante doze anos da minha vida.

Clara cumpriu sua palavra, não havia mais limites, ela estava determinada a me fazer pagar por ter tornado públicas suas cartas de amor. Aparentemente, o perdão era algo que cabia aos outros conceder, não a ela. Agora estávamos lidando com uma Clara ressentida e vingativa pelos últimos acontecimentos.

Seu estado clinico nunca se tornou público e ela acha que não sabemos também e nunca foi mencionado em nenhum momento.

É claro que a ira dela se mantinha acesa por causa das cartas que se recusavam a desaparecer. Como um mau cheiro, elas continuavam voltando. Parecia que a cada duas semanas elas apareciam em algum fórum ou rede social. Chegou até a ter um piadista fazendo uma paródia delas no YouTube. Pelo que sei, o vídeo viralizou.

A persistência delas mantinha Clara irritada e determinada a me arruinar.

Primeiro, ela tentou ficar com metade do meu empréstimo para meus pais, mas o tribunal decidiu que a dívida teria que ser paga antes que ela recebesse sua parte das economias. Sua próxima manobra foi me expulsar da casa de campo, mas o juiz não viu motivo para mudar o status quo, especialmente depois que me ofereci para participar de uma mediação a fim de resolver nossas diferenças financeiras, economizando tempo e dinheiro do tribunal.

A mediação acabou prejudicando Clara. Quanto mais distante eu me mostrava, mais exaltada ela ficava. Mais de uma vez, o mediador teve que pedir que ela se acalmasse. Ela tentou obter uma participação na minha empresa, mas não conseguiu devido à forma como meus pais me obrigaram a estruturá-la. Mais um sábio conselho pelo qual serei eternamente grato a eles.

Depois de uma mensagem de texto particularmente cruel, enviada tarde da noite e, creio eu, motivada por uma nova onda de compartilhamentos e comentários nas redes sociais sobre muitas das cartas, fui à próxima sessão de mediação munido de uma lista elaborada para constranger Clara. Marquei pontos com a falta de poupança dela, ela deveria ter economizado dez por cento da sua renda, assim como eu, e os extratos bancários mostravam que ela não havia economizado um centavo desde que nos mudamos para a casa, enquanto eu havia guardado muito mais do que havíamos combinado. A mediadora, que na verdade era uma mulher, ficou chocada quando listei a quantidade de sapatos, “cinquenta e sete pares”, que Clara possuía. Deixei essa informação pairar no ar por um instante antes de acrescentar o número de bolsas de grife que ela tinha em nosso closet na época da separação, impressionantes “cento e vinte” e perguntei se ela gostaria de me dar acesso a elas para que eu pudesse escolher trinta ou quarenta como parte da minha divisão de bens, já que era tudo o que ela tinha para mostrar de suas supostas "poupanças". No final, a mediadora aconselhou Clara a não tentar ficar com metade das minhas economias de 10 mil dólares, dizendo que, à luz das minhas provas de que eu havia pago por praticamente tudo, exceto compras de supermercado, ao longo do nosso casamento, ela recomendaria ao tribunal que eu não fosse penalizado por ter economizado diligentemente enquanto Clara não o fizera.

Conforme o ano se aproximava do fim, porém, cansei dos joguinhos e convenci Clara a concordar em vender a casa inacabada. Eu não a queria mais. Queria seguir em frente com a minha vida, sem nada ao meu redor que me lembrasse do demônio disfarçado que fora minha esposa. O mediador apoiou a ideia. A casa foi vendida rapidamente e, devo admitir, senti uma grande satisfação em ter que entregar a Clara apenas um cheque de pouco mais de 5 mil reais quando tudo foi finalizado.

Com a questão financeira finalmente resolvida, dei entrada no pedido de divórcio. Mandei notificar Clara no local de trabalho dela, não tanto por desejo de humilhá-la, mas porque eu não sabia onde ela tinha passado os últimos doze meses. Tinha sido uma escolha dela. Eu queria, precisava de distância.

Na primeira noite, poucos dias antes de me reestabelecer, quando percebi que havia passado um dia inteiro sem pensar nela uma única vez, a sensação foi indescritível. Não havia palavras em nenhum idioma conhecido pelo homem para expressar a euforia que senti. Senti-me como imaginei que um homem moribundo se sentiria ao receber a notícia de que sua doença estava em remissão.

Eu realmente chorei. Apoiei a testa na mesa e solucei como um bebê, de gratidão. Onda após onda de lágrimas me inundaram, mas eu não lutei contra elas. Não dessa vez. Não lutei porque não eram lágrimas por Clara. Não eram pela perda do meu casamento. Não eram lágrimas de mágoa e dor, nem mesmo de raiva e fúria. Eram lágrimas de alívio. Puro e genuíno alívio. Eram as palavras da certeza de que haveria vida depois de Clara. Talvez até amor depois de Clara.

Foram a purificação final do meu coração. A libertação final das emoções negativas. Lavaram tudo o que me prendia à Clara. Não me fizeram mal. Curaram. Libertaram-me do meu passado, então deixei-as fluir e, quando finalmente se dissiparam, ri, eu estava livre. Claro, ainda havia alguns detalhes a acertar, mas emocionalmente, em todos os sentidos que importavam, eu estava livre.

Foi uma sensação poderosa; uma sensação que mudou minha vida.

Aquela noite foi o começo. O verdadeiro recomeço, onde finalmente consegui dormir à noite toda. Finalmente consegui desfrutar de uma refeição e saborear de verdade a comida que passava pelos meus lábios. E o melhor de tudo, finalmente experimentar um pouco de paz. Foi tão curativo, tão terapêutico que fiz tudo o que pude para cultivar essa sensação, eu não queria voltar a ficar obcecado com a Clara e com a nossa farsa de casamento.

E em algum momento percebi que não me sentia mais compelido a destruir Clara com minhas palavras. Eu tinha o que queria: indiferença, completa e absoluta indiferença.

Durante todo esse período, minha família esteve ao meu lado, suportando minhas oscilações de humor, meus desabafos sobre as últimas travessuras da Clara, meus dias ruins em que eu duvidava que aquele pesadelo algum dia tivesse fim. Não sei como teria conseguido sem o amor, a paciência e o apoio deles.

O talarico saiu da cidade sem suspeitar que fui eu quem quebrou seus pulsos e deixou seu traseiro em carne viva por causa de merda e seu pênis inválido. Isso só mostra que você não deve se meter com mulheres comprometidas.

De um jeito estranho, senti pena dele. Nossa família era grande, mas unida. Havia muitos aniversários, bodas, noivados e casamentos, e ele não estava mais na lista de convidados para nenhum deles. E ele tinha que carregar a culpa por sua mãe também não ser mais aceita. Eu esperava que isso o estivesse incomodando muito.

Um dos pontos altos do ano foi a Elem. Nós nos tornamos amigos.

Certa noite, ela me perguntou por que eu não sentia mais necessidade de falar com Clara sobre o que ela tinha feito. Colocar meus sentimentos em palavras me fez perceber que teria sido inútil. Clara não me ouviria. Ela não era capaz disso. Na melhor das hipóteses, seria uma troca de acusações sem fim. Na pior, só a ajudaria a justificar suas ações para si mesma. Por mais que ela não tivesse mais o poder de me ferir, eu não ia ajudá-la a aliviar sua consciência às minhas custas e a ouvir suas tentativas de encobrir seus atos com um monte de mentiras e autoenganos.

Foi durante uma noite com Elem, que tive uma espécie de epifania. Enquanto eu era o romântico que se casou por amor, Clara era a atriz e se casou com seu colega de elenco, seu protagonista, que deveria exibir sua beleza e talento.

Meu tempo com Elem foi platônico. Eu era completamente apaixonado por ela, e seus pequenos toques e olhares carinhosos me diziam que ela também gostava de mim, mas eu não queria entrar em um relacionamento rebote e magoá-la, ou a mim mesmo, aliás. Quando e se eu tomasse a iniciativa, queria ter certeza de que estava agindo, não reagindo. Queria que a decisão viesse de um lugar bom, não de carência. Fui sincero com ela e ela merecia minha honestidade. Disse a ela que estava passando por um momento difícil e, por admiração e respeito, não queria intensificar nossa amizade até que eu tivesse superado essa fase.

Nunca me esquecerei do sorriso dela quando me perguntou: "Está me dizendo que sou a sua luz no fim do túnel?"

# # #

Eu estava parado em frente à caixa de correio da minha nova casa, encarando o envelope de aparência oficial em minha mão. Eu sabia o que continha sem precisar abri-lo. Era o meu Decreto Absoluto.

Sem olhar para trás, caminhei até minha caminhonete e entrei. A cada placa de pare, a cada semáforo, eu olhava para o envelope no banco do passageiro. Acabou. Finalmente acabou.

Então parei de olhar para aquilo e me concentrei na estrada à frente. A estrada para o meu futuro. Quem sabia como as coisas seriam com a Elem? Nem eu. Nem ela. Mas eu tinha um bom pressentimento sobre isso, sobre ela, um pressentimento no qual eu estava pronto para apostar. Um pressentimento que eu queria explorar.

Acelerei, agora ansioso; eu queria ver a luz no fim do túnel e ia buscá-la.

Fim

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Comentários

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Como dizia meu filho quando perguntado se ele tinha gostado de alguma comida... "Gostei, mas não gostei muito"

Como em outros contos do autor... esse me parece mais um conto antigo americano que foi traduzido e atualizado...

Se fosse um conto que se passasse há uns 20 / 25 anos atrás era bem provável se estar mais adequado, pois cartas / jornais de circulação local e programas de rádio, combinariam mais...

A questão da DST em Clara é difícil de entender...

Se a prostituta tivesse encontrado com Zaqueu antes da vingança descrita nesse capítulo e transmitido no ato sexual ou até mesmo através de injeção como descrito que o pai de Dani fez, ficaria mais fácil de justificar...

É difícil crer em uma relação sexual entre Clara e Zaquel depois do cara ter quebrado dois pulsos, e a mãe (coitada) ter que limpar a bunda do mesmo...

E pra finalizar minha crítica, que espero ser construtiva...

A história é densa... bem construída, um pouco fora de época, como já citei, boa de ler, mas ela não é um conto erótico com cunho / apelo sexual...

É um drama que se desenrola a partir de uma traição!!!

De ante mão peço desculpa ao autor se fui invasivo nos meus comentários!!!

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Boa percepção, é mesmo de época, e quanto a DST, isso é o que o casal acha que é. Mas é um remedio para "calos" que foi injetado nos testiculos do Zaqueu. Demora de 7 a 15 dias para começar os efeitos.

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Caro Yarcano, não querendo ser invasivo, mas seria interessante que no início do conto fosse dado o ambiental e de quando se passa a história.

A questão do calicida eu entendi... mas o que não fica claro no conto é a relação sexual entre Clara e Zaqueu após ele ter sido "injetado" com o calicida, pois o cara estava com dois pulsos quebrados e todo "literalmente cagado"... kkkkk

E também a possibilidade desse calicida ter sido transmitido para a Clara pelo Sêmem é muito improvável!!!

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Muito bom mesmo vinganca feita

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Não consegui decifrar como a Clara contraiu essa DST, se quando o pai do do Daniel aplicou a injeção nos testículos foi na hora que quebraram os pulsos, e foi levado para o hospital, internado e de lá saiu, fazendo tudo pelas mãos dos outros.

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O talarico passou dois dias no hospital. O efeito da injeção é lento. Então, depois da alta, ele trepou e gozou dentro da Clara algumas vezes. Foi assim que ela contraiu a DST.

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Se igualou, a vingança com o tamanho da traição, só não explicou o grande cerne do conto, que são as cartas, qual o motivo do Zaqueu escreve-las, já que estão em desuso total e por qual motivo a Clara as guardou tão próximo, parece até óbvio, mas como nesse conto tudo foi muito fora do prumo, senti falta de uma explicação clara sobre as cartas, até porque eram um casal de traidores meticulosos, pois mantiveram segredo por mais de dez anos e as cartas expunham flagorosamente ao casal, não faz sentido, a Clara pode ser mau caráter, mas com certeza não é burra.

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Considerando que o narrador está em primeira pessoa, ele até teve interesse em saber, mas prezou pela indiferença. E de tão indiferente que ficou, passou a não se importar mais pelos detalhes.

Porém, para nós leitores, também queria saber mais sobre essas cartas.

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WOW!!!

Brutal a vingança contra Clara e o talarico. E foi de um jeito que eles nem desconfiam.

O que aconteceu com Clara mostrou que o remorso dela era só farsa visto que, depois de tudo que aconteceu com o talarico, ela continuou transando com ele.

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