Capítulo XXXVI — O confronto com o passado...
Rafa narrando...
Eu sempre imaginei que, depois de tudo o que vivemos, entrar numa sala de reuniões com aquelas paredes envidraçadas, a vista gigante da Avenida Paulista e uma mesa longa o bastante para acomodar vinte pessoas… seria algo distante da nossa realidade.
Mas ali estávamos: eu, ele, Miguel e mamãe. Não como espectadores. Não como pessoas tentando se encaixar. Mas como quem finalmente chegou ao lugar onde deveria estar.
Mamãe abriu a pasta diante dela e sorriu de um jeito que só quem conhece vê a mistura de orgulho e ansiedade contida.
— O projeto do parque solar foi um sucesso absoluto — anunciou. — A equipe concluiu a fase final ontem, e o relatório diz que teremos um impacto ambiental e financeiro muito acima do esperado. Parabéns ao nosso gestor de sustentabilidade… — ela olha para Miguel com carinho. — Você entregou mais do que prometeu.
Miguel ficou vermelho, coçando a nuca do jeito atrapalhado dele.
— Eu só… fiz o meu trabalho, Dona Elo — quer dizer, mamãe Eloísa.
Ela riu baixo.
Rafa, do meu lado, soltou aquele sorriso enviesado, cheio de afeto.
— Fez o seu trabalho? Cara, você praticamente viveu dentro do parque solar nesses últimos dias. Se não tivesse trago esse resultado, eu ia perguntar se era mesmo você ou um sósia desanimado.
Miguel riu, mas a voz vacilou.
— Eu… ainda tô tentando acreditar que faço parte disso tudo.
Mamãe tocou o braço dele.
— Você ganhou seu lugar com trabalho, Miguel. Com brilho e com lealdade.
Rafa então entrelaçou os dedos aos meus, olhou pra frente e respirou fundo. Eu conheço esse gesto. Era aquele momento.
— Miguel… — ele começou. — Eu tenho mais uma coisa pra te contar.
O silêncio tomou a sala.
Miguel arregalou os olhos.
Rafa continuou:
— Quando eu e Caio viajarmos pra lua de mel, você vai treinar pra assumir o cargo de diretor interino.
Miguel piscou. Piscou de novo. Abriu a boca. Fechou. Abriu outra vez.
— Eu? Diretor? Interino? EU? — ele apontou para o próprio peito, desesperado. — Gente, não, vocês tão brincando. Não tem condição. Isso aqui é… é coisa grande demais. É coisa pra quem nasceu nesse mundo, pra quem estudou pra isso, não. —
Rafa levantou a mão, cortando gentilmente.
— Miguel. Para. Você merece. E mais: você conquistou isso.
Eu entrei na conversa, porque ele parecia realmente prestes a desmaiar.
— Miguel… — falei com o tom mais firme e acolhedor que consegui. — Você salvou a gente mais vezes do que percebe. Ficou do lado quando tava tudo desmoronando. Trabalhou como ninguém. Você é capaz. E a empresa confia em você. Nós confiamos.
Ele inclinou a cabeça e eu vi a lágrima escorrer antes mesmo de ele tentar disfarçar.
— Eu não sei o que dizer… — murmurou.
Rafa então tirou algo do bolso: um molho de chaves prateadas.
— Então nem precisa dizer nada. — Ele colocou as chaves nas mãos de Miguel. — Essas aqui são do meu antigo apartamento. Ele vai ficar vazio por bastante tempo, já que eu e Caio vamos morar com mamãe na mansão. Fica perto da empresa, tem tudo o que você precisa. E… eu quero que você use. Até quando quiser.
Miguel quase deixou as chaves caírem.
— Cara… — ele sussurrou. — Isso é grande. Isso é muito grande. Você… você tá me dando um lar.
Rafa tocou o ombro dele.
— Não tô dando. Tô dividindo. Porque família é isso.
Mamãe fechou a pasta e sorriu de um jeito tão doce que meu peito se apertou.
— Eu sempre quis ter dois filhos por perto — disse ela. — Agora eu tenho três.
Miguel levou a mão ao rosto e riu entre lágrimas.
— Eu não… eu não mereço tanto. De verdade.
— Merece, sim — respondi. — E merece ainda mais, Miguel. Confia.
Mamãe então se levantou.
— Vamos te deixar respirar um pouco. Venha, Miguel… temos contratos para revisar antes da coletiva da próxima semana.
Eles saíram. Fecharam a porta. E o silêncio que ficou era cheio, não vazio. Cheio de significado, de emoção, de algo que só a gente entende.
Rafa levantou devagar, veio até mim… e antes que eu pudesse perguntar o que ele estava pensando, ele segurou minha cintura, me levantou e me colocou sentado em cima da mesa da sala de reuniões.
— Rafa! — protestei, rindo, quase tropeçando nos papéis. — Aqui?! A sala de reuniões da sua mãe?!
— É nossa, agora. — Ele colou a boca na minha. — E eu tava doido pra fazer isso desde a hora em que você entrou por aquela porta.
O beijo dele veio urgente, quente, saudoso. Aquele beijo que diz eu tô aqui, eu te quero, eu te escolho, tudo ao mesmo tempo.
Minhas mãos foram para o rosto dele, e eu senti o cheiro familiar do perfume misturado com nossa história inteira.
Ele encostou a testa na minha, ofegante.
— Caio… — murmurou. — Eu tenho pensado muito sobre o casamento.
Meu coração disparou.
— Pensado o quê?
Rafa segurou minhas mãos, apertando de leve.
— Que eu quero estar totalmente presente. De corpo, alma e mente. E isso significa uma coisa: eu vou ajudar a mamãe… sim. Mas de forma indireta. Sem assumir tudo. Sem deixar o trabalho roubar o que a gente construiu.
Ele passou o polegar pelo meu pulso.
— Eu quero você. Quero nossa vida. E não vou deixar nenhuma cadeira de diretoria me afastar de você.
Fechei os olhos. Respirei fundo. O peso que eu nem percebia que ainda carregava… simplesmente caiu.
— Eu penso da mesma forma — respondi. — E fico feliz que você tenha chegado a essa conclusão sozinho. Seu lugar é comigo. E o resto… a gente faz funcionar junto.
Ele sorriu, aquele sorriso lento, cheio de certeza.
— Então tá decidido. — Ele me puxou pela nuca e me beijou de novo. — O casamento vem primeiro. Sempre.
Ficamos ali por alguns segundos, ou minutos, não sei, embalados no som distante da cidade. Só nós dois. Como se a sala inteira tivesse se transformado numa cápsula de futuro.
— Eu te amo… — murmurei contra os lábios dele.
— Eu te amo mais… — ele respondeu, beijando meu queixo, meu pescoço, meu sorriso.
E naquele instante, eu tive certeza: o mundo podia girar do jeito que quisesse. Podia tentar nos arrancar um do outro. Podia colocar tempestades, prisões, dores, julgamentos. Mas ali… naquela sala de reuniões iluminada pelo sol da tarde de São Paulo… nós éramos invencíveis.
E estávamos só começando.
Caio narrando...
Quando saímos da Santos Montenegro naquele final de tarde, senti o vento bater no meu rosto como se o mundo tivesse aberto uma porta nova só pra gente. Rafa caminhava ao meu lado com aquele jeito dele, firme, presente, com a mão quente segurando a minha como se dissesse, sem palavras: “Eu tô aqui.” E aquilo, depois de tudo o que passamos, tinha um peso tão profundo que só de sentir a pele dele raspando na minha eu já me emocionava sem que ele percebesse.
O céu de São Paulo estava num daqueles tons indecisos de ouro e cinza, parecendo um véu sobre a cidade. Uma luz suave entrava entre os prédios e iluminava o rosto dele. Eu fiquei olhando por alguns segundos longos demais, sem conseguir evitar. Ele percebeu, claro.
— Tá me olhando por quê? — ele perguntou sorrindo, aquele sorriso torto que sempre me desmontou desde o primeiro dia.
— Porque você fica ainda mais bonito nesse horário — respondi sem pensar.
Ele riu, envergonhado.
— Só você pra dizer essas coisas pra mim… vem, vamos ver sua mãe, amor.
E fomos.
A casa da minha mãe sempre teve cheiro de colo. Aquele aroma de café recém-passado, pano seco, bolo quentinho… tudo misturado a um perfume simples de alfazema que ela usa desde que eu era criança. Antes mesmo de bater na porta, ela já chamava:
— Entra, meu filho! A porta tá aberta!
Quando abrimos, ela estava arrumando a mesa de centro como quem sente que algo importante vai acontecer. Ela olhou pra gente e abriu um sorriso tão grande que iluminou a sala toda.
— Boa tarde, meu genro mais lindo do universo! — ela disse abraçando Rafa primeiro. — Vem cá, meu amor, deixa eu apertar você!
Eu ri. Rafa ficou todo vermelho.
Depois ela me abraçou. E é impossível explicar o que é o abraço da minha mãe. Parece que ela segura até as partes que eu nem sabia que estavam machucadas.
— Aconteceu algo? — ela perguntou, com aquele olhar que lê segredos.
Sentamos. Rafa tomou a frente:
— Aconteceu, sim, Dona Lúcia… e é coisa boa.
Ele apertou minha mão. Eu contei.
— Mãe… nós vamos casar. De vez. Sem nenhum fantasma no meio. E… também vamos morar com a mãe do Rafa, com a mamãe, lá na mansão. E tem mais…
Rafa completou:
— Miguel vai ser treinado para diretor. E vai ficar no meu antigo apartamento.
Minha mãe levou as mãos ao peito.
— Meu Deus… meus meninos cresceram tanto… — a voz dela falhou, mas ela sorriu. — Eu tô tão orgulhosa de vocês…
Foi então que tomei coragem.
— Mãe… eu queria te convidar pra morar com a gente.
Ela parou. Literalmente parou. Nem piscava.
— Com vocês? Lá?
— Sim. — engoli o choro. — Quero você perto. Pra sempre.
Ela deixou as lágrimas caírem, mas era um choro bonito, daqueles que lavam a alma.
— Eu aceito, meu filho… claro que eu aceito… eu esperei tanto pra ver você feliz assim…
Rafa abraçou ela e eu junto. Ficamos os três unidos ali por um tempo que eu queria que durasse pra sempre. Era como se tudo, absolutamente tudo, tivesse finalmente chegado ao lugar certo.
Então ela inspirou fundo. Outro tipo de respiração. Aquele tipo que anuncia algo difícil.
— Caio… tem algo que eu preciso te contar.
Meu coração gelou.
— O que foi, mãe?
Ela abaixou o olhar, respirou de novo, e falou com esforço:
— Há alguns dias… a esposa do seu pai me ligou.
Eu perdi um segundo de ar. Rafa percebeu na hora. Ele segurou minha mão como se ancorasse meu corpo no lugar.
— Ela disse que seu pai está muito doente. Muito mesmo. — a voz dela vacilou. — E… ele quer te ver. Ele pediu por você, Caio.
Foi como levar um soco por dentro.
Um silêncio enorme caiu na sala. Eu ouvia o relógio na parede. A respiração do Rafa. A minha própria respiração falha.
— Mãe… — sussurrei. — Por que não me contou antes?
Ela começou a chorar.
— Porque eu tive medo, meu filho… medo de te machucar, medo de você achar que eu estava tentando forçar um encontro… mas essa pode ser a última chance… ele está desenganado.
Meu corpo inteiro tremia.
Rafa passou a mão na minha nuca, devagar, e me puxou pro peito dele. Eu encostei e chorei baixinho, sem conseguir falar nada por alguns instantes.
Quando consegui, foi apenas:
— Eu… eu quero ver meu pai.
Mamãe assentiu.
— Ele está em Belo Horizonte.
E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Rafa afirmou:
— Nós vamos pra lá juntos. Eu não deixo você ir sozinho.
Eu olhei pra ele. Desfeito. Vulnerável. E completamente sustentado pelo amor dele.
— Rafa…
— É sério, amor. — ele disse, firme. — Eu te acompanho onde for. Em qualquer dor. Em qualquer recomeço. Em qualquer despedida.
Mamãe colocou a mão sobre a nossa.
— Rafael… — ela disse emocionada — cuide do meu filho. O Caio… ele sente mais do que mostra.
Ele segurou a mão dela, com respeito profundo.
— Eu vou cuidar dele todos os dias. Com tudo que eu sou. Eu prometo.
A sala ficou silenciosa, mas não era um silêncio pesado. Era espirituoso, cheio de significado, cheio de promessa.
Mamãe limpou o rosto.
— Então está decidido… vocês vão viajar. E eu… vou rezar pra que esse encontro cure o que precisa ser curado.
Eu respirei fundo. Senti meu peito expandir e doer ao mesmo tempo. Senti medo. Senti coragem. Senti Rafa. Senti minha mãe.
E percebi que, pela primeira vez na vida, eu não ia enfrentar minha história sozinho.
Eu tinha amor.
Eu tinha casa.
Eu tinha onde voltar.
E isso… muda tudo.
Caio narrando...
A noite já tinha caído quando deixamos a casa da minha mãe. O caminho de volta era silencioso. Eu segurava a mão de Rafa no carro, sentindo ele apertar a minha de vez em quando, como se lembrasse que eu precisava de um ponto de apoio pra não desmoronar.
Meu peito ainda queimava com a notícia. Meu pai… doente… querendo me ver. Não era uma frase fácil de engolir.
Estávamos quase chegando ao apartamento quando Rafa reduziu a velocidade, desviou a rota e estacionou perto da areia. Olhei pra ele sem entender.
— O que você tá fazendo, amor? — perguntei, a voz mais fraca do que eu imaginava.
Ele desligou o carro, abriu a porta e, antes que eu pudesse protestar, segurou minha mão.
— Vem comigo, Caio. Só… vem.
E eu fui.
A praia estava quase vazia, apenas o som do mar e o brilho das luzes distantes refletindo na água. O vento da noite deslizou pela minha pele, trazendo um arrepio que não era só de frio. Era um arrepio… emocional.
Rafa parou de frente pro mar e respirou fundo, como se precisasse daquele ar pra me entregar algo importante.
— Eu sei que cê tá com medo — ele disse, olhando pro horizonte. — Mas, Caio… essa é a sua chance. A última. A vida não é justa, mas às vezes ela dá essas brechas… pequenas janelas pra gente se resolver.
Engoli seco. Minha garganta queimava.
— Eu não sei se eu consigo, Rafa…
Ele virou. Os olhos dele brilhavam com aquele tipo de sinceridade que sempre me desmontou.
— Consegue, sim. E eu vou com você. Não existe mundo onde você vá enfrentar isso sozinho.
Aquelas palavras vieram como um abraço quente por dentro. Respirei fundo e deixei que o vento secasse uma lágrima que escapou.
Rafa sorriu de leve.
— Espera aqui um minuto.
Antes que eu perguntasse qualquer coisa, ele já estava caminhando em direção ao mar. Tirou a camiseta no caminho, e eu sempre fui fraco pra isso, deixando o corpo dele à mostra sob a luz tênue da lua. A água bateu nos tornozelos, depois no peito. Ele mergulhou.
E eu fiquei ali, parado, observando, preso numa mistura de amor, admiração e um medo que não tinha nada a ver com perigo… era medo de tudo que estava acontecendo dentro de mim.
Rafa emergiu alguns segundos depois, passando a mão no cabelo molhado. Sorriu daquele jeito que sempre me desmontou e caminhou de volta, a pele úmida brilhando. Quando ficou a poucos passos de mim, aquele homem parecia… mais do que meu namorado. Parecia meu destino inteiro.
— Caio — ele chamou, estendendo a mão. — Vem cá.
Eu fui.
E quando ele me puxou, o corpo molhado dele encostou no meu, quente apesar da água fria. Ele pegou minha mão e me guiou até a areia mais seca. Ajoelhou-se e começou a desenhar algo com o dedo.
Eu reconheci na hora. Um coração. Nós dois dentro dele. Meu peito se apertou.
— Isso aqui — Rafa disse, olhando diretamente pra mim — é o que importa. Não importa o passado, não importa a dor, não importa o que te tiraram. O que você vai ganhar agora… é sua paz. E eu vou estar lá com você. Até o fim.
Eu não aguentei. Abracei ele forte, muito forte, com uma urgência que parecia gritar fica comigo, não solta, não agora.
— Eu te amo — falei contra o pescoço dele. — Você pensa em tudo… sempre.
— Porque eu te amo também — ele respondeu, a voz baixa, rouca. — E eu te prometi que seria seu porto seguro.
Ele me beijou. Devagar no começo. Depois com mais firmeza, como se quisesse apagar todos os meus medos com a boca dele. E funcionou. Cada toque dele me puxava de volta pra mim mesmo.
— Vamos pra casa — Rafa disse contra meus lábios. — Quero você comigo.
Depois de alguns minutos dirigindo, finalmente chegamos em casa. Assim que fechamos a porta do apartamento, Rafa me empurrou devagar contra ela, os olhos queimando de um jeito que só ele tem. O ar entre nós vibrou, não tem outra palavra, vibrou. Como se tudo o que vivemos nos últimos meses tivesse se acumulado nas bordas da pele, pedindo pra explodir em toque.
Ele passou as mãos molhadas pelo meu rosto, descendo pelos lados do meu pescoço, polegares roçando a minha garganta.
— Você ficou tão lindo me chamando de seu… — ele sussurrou, a boca roçando a minha sem beijar de verdade.
Isso me destruiu completamente.
Eu agarrei a camisa dele, puxei pra perto, e quando a boca dele finalmente encontrou a minha, foi como se minha alma tivesse lembrado a própria casa. O beijo veio forte, profundo, urgente, e eu senti ele sorrindo no meio do beijo quando eu deixei escapar um gemido baixo.
As roupas foram caindo devagar, mas não por acaso, pela vontade.
A camiseta dele saiu primeiro, e eu passei as mãos pelo peito dele, sentindo cada detalhe do corpo que eu já conhecia e mesmo assim me arrepiava como se fosse a primeira vez. Ele também tirou minha camiseta, mas com mais calma… como se estivesse abrindo um presente que não queria rasgar o papel.
— Deixa eu cuidar de você… — ele murmurou, a voz grave, arrastada, enquanto beijava meu ombro, meu pescoço, a curva onde o pescoço encontra a clavícula, meu ponto fraco absoluto.
Eu tremi inteiro.
Ele percebeu.
Ele sempre percebe.
Rafa me guiou até o sofá, e me deitou ali como se estivesse me deitando num altar que só nós dois entendíamos. O corpo dele veio por cima do meu em um movimento lento, preciso, cheio daquela fome suave que ele tinha quando queria fazer tudo durar.
Minhas mãos passeavam pelas costas dele, sentindo a pele quente, sentindo o coração dele batendo forte, como se chamasse o meu.
Ele deslizou os lábios pelo meu peito, descendo devagar, e cada toque parecia acender luzes novas dentro do meu corpo. Eu gemia baixo, com a respiração curta, as pernas enroscando na cintura dele quase sem perceber.
— Você é tudo pra mim, Caio… — ele sussurrou, olhando pra mim de baixo pra cima, aquele olhar que me desarma de todas as maneiras possíveis. — Tudo.
Eu segurei o rosto dele entre as mãos.
— Eu sou teu… sempre fui e sempre serei.
Rafa sorriu, aquele sorriso raro, pequeno, que ele só dá quando está completamente entregue.
E então ele voltou a me beijar. Lento. Profundo. Como se o mundo tivesse diminuído até caber no espaço entre nossas bocas.
O toque dele não era só desejo.
Era cura.
Era reencontro.
Era promessa.
As mãos dele exploravam cada canto do meu corpo, como se estivesse reconquistando território depois de quase perder tudo, e eu deixei, eu queria, eu precisava disso dele. Das mãos, dos lábios, da respiração quente roçando a minha pele.
Naquele momento, eu não era só Caio.
Eu era dele.
E ele era meu.
A entrega veio natural, inevitável, como se nossos corpos já tivessem decorado o caminho um do outro. Movíamos juntos, num ritmo que não precisava de palavras, porque já existia antes de qualquer explicação.
Gemidos baixos, respirações pesadas, mãos firmes, toques que diziam coisas que nenhum diálogo no mundo conseguiria dizer.
Eu olhei nos olhos dele no meio da entrega, e vi tudo ali: o medo, o amor, o desejo, a vulnerabilidade, a força… e o futuro.
Nos movemos até não saber mais onde começava um e terminava o outro. Até que o prazer veio denso, quente, arrebatador. Até que ficamos ofegantes, suados, abraçados, com as pernas ainda enroscadas.
Ele encostou a cabeça no meu peito, ouvindo meu coração, e eu afaguei os cabelos dele enquanto a respiração dele voltava ao normal.
— Eu precisava disso… — Rafa sussurrou.
— Eu também.
Silêncio. Mas daqueles bons. Que abraçam a alma. Que dizem mais que qualquer frase.
— Eu te amo. — ele disse, com voz baixa.
— Eu te amo mais…
E eu senti. No corpo. Na alma. No toque ainda quente dele sobre minha pele.
Aquela noite não foi uma noite comum. Foi um recomeço. Foi a certeza. Foi o amor dizendo: agora é pra sempre.
