30 Dias (Dias 11 e 12)

Da série 30 Dias
Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 3991 palavras
Data: 05/01/2026 18:25:54
Assuntos: Anal, Gay, Oral, Sexo

Dia 11

Acordei feliz. Sonhei com algo bom, porém não consigo lembrar; só sei que foi positivo. Percebi que o Ande já tinha acordado e não estava na cama. Achei estranho; ele deve ter precisado levantar cedo para ajudar o pai com alguma coisa. Levantei, fiz meu ritual matinal e desci para tomar café. Assim que cheguei à cozinha, encontrei-o à mesa.

— Acordou cedo? — perguntei.

— Sim, o idiota do meu irmão me acordou para ajudar ele com uma coisa para o meu pai.

— Entendi. Mas por que está tão bravo? — Ele estava muito emburrado.

— Odeio acordar cedo. Ele me acordou de propósito, nem era tanta coisa assim, mas beleza.

— Entendi. E aí, o que vamos fazer hoje? — Tentei mudar de assunto.

— Vamos para a academia. À tarde, o pessoal vai jogar Magic lá onde foi o torneio e, à noite, vai ter racha.

— Beleza, por mim tudo ok.

Depois de comer, fomos para a academia. John está agindo normalmente comigo, o que é bom; eu detestaria se alguma coisa mudasse. Por outro lado, isso deixa ainda mais evidente que foi só um lance. Não estou incomodado com isso, mas fico um pouco confuso em relação ao que tenho com o Alisson. A pior parte é não poder conversar sobre isso com ninguém.

— E aí, pronto para treinar pesado hoje? — John perguntou.

— Não, mas vamos mesmo assim. — Ele riu da minha resposta.

Enquanto estou malhando, ele me dá atenção quando preciso, mas não fica mais tão em cima de mim como antes. Acredito que seja porque já não preciso tanto de auxílio; faz sentido na minha cabeça. Mesmo assim, ele se mantém por perto para o caso de eu precisar de algo. Acho que não tinha percebido que o John meio que virou meu amigo também; não foi só o fato de termos transado. Eu converso com ele, já fui umas três vezes na sua casa.

— John, a gente é amigo, né? — perguntei.

— Que pergunta é essa, cara? Claro que somos — ele respondeu, sorrindo.

— Massa. É que eu queria conversar com alguém e não sei como, ou se posso tocar em certos assuntos — falei.

— Entendi. Cara, claro que podemos conversar. Já imaginava que tudo isso poderia ser novidade para você; até achei que você está lidando bem com a situação.

— É, mais ou menos. É só que algumas coisas estão meio confusas.

— Cara, podemos conversar sobre o que você quiser. Prometo manter tudo entre a gente; afinal, também não quero minhas coisas espalhadas por aí. — Senti que realmente podia confiar nele.

Por estarmos na academia, não dava para conversar muito bem ali, então combinamos de trocar uma ideia depois, em um lugar mais reservado. Foquei no treino para terminar logo. Acabei quase junto com o Ande de novo. Ele ainda estava de mau humor; tinha alguma coisa acontecendo e ele não queria contar. Não acho que ele tenha descoberto algo sobre mim, caso contrário já teria falado, então não faço ideia do que o está irritando. Porém, sei que deve ser algo pelo qual ele acredita que será julgado, por isso o segredo.

— Até mais tarde no racha, galera — John se despediu de nós.

— Ande, tem certeza de que você está bem? — Perguntei pela última vez.

— A mãe descobriu sobre a Júlia e agora está enchendo meu saco porque ela é mais velha e não é a "mulher ideal" para mim.

— Como ela descobriu?

— O imbecil estúpido do Alisson contou para ela. Esse filho da puta... — Ande estava realmente puto.

— Mas você nem está apaixonado pela Júlia mesmo — falei, tentando diminuir o estresse dele.

— Acontece que o que me deixou chateado é a minha mãe querendo se meter na porra da minha vida. Eu posso ficar com quem eu quiser, ela não tem nada a ver com isso. E outra: o Alisson só contou para ela para me foder, aquele babaca.

— Você tem certeza de que foi o Alisson?

— Tenho, a mãe me disse. Você não conhece o Alisson, Renan. Meu irmão é um sonso; ele e a maluca da noiva dele se merecem — disse Ande, colocando o capacete.

Voltamos para casa. Fui direto tomar banho e me arrumar para o almoço. Entendo o lado do Ande, embora ache que ele está exagerando um pouco. No entanto, conheço meu amigo: se eu ficar falando muito sobre isso, ele vai ficar puto comigo também ou cismar que estou defendendo o Alisson. E eu realmente acho que o Alisson não fez por propósito.

Almoçamos só nós dois à mesa. Ande não está falando com a mãe, o que é meio chato para mim, que fico no meio de um silêncio constrangedor. Ele está tão irritado que nem respondeu quando ela ofereceu sobremesa. O cara às vezes se comporta como criança, mas não tenho nada a ver com isso, então fico na minha e pego meu doce.

— Vamos ver o quinto filme agora, enquanto não dá a hora de ir jogar Magic? — propus.

— Pode ser.

O último filme da franquia After. Nem consigo acreditar que finalmente acabou, ou melhor, que começamos isso para início de conversa. Tem que ser muito "macho" para aguentar uma franquia assim, mas conseguimos. Os créditos finais passaram ao som de "We Are The Champions" na minha cabeça.

Ande foi banhar para sairmos. Ele usou o banheiro de cima e, como não gosto de usar o de baixo, esperei ele acabar. Aproveitei para mandar uma mensagem para o Alisson; estava curioso para saber se foi mesmo ele quem entregou o Ande sobre o romance com a Júlia.

— Seu irmão está chateado com você — comecei.

— Só porque acordei ele cedo?

— Não. Ele disse que você contou para a mãe de vocês que ele está ficando com uma mulher mais velha.

— Uma amiga dela viu os dois na pizzaria outro dia, aí ela veio me perguntar e eu confirmei. Pensei que não era segredo, já que ele não estava sendo discreto.

— Não acho que fosse, mas sua mãe ficou no pé dele porque ela é mais velha. Agora ele está puto.

— Cara, o Anderson se estressa por qualquer coisa. É só ele ignorar ela. — Alisson é bem prático; nós somos um pouco parecidos.

— Você dormiu bem? — perguntei.

— Não — ele respondeu.

— Por que não?

— Você não veio dormir comigo. — Isso teve um efeito estranho em mim; fiquei sorrindo feito um besta para a tela.

— Seu besta.

Ande voltou. Despedi-me de Alisson e fui tomar meu banho. Como imaginei, meu deck está dando uma surra no pessoal, porém admiro a coragem deles de continuar tentando bolar estratégias. Um deles até chegou perto de vencer. O humor do Ande melhorou também; vencer no jogo sempre o deixa mais animado. Tenho que admitir que os amigos dele do Magic são bem legais. Com eles, posso ser totalmente nerd — do tipo que discute anime e quase sai no braço por causa de jogo.

Essa sempre foi a minha tribo. É disso que sinto falta em casa. Tenho amigos ótimos, mas otakus mesmo, não tenho nenhum. Já estou muito velho para ficar indo em eventos com um bando de crianças, e nossos amigos da época do primeiro ano nem vão mais; alguns até já são pais. O nerd não sabe "perder o cabaço" com camisinha, aí sempre tem um soldado ferido no final.

— Renan, os boosters estão com um preço bom — Ande falou.

— Vou levar uns dois, então — respondi.

— Miserável! Vou te dar um a mais, então — ele disse, pagando um para mim.

— Eita, vai dizer que esse é meu presente de aniversário? — tirei onda.

— Negativo. Esse é só o começo do melhor presente que você já ganhou na vida.

— Ande, te falei que não quero nada grande nem épico — reforcei.

— Beleza, cara, relaxa. Vai ser só uma pizza sem graça. — Eu sabia que não seria só isso; Ande estava com aquela cara de moleque que aprontou alguma.

Ficamos o restante da tarde jogando e conversando bobeira; foi divertido. Depois fomos para casa. Foi só pôr os pés na residência para presenciar outra briga, dessa vez entre Ande e o pai, ainda por causa da Júlia. Não sei exatamente o que os pais dele têm contra ela, mas, pelo pouco que entendi, a mãe dele não faz o menor gosto nesse relacionamento. Mal sabe ela que, quanto mais reclamar, mais ele vai atrás da Júlia. Ande é uma criatura do contra.

Subi para o quarto; não queria ficar no meio daquilo. É constrangedor, não sei que cara fazer. No quarto da bagunça, vi o Alisson procurando alguma coisa. Ele me viu e aproveitou para me puxar e me beijar. Foi rápido, mas gostei bastante; animou-me todo.

— O que está procurando?

— Tem uma caixa que guardei aqui em cima, mas não estou achando.

— É muito importante? — perguntei.

— Só uns documentos que preciso para tirar o carro.

— Vai comprar um carro? — falei, surpreso.

— Na verdade, não quero. Vai ser uma despesa foda agora, mas a Carolina cismou que temos que ter um carro, porque a moto não é confortável e tais coisas — ele falou, e percebi uma certa chateação.

— Você gosta muito da moto?

— Ah, adoro moto desde pequeno. Foi meu avô quem me ensinou a andar e essa eu comprei com meu dinheiro, sem ajuda do meu pai. Pode parecer besteira, mas ela é especial para mim. — Os olhos dele brilharam ao falar dela.

— Você pode continuar usando ela.

— Na verdade, não. Vou vendê-la para dar a entrada no carro. — Agora entendi o desânimo.

— Sinto muito.

— Valeu.

— A culpa é toda sua, Alisson! Não me meto na tua vida, então não se mete na minha, porra! — Ande passou por mim reclamando com o irmão.

— Tenho que ir — falei, e Alisson mandou um beijo no ar para mim.

Ande estava furioso, reclamando que a família tem uma cabeça antiga, que são ultrapassados e conservadores. Concordo em partes, porém sei que não vai ser esbravejando que ele vai mudar algo.

Levou um tempo até que ele se acalmasse. Alisson apareceu no quarto e pediu para falar com ele. Retirei-me, pois sabia que precisavam conversar a sós. Fui para a cozinha aproveitar para comer algo. Fiz um misto-quente e peguei suco de maracujá. A mãe do Ande tentou me oferecer mais coisas, mas recusei. Ela saiu e fiquei sozinho até a Carolina, noiva do Alisson, aparecer.

— Você viu o Alisson? — perguntou, sem nem dar boa noite.

— Está conversando com o Ande. — Ela mal escutou e já foi em direção à escada, mas eu a interrompi; eles precisavam mesmo daquele momento. — Melhor você esperar. Eles estão resolvendo um problema que surgiu na família.

Ela me encarou por um tempo.

— Eu sou da família — disse ela. Por sorte, a mãe do Ande apareceu e a chamou para esperar o Alisson na calçada. Ela foi contrariada.

A mãe do Ande, mais que qualquer um, quer que os filhos se entendam, então não deixaria ninguém atrapalhar. Pela cara dessa Carolina, acho que deve estar rolando algo entre eles; ela não parece feliz. Parando para pensar, ela tem vindo pouco para cá. O Ande disse que ela praticamente mora aqui, mas, por alguma razão, o Alisson a tem trazido menos. Pelo que ele me falou, está trabalhando muito; deve ser isso.

Depois de um tempo, vi os dois na escada. Pareciam bem, pois falavam de futebol e apostas. Ande sentou-se à mesa e Alisson foi ao encontro da noiva. Meu amigo parecia melhor; pelo menos fizeram as pazes. Fiquei mais tranquilo, pois não gosto de conflitos. Ele comeu algo e subimos para nos arrumar para o racha. Ainda era cedo, mas Ande queria sair de casa, então fomos para a casa do John para partirmos de lá.

Queria conversar com o John, mas não consegui brecha. Ande estava perto. No racha, também não tive chance. Depois fomos tomar açaí. Alisson e Carolina estavam lá também. Dessa vez, Ande foi até a mesa, falou com eles e voltou animado.

— Renan, pode aloprar que o Alisson vai pagar! — Ele esfregou as mãos como um vilão de desenho animado.

— Sério? Melhor não.

— Ele me deve — afirmou.

— Aproveita, cara. Eu aproveitaria — disse John.

— Beleza.

Carolina foi quem pareceu não gostar. Acho que os vi discutindo algo. Quando nos sentamos para comer, Alisson foi ao caixa, deu-nos boa noite e foi embora. Ele não estava bem, eu sentia só de olhar. Comigo ele é relaxado, até sorri, mas ali ele estava tenso, irritado. Quis falar com ele, mas mandar mensagem com ela por perto não era seguro.

Depois do açaí, despedimo-nos e fomos para casa. Eu queria muito falar com o Alisson, mas não tinha como inventar desculpa para ir ao quarto dele, e nem sabia se a noiva estava lá — provavelmente sim, já que estavam estranhos.

Acho que o lance do carro está gerando estresse. Ela deve ter se incomodado por ele pagar nosso açaí, já que precisam economizar. Ou talvez seja outra coisa. Eles são tão reservados; Ande disse que, quando eles terminaram uma vez, a mãe só soube três dias depois.

Estou tão cansado que não tenho ânimo para filme. Ande ficou no celular por um tempo. Quando eu estava quase dormindo, ele me chamou.

— O que foi?

— Vou encontrar com a Júlia.

— Já é quase uma da manhã, Ande.

— Ela quer me ver, está de carro aqui perto. Vou lá e volto antes de amanhecer.

— Se seus pais souberem... — tentei pôr juízo na cabeça dele.

— Já tenho quase dezoito, eles não mandam mais em mim.

— Beleza. Cuidado, man.

— Relaxa.

Mesmo achando uma ideia ruim, ele foi. Essa era uma ótima oportunidade de ver o Alisson. Olhei o celular para ver se ele estava online, mas a última visualização foi às onze e meia. Não tem jeito. Quero muito falar com ele, mas não posso correr o risco. Resta-me dormir e esperar que amanhã seja um dia melhor.

Dia 12

Ande chegou às quatro da manhã. Acordei com o barulho e levou um tempo até eu entender que ele estava bêbado. Ele não é de beber, então não faço ideia do que aconteceu. Conversar com ele agora seria quase impossível; já era um milagre ele ter chegado ao quarto sem acordar ninguém, já que estava trançando as pernas. Nunca pensei que o veria assim.

— O que aconteceu, Ande? — perguntei.

— Estou bem, só bebi um pouquinho — disse ele, usando os dedos para fazer sinal de "pouco".

— Não é o que parece. Você precisa tomar um banho e um café. Se dormir assim, vai acabar passando mal.

— Não quero, Renan... O quarto está girando — ele quase vomitou.

— Você precisa mesmo de um banho. Vem, deixa eu te ajudar.

Tirei a blusa dele e depois a bermuda, deixando-o apenas de cueca. Tentei levá-lo para o banheiro, mas o Ande estava pesado e nem um pouco disposto a cooperar. Eu ia precisar de ajuda. Desci e fui até o quarto do Alisson. Bati na porta e o chamei da forma mais silenciosa possível. Ainda bem que ele tem o sono leve; na terceira vez que chamei, ele abriu a porta.

Alisson estava de cueca samba-canção, com o cabelo desgrenhado e olhar de sono. Como é possível ser tão lindo assim logo ao acordar? Coçando o olho de uma maneira muito fofa, ele perguntou o que tinha acontecido. Eu não podia perder tempo, então apenas disse que o Ande precisava dele, o que o fez despertar totalmente. Alisson saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, e me seguiu.

— O que você bebeu, Anderson? — Alisson perguntou ao irmão.

— Só vinho... Eu posso beber, posso fazer o que eu quiser!

— Não foi só vinho. Ele deve ter misturado algo a mais — concluí.

— Temos que dar um banho nele e fazê-lo tomar um café para melhorar antes de descansar — falei.

— Vou levá-lo para o banheiro. Você pode fazer um pouco de café? — Alisson pediu.

Ele levantou o irmão no colo e o levou para o banheiro de cima. Fui até a cozinha e, da forma mais silenciosa possível, preparei um café forte. O Ande já estava tendo problemas e ainda apronta uma dessas; eu sabia que sair àquela hora não era uma boa ideia.

Levei o café para o quarto. Depois de um tempo, Alisson trouxe o irmão enrolado em uma toalha. Peguei uma bermuda de futebol no guarda-roupa e entreguei para que ele o vestisse. Já vestido e tomando o café — e reclamando do gosto —, Ande começou a melhorar. Aos poucos, ficou menos agitado. Com os olhos baixos, mal me entregou a xícara e já quis deitar.

— Dormiu — falei.

— Quando ele acordar, dê um remédio para dor de cabeça. Esse cara está ficando doido; se a mãe acordasse, ele estaria lascado — comentou Alisson.

— Eu disse a ele que sair não era uma boa ideia.

— O Anderson não era assim. De uns tempos para cá, ele tem ficado muito rebelde. Mimado ele sempre foi, mas agora está com essa cisma de que estamos ferrando com a vida dele de propósito. Esse moleque às vezes consegue ser bem ingrato.

— Ele ama vocês, do jeito dele, mas ama — ponderei.

— Eu sei. Só queria que ele crescesse um pouco.

— Você também não anda muito animado, né? — Aproveitei a deixa.

— É que não tenho mais tanta certeza do que quero — ele falou, pensativo.

— Não quer mesmo abrir mão da moto? — perguntei, achando que era esse o ponto.

— É mais que isso. Não tenho certeza se quero me casar com a Carolina. — Fiquei em choque. Eu não sabia que o problema era tão profundo.

— Por quê? Pensei que você a amasse.

Alisson me olhou nos olhos.

— Não amo mais. Não sinto o que sentia antes. Esse é o problema; já venho pensando nisso há meses e agora tenho a certeza de que a paixão acabou.

— Acho que sei o que quer dizer — falei, porque percebi que me sentia muito mais satisfeito trocando mensagens com ele do que falando com minha própria namorada.

— Acho que estou dando mais importância para isso que temos do que deveria — ele disse exatamente o que passava pela minha cabeça.

— E você quer parar?

— O problema é que não sei se consigo.

Alisson aproximou-se e me beijou. Foi um beijo maravilhoso, daqueles que tiram o chão. Passei minhas mãos pelo seu pescoço e ele me abraçou pela cintura. Nossos corpos estavam colados.

— Temos que parar... O Ande pode ver — consegui balbuciar entre um beijo e outro.

Ele saiu do quarto segurando minha mão e me levou até o quarto da bagunça. Colocou-me contra a parede e voltou a me beijar — no pescoço, no queixo, mordendo minha orelha. Minhas mãos agarraram suas costas, trazendo-o ainda mais para mim. Alisson afastou-se um pouco para ter acesso aos meus mamilos; fechei os olhos, permitindo-me viajar no prazer que a língua dele me proporcionava.

Ele foi descendo até ficar de joelhos. Baixou minha bermuda, segurou meu membro e o colocou na boca. A sensação era surreal; sua boca era quente e úmida. Ele me chupava com uma vontade que me fazia vibrar, e mesmo quando o dente encostava de leve, eu não me importava. Ver aquele "deus grego" ali, entregue a mim, era enlouquecedor.

Depois de um tempo, eu quis retribuir. Puxei-o para cima e o beijei com ferocidade. Ajoelhei-me e, pela abertura da cueca samba-canção, tirei o seu pau para fora. Agora era minha vez. Segurei seus cabelos e ele começou a ditar o ritmo, indo fundo até me fazer engasgar por um momento, para logo depois voltar. Eu estava louco de prazer.

— Quero tentar — falei, olhando-o com desejo.

— Tem certeza? Estou sem camisinha aqui.

— Eu quero.

Alisson me levantou, beijou-me e me virou lentamente de costas. Senti o calor percorrer meu corpo quando ele encostou na minha entrada, lubrificada pela nossa própria saliva. Quando ele começou a entrar, senti uma dor forte. Ele me segurou com firmeza, dando-me coragem. Aguentei a dor, concentrando-me apenas na sensação de tê-lo dentro de mim. Eu estava perdendo minha virgindade anal com alguém muito especial.

Ele movia-se com calma, beijando-me durante o processo. A dor tornou-se suportável, embora ainda intensa.

— Quer parar? — ele percebeu meu desconforto.

— Deixa aí mais um pouco, eu aguento — respondi, buscando seu beijo.

Ele começou a me masturbar enquanto me possuía devagar. Era um esforço gigante não gemer alto; minha vontade era de gritar de prazer. Nossos rostos estavam colados. Ele continuou por mais um tempo até que não aguentei mais e gozei enquanto ele me masturbava e me comia ao mesmo tempo. Ele quase chegou ao limite dentro de mim, mas tirou a tempo, finalizando na minha bunda. Nossas respirações estavam ofegantes.

— Isso foi incrível — ele sussurrou.

— Foi ainda melhor do que imaginei.

— Sabia que sonhei fazendo isso com você ontem?

— Se eu te disser que sonho com isso desde que te vi de toalha pela primeira vez, você acredita?

Ele riu, mas já estava tarde; precisava voltar para o quarto. Eram quase cinco da manhã. Tomei um banho rápido e voltei para a minha rede. Eu estava nas nuvens. Dolorido, sim, mas valera a pena. Depois de hoje, não dava para negar: eu estava apaixonado pelo Alisson.

Levantei bem mais tarde. Ande estava melhor do que eu esperava; o banho e o café ajudaram. Ele estava acordado, mexendo no celular.

— Ande, o que aconteceu ontem?

— Cara, ontem foi louco. A gente se pegou no carro, depois fui para a casa dela.

— Estou falando do porre que você tomou.

— Nem lembro quando comecei a beber, mas não tem nada, não. Cansei dos meus pais se metendo na minha vida o tempo todo.

Preferi não bater boca. Fui almoçar já perto das duas da tarde. Eu me sentia exausto, como se a ressaca fosse minha.

— Vamos para a academia mais tarde, beleza? — disse Ande. — Eu pago uma pizza depois para compensar o estresse de hoje cedo.

— Estresse?

— É, aposto que o Alisson ficou puto por eu ter acordado ele. Se ele tiver sido ignorante com você, pode me falar.

— Está de boa — respondi, apenas aceitando a pizza.

Dormi a tarde toda e só acordei às cinco. A academia foi monótona; John estava de folga resolvendo coisas em outra cidade. Quando voltamos para casa, o clima estava pesado. O pai do Ande discutia com um homem alterado na porta. A mãe dele estava na cozinha com um semblante péssimo.

— Mãe, por que o pai da Carolina está discutindo lá fora? — Ande perguntou.

— Seu irmão ficou doido. Ele foi lá depois do almoço e disse para a menina que não queria mais casar.

— Puta merda — soltou Ande.

— Olha a boca, Anderson! — a mãe o repreendeu.

— Onde ele está? — perguntei.

— No quarto dele.

— Por que o meu pai tem que falar com o sogro dele? Ele é quem devia estar lá fora! O Alisson é um egoísta, eu sabia que ele ia fazer merda! — Ande estava irado e foi em direção ao quarto do irmão.

— Ande, para com isso — tentei evitar a confusão.

— Renan, sobe para o quarto. Isso aqui é um problema de família — Ande disparou, de forma grossa.

Fiquei magoado, mas ele tinha razão. Fui para o quarto e logo ouvi a gritaria. Ande e a mãe gritavam com Alisson. Eu queria estar lá, segurando a mão dele; terminar um noivado de anos não deve ser fácil. Depois de um tempo, o barulho diminuiu. Ande entrou no quarto pisando forte, irritado porque o pai estava tentando "passar a mão na cabeça" do Alisson em vez de brigar com ele.

— O pai sempre faz isso. Quando é o Alisson, ele quer relevar tudo.

Fiquei calado. Se eu dissesse o que pensava, o Ande ficaria ainda mais puto comigo. A família não era minha, então não cabia a mim opinar. Fiquei no meu canto olhando o Instagram enquanto ele reclamava.

A confusão cortou qualquer ânimo de sair. A Carolina ainda apareceu e fez um barraco, querendo falar com o Alisson, mas o pai dele a mandou embora quando viu que ela só queria gritar. Alisson foi deixá-la em casa, voltou e se trancou no quarto. Eu queria muito falar com ele, mas o melhor era dar espaço e esperar o sono chegar.

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Comentários

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A partir daqui é só confusão atrás de confusão kkkkk

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